quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A dor e a alegria após uma “revolução”

Começo por aquilo que é o mais importante: espero que a lesão do Rúben Neves (entorse no joelho direito com suspeita de lesão no ligamento lateral interno) não seja grave. Conforme o José Rodrigues disse aqui, o jovem médio de 17 anos estava a fazer um belo jogo e não merecia tamanho infortúnio, o qual, ainda por cima, chegou numa altura em que, fruto do seu bom momento, Rúben Neves estaria às portas da titularidade (em discussão directa com Casemiro).


A lesão de Rúben Neves

Antes deste FC Porto x Shakhtar Donetsk, escrevi que Lopetegui poderia aproveitar este jogo para “testar (contra um adversário difícil) soluções alternativas nos diferentes sectores da equipa – defesa, meio-campo e ataque –, mas sem fazer uma "revolução" e dentro do sistema habitual (4-3-3), para não descaracterizar a equipa”.

Pois bem, Lopetegui decidiu fazer mesmo uma revolução e do onze que, previsivelmente, no próximo domingo deverá alinhar de início contra o SL Benfica, só Maicon e Alex Sandro foram titulares.

Ora, perante tamanha revolução na equipa, não se poderia esperar uma grande exibição colectiva que, de facto, esteve longe de ser brilhante.

Mas houve quem aproveitasse este jogo para brilhar: Evandro, Aboubakar e, principalmente, Ricardo.

Ricardo Pereira

Não é fácil enfrentar um jogo quando se tem menos ritmo, frente a um adversário jogou com os principais jogadores. Acho por exemplo que o Ricardo Pereira fez um jogo muito interessante, numa posição que não é a dele e na qual acho que pode evoluir. Tinha pela frente um adversário muito difícil como Bernard. Evandro também esteve bem, assim como Aboubakar.”
declarações de Julen Lopetegui no final do jogo

Em contraponto, Quintero, Quaresma e Adrián López desperdiçaram mais esta oportunidade que lhes foi dada por Lopetegui e, por aquilo que (não) fizeram, ficaram mais longe de discutir um lugar no onze titular do FC Porto.

Num jogo que parecia ir ficar marcado pela dor de Rúben Neves e depois de Indi ter enviado uma bola à trave, o FC Porto marcou mesmo, através de um extraordinário remate de Aboubakar.

Aboubakar

Mais do que os 500 mil euros pelo empate (1-1), o golaço de Aboubakar garantiu que, após 8 jogos (dois no Play-off e seis na Fase de Grupos) na Liga dos Campeões 2014/2015, o FC Porto continua sem perder (6 vitórias e 2 empates). Nada mau.

SMS do dia

Com e sem Rúben Neves, como da água para o vinho.

Regressa rápido, miúdo!

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O normal do FCP e do SLB

Numa entrevista à Sport TV, José Mourinho (que está a treinar, fora de Portugal, há mais de 10 anos) fez declarações interessantes acerca de como, à distância, viu o desempenho europeu do SL Benfica e do FC Porto:

Obviamente fico surpreendido com o Benfica. Se calhar não tanto pelos últimos anos, porque tem sido um bocadinho do mesmo, mas era cabeça de série e não tem no grupo uma daquelas equipas que se assume logo como favorita. De certa maneira, era um grupo acessível para uma equipa que em Portugal demonstra, ano após ano, grande qualidade mas que chega à Europa e, por qualquer razão, falha. Tem sido assim nos últimos anos. (…) Considero que uma equipa que vai para a Champions e que chega à final da Liga Europa não é um sucesso. É um fracasso, porque é consequência de ter sido eliminado”.


O FC Porto, no seu normal, está confortável na Champions (…) A Champions não se ganha a cada ano, nem a cada década tão pouco, mas este ano, [o FC Porto] qualificar-se de maneira tão imponente como o fez, é o regresso ao normal”.

O onze para o Shakthar

O JOGO, 08-12-2014
Lopetegui já o deu a entender: vai aproveitar o FC Porto x Shakthar para dar uma oportunidade a alguns jogadores que têm sido menos utilizados.

