segunda-feira, 15 de abril de 2013

O penalty foi mal assinalado

A maior parte dos adeptos portistas que ouvi e li, entende que o penalty de onde saiu o único golo da final da Taça da Liga foi bem assinalado.

O painel de ex-árbitros que constitui o ‘Tribunal de O JOGO’ é, também, da mesma opinião.


Pois eu discordo.

Já vi o lance umas vinte vezes, de vários ângulos (cameras) diferentes, e tenho a certeza absoluta que este penalty foi MAL assinalado.
Quer na camera que filma de lado, quer na camera que filma por trás do Mossoró (a visão do árbitro), vê-se perfeitamente que ANTES de haver contacto, já o Mossoró vai lançado para a frente, com a ponta do pé direito a arrastar no relvado e que é o jogador bracarense que promove o contacto com o defesa do FC Porto.

(Mossoró já vai inclinado e com a ponta do pé direito no relvado)

(Mossoró a arrastar a perna direita; Abdoulaye já tem o seu pé direito fixo no relvado)

(Mossoró promove o contacto e choca contra Abdoulaye)

Visto e revisto, não tenho qualquer dúvida que o penalty foi MAL assinalado e, consequentemente, que naquele lance não deveria ter sido mostrado o 2º cartão amarelo a Abdoulaye (devia sim ter sido mostrado o cartão amarelo a Mossoró por simulação).

Quanto ao resto, nomeadamente ao desempenho das três equipas antes e depois deste lance, não me pronuncio, porque vi apenas um curto resumo deste jogo.

domingo, 14 de abril de 2013

É ao contrário, pá!



Mais do que provavelmente, já será demasiado tarde no que ao FCP diz respeito mas, Vítor, fica aqui, e pela enésima vez, uma sugestão para quando estiveres num novo clube:
Faz ao contrário daquilo que sempre teimas em fazer: primeiro tenta resolver a partida, colocando em campo os melhores jogadores, e, só depois, tenta controlá-la, já numa posição de vantagem no marcador, com Defours e outra tralha do género.

Vejamos: o que estava a correr mal no FCP-Braga, de há apenas 5 dias atrás, antes da nossa virada de marcador? Não seria precisamente um "11" que, incluindo elementos como Defour e um (inenarravelmente lento) Lucho, não garantia mais nada a não ser uma posse de bola inconsequente?
Ora, tendo tido estes dias todos para reflectir, qual foi a ideia que a nossa equipa técnica trouxe para o jogo de ontem em Coimbra? Precisamente mais do mesmo.

A ideia base teima em ser a mesma há já longos meses: muita posse de bola e, talvez com isso, um golo caia do céu mesmo sem fazermos muito para tal.
Convém recordar, que este tipo de táctica precisa de um tal de Messi para que resulte com frequência...
Ora, o que se tem visto na prática, é um número confrangedor de oportunidades reais de golo e, pelo contrário, o adversário a continuar a chegar à nossa área com bastante perigo e por diversas vezes.
Ter a bola durante muito tempo nem sequer isso tem evitado.
Ontem, tal como na segunda-feira passada, o Braga marcou primeiro porque, na realidade, criava o mesmo número de remates que o FCP.
Enquanto se confundir "posse" com "domínio" da partida, o resultado será muitas vezes parecido com o de ontem, especialmente contra adversários com alguma "cultura".

Na segunda metade, com dez homens em campo, a ironia foi que o rumo da partida nem se alterou assim tanto.
Dir-se-ia, com algum humor, que o FCP não sentiu em demasia a expulsão, pois que, mesmo quando Lucho está em campo, praticamente já jogamos com menos um.

Perto do final, quando se pensava que, por uma vez na vida, iríamos finalmente arriscar o tudo-por-tudo (quanto mais não seja, porque se tratava de uma Taça da Liga, com pouco prestígio a ganhar e algum a perder...), eis que o melhor que saiu da cabeça de Vítor Pereira foi trocar James por Atsu.
Sabendo que, daqueles que restavam em campo, apenas este e Jackson, dominam minimamente a arte de rematar a uma baliza...

