sábado, 18 de outubro de 2014

Experimentalismo de Lopetegui = VERGONHA

FC Porto x Sporting, Lopetegui (fonte: LUSA)

Por mais talento que exista (e no plantel que está à disposição de Julen Lopetegui há talento de sobra), não há boas equipas que sejam desorganizadas, cujos jogadores não saibam ocupar os espaços (com e sem bola) e que defendam mal.

Tendo ficado sem Otamendi (em Janeiro) e sem Mangala, uma das prioridades do novo treinador do FC Porto (fosse ele quem fosse) era formar e estabilizar uma nova dupla de defesas-centrais.
E Lopetegui parecia ter percebido isso, ao apostar (quase sempre) e procurar rotinar a dupla Maicon + Martins Indi.

Mais. Para além de mecanizar uma nova dupla de centrais é (seria) também crucial o entendimento dos defesas-centrais com o guarda-redes titular escolhido por Lopetegui (Fabiano) e a ligação com o médio defensivo que joga à sua frente (outro aspecto que teria de ser bem trabalhado, se atendermos a que o anterior titularíssimo - Fernando - saiu para o Manchester City).

Ora, se começarmos a análise do FC Porto x Sporting de hoje por estes aspectos - o entendimento entre Maicon e Iván Marcano, entre esta dupla e o guarda-redes Andrés Fernández e a articulação com o médio-defensivo Casemiro -, o que se viu hoje?
O caos!
Quantas vezes Maicon e Marcano, ou um deles e Casemiro se "atropelaram" uns aos outros?
A coisa foi de tal modo caricata que, na 1ª parte, houve uma jogada em que Maicon, Marcano e Casemiro saltaram os três à mesma bola!

A rotatividade imposta por Lopetegui é algo que até pode fazer sentido, quando existe um modelo de jogo consolidado e todos os jogadores estão perfeitamente identificados com esse modelo e com aquilo que o treinador pretenda que façam, sempre que são chamados a dar o seu contributo à equipa.
Mas, como é que isso seria possível nesta altura da época, tendo o FC Porto um treinador novo (o 4º treinador num espaço de 14 meses - entre Maio de 2013 e Julho de 2014), a trabalhar com um plantel muito jovem e que tem 15 (quinze!) jogadores acabados de chegar?

FC Porto x Sporting, onze inicial

E o caos provocado por Lopetegui já não se deve, apenas, às sucessivas mudanças de jogadores no onze base (algo que ainda não existe). É, também, devido às mudanças de modelo de um jogo para o outro e, inclusive, dentro do próprio jogo.
Foi isso que se voltou a ver hoje, da primeira para a segunda parte.

Na 1ª parte, apesar do caos instalado, principalmente na (des)organização defensiva, o meio-campo portista, com quatro elementos (Casemiro, Herrera, Óliver e Quintero) foi equilibrando as coisas.
Ao intervalo, a perder (1-2), Lopetegui voltou a trocar dois jogadores, para tentar corrigir/melhorar o seu plano de jogo inicial. Mas, se a troca do desinspirado Casemiro (regressou de 3-4 semanas de paragem) por Rúben Neves era inevitável, a substituição de Óliver por Tello (o extremo emprestado pelo FC Barcelona não trouxe nada de positivo), fez o FC Porto perder o meio-campo e fez a equipa, (des)orientada por Lopetegui, recuar para o que de mau já se tinha visto nos primeiros 45 minutos do jogo de Alvalade.

Pensava que Lopetegui tinha apreendido alguma coisa, depois do banho táctico que Marco Silva lhe tinha dado em Alvalade. Mas, afinal, parece não ter apreendido rigorosamente nada e hoje levou uma 2ª lição.
Espero que depois desta exibição miserável, desta humilhação, imposta pelo clube presidido por Bruno de Carvalho em pleno Estádio do Dragão (até deu para terminarem o jogo debaixo de olés), alguém, da estrutura do FC Porto, fale com o senhor Lopetegui e lhe explique o que é o FUTEBOL CLUBE DO PORTO.

Da minha parte e, por aquilo que ouvi no estádio, da parte de muitos portistas, terminou hoje o "estado de graça" do senhor Lopetegui.

Razão tem Ricardo Quaresma: com este plantel, o FC Porto tem obrigação de jogar muito mais.
É isso que os portistas esperam da equipa comandada pelo senhor Lopetegui e já a partir da próxima terça-feira, frente aos bascos do Athletic Bilbao.


P.S. Acabo de ler as declarações que o senhor Lopetegui fez no final do jogo:

"Oferecemos dois golos e falhámos um penálti. Foi isso que aconteceu"
"Confiamos nos jogadores, eles são responsáveis e sabem que têm de melhorar. Se queremos competir ao mais alto nível não pode ter erros destes."

Afinal, a coisa é pior do que aquilo que eu pensava. Para o senhor Lopetegui, a culpa é dos jogadores...


P.S.2 «A última vez que o Sporting, de resto, marcou três golos ao FC Porto fora de casa data de 1975, mais precisamente do dia 17 de outubro, quando a formação leonina venceu por 3-2 em jogo da sétima jornada.
Desde Fevereiro de 1965, de resto, que o Sporting não vencia o FC Porto, no Porto, por mais de um golo de vantagem
in Maisfutebol

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O fim dos milhões da PT

O JOGO, 17-10-2014
Ontem, numa entrevista ao Porto Canal (anunciada para as 21:00, mas que começou mais cedo…), Fernando Gomes, vice-presidente do Futebol Clube do Porto e administrador da FC Porto SAD, confirmou algumas más notícias que se anteviam e deixou sérios avisos à navegação, tendo em vista o equilíbrio das contas da SAD e a sua sustentabilidade futura:

Não nos vamos iludir. Quando grandes empresas, como a PT ou o BES, decidem deixar de patrocinar o futebol, com certeza que isso faz mossa

Sabemos o que vai acontecer com a PT e estamos em campo a tentar encontrar alternativas para a próxima época. Mas a perda é séria e pesada

É evidente que os recursos que estão afectos ao futebol, vão sendo cada vez mais curtos para fazer face às exigências. Tem de haver sensatez e prudência nesse equilíbrio. Senão, um dia, pode não haver recuperação fácil


O atual contrato entre a Futebol Clube do Porto, Futebol SAD e a Portugal Telecom SGPS (PT), no valor (mínimo) de 14,6 milhões de euros por 4 épocas (cerca de 3,7 milhões de euros por época), termina no final desta época (2014/2015) e, soube-se ontem, não vai ser renovado.

