sábado, 15 de fevereiro de 2014

Vai ser preciso vestir o fato macaco

Histórico de confrontos para o campeonato Gil Vicente x FC Porto (fonte: zerozero)

Nas últimas duas épocas, o FC Porto saiu de Barcelos com fortes queixas da arbitragem e com menos 5 pontos. Contudo, também houve duas épocas seguidas (2001/2002 e 2002/2003) em que os dragões festejaram 10 golos (5 em cada).


Últimos 15 jogos do Gil Vicente na época 2013/2014 (fonte: zerozero)

Na presente época, não se pode dizer que o Gil Vicente esteja a atravessar um grande período (a última vitória foi há 15 jogos atrás, no longínquo dia 03-11-2013), mas convém não ignorar que os galos conseguiram travar o slb+Bruno Paixão há apenas duas jornadas. É obra!

Seja como for, e ponderando todos estes aspectos, penso que o grande adversário do FC Porto no próximo domingo, para além de si próprio, será o “batatal de Barcelos”.

"[o estado do relvado do estádio do Gil Vicente] É uma questão que me preocupa. O mau tempo pode ter piorado o estado do terreno. Não há aqui nenhuma crítica ao Gil Vicente. Reparem no que tem chovido nas últimas semanas. É praticamente impossível manter o estado dos relvados, como se viu no último jogo em Barcelos, com o Benfica"
Paulo Fonseca, na conferência de imprensa de antevisão do Gil Vicente x FC Porto


Por isso, a confirmar-se o “bom” estado do relvado, talvez fosse boa ideia Paulo Fonseca apostar num trio de ataque mais possante, com Ghilas no lugar de Quaresma.

Mas este será um jogo que, independentemente das escolhas do treinador, o FC Porto só conseguirá vencer se os seus “artistas” interiorizarem que têm de vestir o fato macaco.
O Paulinho Santos não pode jogar?

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Uma máquina de faturar dinheiro e títulos?

Com a devida vénia, reproduzo a seguir um artigo de opinião do jornalista João Tiago Figueiredo, publicado do site Maisfutebol, o qual, para além da pertinência (incide no modelo de gestão adoptado pela FC Porto SAD no pós-Gelsenkirchen versus a expectativa dos adeptos), me parece poder suscitar uma boa discussão e reflexão portista.

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Em 2004, numa das mais deselegantes declarações da carreira, José Mourinho anuncia a saída do FC Porto no flash-interview da conquista da Liga dos Campeões. A forma surpreendeu, mas a mensagem já era esperada.

Tanto que, pouco depois, o Dragão novinho em folha despede-se de Deco, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira. Novamente sem grande surpresa e alarido. Encaixa sensivelmente 70 milhões. Feitas as contas, perdeu treinador, viu sair referências mas encaixou dinheiro. Muito dinheiro.

Sobreviveu a um trágico ano de rescaldo e voltou a ganhar, internamente e na Europa, sempre com base no modelo nascido naquele verão: comprar, afinar, vender.

Tornou-se uma máquina de faturar. Dinheiro, mas também títulos. Desde aquela noite em Gelsenkirchen venceu sete campeonatos em nove. Uns mais facilmente, outros menos. Uns a jogar melhor, outros com menor fulgor.

zerozero, 21-05-2013
Fruto de uma forma peculiar de ver futebol e de uma exigência, muitas vezes, exacerbada, o domínio portista nem sempre trouxe a paz que seria expectável. Basta, para isso, lembrar que, desde José Mourinho, não houve um único treinador consensual a liderar a nau portista.

É certo que Villas-Boas o foi, mas apenas enquanto estava na sua cadeira de sonho. A forma inesperada como deixou o clube foi traumática. E o estado de graça esvaiu-se.

Antes e depois, nunca houve consenso.

Co Adriaanse venceu campeonato e Taça de Portugal no mesmo ano. Criou Pepe, fez explodir Quaresma, lançou Helton, inventou Paulo Assunção. Saiu por ser aquilo que o FC Porto lhe pediu: exigente e rígido.

Jesualdo Ferreira venceu três campeonatos em quatro e passou sempre a fase de grupos da Champions. Afinou Bosingwa, descobriu Fernando, transfigurou Bruno Alves, potenciou o melhor Lisandro de sempre e deu escola a Hulk e Falcao. Não chegou.

Vítor Pereira perdeu um jogo em dois campeonatos, jogando praticamente todo o primeiro sem ponta-de-lança. Pelo meio mostrou Mangala, poliu James e ajudou Alex Sandro a fazer com que hoje ninguém se lembre de Álvaro Pereira. Também foi de menos.

