domingo, 12 de janeiro de 2014

Uma derrota inevitável

O FC Porto foi derrotado no estádio da Luz. Os números não mentem. Desde a polémica dos "túneis", há quatro anos, que a equipa azul-e-branca não caía em Lisboa para o campeonato. Foi uma derrota mais do que merecida. Salvo nos minutos finais da primeira parte jamais a equipa de Paulo Fonseca esteve à altura do jogo. Durante a semana a morte de Eusébio intoxicou a comunicação social. Criou-se a sensação de que o Benfica teria de ganhar este jogo, sim ou sim, como homenagem ao "Pantera Negra". Não foi preciso muito. Quem tem seguido a carreira do FC Porto nesta época sabia que a equipa não estava preparada para um desafio deste nível emocional. Jorge Jesus agradeceu. Pela primeira vez o Dragão chegou à capital do "império" com um treinador pior que ele. Assim, uma derrota é algo inevitável.


Deu pena ver as camisolas azuis-e-brancas em alguns momentos na Luz.
Uma equipa perdida, partida, sem ideias. Sem líderes e sem alma. Isso de "jogar à Porto" é algo que, manifestamente, este staff técnico é incapaz de transmitir. O FC Porto não perdeu apenas com o Benfica. Em alguns momentos do jogo foi verdadeiramente atropelado por uma formação rival que não é, propriamente, uma grande equipa. Nem precisou de o ser. Bastou-lhe ter garra, raça e jogar a explorar as falhas dos rivais. Que foram muitas. A começar pela defesa que entregou de bandeja os dois golos. Podia ter sido pior. Otamendi continua a ser um central ao nível dos distritais, falhando cada bola que toca. Mangala hoje vale metade do que valia há um ano (e estou a ser simpático). E Helton, que renovou há pouco para mais uma época, ficou muito, muito mal na fotografia nos dois golos. O primeiro entrou no seu poste, as mãos muito frouxas para travar o disparo de Rodrigo. No segundo golo, uma saída sem qualquer sentido abriu a baliza ao cabeceamento de Garay. Mangala também não ajudou a deixar-se antecipar. Minutos antes o central francês tinha cometido um penalty claro que ficou por marcar. Soares Dias não apitou A bola foi ao braço de Mangala mas a sua posição era tudo menos natural. Não houve sequer tempo para a polémica, com o golo a surgir no lance seguinte. O desnorte dos jogadores do FC Porto era mais do que evidente. Na segunda parte foi Danilo que sofreu um contacto com Garay que poderia ter perfeitamente sido assinalado. Resultado? Amarelo para o brasileiro e expulsão. Nessa altura já Soares Dias tinha perdido o controlo do jogo e o Benfica o tinha ganho. A Paulo Fonseca de nada tinha valido a tecla de emergência chamada Ricardo Quaresma. O seu primeiro lance? Um amarelo por entrada a Matic. O mundo ao contrário.

O FC Porto repetiu o padrão táctico dos últimos tempos e foi rapidamente engolido por um Benfica que povoou o meio-campo, colocando Perez e Matic perto de Markovic e Gaitan. Os quatro moveram-se rapidamente nas transições, aproveitando que a ausência de Cardozo deixava a defesa do Porto sem um alvo de marcação. Quando tinha a bola nos pés, os dragões não sabiam o que fazer com ela. Linhas muito separadas, falta de um organizador e um oceano de encarnados entre Jackson e os colegas. O colombiano teve a oportunidade de marcar no final da 1º parte. Teria sido o golo do empate. O falhanço foi flagrante. Não voltou a ser visto em campo. O golo do Benfica surgiu de acordo com a corrente do jogo, em mais um aproveitamento dos erros defensivos por parte dos encarnados. Depois da euforia, o FC Porto pegou finalmente com a bola mas apesar de ter empurrado o Benfica para a sua linha defensiva, parecia incapaz de criar perigo. As oportunidades em que Oblak foi posto à prova contam-se pelos dedos de uma mão. A apatia era total. A segunda parte não foi diferente. Saiu Lucho e entrou Josué, houve mais velocidade nas trocas de bola mas a equipa continuou sem verticalidade. Quaresma entrou e causou impacto zero. Era esperado. Os que acreditam em contos de fadas talvez tenham ficado desiludidos. Falta muito para o "mustang" poder voltar a ser decisivo neste tipo de jogos. O 2-0, justo pela forma como o jogo se desenrolou (e com a polémica do penalty fresca) matou o jogo. O Benfica encostou-se comodamente à procura dos espaços e entregou a bola ao Porto. Com Villas-Boas ou Vitor Pereira isso teria sido fatal. Com Paulo Fonseca é uma bênção para qualquer rival. O esférico queimava nos pés dos jogadores os passes falhados foram in crescendo permitindo ao Benfica ir realizando raides à baliza de Hélton. A polémica expulsão de Danilo (o penalty pode ser discutido, o conceito de simulação é ridículo) apenas se limitou a facilitar a noite aos da casa quando já tinham o jogo no bolso.



Sem fio de jogo, com erros arbitrais para ambos os lados e sem conseguir deixar uma boa imagem, o FC Porto que viajou à Luz foi apenas mais um capitulo na desastrosa gestão de Paulo Fonseca. Parece mais do que evidente que o treinador vai aguentar até Maio. Uma decisão que honra quem gere o clube e apostou forte nessa ficha. Que esteja à altura das consequências. O campeonato ainda vai a meio mas o vazio mental do treinador do FC Porto não augura nada de bom. Depois da péssima exibição em Madrid e Alvalade a derrota na Luz é apenas mais uma prova de que já não é apenas uma questão de adaptação (seja lá o que isso seja) ou um problema dos jogadores. Sem ter-se esforçado muito, o Benfica lá conseguiu homenagear Eusébio. Perderá Matic (e essa é uma perda importante) mas parte para a segunda volta líder. Eu, pessoalmente, preferia que alguém no FC Porto fizesse algo para homenagear José Maria Pedroto, apostando para a próxima época num treinador de que não seja de papel. Perder na Luz é algo atipico (três derrotas em onze anos) mas não é um resultado que envergonhe ninguém. Cair como se caiu é um fraco favor à garra, à raça e ao espírito ganhador que faz parte do ADN de todos os Dragões. Em Maio vai ser preciso algo mais que um Kelvin para resolver este problema de identidade digno de uma consulta freudiana. O importante agora é chegar lá como na época passada. A discutir um título que ainda não é de ninguém!

