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| FC Porto x Sporting, Lopetegui (fonte: LUSA) |
Por mais talento que exista (e no plantel que está à disposição de Julen Lopetegui há talento de sobra), não há boas equipas que sejam desorganizadas, cujos jogadores não saibam ocupar os espaços (com e sem bola) e que defendam mal.
Tendo ficado sem Otamendi (em Janeiro) e sem Mangala, uma das prioridades do novo treinador do FC Porto (fosse ele quem fosse) era formar e estabilizar uma nova dupla de defesas-centrais.
E Lopetegui parecia ter percebido isso, ao apostar (quase sempre) e procurar rotinar a dupla Maicon + Martins Indi.
Mais. Para além de mecanizar uma nova dupla de centrais é (seria) também crucial o entendimento dos defesas-centrais com o guarda-redes titular escolhido por Lopetegui (Fabiano) e a ligação com o médio defensivo que joga à sua frente (outro aspecto que teria de ser bem trabalhado, se atendermos a que o anterior titularíssimo - Fernando - saiu para o Manchester City).
Ora, se começarmos a análise do FC Porto x Sporting de hoje por estes aspectos - o entendimento entre Maicon e Iván Marcano, entre esta dupla e o guarda-redes Andrés Fernández e a articulação com o médio-defensivo Casemiro -, o que se viu hoje?
O caos!
Quantas vezes Maicon e Marcano, ou um deles e Casemiro se "atropelaram" uns aos outros?
A coisa foi de tal modo caricata que, na 1ª parte, houve uma jogada em que Maicon, Marcano e Casemiro saltaram os três à mesma bola!
A rotatividade imposta por Lopetegui é algo que até pode fazer sentido, quando existe um modelo de jogo consolidado e todos os jogadores estão perfeitamente identificados com esse modelo e com aquilo que o treinador pretenda que façam, sempre que são chamados a dar o seu contributo à equipa.
Mas, como é que isso seria possível nesta altura da época, tendo o FC Porto um treinador novo (o 4º treinador num espaço de 14 meses - entre Maio de 2013 e Julho de 2014), a trabalhar com um plantel muito jovem e que tem 15 (quinze!) jogadores acabados de chegar?
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| FC Porto x Sporting, onze inicial |
E o caos provocado por Lopetegui já não se deve, apenas, às sucessivas mudanças de jogadores no onze base (algo que ainda não existe). É, também, devido às mudanças de modelo de um jogo para o outro e, inclusive, dentro do próprio jogo.
Foi isso que se voltou a ver hoje, da primeira para a segunda parte.
Na 1ª parte, apesar do caos instalado, principalmente na (des)organização defensiva, o meio-campo portista, com quatro elementos (Casemiro, Herrera, Óliver e Quintero) foi equilibrando as coisas.
Ao intervalo, a perder (1-2), Lopetegui voltou a trocar dois jogadores, para tentar corrigir/melhorar o seu plano de jogo inicial. Mas, se a troca do desinspirado Casemiro (regressou de 3-4 semanas de paragem) por Rúben Neves era inevitável, a substituição de Óliver por Tello (o extremo emprestado pelo FC Barcelona não trouxe nada de positivo), fez o FC Porto perder o meio-campo e fez a equipa, (des)orientada por Lopetegui, recuar para o que de mau já se tinha visto nos primeiros 45 minutos do jogo de Alvalade.
Pensava que Lopetegui tinha apreendido alguma coisa, depois do banho táctico que Marco Silva lhe tinha dado em Alvalade. Mas, afinal, parece não ter apreendido rigorosamente nada e hoje levou uma 2ª lição.
Espero que depois desta exibição miserável, desta humilhação, imposta pelo clube presidido por Bruno de Carvalho em pleno Estádio do Dragão (até deu para terminarem o jogo debaixo de olés), alguém, da estrutura do FC Porto, fale com o senhor Lopetegui e lhe explique o que é o FUTEBOL CLUBE DO PORTO.
Da minha parte e, por aquilo que ouvi no estádio, da parte de muitos portistas, terminou hoje o "estado de graça" do senhor Lopetegui.
Razão tem Ricardo Quaresma: com este plantel, o FC Porto tem obrigação de jogar muito mais.
É isso que os portistas esperam da equipa comandada pelo senhor Lopetegui e já a partir da próxima terça-feira, frente aos bascos do Athletic Bilbao.
P.S. Acabo de ler as declarações que o senhor Lopetegui fez no final do jogo:
"Oferecemos dois golos e falhámos um penálti. Foi isso que aconteceu"
"Confiamos nos jogadores, eles são responsáveis e sabem que têm de melhorar. Se queremos competir ao mais alto nível não pode ter erros destes."
Afinal, a coisa é pior do que aquilo que eu pensava. Para o senhor Lopetegui, a culpa é dos jogadores...
P.S.2 «A última vez que o Sporting, de resto, marcou três golos ao FC Porto fora de casa data de 1975, mais precisamente do dia 17 de outubro, quando a formação leonina venceu por 3-2 em jogo da sétima jornada.
Desde Fevereiro de 1965, de resto, que o Sporting não vencia o FC Porto, no Porto, por mais de um golo de vantagem.»
in Maisfutebol

