Mexer na sacrossanta defesa com 4 elementos? Nunca na vida!
Já imaginaram o prestígio que se perderia se, em vez de termos perdido por um, tívéssemos perdido por dois?
Credo!, não valia o risco.

sábado, 13 de abril de 2013

As consequências da praga de lesões

(FC Porto x SC Braga, lesão de Maicon)

No último FC Porto x SC Braga, Maicon sofreu uma entorse no tornozelo direito e teve de ser substituído ao intervalo. Esta época, é já a 3ª lesão que atinge o defesa-central brasileiro (na época passada foi considerado, por muitos, o melhor defesa central do campeonato português) e a última de uma série impressionante de lesões que, ao longo da época, tem assolado o plantel da equipa principal do FC Porto e, consequentemente, limitado as opções do treinador, quer nos jogos em questão, quer para os jogos seguintes.

Logo em Outubro, escrevi um artigo intitulado ‘Não serão lesões a mais?’, a propósito das lesões que, até essa altura, já tinham atingido Fernando, Castro, Maicon, Alex Sandro e Danilo.

Alguns jogadores e o treinador queixaram-se publicamente das lastimáveis condições em que estava o relvado do Dragão (“A relva é um problema. Levanta muito, faz escorregar, origina entorses e contraturas. Não é consistente e penaliza. Está a prejudicar-nos muito.”, Vítor Pereira, no final do FC Porto x Marítimo), tendo a Direção avançado para a inevitável substituição de um relvado novo, que tinha sido colocado a seguir ao concerto dos Coldplay.

Mas, mesmo com um novo relvado, a praga das lesões continuou a afetar diversos jogadores do plantel: James, Kléber, Defour, Mangala, Moutinho, Atsu, Varela e novamente Maicon, tornaram-se “clientes” do departamento médico portista.

Castro fraturou um dedo, Mangala teve uma luxação no ombro, Atsu sofreu uma entorse, mas a esmagadora maioria foram lesões musculares (distensões e microrroturas). Não me lembro de uma época com tantas lesões musculares a afetar tantos jogadores diferentes, incluindo jogadores como Moutinho, o que é uma raridade. Ah, e uma parte significativa destas lesões ocorreram nos treinos (exemplos: Kléber, Defour e Moutinho).

Isto não pode ser apenas azar. Tem de haver outra(s) explicação(ões). O estado lastimável do relvado foi uma das explicações apresentadas, mas esta série de lesões musculares não será também reflexo de algum problema decorrente da pré-temporada e/ou da preparação física da equipa?

Jogos, eliminatórias europeias e campeonatos ganham-se e perdem-se devido a múltiplos factores. Esta época, parece-me óbvio que as sucessivas lesões e a incidência das mesmas em alguns jogadores-chave, tiveram um peso significativo no desempenho da equipa em momentos cruciais.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A equipa B e o regresso dos emprestados


No último FC Porto x SC Braga, que os dragões venceram por 3-1, o banco de suplentes portista era composto por: Fabiano, Quiñones, Abdoulaye Ba, Castro, Kelvin, Christian Atsu e Liedson.

Quatro destes jogadores - Abdoulaye, Castro, Kelvin e Atsu - estiveram, na época passada, emprestados a outros clubes e no início desta época foram integrados no plantel da equipa principal do FC Porto.
Um quinto jogador - Quiñones - tem jogado, essencialmente, na equipa B, tal como o "herói" deste jogo (Kelvin).

É cedo para tirar conclusões definitivas, mas penso que isto é um forte indicador de novos tempos na FC Porto SAD, que se traduzem em:
i) Incorporação no plantel da equipa principal de jogadores que estavam emprestados;
ii) Redução gradual do número de jogadores emprestados;
iii) Aposta crescente numa estratégia de "vasos comunicantes" entre a equipa B e a equipa principal;
iv) Diminuição do número de jogadores contratados (e montantes investidos), por época.

P.S. Não é só o sporting que recorre a jogadores jovens. Na recepção ao SC Braga, os três suplentes que foram utilizados por Vítor Pereira - Abdoulaye, Kelvin e Atsu - têm uma média de idades de 20,6 anos.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

10 jogos e uma derrota no... Dragão

(FC Barcelona x PSG, Maisfutebol)
 
O PSG foi empatar a Barcelona (1-1), na 2ª mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, tendo sido eliminado pelo critério dos golos marcados fora (em Paris, há uma semana atrás, registou-se um empate por 2-2).
 
