terça-feira, 6 de maio de 2014

Uma explicação aos sócios

Pinto da Costa é o presidente mais titulado de sempre do futebol mundial e é, também, o principal responsável pela transformação dos “andrades” em “dragões” (com tudo o que isso significa em termos de mentalidades e mudança estrutural do Futebol Clube do Porto).


Mas se Pinto da Costa é um presidente top, com um passado recheado de sucessos e mereceu todos os elogios que nós, adeptos portistas, lhe fizemos ao longo das últimas quatro décadas é também ele o principal responsável pelo descalabro desta época.

Foi ele, Pinto da Costa, que, em tempo oportuno, não renovou com um treinador que era campeão nacional, o qual, nos últimos meses da época 2012/2013, com um plantel limitado, continuava a lutar, taco-a-taco, com uma das equipas encarnadas mais fortes dos últimos 30 anos.

Foi ele, Pinto da Costa, que quis esperar pelo final da época 2012/2013 e, tendo em casa um treinador acabado de se sagrar bicampeão, não fez tudo o que estava ao seu alcance para o convencer a ficar (tivesse Pinto da Costa oferecido a Vítor Pereira 30 a 35% do que Jorge Jesus ganha no SLB…).

Foi ele, Pinto da Costa, que escolheu e contratou Paulo Fonseca, um homem sem qualquer experiência anterior de clube grande (ao contrário de José Mourinho, André Villas-Boas ou Vítor Pereira) e um treinador sem qualquer experiência de competições europeias e de gestão de balneários cheios de vedetas.


Foi ele, Pinto da Costa, que, em 16 de Janeiro de 2014, quando os sinais da crise que afetava o futebol portista já eram mais do que evidentes, afirmou o seguinte (numa entrevista ao Porto Canal): “Se a época e o contrato dele [Paulo Fonseca] acabassem hoje, ontem tinha renovado com ele. Não é necessário dizer mais nada. Tenho absoluta confiança no Paulo Fonseca. Se eu entendesse que ele não era o treinador que o FC Porto neste momento precisa, era o primeiro a dizer-lhe”.

Perante tudo o que se passou nos últimos 12 meses, penso que Pinto da Costa deve uma explicação aos sócios e adeptos do FC Porto (talvez numa outra entrevista ao Porto Canal).

E, já agora, depois de uma época horribilis, a nação portista precisa de uma mensagem forte acerca do futuro imediato do Futebol Clube do Porto. Porque, como Pinto da Costa disse várias vezes, do passado vivem os museus.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Mais uma derrota

O último classificado e, antes do jogo, quase despromovido Olhanense (*), derrotou o tricampeão FC Porto por 2-1.

Mais uma derrota. Mais um recorde negativo (o Olhanense não ganhava ao FC Porto desde 1973/74, há 40 anos!)

O JOGO, 05-05-2014

Época 2013/2014: 7 derrotas em 29 jogos do campeonato, o que dá uma derrota em cada 4 jogos (4,14 para ser mais preciso). E ainda falta disputar o FC Porto x SL Benfica, da 30ª jornada, para terminar este pesadelo.

Para dar uma ideia do enorme descalabro que é esta época, apresento, de seguida, o número de derrotas em alguns dos outros campeonatos “menos bons”, desde que Pinto da Costa assumiu a responsabilidade do futebol portista:

Época 2009/2010: 4 derrotas em 30 jogos
Época 2004/2005: 6 derrotas em 34 jogos
Época 2001/2002: 8 derrotas em 34 jogos
Época 1999/2000: 5 derrotas em 34 jogos
Época 1988/1989: 3 derrotas em 38 jogos
Época 1976/1977: 7 derrotas em 30 jogos

Só de me lembrar que na época passada…

Época 2012/2013: 0 derrotas em 30 jogos

O JOGO, 18-04-2014
Nunca o FC Porto tinha piorado tanto (em termos de derrotas) de uma época para outra, como foi o caso da época 2012/2013 para 2013/2014.

Porque será?
É algo para Pinto da Costa e Antero Henrique meditarem…

Apesar de, comparada com esta, a época passada parecer perto da perfeição (passe o exagero), o FC Porto, na época 2012/2013, averbou um total de quatro derrotas (duas na Liga dos Campeões, uma na Taça Portugal, uma na Taça da Liga).

Apenas quatro derrotas (SC Braga, PSG, Málaga, SC Braga) no cômputo geral de todas as competições que o FC Porto disputou na época 2012/2013. E dá-se a particularidade de três dessas derrotas terem acontecido em desafios onde o FC Porto viu um seu jogador ser expulso e teve de disputar uma parte significativa desses jogos com menos um jogador.