Veio Paulo Fonseca e, meio ano depois, a sentença está dada: mesmo que ganhe, não agrada. Percebeu-se quando, após a primeira derrota na Liga, (quase) os mesmos jogadores que estiveram na festa de maio foram recebidos com tochas, insultos e petardos no Dragão. Uma pressão sem sentido e sem efeito. Alguém viu uma melhoria depois daquela noite de Coimbra?

Se a solução fosse trocar (outra vez) de treinador, a mesma estaria, acredito, tomada há muito. Se o FC Porto não o fez é porque sabe que o problema é outro. Há desejos distintos e só os adeptos querem títulos e ponto. Jogadores querem ganhar mais. Treinador quer manter o emprego. Direção quer lucro para que toda a pirâmide seja sustentável.

E se a estrutura ceder (é preciso lembrar que o FC Porto está em quatro frentes com hipóteses de vencer todas) a interrogação mais forte não estará sobre o treinador, o duplo-pivot ou na aposta neste ou naquele central. Estará num onze claramente abaixo dos últimos anos e no modelo criado a partir de 2004.

Record, 10-04-2012
É, naturalmente, descabido anunciar a sua falência quando, ainda no último verão, 75 milhões entraram nos cofres portistas. Mas exigirá reflexão. O emblema é igual mas tem o mesmo significado quando os craques, que eram de uma vida, são só para uma ou duas épocas? Por muita paixão que haja, que sentido faz celebrar uma venda milionária com a consciência que a equipa ficará enfraquecida?

As estadias são cada vez mais curtas e já é impossível esconder que os jogadores chegam com a ideia que entraram numa ponte que há de desaguar em algum lado. Alguém se lembra, por exemplo, do período em que Jackson não falava em sair? Está em Portugal há ano e meio…

O FC Porto precisa, por isso, saber o que quer. E explicar. Porque com títulos sonham todos, mas só consolam os adeptos. Dez anos depois da saída de Mourinho, o FC Porto vive um novo desafio: pedir para suar a camisola já é de mais. É preciso primeiro convencer a vesti-la de corpo e alma.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Amigos e com a bênção de A BOLA

Comunicado conjunto da Liga, SLB e SCP

«Reunidas, esta manhã, as autoridades com responsabilidades em matéria de segurança – Câmara Municipal de Lisboa, Autoridade Nacional de Protecção Civil, Regimento dos Sapadores de Bombeiros de Lisboa, o Projectista do Estádio da Luz, Tiago Abecasis, Martifer, Instituto Soldadura e Qualidade (Entidade Independente e Certificadora) – e aferidas estarem reunidas todas as condições nessa matéria, o jogo entre o Sport Lisboa e Benfica e o Sporting Clube de Portugal vai realizar-se às 20h15.
Na reunião, liderada pelo presidente da Liga Portugal, Mário Figueiredo, estiveram presentes os presidentes dos dois Clubes, Luís Filipe Vieira e Bruno de Carvalho, que vincaram que a segurança era factor determinante para a realização do jogo e só deram o respectivo aval depois de recebidas todas as garantias das entidade referidas.
Todos desejam que o jogo seja um excelente espectáculo desportivo e que promova a modalidade.»

Lisboa, 11 de Fevereiro de 2014
Liga Portugal
Sport Lisboa e Benfica
Sporting Clube de Portugal

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Ao contrário do lamentável comportamento que assumiu (e continua a assumir) no “caso dos 2 minutos e 45 segundos”, ao pretender derrotar o FC Porto na secretaria (algo que os leões foram incapazes de fazer dentro do campo, mesmo tendo beneficiado de um confronto direto em Alvalade), no caso da falta de condições de segurança do estádio da Luz, Bruno de Carvalho nem sequer pôs a hipótese de ganhar aos seus vizinhos (ia dizer amigos…) da 2ª circular recorrendo, para tal, ao que está previsto no Artigo 94.º do Regulamento das Competições da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

Acho muito bem que o SCP não tenha tentado ganhar ao SLB na secretaria (os jogos, com "frangos", bolas aos postes e penalties, com erros de jogadores, treinadores e árbitros, ganham-se dentro das 4 linhas!), mas daí a fazer o papel de bom samaritano…
Estando numa posição de força e podendo esgrimir com o regulamento, bem como, exigir uma vistoria completa feita por entidades oficiais após a realização das obras de reparação (se bem me lembro, no caso da pala do antigo estádio de Alvalade foi preciso um parecer técnico do LNEC), por que razão é que os dirigentes sportinguistas concordaram, de imediato, com a “solução” de marcar o jogo para a data que mais interessava ao rival de sempre (será mesmo?) ?