Eu já disse que não sou adepto de uma grande rotatividade em jogos do Campeonato ou da Liga dos Campeões mas, atendendo às circunstâncias (o 1º lugar da Fase de Grupos está garantido e, passados 4 dias, há um FC Porto x SL Benfica), parece-me que faz todo o sentido aproveitar este jogo para:

1) Poupar os jogadores com mais minutos nas pernas, levando, também, em conta o desgaste dos jogos (e deslocações) nas respectivas seleções;

2) Testar (contra um adversário difícil) soluções alternativas nos diferentes sectores da equipa – defesa, meio-campo e ataque –, mas sem fazer uma "revolução" e dentro do sistema habitual (4-3-3), para não descaracterizar a equipa.

3) Aproveitar para experimentar algumas hipóteses que, atendendo às perspectivas de alguns jogadores saírem no final da época, poderão ser úteis para a próxima época.

Levando tudo isto em conta, o meu onze inicial seria o seguinte:

Guarda-redes: Fabiano
Defesa: Ricardo (em vez de Danilo), Maicon, Martins Indi, Alex Sandro
Meio-campo: Rúben Neves (Casemiro não deverá estar a 100%), Evandro (em vez de Herrera), Óliver
Ataque: Tello, Aboubakar (em vez de Jackson), Quaresma (em vez de Brahimi)

Nota: A confirmarem-se as saídas de Jackson e de Brahimi no final desta época, não seria surpreendente que o trio de ataque na próxima época fosse, precisamente, constituído por estes três jogadores.

Mediante as ocorrências do FC Porto x Shakthar, haveria duas substituições que eu tentaria fazer durante o jogo:

i) a entrada de Quintero para o lugar de Óliver;
ii) a entrada de Adrián López para o lugar de Aboubakar, de modo a testar o ex-colchonero na posição 9 (recordo que Aboubakar vai estar ausente durante 6-7 semanas, devido à CAN);

Independentemente das alterações, é importante que Lopetegui não se esqueça do que está em jogo: 1 milhão de euros; 2 pontos para o ranking; a valorização de "activos" (jogadores) na montra da Champions; o prestigio europeu do FC Porto.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Suplentes (espanhóis) não utilizados

O JOGO, 07-12-2014
O facto de Julen Lopetegui ser espanhol e do FC Porto ter contratado, por indicação do treinador basco, vários jogadores espanhóis, suscitou algumas dúvidas, nomeadamente em termos de escolhas e de gestão de balneário.

Chegados a esta altura, penso que se pode dizer que esta preocupação era infundada. E, neste aspecto, o jogo de Coimbra foi um bom exemplo.

Em consequência da evolução do marcador, o Académica x FC Porto ficou resolvido muito cedo, o que permitiu a Lopetegui fazer as três substituições, sem estar condicionado pelo resultado.

Ora, havendo quatro jogadores espanhóis entre os sete suplentes escolhidos para este jogo, nenhum deles foi utilizado.
E, parece-me óbvio, que se houvesse o objectivo de pôr a jogar futebolistas espanhóis, teria sido fácil, por exemplo, justificar a substituição de Martins Indi por Marcano ou optar por Adrián López em vez de Quaresma ou Aboubakar.

Em termos de gestão de balneário (e não só), estou a gostar de Julen Lopetegui.

domingo, 7 de dezembro de 2014

3, 13, 23… Jackson


Minuto 3: Minuto Jackson. Cruzamento tenso da esquerda, de Alex Sandro, Jackson antecipou-se ao defesa e, de primeira, colocou a bola no fundo da baliza da Académica. Um golo à ponta-de-lança que, contudo, foi anulado, devido a um fora-de-jogo milimétrico.

Minuto 13: Minuto Jackson. Rúben Neves interceptou uma saída de bola da Académica, serviu o ponta-de-lança colombiano, que entrou na área e rematou cruzado com o pé esquerdo. O guarda-redes da Académica bem se esticou, mas a bola ia colocadíssima e entrou junto ao poste mais distante.

Minuto 23: Minuto Jackson. A passe de Herrera, Jackson, da meia-lua, fez a bola passar por cima do guarda-redes da Académica e colocou-a no canto superior direito da baliza. Um golo monumental!

Embora a noite estivesse muito fria, as bancadas cheias de cadeiras vazias e a equipa de Coimbra seja, nesta altura, uma das mais fracas da I Liga, só por este golo, o 10º de Cha Cha Cha no campeonato, valeu a pena assistir ao Académica x FC Porto.

