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quarta-feira, 15 de julho de 2015

As 50 Sombras de Vieira

No passado fim de semana o Expresso publicou um artigo sobre os 50 principais devedores do BES na altura do colapso da instituição então comandada por Ricardo Salgado. Luís Filipe Vieira, o seu grupo empresarial e os seus (ex?)-sócios figuram entre esses 50 maiores devedores com mais de 600 milhões de euros (excluindo o SLB):


A ligação de Luís Filipe Vieira ao Banco Espírito Santo era forte e conhecida. E isso acontecia com diversas empresas de construção e imobiliário a que estava ligado. Além disso, o próprio Benfica, de que Vieira é presidente, tinha relações de crédito fortes com o BES. No final de 2012, a dívida bancária junto do BES era de pouco mais de cem milhões, valor que subiria no ano seguinte para quase 150 milhões, estando agora o Novo Banco a exigir uma redução dessa exposição.

in Expresso, 11-07-2015

As empresas de Vieira e dos seus sócios têm uma dívida superior a meio bilião de euros à instituição agora designada "Novo Banco" que herdou estes créditos do antigo BES.


Luís Filipe Vieira, além de presidente do SLB, é um empresário ligado ao sector da construção e do imobiliário tendo começado a sua carreira como vendedor de pneus. O "Rei Midas", como foi chamado na capa de ontem do pasquim "A Bola", tem estado ligado a várias empresas que, por coincidência, têm falido, como a Cimovenda, a Ediverca ou a Fipar. E são várias as notícias que dão conta do sucesso empresarial de "Midas" nos últimos anos. Aqui ficam alguns exemplos que dispensam comentários:

Luís Filipe Vieira beneficiado com alterações ao PDM de Lisboa
(...) Director municipal de planeamento trabalhou com o projectista dos antigos terrenos da Petrogal e em projectos de Vieira no Algarve.
Quando o pedido de informação prévia elaborado por Vaz Pires deu entrada na câmara, em Junho de 2005, os terrenos ainda pertenciam à Petrogal. O seu cliente, porém, era Luís Filipe Vieira: mas o pedido tenha sido assinado por um antigo presidente da EPUL, José Manuel de Sousa, na qualidade de administrador da empresa do Grupo Espírito Santo que gere a Fimes Oriente - um fundo de investimento imobiliário ligado ao presidente do Benfica.
(…)
Nos termos da escritura, a Inland pagou à Petrogal 10,2 milhões de euros pela totalidade da propriedade, destinando-a a revenda. Logo a seguir, no mesmo dia, vendeu-a à Filmes Oriente por 12,1 milhões. Embora se tenha tratado de uma operação efectuada no seio do mesmo grupo e habitual entre promotores e fundos, por motivos de natureza fiscal, a operação proporcionou à Inland um ganho imediato de 1,9 milhões.
O grande negócio parece ter sido, todavia, a compra à Petrogal. Na altura estava quase garantida a viabilização de 84.527 m2 de construção (81.283 para habitação e 3243 para comércio), por via da qual os encargos com o terreno ficaram a Vieira por apenas 118 euros o m2 de construção. Basta dizer que já este mês o Estado pôs à venda por 15 milhões de euros, na zona do Palácio da Ajuda, um terreno em que não é possível construir mais de 12.720 m2 (1180 euros por m2)
(…)
O director municipal nega que as alterações ao PDM tenham algo que ver com interesses de Vieira, mas confirma que trabalhou para ele no Algarve e que mantém estreitas relações com o arq.º José Vaz Pires, que define como o seu "melhor amigo", com o qual assinou muitos projectos em co-autoria, sendo co-proprietário, com ele e um colega, da vivenda do Restelo onde funciona o seu atelier.


Os "patrocínios" da Obriverca
Estávamos em Novembro de 2008 e o SLB iria disputar um jogo com o Estrela da Amadora. Os jogadores do Estrela, liderados por Joaquim Evangelista então presidente do sindicato, entregaram um pré-aviso de greve. Antes do jogo o presidente do Estrela da Amadora prometeu aos jogadores que lhes ia pagar um dos meses em atraso. Tinha conseguido um cheque de um 'sponsor' que iria cobrir a verba necessária para pagar um mês de salário aos atletas. No programa “Tempo Extra” da SIC Notícias dessa semana, Rui Santos fez a revelação de que o tal cheque que serviria para pagar aos jogadores do Estrela viria da empresa Obriverca.