A comparação entre as épocas 2012/2013 e 2013/2014 é algo para Pinto da Costa, Antero Henrique e os adeptos portistas meditarem…

(*) Como se sentirão os adeptos do Paços Ferreira e Belenenses, perante a atitude, falta de empenho e exibição da equipa do FC Porto no jogo de ontem?

domingo, 4 de maio de 2014

O poço sem fundo

Deixo aqui o meu apelo sincero, para que ninguém, absolutamente ninguém, afecto ao FC Porto, marque presença no próximo jogo, frente ao SLB, no Estádio do Dragão. Não censuro quem acredita em apoiar incondicionalmente, mas julgo ser mais importante dar um sinal claro, a quem dirige(?) o futebol do clube, que estas vergonhas não são toleráveis - vão apoiar o basquete, o andebol, o hóquei em patins. Há quem acredite em revoluções - eu vejo jogos como o Olhanense, e chamar-lhe-ia antes "milagre" - na próxima época, mas eu considero que a revolução já começou há muito, quando se iniciou a transformação de uma equipa respeitável e vencedora, num alvo de chacota, que enxovalha o seu próprio historial.

Se acreditam que devem estar presentes, façam-no. Mas quem lá estiver, mesmo que com o exclusivo propósito de apoiar a equipa, deve estar ciente que está a ser conivente com a incompetência (ou má-fe; nesta fase é difícil distinguir) que resultou nesta gigantesca humilhação.

Tortura #572152

O Olhanense até pode ser despromovido, mas pelo menos parece dar-se bem com defesas com nível de 2ª Liga.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Maio de 2014, um ano depois…

2 de Maio de 2014.
O país futebolístico está em festa (alguém sabe se Bruno de Carvalho já emitiu um comunicado a dar os parabéns aos seus amigos da 2ª circular?) e rendido à categoria e classe extra deste SL Benfica, superiormente orientado por Jorge Jesus.

Mas será que esta equipa do SL Benfica é assim tão diferente, para melhor, das equipas orientadas por JJ nos últimos anos e, particularmente, na época passada?
Comparemos o desempenho do SLB nesta época, com idêntico momento da época passada.

Época 2012/2013
Campeonato (28ª Jornada): 23 V, 5 E, 0 D, 73–17 golos, 74 pontos
Liga Europa: apurado para a Final
Liga dos Campeões: não passou da fase de grupos (3º lugar, atrás de FC Barcelona e Celtic)

Época 2013/2014
Campeonato (28ª Jornada): 23 V, 4 E, 1 D, 56–15 golos, 73 pontos
Liga Europa: apurado para a Final
Liga dos Campeões: não passou da fase de grupos (3º lugar, atrás de PSG e Olympiakos)

Ou seja, o SLB desta época é uma equipa com um desempenho muito semelhante ao da época passada, quer no campeonato, quer nas competições europeias (a diferença mais significativa, para pior, está nos 17 golos a menos que a equipa desta época marcou no campeonato nacional).

Ora, se o SLB continua a ter uma equipa bastante forte, orientada pelo mesmo treinador, o que mudou então nestes 12 meses?

Na perspectiva de um portista, o que mudou, e para muito pior, foi a equipa do FC Porto.

O SLB dos dois últimos anos e, particularmente, o da época passada, não era inferior ao desta época, mas nem isso serviu para uma parte significativa dos adeptos portistas valorizarem o sucesso alcançado pelo FC Porto de Vítor Pereira, que venceu dois campeonatos em confronto com uma das equipas encarnadas mais fortes dos últimos 30 anos.

Aliás, o FC Porto de Vítor Pereira foi melhor que o SLB de JJ, quer no confronto direto (4 jogos para o campeonato), quer na “maratona” de dois campeonatos disputados taco-a-taco, ao longo de 60 jornadas.
E foi melhor tendo menos meios (qualidade do plantel) à sua disposição, conforme foi reconhecido pelos próprios benfiquistas.

Como adepto portista e sócio do FC Porto, além de triste com tudo o que se passou nesta época, estou também desiludido por um presidente com a experiência de Pinto da Costa não ter, em tempo oportuno, feito tudo para renovar com um treinador que ganhou dois campeonatos a este super SLB de JJ e que, em 60 jogos para o campeonato, perdeu apenas um (em Barcelos e todos nós sabemos como foi).

Tivesse Luís Filipe Vieira feito como Pinto da Costa e não tivesse renovado com o contestado treinador (em Maio de 2013), dando ouvidos aos muitos adeptos do seu clube descontentes e seguramente que esta época o SLB não estaria a um pequeno passo de fazer história.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Olhar para os "Bês" em Olhão

«O médio Tozé e os avançados Kayembe e Gonçalo Paciência, jogadores do FC Porto B, foram as novidades do treino desta quarta-feira, realizado no Centro de Treinos e Formação Desportiva PortoGaia, no Olival.»
in www.fcporto.pt, 30-04-2014

in www.fcporto.pt

«A presença do guarda-redes Stefanovic, dos defesas David Bruno e Tiago Ferreira, do médio Tozé e do avançado Kayembe (estes dois últimos já presentes no ensaio de quarta-feira), todos atletas do FC Porto B, foi a nota de destaque do treino do FC Porto desta quinta-feira, realizado no Centro de Treinos e Formação Desportiva PortoGaia, no Olival, em mais uma sessão de preparação para o encontro contra a Olhanense (domingo, 18h00, Estádio José Arcanjo).»
in www.fcporto.pt, 01-05-2014


Mangala, Alex Sandro e Josué não vão poder jogar em Olhão, por estarem a cumprir castigo.

