terça-feira, 10 de março de 2015

A Julen o que é de Julen

Este texto sai propositadamente antes do jogo com o Basel. Não quer ser um texto oportunista se o FC Porto garante o apuramento para os quartos-de-final (primeira vez desde 2009, já lá vão seis longos anos) nem pessimista se o improvável – a julgar pelo que passou na Suiça, suceder e voltemos a cair com um rival à nossa altura (como passou em Málaga). E sai agora porque Julen Lopetegui o merece.

É muito difícil – diria mesmo quase “colinhamente” impossível – que o treinador basco conquiste o titulo que escapa desde que Vítor Pereira vergou Jorge Jesus com um golpe de 92 graus Kelvin. Todos sabemos o que se passa, semana sim, semana também, nos relvados portugueses. Não vale a pena dar mais voltas, apenas lutar até ao ultimo suspiro como exige a camisola e culpar aqueles que realmente permitiram este controlo quase absoluto das instituições arbitrais na sombra, esses que vestem traje. Com a Taça de Portugal perdida – e mal perdida, é certo e inequívoco – e a Taça da Liga no número 374 das minhas prioridades do ano (logo a seguir ao titulo de bilhar), sobra a Champions League. E Lopetegui tem o claro objectivo de colocar o FC Porto no top 8 da Europa. Se o fizer terá cumprido com uma parte importante da sua missão. Terá merecido o nosso aplauso porque, já nos diz a nossa história recente, não tem sido fácil chegar longe na Champions. Há outros que acham que são os melhores treinadores do Mundo, não a jogar Playstation mas a treinar na Europa League. Níveis de exigência distintos, está claro.

Lopetegui vai ficar um ano mais inequivocamente e pode ficar com esse bom registo europeu e um subcampeonato que, se tudo correr bem, com vitória na Luz incluída, pode obrigar o clube da capital a sofrer até ao último jogo do ano depois de tudo ter procurado fazer (em jogos próprios e alheios) para ser campeão mais cedo e tranquilamente. Lá chegaremos. Mas se hoje as coisas correrem mal, o cenário afinal não será diferente dos Jesualdos, Vítor Pereiras, Co Adriaanses e afins nos palcos europeus. Nada a que não estejamos habituados. O que sim é preciso reconhecer é o trabalho de fundo realizado. E aí é preciso dizer que a Julen o que é de Julen.
Não considero que seja um grande treinador na esteira de grandes treinadores que o FC Porto já teve nas suas filas. Não é preciso procurar exagerar para fazer justiça. Fui critico com Lopetegui quando chegou, fui critico com as suas decisões, poderia sacar o oportunismo de não ser campeão (como é provável) para dar-me a razão mas acho que o treinador mereceu não só o segundo ano no banco como o meu respeito. E fê-lo sem estridências, sempre com uma ideia concreta. Fê-lo sendo fiel a si mesmo, a mesma fidelidade que transformou uma defesa com vários erros posicionais quando a dupla era Maicon-Indi numa defesa de ferro muito mais bem estruturada quando jogam Maicon e Marcano. Critiquei a incorporação de Marcano e graças a Lopetegui hoje posso dizer que me enganei. Como o treinador, não está nem sequer no top 10 dos melhores centrais que vi de dragão ao peito em vida. Não está. Mas traz essa tranquilidade e organização que faz tanta falta num projecto novo como este. Marcano é um exemplo. Um de muitos.


O crescimento espantoso de Danilo, hoje um dos melhores do Mundo na sua posição, deve-se sobretudo ao trabalho de Lopetegui que lhe meteu ordem e confiança na cabeça depois do desnorte que foi servir no ano passado. Danilo é um desses jogadores que, bem polidos pelo treinador, vai longe. Este ano prova-o. Uma pena que tenha perdido um ano de carreira por uma decisão presidencial nefasta. Mas não é único sinal positivo. Longe disso. A esperança de um futuro menos doloroso depois da sua inevitável saída, com Ricardo Pereira a jogar, também é obra do treinador que pegou num extremo que tinha feito a posição para ensiná-lo, como fizeram no passado com Conceição de forma inversa, a que tem as condições para dominar o carril completamente.
A transformação mental – sobretudo mental – de um Tello que jogava para si e tomava sempre a decisão final errada num Tello que joga para todos e que, graças a isso, aprendeu a sacar a espinha individual de golos que tinha atravessada, também é mérito seu. Lopetegui é o homem que lançou Ruben Neves – a maior prova de confiança de um treinador do FC Porto na formação desde que o Octávio Machado lançou o Ricardo Carvalho – mas não o queimou, dosificando um miúdo que há um ano jogava encontros de 80 minutos e passeava anónimo nas ruas. Foi o treinador que recuperou emocionalmente Herrera – e que desastre foi Herrera no ano passado – para o transformar num jogador mais colectivo ainda que continue a ser para mim uma peça a mais na sua ideia geral e uma dor de cabeça para quem segue o jogo e se asfixia nas suas correrias sem sentido. Brahimi, Oliver, Alex Sandro, todos têm crescido com a ideia de jogo colectivo de Lopetegui porque esta implica potenciar as suas valências dentro de um bloco colectivo organizado, tudo aquilo que não se viu no ano passado.