Primeiro foi o Banco Espírito Santo (BES) que, a partir de Junho de 2009, saiu das camisolas dos três grandes, optando por concentrar os seus patrocínios ao futebol no Cristiano Ronaldo e na Seleção.

Equipamento principal e alternativo do FC Porto na época 2008/2009

Agora é a vez da PT que, tudo indica, irá fazer o mesmo a partir de Junho de 2015.
E, no caso da PT, não devemos estar “só” a falar das camisolas.

Equipamento principal e alternativo do FC Porto na época 2013/2014

Também o patrocínio a bancadas/sectores dos estádios (Bancada “TMN”, Bancada “MEO”, etc.), bem como, as parcerias corporate, que envolvem a compra anual de camarotes, deverão terminar.

É um rombo (mais um) significativo nas contas das SAD’s, que irá exigir a procura de alternativas.

No caso do SL Benfica, tudo indica que já tem alternativa. A parceria que o SLB firmou com a Emirates, em Julho passado, visando o futebol de formação, deverá ser alargada a outros domínios, incluindo as camisolas da equipa principal e, possivelmente, também ao naming do estádio da Luz.

E no caso do FC Porto?

Infelizmente, a Emirates não voa de e para o aeroporto Francisco Sá Carneiro e, por isso, não poderá ser uma alternativa à PT.
Mas, olhando para o panorama altamente depressivo (para não dizer pior) da economia portuguesa, parece-me evidente que as alternativas terão de ser procuradas no estrangeiro.

Sponsors de clubes europeus (fonte: Record, Outubro de 2012)

Depois do ‘Museu do FC Porto by BMG’, será que os dirigentes do FC Porto (que, segundo Fernando Gomes, já estão em campo a tentar encontrar alternativas), irão ser capazes de “tirar outro coelho da cartola”?


Nota final: Penso que está mais do que na altura dos portistas (adeptos e dirigentes) encararem, seriamente, a possibilidade do naming do Estádio do Dragão. Eu sou a favor.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

FC Porto @ Redes Sociais

O JOGO, 04-10-2014
«A passagem de capital do Estádio do Dragão para a estrutura acionista teve o mérito de ressuscitar discussões sobre a relação entre clubes e associados. O burburinho virtual foi ensurdecedor, mas não teve expressão concreta, porque a febre do mundo binário contrasta com a mortificação das outrora apaixonantes assembleias gerais, hoje decrépitas e representativas do desinteresse que os sócios têm por tudo o que não envolva uma bola a rolar. Aliás, quantos saberão, sequer, que o FC Porto e a SAD do FC Porto não são uma e a mesma coisa?
É essa ausência de escrutínio e de participação que enaltece a dimensão do golpe de asa da Direção de Pinto da Costa que, perante a necessidade de transferência de parte da joia da coroa que é o Dragão para a estrutura da SAD, cuidou de sublinhar que esta, passando a ser também dos accionistas é, acima de tudo, do clube e dos sócios.
Um gesto porventura discreto, mas que espelha uma rara visão para além da vitória no próximo jogo.»
André Viana, O JOGO, 04-10-2014


Este texto de André Viana, que mais parece ter sido escrito com o jornalista de O JOGO sentado num lugar anual do Estádio do Dragão e de cachecol ao pescoço (e andamos nós a criticar a subserviência dos Delgados e Guerras deste Mundo em relação a Luís Filipe Vieira…), é susceptível de várias leituras.
Por exemplo, eu podia discorrer sobre o “golpe de asa” ou a “rara visão”, mas prefiro pegar na associação que é feita entre o “burburinho virtual ensurdecedor” e “febre do mundo binário” com a “ausência de escrutínio e de participação”.

Eu não sei se o jornalista André Viana, como sócio do Futebol Clube do Porto ou noutras funções, participou em alguma das “outrora apaixonantes assembleias gerais”, mas senhor jornalista, deixe que lhe diga uma coisa: nos últimos 30 anos, o Mundo mudou e muito!
Estamos no século XXI e, em 2014, desvalorizar o papel que a Internet e as redes sociais têm na intervenção e debate público, sobre as mais variadas matérias (futebol, política, educação, cidadania, etc.), é de alguém que pode ser jovem (e uma excelente pessoa), mas que, lamentavelmente, parou no tempo.

FC Porto - Redes Sociais
Se é verdade que, no passado, os sócios praticamente só podiam intervir na vida dos clubes marcando presença nas assembleias gerais, hoje em dia também o podem fazer recorrendo a outros meios.
Aliás, os próprios responsáveis do Futebol Clube do Porto têm plena consciência disso e, cada vez mais, o clube interage com os seus sócios e adeptos (espalhados pelo Mundo) recorrendo a diversos novos canais: E-mail, Website oficial, YouTube, Facebook oficial, Twitter @FCPorto, Instagram @FCPorto.

Neste contexto, alguns (poucos) fóruns e blogues portistas, entre os quais o 'Reflexão Portista', mostraram interesse e abordaram, sob diferentes pontos de vista, os assuntos que faziam parte das ordens de trabalho das últimas assembleias gerais do Clube e da SAD. E fizeram-no, estou certo, porque entenderam que o assunto era relevante e porque tinham opinião ou dúvidas que gostariam de ver esclarecidas.
Mas, pelos vistos, isso parece ter incomodado o jornalista André Viana, que classifica este tipo de intervenção / discussão / debate / participação de “burburinho virtual ensurdecedor”.
Tenho pena que o faça.

E tenho ainda mais pena que, antes destas duas assembleias gerais, a comunicação social e, particularmente jornais como O JOGO ou o JN, não tenham pegado no assunto como ele merecia e feito, sobre o mesmo, uma abordagem jornalística, o mais completa possível, tendo em vista contribuírem para um cabal esclarecimento de tudo o que estava (está) em causa.
Se o tivessem feito, talvez houvesse menos sócios e adeptos portistas a confundirem o Futebol Clube do Porto com a SAD do FC Porto…


P.S. O Porto Canal anunciou que, logo à noite, a partir das 21h00, irá transmitir uma entrevista com o vice-presidente Fernando Gomes, onde alguns dos assuntos discutidos nas últimas assembleias gerais do Clube e da SAD irão ser abordados.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Um plantel antivírus FIFA

Mal terminou o FC Porto x SC Braga, 11 jogadores (incluindo vários dos mais utilizados por Lopetegui) – Danilo, Martins Indi, Rúben Neves, Ricardo Pereira, Herrera, Óliver, Brahimi, Quintero, Quaresma, Aboubakar e Jackson – abalaram para as respectivas seleções (em alguns casos, para quase dar a volta ao Mundo).