Quaresma tem uma mialgia na face posterior da coxa esquerda. Ontem fez tratamento e hoje realizou treino condicionado.
No treino de hoje, Luís Castro também não pôde contar com Ghilas, o qual fez tratamento a uma distensão nos isquiotibiais da coxa esquerda.

Para além da dignidade e do profissionalismo inerente a quem enverga a camisola azul-e-branca, os dois jogos que faltam disputar para o campeonato já não têm qualquer interesse classificativo para o FC Porto.

O Olhanense é o último classificado e, em termos de qualidade futebolística, é uma equipa ao nível das equipas do 1º terço da II Liga.

Atendendo a todas estas circunstâncias, a que se junta a falta de ânimo/motivação dos jogadores mais utilizados, que contam os dias para que a época termine, não vejo melhor ocasião para Luís Castro dar oportunidade a dois ou três jogadores da equipa B jogarem pela equipa principal.

Assim sendo, e para além de Tozé, penso que seria uma excelente ocasião para Pedro Moreira e/ou Gonçalo Paciência também terem uma oportunidade.

P.S. Evidentemente, dar oportunidades a jogadores da equipa B, não significa que são eles que vão resolver os problemas da equipa principal, ou que para a próxima época não é preciso contratar reforços.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Bananas, macacos e hipócritas


No domingo passado, durante o Villarreal x FC Barcelona, jogo da 35.ª jornada da Liga espanhola, quando Daniel Alves se preparava para executar um pontapé de canto, houve um energúmeno que, das bancadas do estádio El Madrigal, atirou uma banana para perto dele.

O que se passou depois correu mundo. O internacional brasileiro respondeu a esta nojenta atitude racista de uma das formas mais inteligentes e eficazes de que me lembro: apanhou a banana do chão, descascou-a e… comeu-a.

Nas horas e dias seguintes, as redes sociais encheram-se de futebolistas, artistas, políticos e pessoas anónimas em apoio a Daniel Alves, publicando centenas de fotografias, com bananas, em diversos contextos.

Fred, companheiro de seleção de Daniel Alves, manifestou o seu apoio, considerando que o racismo “é um mal que mancha o desporto e a sociedade, não só em Espanha, mas em todo o Mundo”.

Bebeto, antigo internacional brasileiro e, atualmente, deputado no Rio de Janeiro, afirmou que um acto destes é inadmissível em pleno 2014 e que é preciso “tomar medidas e aplicar castigos de forma enérgica”.

Também a comunicação social internacional acompanhou a onda de repúdio a este tipo de atitudes racistas.

Jornal espanhol MARCA

Jornal italiano La Gazzeta dello Sport

E por cá?
Como seria de esperar, quem se manifestou e pronunciou fê-lo na mesma linha do resto do Mundo e contudo…

Madrugada do dia 21 de Abril de 2011…
Umas horas após o final do SL Benfica x FC Porto (1-3), jogo da 2ª Mão das Meias-Finais da Taça de Portugal 2010/2011, um tal de Nuno Cárcomo Lobo escrevia o seguinte no seu facebook:

Para mim foi o melhor em campo... Grande passe aquele para o segundo golo... o golo do macaco hulk... HU HU HU HU

[Ainda sobre o Hulk…] “… não podíamos ter bananas no campo. Se nao o incrivel macaco comia-as


Nuno Cárcomo Lobo é sócio da sociedade de advogados CSCA – “Correia, Seara, Caldas, Simões e Associados” –, a qual, entre outros, junta indivíduos como João Correia e Fernando Seara (podem ver aqui).

Em 2005, Nuno Cárcomo Lobo foi nomeado, por Fernando Seara, adjunto do Gabinete de Apoio Pessoal ao Presidente da Câmara Municipal de Sintra.

Em 31 de Janeiro de 2012, Nuno Cárcomo Lobo tomou posse como presidente da Associação de Futebol de Lisboa.

Em 24 de Setembro de 2013, numa altura em que as declarações racistas de Nuno Cárcomo Lobo acerca de Hulk foram amplamente divulgadas, Bernardo Ribeiro (subdiretor do jornal Record) escreveu o seguinte:

«O que dizer de quem escreve isto? Vergonha não tem, senão ter-se-ia demitido [de presidente da Associação de Futebol de Lisboa]. Mas o racismo, feio, sujo, devia ter consequências. Ainda há quem exerça autoridade neste País. Avance por favor. E leve-o.»

E o que é que aconteceu? Nada!
Sete meses depois, Nuno Cárcomo Lobo continua a ser presidente da Associação de Futebol de Lisboa, com o apoio do seu clube (o SLB), mas também do SCP.

Mais. Conforme escrevi em Setembro passado, no artigo ‘De capuchinho vermelho a lobo mau’, “tendo Nuno Lobo proferido (escrito) afirmações reveladoras de um racismo nojento, como é que os presidentes da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga de Clubes aceitaram os convites e estiveram presentes no jantar do 103.º aniversário da Associação de Futebol de Lisboa, que se realizou na passada segunda-feira [23-09-2013]?”