Um plantel fraquinho…

Há um ano atrás, no dia 13-01-2013, disputou-se um outro slb x FC Porto para o campeonato.

Sem poder contar com Maicon (lesionado), James (lesionado), Atsu (na CAN) e Liedson (só viria a ser contratado pela FC Porto SAD 11 dias depois), Vítor Pereira teve de recorrer à equipa B e incluiu no lote dos convocados Tozé e Sebá.

slb x FC Porto, 13-01-2013 (fonte: zerozero)

Um ano depois o cenário é bem diferente.
Para o jogo de hoje, o treinador do FC Porto tem o plantel todo disponível e escolheu os seguintes jogadores:
Guarda-redes: Helton e Fabiano
Defesas: Danilo, Otamendi, Mangala, Alex Sandro e Maicon
Médios: Fernando, Defour, Lucho, Josué e Carlos Eduardo
Avançados: Kelvin, Varela, Licá, Ricardo Quaresma, Ghilas e Jackson

Bem, olhando para os 18 convocados, não faltam soluções para diferentes modelos de jogo, bem como, alternativas de qualidade no banco para o treinador, se necessário, poder mexer no jogo.

E se levarmos em conta, que de fora da lista de convocados ficaram as três principais (mais caras) contratações para esta época – Diego Reyes, Herrera e Quintero – e ainda Ricardo, que foi dos melhores no último jogo disputado (para a Taça de Portugal), eu diria que é capaz de ser um bocadinho exagerado dizer-se (como eu já li várias vezes), que o plantel à disposição de Paulo Fonseca é fraco e um dos piores dos últimos seis ou sete anos.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Homenagear é jogar à Porto

Durante muitos anos, as deslocações do FC Porto ao “inferno da Luz” terminavam, invariavelmente, em derrotas e houve mesmo longos períodos em que a equipa azul e branca não conseguiu vencer os encarnados no seu estádio. Foi o caso de 11 deslocações seguidas à Luz para o campeonato, no período entre 24-11-1963 e 04-11-1973, que se traduziram em 8 derrotas e 3 empates.

Em 1976, dois anos após a revolução de Abril, que mudou o país do ponto de vista político e social, iniciou-se um novo período no futebol português. Primeiro com o regresso de José Maria Pedroto ao comando do futebol portista (1976/77 a 1979/80; 1982/83 a 1983/84) e, principalmente, após a eleição de Pinto da Costa em 1982, assistiu-se à progressiva transformação do FC Porto no melhor clube português, quer a nível nacional, quer internacional.

Assim, se durante a “geração Eusébio” o FC Porto esteve 11 anos sem ganhar no estádio da Luz, nas últimas 11 deslocações ao “ninho da águia” para o campeonato, os dragões regressaram de Lisboa com 5 vitórias, 4 empates e apenas 2 derrotas.

Últimos 11 slb x FC Porto para o campeonato (fonte: zerozero)

Nestes 11 jogos, correspondentes ao período entre 04-03-2003 e 13-01-2013, a equipa do FC Porto deslocou-se à Luz sob o comando técnico de seis treinadores diferentes: José Mourinho (2 vezes), Victor Fernandez, Co Adriaanse, Jesualdo Ferreira (4 vezes), André Villas-Boas e Vítor Pereira (2 vezes).

E se é verdade que Co Adriaanse nunca ganhou na Luz (foi campeão nacional na época 2005/06 perdendo os dois jogos contra o slb!), todos os outros foram felizes no estádio da Luz.

Amanhã é a vez de Paulo Fonseca.

Apesar dos muitos sucessos nos últimos anos, uma deslocação a Lisboa, para um desafio no estádio dos encarnados, nunca é um jogo fácil. E esta deslocação tem a dificuldade adicional dos descarados apelos públicos de "vencer em nome de Eusébio" (espero que não influenciem o árbitro), integrados na campanha nacional de homenagens ao King.

Lá está, Eusébio é uma figura nacional, consensual, que une os portugueses e blá, blá, blá mas, mesmo depois de morto, aproveitam-se dessa figura nacional para apelar à vitória do seu clube de sempre - o SLB - e à consequente derrota do odiado clube do Norte - o FC Porto.

Como portista, portuense e português, espero que sim, que a equipa do FC Porto honre a memória de Eusébio e a melhor forma de o fazer é jogando como o fez nos últimos anos, jogando à Porto.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

SMS do Dia

Uma tal de Sophia de Mello Breyner vai para o Panteão antes do Eusébio - mas afinal em que clube é que ela jogava?

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Liedson e Quaresma: as diferenças

Têm sido referidos alguns paralelismos entre as contratações de Liedson e de Quaresma, o que motiva uma certa desconfiança por parte dos adeptos portistas (segundo o princípio do gato escaldado...).

Mas se há semelhanças, também existem diferenças (umas mais óbvias que outras). Vejamos...

Liedson saiu de Portugal como um ídolo de um clube rival do FC Porto e nunca tinha jogado no FC Porto;
Quaresma saiu de Portugal como um ídolo dos adeptos do FC Porto e os melhores anos da sua carreira foram precisamente no período em que vestiu a camisola azul-e-branca.


Liedson chegou ao Porto quase no final do período de transferências de Janeiro (a contratação foi anunciada em 24-01-2013);
Quaresma chegou ao Porto cerca de três semanas antes da abertura do período de transferências de Janeiro e começou a treinar com o plantel portista no 1º dia do ano.


Liedson, quando iniciou os treinos com o plantel do FC Porto, estava em muito má condição fisica;
Quaresma, duas semanas antes de iniciar os treinos com o plantel do FC Porto, passou a ser acompanhado por um técnico do clube e adoptou um plano de preparação específico para recuperar os índices físicos.