Nos últimos dias, estes internacionais portistas têm vindo a regressar (a conta gotas) mas, a menos de três dias do FC Porto x Sporting, Lopetegui ainda não pôde contar com Danilo e Quaresma (são esperados no treino de quinta-feira), enquanto Aboubakar, Brahimi, Jackson e Quintero só estarão disponíveis na véspera da recepção ao clube presidido por Bruno de Carvalho.

Ponderando estes aspectos, bem como, o facto deste jogo entre dragões e leões ser para uma “competição menor” (Taça de Portugal) e, três dias depois, haver um jogo (FC Porto x Athletic Bilbao) para uma “competição maior” (Liga dos Campeões), é bem provável que Lopetegui recorra à sua estratégia de rotatividade.

Falta saber é se para este clássico que, obviamente, ninguém quer perder, a rotatividade será ligeira ou acentuada.

Uma opção “radical”, seria Lopetegui apresentar uma equipa que privilegiasse os jogadores que ficaram cá, ou que regressaram mais cedo dos compromissos das seleções, deixando de fora “estrelas” como Danilo, Brahimi ou Jackson Martinez.

Num cenário destes, mantendo o habitual 4-3-3, o onze inicial do FC Porto poderia ser algo do género:

Fabiano
Daniel Opare, Maicon, Iván Marcano, Alex Sandro
Casemiro, Herrera, Evandro (ou Óliver)
Ricardo Pereira, Adrián López, Tello

Muitos destes jogadores são segundas escolhas?
Concerteza, mas não me parece que o Sporting consiga apresentar um onze, cujo “valor facial” seja melhor do que este.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Uma Selecção do Carvalho

Após a equipazinha de Paulo Bento ter feito uma exibição miserável e sido derrotada, em casa, pela Albânia, logo no jogo seguinte, a Seleção de Fernando Santos foi à Dinamarca (teoricamente, o adversário mais forte deste grupo) e regressou a Portugal com uma vitória e “6” pontos (3 pontos para Portugal e 0 pontos para a Dinamarca) na bagagem.

Olhando para o onze inicial do jogo em Copenhaga, estavam lá três jogadores que não contavam, ou tinham sido proscritos por Paulo Bento: Tiago, Danny e Ricardo Carvalho.

Onze inicial da Selecção portuguesa em Copenhaga

E que jogo fez este “jovem” Ricardo de 36 anos, uma exibição do Carvalho!

Mas o melhor de tudo, a cereja em cima do bolo, foi aquele cruzamento teleguiado, ao minuto 90’+5, de outro Ricardo, outro dos mal-amados de Paulo Bento (e não só): Ricardo “mau balneário” Quaresma.

Eu imagino a azia que esta vitória do “engenheiro do penta”, com o forte contributo de alguns “proscritos de Paulo Bento”, causou nos geninhos deste país.

Ah, e ainda por cima a Seleção Nacional jogou de azul e branco!

Champions, o teste do algodão



«O clube da Luz apresenta o segundo pior registo da presente edição da Champions. Neste momento há três equipas com zero pontos, o Ludogorets, o Benfica e o CSKA Moscovo. O saldo de golos desempata a situação: búlgaros (2-4, após enfrentarem Liverpool e Real Madrid); águias (1-5, Zenit e Leverkusen); e russos (1-6, Roma e Bayern).»
in record.pt, 03-10-2014


No final da época 2001/2002, o Sporting de Lisboa festejou, pela última vez, um título de campeão nacional.
Na época seguinte, o FC Porto de Mourinho disputou e venceu a Taça UEFA (era uma equipa “fraquinha” que, segundo a propaganda lisboeta, ganhou tudo a nível interno à custa da “fruta”…), enquanto que o SL Benfica nem sequer disputou as provas europeias.

Na altura era difícil de prever, mas a época 2002/2003 foi a última em que, simultaneamente, quer o FC Porto, quer o SL Benfica não disputaram qualquer jogo da Champions.
Daí para cá, de 2003/2004 a 2014/2015, quer o FC Porto, quer o SL Benfica têm sido “clientes habituais” da Champions. De facto, neste período, dragões por 11 vezes e águias 10 vezes tiveram, pelo menos, oportunidade de disputar jogos das pré-eliminatórias da mais importante competição de clubes do Mundo (se depois se apuraram, ou não, para a Fase de Grupos da LC, já é outra conversa).

Os quadros seguintes, resumem o que foi a participação na Champions dos dois principais clubes portugueses, ao longo das últimas 12 épocas (incluindo a época em curso).

Desempenho do FC Porto na Liga dos Campeões, entre 2003 e 2014

Desempenho do SL Benfica na Liga dos Campeões, entre 2003 e 2014

Os números não mentem e, comparando o desempenho do FC Porto com o do SL Benfica, verifica-se que a superioridade portista é evidente em todos os indicadores – #jogos disputados, maior % de vitórias, menor % de derrotas, melhores médias de golos por jogo.

Para além dos indicadores anteriores, um outro aspecto relevante é o número de vezes em que cada um dos clubes superou a Fase de Grupos.
Como é sabido, se na Fase de Grupos ainda se vêem clubes como o Artmedia Bratislava, Dinamo Zagreb, Austria Viena, FC Copenhaga, Hapoel Tel Aviv, FC Otelul, etc. (alguns dos clubes provenientes do pote 4 que, ao longo destes anos, calharam em sorte a FC Porto e SL Benfica), nos Oitavos-de-final a rede já é muito mais fina.

Na realidade, atingir os Oitavos-de-final da Liga dos Campeões funciona, de algum modo, como uma marca de qualidade.

Ora, enquanto o FC Porto, em dez ocasiões, atingiu os Oitavos-de-final sete vezes, no caso do SL Benfica, em nove ocasiões apenas por duas vezes superou a Fase de Grupos (veremos o que vai acontecer nesta época).

Mais. Nos últimos 14 jogos que disputou na fase de grupos da Liga dos Campeões, a “super equipa” de Jorge Jesus venceu apenas 5!

Perante o enorme investimento feito por Luís Filipe Vieira (eleito presidente a 3 de Novembro de 2003), como explicar este fracasso (não há outra palavra para caracterizar 2 sucessos em 9 ocasiões) dos encarnados de Lisboa na 1ª divisão europeia?

Bem, como na Liga dos Campeões não se pode atirar a culpa para cima dos “rostos do Sistema” ou de “apitos frutados”, teremos de procurar outras razões para este insucesso gritante do SL Benfica, numa prova que é uma espécie de “teste do algodão”.