O jogo de hoje terminou com o Barça a queimar tempo e com os seus adeptos de rosto apreensivo, o que é ilustrativo das enormes dificuldades que a melhor equipa do Mundo sentiu para eliminar o PSG.
 
No final, o treinador do PSG, Carlo Ancelotti, ao comentar a campanha do clube parisiense na Liga dos Campeões, afirmou:
"Fizemos o possível para ganhar, jogámos bem e estivemos perto. Foi uma noite maravilhosa, mas podia ter sido fantástica se passássemos às semifinais. Estivemos bem e não nos arrependemos de nada. Saímos [da Liga dos Campeões] com dez jogos e uma derrota."
 
10 jogos, em que enfrentaram Dinamo Zagreb, Dinamo Kiev, FC Porto, Valência e Barcelona, e apenas uma derrota. Fraquinha esta equipa do PSG...
E o único clube que, na Liga dos Campeões, impôs uma derrota a este Qatar Saint Germain foi o... FC Porto!

A quem devíamos um favor?

Liedson chega ao FC Porto em Janeiro com um contrato de empréstimo por meio ano.
Supõe-se que vem para resolver a falta de alternativas a Jackson Martinez, acentuada com o empréstimo do inepto Kléber a um clube brasileiro onde, hellas, a bola também não parece querer entrar.

Quando um clube que está nos Oitavos-de-Final da Champions League e a disputar a Liga Sagres consegue  um reforço, por mais insignificante que pareça a sua incorporação, o adepto legitimamente acredita que esse jogador vem para ajudar, já nem digo para fazer a diferença. Em 2000 ao Sporting veio-lhe bem a incorporação de Mpenza, César Prates e André Cruz. Foram decisivos para ultrapassar o FCP e acabar com os sonhos do Hexacampeonato. Na época passado o regresso de Lucho Gonzalez - para por ordem no balneário - e a chegada de Marc Janko, que em dez jogos marcou quatro golos, permitiu a Vitor Pereira reorganizar a equipa e ultrapassar o Benfica. Este ano chegou Liedson. E daqui não saímos.

O brasileiro, com 35 anos, faz lembrar aqueles futebolistas africanos que dizem ter uma idade e têm cinco anos mais. Fisicamente é um fantasma, incapaz de competir numa liga tão exigente (irony mode on) como a brasileira, quanto mais adaptar-se ao ritmo infernal da Liga Sagres. Nem sequer para ficar parado na grande área, nos momentos de "chuveirinho" e encostar o pé à bola parece que o "levezinho" serve.



Contra o Braga, Vitor Pereira tinha de escolher entre o brasileiro e o jovem Kelvin. Não deve ter duvidado nem um segundo e a jogada saiu-lhe bem. Mas um clube como o FCP não pode andar a depender da inspiração dos Kelvins para ganhar jogos. Para isso, mais valia ter procurado um Ghilas no mercado interno ou (se preferem veteranos) um João Tomás do que forçar a Liedson vir desde o Brasil para ter um acidente em Vila Nova de Gaia e processar uma seguradora brasileira queixando-se de que perdeu quase 23% da sua mobilidade. Que bom é saber que contamos com um avançado que afirma que tem 23% possibilidades de jogar que outro futebolista na sua posição.

Portanto, partimos para um duplo problema.
Das duas uma. Ou alguém na SAD e/ou na equipa técnica é sumamente imbecil a ponto de acreditar que Liedson era o homem que ia resolver os nossos problemas de falta de golos quando Jackson não está, ou devíamos um favor a alguém e foi assim que se pagou. Ora, se alguém da SAD e/ou equipa técnica viu algum jogo de Liedson no Brasil, observou com atenção os exames médicos e mesmo assim o deixou ficar no plantel, então é porque o problema é bastante mais grave do que eu podia imaginar.

Caso seja para devolver um favor a um amigo, um empresário, um clube (neste caso, o Flamengo com o qual, que eu saiba, não temos nada pendente) então voltamos a presenciar uma situação em que os jogos de bastidores, as chamadas telefónicas impróprias e a troca de favores valem mais que o sucesso desportivo do clube.