Liedson já sabia que vinha para ser suplente de um jogador que era titular indiscutível (Jackson Martinez).
Quaresma vem com a perspectiva de poder ser titular, porque na primeira metade da época nenhum dos extremos do plantel se afirmou como elemento indiscutível no onze de Paulo Fonseca (embora Silvestre Varela seja uma aposta regular).

Liedson foi contratado com 35 anos (nasceu em 17-12-1977) e, ao vestir a camisola do FC Porto, já não tinha grandes perspectivas de carreira.
Quaresma foi contratado com 30 anos (nasceu em 26-09-1983) e, ao voltar a envergar a camisola do FC Porto, sonha com a possibilidade de integrar o lote dos 23 que serão escolhidos por Paulo Bento para o Mundial de 2014 no Brasil.

Esperemos, então, que todas estas diferenças nos dois casos se traduzam em algo de positivo dentro das quatro linhas e que, neste "regresso a casa", o rendimento desportivo de Ricardo Quaresma se aproxime daquilo que ele mostrou em 2007.

Uma coisa parece-me clara: os timings da contratação e o acompanhamento prévio do Quaresma por elementos do clube, são indícios de que a FC Porto SAD terá apreendido alguma coisa com os erros cometidos no processo de contratação do Liedson.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Da alienação ao Panteão


Eusébio com a camisola do SLB
Eusébio da Silva Ferreira morreu no passado domingo.
Quem o pôde ver jogar ao vivo (ele deixou de jogar há cerca de 40 anos), ou viu vídeos / transmissões televisivas de jogos em que participou, diz que Eusébio era um jogador veloz, ágil, possante e de remate fácil, o que fez dele um goleador temível e o tornou conhecido como o Pantera Negra.

Vindo da filial do Sporting em Lourenço Marques (atual Maputo), Eusébio chegou a Lisboa no dia 15 de dezembro de 1960 para jogar no… SLB, onde esteve até 18 de junho de 1975.
Foi nas 15 épocas ao serviço das águias, que Eusébio atingiu a esmagadora maioria dos êxitos da sua carreira – 11 Campeonatos Nacionais, 5 Taças de Portugal, 1 Taça dos Campeões Europeus (1961/62) e a presença em mais três finais da Taça dos Campeões Europeus (1962/63, 1964/65 e 1967/68). Foi ainda, por três vezes, o melhor marcador da Taça dos Campeões Europeus e sete vezes o melhor marcador do campeonato português, tendo em duas dessas ocasiões (1967/68 e 1972/73) ganho a Bota de Ouro (de melhor marcador dos campeonatos europeus).

Mas, se ao serviço do seu clube de sempre – o SLB – Eusébio conquistou inúmeros títulos e troféus individuais, sendo o maior goleador da história dos encarnados de Lisboa (638 golos em 614 partidas oficiais), o mesmo não pode ser dito da Seleção Nacional.

Eusébio estreou-se na Seleção Portuguesa de Futebol a 8 de outubro de 1961 e fez o seu 64º e último jogo a 19 de outubro de 1973, mas os sucessos alcançados com a camisola das quinas foram escassos e resumem-se ao 3º lugar no Campeonato do Mundo de 1966.

Evidentemente, um jogador sozinho não faz uma equipa, mas se há algo que ninguém pode dizer é que a geração dos anos 60 era fraca e que não havia matéria prima para fazer uma grande Seleção, bem pelo contrário. Aliás, dizê-lo seria um contrassenso, porque na década de 60 o Benfica (que era a base da Seleção) foi a cinco finais da Taça dos Campeões Europeus (ganhou duas) e o Sporting venceu uma Taça das Taças.

Haverá diferentes explicações (dependendo da visão e/ou agenda de cada um) para todos os insucessos da Seleção portuguesa em confronto com outras seleções, mas o que fica para a história é que nos 12 anos em que jogou pela “equipa de todos nós” Eusébio apenas foi a uma fase final de um Mundial, ou seja, falhou os Europeus de 1964, 1968, 1972 e os Mundiais de 1962 e 1970 (por exemplo, e em contraponto, Cristiano Ronaldo nunca falhou a presença numa grande competição internacional e já foi vice-campeão em 2004 e semifinalista em 2006 e 2012).

Independentemente das simpatias clubísticas, toda a gente reconhece que o Eusébio foi um extraordinário avançado e, tendo sido o primeiro grande futebolista africano a atingir o estrelato internacional, é também unanimemente considerado o melhor jogador português da sua geração (já é discutível se será o melhor de sempre).
Mas se Eusébio foi um enorme futebolista, o maior, o King, ou o que a comunicação social lhe quiser chamar, foi-o essencialmente com a camisola do SLB e não com a camisola da Seleção Portuguesa de Futebol. Esta é a realidade dos factos.

Dito isto, acho normais todas as homenagens que jogadores, treinadores, dirigentes e clubes adversários lhe fizeram.
E, por tudo aquilo que o Eusébio deu e ainda hoje representa para o seu clube de sempre, percebo perfeitamente as homenagens que o SLB lhe fez em vida, ou queira fazer agora, desde o anunciado recorde de um ano de luto, decretado por Luís Filipe Vieira, à intenção de transformar a zona da estátua numa espécie de mausoléu (mudar o nome do estádio é que não, porque o Eusébio pode ser um mito, mas Vieira não está disposto a abdicar dos milhões que conta encaixar com os naming rights...).

Contudo, não alinho na onda da histeria coletiva dos media da capital, à moda da Coreia do Norte, no absurdo de quererem fazer de Eusébio uma “referência” ou “herói nacional” e muito menos em descarados aproveitamentos político-desportivos.

Governo, Primeiro-Ministro e Presidente da República na missa de corpo presente

Presidente da República na missa de corpo presente

Eu, pessoalmente, defendo que Eusébio deve ir para o Panteão. Se há algum português que lá deve estar é ele
Teresa Leal Coelho, vice-presidente do PSD, 06-01-2014

[a transladação dos restos mortais de Eusébio para o Panteão Nacional] é uma exigência do povo português e não do Benfica
Luís Filipe Vieira, em entrevista à RTP no dia 06-01-2014

Exigência?! Pode ser uma exigência dos benfiquistas, dos amigos, de admiradores ou de políticos oportunistas, mas certamente que não é uma exigência do povo português.
Para que fique claro, por tudo aquilo que escrevi atrás, sou completamente contra a que sejam depositados no Panteão Nacional os restos mortais de um futebolista, por melhor que ele tenha sido, mas cujos feitos estejam (e no caso do Eusébio estão), no essencial, associados a um clube e não à Seleção Nacional ou ao país como um todo.

