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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

4 milhões de lucro?

Capa de O JOGO 02.02.2016
O jornal O JOGO enche a 1ª página da sua edição de hoje (edição Porto) com a seguinte frase (a letras garrafais):
Imbula dá 4 milhões de lucro

4 milhões de lucro? Será?
Bem, segundo as contas de O JOGO, “a SAD garante um lucro imediato de quatro milhões de euros com a saída do médio, seis meses depois de o contratar ao Marselha por 20 milhões de euros”.

Ou seja, nas contas de O JOGO, está implícito que estas duas transferências de Imbula, primeiro do Marselha para o FC Porto e agora do FC Porto para o Stoke City, não implicaram quaisquer encargos e/ou pagamento de comissões por parte da FC Porto SAD.
Eu gostava de acreditar nisso…

Mais. Também está implícito, nestas contas de O JOGO que, em ambas as transferências, a FC Porto SAD não pagou qualquer contribuição de solidariedade ao(s) clube(s) formador(es) do Imbula, ao abrigo do mecanismo de solidariedade da FIFA.

Eu espero que sim, que todo este cenário idílico apresentado por O JOGO (e não só) seja verdade.
Mas eu, se fosse ao O JOGO, antes de anunciar lucros de 4 milhões e abrir as garrafas de champagne, esperava pelo Relatório e Contas do 3º trimestre do exercício 2015/2016.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O saldo do mercado

O mercado de Verão 2015 (entre o final da época 2014/2015 e o início da época 2015/2016) fechou.

Finalmente, pode-se fazer umas contas por alto (com base em valores aproximados) aos:
i) montantes globais gastos em compras (de passes) e empréstimos de jogadores;
ii) montantes globais das vendas efetuadas;
iii) saldos obtidos pelos diversos clubes/SADs.

Essa análise foi efetuada por diversos órgãos de comunicação social.

A que apresento a seguir foi feita pelos elementos do programa Mais Transferências da TVI e, no essencial, não difere muito das que vi noutros órgãos de comunicação social.






Programa «Mais Transferências» do dia 01-09-2015 (fonte: TVI 24)

A comunicação social (e não só), não se cansa de repetir que o FC Porto foi, entre os “três grandes”, aquele que mais gastou. É verdade.

Contudo, para ser feita uma análise completa, é preciso olhar para as duas faces da moeda. Ora, na diferença entre vendas e compras, o FC Porto é, de longe, o que tem o saldo mais positivo entre os “três grandes”.

Dito de outra forma. Com um saldo positivo (entre vendas e compras) superior a 70 milhões de euros, o que significa que gastou muito menos do que aquilo que recebeu, é mais correto dizer que o FC Porto investiu ou que desinvestiu no plantel da sua equipa de futebol?

terça-feira, 1 de setembro de 2015

O desnorte no final do mercado

Ricardo Pereira e Hernâni.
Dois jovens jogadores portugueses. Dois extremos. Com os seus defeitos e virtudes. Não é por acaso que são isso mesmo, jovens jogadores. Mas são portugueses. E são jovens. O que neste projecto parece ser mais do que a solução, o problema. Os dois tinham um futuro no plantel. Um deles foi uma aposta de há um par de anos com pés e cabeça. Figura importante nos vice-campeões de Europa sub21, Ricardo tinha tudo para ser um extremo de alternativa aos melhores á medida que ia crescendo. Tentaram fazer dele um lateral, raramente falhou mas na hora H preferiu-se apostar num futebolista que lá nunca tinha jogado. Não foi preciso dizer mais nada. Dois anos de empréstimo são sentença de morte. Tozé que o diga. O outro foi uma contratação importante no mercado de Inverno que serve apenas para fazer grandes negócios ou negócios urgentes. Hernani não era nem uma coisa nem outra. Tinha poucos meses de futebol de elite, dava nas vistas como um extremo clássico mas alguém quis apostar tanto nele que se pagou mais de 3 milhões de euros pelo passe e três jogadores que fizeram o caminho inverso. Alguém, imaginamos que o treinador, o pediu porque contava com ele. Já não conta. Este é o desnorte.

O FC Porto deste defeso tem-se revelado um verdadeiro puzzle, um quebra-cabeças sem sentido nenhum.
Salvo pelos negócios feitos ainda em Junho e princípios de Julho - incorporações de Casillas, Imbula, Danilo, Bueno, André André, Oliveira e do lateral uruguaio - tudo parecia indicar que havia pouco mais que tocar. Afinal muitos deles eram troca por troca (Casillas por Fabiano, Danilo por Casemiro, Imbula ou Bueno por Oliver) pelo que faltava apenas um avançado para dar o retoque final. Mas tudo foi distinto. Lopetegui - que muitos funcionários do clube não suportam - quis despachar Quaresma. Tudo bem. Podia entender-se a decisão, especialmente porque havia Tello, Brahimi, Hernani e Ricardo para as alas. Também se desenrolou com naturalidade a novela Alex Sandro que acabou na sua venda e na chegada de Cissokho para o seu lugar. Troca por troca, tal como a incorporação de Osvaldo por Jackson e a promoção de André Silva no lugar de Gonçalo, um jogador que podia ter sido emprestado em Janeiro mas que sai agora, vá-se lá entender o porquê das coisas.

No entanto, o que podia ter sido uma transição pacifica apesar do volume de alterações revelou-se um desnorte total. Lopetegui pediu Andrés Fernandez. Lopetegui despachou Andrés Fernandez. Lopetegui pediu Jose Angel. Lopetegui quer despachar Jose Angel (e para isso queima Cissokho na Madeira e coloca Indi no Dragão logo a seguir). Lopetegui pediu Bueno mas ao mesmo tempo não o utiliza e quando quer um jogador das suas caracteristicas prefere desviar Brahimi da sua posição habitual. Lopetegui pediu Hernâni em Janeiro e agora Lopetegui despacha Hernâni para o Olimpiakos porque afinal "não era bem aquilo que eu queria" e isto é um serviço a la carte que logo responde com um mexicano de 10 milhões de euros. No meio Lopetegui era o homem da selecção sub21 espanhola que vinha lançar a nova fornada de jovens dragões e que decide prescindir de Ricardo (não formado mas contratado muito jovem), Gonçalo, Mikel e relega para um segundissimo plano aquele que foi, talvez, o melhor jogador da pré-temporada, Ruben Neves. Tudo muito lógico e seguindo um mesmo raciocinio.