A chegada de Liedson, e não de outra alternativa (e não me falem de dinheiro, eu não estou a falar do Falcao ou do Huntelaar, dei o exemplo do Ghilas ou do João Tomás, seguramente com salários muito mais baixos que os do brasileiro) compromete claramente as opções de Vitor Pereira, exige muito mais do que Jackson pode dar neste fim de época e permite que um rival que tem Rodrigo, Cardozo e Lima possa dar-se ao luxo de escolher os avançados titulares que jogam enquanto que nós dependemos da inspiração de um  miúdo tosco quando deveríamos ter na área um jogador com experiência a fazer aquilo que é básico no mundo do futebol...marcar golos!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Os penalties que Proença não vê


Logo aos dois minutos, Hugo Viana cortou/dominou uma bola com o braço, num lance disputado com Lucho e bem dentro da área bracarense. Pedro Proença não viu, ou terá visto, mas o que é certo é que NÃO ASSINALOU o respectivo penalty a favor do FC Porto.
Surpreendido?
Nem por isso, Pedro Proença é o mesmo arbitro que, no slb x FC Porto da época passada, também NÃO ASSINALOU penalty num lance em que o "voleibolista" Cardozo ajeitou/dominou a bola com os dois braços.

Apesar destes FACTOS que, obviamente, a propaganda encarnada ignora, continua a haver benfiquistas que tentam associar Pedro Proença ao FC Porto. Que se há-de fazer?

segunda-feira, 8 de abril de 2013

O malabarista desbloqueou

(foto: LUSA)

60 ataques (contra 20 do SC Braga);
19 remates (contra 10 do SC Braga);
2 bolas nos postes da baliza de Quim (contra 0 do SC Braga);
70% de posse de bola;
mas foi preciso Vítor Pereira tirar um coelho da cartola e trocar el comandante por Kelvin, o malabarista, um "brinca na areia", para desbloquear um jogo que parecia caminhar irreversivelmente para mais um empate.

O FC Porto está a passar por uma fase dificil, com alguns jogadores cruciais - Jackson, James, Moutinho - algo distantes da sua melhor forma. Por isso, não estava à espera de uma exibição deslumbrante. Agora, do que eu não estava mesmo à espera, era de um SC Braga a jogar no estádio do Dragão com uma tática de equipa pequenina, com um onze inicial sem pontas-de-lança (Peseiro deixou dois no banco de suplentes), todos atrás da linha da bola e com um dos pretensos avançados da equipa bracarense - João Pedro - a jogar como 2º defesa-direito.

E a praga das lesões, que esta época tem assolado o plantel portista, continua. Maicon sofreu uma entorse no tornozelo direito (já é a sua 3ª lesão esta época!) e teve de ser substituído por Abdoulaye Ba, o qual entrou muito nervoso e cometeu alguns erros, logo sublinhados com assobios vindos das bancadas. Foi uma grande ajuda...

Moutinho na "equipa Gestifute"

1º acto: (30/01/2013) A Futebol Clube do Porto –Futebol, SAD informa da recompra de 15% dos direitos económicos do jogador João Moutinho.

2º acto: (31/01/2013) Em cima do fecho do mercado de transferências de Janeiro, falha a transferência de Kléber do FC Porto para o Sporting. A contrapartida monetária que estava acordada entre as duas SAD's, era a Sporting SAD abdicar dos direitos económicos que ainda detém, no caso de uma eventual transferência de João Moutinho superar os 11 milhões de euros.

3º acto: (06/04/2013) É oficializada a "transferência" de Moutinho da "equipa" de Pini Zahavi para a "equipa" de Jorge Mendes.

(O JOGO, 06/04/2013)

4º acto: (penso que será em Junho ou Julho) Não é dificil antecipar que Moutinho está de saída.

sábado, 6 de abril de 2013

Liedson "explica" opções de Vítor Pereira

(Apresentação e comentário de O JOGO ao desempenho de Liedson no FC Porto x Rio Ave)
 
É sabido que Liedson tem 35 anos.
É sabido que no Brasil o futebol é jogado a um ritmo mais lento do que na Europa.
É também sabido que quando chegou ao Porto, em finais de Janeiro, Liedson vinha de uma paragem longa e estava em fase de pré-época.
No entanto, cerca de dois meses depois de ter chegado, e apesar de todas estas atenuantes, fiquei impressionado com o fraquissimo desempenho do levezinho no FC Porto x Rio Ave.
 