Será devido a sucessiva falta de sorte nos sorteios?
Será devido a um incomum azar nos jogos?
Ou será que os árbitros europeus deixaram de ir ao Elefante Branco e, nos jogos do SL Benfica, têm actuações muito diferentes dos condicionados (a partir do Apito Dourado) árbitros portugueses?

Faixas mostradas pelos Super Dragões no FC Porto x SC Braga

Talvez por tudo isto, o “mestre” da táctica, no seu intimo, prefira ficar em 3º lugar na Fase de Grupos e saltar para a Liga Europa, que é um ambiente mais propicio para equipas de tração à frente com caceteiros atrás e que, na UEFA, não beneficiam do “suplemento de alma” de alguns apitos cirúrgicos.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Andebol de nove?

Porque o FC Porto, apesar do nome, não é (nem nunca foi) apenas um clube de futebol…

ABC x FC Porto, expulsão de Alexis Hernandez
«A vitória azul e branca não foi fácil e foi preciso recuperar de entradas em falso na primeira e na segunda parte para conquistar os três pontos. Para além disso, o FC Porto teve que ultrapassar os obstáculos impostos pela dupla de arbitragem composta por Tiago Monteiro e António Trinca, que pareceu mais preocupada em equilibrar um encontro que pendia para os azuis e brancos do que em ajuizar bem os lances. As expulsões de Alexis Hernandez (na primeira parte) e Edgar Landim (na segunda) foram pouco menos do que incompreensíveis. (…)
Com Laurentino inspirado, uma defesa muito atenta e que impedia o ABC de contra-atacar e um ataque que encontrava quase sempre boas soluções de finalização, o FC Porto parecia ter o triunfo no bolso quando conseguiu quatro golos de vantagem em meados da segunda parte.
Porém, aos 49 minutos, quando o FC Porto vencia por 23-19, a dupla de arbitragem, num incomum excesso de zelo, mostrou o cartão vermelho a Edgar Landim, deixando os Dragões reduzidos a cinco homens (Hugo Santos já havia sido excluído). Foram momentos difíceis para os portistas e o ABC chegou a ter posse de bola para empatar o encontro, aos 23-24, quando Ljubomir Obradovic foi sancionado com dois minutos.»
in www.fcporto.pt


O JOGO, 12-10-2014
«(…) O hexacampeão foi-se organizando, mesmo quando, a meio da primeira parte, ficou sem Alexis Borges (vermelho direto) …
Na segunda parte, mesmo vendo-se por seis vezes em inferioridade numérica, o FC Porto nunca perdeu a liderança. (…)
Aos 49’, Landim foi desqualificado e Laurentino segurou o FC Porto nos últimos dez minutos, em que a equipa chegou a atuar com quatro jogadores de campo (até Obradovic foi excluído).
Aos 58’, o jogo foi interrompido: um dos árbitros queixou-se de ser atingido por água e pediu intervenção policial na bancada.»
in O JOGO, 12-10-2014



O FC Porto venceu (26-23), mas a arbitragem dos senhores Tiago Monteiro e António Trinca de Lisboa, não pode ser branqueada, nem passar impune.

Não há que ter medo das palavras. Aquilo a que se assistiu no sábado, no pavilhão Flávio Sá Leite, (felizmente, o Porto Canal transmitiu o jogo em direto e todo o país pôde ver), foi a uma arbitragem vergonhosa da dupla lisboeta, que até parecia trazer alguma “encomenda” nesta sua deslocação a Braga.

Quem tiver dúvidas, e tiver possibilidades para tal, sugiro que (re)veja o jogo no Porto Canal (transmissão no Sábado, entre as 17:00 e as 19:00).

Para além dos dois cartões vermelhos diretos (algo que eu nunca tinha visto num jogo de andebol), das N situações de exclusões/inferioridade numérica de jogadores do FC Porto e dos “critérios” adoptados para marcação de livres de sete metros, há um lance de recuperação de bola e contra-ataque por parte do ABC, durante a marcação de um livre a favor do FC Porto, que é absolutamente surreal.

ABC x FC Porto, Ljubomir Obradovic
Mesmo tendo ganho o jogo, os responsáveis do Andebol do FC Porto não podem ficar calados e muito menos de braços cruzados, sob pena de arbitragens destas continuarem a acontecer, naquilo que mais parece uma tentativa desesperada e sem olhar a meios, do Sistema evitar o heptacampeonato dos dragões.

O treinador e os jogadores fizeram a parte deles mas, ao Clube, exige-se uma exposição dura do que se passou, suportada no vídeo do jogo, dirigida à Federação de Andebol de Portugal e à Associação de Andebol do Porto.
E, se a nível nacional nada for feito, penso que o FC Porto deveria ponderar recorrer à EHF (European Handball Federation).
Porque, desta vez, foi demais.


P.S. Da equipa que, na época passada, se sagrou hexacampeã nacional de andebol, saíram vários jogadores, com particular destaque para Tiago Rocha (para o Wisla Plock), Wilson Davyes (para o Nantes) e Pedro Spínola (para o Sporting).
Para este jogo em Braga, também estiveram ausentes João Ferraz (lesionado) e Mick Schubert.
Ljubomir Obradovic está a reconstruir uma equipa mas, se os jogos forem de Andebol de Sete e decididos pelos jogadores, tudo indica (para já, seis vitórias em seis jogos do campeonato) que o treinador sérvio poderá voltar a ter sucesso.

domingo, 12 de outubro de 2014

O melhor “golo” de Ronaldo

Paris, 12 de Outubro de 2014, Conferência de Imprensa da Seleção Nacional


[Jornalista da CMTV]: Boa tarde Ronaldo, em direto para a CMTV, queria-lhe perguntar…

[Cristiano Ronaldo]: Para onde?

[Jornalista da CMTV]: CMTV.

[Cristiano Ronaldo]: Que é isso, CMTV?

[Assessor de imprensa da FPF]: É a televisão do Correio da Manhã.

[Cristiano Ronaldo]: Ah, então esqueça, que eu não vou responder.

[Jornalista da CMTV]: Sobre o jogo com a Dinamarca…

[Cristiano Ronaldo]: Não vale a pena.

[Assessor de imprensa da FPF]: Então passamos à próxima pergunta…

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Em 2011, Cristiano Ronaldo processou o Correio da Manhã.
Três anos depois, em Julho deste ano, um tribunal criminal de Lisboa deu razão ao melhor jogador do Mundo e condenou um grupo de jornalistas do Correio da Manhã por devassa da vida privada agravada.