Quanto a outros destaques individuais, estou inteiramente de acordo com a escolha do Maisfutebol, que reproduzo de seguida:

«Oliver Torres – É um pequeno portento de técnica, capaz de tricotar belas jogadas com pequenos toques, passes curtos, fintas de corpo e demais tropelias e acrobacias com bola. Teve uma jogada deliciosa, ainda na primeira parte, com uma rotação sobre um adversário, que lhe permitiu entrar na área pronto para fazer estragos, mas um adversário foi mais lesto a “destruir” a jogada.»

«Rúben Neves – Uma formiguinha no meio-campo, sempre em jogo, prático na forma de jogar e eficaz. Surpreende pela rapidez de execução, sinónimo de raciocínio e critério nas decisões que toma. Foi ele quem intercetou aquele passe com que Obiora preparava a saída para o ataque dos estudantes, transformando-o automaticamente numa assistência para Jackson abrir o marcador.»

«Herrera – Assistiu Jackson para o melhor golo da noite e foi dando sinais de que estava ali para ser um dos destaques da partida. Muita presença no ataque, velocidade e desenvoltura tornaram o mexicano num dos inimigos públicos da Briosa. Mais ainda depois de fazer o terceiro golo da partida, por sinal o primeiro que marcou na Liga. Numa prova de polivalência, ainda jogou a lateral direito mais de meia hora depois da saída de Danilo.»


E, mesmo recuando no terreno, a jogar a lateral direito, Herrera ainda fez uma assistência para Quintero que, isolado e em posição frontal, rematou por cima da barra.

Herrera e Óliver são, cada vez mais, indiscutíveis no meio-campo portista e Rúben Neves mostrou em Coimbra que, se continuar a “crescer” como jogador, no final da época o FC Porto terá uma alternativa credível a Casemiro para a posição 6, isto, claro, se o Real Madrid quiser o médio brasileiro de volta.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Regulamentos, hipocrisia e “verdade desportiva”

Deyverson e Miguel Rosa

«Na época passada, à 21.ª jornada, no início de Março, o Belenenses recebeu o Benfica e, à última hora, Miguel Rosa, Deyverson e Rojas, jogadores do clube do Restelo cedidos pelos benfiquistas, ficaram de fora do jogo.

Posso dizer que não foi por uma opção técnica”, sustentou, na altura, Marco Paulo, responsável técnico da formação de Belém. Pouco depois, tornou-se pública a ideia de que um acordo verbal na transferência dos jogadores levara a essa situação.

Amanhã, sob orientação de Lito Vidigal, o Belenenses visita o Benfica num clássico em que a história ameaça repetir-se, ou seja, uma percentagem detida pelo clube da Luz em relação ao passe de Miguel Rosa e a opção de recompra no que diz respeito a Deyverson podem afastar os jogadores do encontro desta jornada.

Nada nos regulamentos da competição defende casos deste género e, sejam quais forem os clubes envolvidos, não faz sentido que isto aconteça. Se um clube não está interessado ou não pode contar com determinados jogadores, a partir do momento em que os cede não deve exercer qualquer tipo de influência para impedir que representem o clube seguinte quando se reencontram. Pior ainda se, de um lado, está um dos três grandes, pois é suposto que a sua força esteja acima de questões desta natureza.

A integridade das competições não vive apenas de um contexto em que não haja resultados combinados. É preciso respeito entre os clubes e os dirigentes devem ser os primeiros a garantir que assim é. Caso contrário corre-se o risco de se chegar à conclusão que, no final da temporada, o campeão só foi a melhor equipa porque defrontou alguns adversários diminuídos. E ganhar a qualquer custo não deve ser a meta dos campeões.»


O texto anterior, escrito por Paulo Jorge Pereira e publicado no Diário Económico de ontem, toca nos pontos-chave desta discussão.

Miguel Rosa foi titular em dez jogos esta temporada, somando 900 minutos e quatro golos, enquanto Deyverson é a principal referência do ataque do Belenenses, com onze jogos (981m) e sete golos.

A propósito deste assunto, Fernando Mendes, antigo jogador do SL Benfica e do CF Belenenses, em entrevista à Antena 1, disse o óbvio:

O Deyverson tem feito muitos golos e o Miguel Rosa é excelente. Sem eles, o Belenenses fica mais fragilizado


Já Jorge Jesus, confrontado pelos jornalistas, preferiu fazer de conta e ser hipócrita:

Não sei qual é legislação em Portugal, nem qual é o acordo [entre os clubes]. Sei apenas o que sucede noutros países, onde os jogadores emprestados não podem ser utilizados nestas circunstâncias, pois é assim que está contratualmente decidido. Em Portugal não sei como é. Não conheço em termos da legislação.