Se considero – e considero – ainda que algumas das suas petições pessoais em Julho foram tiros falhados totalmente – Andres Fernandez, Opare, Campaña – isso não pode tapar o bom trabalho que fez em potenciar alguns dos jogadores que já por cá havia. Nem todos, é certo. Quintero parece perdido em ser sempre Quintero e Quaresma está condenado, já o sabemos, a ser Quaresma. Mas são casos pontuais – e um treinador não é um milagreiro – num colectivo que parece cada vez mais mentalmente unido em trabalhar em conjunto. Oito meses depois de ter começado a trabalhar com grande parte do plantel, esse é o maior mérito do treinador.

Lopetegui tem uma ideia que o clube partilha e que implica resultados a médio prazo, algo pouco habitual em que parece ter vivido os últimos anos no imediatismo absoluto. A carteira tem algo a ver com essa mudança (aparentemente) de visão. Nessa ideia há espaço para crescer o produto da casa – o Gonçalo é bom exemplo e há mais a caminho, dêem-lhes tempo e dêem-lhes oportunidades –  mas também potenciar negócios da SAD como tem sido habitual. Danilo é o melhor exemplo (quem pensava há um ano que se poderia sacar lucro de um investimento como o seu?) mas a seguir vêm Aboubakar (do qual só temos 30%), Alex Sandro e se tudo correr bem na sala de aulas pode ser que Indi ponha em prática conceitos que, seguramente, conhece de sobra.


Depois dos tropeções iniciais – os por culpa própria como o Boavista, a mancha mais negra no "reinado" do basco, e os por culpa alheia como o jogo em Guimarães – a equipa está a uma vitória na Luz e um tropeção do Benfica do conseguir o que parecia impossível depois de subir o Evereste com uma sucessão de demonstração de superioridade inaudita frente a rivais complicados. E sem colinho, vejam lá. Há muito, muito trabalho por fazer. Muito. O nosso jogo de bola parada é fraco. A nossa eficácia ofensiva também, para a superioridade com a bola que geramos. Exige-se que uma equipa que domina totalmente o processo de construção de jogo seja capaz de rematar mais vezes e de forma mais acertada do que fazemos. O trabalho ofensivo, sobretudo de recuperação e posicionamento melhorou de forma tremenda e hoje somos uma das melhores defesas da Europa. A equipa joga como um bloco, pensa como um bloco e actua como um bloco, para o bem e para o mal. Quem viu o perigoso que pode ser uma anarquia no relvado, no ano passado, sabe do que falo.

Espero sinceramente que o Lopetegui possa hoje à noite riscar um dos objectivos do ano e trabalhar sem pressão até Maio (porque como estão as coisas aqui a pressão sobra) e a continuar a pensar na sua ideia de FC Porto para 2015/16. Sem ser um treinador que me enche as medidas e que me faz parar para ouvir o que tem a dizer com devoção, como fiz com outros que ocuparam o seu lugar no banco das Antas e do Dragão, não deixa de ser um homem que está determinado a deixar um legado. E a esse tipo de homens sempre há que respeitar e esperar para ver que Ás vão sacar da manga.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Receitas directas e indirectas

«Da receita comercial bruta estimada, 55 milhões serão alocados exclusivamente ao “play-off”, como aconteceu em 2013/14. Cada uma das 20 equipas que participaram no “play-off” receberá uma quantia fixa de 2,1 milhões. Após a dedução da alocação para os clubes envolvidos no “play-off”, a quantia bruta disponível para a UEFA Champions League e a SuperTaça Europeia totaliza 1,285 mil milhões. (…)
O montante líquido disponível para as equipas participantes será dividido em dois – 500,7 milhões em pagamentos fixos (alocações a bónus da fase de grupos, desempenho e qualificação) e 409,6 milhões em verbas variáveis (quota de mercado). A verba destinada à quota de mercado será distribuída de acordo com o valor proporcional de cada mercado televisivo representado pelos clubes que disputem a UEFA Champions League (da fase de grupos em diante), e será dividida entre as equipas de cada federação. (…)
Cada uma das 32 equipas envolvidas na fase de grupos vai somar um valor base de 8,6 milhões. Os bónus de desempenho estipulam o pagamento de um milhão por vitória e 500 mil euros por empate na fase de grupos. Os apurados para os oitavos-de-final também podem esperar receber 3,5 milhões cada, os oito apurados para os quartos-de-final têm direito a 3,9 milhões e os quatro semifinalistas embolsam 4,9 milhões. O vencedor da UEFA Champions League arrecada 10,5 milhões e ao finalista vencido cabe 6,5 milhões


Receitas já obtidas pela FC Porto SAD, directamente resultantes da Liga dos Campeões 2014/2015:

Liga dos Campeões 2014/2015 - Projecção de Receitas do FC Porto


Se, amanhã, o FC Porto alcançar o desejado apuramento para os quartos-de-final da Liga dos Campeões 2014/2015 junta, desde logo, mais 3.9 milhões de euros ao pecúlio já amealhado, perfazendo 23.1 milhões de euros.
E, somando-lhe as receitas de bilheteira de seis jogos em casa (Lille, BATE, Athletic Bilbao, Shakhtar, FC Basel, adversário nos ¼), mais o montante do market pool, projecta-se uma receita directa global na ordem dos 30 milhões de euros!

