Depois de muita (desnecessária) especulação, é oficial. O novo treinador do FCP é Paulo Fonseca.
Era escusado esse jogo de cadeiras com o Vitor Pereira, um treinador que cumpriu o seu dever e que merecia ter saído de outra forma. Era escusada essa especulação sobre quem seria o homem elegido quando todos tinham sensivelmente a mesma ideia, especialmente desde aquele aperto de mão no final do jogo que confirmou o Tricampeonato. Era desnecessário, mas já está. Não vale a pena dar-lhe mais voltas. Durante umas semanas o FC Porto pareceu-se a outros clubes, não sabemos bem porquê. Está na hora de voltar a ser o que é.
Paulo Fonseca é outra aposta de risco de PdC.
Como o Zé Rodrigues explicou há alguns posts, nem sempre as apostas de risco são acertadas mas quando se está trinta anos no poleiro, alguma tinha que falhar. Felizmente para o clube, foram poucos os erros crassos. Dentro dos portugueses, Quinito e Octávio (Couceiro veio fechar a época), foram os que saíram sem títulos. Se a história valesse de algo, Paulo Fonseca podia ir começando a preparar o discurso. Mas não vale. Atrás de si, o jovem técnico que há pouco andava pelo Odivelas e Pinhalnovense, tem a melhor estrutura competitiva do futebol português. Gente que sabe do ofício, que se sabe mexer na sombra e que tem a virtude de não queimar treinadores ao primeiro sinal de problemas. Essa segurança laboral, tão rara no futebol, deve servir de motivação ao novo técnico. Uma escolha de risco? Seguramente.
Quem seguiu a época sabe que o Paços fez um ano superlativo mas que nem sempre foi uma equipa sedutora. Muitos apontam, com alguma razão, semelhanças entre o percurso de Rui Vitória e Paulo Fonseca, treinadores que souberam maximizar os seus recursos, nem sempre jogando bem, mas ganhando quando era preciso. Para os mais românticos o Estoril de Marco Silva era a alternativa sedutora. Venceu o pragmatismo. Venceu o apetite de vitória. PF chega ao FCP com um ano de primeira divisão. Vitor Pereira não tinha tido nenhum (falhara o apuramento com o Santa Clara por duas vezes), mas pertencia ao staff técnico de AVB e isso deu-lhe prestigio e poder suficiente para aguentar-se de pé num vestuário turbulento. Fernando Santos levava alguns anos entre o Estoril e o Estrela. Quinito tinha ido à final da Taça com o Braga, Octávio ganho uma Supertaça ao FCP com o Sporting e Oliveira, graças ao irmão, tinha sido seleccionador. É talvez, por isso, o nome de menor perfil da história do FCP na era PdC. E chega numa situação complexa.
O Benfica mostrou saber emendar os erros do passado e segurou JJ. Não gosto dele, não o considero um bom treinador, mas esse sinal de estabilidade institucional - uma vantagem sobre os rivais de Lisboa de que o FCP sempre se soube aproveitar bem - mostra que há um plano coerente na Luz e que os últimos anos não foram coincidência. Orçamento alto, contratações inteligentes, vendas por valores próximos aos nossos, treinador que aguenta ventos e marés. PF vai encontrar o rival mais preparado da era PdC desde que se arrancou para o Penta. Não é coisa pouca.
Para além disso, o técnico chega a uma equipa já sem James e Moutinho (e sem que nenhum jogador do mesmo perfil tenha chegado ao plantel) e que pode perder Fernando, Mangala e Jackson, uma verdadeira sangria. As incorporações de jovens portugueses são uma boa notícia mas sem o timoneiro, o criativo e eventual o polvo do meio-campo, exige-se futebolistas de outro perfil. Caso contrário o trabalho do novo técnico será ainda mais dificultado do que foi o de VP, que durante dois anos teve sempre pouco por onde escolher.
O antigo técnico do Paços terá os adeptos do seu lado, os que queriam correr com o treinador que em três anos perdeu 1 jogo e venceu duas ligas. Esse apoio durará até à segunda derrota, que esperemos que tarde. E, sobretudo, até aos jogos europeus, o que foi a assinatura pendente de VP no seu mandato. Pessoalmente não me importa ser campeão invicto ou com cinco derrotas, mas numa liga cada vez mais fraca, onde o principal rival perde cada vez menos pontos, a margem de erro é pequena e esse é o mundo onde chega Paulo Fonseca. A partir de hoje ele é o homem do leme.
Terá direito à sua lua de mel e às suas criticas. Terá apoiantes e detractores até ao mês de Setembro. Quem questione o seu valor e a lógica da sua escolha pela SAD. Terá por detrás os que acreditam que a SAD sempre acerta e contra os que acham que VP era homem de ir mais longe. Sofrerá como poucos treinadores sofreram à sua chegada com uma mudança de guarda em toda a estrutura do plantel. Fica por saber se a SAD lhe dará o que lhe deu a AVB, Oliveira, Adriaanse mas não a Jesualdo e VP, os eternos mal amados. Sobretudo, fica um nome que passará a ser parte fundamental do nosso vocabulário no próximo ano. Um nome que é agora o nosso treinador.
Boa sorte Paulo. Agora é contigo mister!
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Dragão, palco de espectáculos e emoção
Não faz parte das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, mas é hoje à noite que, num concerto único em Portugal, os Muse vão actuar no Estádio do Dragão.
Sinceramente, não conheço os Muse (eu sou mais Rolling Stones, Pink Floyd, U2, ...) mas, dizem os especialistas, são a maior banda do rock britânico da actualidade. Com seis discos editados, os Muse já venderam mais de 15 milhões de unidades (!) e entre os prémios que arrecadaram destacam-se cinco MTV Europe Music, oito NME Awards, quatro Kerrang! Awards e dois Brit Awards. É obra!