Os adeptos não assistem aos treinos e muitos deles questionavam por que razão Liedson não saía do banco de suplentes. Ora, se alguém tinha dúvidas, os 17 minutos que Liedson esteve em campo na passada quarta-feira, explicam cabalmente por que razão este ex-avançado do Sporting não tem sido opção para Vítor Pereira.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O meu Barbeiro informa!

Bem, o meu barbeiro, o Sr. Tozé, já há cerca de três anos aqui foi por mim referido, quando me revelou em primeiríssima mão que André Villas-Boas sucederia a Jesualdo Ferreira. E a sua informação revelou-se correctíssima.

Ora, devo informar todo o universo de leitores deste blogue que o Sr. Tozé acaba de me dar nova "cacha" semelhante: sentem-se, respirem fundo, e tomem nota: Paulo Fonseca, actual treinador do Paços de Ferreira, será o próximo treinador do F.C. Porto.

O Sr. Tozé também previu a eleição do Papa Francisco e a pluviosidade do recente Inverno, pelo que os seus vaticínios e informações só podem ser levados a sério.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

O Homem dos Sete Ofícios



O futebol português é conhecido pelas suas originalidades. Como tal, não deveria causar espanto a sua mais recente novidade, e a verdade é que se não vê ninguém com ela boquiaberto.

Pois bem, temos agora um treinador que simultaneamente é dirigente de outro clube. Estou a referir-me ao nosso antigo jogador e treinador-adjunto Augusto Inácio, um dos heróis de Viena.

De facto, para além de treinador do Moreirense, Augusto Inácio foi escolhido pelo novo Presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, para "homem forte" do futebol leonino. E, por capricho do destino, as duas equipas defrontam-se nesta jornada.

Não estão obviamente em causa a honestidade e idoneidade de Inácio, mas este é mais um caso em que o conceito de "conflito de interesse" se revela completamente alheio à ética portuguesa.

Já agora, talvez o Inácio queira também tirar um curso de árbitro e dar uma perninha nessas funções, para completar o ramalhete.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Rio Ave em vez do Borussia

Hoje houve um jogo no Estádio do Dragão. O adversário foi o Rio Ave e em disputa esteve o acesso à final da Taça da Liga.

Cerca de uma hora depois de terminar o FC Porto x Rio Ave, quando já não havia adeptos nas bancadas do Dragão, às 19h45 (hora de Portugal continental) iniciava-se no La Rosaleda o Málaga x Borussia Dortmund, da 1ª mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões.

Inevitavelmente, lembrei-me da vitória e exibição dominadora da equipa do FC Porto quando recebeu o Málaga. E também recordei as incidências que conduziram à derrota e eliminação dessa mesma equipa no La Rosaleda.

(Málaga x FC Porto)

Liga dos Campeões versus Taça da Liga e a inesperada (ou talvez não) descida dos céus ao inferno em apenas 90 minutos. É assim o futebol.

(Málaga x FC Porto)


P.S. O FC Porto assegurou a presença na final da Taça Lucílio Baptista com uma vitória (4-0) à slb. De facto, tal como aconteceu em Málaga, ficou mais uma vez demonstrado que é muito mais fácil ganhar e até golear quando se joga em superioridade numérica...

Guilherme, o submisso

1. «A SIC noticiou no seu telejornal das 20 horas que a inscrição de Ricardo Rocha foi irregular, o que acarreteria para o clube [slb] a perda do segundo lugar na SuperLiga e da Taça de Portugal. Segundo a estação de Carnaxide, a inscrição do jogador terá sido efectuada antes do período regulamentarmente previsto e, assim sendo, Ricardo Rocha terá jogado ilegalmente em 2002/2003 e 2003/2004. Refere a SIC que o contrato foi assinado a 15 de Janeiro de 2002 e reconhecido notarialmente três dias depois, o que vai contra o estipulado no artigo 32º dos regulamentos da Liga, que determina que os contratos só podem ser assinados a partir de 1 de Abril. Os regulamentos da Liga determinam que os resultados dos jogos são homologados 30 dias após a sua realização, pelo que os encontros em causa são o Sporting-Benfica, o Benfica-Leiria, referentes às duas últimas jornadas da SuperLiga, e o Benfica-FC Porto da final da Taça de Portugal, ganha pela equipa lisboeta por 2-1.»