No final ficamos a saber que as apostas de Lopetegui quase sempre têm redundado em fracassos sob o seu próprio ponto de vista. Dos jogadores que chegaram por sua indicação e influência, metade já não está no plantel. Da juventude que ia encontrar o seu espaço melhor nem falar porque todos sabemos os minutos que André Silva e Ruben Neves vão ter, eles que são os únicos que sobram porque Layun e Corona chegam para tapar definitivamente a Rafa e Ricardo, dois futebolistas que podiam perfeitamente fazer parte do plantel de 25 jogadores.

No fundo o FC Porto acabou o defeso com um excelente registo de vendas, uma contratação emblemática, uma contratação estapafurdia (os 20 milhões que ninguém acredita que o clube pagou por um jogador que, claramente, não os vale), um futebolista que vinha de um rival directo para fazer o contrato da sua vida e alguns ajustes. Tudo isso teria a sua lógica se o pânico das últimas duas semanas de péssimo futebol, falta de ideias e desnorte táctico não tivesse sido completo a ponto de hipotecar mais apostas do clube a médio prazo. Poucos duvidam que nem Ricardo nem Hernâni voltarão a vestir a camisola do clube tendo entrado naquela espiral de empréstimos sucessivos que vão acabar em vendas mais tarde ou mais cedo. São jovens, mas são portugueses. Não falam espanhol e ao parecer não são aquilo que o treinador quer. O treinador que mais vontades viu satisfeitas na história recente do clube. O treinador que agora não se pode queixar. Já fez a limpeza que quis. Já trouxe quem quis. Agora tem de demonstrar o que vale.

sábado, 22 de agosto de 2015

A colheita de 1991



«Mesmo tendo saído do FC Porto há duas temporadas, o argentino Nicolás Otamendi continua a render dinheiro aos dragões. Com a transferência confirmada esta quinta-feira, a equipa da Invicta encaixará 225 mil euros ao abrigo do mecanismo de solidariedade da FIFA, correspondentes a 0,5% do valor total da transação entre Valencia e Manchester City, feita por 45 milhões de euros. Estes 0,5 % referem-se à derradeira época de formação do defesa argentino, quando este cumpriu 23 anos.»
in record.pt, 20-08-2015


O que é isto do mecanismo de solidariedade?

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MECANISMO DE SOLIDARIEDADE

Artigo 1º - Contribuição de Solidariedade
Se um Profissional mudar de clube no decurso de um contrato, 5% do valor de qualquer compensação, à excepção da Compensação por Formação, paga ao Clube Anterior será deduzida ao valor total da compensação e distribuída pelo Novo Clube, como contribuição de solidariedade, aos clubes envolvidos na formação e educação do jogador ao longo dos anos. Esta contribuição de solidariedade será distribuída de acordo com o número de anos (calculado numa base percentual se for menos de um ano) que o jogador esteve inscrito em cada clube entre as Épocas do seu 12º e 23º aniversário, do seguinte modo:
- Época do 12º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 13º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 14º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 15º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 16º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 17º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 18º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 19º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 20º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 21º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 22º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 23º aniversário, 0,5% da compensação total

Artigo 2º - Procedimento de Pagamento
1. O Novo Clube deve pagar a contribuição de solidariedade ao(s) clube(s) formador(es), em conformidade com as disposições acima estabelecidas, o mais tardar no prazo de 30 dias após a inscrição do jogador ou, em caso de pagamentos parcelares, 30 dias após a data de tais pagamentos.

Fonte: FPF

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Há um ano atrás, a comunicação social referiu que o FC Porto também lucrou com a transferência milionária de James Rodrigues para Madrid.
E porquê?
James esteve três épocas no Porto, entre os 19 e os 21 anos, o que significa que o FC Porto teve direito a 1,5 por cento do valor pago pelo Real Madrid ao AS Monaco (cerca de 1,1 milhões de euros).

No futuro, para além de James, há mais três jogadores que, tendo passado pelo FC Porto e rendido aos cofres da SAD largas dezenas de milhões de euros, ainda poderão proporcionar mais uns “trocados”: são eles Mangala, Danilo e Alex Sandro.

Estes quatro jogadores têm em comum terem nascido em 1991, chegado ao Porto com 19/20 anos e saído após completarem o ciclo normal de 3 ou 4 anos. Ou seja, em termos do mecanismo de solidariedade, qualquer um destes quatro jogadores proporcionará à FC Porto SAD 1,5% de uma eventual transferência futura.

Ora, atendendo ao seu (indiscutível) valor e idade atual (24 anos), eu diria que a probabilidade de novas transferências, envolvendo estes quatro jogadores, é bastante elevada.

Onze inicial do FC Porto na deslocação a Braga (época 2012/2013)

Rica colheita, esta de 1991.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Rendimento desportivo e financeiro

Por razões que são de todos conhecidas, há muito que se sabia que Jackson, Danilo e Alex Sandro iriam sair do FC Porto ou, pelo menos, que a probabilidade de saírem, após o final da época 2014/2015, era muito elevada.

Jackson esteve mesmo para sair há um ano atrás e só um conjunto de medidas - a renegociação do contrato, o abaixamento da cláusula de rescisão de 40 para 35 milhões e a oferta de 5% do passe ao jogador/empresário - o conseguiram segurar mais um ano no Porto.

Neste contexto, a minha opinião sobre a forma como a FC Porto SAD conduziu as negociações para a transferência de Jackson é muito semelhante à que o Miguel Lourenço Pereira expressou num artigo que publicou em 28 de junho passado.

«O Atlético fez uma proposta à SAD do FC Porto que foi recusada inicialmente. Pinto da Costa fez saber que estava tudo tratado com o Milan. O Atlético não dava mais de 30 milhões a princípio (…). A SAD do FC Porto fez saber que não estava interessada e defendeu os interesses do clube. Como tinham de o ter feito e bem. (…) Não há nada, absolutamente nada a apontar à gestão da SAD neste caso, mas será curioso ver como a história se desenvolve nos próximos capítulos.»