A empresa que se dispunha a viabilizar algo mais de um mês de salários aos jogadores do Estrela tem fortes ligações no ramo do imobiliário na Área Metropolitana de Lisboa - com investimentos designadamente nos concelhos de Vila Franca de Xira, Odivelas, Loures e… Amadora. A Obriverca (com sede em Alverca) teve como sócios fundadores Eduardo Rodrigues, actual presidente do Conselho de Administração, Luís Filipe Vieira, que dela se desvinculou em 2001, e Joaquim Marto, entretanto falecido. O actual homem-forte da Obriverca é natural da aldeia de Grade, distrito de Castelo Branco e, avesso a mediatismo, sempre que resolve dar uma festa em sua casa tem um amigo que invariavelmente convida: Joaquim Raposo, o presidente socialista da Câmara Municipal da Amadora. O universo Obriverca agrupa 12 outras empresas, algumas das quais têm na administração as duas filhas de Eduardo Rodrigues. O futebol não é de todo desconhecido para Eduardo Rodrigues, através do cargo de presidente do Conselho Fiscal do Alverca.

OJOGO, 18/11/2008

O presidente do SL Benfica, Luís Filipe Vieira, é suspeito de envolvimento numa alegada burla ao Banco Português de Negócios (BPN)
Luís Filipe Vieira e o seu sócio e braço direito no grupo empresarial, Almerindo Duarte, são suspeitos de terem participado numa burla ao Banco Português de Negócios que terá prejudicado o banco em 14 milhões de euros.
Na manhã de 30 de Março deste ano, elementos da Polícia Judiciária e do Departamento Central de Investigação e Acção Penal fizeram buscas a duas casas do presidente do SL Benfica (uma situada em Oeiras, outra em Corroios) assim como à sede do grupo Inland/Promovalor, avança a revista Sábado.
Os investigadores realizaram também buscas no Estoril, onde está localizada a residência particular de Almerindo Duarte, sócio de Luís Filipe Vieira.
A operação judicial, coordenada pelo procurador Rosário Teixeira, insere-se em mais um dos processos que compõem a megainvestigação do caso BPN.
A Revista Sábado adianta ainda que o inquérito em causa partiu de uma queixa ao Ministério Público (MP) e investiga indícios de burla e falsificação de documentos, no âmbito de um empréstimo bancário destinado a adquirir acções da Sociedade Lusa de Negócios que pertenciam ao líder benfiquista. De acordo com a publicação ainda não foram constituídos arguidos no inquérito.

Revista Sábado, Outubro de 2010

Estado assume dívida 17 milhões ligada a Vieira
Empresa do presidente do Benfica e sociedade espanhola terão desenvolvido esquema que prejudicou o banco. Em 2009 foi feita uma queixa ao Ministério Público. Parvalorem ficou com o crédito, classificado como incobrável.
O Estado, através da Parvalorem, empresa criada para gerir os créditos do BPN, herdou uma dívida de 17 milhões ao banco, a qual poderá ter sido gerada através de um esquema de burla, envolvendo a empresa do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, e o seu sócio, Almerindo Sousa Duarte. O crédito em causa estava colocado no BPN IFI, em Cabo Verde, mas o BIC, depois da compra da instituição cabo-verdiana, não quis ficar com ele. Aliás, em 2009, o próprio BPN classificou a dívida como "incobrável".

Segundo uma queixa-crime apresentada pelo próprio BPN, em 2009, a operação começou com um pedido de crédito feito pela empresa "Transibérica" de Almerindo Sousa Duarte para investimentos financeiros. Só que o dinheiro terá acabado nas contas da Inland, que amortizou uma dívida de 20 milhões, assim como se desfez das acções da Sociedade Lusa de Negócios.
O caso remonta aos anos 2003 e 2004. A Inland, grupo empresarial liderado por Luís Filipe Vieira e que tinha como vice-presidente Almerindo Sousa Duarte, detinha uma posição accionista de 1,4% na Sociedade Lusa de Negócios (SLN) ao mesmo tempo que beneficiou de um crédito de 20 milhões de euros para financiar um aumento de capital no fundo imobiliário BPN Real Estate.