Aliás, a associação de Eusébio ao SLB foi sempre clara e inequívoca, mesmo após a sua morte. Por exemplo, não foi certamente por acaso que o corpo de Eusébio esteve em câmara ardente no estádio da Luz e não na sede da FPF.

Urna de Eusébio (foto: PÚBLICO / Nuno Ferreira Santos)

Como também não foi esquecido, pelos responsáveis benfiquistas, o desejo do próprio Eusébio em que a sua urna, coberta com a bandeira do SLB (e não com a bandeira de Portugal), desse uma volta de honra ao relvado do estádio do seu clube de sempre.

E, já agora, a foto seguinte, com um segurança contratado pelo SLB a retirar cachecois de outros clubes da zona da estátua do Eusébio, fala por si, sem precisar de legenda ou de comunicados de última hora com explicações mais ou menos esfarrapadas.


Quanto às comparações com a Amália Rodrigues, cuja transladação para o Panteão Nacional também me pareceu algo forçada, é bom dizer o seguinte: os sucessos da fadista não foram alcançados com a Amália a envergar a camisola de uma empresa, clube ou cidade e muito menos as alegrias que proporcionou implicaram a tristeza de uma parte dos portugueses.


P.S. Para que serve o Panteão Nacional? De acordo com a lei 28/2000, as honras do Panteão destinam-se a “perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao país, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade”.

Atualmente, o Panteão Nacional abriga cenotáfios (memoriais fúnebres) de grandes vultos da História de Portugal, como D. Nuno Álvares Pereira, Infante D. Henrique, Pedro Álvares Cabral e Afonso de Albuquerque, bem como, os restos mortais de alguns presidentes da República e escritores. As excepções a este perfil de personalidades são Humberto Delgado e Amália Rodrigues.

O próximo, tudo o indica, será o futebolista Eusébio da Silva Ferreira, porque há “um grande consenso nacional” e os partidos políticos (pelo menos o PS, PSD, CDS e BE) já vieram dizer que são a favor.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Uma história de regressos

Ricardo Quaresma está de volta. Bem vindo seja.

O mustang já é parte oficial do plantel e só não defrontou o Atlético porque o certificado internacional não chegou a tempo. Pouco importava a falta de treino, de rotação com os colegas. O importante era exibir a nova contratação e dar-lhe os primeiros minutos do ano. Fica para a próxima. Não faltarão os minutos. Ao contrário de Liedson, imagino que Quaresma vá jogar e muito. Primeiro porque, ao contrário do brasileiro, segundo deixou antever Pinto da Costa, o número 7 é escolha pessoal do treinador. Lógico é que o coloque a jogar num posto onde Licá nunca deslumbrou (apesar de ter feito dois primeiros meses de época bons) e onde Kelvin e Ricardo nunca tiveram opções. Curioso, depois de meio ano a insistir num falso extremo (Josué e Quintero andaram por lá também e Licá é o que é, um avançado mais móvel) o treinador agora queira ao lado de Varela e Jackson o mais extremo dos extremos que passaram pelo FC Porto nos últimos dez anos.

Quaresma regressa a onde já foi feliz. E nós fomos feliz com ele.
Aterrou no Dragão no negócio Deco, um negócio onde eu continuo a achar que ficamos a perder mas que entendo. Afinal, Pinto da Costa e Mourinho convenceram o "Mágico" a ficar um ano mais em troca de uma saída já apalavrada. No fatidico 2004/05 viu-se pouco do "Harry Potter" que tinha deslumbrado no Sporting e que se apagara em Camp Nou. Mas a partir da época de Adriaanse e, sobretudo, com Jesualdo, a importância de Quaresma tornou-se evidente. Era o melhor jogador individual da liga, aquele que nos resolvia jogos, puzzles e quebra-cabeças. Chegou a jogar de falso avançado, as suas trivelas fenomenais desbloquearam muitos jogos complicados e não se apagou nos encontros mais importantes. Depois veio o canto da sereia de Mourinho no Inter e a decadência, confirmada por uma passagem para esquecer pelo Chelsea. E o exílio. Quaresma teve oportunidades para voltar mas não quis. Preferiu engordar a conta bancária, primeiro na Turquia, depois nos países árabes. Estava no seu direito ainda que o Mundo estivesse a perder um jogador irregular, imaturo mas com uma técnica espantosa.

Não sabemos como vai ser este regresso.
Um jogador conhecido pela velocidade, Quaresma não é um líder. Não é um motivador no balneário. É, no sentido mais futebolístico do termo, um egoísta dos relvados, para o bem e para o mal. Vive no seu mundo, tem dificuldades em manter um rendimento elevado durante muito tempo seguido e precisa de espaço e velocidade para jogar o seu jogo. Nos últimos quatro anos e meio não teve minutos nas pernas que justifiquem que pensemos que será o mesmo jogador que saiu de aqui. O mesmo desequilibrador, o mesmo homem-chave. Seguramente trará mais à equipa do que trouxe Liedson (ou Ismailov, o russo desaparecido a quem se continua a pagar o salário...porque sim), duas apostas desastrosas, sem sentido e sem contribuição palpável para a equipa (dois segundos e meio para que voltem a citar o maravilhoso passe para o momento K). Mas mais em jogos contra equipas pequenas e encerradas do que em cenários como a Luz, Alvalade ou Nápoles, para por exemplos de estádios onde teremos (provavelmente) de ir jogar em 2014.