E como é que a história se desenvolveu?
De acordo com o que veio a público (veremos o que irá constar do Relatório e Contas), Pinto da Costa não cedeu às pretensões iniciais do Atlético Madrid e os colchoneros terão mesmo pago os 35 milhões de euros.
Notável!
E mais ainda, se atendermos a que Jackson não é titular indiscutível da sua selecção e está a pouco mais de um mês de completar 29 anos.

Quanto a Danilo e Alex Sandro, tendo ambos recusado (naturalmente) as propostas de renovação que o FC Porto lhes fez, se a sua saída não fosse negociada pela SAD, seriam jogadores livres a partir de 1 de Janeiro de 2016 (daqui a pouco mais de 4 meses).

Neste contexto, considero a venda de Danilo por 31,5 milhões e a pré-anunciada venda de Alex Sandro por 25 milhões, (mais) duas extraordinárias vendas feitas pela FC Porto SAD.


Aliás, sobre o negócio de Danilo, reproduzo parte do texto que o Miguel Lourenço Pereira escreveu, num artigo que publicou em 1 de Abril, e no qual me revejo.

«O negócio é excelente a todos os níveis. São 31,5 milhões de euros (35 por objectivos), sem jogadores ao barulho e com o contrato do jogador a acabar. Um golpe de génio (o enésimo) de Pinto da Costa e da SAD nas mesas de negociação que superam bastante as expectativas daquele que foi um dos nossos maiores negócios de risco dos últimos tempos. (…) Pinto da Costa e a sua equipa fizeram o que tinham de fazer. Tentaram renovar com o jogador e depois deste recusar souberam manejar bem os tempos e expectativas para conseguir um negócio que é imelhorável. Ninguém a não ser PdC e a SAD sacariam tanto por um jogador que daqui a nove meses podia negociar sair a zero. Absolutamente ninguém.»

Quanto ao Alex Sandro, à hora a que escrevo este artigo, ainda não há comunicado enviado à CMVM, nem eu conheço os números finais, mas parece-me absolutamente normal que saia por um valor inferior ao de Danilo (que é “só” o atual lateral-direito da seleção brasileira).

Contudo, a confirmarem-se os 25 milhões de euros, é largamente batido o valor por que foram vendidos outros laterais-esquerdos no pós-Gelsenkirchen – Nuno Valente, Álvaro Pereira e Cissokho (cuja contratação/regresso, como é óbvio, não foi obra do acaso).

Danilo: 31,5 milhões de euros
Jackson: 35 milhões de euros
Alex Sandro: 25 (?) milhões de euros

Três jogadores, mais de 90 milhões de euros. É obra!


P.S. Acerca de cláusulas de rescisão, ou valores de hipotéticas propostas recusadas, não valorizo o que disse, ou diz, o Presidente da FC Porto SAD. Tudo isso, como é óbvio, faz parte dos processos de negociação, em que as várias Partes envolvidas enviam alguns “recados” e tentam reforçar a respectiva posição.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O negócio Otamendi

Nicolas Otamendi está a ponto de converter-se num dos centrais mais caros da história do futebol, trocando o Valencia pelo Manchester City por valores que rondam os 40 milhões de euros (mais, de forma paralela, o empréstimo de um ano de Mangala ao clube espanhol com metade do salário pago pelo City). À falta de alguns detalhes, o negócio parece estar fechado.

É um negócio e pêras...um negócio, diria, à Porto!

E no entanto, Otamendi, que foi um dos esteios defensivos mais relevantes do FC Porto do pós-Ricardo Carvalho - fundamental no célebre ano AVB - saiu do FCP para a equipa espanhola por valores muito inferiores, um total de 12 milhões de euros sendo que, já na altura, se levantou uma polémica relevante e até hoje por explicar de 10% do passe de que o FC Porto abdicou sem dizer nem a quem, nem por quanto, semanas antes da venda oficializada do futebolista.

Naturalmente, tendo em conta as cifras desta operação, muitos adeptos começaram a levantar as mãos à cabeça com frases do estilo "Se tivesse ficado, eramos nós a receber os 40 milhões" ou um "Otamendi foi mal vendido" ou algo do estilo "Perdemos uma grande oportunidade de fazer um grande negócio". Ora bem, não estou de acordo. E para entender essa realidade é preciso entender igualmente a natureza deste próprio negócio. Porque nem Otamendi vale - nem valeu nunca 40 milhões - nem este negócio é expontâneo ou surge do nada por puro mérito do jogador. Este é um negócio Mendes, com todas as caracteristicas de um negócio Mendes e onde o clube vendedor é apenas um peão. Neste caso tocou ao Valencia - detido pelo amigo de Mendes, Lim - da mesma forma que no passado nos tocou a nós. Basta ver o exemplo de Mangala.

Otamendi é um bom central, um jogador capaz de exibir-se a um nivel muito mais elevado do que, diriamos, um David Luiz (sim, comparar os dois roça o delito, eu sei) mas nenhum outro empresário sacaria nem metade pelo seu passe nem outro clube, sem a ajuda desse empresário, seria capaz de o fazer. E isso inclui a SAD do FC Porto.

Quando Otamendi saiu, para o Valencia, a nossa situação financeira distava muito de ser a melhor. E por isso mesmo foi preciso fazer ajustes. Otamendi estava insatisfeito, queria dar o salto a uma liga mais mediática e era uma potencial fonte de problemas (olá Rolando) pelo que vendê-lo parecia tanto algo lógico como necessário. Conseguir um negócio na ordem dos 12 milhões de euros foi um excelente negócio tendo em conta essa realidade. Cinco meses depois podia valer mais? Sim, podia. E também podia valer menos. Ninguém sabia como se ia adaptar ao futebol espanhol (tanto é que teve de passar os seis meses seguintes no Brasil por problemas com o numero de estrangeiros do Valencia) ou que seria um dos protagonistas da "Albiceleste" no Mundial do Brasil. Havia muitos factores ponderáveis e vender por esse valor era o melhor negócio possível na altura. Foi portanto uma decisão acertada.