Banco de Portugal audita contas de 12 grupos empresariais
Em causa estão grupos com grandes dívidas à banca, que supervisor financeiro quis saber se podem ser pagas. Grupos Espírito Santo Internacional e SGC estão entre os visados.
O Banco de Portugal (BdP) pediu auditorias a 12 grupos empresariais com grandes dívidas à banca, noticia o Jornal de Negócios esta quarta-feira. Entre as empresas alvo de auditoria no último trimestre do ano passado estiveram (...) a Promovalor (...) escreve o Jornal de Negócios.

O Banco de Portugal (BdP) quis comprovar se os grupos empresariais têm condições para pagar os créditos e se as garantias bancárias estavam bem avaliadas. O processo destinou-se a “evitar más surpresas na passagem da supervisão bancária para o Banco Central Europeu”.
“Foi no âmbito desta avaliação que o BdP pediu uma auditoria às contas da Espírito Santo International”, uma das holdings da família Espírito Santo, tal como tinha sido noticiado pelo Expresso. As análises pedidas pela entidade liderada por Carlos Costa já influenciaram contas anuais do BCP e do BPI, que tiveram de reforçar as imparidades para crédito no último trimestre de 2013 face ao trimestre anterior.
O Jornal de Negócios refere ainda que as contas do BES estão “à espera de solução para diagnóstico das auditorias”.


Luís Filipe Vieira vendeu activos a empresas do grupo BES para baixar dívida
A Promovalor de Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, esteve em todas as amostras seleccionadas pelo Banco de Portugal no quadro das auditorias ao crédito promovidas durante a era da troika. Os créditos as grandes empresas imobiliárias foram sempre avaliadas nestas auditorias que calculavam imparidades.

A regra era sempre a venda de activos, mas houve grupos que tiveram de propor dações aos bancos e a empresa de Luís Filipe Vieira terá vendido activos com muito significado a fundos geridos pelo BES Vida e outras empresas do banco como a ESAF, confirmou António Souto. Estas vendas terão ocorrido em 2012 e permitiram a diminuição da dívida do grupo ao banco, que de acordo com dados avançados por Mariana Mortágua ascendia a 600 milhões de euros. No entanto, assegura Souto: a Promovalor, “nunca saiu do radar do Banco de Portugal, esteve sempre na primeira linha do escrutínio”.


Como podem ver Luís Filipe Midas, perdão, Luís Filipe Vieira transforma em Ouro tudo o que toca!
   

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Quero ser presidente do… SLB!

Luís Filipe Vieira e o BES


Querido Pai Natal,

Como sabes, sou sócio do Futebol Clube do Porto e, como prenda, gostava de ser presidente do… SL Benfica!

Sim, não é engano. Parece que o Luís Filipe Vieira também é (ou foi) sócio do meu querido Fê-Cê-Pê e, por aquilo que pude ler em jornais da Capital, desde que ele assumiu a presidência do clube do regime, tem convivido com gente poderosa, da política e da finança, e nunca mais lhe faltou capital… Consta mesmo, vê lá, que o homem, qual tio Patinhas, passou a “nadar” em dezenas ou centenas de milhões de euros. Para um ex-comerciante de pneus, é obra!


Luís Filipe Vieira entre "amigos"

Ah, e o Luís deve andar a divertir-se bastante com estas notícias de que está, ou esteve, a ser investigado. Como se algum dia, um presidente do clube do regime, enquanto estivesse em funções, pudesse ser incomodado pela Justiça portuguesa… LOL

Imagino que muitos “meninos” devem ter pedido a mesma prenda, mas olha que eu, este ano, portei-me bem (quer dizer, mais ou menos…).

