domingo, 15 de fevereiro de 2015

Um novo Quaresma


Principais destaques de Quaresma no jogo contra o Vitória Guimarães:

4’: Quaresma cruza com peso, conta e medida para Jackson, que cabeceia ao lado.

9’: Quaresma pressiona alto sobre João Afonso e consegue interceptar a bola, a qual sobra para Jackson que, em boa posição, remata por cima.

11’: Quaresma é lançado em profundidade nas costas da defesa do Vitória Guimarães, mas Assis, atento, é muito rápido a sair da área e chega primeiro à bola.

O JOGO, 14-02-2015

18’: Quaresma temporiza, lê bem o jogo e, no momento exacto, faz um passe vertical a isolar Danilo, que remata cruzado, ao segundo poste, com a bola a passar ao lado da baliza.

30’: Quaresma cruza para Jackson que, em esforço, volta a cabecear ao lado.

72’: Livre do lado direito do ataque portista. Quando a defesa do Vitória esperava uma bola bombeada para a zona central da área, Quaresma coloca a bola teleguiada em Rúben Neves, que rematou, mas a bola foi cortada por um jogador vimaranense.

76’: Livre do lado direito marcado por Quaresma, que varia e coloca a bola ao 2º poste, onde surge Marcano a assistir Maicon, que cabeceia mas falha um golo de forma incrível.

83’: Livre indirecto dentro da área do Vitória Guimarães. Quando se esperava um pequeno toque para o lado, para um companheiro rematar, Quaresma surpreende e faz um passe para o outro lado da área, a isolar Danilo, que remata fraco e à figura do guarda-redes do Vitória.



Aos 31 anos, é notório que Quaresma já não tem a velocidade e o poder de explosão que tinha aos 24 ou 25 anos e, por isso, não é tão forte no 1x1 quanto foi mas, em contrapartida, tem melhorado, significativamente, outros aspectos.

Esta época, temos visto um Quaresma com outra atitude, a recuar, a ajudar o lateral, a defender, sem que isso implique fazer sempre falta e, nos últimos jogos, até o temos visto a pressionar alto ou a participar activamente na(s) zona(s) de pressão da equipa.

O melhor exemplo desta evolução foi o jogo contra o Vitória Guimarães. Quaresma não marcou qualquer golo, nem tão pouco fez assistências que tenham resultado em golo mas, quem viu o jogo sem preconceitos e com olhos de ver (eu vi-o no estádio e depois revi-o em casa), pôde observar um Quaresma que se fartou de jogar, mais para a equipa do que para ele, e em que a maior parte das oportunidades de golo do FC Porto saíram dos seus pés, ou tiveram a sua intervenção.

Lopetegui parece estar a conseguir um pequeno milagre: transformar um Quaresma prima donna, num Quaresma jogador de equipa e dos bons!


P.S. Tello entrou aos 65’ para o lugar de Brahimi, numa altura do jogo muito favorável às suas características (o Vitória Guimarães tinha adiantado as suas linhas e deixava muito espaço nas costas), mas eu pergunto: em 25 minutos (mais os descontos), o que fez Tello de positivo?

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Mostrar os pitons

«(…) o dilema maior são os jogos que precedem a agenda europeia, como o FC Porto - V. Guimarães de hoje. Não há como tirar da cabeça dos jogadores a oportunidade de glória que aí vem. Alguns adversários mais astutos, e menos escrupulosos, não perdem a hipótese de lha lembrar. Mostrar os pitons meia dúzia de vezes é bastante eficaz como remédio para a memória: nenhum jogador quer arriscar uma lesão a 72 horas de um grande serão europeu»

Este texto foi extraído de um artigo de opinião de Jorge Maia, publicado, em O JOGO, antes do FC Porto x Vitória de ontem à noite.

Análise do 'Tribunal de O JOGO' à "entrada assassina" de Cafú aos 69'

Depois do jogo, e perante o que se viu, é caso para dizer: Ó Jorge, pareces bruxo!...

P.S. Com o FC Porto a vencer pela margem mínima (1-0), eu percebo, ó se percebo, que o associado da APAF nomeado para este desafio, não tenha querido expulsar um jogador do Vitória Guimarães, quando ainda faltavam 21 minutos (mais os descontos) para o final do jogo. Nunca se sabe, não é senhor Nuno Almeida...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

“Tímidos”…


O FC Porto tinha três jogadores em risco de exclusão para o próximo jogo do campeonato: Danilo, Alex Sandro e Casemiro.
O árbitro Nuno Almeida, “inteligentemente” nomeado para o jogo de hoje, mostrou três cartões amarelos a jogadores do FC Porto.
A que jogadores do FC Porto foram mostrados os três cartões amarelos?
Precisamente! Na próxima jornada, no Bessa, frente ao Boavista, Lopetegui não vai poder contar com Danilo, Alex Sandro e Casemiro. Na mouche!


Recebemos muitas entradas. Demasiadas. Para mim foi o ponto negativo do jogo. Digo-o depois de ganhar. Os árbitros têm um trabalho difícil, mas uma das primeiras missões deveria ser preservar o jogo. Não devem dar nada a ninguém, mas devem proteger o jogo e a equipa que tenta jogar. Há uma entrada para vermelho claríssimo. Houve uma do Maicon contra o Boavista, com o campo em situações diferentes, que foi sancionada. Hoje foi diferente. Parece-me preocupante. Tenho quatro ou cinco jogadores magoados e levamos mais ou menos os mesmos amarelos. Três não vão jogar contra o Boavista, infelizmente.
Julen Lopetegui, comentando a atuação do árbitro Nuno Almeida


Só acho incrível que uma equipa que tenta jogar futebol, frente a um adversário que só dá patadas, e o árbitro não expulse ninguém. O V. Guimarães não podia acabar este jogo com onze jogadores em campo.
Julen Lopetegui, em declarações ao flash-interview da Sporttv


O FC Porto entrou muito forte, nós estivemos sempre tímidos, a abordagem não teve agressividade defensiva nem saída para o ataque. Na segunda parte perdemos a vergonha, jogámos, dividimos o jogo, não criámos as oportunidades de golo que queríamos, mas mostrando mais o nosso valor.
Rui Vitória, treinador do V. Guimarães, em declarações ao flash-interview da Sporttv


Tímidos? Imagina se os “caceteiros” tivessem entrado em campo desinibidos! Nas vésperas da 1ª mão dos Oitavos da Champions tinham, com a complacência do algarvio Nuno Almeida, enviado metade da equipa do FC Porto para o hospital…

P.S. O FC Porto não pode começar a jogar de encarnado? Pode ser que, dessa forma, os filiados na APAF se confundam e passem a arbitrar os jogos dos dragões como se fossem águias

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O “clube regional” assusta-os

O que é que o FC Porto, ou o seu presidente, tiveram a ver com isto?