Um banda coleccionadora de prémios, vem actuar ao estádio de um dos clubes europeus que coleccionou mais títulos nos últimos 30 anos.
Há, entre os adeptos portistas, quem conteste a realização deste tipo de eventos no Estádio do Dragão, usando como argumentação o mau estado em que fica o relvado.
De facto, na sequência do concerto dos Coldplay, realizado no ano passado (em 18 de Maio de 2012), o relvado do Estádio do Dragão, que tinha sido colocado três anos antes, após outro grande evento - a Corrida dos Campeões (Race of Champions) -, teve de ser substituído e a coisa correu mal.
Contudo, não me parece que esta má experiência seja motivo para acabar com os concertos ou outro tipo de “eventos pesados” no Estádio do Dragão. A colocação de um novo relvado é, hoje em dia, um processo perfeitamente dominado por várias empresas especializadas e, estou certo, aquelas que trabalham com o FC Porto aprenderam com os erros cometidos. Por exemplo, relva semeada em Benfica do Ribatejo não pega no Estádio do Dragão…
Eu sempre fui favorável a que este tipo de eventos (concertos, corridas de veículos motorizados, Festival Panda, etc.) se realizassem no Estádio do Dragão e mais convencido fiquei após ler uma entrevista de Gil Santos à ‘Dinheiro Vivo’ (publicada em 18/05/2013), em que o diretor da Porto Comercial, responsável por esta área de negócio, forneceu diversos dados relevantes sobre esta atividade:
“O estádio do Dragão – no seu miolo e também na parte exterior, quer na parte envolvente quer no relvado – foi pensado para que tivesse uma utilização quotidiana e fosse considerado um centro de congressos. Um espaço multifuncional, onde pudessem ocorrer reuniões empresariais, colóquios, eventos médicos”.
“Não existe estatística concertada, mas somos [Estádio do Dragão] um dos espaços onde se realizam mais eventos em Portugal” (só em 2012 foram realizados 210 eventos extra futebol, mais 9% face ao ano anterior).
“Os números são muito interessantes, porque passam um milhão de euros, [mais 30%, face a 2011]. Completam e ajudam nos custos da gestão da infraestrutura e dá-nos a notoriedade que queremos”.
Os próprios promotores de espetáculos não poupam nos elogios às características do Estádio do Dragão:
“É [estádio do Dragão] o mais bem preparado do país para receber concertos, porque foi construído também para essa finalidade, tal como o de Coimbra ou Alvalade, ao contrário de outros que nem foram pensados para espectáculos deste género, como o da Luz. O Dragão, pela facilidade e adaptabilidade das infraestruturas e pelas acessibilidades, satisfaz a 100% as nossas necessidades”
Álvaro Covões, diretor da ‘Everything is New’, em declarações ao semanário Grande Porto de 07-06-2013
Estádio do Dragão, um espaço multifuncional, o melhor palco de espectáculos de Portugal.
Fontes: Dinheiro Vivo, Everything is New
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domingo, 9 de junho de 2013
FC Monaco
O AS Monaco confirmou a contratação de Radamel Falcao. São números recordes, maiores ainda do que aqueles que o Atlético pagou ao FCP, sinal de que o colombiano se valorizou nestes dois anos em Espanha (uma Taça UEFA, Supertaça Europeia, Copa del Rey). É pena que na venda (da qual ainda falta receber 13 milhões) não tenham posto uma cláusula de valorização porque era dinheiro vivo no Banco.
O homem responsável por esta compra é o mesmo que está por detrás das contratações de Ricardo Carvalho (ele mesmo), de James Rodrigues e João Moutinho. 120 milhões gastos numa semana não é para qualquer um. Mas o senhor Dimitri Rybolovlev não é qualquer um. Um dos maiores milionários do mundo, um apaixonado do futebol e, suspeito, um fã do FC Porto desde pequenino.
Estou mesmo a ver o senhor Dimitri de camisola azul-e-branca a sofrer no lado de lá da cortina-de-ferro com Viena e Tóquio e a reservar um palco VIP em Sevilha, Gelsenkirchen e Dublin, bebendo vodka enquanto celebra cada golos dos dragões. Há quem o tenha visto no Dragão de bifana na mão a saltar a cada golo nos 5-0 contra o Benfica e não se surpreendam de que tatue o nome de Kelvin nas costas, junta do habitual cruz ortodoxa que todos os mafiosos de leste gostam de ter. O problema do senhor Dimitri chama-se Pinto da Costa. O seu sonho sempre foi ser presidente do FCP mas como o "Papa" é imortal, assumiu que tinha de comprar outro clube qualquer para fazer o seu sonho realidade. Como no Monaco tinha casa e sitio para estacionar o iate, foi aí.
A este leque de jogadores é bem possível que se junte Lisandro Lopez e já se fala, inclusive, no próprio Hulk. Seriam seis jogadores com passado azul-e-branco recente. Com o trio James-Falcao-Moutinho já recriou a conexão FCP Dublin (só falta mesmo Hulk) e com Ricardo Carvalho e, eventualmente, "Licha", junta outras duas gerações de grandes dragões no mesmo plantel.
Para os dragões vai ser aliciante ver como se comporta a nossa filial milionária este ano. Pena que o senhor Dimitri seja daltónico e tenha escolhido uma equipa com aquelas cores. Com tanto dinheiro não creio que demore muito a mudar o equipamento e a meter um dragão naquele emblema. E quem sabe, mudar o nome para FC Monaco!
PS: A razão verdadeiras dessas compras não é outra que Jorge Mendes, o homem que lhe auxiliou, com Peter Kenyon, na compra do clube no ano passado e dono do cartel de jogadores mais interessante do futebol europeu (é bem possível que o Coentrão acabe lá se o Mourinho não o levar para o Chelsea).
