I. 2 de Maio de 2010

Penúltima jornada da época 2009/2010. Tal como esta época, os encarnados vieram ao Porto defrontar os azuis-e-brancos podendo, em caso de vitória, comemorar o título antecipadamente em pleno estádio do Dragão (previamente reservado para a festa). E tudo parecia estar a favor dessa hipótese.
Jorge Jesus, o "exterminador", comandava uma “máquina trituradora” e tinha à sua disposição aquele que foi, seguramente, o melhor plantel do slb dos últimos 20 anos, uma verdadeira constelação de “estrelas” (vários deles estão, atualmente, em grandes clubes europeus) no auge da sua carreira desportiva: Maxi Pereira, Luisão, David Luiz, Fábio Coentrão, Javi Garcia, Ramires, Aimar, Di Maria, Saviola e Cardozo.
Do outro lado estava um FC Porto em fim de ciclo, com um treinador – Jesualdo Ferreira – contestadíssimo (apesar dos três campeonatos ganhos nas três épocas anteriores), que já não tinha hipóteses de chegar ao Tetra e que jogava “apenas” pela honra e prestigio.
Contrariando a maior parte das apostas, o FC Porto ganhou por 3-1 (vale a pena rever, com as colunas ligadas,
o golo fabuloso de Belluschi) e eu publiquei um
artigo onde escrevi o seguinte:
«Ganhar ao slb é sempre saboroso, seja em que circunstâncias for, mas é ainda mais quando essa vitória é obtida no meio de imensas adversidades, como foi o caso do jogo do passado domingo. De facto, para além dos lesionados – Mariano, Varela, Rúben Micael e Helton –, de Meireles andar a jogar limitado (fruto de uma tendinite) e de Cristián Rodriguez não calçar há um mês e meio, Jesualdo Ferreira também não pôde contar com o melhor avançado do campeonato – Radamel Falcao –, devido ao escandaloso 5º cartão amarelo que lhe foi cirurgicamente mostrado em Setúbal. Como se tudo isto não bastasse, os dragões tiveram ainda de jogar 39 minutos [expulsão de Fucile ao minuto 51] com menos um jogador, em consequência de mais uma habilidade de arbitragem, desta vez protagonizada pelo senhor Olegário.
Há quem diga que é nos momentos difíceis que se veem os verdadeiros campeões e foi isso que os jogadores do FC Porto mostraram: um misto de raça, determinação, coragem e raiva levou-os a uma vitória sobre o principal rival, a qual tem tanto de justa como de surpreendente (atendendo às circunstâncias e à forma como foi obtida).»
II. 3 de Abril de 2011
O slb x FC Porto do campeonato 2010-2011 foi disputado na 25ª jornada. Nas 24 jornadas anteriores, o FC Porto tinha cedido apenas dois empates (em Guimarães e Alvalade, jogos que terminou reduzido a 10 jogadores) e na memória de todos ainda estava bem presente a lição de futebol que o FC Porto do “inexperiente” Villas-Boas tinha imposto ao slb do “catedrático” Jorge Jesus.
Os benfiquistas já não tinham ilusões relativamente à hipótese de revalidarem o título, mas prometiam vingar-se dos humilhantes 5-0 do jogo da 1ª volta e, mais do que isso, acabar com a invencibilidade dos dragões, de modo a impedir o FC Porto de, pela primeira vez na sua história, terminar o campeonato sem derrotas.
E, claro, nem pensar em permitir que os azuis-e-brancos festejassem o título em pleno estádio da Luz.
Toda a gente estava alerta e tudo bem preparado, incluindo a nomeação cirúrgica do árbitro Duarte Gomes, cuja atuação vergonhosa neste clássico pode ser relembrada
aqui.
Os dragões, liderados por André Villas-Boas, não se intimidaram. Contra tudo e contra todos, impuseram o seu futebol e venceram por 2-1 e, quando ainda faltavam disputar cinco jornadas (15 pontos), o FC Porto saiu do estádio do apagão matematicamente campeão.
O resto, bem, o resto faz parte dos momentos imorredouros do futebol português.
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| (slb x FC Porto, 25ª jornada, época 2010/11) |
«A vitória de hoje do FC Porto no capoeiro e o consequente rematar do título, repõe a ordem das coisas na memória colectiva e desportiva lusitana. (…) Nem com penalties de trazer por casa, expulsões perdoadas ou entradas a matar, fizeram demover o espírito temerário azul e branco. O domínio do jogo foi nosso enquanto aquele contorcionista do apito não reverteu tudo o que podia em favor da causa galinácea. (…) Sorrisos, abraços, lágrimas e euforia… Apaguem-se as luzes que a festa só agora está a começar!»
III. 11 de Maio de 2013
Pela 2ª vez num espaço de três anos, o destino ofereceu uma oportunidade de ouro a Jorge Jesus. O slb deslocou-se ao estádio do Dragão na 29ª jornada, com a possibilidade de, em caso de vitória, se sagrar campeão e fazer a festa no estádio do Dragão.
Tal como em Maio de 2010, seria apenas preciso confirmar, durante 90 minutos, o suposto melhor futebol e a suposta superioridade da equipa comandada por Jorge Jesus.
Mas, podendo devolver a desfeita da época 2010-2011, tendo a glória ao alcance de uma vitória, o que fez Jorge Jesus?
Jogou como costumam jogar os treinadores de equipas com orçamentos de 3 milhões de euros e dois meses de salários em atraso.
Pôs o ponta-de-lança Cardozo no banco e deixou Lima sozinho na frente.
Trocou um lateral de características ofensivas (Melgarejo) por outro de características defensivas (André Almeida).
Colocou Ola John a marcar Danilo, jogando como se fosse um defesa esquerdo.
E, para além de uma tática de equipa pequena, também instruiu os seus jogadores para queimarem todo o tempo possível.
Como se tudo isto não bastasse, a primeira substituição que fez (a meio da 2ª parte), foi tirar Gaitan e meter Roderick, um 3º defesa central para blindar ainda mais o meio campo encarnado.

O golo que o slb sofreu ao minuto 90+2’, marcado por um puto irreverente de 19 anos, foi um justo castigo para quem se limitou a meter um autocarro à frente da baliza e fez do antijogo a tática principal para este desafio.
Os deuses do futebol não gostam dos cobardes e os
momentos de glória estão reservados para quem trabalha, arrisca e luta por eles.
P.S. Que a comunicação social do regime ande com o slb ao colo e endeuse os seus jogadores e treinador, eu compreendo. Agora, que após tantas evidências, haja portistas a suspirarem por ver Jorge Jesus como treinador do FC Porto e, inclusivamente, que o considerem melhor treinador que Vítor Pereira, é algo verdadeiramente inexplicável.