Perante o seu comportamento no caso Nuno Lobo – Hulk, gente como Fernando Gomes (presidente da FPF), Luís Filipe Vieira (presidente do SLB) e Bruno de Carvalho (presidente do SCP), entre outros, não têm a mínima moral para criticar e combater declarações, ou manifestações racistas, que ocorram nos campos de futebol ou envolvam agentes ligados ao futebol.

Apesar dos interesses clubísticos mesquinhos e das obrigações institucionais, a hipocrisia tem limites.

terça-feira, 29 de abril de 2014

António José Pinheiro Carvalho, conhecem?

António José Pinheiro Carvalho é um jogador de futebol português, com 21 anos (nasceu em Forjães, em 14-01-1993), o qual mantém ligação ao FC Porto há quase 10 anos (desde a época 2005/2006).

Entre Tiago Ferreira e Gonçalo Paciência, FC Porto B x SLB B

Para além do seu trajecto no FC Porto (dos iniciados aos seniores), António José Pinheiro Carvalho foi internacional por Portugal em Sub-16, Sub-17, Sub-18, Sub-19, Sub-20 e Sub-21. No total, conta já com 54 internacionalizações pelas diversas seleções portuguesas de futebol por onde passou, ao serviço das quais marcou 9 golos.

Sendo um médio ofensivo (tem algumas características que me fazem lembrar o Rui Barros) é, atualmente, um dos melhores goleadores do campeonato da II Liga, tendo marcado 20 golos (10 dos quais de grande penalidade) em 39 jogos, nos quais foi sempre titular do FC Porto B.

Marcação de um penalty, FC Porto B x SLB B

Aliás, quer com Rui Gomes na época passada, quer com Luís Castro e José Guilherme nesta época, António José Pinheiro Carvalho foi sempre um dos indiscutíveis da equipa B do FC Porto, jogando a médio interior, número 10 ou extremo.

Ao contrário dos médios ofensivos da equipa principal, António José Pinheiro Carvalho está a atravessar um grande momento de forma. Nas últimas cinco jornadas da II Liga (jornadas 36 a 40), só por uma vez ficou em branco, tendo marcado nestes cinco jogos um total de 7 golos.

Marcação de um livre, FC Porto B x SLB B

António José Pinheiro Carvalho, mais conhecido por Tozé, já jogou 24 minutos pela equipa principal do FC Porto. Essa oportunidade foi-lhe dada por Vítor Pereira na época passada, no FC Porto x Olhanense, disputado no dia 10 de Fevereiro de 2013.

Atendendo ao desempenho sofrível da equipa do FC Porto e, particularmente, ao desempenho pouco brilhante que os médios ofensivos – Josué, Carlos Eduardo, Quintero – têm tido ao longo desta época, que mais é que o Tozé precisa de fazer para ter uma nova oportunidade na equipa principal?

Remate de fora da área, FC Porto B x SLB B

Espero que essa oportunidade lhe seja dada por Luís Castro já no próximo fim-de-semana, novamente contra o Olhanense, num jogo em que Josué não vai poder atuar por estar a cumprir castigo.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

De recorde em recorde…

Nas suas deslocações ao Porto, o SLB é uma equipa que, normalmente, faz com que os adeptos do FC Porto esgotem a lotação do Estádio do Dragão.

Assistências nos clássicos FC Porto x SL Benfica (fonte: O JOGO, 24-04-2014)

Conforme o gráfico anterior mostra, nos 10 clássicos realizados antes desta época no Estádio do Dragão, a pior lotação tinha sido em 2009/2010 – 44902 espectadores – num jogo que foi disputado na penúltima jornada do campeonato, com o FC Porto já afastado do título.

Mas esta época, que foi, globalmente, a pior dos 32 anos de presidência de Pinto da Costa, foram batidos diversos recordes negativos, dentro e fora dos relvados, e nem as recepções ao grande rival de Lisboa (os calimeros estão noutro patamar) serviram para evitar o “espetáculo” das cadeiras vazias.

Num comentário ao artigo ‘Divórcio com os adeptos’, escrevi o seguinte:
«Felizmente, os últimos dois jogos em casa são contra o SLB, o que, previsivelmente, irá garantir assistências acima dos 30 mil.»

Contudo, a realidade (números oficiais divulgados pelo FC Porto) foi ainda pior do que as minhas previsões, já de si contidas, e neste clássico estiveram apenas 26109 pessoas!!

Importa salientar que o recorde negativo de assistências em clássicos contra o SLB, já tinha sido batido esta época, no jogo para a Taça de Portugal (apenas 34499 espectadores), mas nem sequer chegar aos 30 mil é revelador do divórcio profundo que, durante esta época, foi sendo cavado entre o clube/equipa e os adeptos portistas.

Daqui a duas semanas vai realizar-se outro FC Porto x SL Benfica, o qual irá encerrar um campeonato e uma época de triste memória para os portistas (mas que deve ser lembrada por muitos anos, para evitar que se cometam os mesmos erros).
Para que no último clássico da época as bancadas se apresentassem compostas, talvez fosse boa ideia a FC Porto SAD colocar os bilhetes a preços convidativos…

domingo, 27 de abril de 2014

Já não há adjectivos...