Sabendo os dirigentes leoninos que, jogando esta semana, não podiam utilizar dois jogadores cruciais – William Carvalho (castigado) e Jefferson (lesionado) – e também que, a partir da próxima semana, recomeça a Liga Europa (prova em que o clube encarnado, supostamente rival, está envolvido), por que razão concordaram que o derby de Lisboa fosse realizado apenas 48 horas depois de ter sido adiado?

O principal objectivo (eu diria obrigação) dos dirigentes de um clube é defender os interesses desse clube mas, no caso de Bruno Carvalho e parafraseando o que li num blogue sportinguista, a “preocupação primordial foi ser simpático e cordato com a Liga e com o SLB”.

A BOLA, 11-02-2014
Por alguma razão, nunca houve um presidente sportinguista tão elogiado pela “nação benfiquista”.
E também deve ter sido a primeira vez, concerteza por “boas razões”, que em dia de derby lisboeta um presidente do SCP teve direito a uma extensa entrevista e a ocupar toda a 1ª página do jornal A BOLA…


P.S. Obviamente, ninguém pode garantir que se o jogo fosse disputado daqui a duas ou três semanas o resultado final teria sido diferente. Contudo, é óbvio que se pudesse contar com William Carvalho e Jefferson, evitando que Leonardo Jardim tivesse de fazer adaptações (o que dizer da exibição de Eric Dier na posição 6?), as hipóteses sportinguistas seriam bem maiores.

P.S.2 Com a derrota do clube presidido por Bruno Carvalho, o pior FC Porto dos últimos 10 anos voltou a uma das duas posições que dão acesso direto à fase de grupos da Liga dos Campeões 2014/2015.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O Artigo 94.º



«O adiamento do dérbi maior lisboeta entre Benfica-Sporting não é um caso virgem na história do novo Estádio da Luz, inaugurado em 2003. (…)
O mesmo tipo de objetos, em que se incluem lã de vidro e chapa metálica, já haviam obrigado à suspensão do Benfica B-Feirense, partida relativa à 23.ª jornada da Segunda Liga, que se iria realizar na Luz, a 19 de janeiro de 2013.»
in record.pt, 09-02-2014


«Mário Dias, antigo vice-presidente do Benfica e responsável pela supervisão da construção do novo Estádio da Luz, acredita que os problemas na cobertura do palco das águias surgiu devido a falta de manutenção.
A primeira coisa que tem de se fazer numa obra, especialmente desta dimensão, é manutenção. Se tivessem verificado que uma chapa poderia levantar com o vento teriam certamente corrigido o problema. É possível que a estrutura já estivesse assim há muito tempo”, afirmou em declarações à Rádio Renascença.»
in record.pt, 10-02-2014


A estrutura do Estádio aguenta os ventos que sopraram ontem [domingo], com essa e muito mais velocidade. Houve rajadas na ordem dos 130 km/h e a estrutura está preparada para suportar ventos na ordem dos 200 km/h. Os danos não foram na estrutura do Estádio, foram nos revestimentos da cobertura e, em particular, nas fixações desse revestimento à estrutura. Esse é que foi o problema.”, afirmou Tiago Abecassis [projectista do estádio da Luz], em declarações à Benfica TV.

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Artigo 94.º (do Regulamento das Competições da Liga Portuguesa de Futebol Profissional)
Não realização de jogos por falta de condições do estádio, de segurança ou dos equipamentos

1. Quando um jogo oficial não se efectuar ou não se concluir em virtude do estádio não se encontrar em condições regulamentares por facto imputável ao clube que o indica, é este punido com a sanção de derrota e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 12 UC e o máximo de 50 UC e com a sanção de reparação à Liga e ao adversário das despesas de arbitragem, de delegacias, de organização e do valor da receita que eventualmente coubesse ao adversário.

2. Se um jogo não for realizado por falta de condições de segurança imputáveis ao clube que indica o estádio, o clube é punido nos termos do número anterior.

3. Quando o jogo se realizar em estádio neutro é mandado repetir, sendo apenas aplicáveis as sanções de multa e de reparação ao clube visitado, salvo se as faltas previstas nos números anteriores não lhe forem imputáveis.

4. O clube responsável pela não realização de um jogo oficial em virtude de os equipamentos das duas equipas não permitirem fácil destrinça ou não se encontrarem nas condições regulamentares, será punido nos termos do n.º 1.