Zezinho

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Eu quero ser como Vieira
Henrique Monteiro

Diário Notícias, 21-11-2013
Eu gostava de ser como Luís Filipe Vieira (tirando a parte de ele ser do Benfica, sendo eu do Sporting e talvez em matéria de orelhas prefira as minhas). Porque o Estado assumiu uma dívida do presidente do Benfica no valor de 17 milhões de euros. Vieira e a sua empresa deviam esse dinheiro ao BPN e parece que foi dado como incobrável.

Eu juro que não preciso tanto, mas se for preciso fico incobrável também. A mim quaisquer 170 mil, que é só 1% do que lhe perdoam, já me deixava feliz. Mas 1,7 milhões, ou seja 10% deixava-me muito rico, mas se não quiserem dar-me mais de 0,1%, ou seja 17 mil euros, eu já vos agradeço bastante.

Pensando melhor, isto deve ser tudo mentira, uma cabala contra o presidente do Benfica (apesar de ainda não ter visto qualquer desmentido). Porque um senhor que tem uma dívida de 17 milhões não deve poder estar à frente de uma instituição de utilidade pública que recebe dinheiros públicos. Se acaso o presidente do Sporting, do Porto ou do Braga forem também prejudicados por uma norma assim, paciência. Gosto muito do meu clube, mas gosto mais de contas bem feitas e de verdade e transparência.

Se for verdade, no entanto, deixem-me gritar: ESCÂNDALO! Ao pé disto, o que se diz dos políticos é – como dizia o Berardo – ‘penauts’, ou, em português, amendoins. Não gozem mais com o Zé pagante, porque eu sinceramente já não aguento!

Luís Filipe, grande homem. Andar todos os dias na televisão sabendo que nós lhe pagamos as dívidas (mesmo aqueles que como eu foram contra a nacionalização do BPN porque já sabiam no que ia dar…) é de homem. E de homem corajoso!

Eu não tinha cara para isso…


Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O fim dos milhões da PT

O JOGO, 17-10-2014
Ontem, numa entrevista ao Porto Canal (anunciada para as 21:00, mas que começou mais cedo…), Fernando Gomes, vice-presidente do Futebol Clube do Porto e administrador da FC Porto SAD, confirmou algumas más notícias que se anteviam e deixou sérios avisos à navegação, tendo em vista o equilíbrio das contas da SAD e a sua sustentabilidade futura:

Não nos vamos iludir. Quando grandes empresas, como a PT ou o BES, decidem deixar de patrocinar o futebol, com certeza que isso faz mossa

Sabemos o que vai acontecer com a PT e estamos em campo a tentar encontrar alternativas para a próxima época. Mas a perda é séria e pesada

É evidente que os recursos que estão afectos ao futebol, vão sendo cada vez mais curtos para fazer face às exigências. Tem de haver sensatez e prudência nesse equilíbrio. Senão, um dia, pode não haver recuperação fácil


O atual contrato entre a Futebol Clube do Porto, Futebol SAD e a Portugal Telecom SGPS (PT), no valor (mínimo) de 14,6 milhões de euros por 4 épocas (cerca de 3,7 milhões de euros por época), termina no final desta época (2014/2015) e, soube-se ontem, não vai ser renovado.

Primeiro foi o Banco Espírito Santo (BES) que, a partir de Junho de 2009, saiu das camisolas dos três grandes, optando por concentrar os seus patrocínios ao futebol no Cristiano Ronaldo e na Seleção.

Equipamento principal e alternativo do FC Porto na época 2008/2009

Agora é a vez da PT que, tudo indica, irá fazer o mesmo a partir de Junho de 2015.
E, no caso da PT, não devemos estar “só” a falar das camisolas.

Equipamento principal e alternativo do FC Porto na época 2013/2014

Também o patrocínio a bancadas/sectores dos estádios (Bancada “TMN”, Bancada “MEO”, etc.), bem como, as parcerias corporate, que envolvem a compra anual de camarotes, deverão terminar.

É um rombo (mais um) significativo nas contas das SAD’s, que irá exigir a procura de alternativas.

No caso do SL Benfica, tudo indica que já tem alternativa. A parceria que o SLB firmou com a Emirates, em Julho passado, visando o futebol de formação, deverá ser alargada a outros domínios, incluindo as camisolas da equipa principal e, possivelmente, também ao naming do estádio da Luz.