O homem responsável por esta compra é o mesmo que está por detrás das contratações de Ricardo Carvalho (ele mesmo), de James Rodrigues e João Moutinho. 120 milhões gastos numa semana não é para qualquer um. Mas o senhor Dimitri Rybolovlev não é qualquer um. Um dos maiores milionários do mundo, um apaixonado do futebol e, suspeito, um fã do FC Porto desde pequenino.
Estou mesmo a ver o senhor Dimitri de camisola azul-e-branca a sofrer no lado de lá da cortina-de-ferro com Viena e Tóquio e a reservar um palco VIP em Sevilha, Gelsenkirchen e Dublin, bebendo vodka enquanto celebra cada golos dos dragões. Há quem o tenha visto no Dragão de bifana na mão a saltar a cada golo nos 5-0 contra o Benfica e não se surpreendam de que tatue o nome de Kelvin nas costas, junta do habitual cruz ortodoxa que todos os mafiosos de leste gostam de ter. O problema do senhor Dimitri chama-se Pinto da Costa. O seu sonho sempre foi ser presidente do FCP mas como o "Papa" é imortal, assumiu que tinha de comprar outro clube qualquer para fazer o seu sonho realidade. Como no Monaco tinha casa e sitio para estacionar o iate, foi aí.
A este leque de jogadores é bem possível que se junte Lisandro Lopez e já se fala, inclusive, no próprio Hulk. Seriam seis jogadores com passado azul-e-branco recente. Com o trio James-Falcao-Moutinho já recriou a conexão FCP Dublin (só falta mesmo Hulk) e com Ricardo Carvalho e, eventualmente, "Licha", junta outras duas gerações de grandes dragões no mesmo plantel.
Para os dragões vai ser aliciante ver como se comporta a nossa filial milionária este ano. Pena que o senhor Dimitri seja daltónico e tenha escolhido uma equipa com aquelas cores. Com tanto dinheiro não creio que demore muito a mudar o equipamento e a meter um dragão naquele emblema. E quem sabe, mudar o nome para FC Monaco!
PS: A razão verdadeiras dessas compras não é outra que Jorge Mendes, o homem que lhe auxiliou, com Peter Kenyon, na compra do clube no ano passado e dono do cartel de jogadores mais interessante do futebol europeu (é bem possível que o Coentrão acabe lá se o Mourinho não o levar para o Chelsea).
sábado, 8 de junho de 2013
O II Encontro é já no próximo Sábado
Há um ano, o I Encontro da Bluegosfera foi assim...
![]() |
| (I Encontro da Bluegosfera) |
Daqui a uma semana, o II Encontro da Bluegosfera vai ser em Espinho, aqui...
![]() |
| (Auditório da Biblioteca Municipal de Espinho) |
Novidades e algumas surpresas podem ser acompanhadas diariamente na página do facebook Encontros da Bluegosfera.
As inscrições estão abertas e, nesta altura (08-06-2013, 12:00), ainda há vagas.
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sexta-feira, 7 de junho de 2013
O Meu Barbeiro informa: Vai cair Bomba em Alvalade!
Bem, não quero abusar da credibilidade do meu grande Fígaro, mas ele hoje confidenciou-me, algo sibilinamente, que vai cair bomba em Alvalade, presumivelmente em reacção ao corte de relações, digo eu.
Hoje o Sr. Tozé fez-me lembrar o Oráculo de Delfos, mas aguardemos.
Hoje o Sr. Tozé fez-me lembrar o Oráculo de Delfos, mas aguardemos.
Vaya con Dios Fernando!
"A minha vontade é sair"
Fernando, não a nenhum jornal mas via Facebook*, é rotundo. Não renovou, não vai renovar, quer sair já, se ficar é contrariado e quer um grande para ir ao Mundial do Brasil. É provavelmente o maior problema para o novo treinador resolver. E um borrão na gestão desportiva da SAD se a situação não for resolvida rapidamente, como espero.
Faz-me lembrar o caso Doriva, na altura brilhantemente gerido por Pinto da Costa. E tantos outros de jogadores que acham que o FCP lhes fica pequeno. Têm direito a pensá-lo. Afinal a liga portuguesa - com estádios vazios, polémicas constantes, terrorismo mediático por parte de um clube aos restantes e uma falta de qualidade técnica preocupante - não motiva muita gente. Uns vão pelo dinheiro - e ele fala de uma oferta irrecusável - , outros pela ambição de ir à selecção (uma forma mais educada de dizer que se vai pelo dinheiro) e ainda há os que vão porque sentem que fecharam um ciclo.
O Fernando podia ser o último caso. Merecia-o. Nos últimos anos foi regularmente um dos melhores jogadores da Europa na sua posição. Foi uma brilhante descoberta da SAD, provou o que valia quando andou a rodar na Amadora e fez-se muito bem com o posto. Tornou-se insubstituível. Com Jackson Martinez, é o único jogador no plantel sem alternativa. Não há. Nem Castro, nem Defour, nem Herrera nem quem vocês quiserem. Ali ficará sempre um vazio difícil de preencher. Porque Fernando esteve sempre acima de qualquer suspeita.
Para o jogador vir ao Facebook desmentir notícias públicas - dando a sensação de que acha que foi alguém de dentro a filtrar falsa informação - é sinal de que está farto. De que vai ser um problema no balneário, principalmente para um treinador que chega novo e sem o controlo da situação. Nós sabemos bem que um jogador, quando quer sair, sai. A diferença é sair a bem (rendendo bom dinheiro) ou sair a mal (e desvalorizado). O Fucile ainda anda por aí a treinar sozinho, o Palito esteve para valer 20 milhões e saiu como saiu. Sinais importantes para ter em atenção. Fernando é muito bom e vale cada cêntimo que o FCP peça por ele. Sair por menos é um crime. Mas para isso é preciso gerir a situação melhor.