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Perante os factos que são conhecidos, a que se juntam as declarações de Mário Dias e de Tiago Abecassis, é óbvio que não foi por causa de um fenómeno meteorológico inédito e completamente extraordinário que deixou de haver condições de segurança no estádio da Luz. Assim sendo, cada um que tire as suas conclusões acerca da forma como a Liga de Clubes (entidade organizadora do campeonato) lidou com este caso.

P.S. Viram/ouviram algum dirigente do slb a falar sobre este caso? Quem eu vi a assumir as “dores” do adiamento do jogo e se tem desdobrado em entrevistas (incluindo uma em directo no Telejornal da RTP...) foi Mário Figueiredo, o presidente da Liga. Fico sem perceber se a LPFP serve para organizar competições e garantir que os regulamentos se cumprem, ou se serve para defender os interesses do clube do regime...

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Mercado

Continuando a sua gestão (essencialmente) errante, as movimentações do Porto neste último mercado de transferências, saldaram-se em:

Entradas


- Quaresma
Uma aposta sem história dado que mesmo em final de carreira, o antigo cabeça-de-cartaz no período Jesualdo Ferreira, é muito superior a qualquer um dos extremos que já faziam parte do plantel.
Custo: zero.


- Abdoulaye
O marfinense regressa depois de ter cumprido a primeira volta ao serviço do Guimarães, para colmatar a saída do Otamendi.
Custo: zero.

Saídas


- Lucho González
Em nítido declínio (físico), o até aqui titularíssimo e capitão de equipa, trocou o Porto por um petroclube das arábias, em dia de jogo - uma estreia que cada vez supreende menos; uma equipa já de si sem norte, perde um líder e um jogador experiente.
Proveito: zero.


- Otamendi
O central argentino, titular na equipa que venceu há 3 anos a Liga Europa, foi "empurrado"(?) para fora do clube, num processo pouco condizente com a fama de que goza a "estrutura".
Proveito: 12 milhões (se forem efectivamente pagos)


- Sinan Bolat
A passagem do guarda-redes turco pelo Porto, é um sinal claro de que alguma coisa está muito errada.
Proveito: ?

Conclusões

O reduzido número de entradas e saídas, não permite retirar grandes ilacções, excepto que o número/qualidade dos extremos à disposição do treinador no início da época, óbvio para qualquer leigo, era claramente insuficiente - daí o regresso (tardio?) do Quaresma. Já a saída do Lucho González, foi completamente inesperada. Se, por um lado, não faria sentido negar ao jogador a hipótese de assinar um contrato milionário, é incompreensível que um jogador titular - cuja utilização, o treinador não soube gerir - saia sem qualquer compensação para o clube - e dinheiro não deve faltar para isso - e mais, que a saída se concretize num dia de jogo. De resto, o futebol apresentado até aqui é tão mau, tão mau, que é impossível apontar uma única área específica do plantel que necessite de ser reforçada; por outro lado, alguns jogadores são reconhecidamente capazes de se exibir num nível muitíssimo superior a aquele que têm vindo a demonstrar. Otamendi, é um caso flagrante - um jogador que já demonstrara ter qualidade, (aparentemente) perdeu no "duelo" com um treinador que não demonstrou nada, e que tem "queimado" jogadores - exemplos: Quintero passou de bestial a besta, Mangala irreconhecível, Jackson por conta própria - mais rapidamente que um incêndio de verão. Abdoulaye, regressa para o banco, quando ainda podia continuar a evoluir em Guimarães (e principalmente, continuar longe do Paulo Fonseca).

No que respeita a quase-saídas, Mangala esteve com um pé no Manchester City, mas para felicidade do clube inglês, a transferência gorou-se; ao ritmo que o jogador se vem desvalorizando, no final da época, o mais provável, é que consiga contratá-lo, caso ainda haja interesse, por um valor bem abaixo daquele que estaria envolvido se a transferência se tivesse ocorrido agora. O internacional francês tem sido invulgarmente resistente a transferir-se, mas duvido que na próxima época ainda esteja por cá, quanto mais não seja, pelo o risco bem real de o Porto se ver reduzido a disputar a Liga Europa.

Defour esteve à beira de se transferir para o Fulham, mas a saída do Lucho González gorou essa hipótese. O belga nunca foi visto como sucessor natural do Moutinho, a julgar pelo valor investido no Herrera - para um clube com a capacidade financeira do Porto, dispender €8.000.000* num um só jogador, só mesmo num titular - mas agora vai ter de servir, dê lá por onde der; o Porto decidiu arriscar forte no mexicano, inutilizou uma quantia considerável, para no final ter de recorrer a uma segunda-escolha, que não passa de um jogador útil para ter no plantel, mas não para ser titular.