Adepto do Sporting assassinado na Final da Taça de Portugal de 1996, com um very light lançado por um adepto do SLB

SLB x Sporting em futsal - adeptos encarnados com uma enorme tarja a dizer “VERY LIGHT 1996”

Sporting x SLB em futebol - tarja “SIGAM O KING” mostrada por adeptos leoninos

Capa de A BOLA de 11-02-2015

Capa do Record de 11-02-2015

E, contudo, há indivíduos obcecados, que adormecem e acordam a ver “fantasmas”…

É uma situação [corte de relações do Sporting com o SL Benfica] muito desagradável e que não ajuda nada à dignificação do futebol. Neste momento, face a esta posição do Sporting, Pinto da Costa deve estar a rir-se mais uma vez.
Gaspar Ramos, antigo dirigente do SL Benfica, em declarações à Rádio Ranascença


Pelos vistos, o “clube regional” continua a assustar esta gente, ao ponto de virem a público lamentar a desunião entre os dois “clubes nacionais” de… Lisboa.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A entrevista de Lopetegui ao El Pais em frases e conceitos


Julen Lopetegui concedeu uma entrevista ao prestigioso jornal espanhol El Pais. Uma entrevista onde coloca sobre "papel" aquilo para que foi contratado e o que tem como objectivo aplicar. Parece evidente, pelo discurso do treinador, que todos na estrutura do clube têm assumido que é um projecto a médio prazo independentemente do que passe até Junho, pelo menos. Parece-me uma boa solução e ninguém poderá dizer que a SAD não é fiel a si mesma, com o relevante resultado final. Este treinador sabe que tem o respaldo da direcção - coisa que faltou a Vitor Pereira, por exemplo, de forma clara - e que a aposta do Clube em renovar o clube de cima abaixo obedece a esse desejo de mudar.

Realmente, para quem conhece o trabalho a fundo de Villas Boas e Vitor Pereira, o rumo aplicado por Lopetegui é um regresso ao que já se fazia. O que muda essencialmente são os interpretes. Cada vez mais novos, cada vez mais preparados para os desafíos do futuro imediato. A idade não é coincidência. Por um lado, Lopetegui é um treinador de formação. Sempre o foi em todas as suas experiências prévias. Por outro está a velha filosofía de que a aprendizagem é um largo processo e quanto antes se começar, melhor. Não é o mesmo tirar “vícios” a veteranos que ensinar, quase desde os primeiros passos profissionais, a jovens promessas.

Dessa entrevista, muito boa aliás, retiro algumas frases chave que vale a pena reler para entender o que quer e o que planeia Lopetegui para o FC Porto nos próximos dois anos:

 “Da-se por garantido que os jogadores entendem o jogo e não é verdade”
A esmagadora maioria dos adeptos parte do principio que todo o jogador tem, no seu interior, um Xavi Hernandez mas que só alguns poucos o desenvolvem. Lopetegui pertence ao grupo (onde me incluo aliás) que pensa precisamente o oposto. A maioria dos jogadores são, em termos tácticos, e para usar o bom calão da minha “Invicta” “cepos”. E são-no porque a esmagadora maioria dos clubes, na área da formação, não fomenta a aprendizagem do jogo como tal mas sim o desenvolvimento físico e, eventualmente, o trabalho posicional concreto. Quando um futebolista com 19 anos chega à primeira equipa há muitos conceitos básicos que nem sequer explorou ainda e por isso o salto para a elite custa tanto a muitos que tanto prometiam nas camadas jovens. Por isso mesmo o trabalho do treinador é cada vez mais importante. Menos espaços, ritmo mais intenso, maior necessidade de compreender o máximo número de conceitos possíveis. Hoje em dia os futebolistas continuam a ser as estrelas mas cada vez mais os jogos se decidem no trabalho diário dos treinadores.

“Quando recebi a oferta do FC Porto percebi que queriam criar uma maneira de entender o jogo. Esta é a equipa mais jovem da história do Porto  e esse converte-a num projecto muito atractivo.”


Lopetegui parte do principio com esta afirmação que nunca se jogou como se joga agora no clube o que não é certo. Não é por acaso que ao Porto de Villas-Boas se comparava em toda a Europa com o Barcelona de Guardiola. O que sim está claro é que o ano de Paulo Fonseca deixou claro que não deve haver novas derivas futuras e que o modelo deve ser aprofundado até ás categorias base. A juventude do projecto também não deve enganar. Os problemas financeiros do clube forçam-nos a recorrer cada vez mais a jogadores jovens (comprados, emprestados, graças a fundos) com salarios mais baixos e potencial de rentabilidade futura maior.

“Eu quero que os meus jogadores sejam capazes de entender o jogo e acho que quando jogas entendes muito pouco e isso passava-me também a mim. E a verdade é que a riqueza da tua equipa depende das soluções que te dão os teus jogadores”.


Cada vez é mais importante ter jogadores de talento no plantel. O espaço para haver futebolistas que apenas sabem cumprir uma função (vide Fernando, por exemplo) vai diminuindo quando queres implementar um modelo de jogo que exige uma constante adaptação do jogador. E isso leva-nos a Ruben Neves. É um 6? É um 8? Não é bem nenhuma das coisas mas desempenha-se igualmente bem em ambos lugares porque entende o jogo e sabe adaptar-se ás soluções que tem para oferecer. Por isso Oliver pode jogar na ala em momentos pontuais ou Brahimi. Jogadores uniposicionais funcionam cada vez menos em equipas dinâmicas que querem ter a bola. A maior diferença? Cristiano Ronaldo é o melhor rematador do mundo, joga bem em diagonal mas precisa de espaço para mexer-se e aproveitar os seus recursos. No meio do meio-campo ou só na área perde muito. A Messi podemos vê-lo em qualquer zona do terreno de jogo porque está preparado desde a mais tenra idade a saber dar soluções para todos os problemas.


“Temos de ser muito agressivos quando perdemos a bola no campo contrario. Esse roubo é uma arma, mas de ataque, não de defesa, porque o adversário está a preparar o seu ataque e se a recuperas encontras espaços livres”.


Uma das grandes armas do Porto de Villas-Boas (e do Barcelona de Guardiola) era a pressão alta e o rápido roubo de bola, um conceito recuperado do Milan de Sacchi e do Dinamo de Kiev de Lobanovsky. Essa pressão alta obriga aos jogadores a um constante trabalho físico o que muitas vezes choca com a juventude dos jogadores do plantel (o Ruben jogava 80 minutos por jogo há poucos meses) e esse savoir faire de saber como dosificar-se (o melhor exemplo do futebol actual é, sem dúvida, Tiago). Nesse puzzle um jogador como Herrera seria válido – devido à sua boa capacidade de recuperação – se depois a sua tomada de decisão não fosse habitualmente desastrosa. Essa dose de agressividade pedida por Lopetegui tem faltado este ano em muitos jogos e deve-se, sobretudo, à natureza dos jogadores disponíveis.

“A chave de tudo é que a posse de bola não seja uma arma contra nós. É preciso saber dar-lhe uso.”