Hoje Otamendi não é melhor jogador que era então mas vale quase o triplo. Porquê?
Porque o seu empresário assim o quis. Ao enviar Otamendi para Valencia (quando o clube ainda não era detido por Lim), Mendes fez o mesmo que depois conseguiu com outros jogadores, sobretudo do Benfica, colocando-os em equipas (como o Monaco ou o Atlético de Madrid) onde as entradas e saídas é ele que controla directa ou indirectamente. A partir de aí, com a faca e o queijo na mão, Otamendi foi esperando o próximo salto porque todos sabemos que, salvo casos excepcionais, os jogadores de Mendes duram muito pouco nos seus clubes. A comissão dos 10% tem de se actualizar a pouco e pouco. O Valencia teve ofertas do Man United e do AC Milan por Otamendi. Mas a primeira não chegava sequer a estes valores - nunca passou os 30 milhões - e a segunda esbarrou com a aposta em Romagnoli, jovem promessa italiana. O City, carta fora do baralho até à pouco tempo, pelo contrário, tem excelentes relações com Mendes e cashflow suficiente para não só por na mesa o valor pedido pelo agente como ajudar a potencializar outro dos seus activos num clube amigo, o nosso velho conhecido Mangala. Um negócio destes ronda o surreal mas é a base do mundo actual.

O FC Porto tem-se beneficiado e muito dessa relação. Há largos, larguissimos anos que o FC Porto não vende, por valores astronómicos, um só jogador que não seja de Mendes ou que este esteja envolvido no negócio (ás vezes, via comprador). Mais, a maior parte dos clubes que compram ao FCP (russos, turcos, ingleses, espanhois, franceses) trabalham directamente com ele. É graças a essa teia que conseguimos sacar muitos dos milhões de que nos gabamos em negócios improváveis como o de James, Mangala, Fernando e companhia. Otamendi podia ter saído por outro valor se não fosse um activo Mendes, mas o preço ajustado à realidade do mercado foi talvez a contrapartida para um negócio bombástico meses depois. Não há almoços grátis.

A Otamendi está claro que todos gostariamos de ter visto seguir para Manchester via Porto com um cheque daqueles no bolso e não por valores aceitáveis mas pouco entusiasmantes para Valencia onde serviu de ponte para o grande negócio mas nem sempre podemos ser os protagonistas deste mundo. Por cada Mangala tem de haver um Otamendi, por cada grande e inesquecivel venda haverá sempre alguém que escape e não é por isso que se actuou erradamente na altura. Otamendi desportivamente tinha lugar em todos os onzes do FC Porto desde que saiu mas ter um jogador a contra-gosto é o primeiro passo para ter problemas. Otamendi rendeu 12 milhões de euros (menos os tais 10% fantasmas) e um problema a menos no balneário. Abriu espaço para a afirmação de um Mangala que rendeu muito mais financeiramente (ainda que seja pior desportivamente). Podemos ficar satisfeitos com o deve e o haver desta operação e com a gestão do clube. Porque agora mesmo, para sufragar a sua politica - e estar de acordo ou não é tema para outra conversa - só com a bendição de Mendes e da sua teia de negócios é que o FC Porto sobrevive. E quando o empresário passar a cobrar os seus serviços, reduzindo preços de passes em vendas para os "seus" clubes, haverá sempre pouca margem de manobra para recusar. Foi esse o pacto do Diabo e os pactos cumprem-se até ao fim!

sábado, 29 de novembro de 2014

A transferência de Mangala para Totós

O JOGO, 12-08-2014
Para quem duvidou do montante recebido pelo FC Porto na transferência de Mangala para o Manchester City;

Para quem não percebe a diferença entre o montante de uma transferência e a mais-valia gerada por essa transferência;

O Relatório e Contas Consolidado - 1º Trimestre 2014/2015, da FC Porto SAD, não esclarece tudo, mas dá uma ajuda:

«Alienação dos direitos de inscrição desportiva do jogador Mangala ao Manchester City, pelo montante de 30.503.590 Euros, que gerou uma mais-valia de 22.806.942 Euros, após dedução do valor global de 11.073.331 Euros relativo a:

(i) efeito da actualização financeira das contas a receber a médio prazo originadas por estas transacções;
(ii) responsabilidades com o mecanismo de solidariedade;
(iii) custos com serviços de intermediação prestados pela Gestifute – Gestão de carreiras de Profissionais Desportivos, S.A;
(iv) valores a pagar ao jogador a título de indemnização;
(v) do valor líquido contabilístico do passe à data da alienação.

Adicionalmente, o clube comprador assumiu a obrigação de pagar directamente à Doyen a proporção que esta entidade detinha sobre os direitos económicos do jogador pelo que o passivo reconhecido na rubrica de “Outros Credores” em 30 de Junho de 2014 (Nota 11), no montante de 3.376.684 Euros, foi revertido e reconhecido no cálculo da mais-valia.»

Fonte: Futebol Clube do Porto – Futebol SAD, Relatório e Contas Consolidado - 1º Trimestre 2014/2015

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

As últimas horas do mercado

A evolução do mercado, no DN.pt, até às 23:59 do dia 1 de Setembro…

22.45 - A Sampdoria anunciou a transferência de José Campaña para o Dragão, por empréstimo, conforme antecipou o DN.

22.15 - Rolando foi inscrito pelo FC Porto na Liga, mas não deverá ser reintegrado no grupo de trabalho.

22.10 - Segundo apurou o DN, o Estoril pode ser a solução para o futuro de Kléber.

22.05 - O mercado fechou em Itália e, com ele, a última possibilidade de Rolando não ficar um ano a treinar-se sozinho no Porto.

21.42 - Ghilas já está em Espanha e assinou contrato de um ano pelo Córdoba, confirmou o DN. O avançado argelino sai por empréstimo, sem opção de compra. O clube da Liga espanhola fica com a carga salarial do ponta-de-lança.

21.30 - O FC Porto optou por emprestar Sami ao Sporting de Braga, confirmou o DN, apesar de o Rio Ave também ter pedido o jogador. O empréstimo será válido por um ano e grande parte dos vencimentos estará a cargo dos minhotos. O FC Porto propôs Kléber aos vilacondenses, mas o vencimento do avançado brasileiro é excessivo.

21.15 - O FC Porto confirmou, através do Porto Canal, a contratação de Otávio, que assinou por cinco épocas e fica com cláusula de rescisão de 50 milhões de euros. O negócio terá sido de baixo custo, ao contrário dos números veiculados no Brasil, por isso não foi declarado à CMVM, embora a documentação ainda possa ser encaminhada.

21.00 - O FC Porto está à beira de fechar a contratação de José Campaña, apurou o DN.