Pois, não sabe… Eu também não sei se, à última da hora, Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus, tolhidos pela vergonha, irão dar luz verde para que Lito Vidigal possa utilizar os seus dois melhores avançados mas, mesmo que o façam, o mal está feito.

O que eu sei é que, após o autêntico descalabro que foi a participação nas competições europeias, o SL Benfica está obrigado a ganhar este campeonato, custe o que custar. Contudo, conforme referiu Paulo Jorge Pereira, ganhar a qualquer custo (recorrendo a “trunfos” como nomeações cirúrgicas, arbitragens de “colinho”, equipas adversárias condicionadas, etc.) não deve ser a meta dos verdadeiros campeões.


P.S. «Apesar de integrarem a lista de convocados para o jogo com o Benfica, este sábado, Deyverson e Miguel Rosa não vão a jogo, no Estádio da Luz, por indicações expressas da SAD. Segundo noticia A BOLA, o treinador dos azuis, Lito Vidigal, foi informado por um elemento da SAD, antes do final do treino desta sexta-feira, que ambos os jogadores, que já passaram pelas águias, não iriam estar disponíveis para serem utilizados, mas que ainda assim deveriam ser convocados. No meio da surpresa por, a poucas horas do jogo, ter sido informado da indisponibilidade de duas pedras nucleares, o técnico rejeitou incluir Miguel Rosa e Deyverson no seu lote de eleitos, sendo que, por indicação do treinador, nem seguiram para estágio.»


Nota: Os destaques no texto, a negrito e sublinhado, são da minha responsabilidade.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Não, não vou por aí...


“O meio-campo continua sem explorar devidamente o espaço interior, o que não deixa de ser preocupante … O fabulástico Herrera voltou à normalidade com uma exibição a roçar o zero … De resto, foi um jogo (mais um) relativamente fraco em termos colectivos … Pelo que vi, fiquei envergonhado por esta vitória e por esta arbitragem … Qualidade individual que farta e qualidade colectiva pobre … Mas não se critica um treinador e um modelo de jogo que força o mesmo Brahimi a estar esgotado porque jogo sim, jogo não ele tem que resolver sozinho o que o treinador não tem capacidade para criar em jogo colectivo … Eu pergunto-me o que fazem os jogadores durante a semana com este treinador? … Eu também gosto muito do Oliver. Mas acho que ele se prende demasiado ao que o treinador lhe pede … a saída de bola pelos centrais continua fraca. Jogue Indi, Maicon ou Marcano, são todos fraquinhos neste aspecto … Falta-lhe (a Casemiro) cultura de posição, tudo aquilo que poderíamos ter com Rúben Neves...”


Estes foram alguns comentários que li no RP sobre o jogo entre o FCP e o Rio Ave. Opinião muito qualificada e em alguns escritos a demonstração de uma maneira de ser portista que não consta do meu registo, talvez porque nunca tenha sido jogador de futebol, treinador ou atleta, para além dos gloriosos campeonatos da FNAT/INATEL em que participei, cheio de reumatismo. E muito menos olheiro ou comentador encartado.

Mas, o pior não é a opinião que gosta de conversar, é a presunção de sapiência que se retira dos comentários e que assenta na convicção do domínio absoluto do jogo e das regras que o conformam, sustentados na ortodoxia da retórica estabelecida pelos experts que pululam os canais televisivos e não admite tergiversações.


Essa elite de comentadores define o modelo, a estratégia, a táctica, os processos, escolhe e classifica os jogadores, separa os bons dos maus procedimentos e trata por tu as rotinas que devem ser rotinadas (o pleonasmo é para dar força à coisa) para se chegar ao êxito. Mas, não fica por aí: deprecia tudo e chega ao limite de se envergonhar com a última vitória do FCP.