Eu entendo a postura da SAD - não falo da equipa técnica, porque ainda não existe, oficialmente - de querer segurar os seus melhores jogadores. Mas quando se chega a um ponto de não retorno (e eles sabem qual é muito antes que nos chegue a nós) o melhor é gerir os casos de forma silenciosa e que beneficie o clube. Financeiramente, depois do encaixe de Moutinho e James, o FCP não precisa de vender. Mas que ter um jogador contrariado sem o contrato renovado no plantel? Um possível foco de instabilidade? Acho que não.
Por outro lado, depois de Fernando, pode vir Jackson ou Mangala com o mesmo discurso. Aí, tem de valer o peso da duração do contrato (superior) e a firmeza da SAD em declarar publicamente que o ciclo de Fernando chegou ao fim (algo que o de jogadores deste perfil ainda não aconteceu) para estancar a hemorragia. Sacar o máximo dinheiro possível (e se a oferta existe, espreme-la bem até ao último cêntimo) e embrulhar o jogador num lacinho. E claro, ter muito bom olho para encontrar um substituto à altura, numa posição muito delicada.
Honestamente, é difícil para um adepto simpatizar com um jogador que quer sair, seja por dinheiro, por ir à selecção ou porque está farto do tempo do Porto (como disse o Guttman há 60 anos). Mas entendo a sua posição. São profissionais, não têm uma ligação emocional ao clube e à cidade e querem seguir o seu caminho. Que o façam, mas que tentem fazer um esforço, publico pelo menos, de sair com a cabeça bem alta. Porque se há jogador que merece uma ronda de aplausos pelo que deu ao clube enquanto cá esteve, esse foi sem dúvida o "Polvo"!
* Procurei na conta oficial do Fernando as declarações. Não estão. Vi vários print screens com elas e não me parece montagem. Mas ao já não estarem significa que alguém lhe deu um toque sério. Lamentavelmente estas coisas quase nunca sucediam no FCP. Mas hoje em dias as redes sociais são uma arma que os jogadores têm e que escapa ao controlo dos clubes. Antes se falavam com um jornal, o clube sabia-o e podia cortar o mal pela raíz. Agora vivemos novos tempos, não é senhor Reges?
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Ecce homo
![]() |
| (Anúncios da contratação de Paulo Fonseca nas edições online de A BOLA, O JOGO, JN, Maisfutebol e Record) |
Sou da opinião que Pinto da Costa e Antero Henrique cometeram um erro grave, ao não renovarem o contrato com o actual treinador bi-campeão nacional mas, evidentemente, desejo as maiores felicidades ao Paulo Fonseca e que, se as coisas correrem mal, não venha a ser crucificado.
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Treinador
SMS da manhã
«SCP corta relações com o FCP»
Esta notícia estragou-me ontem o dia. Completamente. Nem consegui dormir direito...
Isto é extremamente preocupante para o FCP! Assim a modos que ao mesmo nível de um Beira Mar cortar relações connosco...
Constato (apenas como curiosidade genérica, estou-me a borrifar para o SCP) que este novo leãozinho está-se a sair um bom demagogo. Bem, é da forma que vou ter ainda menos pena dele quando for escorraçado pelos sócios após mais 2 ou 3 anos com o SCP a acabar o campeonato do 4o lugar para baixo.
Bem, já chega de SMS. Agora vou ali comer uma banana que estou cheio de fome...
quarta-feira, 5 de junho de 2013
E o próximo treinador do FCP é...
...a grande pergunta do momento J.
Pessoalmente estou tão farto desta novela que estou
«anestesiado». Por exemplo, ao contrário de muitos portistas não tenho qualquer
ansiedade, nem a mínima motivação para entrar em especulações. Quando se
souber, soube-se, pronto; depois falamos. Isto já parece o circo da 2a circular, sinceramente.
Mas essas conversas levam-me ao seguinte: nestas
discussões um ponto que vem à baila é o chamado «toque de Midas» de Pinto da
Costa: que «de qualquer um faz um treinador de grande sucesso», que acerta imenso
na escolha de treinador.
O que acho: Pinto da Costa é de longe o melhor dirigente de
um clube português em toda a sua história, e certamente está no top mundial de
sempre; e se tivémos grande sucesso nos últimos 30 anos, certamente a escolha
de treinadores teve a sua influência nisso. No entanto muita gente parece
esquecer-se que se assim foi, foi porque quando acerta no treinador ele fica
várias épocas; e quando falha fica pouco tempo; e não porque no momento da
escolha acerte quase sempre.
Se formos a ver a coisa pelo prisma do número de vezes em
que acertou e falhou na escolha do treinador, penso que fica bem menos claro
que Pinto da Costa seja tão bom como isso (nesse ponto).
A seguinte contabilidade começa com Artur Jorge (campeão
europeu) e é a título meramente pessoal e naturalmente muita gente vai
discordar; mas duvido que haja muita gente que apesar de discordar num ou
noutro pormenor, divirja drasticamente na sua avaliação. Tentei no entanto ser
tão objectivo quanto possível, tendo principalmente em conta a performance no
campeonato e na Europa.
ACERTO CLARO (8): A. Jorge, Ivic (1a vez), CAS, B. Robson, A. Oliveira,
Mourinho, Jesualdo, AVB
ASSIM-ASSIM (4): A. Jorge (2a vez), F. Santos, Co Adriaanse, V
Pereira
FALHANÇO CLARO (6): Quinito, Ivic (2a vez), O. Machado, Del Neri, Fernandez,
Couceiro
Logo para mim acertou claramente em menos
de metade das vezes (44%), quase tantas como as em que claramente falhou. Diga-se
no entanto de passagem que das vezes em que acertou, algumas delas foram mesmo
em cheio, e quando ninguém o esperaria: nomeadamente com A. Jorge (1ª vez),
Mourinho e AVB. Já outros em que acertou terão beneficiado acima de tudo da «máquina» por detrás e do plantel que
herdaram.
Ou seja: para mim o PdC no momento de
escolher treinador é uma espécie de mistura de roleta russa com Kinder
Surpresa: quando carrega no gatilho tanto pode sair uma bala, como um enorme
brinde...