Na época 2012/2013, em que também participaram três equipas portuguesas na fase de grupos - FC Porto, SL Benfica, SC Braga - a distribuição de receitas foi a seguinte:

Liga dos Campeões 2012/2013 - distribuição de receitas pelos clubes (clicar para ampliar)

Mais. Estando o FC Porto posicionado a meio da “cadeia alimentar” (entre os clubes “produtores” e os “predadores de topo”) e sendo a Liga dos Campeões a principal “montra” do futebol mundial, em quanto é que já se valorizaram alguns ativos da SAD, como Danilo, Indi, Alex Sandro, Rúben Neves, Herrera ou Brahimi, graças ao muito bom desempenho colectivo (9 jogos, 6 vitórias, 3 empates, 0 derrotas) verificado até agora?

É por tudo isto que, na minha opinião, é bem mais importante chegar a uns quartos-de-final da Liga dos Campeões do que a uma final da Liga Europa.

domingo, 8 de março de 2015

Capelada no Bessa


Hoje, no final do Boavista x Vitória Guimarães, arbitrado pelo senhor João Capela, o treinador dos vimaranenses afirmou o seguinte:

É inevitável falar de arbitragem, claro. Não se pode vir conduzir um jogo a tentar que primeiro se salve a sua pele. (…) Hoje isto passou os limites. Em jeito de curiosidade, temos aqui uma pessoa no Vitória, que é o Neno, que é dos melhores seres humanos que conheço. Para ele se descontrolar, algo de grave se passou. (…) Não tenho nada contra ele [João Capela]. Dirigi-me de uma forma exaltada no final, disse-lhe que ele não prestava como árbitro e não o cumprimentava mais.

E o presidente do Vitória, Júlio Mendes, foi à sala de imprensa dizer o seguinte:

Para quem, como eu, tem defendido a melhoria da qualidade do futebol português, não podia deixar de dizer aqui, hoje, que o árbitro, na minha opinião, estragou o espetáculo. Foi altamente incompetente. Não vou falar de critérios, nem dualidades. Digo claramente que foi altamente incompetente, que prejudicou uma equipa profissional que trabalhou uma semana para este jogo. O senhor João Capela deixou mal uma classe que representa e desejo que não apite mais o Vitória. Um árbitro que eu vi fazer o que fez aqui não pode apitar mais. E não pode apitar o Vitória.


Não pode apitar mais o Vitória?
Tudo bem, desde que, sempre que necessário, seja nomeado para apitar o SLB…

E, claro, um árbitro desta “categoria” e que tão “bons serviços” tem prestado ao SLB… perdão, à arbitragem portuguesa, merece ser premiado com as insígnias da FIFA, não é senhor Vítor Pereira?

Certezas & Simulações, Lda

Sérgio Conceição tem a certeza que houve um contacto entre Pardo e Alex Sandro;
Eu tenho a certeza absoluta que o Futebol é diferente do Basquetebol; tenho a certeza que o futebol é um jogo de contactos; e tenho a certeza que nem todos os contactos são falta.

Tribunal de O JOGO, SC Braga x FC Porto

Sérgio Conceição tem a certeza que houve motivo para assinalar penalti;
Eu, parafraseando o ex-árbitro Pedro Henriques (e também Luís Freitas Lobo, neto de um dos fundadores do SC Braga), tenho a certeza que “a queda de Pardo é posterior e deslocada no tempo em relação ao momento do contacto”, ou seja, é uma clara simulação.

E tenho mais certezas. Tenho a certeza absoluta que há uma enorme vontade, da parte de muita gente, em transformarem lances claros em lances duvidosos e lances duvidosos em supostos benefícios para o FC Porto.

Perante o andor encarnado, perante os sucessivos “erros” de arbitragem favoráveis ao SL Andor, perante os 8 a 10 pontos que o SL Andor tem a mais, à custa de uma série interminável de “lapsos” arbitrais, eu percebo o jeito que daria poder dizer que, neste campeonato, também o FC Porto ganhou pontos à custa dos árbitros. Pois, mas ainda não foi desta…

sábado, 7 de março de 2015

SMS do dia

O Vítor Baía é a nova Carolina Salgado do futebol português. Os gabrieis já o citam como fonte fidedigna, e portanto não deve faltar muito para assinar um livro com a Leonor Pinhão. Triste fim...

sexta-feira, 6 de março de 2015

T3LLO e os sportings


Jogo muito difícil, como se previa, mas dominado do princípio ao fim e com uma vitória inteiramente justa do FC Porto.
É verdade que a vitória foi curta (1-0), que o golo apenas surgiu aos 73’, novamente dos pés de T3LLO, mas também é verdade que poderia ter surgido em outras 3 ou 4 ocasiões criadas anteriormente.