20.22 - Ghilas, do FC Porto, está de saída para o futebol espanhol, apesar de o Sporting de Braga o ter pedido emprestado. Os dragões ainda procuram colocar Kléber.

19.42 - Sergi Darder, médio-defensivo do Málaga que está em estágio com a seleção de sub-21 de Espanha, aguarda um telefonema para saber se fica na Andaluzia ou se ruma ao FC Porto. Os dragões mostram relutância em chegar aos 10 milhões de euros exigidos pelo clube, mas Darder já fez saber que quer ingressar no Dragão.

19.15 - Otávio, após cumprida a bateria de exames médicos, vai ser oficializado pelo FC Porto. Segundo apurou o DN, os dragões ainda devem apresentar mais um médio nesta segunda-feira.

19.12 - O Aves já inscreveu Pius, emprestado pelo FC Porto, e Rui Fernandes, este último uma revalidação contratual.

19.09 - O Desp. Chaves confirma as chegas de Stefanovic, do FC Porto, e de Guzzo, do Benfica, junto da Liga.

19.00 - Foram registados mais 14 contratos na Liga. O FC Porto inscreveu o ponta-de-lança camaronês Aboubakar e o guarda-redes mexicano Raul Gudiño.

18.42 - Rolando não vai rumar ao Everton, confirmou o DN. A sondagem do clube inglês não chegou nem perto dos 10 milhões de euros exigidos pelos dragões.

18.30 - O lateral-esquerdo Quiñones, do FC Porto, vai ser emprestado ao Penafiel, por uma época. O clube penafidelense vai pagar parte do salário do colombiano.

17.35 - Tiago Rodrigues, do FC Porto, rejeitou ser emprestado ao Boavista. O Cluj pediu o seu empréstimo por uma época, mas o médio de 22 anos ainda não tem colocação.

17.33 - O Nice oficializou a contratação de Carlos Eduardo, do FC Porto, por empréstimo, sem opção de compra.

17.17 - Otávio, médio criativo do Internacional, já está na cidade do Porto, onde está a cumprir exames médicos antes de assinar pelos dragões. O atleta vai assinar até 2019.

17.05 - O Desp. Chaves confirma que se reforçou nos "grandes": Stefanovic, do FC Porto, e Guzzo, do Benfica, chegam por empréstimo.

16.55 - O Málaga resiste à investida do FC Porto por Sergi Darder, a prioridade de Lopetegui para o meio-campo após falhada a aquisição de Clasie. Ignacio Camacho também interessa, mas é igualmente caro. Há mais soluções no futebol europeu e no futebol sul-americano, sendo que Lopetegui prefere um conhecido seu.

16.43 - Depois de Caballero, o Desp. Aves recebe mais um jogador do FC Porto B, agora o central nigeriano Junior Pius, que na época passada era júnior.

16.37 - Sp. Braga e Rio Ave lutam pelo empréstimo de Sami, do FC Porto. O avançado guineense não cabe nos planos de Lopetegui. Os dragões têm ainda dois pontas-de-lança por colocar: Kléber e Ghilas, que juntos custaram mais de sete milhões de euros.

16.20 - O FC Porto vai fechar nesta segunda-feira a contratação de Otávio, médio criativo proveniente do Internacional, mas Lopetegui ainda espera um médio-defensivo. Para já não há qualquer nome na iminência de ser confirmado.

16.12 - Como o DN noticiou na véspera, o FC Porto está a tratar das cedências de Kelvin e Carlos Eduardo ao futebol francês: o primeiro para o Évian, o segundo para o Nice. Carlos Eduardo também tinha mercado em Espanha.

16.10 - O FC Porto ainda tem a casa por "arrumar". O Everton perguntou o preço de Rolando, os dragões pedem 10 milhões de euros. A equipa de Liverpool não se dispõe a chegar a tanto.

domingo, 29 de junho de 2014

O bom e o mau negócio

Em Maio de 2013, após o FC Porto ter vendido, por um total de 70 milhões de euros, os passes de João Moutinho (25 milhões) e James Rodriguez (45 milhões), um idiota, de voz rouca, fez as seguintes afirmações:

Tivemos [Sporting] o azar do presidente Pinto da Costa não estar a conseguir fazer os negócios que tem feito. Ele sempre disse que os jogadores eram vendidos pela cláusula e sabemos que a [transferência] do João Moutinho era de 40 milhões, infelizmente não foi assim, foi por 25 milhões (…) às vezes as pessoas não vão tendo as mesmas capacidades e as mesmas competências

Normalmente, o FC Porto vende os jogadores pela cláusula de rescisão. Não aconteceu com o João Moutinho, o que é muito mau. Foi um grande negócio, o do James Rodrigues, um mau negócio do João Moutinho

O JOGO, 25-05-2013

Um ano depois, vendo o que foi o desempenho destes dois ex-jogadores do FC Porto na liga francesa e, principalmente, nos jogos que ambos disputaram no Mundial do Brasil, não é credível que houvesse algum clube disposto a pagar 25 milhões de euros pelo passe de Moutinho. Pelo contrário, no caso do James, se Dimitry Rybolovlev quisesse, estou certo que não teria qualquer dificuldade em vender o melhor jogador do Mundial (até agora) por 45, 50 milhões ou mais.

Afinal, qual foi o bom e o mau negócio?

P.S. Com um Radamel Falcao a 100%, até onde iria esta seleção da Colômbia?

sexta-feira, 23 de maio de 2014

SAD não precisa de vender Mangala e/ou Jackson

05-02-2014
A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, informou ter chegado a acordo com o Valencia Club de Fútbol, para a cedência dos direitos de inscrição desportiva de Otamendi, pelo valor de 12.000.000 € (doze milhões de euros).
Este acordo prevê o pagamento de uma remuneração variável, pelo que o montante global a receber poderá atingir os 15.000.000 € (quinze milhões de euros).

09-05-2014
O Kasimpasa oficializou a contratação, a título definitivo, de André Castro. Através do seu site, o clube turco revelou que o contrato com o ex-jogador portista é por três anos (estende-se até 2016/2017).
Os valores envolvidos na operação não foram referidos (a comunicação social referiu que o negócio envolve verbas na ordem dos três milhões de euros), mas sabe-se que Castro tinha sido cedido por empréstimo, com direito a opção de compra por parte do clube turco.