Os grandes profetas da possessão têm lidado com este problema há bastante tempo. Ter a bola nos pés para atacar e também para defender (e nesse capitulo a Espanha demonstrou que tanto pode ser uma máquina de ataque ao bom estilo holandés como uma Itália com a bola a defender e evitar o desgaste físico e psicológico do jogo posicional sem esférico) e isso foi uma das grandes queixas ao FC Porto de Vitor Pereira e agora também a este. Tinhamos a bola mas raramente sabíamos transformar a posse em perigo real.
O caso mais exemplar dos últimos anos talvez tenha sido o jogo contra o Malaga, no Dragão, onde o domínio foi asfixiante mas as oportunidades (e o resultado) tão escasso que acabamos eliminados no jogo da segunda mão. Naturalmente que ter a bola só serve se esta for aplicada em criar desequilíbrios basculando o rival até encontrar gretas. Para isso é preciso dois elementos fundamentais: um conjunto de jogador que saiba fazê-lo de forma homogénea (e aí é onde entram as habituais criticas a Quaresma, Tello ou Herrera que perdem o sentido grupal no processo) mas também uma rotina que é difícil de aplicar num projecto renovado quase de raiz e que se prolongará ad aeternum num clube que vive de vender os seus melhores activos.

“Ás vezes podes correr menos e outras vezes mais porque o rival também pode querer ter a iniciativa do jogo e o futebolista tem de estar preparado para isso, para essa dupla dinâmica.”

O FC Porto disputa 90% dos jogos de uma temporada procurando ter a iniciativa. Aliás, como ficou demonstrado na derrota com o Benfica, mesmo na esmagadora maioria dos jogos contra os rivais pelo titulo, a iniciativa cabe-nos a nós. Salvo algum jogo pontual de Champions League, a bola é nossa. O grande problema é precisamente esse, que os jogadores se habituem tanto a ter a bola que contra um rival distinto se vejam completamente descaracterizados e perdidos em campo. É um tema importante mas não fundamental, ainda que esse 10% de jogos se possam transformar rapidamente nos jogos mais importantes do ano. No entanto acredito que face á nossa realidade é cada vez mais importante saber pensar o jogo tendo a bola mas abrindo espaços nos habituais autocarros que encontramos. Afinal, esse é o nosso cavalo de batalha.

“Os treinos devem ser explicados aos jogadores antes de que se ponham a fazer os exercícios. É preciso que entendam o porquê porque assim sabem melhor o que têm de fazer.”


Como disse ao principio o trabalho do treinador – e por isso a escolha do treinador – é cada vez mais relevante. No FC Porto sempre se pensou o oposto, que o importante era ter um homem de estrutura (vide Fernando Santos, Jesualdo Ferreira) e bons jogadores. Ciclos curtos sempre e pouco poder ao treinador. Uma ideia extremamente desfasada da realidade. Houve uma altura do jogo, sim, onde os treinadores eram apenas responsáveis da condição física. Depois passaram a ser, sobretudo, organizadores e motivadores. Hoje são o motor de tudo. Os jogadores movem-se em espaços pre-determinados e a pesar do seu talento, uma equipa só funciona se o seu treinador está a fazer bem o seu trabalho. De aí que os treinos sejam cada vez mais relevantes. Não só nos lances estudados de laboratório mas, sobretudo, na repetição de circunstancias de jogo. É bom saber – não era difícil de imaginar – que o treinador do FC Porto é consciente dessa situação mas também parece claro que apesar das suas boas intenções há ainda muitos jogadores que não assumiram o seu papel como se espera deles.

“O futebolista aprende por repetição e descobrimento espontâneo e por isso temos de automatizar movimentos mas sempre com cuidado, não queremos matar a criatividade do jogador. Este tem de saber que nesse momento chave, quando acaba o espaço para o automatismo e aparece o espaço para a improvisação, o que fazer”.

Quaresma, Tello, jogadores de talento técnico superior mas com problemas no jogo automatizado colectivo. Brahimi, Oliver, jogadores de talento técnico superior e com total integração nos automatismos do grupo. Essa é a grande diferença entre uns e outros. São os quatro virtuosos com a bola mas apenas dois deles realmente sabem que naquele momento onde o treino acaba e a realidade começa, que decisões tomar para beneficio do colectivo. Seguramente haverá trivelas fantásticas de Quaresma e sprints com golo ou assistência de Tello e é importante ter esses jogadores no plantel para desbloquear uma equipa. Mas a realidade é cada vez mais outra e um treinador que tem um futebolista como Pedro Rodriguez, por exemplo, tem uma mina de ouro. Só os grandes clubes podem presumir de ter figuras mundiais tão grandes que saibam manobrar com igual facilidade os dois componentes. Para clubes como o FC Porto, com as suas limitações de mercado, é inevitável ter um Tello em vez de um Pedro Rodriguez (para que entendam o abismo que há entre dois jogadores da mesma escola de formação) porque o segundo é muito mais raro e portanto caro e o primeiro, embora espectacular, aos treinadores mais exigentes não convence. O que terá de saber fazer Lopetegui – e quem esteja no seu lugar – é reducir ao máximo as debilidades individuais dos Tellos, transforma-los de melhor forma possível em Pedros. Jogadores que sabem que a sua criatividade não desaparece com o treino mas que, dominando ambas facetas, nos momentos da tomada de decisão, raramente se enganam. E ele sabe bem isso!

Quem quiser a entrevista na integra pode fazê-lo aqui.

Golo do SLB é irregular?

Jorge Coroado diz que sim, que o golo que deu o empate ao SL Benfica, é precedido de uma irregularidade.

Quando Jonas tocou na bola, Maxi Pereira estava em posição irregular. Movimentou-se, participou na jogada e perturbou a ação de Tobias. Situação que a regra 11 determina como obrigatório o assinalar do fora de jogo”.

Casos do Sporting x SL Benfica (Tribunal de O JOGO)

No mesmo painel – Tribunal de O JOGO – José Leirós discorda da análise de Coroado (acha que Maxi não interfere na jogada), enquanto que Pedro Henriques nem sequer analisa/fala da posição de Maxi Pereira.

Relembro que esta não é a primeira vez que, precedendo um golo decisivo do SL Benfica, Maxi Pereira surge adiantado numa bola metida nas costas da defesa adversária…

Fora-de-jogo claro de Maxi Pereira precedeu o golo da vitória do SLB frente ao Gil Vicente

E, já agora, sobre a possível mão de Jonas, ninguém fala?

Jonas domina a bola com o braço? (fonte: Record)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A sorte grande de uma equipa banal

“… vendo a banalidade que é este SL Benfica, eu ainda quero acreditar que é possível e, por isso, jogadores e adeptos não podem baixar os braços

Foi assim que eu terminei o artigo que escrevi acerca do FC Porto x SL Benfica (0-2) e iniciei o artigo que escrevi após o SL Benfica x SC Braga (1-2), em que os bracarenses eliminaram os encarnados da Taça de Portugal.

Não sei se “banal” é o adjectivo que melhor caracteriza este SL Benfica versão 2014/2015, mas ontem, ao ver o Sporting x SL Benfica foi, mais uma vez, a palavra que me veio à cabeça.