E o SC Braga? Os bracarenses tiveram a sua única oportunidade de golo aos 5’, na sequência de um lance de bola parada, em que o nervoso Fabiano saiu mal da baliza (um dos seus pecados) e ia borrando a pintura. A partir daí, estiveram mais de uma hora sem rematar e terminaram o jogo com apenas dois remates (contra 16 remates do FC Porto).

Jornalistas e comentadores ficaram muito desiludidos com a exibição do SC Braga (pode ser que para a semana jogue melhor…) mas, tal como já tinha acontecido com o FC Basel e com o Sporting, parece-me claro ter sido o FC Porto a não permitir que fizessem mais.

Notou-se que Lopetegui estudou muito bem a equipa de Sérgio Conceição, sabia quais eram os pontos fortes do adversário, anulou-os e praticamente não se viu Braga, nem por um canudo… O que se viu, isso sim, foi um FC Porto dominador (67% de posse de bola!), sempre equilibrado e muito forte na reação à perda de bola (alguém vislumbrou contra-ataques perigosos do SC Braga?).

As maiores dificuldades criadas pelo SC Braga, decorreram do jeito apurado de alguns jogadores bracarenses (Rafa, Pedro Santos, Rúben Micael, …) em sacarem faltas, alguns cartões (o amarelo mostrado a Alex Sandro é inacreditável) e em simularem penaltis (Pardo bem tentou…).

É notório que o FC Porto tem vindo a crescer ao longo da época, mas há um aspecto que continua aquém do desejável: o aproveitamento das bolas paradas ofensivas, principalmente livres laterais e cantos. Há que melhorar (e muito!), porque há jogos que se decidem com este tipo de lances.


Finalmente, uma palavra para Jackson: espero que a lesão (no adutor esquerdo) não seja grave e que ainda o vejamos esta época a marcar mais golos com a camisola do FC Porto.

A síndrome “pós-colinho do Benfica” ataca outra vez!

"Às vezes levo amarelo por causa do contato, outras vezes porque corto jogadas em contra-ataque. Mas às vezes passo-me, porque vivo o jogo de uma forma muito especial, falo com o árbitro, fervo muito e isso é algo de menos bom. Mas sou assim desde criança e não é agora que vou mudar. É difícil controlar isto dentro do campo."
Enzo Perez, Mais Futebol

Não é a primeira. Não é segunda. E seguramente não será a última vez.
Nos últimos anos a imprensa afim ao Benfica – uma forma diferente de dizer “toda a imprensa portuguesa” – tem alardeado da grande capacidade vendedora do clube. Muitos desses jogadores, ao que parece, saem por milhões que depois ninguém vê e, supostamente, fazem-se estrelas lá fora apesar de que, na imensa esmagadora maioria dos casos, ninguém lhes presta demasiada atenção. Uma das principais razões para que esses futebolistas sofram tanto é o chamado síndrome “pós-colinho do Benfica” que afecta a defesas, médios, extremos e avançados por igual. É uma doença difícil de tratar, quase sem cura, e cujo o principal sintoma é o de continuar a comportar-se nos campos de futebol como se ainda fossem impunes, pagando as devidas consequências. Muitos dos jogadores que a sofrem nem sequer se apercebem que jogar em Inglaterra, França, Espanha, Itália ou até no Burkina Faso não é o mesmo que jogar em Portugal com o Benfica. Os árbitros são muito mais imparciais e isso complica, e muito, as coisas. É nesse momento que os sintomas se começam a fazer notar e o paciente se dá conta que algo não está bem!



Entre os exemplos mais recentes dessas vitimas do síndrome “pós-colinho do Benfica” podemos encontrar extremos que gostam de se atirar para o chão a simular penalties como Angel Di Maria ou Lazar Markovic, tão habituados a que estavam que alguém fosse imediatamente a correr, de apito na mão, para marcar o que o seu visionário treinador chamaria de “penalte”. Também há os avançados como Oscar Cardozo, habituados a mover-se na área com os cotovelos bem altos, empurrando defesas á vontade, que depois na Turquia descobrem que afinal isso é falta e ás vezes até dá direito a cartão vejam lá bem. Mas claramente é no sector defensivo que a doença se manifesta com maior força. Todos sabemos que uma falta no mundo do futebol não é igual a uma falta com a camisola do Benfica. Nem sequer um amarelo ou um vermelho é aplicado na mesma situação. 

É por isso que a Enzo Perez – o tal melhor jogador da liga e arredores – encontrou em Valência os primeiros sintomas da doença. E ainda só saiu há dois meses. Diz o argentino que sofre de impetuosidade e que não está habituado a que lhe marquem tantas faltas ou que os árbitros não o deixem falar. Já leva seis amarelos, um recorde para um jogador incorporado no mercado de Inverno. Há médios que não têm tantos cartões a jogar desde Agosto. Claro que Enzo não entende. Não entende porque lhe marcam uma falta quando ele só está a cortar uma jogada inocentemente como fazia na Luz debaixo dos aplausos do seu treinador visionário que dele diria, seguramente, que é um jogador limpo e honrado. E muito menos entende os cartões – dois deles por protestos – porque quando falava com os árbitros com a camisola vermelha ao peito eles até lhe diziam algo do estilo, “Não se preocupe Sr. Enzo que isto está tudo tratado, não fique nervoso”. Imagine-se, agora exigem-lhe que fale baixinho, com respeito e devagar. Que mundo! Agora já ninguém o trata por senhor, já ninguém acha que as suas entradas são inocentes e já ninguém se surpreende porque leva tantos cartões. 