Estávamos em finais de Maio de 2004, no tempo em que a Liga de clubes era dominada por uma santa aliança (contra o FC Porto) boavista – benfica e, numa das edições do ‘Dia Seguinte’, discutia-se o caso da inscrição do jogador do slb Ricardo Rocha, a qual tinha sido validada pelo diretor-executivo da Liga, o benfiquista Cunha Leal.

Descontente com as opiniões dos comentadores do programa – Fernando Seara, Dias Ferreira e José Guilherme Aguiar –, a propósito das eventuais consequências resultantes da irregularidade na inscrição de Ricardo Rocha, Luís Filipe Vieira meteu-se no carro e dirigiu-se à SIC. Aí chegado, com a conivência, ou pelo menos sem que ninguém da SIC o impedisse, entrou intempestivamente no estúdio onde o programa estava a ser realizado e, perante o olhar atónito do moderador e dos três comentadores, dirigiu-se de forma grosseira aos elementos do painel do programa por, supostamente, estarem a dizer mentiras sobre o assunto.

Ninguém tira a Taça [de Portugal] e o 2º lugar ao Benfica”, vociferou um furibundo Vieira.
E ele tinha razão, porque a criada de servir que Vieira tinha colocado na Liga de clubes (“é mais importante ter pessoas na Liga do que contratar bons jogadores…”, lembram-se?), já tinha tratado do assunto.

Nenhum dos três comentadores os teve no sítio para enfrentar Vieira e depois levantar-se e sair. É verdade que Guilherme Aguiar disse umas coisas, mas de uma forma muito soft e, claro, continuou no programa.


2. No dia 15 de Setembro de 2008, João Gabriel, diretor de comunicação do slb, ligou para SIC e, obviamente com a autorização de alguém do canal de Carnaxide com poder para isso, entrou em direto no ‘Dia Seguinte’, tendo aproveitado para debitar a cartilha da propaganda encarnada e, adicionalmente, atacar o comentador portista.

Todos os “paineleiros” manifestaram o seu repúdio, por ter sido permitida a intervenção, via telefone, de um responsável do slb mas, apesar de ter sido o principal alvo, a Guilherme Aguiar voltou a faltar a dignidade suficiente para se levantar e sair. Reagiu dizendo que não estava agarrado ao programa e aos benefício$ que dele retirava, mas passado uma semana estava lá de novo.


3. Cinco meses depois, e na sequência de mais uma pressão pública com origem na direção do slb ("já vai sendo tempo de [Fernando Seara] dar lugar a alguém que defenda o clube, em vez de se preocupar com a sua promoção pessoal e eleitoral", declaração de João Gabriel na benfica TV), Fernando Seara aproveitou um convite da TVI 24 e saiu, desfazendo o trio fundador de comentadores que existia desde o início do programa (Agosto de 2003). Para o substituir, a SIC não esteve com meias medidas e, para agradar ao boss, escolheu um vice-presidente do slb e director da revista ‘Mística’ – Sílvio Cervan.

A partir daí a filosofia do programa mudou e entrou numa nova era, visto que um dos comentadores tinha relevantes responsabilidades institucionais e, consequentemente, passou a ser uma mera correia de transmissão da propaganda e recados da direção do seu clube.

Guilherme Aguiar nem pestanejou e continuou no programa.


4. Daí para cá houve mais duas mudanças significativas no ‘Dia Seguinte’: na moderação do programa, o jornalista João Abreu foi substituído por Paulo Garcia; e em representação do slb, Cervan foi substituído pelo “Tarzan”.

Desde o seu primeiro programa, foi notório o ódio profundo de Rui Gomes da Silva em relação ao FC Porto, bem como, a forma provocadora como se dirigia aos outros membros do painel (apesar de todos serem militantes do mesmo partido, o PSD).