22-05-2014
A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, informou que o Hellas Verona Football Club exerceu a opção de compra dos direitos de inscrição desportiva de Iturbe, pelo valor de 15.000.000 € (quinze milhões de euros).

O JOGO, 23-05-2014

Resumo do encaixe da FC Porto SAD, com empréstimos e transferências, no exercício 2013/2014 (de 1 de Julho de 2013 a 30 de Junho de 2014):
- Rolando (empréstimo ao Inter): 1 milhão de euros
- Atsu (transferido para o Chelsea): 4 milhões de euros
- Otamendi (transferido para o Valência): 12 milhões de euros
- Castro (transferido para o Kasimpasa): 3,5 milhões de euros
- Iturbe (transferido para o Hellas Verona): 6,75 milhões de euros

Total (até 23-05-2014): aprox. 27 milhões de euros

O JOGO (capa), 23-05-2014
Para além destes jogadores, há o caso de Fernando, cuja saída (para Inglaterra) a RTP e O JOGO dão como certa (O JOGO fala numa verba que deverá rondar os 20 milhões de euros).

Entretanto, em 18 de Maio, em declarações à imprensa italiana, Piero Ausilio, diretor desportivo do Internazionale, afirmou: “Queremos manter o Rolando connosco, mas não vamos perder a cabeça. O Rolando vai fazer 29 anos e negociar com o FC Porto pode não ser fácil. Mas é verdade que queremos que ele continue connosco e esperamos que a nossa vontade e a vontade do jogador tenham algum peso nas negociações.

A imprensa italiana referiu que o Inter está disposto a oferecer até 5 milhões de euros pelo passe de Rolando.

Ou seja, a confirmaram-se as vendas dos passes de Fernando e Rolando (por montantes próximos dos referidos), o encaixe total da FC Porto SAD, com empréstimos e transferências, irá saltar para valores na ordem dos 45 a 50 milhões de euros.

Isto significaria que a FC Porto SAD fecharia o exercício 2013/2014 com um resultado líquido positivo, sem necessitar de vender mais qualquer jogador, nomeadamente os muito falados Mangala e Jackson Martinez.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Angelino Ferreira, Maio de 2013

Em Maio de 2013, numa entrevista ao Diário Económico, Angelino Ferreira, na altura Administrador Financeiro da FC Porto SAD, informou que a faturação anual do grupo FC Porto rondava os 125 milhões de euros. Contudo, assumiu que o FC Porto teria de cortar nas despesas e procurar aumentar as receitas, por via da internacionalização da marca, reformulação de negócios já existentes e exploração de outros em new media.

Temos um plano de negócio a cinco anos onde está prevista a contenção. Temos de fazer a otimização e diminuição de encargos com recursos humanos e diretamente com o plantel, mas isso será a cinco anos, pois muitos contratos são plurianuais e há alguma rigidez”, afirmou Angelino Ferreira, nessa entrevista ao Diário Económico.

E na mesma entrevista revelou a seguinte estratégia para o futebol portista: “Existe uma curva que levará a ter custos menores com recursos humanos, não só nos custos com pessoal, mas nas próprias amortizações dos investimentos em novos jogadores. O downsizing tem de ser feito pelos clubes, pois caso não o façam alguém o fará por eles”.

De acordo com Angelino Ferreira, a FC Porto SAD teria de estar cada vez menos depende da venda de jogadores: “Enquanto o mercado valer realização de mais-valias temos de aproveitar, mas é fundamental a viragem para um modelo de negócio mais sustentável, com proveitos operacionais e não decorrentes da venda de direitos económicos de jogadores”.

Entretanto, em Fevereiro passado foi anunciada a saída de Angelino Ferreira, a qual nunca foi cabalmente explicada, mas que, de acordo com o Diário Económico, se deveu a «desacordo do dirigente face a diversas questões à sua volta».

Um ano depois da entrevista ao Diário Económico e já sem Angelino na SAD, qual vai ser a estratégia desportivo-financeira do FC Porto para os próximos tempos?

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Uma máquina de faturar dinheiro e títulos?

Com a devida vénia, reproduzo a seguir um artigo de opinião do jornalista João Tiago Figueiredo, publicado do site Maisfutebol, o qual, para além da pertinência (incide no modelo de gestão adoptado pela FC Porto SAD no pós-Gelsenkirchen versus a expectativa dos adeptos), me parece poder suscitar uma boa discussão e reflexão portista.

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Em 2004, numa das mais deselegantes declarações da carreira, José Mourinho anuncia a saída do FC Porto no flash-interview da conquista da Liga dos Campeões. A forma surpreendeu, mas a mensagem já era esperada.

Tanto que, pouco depois, o Dragão novinho em folha despede-se de Deco, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira. Novamente sem grande surpresa e alarido. Encaixa sensivelmente 70 milhões. Feitas as contas, perdeu treinador, viu sair referências mas encaixou dinheiro. Muito dinheiro.

Sobreviveu a um trágico ano de rescaldo e voltou a ganhar, internamente e na Europa, sempre com base no modelo nascido naquele verão: comprar, afinar, vender.

Tornou-se uma máquina de faturar. Dinheiro, mas também títulos. Desde aquela noite em Gelsenkirchen venceu sete campeonatos em nove. Uns mais facilmente, outros menos. Uns a jogar melhor, outros com menor fulgor.

zerozero, 21-05-2013
Fruto de uma forma peculiar de ver futebol e de uma exigência, muitas vezes, exacerbada, o domínio portista nem sempre trouxe a paz que seria expectável. Basta, para isso, lembrar que, desde José Mourinho, não houve um único treinador consensual a liderar a nau portista.

É certo que Villas-Boas o foi, mas apenas enquanto estava na sua cadeira de sonho. A forma inesperada como deixou o clube foi traumática. E o estado de graça esvaiu-se.

Antes e depois, nunca houve consenso.

Co Adriaanse venceu campeonato e Taça de Portugal no mesmo ano. Criou Pepe, fez explodir Quaresma, lançou Helton, inventou Paulo Assunção. Saiu por ser aquilo que o FC Porto lhe pediu: exigente e rígido.

Jesualdo Ferreira venceu três campeonatos em quatro e passou sempre a fase de grupos da Champions. Afinou Bosingwa, descobriu Fernando, transfigurou Bruno Alves, potenciou o melhor Lisandro de sempre e deu escola a Hulk e Falcao. Não chegou.