E no caso do FC Porto?

Infelizmente, a Emirates não voa de e para o aeroporto Francisco Sá Carneiro e, por isso, não poderá ser uma alternativa à PT.
Mas, olhando para o panorama altamente depressivo (para não dizer pior) da economia portuguesa, parece-me evidente que as alternativas terão de ser procuradas no estrangeiro.

Sponsors de clubes europeus (fonte: Record, Outubro de 2012)

Depois do ‘Museu do FC Porto by BMG’, será que os dirigentes do FC Porto (que, segundo Fernando Gomes, já estão em campo a tentar encontrar alternativas), irão ser capazes de “tirar outro coelho da cartola”?


Nota final: Penso que está mais do que na altura dos portistas (adeptos e dirigentes) encararem, seriamente, a possibilidade do naming do Estádio do Dragão. Eu sou a favor.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Guilherme, o construtor

in Jornal de Negócios, 13-07-2007


in Jornal de Negócios, 08-08-2007


«O antigo presidente do BES foi constituído arguido no caso Monte Branco. As suspeitas sobre Ricardo Salgado dirão respeito, sobretudo, às transferências de 14 milhões que o antigo banqueiro recebeu do construtor José Guilherme
in Jornal de Negócios, 24-07-2014

Correio da Manhã, 09-08-2014



As ligações entre Ricardo Salgado e a sua entourage no BES com diversos protagonistas do Benfica – Luís Filipe Vieira, José Guilherme, Manuel Vilarinho, etc. – é algo que dava para vários livros. Só é pena não haver uma Leonor Pinhão… perdão, uma Carolina Salgado disponível.

domingo, 10 de agosto de 2014

O parceiro financeiro faliu

«(...) na Luz dinheiro parece não ser problema. Não porque o tenham a rodos, mas porque o mesmo banco que aperta o Sporting dá largas ao Benfica: o Banco Espírito Santo.
Esta semana, o BCP confirmou oficialmente uma notícia do “Jornal de Negócios” de há uns meses, de que vai deixar de financiar o futebol, depois das perdas acumuladas em vários clubes. Um deles foi o Sporting, onde BCP e BES foram sucessivamente forçados a reestruturar a dívida, perdendo dinheiro.
Mas o BES é gato que não se escalda. E estará a amparar tanto Luís Filipe Vieira que este afirmou, sem medo, na entrevista de há duas semanas à Benfica TV que, se fosse preciso, aumentaria a sua dívida. Foi preciso. Este ano o Benfica comprou mais do que vendeu
Pedro Santos Guerreiro
in Record, 05-09-2013


Em 8 de Setembro de 2013, publiquei neste blogue o artigo 'O capital dos Bancos e os clubes da Capital'.

Em 24 de Setembro de 2013, numa entrevista à CM TV, Luís Filipe Vieira afirmou: "Temos o melhor plantel dos últimos 30 anos e Rui Costa concorda comigo".

Menos de 11 meses depois...


«O NOVO BANCO – instituição bancária criada a partir dos ativos não-tóxicos do BES – decidiu cortar o crédito ao Benfica, seguindo ordens do Banco de Portugal, de acordo com o semanário EXPRESSO.
O BES era o parceiro financeiro preferencial do Benfica, que beneficiava de uma conta caucionada de 85 milhões de euros, ou seja, da autorização para descoberto nesse valor, que era gerido de acordo com as necessidades do clube.»
in Jornal de Notícias, 10-08-2014

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sábado, 21 de setembro de 2013

Quem ovos vende e galinhas não tem…

Quem ovos vende e galinhas não tem, de algum lado eles vêm
(Provérbio português)


Em complemento ao artigo que o José Rodrigues publicou ontem, pretendo olhar para este assunto – as contas da Sport Lisboa e Benfica, Futebol SAD – sob outro prisma.

Comunicado da Benfica SAD, de 19-09-2013

Vendo o quadro anterior (clicar para ampliar), verifica-se que a SAD encarnada terminou o ano fiscal de 2010/2011 com um prejuízo de 7,66 milhões de euros.

Um ano depois (em Junho de 2012)...
A SAD encarnada terminou o ano fiscal de 2011/2012 com um prejuízo de 11,69 milhões de euros.