Chegados aos 75 minutos de jogo, os encarnados de Lisboa tinham feito 3 (três!) remates, nenhum enquadrado com a baliza de Rui Patrício.

Ao minuto 80, o SL Benfica conquistou, finalmente, o seu 1º canto (nessa altura o Sporting já tinha 10!).

E ao minuto 94 (a 28 segundos de se esgotar o tempo de descontos dado por Jorge Sousa), após um balão de Pizzi (feito à sorte, de costas para a baliza do Sporting), beneficiando de um ressalto na área leonina, no 4º remate e primeiro (e único!) enquadrado com a baliza, o SL Benfica marcou e conseguiu empatar.

A BOLA (o jornal semioficial do SL Benfica) chamou-lhe sorte grande. Eu nem sei muito bem o que lhe hei-de chamar. Sei que, tal como no Dragão, o SL Benfica jogou em Alvalade como jogam as equipas pequenas, em termos ofensivos foi de uma nulidade quase total, mas conseguiu sair de mais um confronto com um rival directo sem perder.

Aqueles que, em anos anteriores, elogiavam o “futebol atacante e entusiasmante” das equipas de JJ (em contraponto com o “futebol monótono” das equipas de Vítor Pereira…), o que dirão deste SL Benfica que, no Dragão, jogou da mesma forma que o Boavista – autocarro de dois andares à frente da baliza – e agora, em Alvalade, repetiu a receita, com um quarteto defensivo em que os laterais praticamente não subiram no terreno, mais dois médios defensivos – André Almeida e Samaris – que raramente passaram do meio campo.

Aliás, sempre que o Sporting acelerava o jogo, o SL Benfica transformava-se em benfiquinha e adoptava a mesma estratégia de queimar tempo tão habitual (e que costuma ser severamente criticada por jornalistas e comentadores) nas equipas de mentalidade e categoria pequenina.

Foi assim na 1ª parte, com Eliseu, Jonas e Jardel a caírem e ficarem no relvado, para acalmar o jogo… e continuou na 2ª parte (até ao minuto 86), em que esse papel triste foi desempenhado por Artur.

Ao minuto 62, foi quase cómico, quando a transmissão televisiva mostrou um Jonas esbaforido, aos gritos (penso com o Eliseu), a dizer: “Calma, calma, calma!”.

Nos jogos contra o Sporting, contra o FC Porto e na fase de grupos da Liga dos Campeões, independentemente de ter conseguido alguns resultados positivos, este SL Benfica 2014/2015 mostrou aquilo que é: uma equipa banal!

E o jogo de ontem comprovou aquilo que toda a gente sabe (incluindo os benfiquistas, embora não o confessem em público): não fora as arbitragens que o catapultaram para o 1º lugar e, nesta altura, este benfiquinha nunca seria líder do campeonato português.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Jackson quebrou o gelo

A temperatura a que se disputou o jogo de hoje em Moreira de Cónegos foi muito baixa – à hora de início (20:15) era de 3 graus Celsius.

O jogo foi disputado num relvado bem tratado, mas que tem apenas 64 metros de largura (menos 4 metros que o relvado do Estádio do Dragão, o que significa menos 420 m2 de área jogável).

Perante isto, o FC Porto fez um jogo sério, marcou dois golos e ganhou de forma inquestionável.

Após um penalty claro, sobre Maicon, que Carlos Xistra “não viu” (aos 13')…

Após um canto marcado por Quaresma, que levou a bola a “beijar” a trave (aos 17')…

Jackson (aos 28'), após um passe espectacular de Herrera, quebrou o gelo e quebrou a resistência da fragilizada, mas bem organizada, equipa treinada por Miguel Leal.


Jackson marcou em Moreira de Cónegos o golo 5000 do FC Porto

A partir daí, os dragões foram controlando o jogo e, ao minuto 59, após mais uma assistência de Herrera (quantos golos e quantas assistências é que o “manco” do Herrera já leva esta época?), Casemiro (outro “patinho feio”) marcou o 2º golo (0-2) e praticamente matou o jogo.

De resto, contra as previsões, Lopetegui repetiu o mesmo onze do último jogo (FC Porto x Paços Ferreira), naquilo que parece ser uma mensagem para Martins Indi e Brahimi.
Embora, perante as exibições de Tello (vale a pena rever a forma patética como, ao minuto 62, o extremo emprestado pelo Barça se embrulhou com a bola e foi incapaz de marcar, rematar ou sequer passar a colegas que estavam completamente isolados), muito mal terá de estar Brahimi para não substituir Tello no onze inicial já no próximo jogo.

O que continua a ser um dos aspetos negativos desta equipa, é o (des)aproveitamento das bolas paradas.
No jogo de hoje, tendo conquistado 10 cantos e uma meia-dúzia de livres perto da área do Moreirense, o FC Porto voltou a denotar, mais até do que uma ineficácia total, uma grande incapacidade em criar perigo neste tipo de lances. Neste aspecto, algo tem que mudar, porque há jogos em que as bolas paradas definem o resultado.

E agora, depois da missão cumprida na gélida Moreira de Cónegos, resta esperar pelo “escaldante” derby de Lisboa.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Caso Oliver, ponto de situação

Parece evidente que a temporada 2014-15 do FC Porto em campo tem quatro nomes próprios.
Jackson Martinez continua a demonstrar sem um avançado de excelência mas deve estar de saída. Um "pacto de cavalheiros" assinado no passado Verão, como sucedeu com Deco, que o clube vai cumprir. Ruben Neves foi a grande revelação e tem um futuro imenso pela frente, que a sorte o acompanhe contra as lesões. Brahimi foi a grande contratação do ano. Os primeiros quatro meses do argelino foram imensos. O jogador não teria chegado ao clube sem o apoio da Doyen e a mediação de Jorge Mendes e irá quando estes quiserem. É algo que o clube tem perfeitamente assumido. E depois, depois está Oliver Torres.

Oliver chegou emprestado em Julho. Um empréstimo de apenas uma temporada como petição expressa de Julen Lopetegui, treinador que o conhecia bem das camadas jovens do futebol espanhol, onde foi seu treinador. É uma das maiores pérolas do futebol europeu na sua posição. Com 19 anos é mais um nessa escola de "bajitos" como Xavi, Iniesta, Isco, Mata, Silva, Cazorla, Dennis Suarez e companhia. Um talento fora de série que a primeira parte da época confirmou. Naturalmente houve altos e baixos, o mais normal do mundo num jogador com menos de vinte anos que teve, em alguns casos, de jogar fora da posição medular. O FC Porto tinha o seu próprio "Oliver", Tozé, que continua emprestado e a dar boa conta do recado no Estoril mas o espanhol é um jogador mais fino, menos vertical e com melhor toque de bola. Para o modelo de jogo de Lopetegui era o eixo perfeito entre a classe de Brahimi, o estilo de jogo de Jackson e a visão de Ruben Neves. O eixo nuclear da equipa.