A sua história não é muito diferente da de um David Luiz – que quando chegou à Premier League tornou-se alvo de chacota pelas entradas sem sentido que fazia semana sim, semana também e os amarelos que lhe davam os “dialogantes” árbitros ingleses por palavras – ou de um Matic, que embora tenha um treinador que também o acha “limpo e honrado”, já foi expulso vezes suficientes na Premier para sentir brotar na pele os sintomas mais agudos do síndrome “pós-colinho”. Em Madrid estão cansados - bastar ler os jornais, os sites e as redes sociais - das entradas fora de tempo dos laterais esquerdos dos dois clubes grandes da cidade, um tal de Coentrão e um tal de Siqueira, habitualmente castigados com cartões quando em Lisboa e arredores se teria aplaudido de pé a sua destreza em realizar uma falta táctica inocente.



Á medida que mais jogadores do Benfica chegam a países onde o futebol é respeitado, os árbitros se fazem respeitar e a imprensa não tem porque esconder as misérias dos seus jogadores, mais claro fica que o “colinho” é algo muito sério. É uma pena que a maioria dos jornalistas desportivos internacionais não se preocupe em investigar os sintomas dessa doença para encontrar a fonte da epidemia e se limitem a pensar que Enzo é duro porque é argentino, David Luiz faz faltas porque é idiota ou Di Maria se atira ao chão a pedir penalti em cada jogada porque lhe está na genética sem entender que todos eles levaram anos e anos onde tudo lhes era permitido.

A síndrome “pós-colinho do Benfica” é uma doença grave que não pode ser tratada pelo médico de família nem sequer pelas urgências. Neste momento há vitimas da doença em potência como Luisão ou Maxi Pereira que nunca poderão ser curados tal é o alcance do vírus. Houve outros pacientes no passado como Katsouranis, Binya, Karagounis, Javi Garcia, Witsel que foram ostracizados precisamente porque não se conseguiam livrar do “síndrome” que outros jogadores vindos de Portugal não pareciam manifestar. Dizem que a norte se respira melhor, deve ser isso! 
É preciso assumir "partantos" que é uma epidemia e que só se pode estripar desde as suas origens. Mas como com tantas doenças no mundo parece haver interesses superiores em que o brote se mantenha vivo. E lá continuaremos a ver, com o passar dos anos, mais pobres vítimas da síndrome do "pós-colinho".

PS: Estou há espera do dia em que a síndrome “pós-colinho do Benfica” salte do terreno de jogo para o banco de suplentes. No dia em que Jorge Jesus atravessar a fronteira a pensar que é a reencarnação divina de Rinus Michels e Helenio Herrera, teremos a oportunidade de ver como os seus insultos, agressões a agentes da autoridade, empurrões a árbitros e rivais e, sobretudo, o seu total desconhecimento táctico e das leis do jogo funciona em clubes e países um pouco mais exigentes do que aqueles onde se vive o “colinho”. 

quinta-feira, 5 de março de 2015

Investimento em “passes” de jogadores

Desde Agosto do ano passado, a comunicação social lisboeta vem insistindo na ideia que, para esta época, o FC Porto investiu como nunca em jogadores, enquanto que o SL Benfica tinha desinvestido ou, numa versão mais benigna da propaganda encarnada, investido pouquinho.

Qual é a realidade?

De acordo com o Relatório e Contas Consolidado apresentado pela FC Porto SAD, referente ao 1º Semestre do Exercício 2014/2015, os custos com as aquisições realizadas no período de seis meses findo em 31 de Dezembro de 2014, foram os seguintes:

Fonte: Relatório e Contas Consolidado da FC Porto SAD, 1º Semestre 2014/2015

(*) A rubrica “Encargos adicionais” refere-se a gastos relacionados com as aquisições de direitos económicos, nomeadamente encargos com serviços de intermediação, serviços legais, prémios de assinatura de contratos, entre outros custos relacionados com a aquisição de direitos económicos.

De acordo com o quadro anterior, e tendo em consideração os planos de recebimentos e pagamentos estipulados (o denominado Efeito da actualização financeira), a FC Porto SAD investiu 45.8 M euros na compra e/ou recompra de percentagens de “passes” (direitos desportivos e económicos) de jogadores.

Na realidade, no período em causa, a FC Porto SAD investiu 40.8 M euros porque, a 23 de Julho de 2014, celebrou com a Doyen Sports Investments Limited um contrato, tendo em vista a cedência de parte dos direitos económicos do jogador Brahimi (80%), pelo montante de 5.000.000 Euros.

Nota: Este contrato prevê opções de recompra, por parte da FC Porto SAD, de até 55% dos direitos económicos até Junho de 2017 e opções de venda, de até 80% dos direitos económicos por parte da Doyen, até Setembro de 2017.