Hoje, em Paris, numa sala cheia de jornalistas portugueses (e não só), o capitão da Seleção Nacional de Futebol (com a saída de Paulo Bento e a entrada de Fernando Santos, a Seleção voltou a ser nacional), mostrou a sua fibra e humilhou, em direto, a televisão da Cofina (Grupo empresarial proprietário do Correio da Manhã, Record, Jornal de Negócios, etc.).

Com o guarda Abel “reformado”, espero que esta atitude de Ronaldo sirva de exemplo ao Universo portista e, particularmente, a treinadores e jogadores do FC Porto, quando estiverem em conferências de imprensa.

Parabéns, Ronaldo!
Hoje marcaste o melhor “golo” da tua carreira.


Zeinal Bava (PT), Paulo Fernandes (Cofina) e Octávio Ribeiro (CMTV) (fonte: Meios e Publicidade)

P.S. Em vez de andarem a “chafurdar” na vida privada das pessoas, tinha muito mais interesse jornalístico, o Correio da Manhã dizer aos portugueses, quantos milhões de euros é que a PT/MEO, outrora a maior empresa de Portugal, já “enterrou” na CMTV.

P.S.2 Um dos assalariados do Grupo Cofina, o pseudo jornalista Eugénio Queirós, já reagiu no seu blogue:
«Ao negar-se a responder a uma pergunta da CMTV, Cristiano Ronaldo conseguiu a proeza de unir o país dos moralistas e ressabiados, entre os quais muitos jornalistas que abominam a “cultura CM” mas que não teriam lugar na redação do mesmo nem na condição de paquetes de 2.ª categoria.»
É assim que eu gosto de os ver, a espumar de raiva.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

"Aqui jaz Bruno de Carvalho, abatido pelo ridículo"


Há sensivelmente um ano(!) escrevi:

Ia escrever qualquer coisa acerca do Bruno de Carvalho, e o seu estilo desbocado, as tiradas irónicas à la Pinto da Costa - eles odeiam o homem, mas não conseguem deixar de o imitar - o confronto aberto com o FCP e os seus dirigentes, e alegria com que se vem gabando que será mal recebido no Dragão. Mas não vou fazer nada disso. O presidente do SCP, clube que "não é dado a frutas" mas que aposta mais nos cheques, é irritante - ele deve inspirar-se no provérbio africano que diz "se pensas que és demasiado pequeno para fazer a diferença, tenta dormir num quarto fechado com um mosquito" - mas é em igual medida irrelevante (e esquece-se que um mosquito, por muito incómodo que seja, acaba invariavelmente "esborrachado"). Assim, e já que não é possível pedir a todos os Portistas que no próximo domingo, não recebam mal o sr. Bruno Carvalho, mas que lhe mostrem o mais perfeito desinteresse, faço aqui o desafio para que lhe ofereçam um ramo de flores, com um cartãozinho a dizer "seja muito bem vindo ao Estádio do Dragão!". Apresentem registos fotográficos da entrega do dito ramo, e da cara do indivíduo, e eu pago a despesa (até €20, vamos lá com calma!) - está prometido.

Considere-se o desafio de há um ano renovado.

O sr. Bruno de Carvalho tem direito a não gostar do presidente Pinto da Costa, até a não gostar do homem Pinto da Costa ou mesmo do FCP; o que ele não tem direito é de insultar toda a gente. Como descer ao nível dele é contraproducente - a experiência do homem nesse estado é por demais evidente - sejamos civilizados e "mortificantemente" simpáticos lançando-lhe flores, confetis e - porque não? - até beijos. Tudo, menos aquilo que ele quer.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O banco bom e o banco mau

João Gonçalves deixou um novo comentário na sua mensagem "Impressões sobre Julen Lopetegui, parte II":

«(…) A rotatividade é fantástica para o espírito de grupo e para a competitividade interna... com Lopetegui, todos os jogadores sabem que amanhã podem jogar... com VP todos os jogadores sabiam quem ia jogar amanhã... uma pequena diferença mas que demonstra claramente a razão de quando não jogavam o núcleo de 12/13 jogadores a equipa simplesmente não rendia. (…)»


Sinceramente, não me apetece voltar ao tema “Vítor Pereira” e muito menos à discussão acerca dos méritos e deméritos que Vítor Pereira evidenciou durante os três anos em que fez parte da equipa técnica do FC Porto, dois deles como treinador principal.

Contudo, há algo que é por demais evidente e que não pode ser ignorado. O “banco de suplentes” que Lopetegui tem à sua disposição (um “banco bom”), não tem nada a ver com o que existia na época passada, ou há duas épocas atrás (um “banco mau”).

Por exemplo, no recente Sporting x FC Porto, Lopetegui não pôde contar com Maicon (estava castigado) e, mesmo assim, veja-se qual foi o onze inicial e as alternativas que tinha no banco à sua disposição…

Onze inicial e suplentes do FC Porto, no Sporting x FC Porto da época 2014/2015 (fonte: zerozero.pt)

… e compare-se com o banco de suplentes portista, no Sporting x FC Porto de há duas épocas atrás:

Onze inicial e suplentes do FC Porto, no Sporting x FC Porto da época 2012/2013 (fonte: zerozero.pt)

Melhor ainda, compare-se com as opções que Vítor Pereira tinha no banco, no Benfica x FC Porto da época 2012/2013:

Onze inicial e suplentes do FC Porto, no Benfica x FC Porto da época 2012/2013 (fonte: zerozero.pt)

Ou seja, Lopetegui recorre à rotatividade, porque quer e pode.
Com o plantel que tinha à sua disposição, como é que Vítor Pereira poderia, mesmo que quisesse, promover uma rotatividade alargada?

Impressões sobre Julen Lopetegui, parte II


Gosto deste treinador e acho que tem feito um bom trabalho.

Tem gerido bem o grupo e a rotatividade parece-me natural, face à carga a que os jogadores foram e vão ser submetidos: campeonato, champions, taças e selecções. Tello, Óliver, Alex Sandro e Casemiro já estiveram de baixa e a presente época vai ser dura, se nos mantivermos nas principais provas.

Salvo o resultado do jogo com o Boavista, temos ultrapassado as dificuldades de forma positiva, dadas as circunstâncias, nas quais se incluem muitos factores: a qualidade dos adversários, a inspiração, a sorte, a arbitragem e os famosos detalhes que são imprevisíveis e que os treinadores ainda não comandam, felizmente.

Espero que o Lopetegui se mantenha pelo período de vigência do seu contrato.