O que vai sair desta vez? A ver vamos, mas
espero que Pinto da Costa esteja consciente de que por muito bom que seja, não tem
o toque de Midas – e que portanto não abuse de «hubris» (um exemplo claríssimo
disso foi a contratação de Del Neri, com PdC a explicar mais tarde que o tinha
contratado por recomendação de outrém, como quem diz: «não me dei ao trabalho
de fazer trabalho de casa porque a escolha do treinador era secundária e eu
podia fazer de qualquer um um grande sucesso»).
A única convição que tenho é que, seja quem
fôr, será alguém que não se insurja que seja a Direção a ter a principal
palavra nas contratações, o que à partida exclui treinadores consagrados e de forte
personalidade.
PS – falando de treinadores, pelo que li
Jorge Jesus continua com um salário de 4 milhões e prémio de 1 milhão se for
campeão. Bem, nada mau para um tipo que esteve quase a ser despedido...
terça-feira, 4 de junho de 2013
Para variar, uma coisa diferente
Já vamos na terça-feira, mas ainda muito a tempo de referir os desaires de domingo. A razão porque isso vem à baila, é precisamente por serem desaires, coisas que não acontecem só aos outros, e também porque não devem ser ignoradas.
Sobre a derrota na Taça de Portugal em andebol, não há muito a dizer; ser pentacampeão não garante vitórias em todos os jogos, e desta vez calhou ser numa final. Destacaria as palavras do recém-eleito presidente do SCP, equipa vencedora (parabéns), ele que conquistou o seu primeiro troféu, e que como se sabe foi eleito precisamente pelo lugar de destaque a que prometou levar o andebol verde-e-branco: "Começámos um novo ciclo e que os outros comecem a habituar-se ao sabor da derrota. Quem pensava que mandava no desporto vai ter de começar a amargurar e habituar-se à derrota." - Falo por mim: estou cheio de medo!
Sobre a "final" do campeonato de juvenis, há que acima de tudo lamentar as cenas de pancadaria, também juvenil, no final da partida. Os jogadores do Benfica estão de parabéns pela vitória. Não sei se houve provocações ou não, por isso culpo todos em igual medida, quem provocou e quem respondeu. Quanto ao relato dos acontecimentos feito pelo Porto Canal, admito que possa ter sido parcial, mas não vou entrar na histeria dos inenarráveis adeptos do Benfica, que ficaram indignadíssimos com o mesmo - "isto é Jornalismo?". Bom, se é Jornalismo ou não, desconheço nem me interessa, mas fazer essa pergunta quando se tem uma Benfica TV, que para além de não fazer melhor ainda tem programas inteiramente dedicados a injuriar o presidente de outro clube, é fruto de uma de duas explicações: nunca assistiram à emissão do dito canal, ou sofrem de algum problema mental agudo.
Finalmente, sobre a final da Liga Europeia de hóquei, é inegável que custa perder o título, em casa, e frente a aquele adversário, mas outras oportunidades surgirão, e este resultado, espero eu, só dará mais arreganho no futuro. Se calhar foi isso que faltou. Tivessem sabido explorar a enésima e entediante fitinha proporcionada pela direcção do Benfica, e talvez o resultado fosse outro. Com mais um comunicado patético, aquele grupo de indivíduos lá se vai entretendo a reescrever a História, e numa penada apagou anos e anos (ou décadas) de inqualificáveis vergonhas que frequentemente rodeavam os jogos entre as duas equipas em Lisboa. Como que por artes mágicas, desapareceram as invasões de campo, as emboscadas a jogadores e os autocarros incendiados - a turba engole tudo sem pestanejar, e em menos de nada está a debitar a "cassete", já com os novos episódios incluídos. É perfeitamente idiota, no que toca ao fenómeno para-desportivo português, assumir uma posição de autoridade moral - não há inocentes, todos têm culpas, mas por qualquer razão que me ultrapassa - talvez um psiquitra saiba responder - os adeptos do Benfica, insistem em assumir essa posição - sempre vítimas, nunca réus.
O Desporto é isto: ganhar e perder. Não se pode ganhar sempre - nem isso teria grande piada - e é sempre uma oportunidade de colocar os pés no chão e corrigir o que possa ter estado menos bem/mal. Acima de tudo é preciso saber respeitar os resultados e os adversários, e não crucificar os treinadores no calor do momento. Na nossa história temos episódios de "apertos" a alguns treinadores, mas julgo que também nesse aspecto estamos a evoluir. Quem sabe, um dia chegaremos ao nível dos maiores, e em vez desses "apertos" nos fiquemos pelos insultos e cuspidelas.
Sobre a derrota na Taça de Portugal em andebol, não há muito a dizer; ser pentacampeão não garante vitórias em todos os jogos, e desta vez calhou ser numa final. Destacaria as palavras do recém-eleito presidente do SCP, equipa vencedora (parabéns), ele que conquistou o seu primeiro troféu, e que como se sabe foi eleito precisamente pelo lugar de destaque a que prometou levar o andebol verde-e-branco: "Começámos um novo ciclo e que os outros comecem a habituar-se ao sabor da derrota. Quem pensava que mandava no desporto vai ter de começar a amargurar e habituar-se à derrota." - Falo por mim: estou cheio de medo!
Sobre a "final" do campeonato de juvenis, há que acima de tudo lamentar as cenas de pancadaria, também juvenil, no final da partida. Os jogadores do Benfica estão de parabéns pela vitória. Não sei se houve provocações ou não, por isso culpo todos em igual medida, quem provocou e quem respondeu. Quanto ao relato dos acontecimentos feito pelo Porto Canal, admito que possa ter sido parcial, mas não vou entrar na histeria dos inenarráveis adeptos do Benfica, que ficaram indignadíssimos com o mesmo - "isto é Jornalismo?". Bom, se é Jornalismo ou não, desconheço nem me interessa, mas fazer essa pergunta quando se tem uma Benfica TV, que para além de não fazer melhor ainda tem programas inteiramente dedicados a injuriar o presidente de outro clube, é fruto de uma de duas explicações: nunca assistiram à emissão do dito canal, ou sofrem de algum problema mental agudo.