Naturalmente, as discussões subiram de tom (imagino que para gáudio dos responsáveis da SIC) e, apesar do alvo ser o FC Porto, quem reagiu de forma mais vincada ao facciosismo doentio e postura incendiária do ex-número 2 de Santana Lopes foi sempre Dias Ferreira.


Assim, depois de já ter ameaçado bater com a porta anteriormente, no programa da passada segunda-feira Dias Ferreira voltou-se de lado/costas para Rui Gomes da Silva, o que desagradou ao “moderador” Paulo Garcia, tendo-se iniciado uma acesa discussão entre os dois (“eu também não gosto de si”, “o senhor não tem coragem é para afrontar outras pessoas”, etc.), a qual culminou num mediático abandono do programa em direto.


Chegados a este ponto, é caso para perguntar: e agora, Guilherme Aguiar?

Os seus compagnons de route Fernando Seara e Dias Ferreira já saíram.
Não me diga que depois de tudo aquilo que viveu no programa, depois do comportamento activo/conivente de elementos da SIC nos episódios mais lamentáveis, você vai continuar a dialogar normalmente com o “moderador” Garcia e com o seu “amigo” Rui, como se nada tivesse acontecido.

Ó homem, tenha um pingo de dignidade e respeito por si próprio e, se não quer bater com a porta em direto, alegue, sei lá, indisposição crónica, cansaço, saturação ou outra coisa qualquer, mas não volte a pôr lá os pés.

Olhe, se mais nada o convencer, lembre-se do saudoso Pôncio Monteiro e do comportamento notável que ele teve nos ‘Donos da Bola’, não por acaso um outro programa da redação de desporto da SIC.


P.S. Durante os primeiros anos, ‘O Dia Seguinte’ fazia-me lembrar os Marretas. Peço desculpa aos fans do The Muppet Show (eu sou um deles), por esta comparação quase insultuosa, mas quem via o programa deve lembrar-se dos dois “simpáticos” velhotes, que assistiam ao show de camarote e criticavam tudo e todos.
Depois praticamente deixei de ver o programa e a razão principal foi a postura dócil e submissa de Guilherme Aguiar, que me irritava mais que a postura venenosa de Fernando Seara ou a postura agressiva (por vezes trauliteira) de Dias Ferreira.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Lima, um erro com consequências gravosas

«Lima, avançado do Belenenses, está a ser seguido pelo F. C. Porto. A excelente exibição no jogo da Taça de Portugal, no qual marcou dois golos aos dragões [2-2, Lima 13', 80'; Falcao 14', Rodríguez 85'], ficou na retina. (…) É rápido, explosivo, pode jogar como segundo avançado ou encostado a um dos flancos. Lima, avançado brasileiro do Belenenses, está a ser um dos jogadores em destaque no campeonato português e tem chamado a atenção dos responsáveis do F. C. Porto, na perspectiva de reforço da linha ofensiva para a próxima época. O passe do futebolista pertence ao Astral Esporte Clube, emblema brasileiro que o emprestou aos azuis do Restelo (…).
A excelente exibição na eliminatória dos oitavos-de-final da Taça de Portugal chamou a atenção dos responsáveis portistas, muito por força dos dois magníficos golos marcados ao guarda-redes Beto. Rodrigo José Lima Santos tem 26 anos (nasceu a 11 de Agosto de 1983) e está na idade limite para uma transferência rumo a um clube de grande dimensão, tendo como mais-valias a adaptação ao campeonato nacional e o facto de ser um dos nomes mais sonantes do conjunto do Restelo. Trata-se de um elemento que tem sido titular absoluto e já contabiliza quatro golos na Liga, na presente temporada. (…)
Confrontado com a possibilidade de se mudar para os dragões, Lima não escondeu que “qualquer jogador gostaria de jogar no F. C. Porto”. E fez uma revelação: “No final do jogo da Taça, em pleno relvado, o professor Jesualdo Ferreira deu-me os parabéns pela exibição, o que me deixou imensamente feliz”.»
JN, 19/02/2010


Como é sabido, Jesualdo saiu no final da época 2009/2010 e Lima, que na altura tinha 26 anos, não veio para o FC Porto. A SAD portista preferiu contratar Walter, cujo passe custou 6 milhões de euros, no que se viria a revelar um dos piores investimentos de sempre (atendendo à relação custo versus desempenho desportivo). Há quem diga que Lima não veio porque o FC Porto tinha Radamel Falcao. É um argumento que não me convence. Para além do ataque do FC Porto precisar de uma alternativa de qualidade para Falcao (algo que Walter nunca foi), Lima também poderia ter jogado com Falcao, tal como, uns anos antes, um jogador com características semelhantes às suas - Derlei - jogou ao lado do ponta-de-lança Benny McCarthy.