Dois anos depois (em Junho de 2013)...
A SAD encarnada terminou o ano fiscal de 2012/2013 com um prejuízo de 10,39 milhões de euros.

Nota: De salientar que a Benfica SAD terminou o exercício 2012/2013 com um resultado líquido negativo, apesar de, durante esse período, ter encaixado 51,5 milhões de euros em proveitos com transferências de jogadores (valor recorde para a sociedade desportiva do slb e que não deve ser fácil de repetir).

Quanto ao Passivo, que no caso da Benfica SAD inclui os empréstimos para o pagamento do estádio da Luz, em apenas dois anos aumentou mais de 60 milhões de euros, passando de 379,6 milhões de euros em Junho de 2011, para 440,4 milhões de euros em Junho de 2013 (equivale a 300% dos Proveitos totais consolidados do exercício 2012/2013).

Como é óbvio, não sou benfiquista e, por isso, não estou minimamente preocupado com a situação financeira da Benfica SAD (para mim, quanto pior melhor).
A questão que coloco é outra.
Perante esta situação financeira e tendo a Benfica SAD registado prejuízos nos últimos cinco exercícios (!), como é possível que no recente período de transferências, a Benfica SAD tenha investido cerca de 40 milhões de euros em 15 novas contratações para esta época, sem ter necessidade de fazer vendas significativas (segundo os números que vieram a público, encaixou menos de 15 milhões de euros em vendas e empréstimos)?

Ora, atendendo a que a Benfica SAD não é uma empresa qualquer e disputa várias competições desportivas com outros clubes, seria importante, por uma questão de transparência e equidade, sabermos de onde vem o dinheiro para estes “luxos” na constituição da equipa de futebol.

Conforme já aqui referi, depois do BCP ter deixado de conceder crédito aos clubes de futebol, o dinheiro que permite que uma SAD em situação de falência técnica continue a gastar mais do que aquilo que recebe e a reforçar a sua equipa de futebol vem, segundo o diretor do Jornal de Negócios (o benfiquista Pedro Santos Guerreiro), do Banco Espírito Santo.

Dando como boa esta informação (até hoje não foi desmentida por qualquer das Partes envolvidas), o que eu pergunto é se faz sentido que Bancos em grandes dificuldades (no primeiro semestre de 2013 o BES teve perdas de 237,4 milhões de euros e o principal motivo para o agravamento dos prejuízos foram, precisamente, as imparidades com o crédito malparado), continuem a financiar uma sociedade anónima desportiva que, pelo quinto ano consecutivo, fecha o exercício com prejuízo?

Nota: A última vez que a Benfica SAD obteve lucro foi em 2007/08, com 0,11 milhões de euros positivos. Desde aí, o prejuízo acumulado por esta sociedade é de 83,6 milhões de euros!


Mais. Com que moral Bancos que têm vindo a registar elevadas imparidades, que fecharam a torneira às PME's portuguesas arrastando muitas delas para a falência (daí a necessidade de criar um Banco de Fomento para apoio à economia), continuam a emprestar dinheiro a uma empresa com esta situação financeira e que teve o trajeto acima descrito nos últimos cinco anos?
Será que aos olhos dos Bancos, a Benfica SAD é uma empresa especial e que merece um tratamento diferenciado da generalidade das empresas portuguesas?

Penso que é legítimo questionar se e quando a Benfica SAD irá pagar o que deve aos bancos ou, pelo contrário, se daqui a algum tempo o país irá assistir (e bater palmas) à reestruturação da dívida do clube do regime, o que significará o perdão de, pelo menos, parte da mesma.

E é aqui que entram as entidades reguladoras. Depois do que se passou com o BPN, BPP, BCP e BANIF, as entidades reguladoras do sistema financeiro têm obrigações acrescidas, nomeadamente em termos da supervisão prudencial e comportamental das instituições de crédito o que, presumo, deve incluir a análise do grau de risco dos empréstimos bancários.
Neste caso, o Banco de Portugal e a CMVM não têm nada a dizer?