O médio espanhol chegou com empréstimo de um ano. O FC Porto quer algo mais. E pode ser que aquilo que até há uns meses era impossível possa mesmo suceder. 
Porque Oliver tem um problema, um problema chamado Simeone. O treinador argentino é actualmente o senhor indiscutível do Atlético de Madrid. Nada sucede na área desportiva do clube sem o seu consentimento. Foi o responsável por lançar Oliver ás feras, o seu primeiro defensor. Mas Simeone sempre olhou para o "bajito" com suspeita. Via-o muito técnico e com pouca intensidade fisica para se adaptar ao seu estilo de jogo, um estilo que todos sabemos como funciona. Pressão alta de um meio-campo fisicamente possante e com boa visão de jogo, transições rápidas, muitos jogos decididos a bola parada. Nesse esquema Oliver conta pouco. Tanto que o técnico preferiu em Dezembro do ano passado, em plena luta pelo titulo - que ganhou - e pela Champions - que perdeu na final - enviar o jogador para o Villareal. Uma escolha com sentido. O clube levantino tem um modelo de jogo radicalmente diferente do praticado pelo Atlético, muito mais parecido ao de Lopetegui. Oliver foi e quem ficou na primeira equipa com minutos de jogo acumulados foi o pequeno Saul, um jogador da sua geração, igualmente talentoso mas muito mais do gosto de Simeone pelo seu trabalho sem bola. Saul é o elegido do argentino e o jogador que conta para assumir protagonismo no meio-campo. Oliver caiu lá para trás na sua lista de escolhas. Mas Simeone não é a única variante neste negócio.

Quando o Atlético de Madrid assinou com David Villa a principio da temporada passada por um valor irrisório, muitos ficaram surpreendidos. Na realidade os clubes chegaram a um acordo de cavalheiros em que os blaugrana tinham o direito preferencial sobre três jogadores da formação colchonera: o lateral Manquillo (actualmente no Liverpool) e os médios Saul e Oliver. O Barcelona tem direito de opção por um valor estipulado para cada jogador - no caso de Oliver ronda os 15 milhões de euros - e tinha três anos para exercer o direito de compra. Por um lado o clube blaugrana já tem em filas jogadores para essa posição como o já citado Dennis Suarez mas também Rafinha Alcantara e Sergi Robert. Por outro lado, e isso complicou muito as contas, a FIFA vetou o clube de acudir ao mercado de transferências. O Barcelona pode comprar mas não registar jogadores e isso esfriou o interesse do clube catalão nos jogadores do Atlético.



Por fim está a indefinição que um clube como o Atlético de Madrid sempre vive.
Simeone já avisou que, caso ganhe a Champions League ou repita triunfo na liga, sai do clube. Considera que cumpriu todos os objectivos e tem ofertas de Inglaterra (Liverpool) e Itália (Inter). Portanto nada será concretizado até Maio em entradas e saídas. Se Simeone ficar, os jogadores com que não conta num principio terão mais fácil decidir o seu futuro. É o caso de Oliver, que o clube não quer vender mas cujo prolongamento do empréstimo ao FC Porto ou a outro clube seria possível e desejável. Se Simeone for embora o desejo do clube é recuperar imediatamente o jogador salvo que o novo técnico diga algo em contrário. Por outro lado estão as saídas.
O Atlético é um clube vendedor e receberá ofertas sobretudo por Koke e Griezzman. No caso do espanhol a sua posição nuclear é similar à de Oliver ainda que o seu suplente actual seja Saul. Por outro lado Tiago - braço direito de Simeone em campo - está perto da reforma e Arda Turan tem ofertas para sair. O caso do turco é importante. Tecnicamente é o mais parecido que há no plantel do Atleti a Oliver. Mas Arda é um homem e Oliver um menino e Simeone valoriza essa diferença. Só há lugar para um jogador desse perfil na equipa. Estando o turco, o lugar é seu. O Atlético está pendente de ver se a estrutura da medular (quatro titulares aos que se podia juntar Mario Suarez também com ofertas de Itália) se mantém igual ou não e dependendo do que suceder valorizará recuperar Oliver Torres.

São muitos variantes ainda em jogo e é difícil que até Maio a situação se esclareça. Até porque ainda está o jogador. Oliver quer triunfar e muito no Calderón. A sua primeira opção é voltar e tentar demonstrar na pre-temporada a Simeone que cresceu. E é bastante possível que a pré-época a faça em Espanha. Salvo se Simeone é categórico com o jogador é que Oliver verá com bons olhos um novo (e último) empréstimo. E nesse caso o Porto terá sempre prioridade para o médio que conta com a confiança do treinador (e se Lopetegui sair é certo a 100% que Oliver não volta também) e a admiração dos colegas. Não é de descartar que o FC Porto guarda o ás na manga de recuperar um Oliver descartado por Simeone em Agosto e não desde o inicio do ano.
O que é certo é que actualmente há uma linha de diálogo aberta oficiosamente entre todas as vertentes desta equação, um diálogo que começou há alguns dias. A mediação de Mendes, como sempre, será fundamental. A sua influência nas mexidas dos colchoneros no mercado é mais do que conhecida e o FC Porto joga com essa carta. Mendes não é empresário de Oliver mas tem um papel chave neste (e noutros) negócios. O mais provável é que se estabeleça um acordo de cavalheiros em que nós tenhamos prioridade absoluta num novo empréstimo (nunca compra, repito!) e que o Atlético tenha até Junho para clarificar a situação com o Porto, o que não exclui o volte-face que mencionamos antes de um empréstimo express em Agosto.



Mas, se há um par de meses era impossível imaginar Oliver um ano mais, a prolongação do empréstimo é agora uma realidade cada vez mais lógico. Sem ser primeira opção do treinador (mas sim do clube que não considera vendê-lo ao FC Porto nem a outro clube, salvo oferta mirabolante superior aos 15 milhões de euros e com o OK do Barcelona) é perfeitamente possível que Oliver queira ficar. Dos negócios do Atlético, do destino e desejos de Simeone depende agora tudo. Até Junho muito pode passar mas Oliver pode ser perfeitamente o primeiro reforço para 2015-16.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Tielemans e Praet, jogada de génio

O jornal italiano Tuttosport avança hoje a notícia que dois dos jovens mais cobiçados do futebol europeu estão atados ao FC Porto por um direito de preferência. Trata-se dos belgas Yuri Tielemans e Dennis Praet citando fontes dos belgas Sudpress. E tudo graças ao negócio Rolando.

Tielemans e Praet são jogadores da "cantera" do Anderlecht. Duas das maiores promessas do futebol belga, um país que tem actualmente uma das três canteras mais fortes da Europa (a par da espanhola e alemã) e um sem fim de talentos a surgir como cogumelos e que prometem dar que falar. Praet e Tielemans pertencem a esse grupo. São internacionais pelas categorias de formação, têm já bastantes minutos nas pernas na Jupiler League belga e no passado defeso foram alvo da cobiça de vários emblemas europeus. Praet, mais velho (tem 20 anos pelos 17 de Tielemans), recebeu inclusive ofertas de clubes como o Atlético de Madrid, Internazionale e AS Roma. O Manchester City e o Tottenham Hotspurs, por sua vez, fizeram propostas por Tielemans. O clube belga não vendeu nenhum dos dois jogadores dando a entender que esperaria sacar o máximo possível do seu rendimento até surgir uma proposta irresistível. Afinal são duas das suas maiores promessas em largos anos.