Fernando, contra todas as expectativas, lá renovou.

* cerca de €1.000.000, foi para o empresário do jogador

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Algumas coisas boas

A exibição dos azuis-e-brancos foi fraquinha, na linha do que se tem visto esta época e com os defeitos conhecidos. Contudo, em vez de repetir aquilo que todos os adeptos portistas já estão fartos de saber e discutir (lentidão, desorganização coletiva, fragilidades defensivas, falta de acutilância ofensiva, etc.), vou falar de algumas das coisas boas deste FC Porto x Paços Ferreira.

Comecemos pelo mais importante: o resultado do jogo.
Ganhar e somar três pontos é sempre bom e, para aquilo que o FC Porto jogou, eu diria que ganhar este jogo por 3-0 foi um excelente resultado.

Outra coisa boa foi que, ao contrário do que aconteceu no último slb x FC Porto, desta vez, dos dois lances para penalty a favor do FC Porto, o árbitro (Cosme Machado) decidiu assinalar um. Menos mal, estamos a progredir...

Jackson Martinez marcou mais um golo (o 14º no campeonato) e, pelo menos até terça-feira, isolou-se na liderança da lista dos melhores marcadores do campeonato. E não é ele que marca os penalties que são assinalados a favor do FC Porto...

Fernando, o jogador que, segundo "fontes bem informadas", ia ser ostracizado pelos "malvados" dirigentes do FC Porto e não voltaria a vestir a camisola do FC Porto, regressou após paragem por lesão, jogou 90 minutos e foi um dos melhores em campo.

Quem também jogou 90 minutos, tendo sido o jogador das duas equipas que percorreu a maior distância (mais de 11500 metros), foi Herrera. Aos poucos, o médio mexicano vai ganhando o seu espaço na equipa e eu continuo a pensar que a sua intensidade de jogo, o seu futebol vertical e os passes de ruptura que faz só precisam de um coletivo mais forte e organizado à sua volta para convencer a generalidade dos adeptos portistas.

Perante a intempérie que, nos últimos dias, se abateu sobre o país, o Estádio do Dragão voltou a demonstrar que é, de longe, o melhor estádio português. Já se sabia que era o mais bonito, o que tem os acessos mais eficazes, as melhores condições de segurança (sem precisar de jaulas) e o relvado que resiste melhor a fortes chuvadas. Hoje ficou também demonstrada a enorme diferença de qualidade entre a cobertura do Estádio do Dragão e a do estádio lisboeta onde se vai disputar a próxima final da Liga dos Campeões...

SMS do dia

Estão 17 mil pessoas valentes no estádio do Dragão. Não pelo temporal. O futebol é um desporto de inverno para o bem e para o mal. Mas pela grande qualidade de jogo da equipa. É a pior assistência de sempre em dez anos. Só não vê quem não quer. Não é o tempo, não é a crise. Não é o rival. Seguramente que sobraram uns trocos para óculos no meio de tantas comissões!

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Estratégia de comunicação

A propósito do “caso Quaresma” (mais um caso lamentável envolvendo a Liga, a FPF e o FC Porto), foi muito interessante ver como reagiu o FC Porto ao longo do dia.

Primeiro Paulo Fonseca, à hora de almoço, quando questionado pelos jornalistas, disse o seguinte:
Não queria alongar-me nessa questão até porque vai haver uma comunicação do presidente [Pinto da Costa]. Não merece comentários até porque sabemos quais são os verdadeiros objetivos destas notícias e o grupo percebe isso.

Mais tarde, em declarações ao Porto Canal, Pinto da Costa aproveitou a oportunidade para passar mais algumas mensagens cirúrgicas, tendo como alvo a Liga, a FPF e os respectivos presidentes (Mário Figueiredo e Fernando Gomes).

Conhecendo as pessoas envolvidas é fácil de compreender o que se está a passar. Mas não quero ir por aí...

ontem, sexta-feira, e geralmente é sempre à sexta-feira, às 18:49, recebemos um fax dirigido ao presidente do FC Porto, assinado pelo secretário-geral da FPF, um sr. Paulo Lourenço, que não conheço (…) estranhei ter sido ele a assinar e que o fax viesse dirigido ao presidente do FC Porto porque, geralmente, só há correspondência direta para um presidente de outro presidente

Como conhecemos as pessoas, vamo-nos precaver e pagar duas vezes. O que já pagámos à Liga vamos depositar na segunda-feira na conta da FPF. Vamos fazer um empréstimo à FPF para que não possa dizer à Liga que não recebeu. E para que possam acrescentar mais uns milhares de euros aos milhões que têm a prazo.”