O que mais temo, neste momento, não é a exigência dos adeptos porque isso é natural: o que me chateia é intransigência que noto nas bancadas. Há uma má vontade contra Lopetegui que extravasa o bom senso e que radica, na minha perspectiva, numa ilusão que se vem construindo que ao treinador basta puxar os cordelinhos e que os jogadores, feitos marionetes, vão cumprir de forma eficiente.

O treinador competente, segundo as regras,  comanda pela via de um esquema ideal que optimiza os recursos da equipa e neutraliza a capacidade do adversário. É tudo muito fácil: enquadrar os jogadores, estudar o adversário, definir as linhas e os processos em que o jogo interior se casa com a exploração dos corredores e quais os artistas que vão habitar o espaço entre linhas que funcionará como uma espécie de cavalo de Troia pronto a dinamitar as fortalezas defensivas edificadas pelo adversário. E definir as zonas de pressão,  como se realizam  as transições e se garantem os equilíbrios e a ocupação dos espaços.

Terça-feira, num programa desportivo em que participa VP como comentador, foram feitas algumas críticas ao treinador Lopetegui usando a mesma argumentação de pendor geométrico que o ex-técnico do FCP denunciou na condição de treinador, de forma muito convicta e justa.

Percebe-se este posicionamento: os treinadores comentadores têm de manter a ilusão da sua condição de cientistas magos para resolver o pontapé na bola em cheio no alvo e ficam reféns de uma retórica que visa apenas explicar melhor as incidências do jogo. O que era suposto ajudar  a uma melhor interpretação de factos ocorridos desportivamente, transformou-se em doutrina  que se  cristalizou como regra maior. Um espécie de pensamento único.

Quando os homens no terreno se deixam engolir no léxico dominante do pontapé que os comentadores usam ao desbarato, estão a desvalorizar a sua função e torna-la matéria fácil e acessível a qualquer bom observador, quando a sua função principal é bem menos escrutinada e habitada: a do treino, da gestão do grupo e das expectativas. E não são capazes, lamentavelmente, de expressar algo diferente e com as mais valias da experiência  com o cheiro e a experiência do balneário.

Concluindo: dei por mim a confiar no treinador Julen Lopetegui e a considerar que o devo apoiar. Tem um discurso diferente, é teimoso, bom profissional, luta pelas suas ideias, não se encolhe, é desafiante e pouco humilde. Diferente do habitual que se revê nessa condição primeira “de respeito pela nossa identidade”, seja lá o que isso for e em banais frases feitas do "jogo a jogo" ao do "levantar a cabeça", que agrada a toda gente, porque nada dizem e é politicamente correcta. E ajuda a ter boa imprensa o que é muito útil.

Boa sorte, Julen.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

“Guerrilha” entre a SAD e o Clube azul

Como é sabido, a partir do aumento de capital feito no segundo semestre de 2001, o Futebol CLUBE do Porto deixou de ter (somando as participações direta e indiretas) a maioria no capital social e direitos de voto da FC Porto SAD.

Eu sempre fui contra esta situação. Como adepto e sócio do Futebol Clube do Porto, a minha posição é que o Clube deve ser sempre maioritário no capital social e direitos de voto da SAD. Assim sendo, naturalmente, fiquei satisfeito por, após 13 anos, a Direção do Clube ter mudado de opinião (terá alguma coisa a ver com a substituição de Angelino Ferreira por Fernando Gomes?) e definido como estratégico o Futebol Clube do Porto ter uma maioria confortável na FC Porto SAD.

Para ilustrar o que pode acontecer, quando um clube está muito enfraquecido e é “obrigado” a deixar de mandar na “sua” SAD, veja-se o exemplo do histórico clube dos azuis de Belém.

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«Na assembleia-geral extraordinária, realizada domingo, 4 de Novembro, a proposta de alienar a um grupo de investidores, liderado por Rui Pedro Soares, a maioria do capital da SAD foi aprovada com 197 votos a favor, 20 contra e 27 abstenções (…).
Com essa votação os associados do clube do Restelo deram carta branca ao presidente António Soares para finalizar as negociações para a cedência da maioria do capital da sociedade gestora do futebol profissional à Codecity Players Investment, fundo de investimento liderado por Rui Pedro Soares. (…)
Rui Pedro Soares, citado pela Lusa, mostrou-se “feliz” com o desfecho da reunião, ainda que compreenda alguma tristeza dos sócios belenenses, pelo facto de aprovarem a perda da maioria de capital da SAD. “O Belenenses é um dos primeiros clubes em Portugal [depois de Estoril e Beira-Mar] que não terá a maioria do capital da sua sociedade desportiva, mas muitos outros o farão a partir de agora. Esperamos corresponder às expectativas. Compreendo a tristeza dos sócios, mas foi uma inevitabilidade e espero que lembrem este dia como o dia que marcou uma viragem”.»


«Depois de ter recebido luz-verde para comprar a SAD do Belenenses, e de ter comprado 46,93% do capital da sociedade desportiva de Belém por 0,1 cêntimos por acção, Rui Pedro Soares lançou esta quinta-feira uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) sobre o restante capital. (…)
A oferta [OPA] é geral e obrigatória, já que depois de ter comprado os 46,93% a isso ficou obrigada. Além disso, a Codecity tem um acordo com o clube Belenenses para lhe comprar parte dos 15% que hoje detém e que é a percentagem obrigatória no âmbito da lei das SAD. No entanto, com a alteração aprovada em conselho de ministros recentemente, os clubes vão passar a ser obrigados a ter um mínimo de 10%. E é essa a percentagem que o Belenenses vai ter, já que no âmbito do contrato de compra e venda feito com a Codecity se comprometeu a alienar 5% “logo que a lei que regula as sociedades anónimas desportivas permita que o clube fundador tenha uma percentagem mínima de 10% do capital social da respectiva Sociedade Anónima Desportiva e no prazo máximo de 30 dias após ter sido notificado pelo oferente para cumprir essa promessa”.
Além dos 46,93% já detidos pela Codecity e os 15% detidos pelo clube, o capital da SAD Belenenses está ainda em 32,5% no empresário Joaquim Oliveira e os restantes 6,5% estão dispersos.»


«É já na próxima segunda-feira, 23 de Junho, que se inicia a oferta pública de aquisição (OPA) da Codecity Sports Management, de Rui Pedro Soares, sobre o capital da sociedade anónima desportiva Os Belenenses. Uma operação avaliada em 380,52 euros.
A Codecity, que detém 51,93% do capital da SAD da equipa de Belém, quer adquirir os restantes 38,07% do capital e respectivos direitos de voto. Há 10% que a empresa não pode adquirir porque, segundo o regime jurídico das sociedades desportivas, têm de ficar na titularidade do clube de futebol fundador.
Assim, são 380.517 acções que Rui Pedro Soares se propõe a comprar por 0,1 cêntimos cada. (…) O preço da contrapartida foi, aliás, um aspecto que congelou a operação, anunciada em Dezembro de 2012, há ano e meio – quando a Codecity obteve mais de dois terços dos direitos de voto, o que faz com que a OPA fosse obrigatória.»