E aqui entra na equação Rolando.
O central há muito que era um jogador marcado e descartado. Não deu má conta de si em Itália mas no Porto seria difícil voltar a vê-lo a jogar tal foi a forma como as suas relações (e as do seu agente) chocaram com alguns membros da direcção (que não o Presidente). Sem ter sido colocado no mercado em Agosto, o central que brilhou ás ordens de AVB ficou sem ficha e a treinar sozinho. Encontrar uma solução era urgente e necessária e de um descarte o FC Porto conseguiu milagrosamente, segundo o jornal italiano, um negócio de ouro. Rolando foi emprestado ao Anderlecth que estava interessado também no empréstimo de Reyes que Lopetegui acabou por vetar. No final da época estará livre e poderá assinar pelo clube belga de forma definitiva. Ao mesmo tempo o Anderlecth assinou com o Porto um acordo de cavalheiros em que temos o direito preferencial sobre as duas jovens promessas do clube. Se o Anderlecht receber uma oferta por ambos, temos a possibilidade de a igualar e caso assim seja os jogadores são nossos. Isso não significa que terminemos por avançar para a aquisição de qualquer um dos dois, evidentemente, mas ter voto na decisão do futuro de duas das maiores promessas da sua respectiva faixa etária da Europa num negócio que envolvia colocar um descartado não deixa de ser uma jogada de génio.

Para os que menos conhecem o futebol belga basta resumir que Praet é um extremo esquerdo que pode também jogar atrás do ponta de lança e que já conta com mais de meia centena de jogos na liga belga e uma internacionalização sénior com os 20 anos recém-cumpridos. Já Tielemans, 17 anos, é um médio defensivo de fino recorte, boa leitura de jogo e que já está referenciado como um dos cinco melhores da Europa na sua posição entre os menores de 19 anos. Ambos encaixam no perfil do treinador, jogadores jovens de grande potencial futuro, e nas recentes aquisições do clube. Outro detalhe que é importante. Praet ocupa a posição de Christian Tello. Tielemans, por sua vez, a de Casemiro. Podemos estar diante da substituição de dois jogadores cuja prolongação do empréstimo é ainda um ponto de interrogação.



A tacinha da treta

Como se já não bastasse tudo o resto…

fonte: Liga Portugal
Faz algum sentido, a fase de grupos da Taça da Liga ter grupos com 4 equipas e outros grupos com 5 equipas?

Faz algum sentido, haver grupos com um número impar de equipas, o que obriga, em cada uma das jornadas desse grupo, a haver uma equipa que “folga”?

Dá alguma seriedade à competição, chegar à última jornada dos grupos com 5 equipas, a equipa de “folga” ter hipóteses de apuramento, mas as restantes saberem os resultados que precisam de fazer (como foi o caso do grupo do Sporting)?

Dá algum interesse à competição, disputar a última jornada dos grupos com 5 equipas, se a equipa de “folga” já estiver apurada (como foi o caso do grupo do FC Porto)?

Por que razão, as equipas apuradas nos grupos com quatro equipas, beneficiam do facto de ir disputar o jogo da meia-final em casa?

Reparemos no seguinte exemplo, o qual, com certeza, é fruto de meros acasos…

O SL Benfica calhou num grupo de 4 equipas (o Sporting e o FC Porto calharam em grupos de 5 equipas). Foi sorte…

O SL Benfica disputou apenas 3 jogos, dois dos quais em casa (o FC Porto disputou 4 jogos e os dois que disputou fora de casa foram, por acaso, contra os adversários mais fortes do seu grupo – Rio Ave e SC Braga). Foi sorte…

O SL Benfica vai disputar a meia-final no estádio da Luz. Ou seja, tem um tapete vermelho estendido para chegar à Final desta competição, após ter disputado três jogos em casa e apenas um fora. É a sorte…

O FC Porto vai disputar a outra meia-final à Madeira. Ou seja, se chegar à Final, será após ter disputado dois jogos em casa e três fora. É a (falta de) sorte…

Chegados a este ponto, ainda haverá alguém que dê credibilidade a este aborto competitivo?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A politica de empréstimos dos jogadores da equipa B

Fechou-se o mercado e agora cada um deve esgrimir as suas armas. No caso do FC Porto essa lista inclui os jogadores do primeiro plantel - que teve uma incorporação, Hernâni, e uma saída, Opare - e também os jovens da equipa B. Mas já não vão estar os mesmos que arrancaram a temporada. A SAD alterou a sua política - ou era a que já estava estabelecida desde Agosto, tudo é possível - numa jogada que parece ter um claro selo de Lopetegui. Uma jogada de acerto total na minha opinião e um sinal de óptima gestão do binómio entre a SAD e o treinador. Parece claro que passe o que passe em Maio a direcção conta com o treinador para o próximo ano tal é a forma como parece estar em consonância nesta tomada de decisões.

Para lá da incorporação de Hernani, que é importante para esta equação, este mercado de Inverno fica marcado pelas saídas de empréstimos de vários dos jogadores da equipa B. Vamos ao ponto de situação. Pairam dos quadros do clube para jogar na liga portuguesa Tiago Rodrigues, Ivo Rodrigues, Otávio e Kayembe. A esses quatro empréstimos podemos juntar as saidas de Kelvin (Palmeiras) Opare (Bessiktas) e ainda os casos de Braima Candé e Celestie Djim que vão para o Freamunde, rival da equipa B, o que deixa um claro sinal imediato: não contam e ocupam espaço.

Estas quatro saídas dão um bom sinal do que Lopetegui pretende. São quatro jogadores jovens e de potencial, ainda que com um historial e futuro distinto. E a equipa B já não servia para avaliar a sua margem de progressão. O caso mais simples é o de Tiago Rodrigues. O médio criou grandes expectativas na sua temporada de estreia em Guimarães e chegou no mesmo pack que Ricardo Pereira. Mas ao contrário do extremo (agora praticamente oficialmente convertido em lateral), não se conseguiu impor nem na equipa A nem na B e vai jogar para o Nacional até Junho. Começa a ser dificil ver futuro para Tiago no plantel mas estes quatro meses serão determinantes no seu futuro de azul-e-branco.

Depois está o exemplo de Kayembe. O belga começou a temporada como extremo - a sua posição de origem - até que começamos a vê-lo convertido em lateral. O próprio confessou que Lopetegui via nele um possivel Jordi Alba á Porto e essa foi a justificação dada, numa jogada que tapou por sua vez a rápida ascensão de um lateral da casa com muito potencial, Rafa. Kayembe foi caro para um jogador da equipa B - não o único - e parece evidente que o clube conta com ele para a próxima temporada na posição de lateral (resta saber se para o lugar de Alex ou Angel) e quer testá-lo num nivel de dificuldade mais elevado. Em Arouca vai encontrar uma equipa que defende muito e vai ser testado regularmente. A sua velocidade poderá ser útil no contra-golpe e seguramente que o clube o vai estudar de perto. Uma prova de fogo.