Isto está sem rei nem roque. As pessoas têm os seus projectos pessoais, defendem os seus lugares e estão pura e simplesmente a marimbar-se para a justiça e para a verdade

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

Fernando, a RTP e a catástrofe anunciada



Na passada terça-feira à noite, assisti a parte de um programa sobre futebol na RTP (des)Informação, onde pude ouvir dois jornalistas/comentadores, no caso Bruno Prata e Carlos Daniel, supostamente donos da verdade, a discorrerem, com um ar quase constrangido, sobre a forma “incompetente” como os responsáveis do FC Porto tinham tratado dos casos de Otamendi e Fernando.

O caso do Fernando, então, era quase inexplicável. A RTP sabia (sabia!) que o melhor médio defensivo do campeonato português, um jogador considerado insubstituível por todos os comentadores presentes no programa (alguns dos quais torcem o nariz à possibilidade de Fernando ser chamado por Paulo Bento à Seleção da FPF...), ia ser colocado a treinar à parte e não voltaria a vestir a camisola do FC Porto, por se ter recusado a renovar.

Não sei porquê, mas desconfio que no programa 'Grande Área' da próxima terça-feira (e nos outros programas de discussão futeboleira), os “casos” Otamendi e Fernando vão deixar de fazer parte da agenda...

P.S. Na quarta-feira, dia 5 de Fevereiro, quando os ecos me(r)diáticos da novela Fernando estavam no auge, escrevi o seguinte num e-mail enviado a um grupo de adeptos portistas:
«Estou convencido que o Fernando vai continuar a jogar, sairá do FC Porto em Junho e a SAD encaixará alguns milhões de euros em mais-valias. Outros cenários que não este serão, para mim, uma surpresa.»

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

“Será que estamos a ser Porto?”


Não há muito a dizer do FC Porto x Estoril de ontem à noite, para os quartos-de-final da Taça de Portugal.
Globalmente, a exibição dos “andrades” foi na linha do que se tem visto nas últimas semanas/meses e isso já diz quase tudo.

Deste jogo tirei alguns apontamentos curtos.

Quaresma é craque, tem lances geniais, mas está sem intensidade de jogo e continua a perder N bolas por displicência.

Pelo contrário, a Herrera não falta intensidade e amplitude de jogo. Estou convencido que um dia/semana/mês/ano destes, quando o FC Porto voltar a ter uma Equipa organizada, o médio mexicano vai brilhar no meio-campo portista (para desgosto de comentadores como Carlos Daniel).

O outro internacional mexicano, Diego Reyes, tem pinta, mas fartou-se de meter água, principalmente na 1ª parte. Fez-me lembrar um outro defesa central, um tal de Ricardo Carvalho, quando (em 1998/99) fez a sua estreia com a camisola azul e branca, no Estádio das Antas, num jogo contra o Salgueiros.

Ghilas voltou a mostrar que pode ser muito útil e ajudar a resolver um problema crónico que o onze portista evidencia esta época: o isolamento de Jackson na frente de ataque e na área adversária. O problema é que Paulo Fonseca parece não arranjar maneira de encaixar Ghilas no trio de ataque, a não ser nos últimos minutos de alguns jogos e, normalmente, em desespero de causa.

Mas, na minha opinião, a grande novidade deste jogo foi a enorme tarja que os Super Dragões ergueram no topo sul, após o golo do Estoril.

A contestação nas redes sociais é perfeitamente inócua.
Assobios vindos das bancadas (ontem foram poucos, até porque as cadeiras vazias não sabem assobiar…) são esporádicos e, por vezes, alternam com algumas palmas.
Agora, a principal claque do FC Porto, que acompanha a equipa de futebol para todo o lado, que apoiam quando os outros estão calados, ter preparado uma tarja antes do jogo, com uma mensagem destas, isso já me parece que pode fazer tocar algumas campaínhas.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Bye bye Ota

Com quase uma semana de atraso, mas afinal sempre se confirma: http://web3.cmvm.pt/sdi2004/emitentes/docs/FR48413.pdf

Penso que é claramente um bom negócio para o FCP, e por várias razões.

Antes de mais nada porque acho que não vai fazer falta (quase?) nenhuma, acrescentando muito pouco às opções Mangala, Maicon (e Reyes à espreita para o que der e vier).