Considero que o meu clube teve alguns apagões no último jogo no Dragão, que me exasperaram, mas ao contrário dos meus ilustres colegas tenho para mim que as razões foram bem mais individuais que colectivas: Brahimi esteve irreconhecível e perdeu muita bola e Herrera deu um estouro que se ouviu na bancada e quando o Rio Ave reagiu ao golo sofrido a equipa do FCP, em função desse défice, reagiu mal na transição defensiva, foi menos coesa e tremeu. Nessa altura, o treinador mexeu bem e a equipa recompôs-se a tempo.

Para terminar: sinto sempre a necessidade de vir a este fórum fazer a defesa do treinador e dizer que tem feito um bom trabalho, na minha perspectiva. E enquanto tiver essa convicção, só espero que continue e se mantenha corajoso e lúcido no comando. Não alinho nos julgamentos primários feitos aos últimos treinadores do FCP e Lopetegui tem sido bombardeado de críticas contundentes, tanto de dentro como de fora e com demasiado e suspeito vigor. É estranho: não, não vou por aí…

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O 8º jogador

Ontem, entre as 21h00 e as 23h00 (hora de Portugal Continental), o Dragão Caixa encheu-se para o maior clássico do desporto português: um FC Porto x SL Benfica.

E esse é o primeiro e quiçá grande destaque do jogo de ontem à noite: um pavilhão cheio de um público vibrante que, mais do que assistir, “participou” e ajudou os dragões a derrotarem as águias, num desafio de andebol emocionante de princípio a fim.

Yoel Morales, Miguel Martins, Gilberto Duarte e Alfredo Quintana

De facto, com os Super Dragões em grande, a contagiarem o restante público e a puxarem pela equipa, mesmo nos piores momentos (o SLB chegou a estar a ganhar por 6 golos de diferença) toda a gente acreditou que íamos dar à volta ao resultado.

O JOGO, 04-12-2014

E assim foi. O FC Porto venceu um jogo em que esteve a perder desde os segundos iniciais até ao minuto 41; em que teve mais jogadores excluídos pela dupla de arbitragem (chegou a ter dois em simultâneo); em que beneficiou apenas de um livre de 7 metros (contra sete que beneficiaram o SLB); mas em que contou, sempre, com o “8º jogador”.

Naturalmente, saí do pavilhão muito satisfeito e o meu único lamento é que a bancada das claques do Dragão Caixa só encha ou, vá lá, esteja bem composta, nestes jogos grandes porque, quando as claques estão presentes em força, o espetáculo é outro (*) e a equipa transcende-se, com a força que lhe é transmitida pelo “8º jogador”.

O "8º jogador" do FC Porto x SL Benfica

(*) Vi que estavam várias camaras de televisão no pavilhão mas, obviamente, não sei se a transmissão televisiva, feita pelo Porto Canal, conseguiu captar e transmitir todo o espetáculo e emoção que envolveu este jogo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Provavelmente, o melhor lateral-direito do Mundo

Em 1 de dezembro de 2011, após a divulgação do Relatório e Contas Consolidado da FC Porto SAD, 1º Trimestre 2011/2012, publiquei um artigo acerca dos valores envolvidos na contratação de Danilo, em que escrevi o seguinte:

«No dia 19 de Julho, pagar 13 milhões de euros por um jovem lateral-direito (que também pode jogar a médio) promissor, mas ainda sem um curriculum assinalável, parecia um balúrdio apenas justificável por, mais uma vez, ter envolvido uma disputa com o SLB. Contudo, os números reais não eram estes, faltavam os “encargos adicionais”...

No negócio Danilo (em que a SAD portista ganhou mais uma corrida à SAD do SLB!), os designados Encargos adicionais (incluem serviços de intermediação, serviços legais, prémios de assinatura de contratos, etc.) perfazem a escandalosa soma de 4.839.131 Euros, atirando o custo total desta aquisição para quase 18 milhões de Euros! (…)

Atendendo aos valores gastos na compra, aos encargos salariais e às comissões que a FC Porto SAD também costuma pagar aquando das vendas, o Danilo terá mesmo de ser um grande craque, de modo a que os “tubarões” europeus abram os cordões à bolsa e a SAD portista não perca dinheiro se e quando o vier a vender daqui a uns anos.»


É sabido que, quando chegou a Portugal, Danilo não tinha cultura da posição e, aliás, gostava pouco de jogar a lateral-direito (preferia jogar a médio interior, como se diz no Brasil). Quer Vítor Pereira, quer o próprio Danilo já falaram nisto várias vezes e o ex-treinador do FC Porto teve mesmo de “convencer” o jogador, ensinando-lhe as rotinas necessárias a um lateral direito do futebol europeu.