E se descontarmos a compra dos restantes 50% dos direitos económicos de Quintero (a FC Porto SAD passou a deter 100% do “Passe”), então conclui-se que o investimento em percentagens de “passes” de novos jogadores foi de 36.3 M euros.

E o SLB?

De acordo com o Relatório e Contas Consolidado que foi apresentado, durante o 1º Semestre do Exercício 2014/2015, “a Benfica SAD efectuou diversos investimentos na aquisição de direitos desportivos de atletas, num valor global que ascendeu a 29,8 milhões de euros”, sendo que este valor inclui “encargos com prémios de assinatura pagos aos atletas e encargos com serviços prestados por intermediários, assim como os efeitos da actualização financeira”.

36.3 M euros versus 29.8 M euros. É assim tão grande a diferença, para se dizer que uns (FC Porto) investiram como nunca e outros (SL Benfica) investiram pouquinho?

E quanto é que a Benfica SAD gastou na compra, ou recompra, de direitos económicos de atletas com os quais já tinha contrato?

Mais uma vez, de acordo com o Relatório e Contas apresentado pelo SLB:

«O Benfica Stars Fund foi liquidado neste semestre, tendo a Benfica SAD previamente adquirido a totalidade das Unidades de Participação (“UP’s”) do mesmo, recuperando desta forma os direitos económicos dos atletas que ainda eram detidos por esse Fundo. Tendo em consideração que o Benfica Stars Fund iria terminar a sua actividade a 30 de Setembro do corrente ano, e que o referido fecho implicaria a distribuição de parte dos direitos económicos dos atletas detidos pelo Fundo a entidades terceiras, existia um interesse estratégico por parte da Sociedade em recuperar os referidos direitos económicos, de forma a evitar a sua dispersão. Desta forma, a aquisição das 85% das UP’s do Benfica Stars Fund que a Benfica SAD não detinha representaram um investimento global de 28,9 milhões de euros

Ou seja, no 1º Semestre 2014/2015, somando o investimento em “passes” de novos jogadores, com o investimento na (re)compra de direitos económicos de atletas que já lhe pertenciam, conclui-se que a Benfica SAD investiu um total de 58.7 M euros!

Em resumo:
Investimento em “passes” de novos jogadores:
FC Porto: 36.3 M euros
SL Benfica: 29.8 M euros

Investimento total em “passes” de novos jogadores + (re)compra de direitos económicos:
FC Porto: 40.8 M euros
SL Benfica: 58.7 M euros

Esta é a realidade dos factos (números).

Lamentavelmente, e apesar destes números fazerem parte dos relatórios oficiais de ambas as SAD’s, a maior parte da comunicação social continua a insistir nas teses propagandísticas iniciais, sabe-se lá com que objectivo.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Os recados de Pinto da Costa

Pinto da Costa (JN)

No editorial do número mais recente da revista Dragões (relativa aos meses de Janeiro e Fevereiro), que já tinha sido pré-publicado no JN, o Presidente do Futebol Clube do Porto fala de diferentes assuntos e envia vários recados.

O crescimento da marca FC Porto – Os cerca de 12 mil portugueses, vindos de vários pontos da Suíça e de países limítrofes, para assistir ao FC Basel x FC Porto, provam, se necessário fosse, que nem todos os emigrantes portugueses são benfiquistas e que, também além-fronteiras, cada vez há mais adeptos do “clube regional”.

A influência decisiva das arbitragens – Num artigo escrito quando ainda faltavam 12/13 jornadas para o final do Campeonato, Pinto da Costa, mesmo sem baixar os braços, admite que o vencedor da principal competição nacional será decidido pelos erros dos árbitros. A questão é: o que irá o FC Porto fazer para evitar que o mesmo cenário se repita na próxima época?

A defesa de um sorteio com critérios – Pinto da Costa deixou de confiar em Vítor Pereira ou, pelo menos, deixou de confiar nele e na actual secção profissional do Conselho de Arbitragem da FPF, para efectuarem as nomeações dos árbitros. A proposta do presidente do FC Porto é simples: voltarmos ao sorteio condicionado dos árbitros, um sorteio com critérios definidos. Será muito interessante verificar qual será a resposta dos restantes clubes a esta proposta, particularmente de Bruno Carvalho e de… Luís Filipe Vieira. Para já, eles e a comunicação social lisboeta, ainda não reagiram.

O ataque ao dr. Fernando Gomes da Silva – O antigo vice-presidente do Futebol Clube do Porto e administrador da FC Porto SAD, caiu definitivamente em desgraça para os lados do Dragão. Nunca, como agora, as críticas (repúdio!) ao atual presidente da Federação Portuguesa de Futebol tinham sido tão ferozes e, ainda por cima, feitas na revista do clube.

Nota: Clicar nas imagens para as ampliar.

terça-feira, 3 de março de 2015

Já se fala em Espanha…

Jornal desportivo AS

«El viento sopla a favor del Benfica en Portugal. También el arbitral. Las constantes decisiones beneficiosas para los benfiquistas tienen a los de Jorge Jesus con siete puntos de ventaja sobre el Oporto y un partido más (ayer goleó al Estoril por 6-0), que asiste impotente al habitual ejercicio de errores arbitrales en Portugal. Lo malo es que siempre tienen una misma dirección, sobre todo este curso.