O seu regresso é mais um na velha lista de nomes que, com Pinto da Costa, foram e voltaram.
Uma saga que começou com Fernando Gomes, um ponto de honra do presidente que resgatou do Gijón o genial avançado. E que bem que lhe saiu a jogada. Gomes foi fundamental nos títulos de Artur Jorge e na corrida a uma Viena onde, malgrais, não pôde estar, desforrando-se em Tóquio antes de tornar-se finito. Também Sousa e Jaime Pacheco saíram e voltaram, para continuar a ser peças fundamentais da equipa. Nos anos noventa repetiu-se o cenário, mas os resultados foram diferentes. Rui Barros voltou no ocaso da carreira - depois de uma brilhante carreira internacional - para ajudar e foi um actor secundário relevante no final da era Oliveira. Secretário passou apenas um ano em Madrid. Domingos esteve mais tempo no Tenerife mas nunca mais foi o mesmo e quando voltou foi para sentar-se mais tempo no banco do que para calçar. Baía foi um caso à parte, como Pinto da Costa explica no seu novo livro. E claro, o caso de Conceição, talvez o mais parecido ao de Quaresma. A explosão do extremo foi brilhante, rapidamente partiu para Itália e quando voltou, em 2004, era um jogador física e mentalmente diferente. E durou pouco tempo o regresso porque o que Conceição fazia antes já não conseguia fazer.



Para fechar esta lista de outros regressos, obrigatório falar de Hélder Postiga e Lucho Gonzalez. A cara e a cruz. O primeiro foi um jogador que explodiu cedo mas não evoluiu como se esperava e que Mourinho não se importou de trocar por McCarthy. Num dos negócios mais difíceis de explicar dos últimos anos, Postiga voltou (por troca com Pedro Mendes, um excelente jogador, e bastante dinheiro) e durante três anos provou aos adeptos que a opção de Mourinho tinha feito todo o sentido e que o seu faro de golo não era o melhor. Apesar disso - e depois de uma passagem fantasma pelo Sporting, é hoje o titular da selecção ainda que as chegadas de Lisandro, Falcao e Jackson deixem claro a diferença de um grande e um médio ponta-de-lança. Já Lucho representa o outro lado da moeda. Saiu no zénite da sua carreira para França e voltou num momento critico. Tornou-se no líder do balneário, ganhou o respeito de todos e ajudou a resolver um sério problema interno. Desde então o FC Porto não parou de ganhar. Claramente já ultrapassou a sua melhor etapa, fisicamente é um jogador mais limitado mas a sua influência é evidente. Talvez porque tenha o carácter e o espírito que jogadores como Quaresma (ou Postiga, Conceição, Domingos) nunca tiveram.

O que pode suceder então com Ricardo Quaresma?
Pessoalmente espero pouco a médio prazo, até porque sou consciente do difícil que é para um extremo recuperar a velocidade e "explosão" depois de cinco anos desactivado. Dificilmente voltaremos a ver o mesmo Quaresma. Mas em campos complicados ou em jogos no Dragão, onde se espera um ataque constante e incisivo, a sua capacidade técnica e a sua trivela mágica ainda podem fazer estragos. Algumas assistências e golos podemos esperar, uma grande influência no jogo colectivo ou uma presença de inspiração e liderança parece-me mais difícil. Resgatar o melhor Quaresma seria um grande triunfo mas, precisamente, parece-me que temos o pior treinador possível para essa missão. E claro, se até agora Kelvin, Ricardo e até Quintero já jogavam pouco, parece-me evidente que vão ser figuras cada vez mais residuais até ao final do ano. Efeitos colaterais de mais um capítulo na nossa história de regressos...

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

12 desejos para 2014

Adoro o FCP mas confesso que reservei os 12 desejos da passagem de ano para outras coisas que considero ainda mais importantes. No entanto, se pudesse dedicar ao FCP 12 desejos para 2014, a lista poderia ser algo do género:

1) Conquistar o Tetra graças a um golo de Kelvin aos 91 mins na última jornada (em que recebemos um clube de que, assim de repente, não me lembro do nome).

2) Vencer a Liga Europa

3) Terminar o ano de 2014 em primeiro lugar no nosso grupo da Liga dos Campeões (e no campeonato)

4) Um P. Fonseca irreconhecível, i.e. transfigurado em excelente treinador de futebol

5) Caso o desejo anterior não se concretize, AVB de regresso ao FCP (mas com contrato de 5 anos e cláusula de rescisão de 100M€, que é para matar logo à partida eventuais pensamentos pecaminosos)

6) Um plantel em 14/15 mais forte do que o actual mas mais barato e com mais (bem, com alguma...) prata da casa.

7) Contratações de Verão a la Meireles, Bosingwa, Pepe, Cissokho (i.e. de grande qualidade, saídas do campeonato português, e por um par de milhões ou nem tanto)

8) Vendas por muitos e muitos milhões de jogadores secundários e/ou excedentários (Rolando, Fucile, Walter, Kléber, ....), tal como de jogadores de quem o FCP ainda detém grande parte do passe (Stepanov, T. Costa, Souza, Prediger)

9) Apertar o cinto em despesas não essenciais, começando finalmente a colocar a SAD no caminho de uma situação estrutural sólida que nos permita encarar a competividade desportiva até ao fim da década de forma muito optimista

10) Um fantástico campeonato do mundo para os jogadores do FCP que lá estejam

11) Conquista do campeonato no andebol, hóquei e básquete

12) Votos de óptima saúde para todo o universo portista (dos dirigentes aos adeptos, passando pelos jogadores e restantes funcionários)

Eusébio da Silva Ferreira 1942- 2014

Eu sou portista porque, basicamente, gosto de futebol, e porque tive a ventura de nascer no Porto e lá ter sido criado. E, gostando de futebol, sempre aprendi a apreciar e aplaudir os grandes jogadores, simpatias ou antipatias nacionais e/ou clubísticas à parte.

Na minha vida de seguidor do futebol, tive o privilégio de ver jogar, ao vivo ou na televisão, Pelé, Johan Cruyff, Diego Maradona, George Best e, claro, o grande Eusébio. Vivi os anos sessenta do século XX, do grande domínio nacional e afirmação internacional do SL Benfica. Não alinho no côro daqueles que dizem que o Benfica ganhava por causa do regime ou - ridículo dos ridículos - por causa do Salazar. Fazê-lo seria equivalente a alinhar agora com o discurso dos Vieiras e quejandos, que nunca reconhecem mérito às vitórias do FC Porto. Sem dúvida que o Benfica tinha benefícios na estrutura do futebol - e os desgraçados seus vizinhos iam colhendo uns restos - mas tal como nós somos hoje em dia um clube muito mais profissional e organizado que eles, também eles o eram nesse tempo.