Embora Danilo tenha dado bons sinais em épocas anteriores (principalmente no 2º ano de Vítor Pereira como treinador principal), foi esta época, com Julen Lopetegui, que “explodiu” como jogador de top internacional, algo que não me tenho cansado de sublinhar:

«Danilo - De jogo para jogo, justifica, cada vez mais, a chamada de Dunga à seleção brasileira. Se continuar assim, a SAD ainda vai recuperar os quase 18 milhões de euros que investiu na sua contratação» (RP, 17 Setembro 2014)

«A jogar como o fez contra o Nacional e como tem feito na maior parte dos jogos desta época, Danilo, depois de já ter regressado à seleção canarinha, no final da época irá, seguramente, saltar para um dos “tubarões” europeus» (RP, 1 Novembro 2014)

«Danilo - Está numa forma extraordinária e, claramente, a fazer a sua melhor época desde que chegou ao FC Porto (é bem provável que a FC Porto SAD recupere os 18 milhões de euros que gastou na sua contratação)» (RP, 5 Novembro 2014)


Três anos depois de ter chegado, Danilo já ajudou o FC Porto a ganhar dois campeonatos nacionais e a superar duas vezes a fase de grupos da Champions e caminha, a passos largos, para o topo do ranking dos melhores defesas/laterais direitos da história do FC Porto.

O JOGO, 02-12-2014

No mesmo período, foi convocado para representar a selecção brasileira no Torneio Olímpico de futebol de 2012 e, com Dunga, regressou à Seleção principal do Brasil.
E, lendo declarações recentes do selecionador brasileiro (ao jornal A BOLA), tudo indica que será para continuar…

[Danilo] Tem uma enorme qualidade, é uma força da natureza pois deposita muita energia em campo e a forma como joga contagia os companheiros. Faz o corredor imensas vezes sempre com enorme competência. (…)
Danilo tem uma força física que impressiona, um pouco à imagem do Maicon. Corre quilómetros atrás de quilómetros e apresenta sempre um rosto com frescura física. (…)
Com ele [Danilo] não há deslizes. É um profissional exímio por aquilo que me apercebo nas concentrações da seleção. Tem imenso cuidado com a alimentação, procura seguir as regras elementares e também descansa imenso, o que é importante para um atleta.


Capa de O JOGO de 02-12-2014
Quer fisicamente, quer tecnicamente, Danilo Luiz da Silva é um futebolista muito acima da média.
Com apenas 23 anos (nasceu a 15 de Julho de 1991), já ganhou títulos no Brasil e em Portugal, está na sua 4ª época de futebol europeu (já disputou 20 jogos na Liga dos Campeões) e é titular da canarinha (11 internacionalizações na seleção principal).

Danilo tem contrato com o FC Porto até Junho de 2016 e uma cláusula de rescisão de um valor muito elevado (50 milhões de euros), mas quem pagou 42 milhões por Thiago Silva e 50 milhões por David Luiz é capaz de, para além de Brahimi, também estar interessado noutro titular do quarteto defensivo da seleção brasileira.

E, para além do PSG, o mercado inglês (Chelsea, Manchester City, Manchester United, ...) também deve estar muito atento àquele que, nesta altura, é, provavelmente, o melhor lateral-direito do Mundo.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Brahimi? É pagar

«A 23 de Julho de 2014, o Grupo celebrou com a Doyen Sports Investments Limited, um contrato tendo em vista a cedência de parte dos direitos económicos, em regime de associação económica, do jogador Brahimi pelo montante de 5.000.000 Euros. Este contrato prevê opções de recompra por parte da FCP, SAD de até 55% dos direitos económicos até Junho de 2017, e opções de venda de até 80% dos direitos económicos por parte da Doyen até Setembro de 2017.»
in ‘Relatório e Contas Consolidado – 1º Trimestre 2014/2015’


Formalmente, o FC Porto comprou (ao Granada Club de Fútbol) a totalidade dos direitos económicos de Brahimi pelo montante de 6.500.000€, no dia 22 de Julho de 2014 e, no dia seguinte, alienou (à Doyen Sports Investments Limited), em regime de associação económica, 80% desses direitos pelo montante de 5.000.000€.