O JOGO, 10-01-2014
Depois de mais um confronto contra o slb, depois de mais um teste ao valor desta pseudo “equipa”, já não há adjectivos para classificar a mediocridade que é este FC Porto 2013/2014. Hoje salvaram-se Maicon e Herrera, o MVP deste jogo (fez 4 assistências na 1ª parte, duas para Jackson, uma para Varela e uma para Defour), porque o resto…

Até aos 32 minutos, beneficiando da presença em campo de Steven Vitória e das “liberdades” dadas a Herrera, o FC Porto criou três ou quatro excelentes oportunidades, que só o cansaço / má forma / displicência de Jackson Martinez impediram se se transformar em golo.

A partir daí, com o slb a jogar com 10, Jorge Jesus colocou Garay em campo, mandou Ruben Amorim marcar Herrera e as coisas tornaram-se mais difíceis. Mesmo assim, o FC Porto deveria ter chegado ao intervalo a vencer por 2 ou 3 a zero, não fosse a inacreditável incompetência que revelou na finalização.

Jackson Martinez, não sendo um ponta-de-lança do nível do Jardel ou do Radamel Falcao, já mostrou ser um ponta-de-lança de qualidade, mas o que temos visto em muitos jogos (demasiados jogos!) desta época é um Jackson irreconhecível, uma sombra do Jackson da época passada.
Porquê? Por não ter saído no final da época passada nem, depois disso, a SAD ter renovado o seu contrato?
O que é certo é que um ponta-de-lança da sua categoria, que tem a ambição de ser titular da Colômbia no Mundial do Brasil e aspira a uma transferência milionária para um dos “tubarões” europeus, não pode falhar quatro golos feitos, como os que falhou nos primeiros 45 minutos deste jogo. E já nem falo da forma, que me abstenho de qualificar, como marcou o seu penalty.

E o que se passou com Quaresma, que eu me tenho fartado de elogiar?
Hoje fez o seu pior jogo desde que regressou ao FC Porto. Com bola e sem bola, a sua exibição foi de uma nulidade quase total (em 70 minutos dentro do campo, salvou-se um cruzamento de letra para Jackson, que o ponta-de-lança colombiano “cabeceou” com… o ombro!). E ainda expressou admiração quando foi substituído…

A jogar em casa, contra um slb cheio de segundas escolhas, reduzido a 10 jogadores desde os 32’ e que tinha jogado contra a Juventus na passada quinta-feira, a 2ª parte desta equipa de “andrades”, liderada por um amorfo Luís Castro, é inenarrável e irá ficar na história como uma das páginas negras da história do FC Porto dos últimos 35 anos.
A melhor e uma das poucas oportunidades criadas nos segundos 45 minutos foi, mais uma vez, através de Herrera, que falhou por pouco a baliza de Oblak.
E quanto a Luís Castro, de cada vez que mexeu, a equipa piorou.

Depois de tudo o que se passou esta época, depois do que vimos neste jogo (principalmente na 2ª parte), depois do que vimos em dois jogos contra um slb em poupanças e que jogou reduzido a 10 durante cerca de uma hora, não posso deixar de dizer o seguinte: que saudades que eu tenho do FC Porto de Vítor Pereira e da forma como essa equipa “enfadonha” jogava contra o “fabuloso” slb de Jorge Jesus.

Azul ao Fundo do Túnel


O SLB é o clube de todos os regimes e á sua mesa juntam-se altos dirigentes de todos os quadrantes do regime, sejam do arco da governação ou da oposição. O SCP é mais elitista, aristocrático e convencido. Bruno de Carvalho acrescentou-lhe a vertente populista que lhes fica tão bem. Ambos recebem fortes apoios institucionais. A proximidade ao poder ajuda. Com o SLB é mais íntima essa familiaridade que favorece o trânsito de favores e um tratamento diferenciado. Foi assim quando o governo da altura aceitou as acções do SLB para caucionar a dívida para com a SS ou  a forma como o ministério público permitiu a intromissão abusiva do SLB no processo AD e na divulgação das escutas, que ainda se ouvem nos órgãos de comunicação social colaboracionistas.

O FCP é um clube regional e não se deve envergonhar disso. É a oposição e o contrapoder ao centralismo desportivo que segue em linha com um país que vive obcecado com o primado absolutista da capital. E, por isso, deve continuar a ser um clube de resistência, e não se deve envergonhar disso. O maior cosmopolitismo do clube,  cujo nome passa a fronteira nacional e goza mais prestígio lá fora que cá dentro, deve acompanhar esse crescimento e esse perfil, sem perder as suas origens. Quando os amigos dos nossos rivais comentam que não estamos a jogar à Porto, estão a reconhecer uma assinatura que identifica os valores pelos quais nos batemos e pelos quais nos temem. E esse temor tem muitos rostos e matizes e é implacável quando estamos por cima. Tudo serve para denegrir o valor e a justeza do nosso sucesso. O FCP é um clube da cidade e tem um grande orgulho disso, como o tem demonstrado das formas mais diversas. Quem se tem portado menos bem é a cidade. O Rui Rio comandou o divórcio e o litígio foi abrandando, mas só terminou quando deixou a presidência da câmara. Estamos em tempo de apaziguamento, mas ainda há um certo constrangimento de considerar que, para a cidade, é muito importante o reconhecimento que o FCP é uma instituição que tem  uma história que se casa com o perfil da cidade e da sua gente. Quem tem uma dívida para com o FCP é a cidade que deve, sem medo  e vergonha, assumir essa estreita ligação que, obviamente, não dispensa a “separação de poderes” entre ambas as instituições. Rui Moreira já deu alguns passos que considero muito tímidos. Mas, percebo a timidez porque esses bacocos que têm as chaves do poder são capazes de tudo, nomeadamente de o apoucarem pelo mesmo que outros fazem, porque vivem bem mais perto do Terreiro do Paço e apoiam os clubes certos. Insisto: o FCP é um clube da cidade, da resistência e cosmopolita; não deve abdicar desse perfil em nome de projetos parolos de conquista aos mouros ou pseudo modernistas que visam entorpecer a resistência  quanto à influência asfixiante e às tendências hegemónicas dos clubes da segunda circular e dos seus aliados institucionais, públicos ou privados.