Vítor Pereira perdeu um jogo em dois campeonatos, jogando praticamente todo o primeiro sem ponta-de-lança. Pelo meio mostrou Mangala, poliu James e ajudou Alex Sandro a fazer com que hoje ninguém se lembre de Álvaro Pereira. Também foi de menos.

Veio Paulo Fonseca e, meio ano depois, a sentença está dada: mesmo que ganhe, não agrada. Percebeu-se quando, após a primeira derrota na Liga, (quase) os mesmos jogadores que estiveram na festa de maio foram recebidos com tochas, insultos e petardos no Dragão. Uma pressão sem sentido e sem efeito. Alguém viu uma melhoria depois daquela noite de Coimbra?

Se a solução fosse trocar (outra vez) de treinador, a mesma estaria, acredito, tomada há muito. Se o FC Porto não o fez é porque sabe que o problema é outro. Há desejos distintos e só os adeptos querem títulos e ponto. Jogadores querem ganhar mais. Treinador quer manter o emprego. Direção quer lucro para que toda a pirâmide seja sustentável.

E se a estrutura ceder (é preciso lembrar que o FC Porto está em quatro frentes com hipóteses de vencer todas) a interrogação mais forte não estará sobre o treinador, o duplo-pivot ou na aposta neste ou naquele central. Estará num onze claramente abaixo dos últimos anos e no modelo criado a partir de 2004.

Record, 10-04-2012
É, naturalmente, descabido anunciar a sua falência quando, ainda no último verão, 75 milhões entraram nos cofres portistas. Mas exigirá reflexão. O emblema é igual mas tem o mesmo significado quando os craques, que eram de uma vida, são só para uma ou duas épocas? Por muita paixão que haja, que sentido faz celebrar uma venda milionária com a consciência que a equipa ficará enfraquecida?

As estadias são cada vez mais curtas e já é impossível esconder que os jogadores chegam com a ideia que entraram numa ponte que há de desaguar em algum lado. Alguém se lembra, por exemplo, do período em que Jackson não falava em sair? Está em Portugal há ano e meio…

O FC Porto precisa, por isso, saber o que quer. E explicar. Porque com títulos sonham todos, mas só consolam os adeptos. Dez anos depois da saída de Mourinho, o FC Porto vive um novo desafio: pedir para suar a camisola já é de mais. É preciso primeiro convencer a vesti-la de corpo e alma.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Do FC Porto para o Sporting e vice-versa

(fonte: Record)

Na sequência da contratação de Moreto Cassamá e Idrisa Sambú pelo FC Porto, dois jovens de 15 anos da formação do Sporting e que são representados por Catió Baldé (o mesmo agente de Bruma), o Record entendeu publicar uma infografia com duas listas: uma com os jogadores que saíram do Sporting para o FC Porto e outra, com idêntico número de jogadores (11), que fizeram o caminho inverso.

Estas listas têm várias curiosidades.
Por exemplo, as transferências de João Moutinho e de Nuno André Coelho, as quais fizeram parte do mesmo negócio.
Ora, se assim é, por que razão o Record classifica a transferência de Moutinho como um negócio polémico e a de Nuno André Coelho como pacífico?

E em quê é que a saída de Gomes para o Sporting foi um negócio polémico?
Já passaram quase 25 anos mas, se bem me lembro, foi o FC Porto que não quis renovar com o bi-bota, na sequência do episódio com Octávio Machado na Madeira (vejam a diferença com o caso Cardozo).

Já agora, quem são o Alhandra e o R. Tavares?
Pelos vistos, vieram para o FC Porto em negócios polémicos e eu nem sequer os conheço…

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Crise? Qual crise?

Agora que os mercados fecharam em quase todo o lado, os plantéis finalmente começam a tomar contornos definitivos.

A Premier League consolida cada vez mais o papel destacado de liga rica da Europa: neste defeso os clubes ingleses gastaram mais de 720M€ em passes (facilmente batendo o recorde de 2008), mas o mais importante é que tiveram um investimento líquido (descontando as vendas) de 460M€ - alimentado em grande parte pela venda de direitos de TV (mas não só).

A seguir e a grande distância vêm os clubes espanhóis e italianos ex-aequo (390M€ cada, 25% dos quais só para o Bale), franceses (315M€, dos quais metade no Mónaco) e alemães (270M€) – não tenho dados para a Rússia, mas estou certo que vem mais abaixo. Salvo erro o dinheiro gasto em passes subiu em todos esses países neste defeso.

Não tenho dados para o investimento líquido nessas ligas, mas terá sido certamente uma pequena fração dos 460M€ na Premier League, se é que foi positivo. De assinalar também que o grosso do investimento nessas ligas foi muito mais concentrado num punhado de clubes do que em Inglaterra.

É por o dinheiro estar acima de tudo em Inglaterra que é importante que os não-comunitários contratados pelo FCP sejam titulares na sua seleção (um critério fundamental para poderem lá jogar – a FA abre excepções, como foi o caso do Anderson, mas são isso mesmo, excepções). É possível que tenha sido por causa disso que Fernando não tenha sido agora transferido para lá, e é um factor que poderá eventualmente limitar o «leilão» numa venda futura de Jackson (ele que está tapado por Falcão na seleção).

De resto e falando do FCP, acabou por não haver nenhuma saída de titulares habituais (nem mais nenhuma contratação, havendo quem suspirasse por um extremo). Boa notícia, excepto talvez no caso de Fernando (por mim tinha-o vendido por ofertas superiores a 10M€... agora é extremamente urgente 1. renovar contrato e 2. trabalhar seja o jogador seja a táctica, de forma a maximizar a sua utilidade na equipa).

Com as saídas de Ba e T. Rodrigues para o Guimarães e de Iturbe para Verona, o plantel concluiu o seu emagrecimento. De assinalar que um impacto da saída do primeiro junto com as saídas de Atsu (bem vendido) e Castro, voltamos a ter um único jogador formado no FCP no plantel: Josué (que depois de ter sido dispensado há 2 anos foi comprado outra vez, qual filho pródigo regressado a casa).