Otávio e Ivo Rodrigues entram noutra dinâmica, o negócio de Hernani (que inclui ainda um Sami que não entra nestas contas, já sabemos porquê) e que pode ser também a porta de chegada para André André a partir de Julho. No caso do primeiro já sabiamos o que esperar. O tipico negócio de jovem promessa sul-americana que chega ao Porto para ser o próximo (escolher nome). Otávio é o modelo de negócio preferencial da SAD, não do treinador. E como tal nunca foi opção. Não significa que não tenha futuro no plantel mas seguramente precisa de muitos minutos e a equipa B não servia. Jogar num candidato á Europa é outro nivel e aí o clube verá realmente se o brasileiro se vai conseguir adaptar - ou não - ás exigências de jogar na Primeira Liga. Ninguém duvida que Otávio será incorporado na próxima época (especialmente porque Quintero tem guia de marcha quase assegurado e Oliver é um caso especial) e o jogador sabe disso.

Com Ivo Rodrigues a história é distinta. Todos no clube sabem que é uma das nossas maiores promessas e que é preciso cuidá-lo e bem. Com Ruben Neves, Gonçalo Paciência e André Silva compõe o nosso poker de asas da formação. Mas Ivo não ia jogar na primeira equipa, todos sabemos disso. Tem á sua frente Tello, Quaresma, Brahimi e o recém-incorporado Hernâni (que já não é nenhum menino com os seus 23 anos). Na equipa B Ivo jogou e muito. Marcou também 12 golos, cifras que deixam claro que, como num jogo de computador, o futebolista já ultrapassou esse nivel. Vai para Guimarães procurar realizar um mestrado precoce em futebol da Primeira Liga antes da prova definitiva que será o stage de Julho. Tudo indica que Ivo será jogador de primeira equipa no próximo ano mas estes meses vão permitir-nos ter uma ideia da sua actual condição no futebol sénior.



Quatro empréstimos de jogadores de muito potencial que também servem, por outro lado, para abrir espaços na equipa B. Com a passagem - aparentemente e felizmente definitiva - de Gonçalo Paciência para a primeira equipa, seguindo a estela de Ruben Neves, estas saídas vão acima de tudo permitir a Lopetegui ver como reagem ao desafio jogadores como Rafa, André Silva, Podstawski, Rui Moreira, Rui Pedro, Pité ou Frederic. Eles, juntamente com Mikel, Gaudiño ou Lichnovsky, pertencem á próxima geração que deverá seguir o mesmo rumo nos próximos dois anos (a saber, meia época na B, meia época de empréstimo) num modelo muito espanhol e que tem o claro cunho de Julen Lopetegui.

O espanhol pode ter mil e um defeitos na gestão da equipa principal no terreno de jogo mas o seu impacto na gestão dos dois planteis e na forma como se trata o produto da casa não é casualidade. Foi para isso que veio. Este modelo de gestão combinado entre a SAD e o treinador tem tudo para funcionar (seguramente os empréstimos incluem clausulas que obrigam a uma utilização minima dos jogadores) tanto para o clube como para os futebolistas. Os adeptos terão a oportunidade de seguir noutro palco futuros "Dragões" de primeira equipa e em lugar de mais meia temporada nos campos da segunda, os futebolistas irão finalmente demonstrar na Luz, Alvalade, Braga ou Madeira o que valem. Um golpe certeiro que só deixa no ar boas sensações.

PS: Não há bela sem senão. A lista da Champions com a exclusão de Adrian Lopez e Andrés Fernandez diz claramente que houve um erro crasso na contratação dos dois futebolistas. A lesão do primeiro não o impediria de jogar nuns hipotéticos quartos-de-final e o espanhol nunca soube aproveitar os erros de Fabiano e foi agora ultrapassado pelo capitão Helton. A estes podemos juntar Opare (emprestado, depois de ver-se ultrapassado por um Ricardo que já tinha sido lateral na época passada) e José Campaña que continua praticamente desaparecido em combate. Quanto a Marcano e José Angel terão claramente o futuro longe do Porto no próximo ano. Foram seis contratações desnecessários como se comprova pelos minutos nas pernas em meio ano de época. Um aviso para a planificação da próxima época onde Sérgio Oliveira já está garantido, André André é fortissima hipótese e há meia dúzia de putos a pedir um lugar ao sol!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Hernâni, com nome de estrela azul-e-branca um negócio que faz todo o sentido

A aquisição de Hernâni pelo FC Porto responde a uma das politicas de aquisições recuperada nas últimas duas temporadas, a de procurar reforços úteis para a primeira equipa na liga portuguesa. Jogadores com provas dadas no campeonato, jovens, versáteis e com projecção futura. Exemplos não faltam mas poucos acabam por vingar no plantel. Muitos acabam por ser moeda de sucessivos empréstimos e a outros faltam-lhes as oportunidades. Hernâni não terá um futuro fácil e um bom exemplo disso mesmo é o jogador que o extremo lisboeta foi substituir em Guimarães, o versátil Ricardo Pereira que apesar de já ter demonstrado valor e potencial ainda não se confirmou como um dos 16 jogadores mais utilizados por Julen Lopetegui.

No entanto a chegada do extremo pode dar-nos pistas para o futuro. O FC Porto tem actualmente como extremos puros a três jogadores no plantel: Ricardo Quaresma, Christian Tello e o próprio Ricardo Pereira. O último tem sido cada vez mais provado como lateral. Quaresma já está no outono da sua carreira - apesar de genialidades como as do passado domingo - e Tello tem sido um dos jogadores mais criticados dos últimos meses. E com razão. É também um jogador emprestado que pode voltar - ora por vontade do clube, ora por desejo do Barcelona - a casa no próximo defeso. Na equipa B ainda há a possibilidade de utilizar como extremo a André Silva mas este parece não contar ainda para Lopetegui. Há portanto uma carência que só a utilização de jogadores deslocados da sua posição natural - Brahimi, Quintero ou Oliver, por exemplo - tem permitido tapar nesta primeira metade de temporada. Hernâni vem para dar equilíbrio a esse sector do ataque e parece ser uma aposta acertada.

É um jogador barato, com experiência na liga, projecção de futuro - tem apenas 23 anos e duas boas temporadas nas costas - e sabe que vem para ser um suplente com alguma utilidade e não uma primeira figura. O seu empréstimo vai permitir também resolver a situação de Sammi - em conflito aberto com Sérgio Conceição -, de Ivo Rodrigues (uma das nossas maiores promessas - tem 12 golos na II Liga - mas sem espaço para Lopetegui) e de Otávio. O médio brasileiro tem um potencial tremendo e foi um investimento sério. A sua aquisição foi feita, seguramente, tendo em vista o fim do empréstimo de Oliver (ainda que se tenha aberto a possibilidade de uma prolongação de uma temporada mais, algo de que falarei noutro dia), mas depois de meia época na II Liga não lhe vem mal uns meses numa equipa que luta abertamente pela Europa e que tem sido uma das mais consistentes formações da liga. Rui Vitória pode ter muitos defeitos mas é evidente que sabe moldar tacticamente jogadores jovens e ao brasileiro a experiência será seguramente positiva.