Essa tendência hegemónica suavizou com o advento da liberdade, mas está pronta a explodir se não cuidarmos convenientemente da nossa casa, pois os ventos correm de feição para os saudosistas da ordem desportiva do antanho. Mas, espreitar o futuro, ignorando as actuais dinâmicas desportivas, as condições dos mercados, a situação do país e uma avaliação actualizada das nossas forças e fraquezas, não chegará para que a mudança seja bem mais que cosmética. Resistir não pode ser apenas uma forma de continuar a estar vivo. Não nos devemos resignar á tarefa humilde e útil de animadores do campeonato que nos querem atribuir, a bem da Nação. Por isso, a tarefa é exigente e urgente. As últimas três épocas revelaram alguns sinais de erosão (e de cansaço) que devem ser identificados e atacados. Compete a quem de direito fazê-lo. Não é preciso uma revolução: basta rever processos e procedimentos, avaliar as competências dos que exercem altas funções na estrutura do clube, bem como do quadro de dirigentes e técnicos mais próximos da competição. Depois, reformar o que tiver de ser reformado. Não penso que seja suficiente uma configuração do plantel. Os sócios e adeptos devem perceber que não se pode ganhar sempre e ser solidários nos momentos maus ou menos bons, mas é difícil se não identificarem a justeza do percurso e os meios escolhidos para o percorrer. A diarreia propagandística das últimas semanas para enaltecer a conquista do SLB e o sucesso do SCP chateiam e assustam, se os erros cometidos pelo FCP não forem identificados e os méritos dos rivais não forem reconhecidos. Na “guerra” nunca se pode subestimar a força do “inimigo”, se queremos vencer.


O FCP divulgou que no dia 25 há ainda mais “Azul ao Fundo do Túnel”. É essa luz cheia de azul e de grandeza, que esperamos continue a brilhar. Para isso, é preciso  trabalhar bem no presente para que o futuro não se  esgote nas saudades do passado.

sábado, 26 de abril de 2014

Professor, largos dias têm 100 anos!

Hernâni Gonçalves, 1940 - 2014 (fonte: PUBLICO)


28 de Janeiro de 1976...
«Quando esperava ver nos jornais a notícia da assinatura do Albertino [jovem jogador que despontava no Leixões], fico boquiaberto ao ler a notícia da transferência, sim, mas para o Boavista.
Nesse tempo frequentava quase diariamente, ou melhor, nocturnamente, o Café Orfeu, na companhia de um grupo de amigos. Eram eles o José Maria Pedroto e o Professor Hernâni Gonçalves, ambos técnicos do Boavista; o José António Pinto de Sousa, meu amigo de infância e homem de invulgar carácter, e o então Capitão Valentim Loureiro, dirigentes do mesmo Clube; o Nuno Brás, jornalista da extinta Emissora Nacional, e os jornalistas José Saraiva e Serafim Ferreira.
Como se imaginará, nessa noite de 28 de Janeiro, o centro da conversa é a aquisição do passe de Albertino pelo Boavista e a forma como o FC Porto "perdera" o atleta que, na noite anterior, saíra das Antas já bem tarde e, teoricamente, como jogador do meu clube.
Foi um gozo! - Bendito gozo, penso agora.
Já a noite mudara de dia quando o meu amigo Hernâni Gonçalves me pergunta:
- Então Sr. Jorge Nuno? Não diz nada?
Levanto-me, uns segundos de silêncio e respondo:
- Meu caro professor e meus amigos, fixem bem esta frase:
LARGOS DIAS TÊM CEM ANOS!»
Pinto da Costa, no livro 'Largos dias têm 100 anos'


Depois dessa noite...
... Pinto da Costa aceitou o convite do Presidente Américo Sá para, no final dessa época [1975/76], após eleições no clube, integrar o futuro elenco directivo do FC Porto como director do futebol...
... e a 23 de Junho de 1976, José Maria Pedroto assinou, na casa de Pinto da Costa, contrato com o FC Porto.