Será que depois do escândalo que foi o Estado aceitar ações (não cotadas) da Benfica SAD, como garantia de pagamento de dívidas fiscais, iremos assistir a um outro episódio de favorecimento descarado, envolvendo novamente o clube do regime e, desta vez, alguns Bancos nacionais e entidades reguladoras?

domingo, 8 de setembro de 2013

O capital dos Bancos e os clubes da Capital


O director do Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro, é um conhecido comentador de assuntos económicos mas, como colunista (e benfiquista!), escreve também sobre futebol, numa coluna publicada às quintas-feiras no jornal Record.
No dia 7 de Março de 2013, numa das suas crónicas no jornal desportivo do grupo Cofina, escreveu o seguinte:

«É difícil perceber como há bancos que emprestaram tanto dinheiro a clubes que ficariam falidos. Mas assim foi, o que demonstra também incompetência desses bancos. Há muitos casos perdidos, sendo o maior deles o Sporting. Por isso se fala há muito de uma reestruturação da dívida, que é uma forma educada de dizer “perdão”. E por isso Luís Filipe Vieira saiu a terreiro dizendo que se o Sporting tiver perdão de dívida, o Benfica também quer.
Vieira é esperto que nem um alho e, para mais, tem razão: se um clube (ou uma empresa) quebra e é perdoado, então a sua má gestão é compensada, em detrimento de quem geriu sem ajudas.
Mas a reclamação de Vieira também trará água no bico: ao Benfica não caía mal uma folga da banca. O clube da Luz, além de ter o maior passivo bancário, tem também sido forçado a reduzi-lo, o que tem feito através de receitas de jogadores vendidos e através de emissão de obrigações (cujo encaixe na prática serve para pagar dívida aos bancos).»


Na passada segunda-feira, dia 2 de Setembro, o Jornal de Negócios publicou uma notícia acerca do Plano de reestruturação do Banco Comercial Português (BCP), em que é dito o seguinte:

«A Direcção Geral da Concorrência da Comissão Europeia aprovou de forma final o plano de reestruturação do Banco Comercial Português (...)
Deste modo, o BCP vai desinvestir em várias das actividades que mais imparidades provocaram nos últimos trimestres nas contas do banco, tais como empréstimos para compra de títulos, crédito fortemente alavancado, crédito à habitação bonificado histórico e crédito a certos segmentos associados a construção, clubes de futebol e promoção imobiliária.»


Três dias depois, no dia 5 de Setembro, novamente na sua crónica semanal no jornal Record, Pedro Santos Guerreiro escreveu o seguinte:

«Já aqui escrevi que, como Portugal tem de obedecer à troika, o Sporting tem de cumprir as ordens dos bancos credores. Ora até as ordens são mais ou menos as mesmas: reduzir despesa permanente e vender ativos para baixar a dívida. (...)
na Luz dinheiro parece não ser problema. Não porque o tenham a rodos, mas porque o mesmo banco que aperta o Sporting dá largas ao Benfica: o Banco Espírito Santo.
Esta semana, o BCP confirmou oficialmente uma notícia do “Jornal de Negócios” de há uns meses, de que vai deixar de financiar o futebol, depois das perdas acumuladas em vários clubes. Um deles foi o Sporting, onde BCP e BES foram sucessivamente forçados a reestruturar a dívida, perdendo dinheiro.
Mas o BES é gato que não se escalda. E estará a amparar tanto Luís Filipe Vieira que este afirmou, sem medo, na entrevista de há duas semanas à Benfica TV que, se fosse preciso, aumentaria a sua dívida. Foi preciso. Este ano o Benfica comprou mais do que vendeu


Para além de ser diretor do Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro é também colunista da Sábado, do Record, da Rádio Renascença e da RTP e comentador convidado na CNN e na Aljazeera.
Por outro lado, é alguém que já deu provas de estar bem informado acerca da situação da Banca portuguesa e, particularmente, da relação entre alguns Bancos e os clubes de futebol.

Tudo isto para dizer que os textos que reproduzi em cima são altamente preocupantes, porque são indiciadores de que pode estar em curso uma operação de perdão de dívidas selectiva, envolvendo dois dos maiores bancos portugueses e os clubes da 2ª circular. E, como é óbvio, isso é algo que tem consequências na capacidade desses dois clubes em investirem, no presente e no futuro, nas respectivas equipas de futebol. A confirmar-se, não tenho dúvidas que isto se traduzirá na maior viciação de sempre da competição futebolística em Portugal.