Na hora do passamento de Eusébio deixo aqui três momentos da sua carreira que ainda hoje me marcam. Todos presenciei - o primeiro na televisão e os outros dois ao vivo no Estádio das Antas:

1. 1966, Goodison Park, Liverpool, Quartos-de-Final do Campeonato do Mundo

Aos 20 minutos ou meia-hora (pouco importa para o caso), Portugal perdia supreendentemente com a Coreia do Norte por 3-0. O belo sonho que passara por uma vitória sobre o Brasil por 3-1, também em Goodison Park, parecia esboroar-se. Um homem, contudo, estava entre Portugal e a eliminação pouco lustrosa. Eusébio, um rapaz simpes e humilde de Moçambique, deu a volta ao resultado - sim, pode dizer-se que foi obra dele. Portugal ganhou por 5-3 e ele marcou quatro golos - dois deles de penalty, é certo, mas ambos cometidos sobre ele. Absolutamente fantástico! No final, o público de Goodison Park tributou-lhe um longo aplauso.

2. Época de 1967/68, Estádio das Antas

Estávamos perto do fim do campeonato, e o Benfica era já praticamente campeão, mas ganhar-lhe era questão de honra. A cinco minutos do fim, o FC Porto inaugura o marcador, golo do Djalma. Pois bem: o Eusébio ainda arranjou tempo e arte para empatar o jogo, num fabuloso tiro de fora da área. Que desilusão!

3. Época de 1968/69, Estádio das Antas

Em Dezembro o FC Porto recebeu e venceu o Benfica por 1-0, golo de Custódio Pinto aos 15 minutos. O Eusébio atravessava um período de baixa de forma e acabaria substituído a meio da segunda parte. Chovia copiosamente. Saiu debaixo de um enorme côro de assobios - provavelmente a maior vaia da sua carreira - mas o futebol é assim mesmo. Nas Antas e em Alvalade, Eusébio da Silva Ferreira não era propriamente uma figura muito popular. Eu, do alto dos meus 14 anos, tive pena do homem: ainda me lembrava das suas façanhas em Inglaterra!


Paz à sua alma.



Foto: Eusébio deixa o relvado de Wembley, consolado pelo seleccionador nacional Manuel da Luz Afonso, após a derrota contra a Inglaterra nas meias-finais do Mundial de 1966.




sábado, 4 de janeiro de 2014

Há treinos mais exigentes

FC Porto x Atlético (foto: LUSA)

Após 23 jornadas, o histórico Atlético soma apenas 18 pontos (os mesmos do último classificado) no campeonato da II Liga e ocupa o 21º lugar a 23 pontos do FC Porto B! Por isso, antes deste jogo, as expectativas não eram muitas, a começar pelo seu treinador (o célebre professor Neca...), nesta deslocação ao Estádio do Dragão.

Mas se não seria de esperar uma grande oposição da equipa lisboeta, tudo se tornou ainda mais fácil quando o guarda-redes do Atlético, de seu nome Leão, permitiu o 1º golo dos dragões sofrendo um peru monumental.

A partir daí, com o destino do jogo traçado, foi um passeio tranquilo que terminou com o 6-0 final, o que permitiu a Paulo Fonseca gerir os convocados para este desafio a seu belo prazer.

Perante adversário tão fraco, a jogar numa espécie de 4x6x0 ("só temos um ponta-de-lança, o Rui Varela, e não o utilizei para não haver desgaste ou cansaço", professor Neca), não dá para tirar grandes conclusões (por exemplo, acerca do defesa central mexicano Diego Reyes), mas gostei de ver o Ricardo a lateral direito durante 90 minutos e de rever o virtuosismo do "malabarista" Kelvin, coroado com um golo.

De resto, penso que para Paulo Fonseca o mais importante foi que ninguém se tenha lesionado e ter podido gerir os minutos de utilização de jogadores - Alex Sandro, Danilo, Lucho, Jackson - que serão cruciais para a batalha da Luz no próximo fim-de-semana.

Só foi pena que o certificado internacional do Quaresma não tenha chegado a tempo, porque dificilmente se arranjaria um adversário melhor para o ex-jogador do Al-Ahli ganhar algum ritmo de jogo.

Mais um lateral?

O FC Porto tem dois defesas laterais que, em conjunto, custaram à FCP SAD cerca de 28 milhões de euros.

Relatório e Contas Consolidado do 1º Trimestre 2011/2012

Apesar de Danilo e Alex Sandro serem dois titulares indiscutíveis, não só pelo seu valor futebolístico, mas também por aquilo que representam em termos do enorme investimento feito pela SAD (que terá de ser rentabilizado), é necessário existirem alternativas para eventuais lesões, castigos ou abaixamentos significativos de forma destes dois internacionais brasileiros.

Quais são, então, as alternativas à disposição de Paulo Fonseca?

Defesa/Lateral direito

Víctor García – internacional Sub-20 da Venezuela, chegou a meio da época passada, tendo feito alguns jogos pelos juniores do FC Porto; esta época agarrou a titularidade da equipa B e já foi chamado por Paulo Fonseca para um jogo da Taça de Portugal.

Ricardo – extremo direito; desde a pré-temporada foi testado várias vezes por Paulo Fonseca também na posição de lateral direito.

Maicon – defesa central; na época 2011/2012 foi adaptado e utilizado durante vários meses, com relativo sucesso, como defesa direito.

Defesa/Lateral esquerdo

Mangala – defesa central; na época 2012/2013 foi adaptado e utilizado várias vezes por Vítor Pereira como defesa esquerdo; nesta época Paulo Fonseca já fez o mesmo.

Quiñones – titular da equipa B; internacional Sub-20 da Colômbia, foi cinco vezes convocado por Vítor Pereira para jogos do campeonato 2012/13 e uma vez utilizado durante os 90 minutos (no FC Porto x Rio Ave, disputado em 23 Fevereiro 2013).