Hay datos para refutarlo. Hasta en trece partidos de los 27 disputados ha jugado el Benfica en superioridad numérica; ocho de ellos, además, durante un tiempo superior a la media hora. Demasiada ventaja con respecto al Oporto. Los de Lopetegui sólo se han visto cuatro veces en esa situación de ventaja, mientras que en otras dos estuvieron en inferioridad.

(…) la prensa de Lisboa tampoco se hace mucho eco del asunto. Los diarios deportivos con más tirada del país (Record y A Bola) son de la capital y no quieren definirse.»


Extracto de um artigo publicado no jornal espanhol AS, escrito antes do FC Porto x Sporting.

O artigo completo pode ser lido aqui.

segunda-feira, 2 de março de 2015

O medo que tolhe os árbitros


No FC Porto x Sporting houve dois lances duvidosos, de possível penálti, na área dos leões:

47’: Montero controla a bola com o peito ou com um braço, após canto marcado por Tello?

90’+2: Ao cortar, com o braço direito, um remate/cruzamento de Jackson, Cédric tinha o braço em posição natural?

Dou de barato e dou o benefício da dúvida a Artur Soares Dias nestes dois lances, ao não ter assinalado penálti em qualquer um deles, mas sempre queria ver se fosse ao contrário…

Nos últimos 10 anos (leia-se, no pós-Apito Dourado), instituiu-se uma nova regra no futebol português: na dúvida, os árbitros, para se defenderem (não querem aparecer nas primeiras páginas dos jornais do regime…), decidem sempre, ou quase sempre, contra o FC Porto.

Este Artur Soares Dias, talvez por ser portuense, leva isso ao extremo e, por isso, foi vê-lo no jogo de ontem a marcar faltinhas contra os azuis-e-brancos e a deixar passar em claro idênticas faltinhas cometidas pelos verde-e-brancos. E perdi a conta à quantidade de vezes que o Jackson foi agarrado sem ter sido assinalado falta.


O exemplo mais flagrante deste medo que tolhe os árbitros, foi o lance em que Cédric (que já tinha um cartão amarelo), nas imediações da área leonina, entrou em tackle e derrubou Jackson e nem assim o senhor Artur Soares Dias foi capaz de lhe mostrar o 2º cartão amarelo e o consequente vermelho.

Aliás, num espaço de poucos minutos, há uma falta de William Carvalho para cartão amarelo, que Artur Soares Dias também não mostra, e só à terceira é que mostra um cartão amarelo a… Alex Sandro, por uma falta muito menos grave que qualquer das outras duas cometidas pelos jogadores sportinguistas minutos antes.

Enfim, o FC Porto ganhou de forma concludente, ninguém falou da arbitragem mas, mais uma vez, na dúvida e até nas certezas, foi sempre contra o FC Porto.

domingo, 1 de março de 2015

T3LLO!


O “Sporting da Covilhã” veio ao Dragão e, em 90 minutos, o FC Porto não permitiu que os verdes-e-brancos criassem uma única oportunidade de golo.

Pelo contrário, o FC Porto, para além do hat-trick de T3LLO, enviou uma bola à trave (por Marcano) e ainda teve mais 4 oportunidades claras, nos pés de Jackson (3) e Herrera.

Os “leozinhos” erraram muitos passes, ainda no seu meio campo, quando tentavam sair a jogar?
Pois erraram, porque a pressão alta feita pelos jogadores do FC Porto (Jackson, Tello, Herrera, Evandro, Casemiro…) foi bem pensada e melhor ainda efetuada.
Há umas semanas atrás, os jogadores do FC Basel queixaram-se do mesmo (dos dragões não os terem deixado jogar). Mas, claro, o mérito nunca é dos dragões, nem do modelo de jogo de Lopetegui, os outros ou são fraquinhos, ou estão cansados…

Convém recordar que, esta época, em quatro desafios frente ao FC Porto e SL Benfica, este mesmo Sporting ainda não tinha perdido qualquer jogo; que a meio da semana tinha dominado (em jogo jogado e oportunidades) o 2º classificado da Bundesliga; e há apenas três semanas atrás, vulgarizou uma equipa que tá muitaa confiante…

Evidentemente, o homem do jogo foi T3LLO que, desta vez, não tremeu na cara do guarda-redes e foi super eficaz. É este T3LLO que queremos ver mais vezes.

Mas não posso deixar de realçar a exibição de Jackson. Sim, o passe de calcanhar a isolar T3LLO, no lance do 1º golo, é genial, mas Jackson fez muito mais do que isso. Fez também a assistência para o 2º golo, participou, e de que maneira, na pressão alta da equipa e, principalmente, mostrou como deve jogar um ponta-de-lança neste modelo 4-3-3 de Lopetegui. Não é para todos e não vai ser nada fácil substitui-lo na próxima época.


Com a excepção de Fabiano, que praticamente não fez nada, e de Brahimi, que ainda está longe do nível exibicional que já patenteou esta época, acho que todos os outros fizeram exibições globalmente boas, ou mesmo muito boas.