Esqueçam os árbitros que gostavam de “fruta” ou os que preferiam as meninas do Elefante Branco.

Ignorem as almoçaradas em Canal Caveira ou os jantares no Sapo.

Isto é de outra dimensão, envolve a alta finança que circula nos corredores do poder e muitos, muitos milhões de euros (basta ter em conta o valor crescente dos passivos financeiros das SAD’s do sporting e benfica).

Segundo Pedro Santos Guerreiro, BCP e BES foram sucessivamente forçados a reestruturar a dívida do Sporting, perdendo dinheiro.
Quantos milhões de euros já foram perdoados?
Ou, se preferirem, estamos a falar de quantas contratações milionárias?

Em Março passado, sem revelar qualquer pudor, Luís Filipe Vieira veio a público dizer que queria idêntico tratamento para o Benfica ("Se houver perdão, tem que haver perdão para o Benfica também").
E Domingos Soares Oliveira, administrador da slb SAD acrescentou: “É difícil entender que bancos intervencionados com os nossos impostos possam utilizar dinheiro dos contribuintes para perdoar dívida, seja a quem for.”

Sabe-se agora, através do benfiquista Pedro Santos Guerreiro, que o Banco Espírito Santo estará a “amparar o Benfica”.
O que significa este “amparar”?
Não se sabe ao certo mas, no imediato, permitiu que a slb SAD investisse cerca de 40 milhões de euros em 15 novas contratações para esta época, sem ter necessidade de fazer vendas significativas (encaixou menos de 15 milhões de euros em vendas e empréstimos), isto é, a slb SAD pôde investir fortemente em reforços, sem ter de se desfazer dos melhores jogadores que tinha (e tem) no seu plantel.

Mais. Graças a este “amparar” da banca, o benfica pode dar-se ao luxo de, após o fecho do mercado, ter ficado com um plantel de 31 elementos (Artur, Paulo Lopes, Oblak, Maxi Pereira, Sílvio, Luisão, Garay, Jardel, Steven Vitória, Mitrovic, Siqueira, Bruno Cortez, Matic, Enzo Pérez, Fejsa, Ruben Amorim, André Almeida, André Gomes, Gaitan, Djuricic, Sulejmani, Markovic, Salvio, Ola John, Lima, Rodrigo, Cardozo, Funes Mori, Carlos Martins, Djaló, Urreta), enquanto que o principal rival, o FC Porto, reduziu o seu para 24 elementos.

Numa altura em que há bancos a interferir na competição desportiva desta maneira, “amparando”, reestruturando pagamentos e até perdoando dívidas de milhões a uns clubes e não a outros, por onde andam os arautos da "verdade desportiva"?

Sim, eu sei que estes bancos são privados, mas recordo que a generalidade da banca portuguesa teve de recorrer a significativos apoios do Estado (12 mil milhões de euros do empréstimo da ‘Troika’ ao Estado português tinham como destino a recapitalização dos bancos) e, portanto, o próprio Estado deveria ter uma palavra a dizer.

Espero que os dirigentes do FC Porto estejam atentos e, se for caso disso, denunciem publicamente esta situação e intervenham junto das entidades competentes.

P.S. Em comunicado divulgado na CMVM, a Sporting Clube de Portugal - Futebol SAD informou o mercado que registou perdas 43,81 milhões de euros no ano fiscal compreendido entre 1 de Julho de 2012 e 30 de Junho de 2013, quando no período homólogo anterior os prejuízos tinham ascendido a 45,94 milhões de euros.
Eu sei que o Sporting tem sido governado por gente ligada aos bancos. E também sei que José Maria Ricciardi, presidente do BES Investimento, pertenceu durante muitos anos aos órgãos sociais do Sporting mas, mesmo assim, como é possível haver bancos que, ano após ano, continuam a suportar este tipo de perdas? Quem vai pagar estes sucessivos prejuízos brutais? Quando?

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.