Declarações do atual presidente do Belenenses, António Soares, feitas no passado dia 16 de Setembro, por ocasião da entrega da lista que encabeça às eleições do próximo dia 18 de outubro:

… acho que a dimensão do Belenenses leva a que, idealmente, a gestão do futebol profissional esteja no clube. E vamos tentar isso”.

Temos de respeitar o que está a ser feito na SAD, o que não invalida que ache que qualquer presidente do Belenenses deve ter presente a possibilidade de recomprar a SAD e trazer novamente a gestão do futebol profissional para o clube”.

Há um esfriamento [nas relações entre clube e SAD], isso é um facto, é verdade. Mas acima de tudo, os momentos de maior tensão surgem apenas por duas questões: dinheiro, coisas nas quais nós não nos entendemos, em questões de fluxos económicos entre o clube e a SAD, e utilização das instalações, da qual o último exemplo foi a realização do Festival Panda no Restelo. Tirando esses dois momentos, essas duas questões, não há, de facto, situações em que haja uma postura hostil, ou um ódio de um lado ou do outro. O clube não participa na gestão da SAD, é um facto, e gostaria de participar. Não é esse o entendimento do acionista maioritário, temos de respeitar”.


No dia 25 de Setembro, em carta aberta dirigida aos sócios do Belenenses, Patrick Morais de Carvalho, candidato à presidência do clube do Restelo, mostrou-se apreensivo com o «clima de guerrilha institucional permanente, não só entre os Órgãos Sociais do clube mas também, e sobretudo, entre o clube e a atual administração da SAD, que lidera o futebol profissional».

No dia 4 de Outubro, o mesmo Patrick Morais de Carvalho, comentando a anunciada intenção do atual presidente do Belenenses recomprar a SAD, afirmou:

Esta direção tem feito piruetas nesse assunto. Primeiro, entregou a SAD praticamente à revelia dos sócios. Depois, incompatibilizaram-se com a SAD, agora já estão bem outra vez. Dizem que recomprar a SAD é uma das prioridades da Lista B, no entanto, isso não vai ser possível porque os próprios elementos da SAD dizem que as ações não estão à venda... Com o acordo parassocial, as duas janelas de oportunidade ficaram inviabilizadas. Está-nos impossibilitada a compra da SAD, a nós e a qualquer pessoa, porque a SAD não está à venda”.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Impressões provisórias sobre o «Lopes»

Aquando do anúncio da contratação de Lopetegui partilhei aqui as minhas reservas, devido à sua enorme inexperência a nível de clubes. 

Passados 3 meses de trabalho é tempo de fazer um primeiro balanço, ainda que muito provisório: como disse também aqui, penso que serão precisos bastantes meses para ter uma  opinião verdadeiramente formada.

Começo pelo estilo, que longe de ser o mais importante também tem o seu interesse.

Agrada-me a sua postura, nomeadamente um homem que parece ser carismático, frontal e directo (não se escudando em declarações para «encher chouriços», tão típicas em Portugal); a forma energética como segue os jogos do banco; e a forma decisiva como parece ter encarado a Direção (aquando da formação do plantel) e os jogadores (como por ex quando «castigou» Quaresma após uma atitude pouco abonatória ao ser substituído). Isso nem sempre é bom (ás vezes pode roçar a casmurrice ou precipitação, como poderá ter sido eventualmente o caso com Hélton e a história dos GRs), mas em geral parece-me positivo - e comparado com o predecessor, é mesmo uma lufada de ar fresco.

Passando ao mais importante, que é o seu trabalho como treinador.

Começando pelo trabalho na formação do plantel, parece-me que Lopetegui quis arriscar muito pouco, calculando que 1. após um 3o lugar num clube que está habituado a ganhar, não iria haver muita margem de manobra para maus resultados na sua 1a época no FCP, e 2. estava a embarcar pela primeira vez num clube de alto nível e para mais num ambiente estrangeiro com que não estava familiarizado. A sua atitude peremptória - junto com os maus resultados da época anterior - terão levado a que a Direção lhe tenha feito muitas (que não todas) das vontades.

Resultado: uma autêntica revolução no plantel, recorrendo acima de tudo ao mercado espanhol que conhecia melhor e apostando muito pouco na formação da casa (Ruben Neves sendo a notória excepcão). Algumas contratações muito bem vistas, outras que me pareceram exageradas (como a de Andrez Fernandez), e outras ainda que não percebi mas que não terão sido por insistência de Lopetegui (como Adrian Lopez). De qualquer forma parece-me que se formou um plantel de valor, e equilibrado (e se isso eventualmente trouxer problemas financeiros, a responsabilidade não é do treinador, não é ele quem gere as contas da SAD e se deve preocupar com essas coisas).

As expectativas iniciais geradas entre alguns adeptos de que se iria apostar mais na formação (sendo esse o background de Lopetegui) ficaram portanto goradas. Penso no entanto que é inevitável que se tenha que fazer isso mais no futuro, e quero acreditar que - após uma eventual 1a época vitoriosa no FCP, que se deseja - Lopetegui se sinta mais seguro para começar a trabalhar e explorar a sério essa vertente (a aposta em Ruben Neves, ainda que um bocado caída do céu, parece-me demonstrar que não tem preconceitos nesse aspecto); e o background dele deve de facto ajudar a que isso possa ser feito de forma eficaz, muito mais do que com outros treinadores.

Quanto ao trabalho táctico e na preparação dos jogos, parece-me que Lopetegui ainda está em fase de aprendizagem, os meus sentimentos são muito mistos... Pela positiva, parece-me que já demonstrou alguma inteligência (e capacidade de aprender com os seus erros) - como se denota por ex nas substituições, em geral bem feitas - e deu sinais de flexibilidade; e o tipo de futebol apoiado que quer para a equipa parece-me, em geral, ter tudo para poder ser eficaz (além de ser mais atraente para os adeptos). 