Alex Sandro está a subir de forma e jogou ao nível do que o vimos fazer com Vítor Pereira (na época 2012/2013); Evandro, como eu previa, foi o substituo de Óliver e voltou a aproveitar a oportunidade dada por Lopetegui (este rapaz parece não saber jogar mal); e Herrera, o jogador que mais quilómetros percorreu (quase 12 Km) e que aos 82' ainda fazia sprints a pressionar os adversários, não fosse ter feito um chapéu demasiado alto e teria culminado mais uma grande exibição com uma assistência e um golo de bandeira.

The last but not the least, Julen Lopetegui.
Parabéns Mister!


P.S. Se dúvidas houvessem, que não há, o FC Porto voltou hoje a demonstrar que é, claramente, a melhor equipa portuguesa.

P.S.2 Sobre a actuação do artista Artur Soares Dias, falarei amanhã, num artigo à parte.

SMS do dia

Parabéns ao Sporting da Covilhã: ainda conseguiu dar luta nos primeiros 20mins.

Não há desculpas

Depois de 3 clássicos com resultado amargo - dois deles em pleno Dragão - com um plantel quase em pleno - talvez Danilo não jogue, mas duvido que a sua ausência seja justificação para um mau resultado; o mesmo é válido para o Óliver - a jogar em casa, com uma semana inteira para preparar o jogo (e quando só o adversário pode valer-se da desculpa do cansaço), e na sequência de uma série de resultados positivos, só há um resultado aceitável: a vitória.

Resultados da FCP SAD - 1o semestre

Todas as atenções estão naturalmente viradas para a recepção de logo ao SCP, mas outra notícia do dia é os resultados do 1o semestre (publicados ontem à noite, mesmo em cima da data-limite obrigatória), aqui.

Por isso mesmo voltarei a este tema de forma mais aprofundada daqui a uns dias, mas deixo desde já algumas considerações. Os resultados intermediários em si (no valor global) querem sempre dizer pouco, fruto da sazonalidade de algumas das receitas e despesas principais; mas dá para tirar algumas indicações interesssantes.

A dependência da venda de jogadores (e em menor medida das receitas da UEFA) para equilibrar as contas aumentou consideravelmente esta época em relação à época anterior: estimo que para os resultados do exercício ficarem no «zero», esta época será necessário que entre mais-valias (*) na venda de jogadores e receitas da UEFA precisemos de encaixar entre 85 e 90M€. Na época anterior o valor equivalente tinha sido de 69M€ e há 5 anos era de 47M€.

Isto é fruto do aumento brutal nos «custos com pessoal» (salários e bónus), que aumentaram cerca de 50% em relação ao 1o semestre da época anterior, ou 11,3M€ em 6 meses (de 24,7M€ para 36M€) - fruto em grande parte sem dúvida de terem entrado no plantel muitos jogadores com salários elevadíssimos (emprestados e não só). Em relação aos rivais, estes valores são 20% superiores aos da slb SAD e exactamente 3x superiores aos da SCP SAD.

De resto não há novidades muito significativas nas principais rubricas. Fica por exemplo confirmado que investimos 47M€ em passes, na linha do que investimos nas épocas recentes, tal como que o melhor desempenho na fase de grupos da LC rendeu 5M€ extra. Mais sobre isto nos próximos artigos sobre o tema.

Pelas minhas estimativas, para não fazermos prejuízo em 14/15 não será suficiente vender 'apenas' um Jackson (ja' presumindo que a venda não andará longe de 40M€ brutos), apesar de já estarem contabilizadas nas contas deste ano as vendas de Mangala por 30,5M€ e Defour por 6M€ (valores brutos)... e apesar desta época contabilizarmos - ao contrário do que é habitual - duas vezes o prémio de acesso à LC, que é de 9M€ (como só nos apurámos para a edição 14/15 depois de Julho). Presumo ao dizer isto que esta época nos apuramos directamente já em Maio, i.e. ficando pelo menos em 2o lugar no campeonato (o prémio é contabilizado na época em que o apuramento fica confirmado). A ver mais logo à noite se se confirma que este pressuposto faz sentido.

Finalmente, o facto mais importante do R&C para a SAD (que pensa quase só no curto prazo, i.e. próximos meses) é que o saldo dos activos & passivos correntes (i.e. com vencimento até 31 de Dezembro) era, a 1 de Janeiro, negativo no valor de 115M€. Este e' o 'buraco' que terá que ser fechado seja com novas receitas nesse período, seja com novos empréstimos ou seja com a prolongação de empréstimos existentes (deduzindo eventuais novos custos no mesmo período). Não tenho dúvidas de que isso irá acontecer, mas já tenho algumas dúvidas sobre a competitividade da equipa na próxima época e ainda mais para as seguintes.

E pronto, daqui a uns dias voltarei ao tema. Concentremo-nos então na recepção aos lagartos, esperando que seja desta que a equipa vence um clássico esta época. Boa sorte, rapazes! 

(*) Há ainda muita gente que confunde valores brutos de venda com as «mais valias» geradas. Por exemplo, Mangala foi vendido por 30,5M€ gerando mais valias de 22,8M€.