Finalmente, sobre a final da Liga Europeia de hóquei, é inegável que custa perder o título, em casa, e frente a aquele adversário, mas outras oportunidades surgirão, e este resultado, espero eu, só dará mais arreganho no futuro. Se calhar foi isso que faltou. Tivessem sabido explorar a enésima e entediante fitinha proporcionada pela direcção do Benfica, e talvez o resultado fosse outro. Com mais um comunicado patético, aquele grupo de indivíduos lá se vai entretendo a reescrever a História, e numa penada apagou anos e anos (ou décadas) de inqualificáveis vergonhas que frequentemente rodeavam os jogos entre as duas equipas em Lisboa. Como que por artes mágicas, desapareceram as invasões de campo, as emboscadas a jogadores e os autocarros incendiados - a turba engole tudo sem pestanejar, e em menos de nada está a debitar a "cassete", já com os novos episódios incluídos. É perfeitamente idiota, no que toca ao fenómeno para-desportivo português, assumir uma posição de autoridade moral - não há inocentes, todos têm culpas, mas por qualquer razão que me ultrapassa - talvez um psiquitra saiba responder - os adeptos do Benfica, insistem em assumir essa posição - sempre vítimas, nunca réus.
O Desporto é isto: ganhar e perder. Não se pode ganhar sempre - nem isso teria grande piada - e é sempre uma oportunidade de colocar os pés no chão e corrigir o que possa ter estado menos bem/mal. Acima de tudo é preciso saber respeitar os resultados e os adversários, e não crucificar os treinadores no calor do momento. Na nossa história temos episódios de "apertos" a alguns treinadores, mas julgo que também nesse aspecto estamos a evoluir. Quem sabe, um dia chegaremos ao nível dos maiores, e em vez desses "apertos" nos fiquemos pelos insultos e cuspidelas.
Pinto da Costa no jornal MARCA
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Agora?
Levo três anos defendendo a ideia de que o FC Porto deveria aproveitar a popularidade de alguns dos seus melhores jogadores para vincar a sua presença na Colômbia. Levo três anos defendendo que um clube que contou com quatro dos mais emblemáticos jogadores do segundo maior país da América Latina deve ir lá jogar, deve reforçar o seu marketing nessa área e deve reforçar o seu papel mediático na realidade desportiva do dia a dia.
Três anos.
Nesse tempo jogavam no FC Porto o avançado Radamel Falcao, o médio Freddy Guarin, o extremo James Rodriguez. Foi Falcao e Guarin e veio Jackson Martinez. Quatro internacionais, peças chave na campanha mundialista dos "Cafeteros". O que fez a SAD do FC Porto a esse respeito? Zero, zero e zero.
Depois de vender James Rodriguez, já tendo vendido a Falcao e Guarin, e só com Jackson no plantel, o clube confirmou que vai disputar um amigável em Julho com um dos principais clubes colombianos, o Millionarios de Bogotá. Nessa mesma tour vão jogar ainda em Caracas, onde vive uma importante comunidade de emigrantes portugueses.
Quando o potencial real de projecção se perde, a equipa viaja? Alguém, realmente, tem um sentido de timing tremendo no estádio do Dragão.
Três anos.
Nesse tempo jogavam no FC Porto o avançado Radamel Falcao, o médio Freddy Guarin, o extremo James Rodriguez. Foi Falcao e Guarin e veio Jackson Martinez. Quatro internacionais, peças chave na campanha mundialista dos "Cafeteros". O que fez a SAD do FC Porto a esse respeito? Zero, zero e zero.
Depois de vender James Rodriguez, já tendo vendido a Falcao e Guarin, e só com Jackson no plantel, o clube confirmou que vai disputar um amigável em Julho com um dos principais clubes colombianos, o Millionarios de Bogotá. Nessa mesma tour vão jogar ainda em Caracas, onde vive uma importante comunidade de emigrantes portugueses.
Quando o potencial real de projecção se perde, a equipa viaja? Alguém, realmente, tem um sentido de timing tremendo no estádio do Dragão.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
O Marketing na FC Porto, SAD
Por Nuno de Campos
Num negócio em défice e em tempo de crise, não sei como se pode escolher clientes e olhar a cor do dinheiro. O que pode comprometer seriamente o futuro do clube são as contas - encham o estádio de vermelhos a assobiar, desde que paguem bilhete, bebam cerveja e deixem gorjeta. Com assobios podemos nós bem.
Associar o declínio das receitas do Dragão ao treinador é igual a culpar árbitros por derrotas. Tal como definir o plantel e a equipa técnica, a estratégia de marketing, a venda de lugares anuais e de bilhetes, os contratos de concessão do estádio devem ser tratados antes da época começar. O departamento de marketing tem que fazer o seu trabalho e ser responsabilizado pelos resultados.
Independentemente da qualidade do jogo, num estádio cheio, o espectáculo é melhor e o cliente sai mais satisfeito e decidido a voltar. Estádio cheio gera um melhor espectáculo televisivo, faz o telespectador invejar quem esteve no estádio. Um estádio vazio, mesmo pela televisão, mesmo com 2 mil fanáticos num canto a gritar, cria um sentimento negativo.
Nos EUA, onde moro quase há 20 anos, os estádios das equipas com a dimensão e a tradição de FC Porto estão sempre cheios. Por exemplo, na zona de Boston, semelhante ao grande Porto em dimensão, os Boston Red Sox esgotaram o seu estádio (38.000 lugares) de 2003 a 2013, num total de 820 jogos. Com um rendimento per-capita muito superior ao do grande Porto os preços dos bilhetes mais baratos (aproximadamente $20 USD) são bastante inferiores aos praticados no Dragão.