Na época 1976/77, o FC Porto, sob o comando técnico de Pedroto, tendo António Morais e Hernâni Gonçalves como seus adjuntos, terminou o campeonato em 3º lugar, mas venceu a Taça de Portugal (algo que não acontecia desde 1967/68) com uma equipa onde já pontificavam Gabriel, Simões, Freitas, Murça, Teixeira, Rodolfo, Octávio, Duda, Oliveira, Seninho e Gomes, os quais formariam a base da equipa que, na época seguinte, iria pôr fim a um longo jejum de 19 anos.

Taça de Portugal 1976/77 - Hernâni Gonçalves, António Morais, Pinto da Costa e Pedroto
(fonte: blogue 'Os Filhos do Dragão')


Caro "Professor Bitaites", nós, portistas, não o esqueceremos e onde estiver nunca se esqueça: largos dias têm 100 anos!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

2002 revisited?

Como já foi aqui discutido, depois de uma péssima época e com a perspectiva elevada de vermos «jóias da coroa» de saída no Verão (Jackson, Mangala, Fernando?), encontramo-nos num ponto de charneira (desculpem o cliché).

Felizmente é raríssimo passarmos por esta situação: a matéria passada para benchmarking é portanto escassa. Pessoalmente penso que a época de 01/02 é o ponto de comparação mais parecido nos últimos 20 anos, mais do que 04/05 ou até mesmo do que 09/10.

Também essa época foi muito má, tendo terminado o campeonato também em 3o lugar. E foi má acima de tudo por causa da escolha do treinador, tal como este ano - nesse caso Octávio Machado (que viria a ser substituído a meio da época por Mourinho, mas demasiado tarde para dar a volta - já agora, passou para a história o ideia de que tudo mudou drasticamente para melhor mal o Mourinho chegou, mas isso é um mito: numa quinzena de jogos para o campeonato Mourinho ainda «conseguiu» perder 3 jogos e empatar 2. Demorou portanto algum tempo a ver-se melhoras substanciais, só mesmo na recta final da época).

Também essa época terminou com a impressão de que o plantel era mais fraco do que realmente era. A ideia que ficou para a história foi de que o plantel era medíocre, mas repare-se em alguns nomes que lá estavam quando Mourinho chegou: 

Baía, Rubens Jr, R Carvalho, J Costa, Jorge Andrade, Costinha, Paulinho Santos, Paredes, Deco, Alenitchev, McCarthy, Postiga, Capucho, Clayton.

Era um plantel bem jeitoso, ainda que desequilibrado (ficou conhecido como o «plantel dos trincos», havendo pelo menos meia dúzia de médios defensivos).

Da mesma forma, penso que neste momento o plantel está subavaliado em função do (mau) trabalho do treinador. Este plantel não é excelente, mas é bem jeitoso.

Mas há outro factor comum nas duas épocas: em ambos os casos a situação financeira estava muito complicada (claramente mais do que em 09/10 e - ainda mais - 04/05).

Como demos a volta, todos sabemos: contratou-se um excelente treinador e (também em função dessa decisão, em boa parte) reforçamo-nos com alguns excelentes jogadores por uma pechincha: Maniche, Derlei, Paulo Ferreira, Nuno Valente e Pedro Emanuel (para além de outros reforços secundários, também eles muito baratos).

Mas há um outro factor que ajudou imenso e que não ficou para a história (pelo menos quase ninguém se lembra): acontece que conseguimos «segurar» as jóias da coroa (com a excepção de Paredes, mas esse já tinha muito boas alternativas dentro do plantel, em particular Costinha) apenas e só porque a SAD fez um aumento de capital que «injectou» 50M€, um enorme balão de oxigénio (e na altura 50M€ cobriam muitos mais custos do que agora).

Ora é aqui que a comparação deixa a situação actual numa luz desfavorável. Neste momento o cenário de nova injecção de capital parece-me impensável: o clube não tem possibilidades de acompanhar um aumento de capital, os Oliveiras não têm interesse e/ou capacidade, as imobiliárias muito menos (não há nenhum novo estádio para construir ou PPA...) e os adeptos comuns estão vacinados contra comprar acções da SAD (na altura a SAD ainda era uma coisa muito recente e havia quem tivesse a ilusão de que comprar acções não fosse equivalente a deitar dinheiro ao lixo, como de facto é). 

Aliás, mesmo que hipoteticamente houvesse quem quisesse tomar uma posição importante na SAD, podiam já hoje comprar os 19% que a Sacyl Vallehermoso herdou da Somague e que, estou certo, estaria bem disposta a vender por uma oferta minimamente decente (como o valor nominal das ações - o que iria traduzir os 19% em cerca de 15M€ - ou nem isso). O facto disso não acontecer diz muito.

Ou seja: quase certamente o novo treinador vai assistir à saída de 2 ou 3 jóias da coroa sem que haja grande dinheiro para novas contratações. Penso que a era de gastar anualmente uns 40M€ em passes  (como fizémos em média nos últimos 4-5 anos) acabou claramente.

A alternativa para remediar a coisa seria arranjar quem nos emprestasse mais umas dezenas de milhões, mas mesmo que isso seja possível (e não é nada líquido que o seja), já começa a tornar-se mais roleta russa do que jogada de risco - já que aumentaria ainda mais a dívida e iria aumentar o «fardo» dos juros (que já anda em 10M/ano) em vários milhões por ano. O SCP enveredou por essa via no virar do milénio, com as consequências que se viram e se fazem sentir ainda muito claramente mais de 10 anos depois...