Por outro lado parece-me que ainda não percebeu que em 80% dos jogos do campeonato português não faz sentido apresentar um figurino inicial tão cauteloso como o tem feito quase sempre; dá para ver nas movimentações da equipa que tanto vários jogadores como ele próprio estão ainda na tal fase de aprendizagem; não me agrada que demore tanto tempo em encontrar uma equipa-tipo, o que é fundamental para acelerar essa tal fase de aprendizagem (haverá imensas oportunidades mais para a frente de fazer uma rotatividade adequada do plantel); e finalmente, em certas alturas ainda não demonstrou a flexibilidade necessária em função do contexto (penso em particular na insistência no futebol apoiado quando por exemplo contra um Boavista as circumstâncias eram propícias à utilização de 2 PDLs com um futebol muito mais directo na última meia hora de jogo).

Finalmente, um ponto de interrogação inicial dizia respeito à sua capacidade para lidar com jogadores experientes e com os egos num contexto de clube (onde, ao contrário das seleções, um jogador pode fazer birra para ir para outro lado). Pois bem, os sinais iniciais são positivos, mas não tenho ilusões de que este é um ponto que só será verdadeiramente testado mais para a frente, e nomeadamente à medida q as semanas e meses passam e alguns jogadores vêem as suas expectativas iniciais defraudadas. É que, seja qual fôr o treinador, é normal que nos primeiros tempos os jogadores evitem fazer ondas e mantenham esperanças que só mais tarde serão desfeitas.

Resumindo e concluindo: a nota inicial é positiva mas para já não estou nem entusiasmado nem defraudado com o trabalho de Lopetegui. A ter de lhe dar uma nota de 0 a 20, iria por um 13 ou perto disso. Mas sendo ainda relativamente cedo para concluir o que quer seja, o que é certo é que tenho muito mais confiança que os pontos a melhorar e/ou corrigir sejam trabalhados adequadamente do que tinha com o seu predecessor há um ano atrás. A ver vamos... Esperemos que tudo lhe corra bem, e seria óptimo que tivéssemos aqui treinador para uns 4 anos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Os penalties de Pedro Henriques

No tristemente célebre Vitória Guimarães x FC Porto (por ter sido um jogo recheado de casos), a opinião de Pedro Henriques (ex-árbitro da AF Lisboa), acerca do penalty assinalado contra o FC Porto, foi a seguinte:

«Grande penalidade bem assinalada. Jackson aborda o lance de forma negligente e, com o pé direito, toca e derruba André André.»


Ora, o mesmo Pedro Henriques, a propósito do lance entre Alex Sandro e Rúben Micael no jogo de ontem (FC Porto x SC Braga), diz o seguinte:

«Alex Sandro não é rasteirado, ele força a entrada e manda-se para o chão antes de qualquer contacto, simulando uma grande penalidade e sendo corretamente advertido.»

Tribunal de O JOGO, FC Porto x SC Braga

Deixa cá ver se eu percebi.
No penalty que foi assinalado contra o FC Porto em Guimarães, “Jackson abordou o lance de forma negligente” e, como tocou no adversário (ao de leve, mas tocou), zás, toma lá um penalty que assim para a próxima tens mais cuidado.
Ontem, num lance em que é notório a forma ostensiva como o bracarense Rúben Micael mete a perna e toca em Alex Sandro, para o “especialista” Pedro Henriques, já não houve negligência, mas sim uma simulação do jogador portista…

Possível penalty (não assinalado) no FC Porto x SC Braga

Isto é que é ser coerente…

Aliás, a “coerência” (ia dizer enviesamento) com que o lisboeta Pedro Henriques analisa os lances polémicos dos jogos do FC Porto, é algo que já na semana passada tinha ficado claro, a propósito de um outro possível penalty (não assinalado), por mão de Maurício, ao minuto 89 do Sporting x FC Porto.

Possível penalty (não assinalado) no Sporting x FC Porto

Tribunal de O JOGO, Sporting x FC Porto

Mas eu percebo. Quem já colaborou com o Sporting e, atualmente, trabalha para a TVI, tem de manter este tipo de “coerência”…

domingo, 5 de outubro de 2014

Um jogo “espectacular”

FC Porto x SC Braga (fonte: LUSA)

O FC Porto marcou dois golos; o SC Braga marcou um;
O FC Porto enviou uma bola à trave; o SC Braga enviou uma bola ao poste;
O FC Porto teve mais 4 ou 5 situações que poderiam ter dado golo; o SC Braga teve mais 2 ou 3 situações que poderiam ter resultado em golo;
E houve, ainda, quatro situações duvidosas de possível penalty, duas na área do SC Braga e outras tantas na área do FC Porto.

Enfim…
para quem gosta de jogos de bola cá, bola lá;
para quem gosta de jogos com muitas oportunidades para ambas as equipas;
para quem gosta de jogos de resultado incerto até ao último segundo;
então deve ter achado este jogo “espectacular”.

Eu, pelo contrário e tal como o ex-treinador Vítor Pereira, prefiro ganhar por 1-0 do que por 5-4, prefiro jogos “monótonos”, em que o FC Porto marca “apenas” um golo, mas em que a equipa adversária nem “cheira”, isto é, quase não chega à área portista e termina o jogo sem uma única oportunidade flagrante.

Não gosto de ver uma equipa do FC Porto partida em campo; gosto, sim, de ver uma equipa do FC Porto equilibrada em todas as situações do jogo.

É preocupante ver a equipa azul-e-branca, qual “passador”, sofrer contra-ataques perigosos, a partir de situações em que grande parte dos jogadores estão junto à área adversária (tal como, aliás, já se tinha visto na Ucrânia, após a marcação de dois cantos a favor do FC Porto…)

Mais. Acho muito preocupante que a equipa do FC Porto tenha sofrido 4 golos nos últimos três jogos, todos eles OFERECIDOS, por diferentes jogadores portistas (Rúben Neves, Óliver, Maicon e Brahimi), em situações de perda de bola no 1º terço do campo!

O FC Porto ganhou, manteve a distância para o 1º lugar, mas eu saí do Estádio do Dragão preocupado.
Já vi, em jogos anteriores, este FC Porto de Lopetegui bastante mais organizado e mais coeso.


P.S. No final do jogo, Lopetegui afirmou: “Ao lado do Quintero jogamos com um rapaz de 17 anos [Ruben Neves] e outro da geração de 94 [Oliver Torres]. A equipa é jovem”.
Bem, se uma das explicações para a tremideira/desacerto que se viu é o excesso de juventude, particularmente no meio-campo portista, por que razão José Campaña (21 anos) jogou pela B e Rúben Neves (17 anos) jogou pela A?
Por que razão o médio mais experiente - Evandro (28 anos) -, que sempre que é chamado tem dado boa conta do recado, só entrou a 14 minutos do fim?