O estádio está sempre cheio, os espectáculos são sempre animados, quer a equipa jogue bem ou mal. Com um estádio sempre cheio aumentam as receitas com publicidade e concessionários. O calendário e horário dos jogos são estabelecidos muito antes de a época começar. Os jogos à semana começam sempre às 7:15, para que o público jante no estádio e possa regressar a casa a horas. Com mais clientes que pagaram menos pelos seus bilhetes, a oferta dos concessionários é muito melhor do que a miséria do Dragão, mesmo na MLS que tem audiências e orçamentos muito inferiores. A cerveja tem álcool e ninguém se insulta nem esmurra. Não se atiram objectos. Os espectadores são homens e mulheres de todas as cores e idades e ninguém receia levar para o estádio crianças pequenas. E os bilhetes estão todos vendidos muito antes de a época começar, em assinaturas anuais, pacotes com número fixo de jogos e um número reduzido de bilhetes individuais. Uma estratégia corrente é incluir um jogo grande num pacote com 5 jogos pequenos. Raramente se vendem bilhetes individuais para jogos grandes. Tudo isto contribui para uma melhor experiência do espectador, o cativar e fidelizar de novos espectadores, e a melhor saúde financeira dos clubes.
No nosso clube não vejo uma estratégia de marketing que tenha como prioridade encher o Dragão.
Nota: O Reflexão Portista agradece a Nuno de Campos a elaboração deste artigo.
Num negócio em défice e em tempo de crise, não sei como se pode escolher clientes e olhar a cor do dinheiro. O que pode comprometer seriamente o futuro do clube são as contas - encham o estádio de vermelhos a assobiar, desde que paguem bilhete, bebam cerveja e deixem gorjeta. Com assobios podemos nós bem.
Associar o declínio das receitas do Dragão ao treinador é igual a culpar árbitros por derrotas. Tal como definir o plantel e a equipa técnica, a estratégia de marketing, a venda de lugares anuais e de bilhetes, os contratos de concessão do estádio devem ser tratados antes da época começar. O departamento de marketing tem que fazer o seu trabalho e ser responsabilizado pelos resultados.
Independentemente da qualidade do jogo, num estádio cheio, o espectáculo é melhor e o cliente sai mais satisfeito e decidido a voltar. Estádio cheio gera um melhor espectáculo televisivo, faz o telespectador invejar quem esteve no estádio. Um estádio vazio, mesmo pela televisão, mesmo com 2 mil fanáticos num canto a gritar, cria um sentimento negativo.
Nos EUA, onde moro quase há 20 anos, os estádios das equipas com a dimensão e a tradição de FC Porto estão sempre cheios. Por exemplo, na zona de Boston, semelhante ao grande Porto em dimensão, os Boston Red Sox esgotaram o seu estádio (38.000 lugares) de 2003 a 2013, num total de 820 jogos. Com um rendimento per-capita muito superior ao do grande Porto os preços dos bilhetes mais baratos (aproximadamente $20 USD) são bastante inferiores aos praticados no Dragão.
O estádio está sempre cheio, os espectáculos são sempre animados, quer a equipa jogue bem ou mal. Com um estádio sempre cheio aumentam as receitas com publicidade e concessionários. O calendário e horário dos jogos são estabelecidos muito antes de a época começar. Os jogos à semana começam sempre às 7:15, para que o público jante no estádio e possa regressar a casa a horas. Com mais clientes que pagaram menos pelos seus bilhetes, a oferta dos concessionários é muito melhor do que a miséria do Dragão, mesmo na MLS que tem audiências e orçamentos muito inferiores. A cerveja tem álcool e ninguém se insulta nem esmurra. Não se atiram objectos. Os espectadores são homens e mulheres de todas as cores e idades e ninguém receia levar para o estádio crianças pequenas. E os bilhetes estão todos vendidos muito antes de a época começar, em assinaturas anuais, pacotes com número fixo de jogos e um número reduzido de bilhetes individuais. Uma estratégia corrente é incluir um jogo grande num pacote com 5 jogos pequenos. Raramente se vendem bilhetes individuais para jogos grandes. Tudo isto contribui para uma melhor experiência do espectador, o cativar e fidelizar de novos espectadores, e a melhor saúde financeira dos clubes.
No nosso clube não vejo uma estratégia de marketing que tenha como prioridade encher o Dragão.
Nota: O Reflexão Portista agradece a Nuno de Campos a elaboração deste artigo.
domingo, 2 de junho de 2013
O II Encontro é no dia 15 de Junho
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bluegosfera
sábado, 1 de junho de 2013
Reyes dragão pela metade
No passado mês de Dezembro o FC Porto contratou a promessa mexicana Diego Reyes por 7 milhões de euros, no valor de 95% do seu passe. A esses sete milhões juntaram-se mais 2 milhões em comissões e prémios, inflacionando o preço para nove milhões.
Gosto do Reyes, vi-o jogar na liga mexicana e, sobretudo, com a selecção - fez uns Jogos Olimpicos espectaculares - mas sou o primeiro a dizer que se há posição onde estamos bem cobertos é a de central. E também quem reclama há mais tempo neste espaço a contratação do Paulo Oliveira para eventual suplente/substituto do Mangala. Há quem diga que o Reyes joga também na posição do Fernando, mas essa não é a sua posição natural e não entendo porque se paga tanto por um jogador para depois adapta-lo. Também o Varane jogava ocasionalmente a médio defensivo no Lens e no Real Madrid ninguém se lembrou de o pôr lá com o grande central que é.
Pois bem, Reyes ainda não chegou, ainda não jogou, e já só é nosso em 47, 5%.
Surpreendidos? Com esta gestão, eu não.