O JOGO, 01-01-2014

Havendo este conjunto de alternativas para as laterais, todas elas já testadas, quer nesta época, quer em épocas anteriores, para quê gastar mais dinheiro na contratação de um novo defesa lateral, ainda por cima para ser suplente de Danilo ou Alex Sandro?

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

3204 dias

«O JOGO esmiuçou as estatísticas do FC Porto e só encontrou um registo ofensivo pior do que este [Sporting x FC Porto] há oito anos, nove meses e sete dias... Onde? Ironia do destino ou pura coincidência, em Alvalade, num clássico que os dragões perderam por 2-0 e em que remataram apenas quatro vezes e conquistaram dois cantos. José Couceiro era o treinador portista na terrível época que se seguiu à saída de José Mourinho. Reforce-se a ideia: há três mil duzentos e quatro dias que o FC Porto não produzia menos num jogo oficial.»
Carlos Gouveia
in O JOGO, 01-01-2014

O JOGO, 01-01-2014

O jornalista Carlos Gouveia de O JOGO foi esmiuçar as estatísticas dos jogos do FC Porto (excelente trabalho jornalístico) e descobriu que há três mil duzentos e quatro dias que o FC Porto não tinha registos ofensivos tão fracos num jogo oficial!

Evidentemente, cada um analisa e valoriza as estatísticas como entender, as quais nem sempre traduzem na plenitude a “verdade” de um jogo de futebol mas, neste caso, penso que não haverá grandes dúvidas na conformidade entre as estatísticas e a exibição da equipa azul-e-branca no último Sporting x FC Porto.

Um mau jogo (má exibição, com indicadores medíocres) pode acontecer em qualquer altura, mesmo no meio de uma época boa, e pode ser consequência de diversas circunstâncias.
O problema é que este jogo não é um caso isolado. Esta época, os maus desempenhos têm sido frequentes e, em consequência disso, vários “recordes negativos” têm sido ameaçados ou mesmo batidos.

Foi o caso da Liga dos Campeões, sem uma única vitória nos três jogos disputados em casa (algo tristemente inédito no historial do FC Porto), e com os dragões a terminarem a fase de grupos com apenas 5 pontos (o 2º pior registo de sempre em 18 presenças na fase de grupos da Liga dos Campeões).

Foi o caso da derrota em Coimbra para o campeonato (a última vez tinha sido no dia 15-11-1970, antes da revolução de Abril...), pondo fim a uma série de 53 jogos para o campeonato sem o FC Porto conhecer o sabor amargo da derrota.

Foi o caso dos três jogos seguidos para o campeonato sem ganhar – Belenenses x FC Porto; FC Porto x Nacional; Académica x FC Porto –, que fizeram parte de um Novembro horribilis, com apenas uma vitória (para a Taça de Portugal) em seis jogos.

Por tudo isto, não conheço um único adepto portista satisfeito com o desempenho da equipa do FC Porto, nestes primeiros seis meses sob o comando técnico de Paulo Fonseca.
Esperemos, contudo, que o novo ano traga mudanças significativas e que, de uma vez por todas, Paulo Fonseca interiorize que já não está no Paços de Ferreira, mas sim aos comandos de uma equipa que é tricampeã e que ganhou 6 dos últimos 7 campeonatos.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Quaresma: o regresso do filho pródigo?

Ricardo Quaresma já começou esta quarta-feira a trabalhar no FC Porto. Antes da sessão de trabalho aberta aos jornalistas e adeptos, Pinto da Costa explicou ao Porto Canal a contratação do jogador.

"Veio porque o treinador entendeu que necessitava de mais um extremo e a sua prioridade recaiu no Ricardo Quaresma. Não foi fácil, mas vamos hoje apresentá-lo oficialmente. Já fez exames médicos e tem treinado porque passou por uma longa paragem. Vai ter dificuldades iniciais, mas já estão a ser minoradas pelo que tem trabalhado", afirmou o presidente portista".

Está confirmado que Quaresma regressa ao FCP aos 30 anos, 5 anos e meio depois de ter sido vendido ao Inter de Milão.

Antes de mais, as palavras de PdC dão a entender que 1) regressa muito mais por iniciativa do treinador do que da Direção e 2) que a sua contratação não terá sido nada barata entre luvas, salário etc (pelo menos é o que infiro quando diz que «não foi fácil», e sabendo-se que o salário de Quaresma nas Arábias era muito elevado).

À partida estou um bocado agnóstico, gostava de saber as condições desta contratação (por ex luvas, salário, duração de contrato) antes de ter opinião formada. Tenho sentimentos mistos (já agora, o próprio PdC parece estar muito longe de estar entusiasmado com o seu regresso).

Pela positiva: concordo que falta um extremo habilidoso no plantel com as características de um Quaresma; e o jogador já conhece os cantos à casa. Além disso uma injeção de experiência não fará nada mal a este plantel (muito jovem) - ainda que Quaresma não seja exactamente dos jogadores mais «maduros» do mundo, psicologicamente falando, ao contrário de por exemplo um Lucho.

Pela negativa: Quaresma tem o feitio que se conhece (e pergunto-me como irá reagir se não ganhar a titularidade- ainda mais com expectativas de ser chamado ao mundial - podendo eventualmente acabar por ser mais um problema no balneário do que uma ajuda); aos 30 anos, já não treina num clube / campeonato com elevado ritmo e grau de exigência há uns 3 anos e meio (e antes disso pouco jogou nas passagens por Inter e Chelsea); o seu regresso vai limitar ainda mais a margem de progressão de Ricardo e Kelvin; finalmente, mesmo na sua época áurea já era um jogador bastante irregular.

Sendo assim penso que poderá ser um jogador útil (como «abre-latas» vindo do banco) mas dificilmente irá ganhar a titularidade nos próximos tempos (i.e. 2-3 meses), pelo menos com o rendimento que se pede a um titular do FCP; é que a questão do ritmo vai bem além da forma física. Aliás, bem possivelmente terá ainda mais concorrência  a partir do Verão (por ex regresso de Iturbe).