Torna-se portanto ainda mais fundamental acertar em cheio no próximo treinador, e convenhamos que a probabilidade de que se «encontre» o próximo Mourinho é baixa. Se o próximo for «meramente» um «bom» treinador já era óptimo... pessoalmente prefiro de longe um treinador conceituado (que, entre outras coisas, saiba lidar com «vedetas» e pseudo-vedetas, e imponha muito respeitinho aos jogadores) do que mais outra tentativa em tirar coelhos da cartola com treinadores de CV modesto .

A segunda grande questão é se saberemos, tal como no fim de 01/02, contratar muito bem por uma pechincha. E também aí a probabilidade não é lá muito alta, constatando-se que isso tem sido cada vez mais raro nos últimos 10 anos (quase todas as grandes vendas da última meia dúzia de anos custaram muitos milhões à partida, não uma pechincha).

Resumindo e concluindo: o plantel actual é melhor do que parece, mas a tarefa que temos pela frente é hérculea, com muito pouca margem de erro. Para ser sincero, já não tenho a confiança nas capacidades de PdC que eu tinha em 01/02 (apesar do disparate que foi na altura escolher Octávio e o «estouro» de dinheiro em tiros-ao-lado como Kaviedes, Quintana e Esnaider), ainda que ele ainda tenha certamente algumas das boas capacidades que o distinguiram ao longo dos últimos 30 anos.

A minha confiança numa grande reviravolta não é, portanto, propriamente elevada. O que não invalida naturalmente que mantenho a esperança que o «bom» PdC mostre que ainda «está para as curvas»; que está à altura dessa tarefa hérculea. Mas estou, acima de tudo (e mais do que desanimado ou angustiado) expectante para ver o que ele vai fazer. Quem me dera que este Verão seja uma reedição do que assistimos em 2002 (na escolha de treinador e contratações)...

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O perfil do próximo treinador

Com o campeonato há muito perdido e após duas eliminações dolorosas, quer na Liga Europa, quer na Taça de Portugal, parece ser claro que, independentemente do que acontecer nos três ou quatro jogos que o FC Porto ainda terá de disputar até ao final desta época, o treinador interino Luís Castro não irá continuar depois do dia 11 de Maio. Consequentemente, é natural que já se especule com o nome ou, pelo menos, com o perfil que deverá ter o novo treinador dos dragões.

O JOGO, 21-10-2013
Uma das hipóteses mais faladas é a do regresso de Fernando Santos, o “engenheiro do Penta”, mas nomes como Marco Silva, Nuno Espírito Santo ou Sérgio Conceição, encaixam como uma luva no perfil que foi definido por Antero Henrique, numa grande entrevista publicada por O JOGO, em 21-10-2013.

O FC Porto gosta de ter treinadores com muito espaço pela frente. (…) O Paulo Fonseca é mais um exemplo, a juntar a Mourinho, Villas-Boas, Vítor Pereira, a todos os treinadores que praticamente começaram a sua carreira no FC Porto e que, a partir daí, foram por aí fora.

Entre estes três “treinadores com muito espaço pela frente”, Marco Silva parece ser o que está melhor colocado para tentar seguir as pisadas de José Mourinho MAS…, ao contrário de Nuno Espírito Santo ou Sérgio Conceição, não conhece o FC Porto por dentro e nunca andou pelo balneário de um clube grande.

Em qualquer dos casos, será sempre uma aposta de alto risco e, em 2014/2015, a dupla Pinto da Costa / Antero Henrique não se pode dar ao luxo de voltar a falhar estrondosamente na escolha do treinador.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Proibição da partilha de passes

O JOGO, 10-04-2014
Emanuel Medeiros, ex-presidente-executivo da Associação das Ligas Europeias de Futebol Profissional (cessou funções no final de Março), deu uma entrevista a O JOGO (publicada na edição de 10-04-2014) em que disse o seguinte:

A breve trecho, a inscrição de jogadores para participação nas provas europeias só será possível desde que todos os direitos estejam concentrados no clube ao serviço do qual o jogador milite. A participação de terceiros nos direitos económicos dos atletas será vedada, à semelhança do que já acontece em Inglaterra, França e Polónia. Isso vai provocar impacto, ainda que a FIFA possa seguir um rumo diverso deste. Procurei sensibilizar o presidente da UEFA para que essa proibição não entrasse em vigor de forma imediata e fosse permitido aos clubes de todos os países onde essas práticas existem – e são mais do que aqueles que abertamente o confessam – um período transitório para proceder a ajustamentos desportivos e financeiros.


Se esta intenção da UEFA for mesmo para a frente, a política de contratações e a estratégia de gestão de “ativos” das SAD’s do FC Porto e SL Benfica vai ter de mudar e mudar substancialmente.

E, além de mais arriscado, muito provavelmente será também mais difícil clubes portugueses contratarem (passando a deter desde logo 100% dos passes) jogadores como Luís Fabiano, Lucho, Lisandro López, Anderson, Hulk, James Rodriguez ou Quintero.