O sagaz António Salvador aproveitou o facto do FC Porto não ter confirmado o interesse em Lima e levou-o para Braga, pagando uma ridicularia. Durante as duas épocas em que envergou a camisola dos “arsenalistas do Minho”, Lima mostrou ser um avançado de qualidade indiscutível, marcando golos atrás de golos, quer no campeonato, quer nas competições europeias e confirmou a avaliação transcrita no JN em Fevereiro de 2010 ("é rápido, explosivo, pode jogar como segundo avançado ou encostado a um dos flancos").

Entretanto, Falcao seguiu o caminho das estrelas (e do dinheiro!) no início da época 2011/12 (em mais uma venda milionária da FC Porto SAD) e, no meio de uma guerra com o presidente do Marítimo, o FC Porto contratou Kléber (um investimento de cerca de 4 milhões de euros). Contudo, e apesar das múltiplas oportunidades que lhe foram dadas por Vítor Pereira ao longo da época 2011/12, Kléber demonstrou não ter estaleca para jogar num clube da dimensão do FC Porto (coitadinho, o fantasma do Falcao atormentou-o...).

Chegados ao final da época 2011/12 e tendo em vista a preparação da época 2012/13 (a época atual), o ponto da situação dos avançados / pontas-de-lança do FC Porto era o seguinte:

- Walter: flop; tinha sido devolvido à procedência (Brasil) a meio da época 2011/12.

- Kléber: revelou-se outro enorme flop; o que fazer com ele?

- Janko: contratado em janeiro de 2012 era alto e louro, mas mostrou não ser um ponta-de-lança com dimensão para um clube como o FC Porto; foi vendido, tendo a SAD recuperado parte do investimento efetuado no seu passe.

- Jackson Martinez: a SAD decidiu abrir os cordões à bolsa e investiu cerca de 9 milhões de euros no seu passe, tendo em vista a resolução dos problemas que Walter, Kléber e Janko tinham demonstrado ser incapazes de resolver.

Com Walter e Janko despachados, poderia o plantel do FC Porto ficar apenas com Jackson Martinez e Kléber?
Talvez, se Hulk continuasse, visto que o Incrível pode e foi várias vezes adaptado à posição de avançado centro. O problema é que a SAD precisava de fazer uma grande venda e Hulk estava na iminência de sair do FC Porto (conforme se comprovou).

É neste cenário que voltou a ser comentado, na comunicação social, o interesse do FC Porto na contratação de Lima. Contudo, mais uma vez esse interesse não passou do papel e no dia 31 de Agosto de 2012, último dia das inscrições, o slb bateu os 4,5 milhões de euros exigidos pelo SC Braga e levou Lima para a Luz.

Consequências?
Por um lado, o ataque do FC Porto vive unicamente de Jackson Martinez (em finais de janeiro Kléber foi emprestado e contratado um Liedson em fase de pré-época), o que torna o ataque dos dragões dependente do estado físico do colombiano e das suas naturais oscilações de forma. Por outro lado, como se não bastasse a falta que faz ao FC Porto, Lima confirmou no slb tudo aquilo que já tinha mostrado no Belenenses e no SC Braga, revelando-se absolutamente decisivo na caminhada dos encarnados neste campeonato.

Nas últimas três épocas, o FC Porto teve várias oportunidades para contratar Lima. O não o ter feito foi um erro, um duplo erro, cujas consequências (em exibições, golos e resultados) estão à vista.

Olhando para trás, não tenho dúvidas em afirmar que a não contratação de Lima e tê-lo deixado ir para o slb, foi um dos momentos mais importantes, quiçá decisivo, da época 2012/13.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.