Estou certo que PdC, PF e outros terão tido uma conversa franca com Quaresma e espero portanto que ele esteja suficientemente humilde para aceitar sem «fazer ondas» a eventual possibilidade de não ganhar a titularidade. Mas à partida - e embora pense que provavelmente será útil - não teria aceite contrato por mais de 6 meses (com cláusula de renovação) dado o considerável grau de risco (para mais, com a idade e o salário que vai ter muito dificilmente o conseguimos colocar em caso de «flop»); ora os rumores dizem que terá assinado por 2 anos e meio.

Para terminar: duvido muito que P. Fonseca seja o melhor treinador para «apadrinhar» este regresso (em termos de 1. saber aproveitar da melhor forma o jogador na equipa e 2. saber trabalhá-lo psicologicamente), mas espero estar francamente enganado.

SMS do dia - Fucile

Fucile acaba contrato em Junho e parecia ter tudo acertado para sair para o Nacional de Montevideo. No entanto a saída parece ter sido abortada...

«[...]Na base da rutura das negociações esteve o facto do FC Porto exigir ficar com parte dos direitos económicos de Fucile, situação que o lateral não aceitou e que tornou, assim, mais difícil a sua libertação em janeiro»

Não sei até que ponto a notícia merece credibilidade, mas o argumento avançado para o impasse não me parece fazer grande sentido. Estamos a falar de um jogador que termina contrato daqui a 6 meses, está incompatibilizado com o treinador (sendo portanto implausível que venha a dar jeito nos próximos meses) e que já tem 29 anos.... será que a SAD acredita mesmo que o Nacional de Montevideo ainda o vai conseguir vender mais tarde por valores minimamente interessantes? 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Retrospectiva de 2013 (Parte II)

Julho

O rescaldo da saída de V. Pereira foi um tema que deu fruto a diversos artigos. No entanto o mês ficou marcado, como de costume, pelos acertos no plantel entre entradas e saídas, tema que deu direito aos mais variados artigos. 

Para além disso tivémos os primeiros jogos de pré-época, com boas indicações, e começava-se a assistir cada vez mais às palhaçadas do presidente do SCP para com o FCP.

Agosto

O mês começou com os últimos jogos de pré-época no torneio dos Emirates, com exibições bem razoáveis mas mistas. As indicações da pré-época já deixava antecipar logo no início do mês, com alguma margem de erro, qual seria o plantel final. 

Entrámos com o pé direito em jogos oficiais, ganhando e convencendo contra o Guimarães no triunfo para a Supertaça, mas também no campeonato onde os 2 jogos disputados em Agosto terminaram com vitórias por 3-0 e 3-1. O período de graça de P. Fonseca estava na altura no seu apogeu, mas o seu modelo de jogo começava a inspirar também muitas reticências aos adeptos, apesar dos bons resultados - e em particular o triângulo invertido, para mais não tendo Fernando saído - como abordado aqui no RP.

Também nessa altura se antecipava um campeonato a dois, para mais tendo o SCP cortado drasticamente nas despesas e investimento. A performance destes últimos no campeonato (para já....) tem sido de facto a maior surpresa do campeonato português até ao momento, fruto em grande parte de mérito do seu treinador.

Setembro

Começaram neste mês os jogos para a Liga dos Campeões, não só no futebol como também no andebol. No campeonato os sinais de insatisfação com as exibições começavam a ganhar maior dimensão, apesar de continuarmos a ganhar jogos (o mês iria terminar com 4 vitórias, 1 empate e 0 derrotas).

Pessoalmente, o maior destaque do mês vai para a inauguração do belíssimo museu do FCP, após 10 anos de espera.

Outubro

O mês começou com a primeira derrota oficial da época (em casa contra o A. Madrid) o que levou a diversas reflexões, inclusivé sobre a pouca experiência dos jogadores e treinador e o inexplicável empréstimo de Iturbe (após a boa pré-época do jogador e quando estávamos limitados em opções nas alas). Também na LC de andebol perdemos, mas contra uma das melhores equipas do mundo e de uma forma que muito honrou o clube e os adeptos.

A vitória de 3-1 sobre o SCP no fim do mês serviu para sossegar um pouco as hostes após 2 derrotas consecutivas em casa para a LC que deixavam já antever a eliminação na prova.

Finalmente, também neste mês foram anunciados os resultados financeiros da SAD para 12/13, o que deu azo a uma série de artigos aqui no RP.

Novembro

Este foi um mês «horribilis» para o futebol do FCP: em 6 jogos apenas uma vitória (para a Taça de Portugal), 4 empates e 1 derrota (a primeira para o campeonato ao fim de 54 jogos) e uma eliminação na LC com uns míseros 5 pontos e sem uma única vitória em casa (inédito).

Naturalmente isso levou a uma variada série de artigos sobre o tema, inclusivé a constatação de que P. Fonseca já tinha experimentado de tudo no meio-campo, com a excepção de C. Eduardo (que até tinha ficado de fora das inscrições na LC).

Mas nem tudo foram más notícias: no hóquei o FCP goleou o Barça

Dezembro

O mês foi marcado pela contestação ao treinador e às suas ideias, mitigada em parte pelas 3 vitórias consecutivas no campeonato (regressando ao 1o lugar), e pela integração meteórica de C. Eduardo (de ausente passou a titular). No entanto a contestação ao treinador está longe de ter desaparecido e a saída de AVB do Tottenham serve como "fantasma" de PF para agitar ainda mais a hipótese de uma eventual saída prematura

O paralelo com o que passava exactamente 2 anos antes é muito considerável (saída inglória e prematura da LC, exibições pouco convincentes, treinador bastante contestado na sua primeira época). No entanto os resultados eram um pouco melhores e parece-me, acima de tudo, que V. Pereira andava menos perdido e equivocado do que P. Fonseca - a ver vamos se o futuro para o FCP de P. Fonseca será pelo menos tão risonho como o foi para VP no ano e meio que se seguiu, o que já seria bem bom. 

Duvido muito, mas quem sabe... 

Boas entradas para todos os portistas e votos de um fantástico 2014!