Um mês depois de ter sido contratado, o clube vendeu metade do passe por 3,5 milhões de euros (o valor exacto dos 7 milhões) à GOAL Luxemburgo, quem senão. Agora, parece-me óbvio, que quando alguém queira vender o Reyes pelos 15 ou 20 milhões seguramente acabará por pagar por ele, esses 50% sejam recomprados por um valor superior, quem sabe mais 5 ou 7 milhões, reduzindo a margem de lucro em, pelo menos, 3 ou 4 milhões de euros. Tem lógica essa operação?
Há quem defenda que o FCP realiza estas operações por necessidades de tesouraria.
Que nem sequer tinha dinheiro para pagar o Reyes quando o comprou (então para quê comprar, principalmente numa posição onde não somos deficitários e há opções mais baratas no mercado??) e que por isso esta venda de passe foi uma forma de conseguir o único dinheiro para dar o sinal ao América.
Podia entender isso depois de um Verão sem vendas, depois de um ano em que não entra o dinheiro da Champions.
Ora bem, em Setembro tinha saído para o Zenit o Hulk pelos valores que sabemos. Os russos ainda devem 20 milhões de euros, pelo que suponho que já tenham pago os 20 milhões que lhes correspondia. Dinheiro fresco! O FC Porto também fez uma excelente fase de grupos da Champions, e o dinheiro da UEFA seria sempre uma significativa mais valia a fim de ano, bem por cima dos 10 milhões de base.
Portanto, nesse cenário, que necessidade tão urgente tem o FC Porto de abdicar de metade do passe de um dos jogadores com mais mercado de futuro por uns meros 3,5 milhões de euros? Mais se corre o risco de, para recuperar essa percentagem, ter de pagar até o dobro desse valor?
Sinceramente a questão das comissões é um tema sério mas esta compra e revenda começa cada vez mais a parecer-me algo mais próximo a coisas bem mais desagradáveis e sujas do que meras urgências financeiras a curto prazo. O FC Porto não tinha, em Janeiro de 2013, sabendo-se nos Oitavos da Champions, sabendo que tinha mercado para dois ou três jogadores em Junho, sabendo que tinha vendido Hulk e que tinham de entrar 13 milhões de Falcao, 10 de Hulk e 10 do Inter por Guarin e Alvaro nos meses seguintes, dinheiro suficiente para evitar este negócio?
Cada um que pense o que quiser, seguramente haverá opiniões divididas. A minha já a conhecem de sobra. Com este tipo de negociatas de ruela, só há uma entidade que sai prejudicada: chama-se Futebol Clube do Porto.
Gosto do Reyes, vi-o jogar na liga mexicana e, sobretudo, com a selecção - fez uns Jogos Olimpicos espectaculares - mas sou o primeiro a dizer que se há posição onde estamos bem cobertos é a de central. E também quem reclama há mais tempo neste espaço a contratação do Paulo Oliveira para eventual suplente/substituto do Mangala. Há quem diga que o Reyes joga também na posição do Fernando, mas essa não é a sua posição natural e não entendo porque se paga tanto por um jogador para depois adapta-lo. Também o Varane jogava ocasionalmente a médio defensivo no Lens e no Real Madrid ninguém se lembrou de o pôr lá com o grande central que é.
Pois bem, Reyes ainda não chegou, ainda não jogou, e já só é nosso em 47, 5%.
Surpreendidos? Com esta gestão, eu não.
Um mês depois de ter sido contratado, o clube vendeu metade do passe por 3,5 milhões de euros (o valor exacto dos 7 milhões) à GOAL Luxemburgo, quem senão. Agora, parece-me óbvio, que quando alguém queira vender o Reyes pelos 15 ou 20 milhões seguramente acabará por pagar por ele, esses 50% sejam recomprados por um valor superior, quem sabe mais 5 ou 7 milhões, reduzindo a margem de lucro em, pelo menos, 3 ou 4 milhões de euros. Tem lógica essa operação?
Há quem defenda que o FCP realiza estas operações por necessidades de tesouraria.
Que nem sequer tinha dinheiro para pagar o Reyes quando o comprou (então para quê comprar, principalmente numa posição onde não somos deficitários e há opções mais baratas no mercado??) e que por isso esta venda de passe foi uma forma de conseguir o único dinheiro para dar o sinal ao América.
Podia entender isso depois de um Verão sem vendas, depois de um ano em que não entra o dinheiro da Champions.
Ora bem, em Setembro tinha saído para o Zenit o Hulk pelos valores que sabemos. Os russos ainda devem 20 milhões de euros, pelo que suponho que já tenham pago os 20 milhões que lhes correspondia. Dinheiro fresco! O FC Porto também fez uma excelente fase de grupos da Champions, e o dinheiro da UEFA seria sempre uma significativa mais valia a fim de ano, bem por cima dos 10 milhões de base.
Portanto, nesse cenário, que necessidade tão urgente tem o FC Porto de abdicar de metade do passe de um dos jogadores com mais mercado de futuro por uns meros 3,5 milhões de euros? Mais se corre o risco de, para recuperar essa percentagem, ter de pagar até o dobro desse valor?
Sinceramente a questão das comissões é um tema sério mas esta compra e revenda começa cada vez mais a parecer-me algo mais próximo a coisas bem mais desagradáveis e sujas do que meras urgências financeiras a curto prazo. O FC Porto não tinha, em Janeiro de 2013, sabendo-se nos Oitavos da Champions, sabendo que tinha mercado para dois ou três jogadores em Junho, sabendo que tinha vendido Hulk e que tinham de entrar 13 milhões de Falcao, 10 de Hulk e 10 do Inter por Guarin e Alvaro nos meses seguintes, dinheiro suficiente para evitar este negócio?
Cada um que pense o que quiser, seguramente haverá opiniões divididas. A minha já a conhecem de sobra. Com este tipo de negociatas de ruela, só há uma entidade que sai prejudicada: chama-se Futebol Clube do Porto.
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