Em segundo lugar porque temos excedente de centrais (incluindo emprestados, como Abdoulaye); em terceiro lugar porque já está mais do que na hora de começar a «cobrar» de um investimento de 9M (refiro-me a Reyes), que já teve tempo mais do que suficiente para se ambientar. Mesmo que este último não ganhe a titularidade, ao menos que comece a ser opção a sério nem que fique no banco na maior parte do tempo (bem melhor do que na bancada). Pelo menos para já (espero que esteja em condições de poder subir a titular com bom rendimento quando Mangala sair no Verão).

Em último lugar porque 12M parece-me um valor justo por ele, e sem ser «velho», longe disso (tem 25 anos) muito dificilmente se iria valorizar mais no futuro com a camisola do FCP vestida. Para mais tínhamos 100% do passe dele (bem, pelo menos a 1 de Outubro tínhamos), o que é uma raridade no plantel actual.

Para terminar, a situação financeira do Valência deixa muitas dúvidas em Espanha de que tenham condições para pagar. Fala-se na entrada de um investidor que alivie a situação, mas isso está longe de ser garantido. Ora como «gato escaldado de água fria tem medo», após a experiência penosa com o A. Madrid (e não só...) quero crer que a SAD soube acautelar-se devidamente com garantias mais do que sólidas de irá ser paga a tempo e horas.

Resumindo e concluindo: negócios destes são bem vindos (sabendo-se como precisamos das vendas para tapar buracos nas contas).

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Um “plantel fraco”


É assumido e faz parte do modelo de gestão desportivo-financeira da SAD a valorização de jogadores e a posterior venda dos respectivos direitos económicos. Aliás, as mais-valias resultantes das transferências de jogadores têm sido, ao longo dos últimos anos, a principal rubrica em termos de receitas (quase “operacionais”) da SAD.

Sendo esta a regra (conhecida por treinadores, jogadores e adeptos), não foi surpresa que, no defeso entre a época 2008/2009 e a época 2009/2010, a FC Porto SAD tenha vendido os passes de alguns dos principais jogadores da equipa. No caso, os jogadores transferidos foram o lateral esquerdo Cissokho, o médio Lucho Gonzalez e o avançado Lisandro López.
Para tentar colmatar estas saídas, foram contratados Álvaro Pereira (ao Cluj), Fernando Belluschi (ao Olympiakos) e Radamel Falcao (ao River Plate).

Entre os adeptos portistas, não faltou quem dissesse que, perante estas saídas e entradas, o plantel da época 2009/2010 era mais fraco que o da época anterior, sendo essa uma das razões apontadas para o FC Porto ter terminado esse campeonato na 3ª posição.

Um ano depois a história repetiu-se. No defeso entre as épocas 2009/2010 e 2010/2011, a FC Porto SAD voltou a alienar dois dos “esteios” da equipa - o defesa central Bruno Alves e o médio Raul Meireles -, tendo sido contratados o argentino Otamendi e João Moutinho.

Mais uma vez, entre os adeptos portistas, não faltou quem torcesse o nariz, alegando que, além do plantel ter ficado “obviamente mais fraco”, tinha também sido amputado de duas das suas referências (um deles o capitão Bruno Alves).
Hoje é fácil dizer que Moutinho é “insubstituível”, mas eu recordo que, no Verão de 2010, Raul Meireles era considerado o melhor médio da Seleção, enquanto que a “maçã podre” nem sequer fez parte do lote dos 23 que, nesse Verão, representaram Portugal no Mundial da África do Sul.

Vejamos então:
Se o plantel da época 2010/2011 era pior que o da época 2009/2010, o qual, por sua vez, já era pior que o da época 2008/2009;
se do plantel da época 2010/2011 faziam parte jogadores como Sapunaru, Maicon, Guarín ou Varela, entre outros, a quem, na época anterior, não era reconhecido valor para terem sido contratados e integrarem o plantel do FC Porto;
como é que foi possível, com estes jogadores e um “plantel fraco”, alcançar os inesquecíveis sucessos desportivos que foram obtidos na época 2010/2011?
Deve haver alguma explicação...


Chegados a 2013/2014, e seguindo um raciocínio semelhante ao que foi efectuado nos defesos que antecederam as épocas 2009/2010 e 2010/2011, há novamente quem diga que o plantel desta época é fraco. Pois eu discordo.

Defour, Herrera, Josué, Carlos Eduardo ou Quintero, entre outros, são fraquinhos e não têm valor para integrar o plantel do FC Porto?
Eu discordo.