Na prática, parece-me evidente que se tratou de uma única operação (envolvendo o Granada, o Doyen e o FC Porto), em que a FC Porto SAD comprou 20% dos direitos económicos de Brahimi por 1.500.000€ (mais um valor desconhecido de Encargos adicionais).

1,5M, por 20% dos direitos económicos de Brahimi, é um bom negócio.
Mas não teria sido melhor a FC Porto SAD ter ficado com 100% dos direitos económicos de Brahimi por 6,5M?

Concerteza. Contudo, falta saber duas coisas: Se a SAD tinha esse dinheiro; e, principalmente, se o Granada/Doyen estavam dispostos a vender os direitos económicos de Brahimi por apenas 6,5 milhões.
Tudo indica que não.

«(…) não podemos estranhar esta incapacidade aritmética do fundo Doyen, pois o seu CEO, Sr. Nélio Lucas, conseguiu transformar uma proposta que fez ao Sporting de 20M, no dia 24/05/2014, para a aquisição do atleta Brahimi, em 6,5M para outro clube português conforme é do domínio público»
in Comunicado da Sporting Clube de Portugal, Futebol, SAD, de 14-08-2014


No contrato com a Doyen, a FC Porto SAD salvaguardou uma opção de compra de, até 55% dos direitos económicos de Brahimi, até Junho de 2017. Assim sendo, se, entretanto, surgir algum “tubarão” disposto a avançar para a compra do passe de Brahimi…

O JOGO, 02-12-2014
Conheço-o muito bem. É um jogador [Brahimi] que fez um início de época extraordinário, tive oportunidade de o ver jogar. Confirmou tudo aquilo que pensávamos dele, quando estava no Rennes, e foi surpreendente que este miúdo tenha deixado o Rennes. Era um pouco inconstante, ganhou maturidade, mas faltava-lhe qualquer coisa. (…) Foi para o FC Porto que é muito bom clube, com muito bons jogadores e está a caminho de mostrar a plenitude do seu talento. É um futebolista que tive oportunidade de ver no Mundial, pela Argélia. Faz parte daqueles futebolistas que dá gosto ver jogar, é capaz de ultrapassar um, dois, três adversários. Para além disso, atualmente, marca golos. Se tem potencial para o PSG? Está a confirmar no FC Porto tudo o que de bom que pensamos dele (…) O único problema é que ele foi para o FC Porto por um valor não muito alto, mas os portugueses colocaram-lhe uma cláusula de rescisão muito, muito, muito cara [50 milhões de euros]. O que nos faz refletir. Mas pronto, quando se gosta de um jogador, quando se gosta do talento, é pagar.
declarações de Laurent Blanc, treinador do PSG, em 29-11-2014

… o encaixe financeiro da FC Porto SAD será, seguramente, muito significativo.

Independentemente do encaixe financeiro que a SAD irá fazer, um conselho para os adeptos portistas: aproveitem esta época, vão mais vezes ao Estádio do Dragão e, daqui a uns anos, poderão dizer que viram jogar, ao vivo, o Yacine Brahimi com a camisola do FC Porto.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Goleada de talento


Coletivamente, não foi das melhores exibições deste FC Porto de Lopetegui, longe disso.
Ainda assim, os primeiros 20-25 minutos da 1ª parte foram os melhores (do ponto de vista coletivo), mas sem que tal se traduzisse em golos.

Individualmente, com a excepção de Danilo (os 17 milhões de euros que a FC Porto SAD gastou na sua contratação já parecem menos exagerados), não houve grandes destaques.
O “extraterrestre” Brahimi fez o seu pior jogo com a camisola do FC Porto (devia estar a pensar nas declarações de Laurent Blanc) e Jackson, sempre muito lutador, esteve desastrado, mas marcou um golo de belo efeito (provavelmente haverá quem diga que deveria ter passado a bola a Tello…), que aniquilou o ânimo dos jogadores vilacondenses.

Seja como for, esta equipa tem carradas de talento - Jackson, Brahimi, Tello, Óliver, Quintero, Herrera, Danilo… - e, consequentemente, o(s) golo(s) na baliza adversária acabam por surgir com naturalidade.
O segredo está em não oferecer golos aos adversários e conseguir manter a baliza de Fabiano inviolada.