Face á situação financeira do clube estava claro que não havia muito que fazer no mercado. É bastante provável que alguns dos empréstimos acabem este Verão - Tello e Casemiro - e se para a posição 6 seguramente Lopetegui continuará a ter em Ruben Neves a sua aposta principal, o clube acabará por ter que reforçar-se em Julho, a posição de extremo fica claramente coberta com a chegada de Hernâni. Não se enganem, a mais que provável saida de Brahimi para fazer caixa e o eventual regresso de Tello em Barcelona obrigará a nova incursão no mercado mas pelo menos o jovem tem meio ano para provar o que vale e não apenas quatro semanas em Julho como tem sucedido com tantos jogadores. Um negócio acertado de um jogador que se enquadra perfeitamente no plantel!

PS: O FC Porto inscreveu também para a equipa B um jovem chamado Anderson. Nada a dizer. Mais um jogador estrangeiro de potencial duvidoso que chega para reforçar uma equipa que devia servir para fazer a ponte em jogos competitivos entre o futebol de formação e a primeira equipa mas que tem um terço de plantel com jogadores de fora com uma projecção futura mais que questionável ainda que existam bons exemplos em contrário - Mikel, Kayembe (depois de meio ano a tapar Rafa para ser empestado ao Arouca), Gaudiño, por exemplo. O caso de Anderson é no entanto curioso. Jogava num clube perdido de Belo Horizonte na Segunda Divisão do estadual mineiro que curiosamente, e só curiosamente, é sustentado pelo banco BMG. O mesmo que patrocina o museu e com quem o clube tem tão boas relações.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Sai uma trivela para a mesa 5

                                          Foto: Maisfutebol

O FC Porto quis redimir-se da derrota da jornada anterior na Madeira frente ao Marítimo e fez uma exibição convincente aplicando a chapa 5 ao Paços de Paulo Fonseca.

A equipa jogou com muito mais intensidade, pressionando mais alto o adversário e em consequência ganhando a bola mais próximo da baliza adversária. As oportunidades de golo foram surgindo até que aos 28’ Jackson empurra para a baliza a bola vinda de um cruzamento tenso da esquerda de Alex Sandro, beneficiando ainda do erro do guarda-redes Defendi que falhou a saída ao cruzamento.

Vi no Paços de Paulo Fonseca uma equipa semelhante ao FC Porto da época passada. É uma equipa organizada que, sem a bola, se move em bloco ora para o lado esquerdo ora para o lado direito, dependendo das movimentações do adversário mas que, não raras vezes, deixa os adversários na cara do golo porque falha uma ou outra marcação quando a bola é lançada para as costas da defesa. Era assim a nossa defesa na época passada. E foi assim que Jackson se isolou com um passe longo livrando-se de Hélder Lopes que depois acaba por agarrá-lo dando origem à marcação do penalty que Quaresma executou na perfeição.

O árbitro Marco Ferreira conseguiu inovar e mostrar-nos uma nova interpretação das leis do jogo no que respeita à sanção disciplinar a aplicar ao jogador que impede o adversário de jogar tendo este pela frente apenas o guarda-redes. Assim, estes lances são, segundo Marco Ferreira, puníveis com livre directo e o jogador infractor:
a) É punido com a amostragem de um cartão amarelo se a equipa adversária for o FC Porto ou;
b) É punido com um cartão vermelho e consequente ordem de expulsão se a equipa adversária for outra que não a mencionada em a).

Foi assim aos 37’ quando Hélder Lopes agarrou Jackson dentro da área e foi assim aos 81’ quando Romeu agarra Jackson à entrada da área (i.e, viram apenas um cartão amarelo sendo que no caso de Romeu levou a expulsão por se tratar do segundo amarelo).

Depois, aos 43’, vem o momento de magia no jogo. Deixo aqui a descrição do lance por Pedro Cunha no Maisfutebol que tem mais veia poética que eu:

Era uma vez… Quaresma. 

Todas as histórias de encantar, pedaços da nossa infância, começam assim. E o Mustang merece a deferência. É raro, muito raro, ver o que vimos no Dragão este domingo. O terceiro golo da noite é um prodígio de potência, colocação e efeitos especiais. Sim, efeitos especiais. 

O pontapé de trivela, três dedos na bola e o arco perfeito, é sobre-humano. É um truque saído da manga de um mágico, retocado na mesa de edição de imagem e servido ao público com um halo de perfeição. Que grande golo, caro leitor! 

O movimento de Quaresma é o habitual. A finta a procurar a zona central e a parte de fora do pé direito a fazer das suas. A bola explodiu no ângulo superior direito da baliza do Paços e dissipou, com a firmeza de uma alta patente, as poucas dúvidas que ainda assombravam o score.

Logo no início da segunda parte Herrera fez o 4-0 depois de excelente trabalho individual de Jackson – que grande jogo fez o colombiano, está em toda a parte, defende, ataca, desmarca-se, enfim, é um trabalhador incansável – e a equipa adormeceu um pouco, o que se compreende. Até ao fim há a destacar a desmarcação de Óliver que, na cara do guarda-redes, atirou à figura e o 5-0 por Cristian Tello na marcação de um livre directo por falta cometida sobre Jackson. Um golo de belo efeito.

Não gostei da exibição de Cristian Tello, apesar do livre bem marcado, e creio que a sua substituição seria mesmo a mais acertada em vez da de Quaresma. O espanhol, mais uma vez, teve uma actuação de altos e baixos e nunca mostrou disponibilidade total para disputar a bola. Há uma jogada na primeira parte sobre o lado esquerdo do ataque do FC Porto em que a bola lhe é passada bastante para a frente e Tello pura e simplesmente se desinteressa do lance. Isto não é um jogador "à Porto" e o problema é que ninguém lhe explica isso sendo, aparentemente, um jogador intocável para Lopetegui. O Quaresma é sempre o extremo sacrificado quando toca a substituições e, sinceramente, começo a entender a sua incompreensão apesar de não concordar com gestos públicos de desagrado como tirar as fitas das caneleiras e atirá-las ostensivamente para o chão. 

Em suma, valeu ao FC Porto uma entrada em jogo com determinação e entrega por parte de todos os jogadores que desta vez conseguiram colocar mais intensidade em todas as bolas. A equipa deveria jogar assim em todos os jogos da Liga até à 34ª e última jornada.
   

domingo, 1 de fevereiro de 2015

SMS do dia

O artista Marco Ferreira, consegue transformar um cartão vermelho certo, num penalty incerto - tcharan!