Reconheço que, esta época, quase todos parecem muito maus mas, daqui a um ano, veremos se a opinião da maioria dos adeptos portistas em relação aos jogadores que fazem parte do plantel 2013/2014 é a mesma.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O desempenho do FC Porto à 17ª jornada...

Recuando até à época 2006/2007, quando o número de equipas na I Liga foi reduzido de 18 para 16 (para abrir caminho à Taça da Liga...) e o campeonato passou a ter 30 jornadas, o desempenho do FC Porto nas primeiras 17 jornadas tem sido o seguinte:

Primeiras 17 jornadas da época 2012/2013 (fonte: zerozero)

Primeiras 17 jornadas da época 2011/2012 (fonte: zerozero)

Primeiras 17 jornadas da época 2010/2011 (fonte: zerozero)

Primeiras 17 jornadas da época 2009/2010 (fonte: zerozero)

Primeiras 17 jornadas da época 2008/2009 (fonte: zerozero)

Primeiras 17 jornadas da época 2007/2008 (fonte: zerozero)

Primeiras 17 jornadas da época 2006/2007 (fonte: zerozero)

Os números e as exibições (!) indicam que este FC Porto de Paulo Fonseca é uma das piores equipas (chamar ao que temos visto "equipa" é uma força de expressão) que o FC Porto teve neste século e, notoriamente, está num patamar qualitativo muito abaixo da EQUIPA organizada, compacta, pressionante e altamente competitiva que herdou de Vítor Pereira.



Não podendo comparar-se com o treinador que o antecedeu, os números dizem que, à 17ª jornada, o FC Porto de Paulo Fonseca está ao nível das equipas de Jesualdo nas épocas 2008/2009 e 2009/2010.

Claro que há o "pequeno pormenor" de Jesualdo ter sempre superado a fase de grupos da Liga dos Campeões e de, na época 2008/2009, ter mesmo chegado aos quartos-de-final da principal competição mundial de clubes, mas isso são outras contas, em que Paulo Fonseca também fica a perder (e por muito) nas comparações com os treinadores que o antecederam.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Contratem o Gegé

O FC Porto não perdia com o Marítimo desde 8 de Novembro de 2009 (há quatro anos e três meses).
Depois dessa derrota (0-1) e até à derrota de ontem (novamente por 0-1), o FC Porto disputou 9 jogos contra o Marítimo, com um registo de 8 vitórias, 1 empate e um saldo de 26-5 em golos!

Últimos 20 jogos entre o FC Porto e o Marítimo (fonte: zerozero)

Claro que, como disse Paulo Fonseca na antevisão deste Marítimo x FC Porto, temos de ter “a perfeita noção que vamos ter mais um jogo muito difícil perante uma boa equipa…”.

Sim, porque este Marítimo é uma equipa dificílima (tem a pior defesa da Liga, a par do Paços de Ferreira, com 30 golos sofridos), vinha animado por uma série impressionante de “vitórias morais”…

Série dos últimos jogos do Marítimo na época 2013/14 (fonte: zerozero)

… e, conforme é sabido, nos últimos anos tem investido imenso em jogadores de renome internacional.

A equipa reagiu bem à saída do Heldon [transferido para o SCP no último dia do mercado de Inverno]. (…) este é um clube formador (…) Temos dois centrais que este ano eram os centrais da equipa B, a média de idades do meio campo era de 21 anos e meio…
Pedro Martins, treinador do Marítimo, durante a conferência de imprensa após o jogo


Ora, tendo o FC Porto um plantel fraquíssimo (conhecem algum clube europeu que, recentemente, tenha manifestado interesse em jogadores como Otamendi, Mangala, Alex Sandro, Fernando, Defour ou Jackson?) é perfeitamente normal perder contra uma equipa recheada de “craques” do nível do Gegé e Weeks, entre outros.

Os adeptos do FC Porto estão mal habituados e falam de barriga cheia.
Deviam era estar felizes por este “maravilhoso FC Porto 2013/2014” só ter 3 derrotas em 17 jogos do campeonato (e outras tantas nos 6 jogos da Liga dos Campeões) e de não ter sido goleado na Madeira…

sábado, 1 de fevereiro de 2014

SMS do dia

Em 3 temporadas (com dois treinadores) o Futebol Clube do Porto perdeu 1 vez para a Liga. Em pouco mais de meia temporada (com um "treinador") o Futebol Clube do Porto já perdeu 3 vezes para a Liga. Psicologia invertida, seguramente. Agradeço sinceramente a quem quer que seja responsável por esta inversão. Seguramente que essa(s) pessoa(s) está orgulhosa da sua decisão enquanto pensa no próximo negócio de milhões para o Verão que aí vem!