Em resumo, penso que estaremos todos de acordo que o resultado (5-0) é exagerado e bem melhor que o computo global da exibição, mas é de enaltecer a atitude e ambição goleadora que os jogadores revelaram até ao apito final (detesto quando, por vezes, a equipa desliga os motores após marcar o 2º golo). Neste aspecto, fez lembrar os tempos de Bobby Robson.

domingo, 30 de novembro de 2014

Raúl Gudiño, conhece?

Raúl Manolo Gudiño nasceu em Guadalajara, México, no dia 22 de abril de 1996 (tem 18 anos) e, para além de ser um guarda-redes grande (mede 1,95m) tem tudo para ser um grande guarda-redes.

Se duvida, veja Raúl Gudiño em acção, no FC Porto B x Académico Viseu:



Rául Gudiño, que foi titular da seleção de Sub-17 do México, vice-campeã do Mundo em 2013, está no FC Porto por empréstimo do Chivas.



Ainda é muito cedo para se dizer que Raúl Gudiño é uma ameaça para Fabiano mas, depois do que se viu ontem, parece que a baliza da equipa B tem um novo dono.

sábado, 29 de novembro de 2014

Derrota com sabor a vitória

«O FC Porto garantiu, este sábado, o acesso à fase de grupos da Taça EHF, depois de perder por 28-25 no terreno do Ademar León, em encontro da segunda mão da terceira eliminatória da Taça EHF. Os Dragões fizeram valer a vantagem de cinco golos conquistada no Dragão Caixa, na primeira mão, e são agora uma das 16 formações apuradas para a próxima fase da competição. Os portistas vão ser integrados num grupo de quatro equipas, que irão defrontar-se em casa e fora, em Fevereiro e Março de 2015. (…) os Dragões asseguraram o mais importante: será a primeira vez que disputam esta fase da segunda mais importante prova de clubes da Europa

Ficha do Ademar Leon x FC Porto (fonte: EHF)


«A falta de 7 minutos el marcador reflejaba un 22-24 que parecía definir la eliminatoria pues un gol más de los portugueses, obligaba a nuestro equipo a ganar por seis goles para superar la eliminatoria, pero nuestro equipo a base de lucha y garra lograba un parcial de 6-0 que dejaba a falta de un gol igualar la eliminatoria pero el Oporto logró gol en su último ataque, que le dio el pase de ronda.»

Ademar Leon x FC Porto (fonte: Javier Quintana | Fontun)


Depois de, na época passada, o FC Porto ter disputado a EHF Champions League (naquele que foi o regresso, 12 anos depois, de uma equipa portuguesa à maior prova do Mundo de clubes) hoje, em Leon, o andebol portista deu mais um passo na sua afirmação europeia.

A transferência de Mangala para Totós

O JOGO, 12-08-2014
Para quem duvidou do montante recebido pelo FC Porto na transferência de Mangala para o Manchester City;

Para quem não percebe a diferença entre o montante de uma transferência e a mais-valia gerada por essa transferência;

O Relatório e Contas Consolidado - 1º Trimestre 2014/2015, da FC Porto SAD, não esclarece tudo, mas dá uma ajuda:

«Alienação dos direitos de inscrição desportiva do jogador Mangala ao Manchester City, pelo montante de 30.503.590 Euros, que gerou uma mais-valia de 22.806.942 Euros, após dedução do valor global de 11.073.331 Euros relativo a:

(i) efeito da actualização financeira das contas a receber a médio prazo originadas por estas transacções;
(ii) responsabilidades com o mecanismo de solidariedade;
(iii) custos com serviços de intermediação prestados pela Gestifute – Gestão de carreiras de Profissionais Desportivos, S.A;
(iv) valores a pagar ao jogador a título de indemnização;
(v) do valor líquido contabilístico do passe à data da alienação.

Adicionalmente, o clube comprador assumiu a obrigação de pagar directamente à Doyen a proporção que esta entidade detinha sobre os direitos económicos do jogador pelo que o passivo reconhecido na rubrica de “Outros Credores” em 30 de Junho de 2014 (Nota 11), no montante de 3.376.684 Euros, foi revertido e reconhecido no cálculo da mais-valia.»

Fonte: Futebol Clube do Porto – Futebol SAD, Relatório e Contas Consolidado - 1º Trimestre 2014/2015