Isso, junto com um recorde negativo de portugueses no plantel (4 apenas, incluindo o Josué), limita o treinador nas inscrições para a UEFA, e penso que terá sido uma das razões para termos o plantel mais curto da última década: 24 jogadores.

Mesmo assim nem todos poderão ser inscritos na UEFA (salvo erro 3 ficarão de fora, já que pelo que vi nenhum dos estrangeiros do plantel fez 3 épocas completas em Portugal até aos 21 anos), já que só há 17 inscrições livres estando mais 4 reservadas para prata da casa (usamos apenas uma) e outras 4 para jogadores formados em Portugal (das quais vamos usar 3), o que é pena. Para além de Bolat (certinho que fica de fora), não é óbvio quem escolher à partida sabendo-se que até Janeiro não pode haver alterações... penso que a escolha será entre Izmaylov e C. Eduardo; e entre Kelvin e Ricardo. 21 parece-me curto... em última instância teremos que recorrer a adaptações ou prata da casa sub21 que jogue na equipa B (que podem ser inscritos na UEFA).


De resto estou curioso para ver o R&C da slb SAD daqui a uns meses, já que - apesar de não se poderem dar a esse luxo, a não ser à custa de carregar ainda mais o endividamento, já de si muito elevado - investiram muito mais do que encaixaram em vendas, nomeadamente 25M€. Será que daqui a um ou dois anos teremos uma repetição do «estouro» que vimos agora no outro lado da 2a circular?

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Robertos, marionetas e fantochadas

«Conheces os nossos amigos Robertos? Sabes como se manipulavam? Onde contavam as suas histórias? (...)
Vem descobrir o mundo destas marionetas portuguesas e criar o teu próprio ROBERTO.»


Em Junho de 2010, o país futebolístico ficou de boca aberta, quando a slb SAD comunicou à CMVM ter contratado um dos guarda-redes do Atlético Madrid, pela módica quantia de 8,5 milhões de euros!


Se o valor da contratação, por si só, tinha sido surpreendente, não foi preciso esperar muito para se aquilatar da valia do “reforço” de 8,5 milhões e logo na pré-temporada da época 2010-11 começaram os frangos à espanhola.

A época encarnada foi um verdadeiro calvário (lembram-se dos 5-0?), com Roberto a ser uma das “estrelas” do descalabro benfiquista.


Contudo, chegados a Agosto de 2011 e numa espécie de passe de mágica, saiu um coelho da cartola de Vieira e a slb SAD anunciou ter chegado a acordo com o Real Zaragoza SAD para a transferência, a título definitivo, de Roberto por 8,6 milhões de euros (mais 100 mil euros do que, supostamente, tinha custado um ano antes!).

Esta fantochada, perdão, anúncio foi de tal maneira inacreditável, que a própria CMVM pediu à SAD encarnada para esclarecer a venda de Roberto. A slb SAD viu-se obrigada a prestar informações complementares, o que fez no dia 3 de Agosto de 2011, tendo dito que o “pagamento será efectuado de forma fraccionada e encontra-se garantido, nomeadamente por títulos de crédito”.


Como, pelos vistos, as garantias eram fracas, dois anos depois Roberto voltou à ribalta e, em vez de 8,6 milhões de euros, diz-se agora que foi trocado, como se fosse um cromo, por meio Pizzi.


«Roberto, o tal que tinha sido vendido por 8,6 milhões de euros ao Saragoça, sabe-se lá como e porquê, afinal foi devolvido ao Benfica mas rapidamente revendido ao Atlético de Madrid, que o emprestou ao Olympiakos. Conseguiram acompanhar? Parabéns, eu não.»
Eugénio Queirós
in record.pt, 30 julho de 2013 | 13:25

«Nos relatórios e contas dos encarnados desde então há várias referências à BE Plan, na rúbrica Clientes e nas alíneas Corrente e Não Corrente, mas o Maisfutebol ficou com dúvidas sobre qual o valor que já tinha sido de facto liquidado. Fizemos a pergunta ao Benfica, mas fonte oficial do clube informa apenas que “os esclarecimentos e documentos foram todos fornecidos ao regulador”.
O Maisfutebol perguntava também em que momento e de que forma foi decretado o incumprimento e recuperados os direitos de Roberto. E ainda se iria haver algum esclarecimento do Benfica em relação às declarações de Roberto na noite de segunda-feira, quando o guarda-redes disse que esteve sempre vinculado ao clube, mesmo durante o período no Saragoça.»
Maisfutebol, 30-07-2013


Eu não sei o que é que os milhões de benfiquistas pensam desta robertada mas, conhecendo o perfil médio do adepto encarnado, suponho que a maioria deve achar que tudo isto é limpinho, limpinho, limpinho, ou não fosse o slb o clube da transparência e verdade desportiva...

Mas se os adeptos são adeptos (e os benfiquistas são adeptos muito particulares), a CMVM, como entidade reguladora, tem outro tipo de obrigações e, quando as coisas tresandam, não chega solicitar e ficar satisfeita com comunicados dúbios de entidades envolvidas em situações que suscitam suspeitas. É preciso investigar e, neste caso, investigar a fundo o triângulo Atlético Madrid SAD, slb SAD e Real Zaragoza SAD / BE Plan.

É que o fair play financeiro e a tão apregoada verdade desportiva também passam por estes casos...

sábado, 20 de julho de 2013

10 milhões por Fernando

Fico feliz por estar neste grande clube, mas vamos ver. Depois de tudo o que vivemos e daquilo que conquistei aqui dentro, vários títulos, que foram oito, penso que a melhor altura para sair seria esta. Fala-se muito na Itália, mas vamos ver. (…) todos os jogadores sonham em jogar em grandes campeonatos.”


Quero um campeonato mais competitivo

(O JOGO, 18-07-2013)

Em declarações à Antena 1, o empresário de Fernando referiu que, no início de Junho, apresentou à Administração da FCP SAD uma proposta do AS Monaco, no valor de 10 milhões de euros, a qual foi recusada.

Eu compreendo que, depois da inevitável saída de João Moutinho, a SAD queira evitar que Fernando siga o mesmo caminho, de modo a que o novo treinador não tenha de reconstruir a quase totalidade do meio-campo portista. Além disso, depois do negócio Moutinho + James, a FC Porto SAD não está, financeiramente, obrigada a vender.

Por outro lado, também percebo que a SAD entenda que 10 milhões de euros é insuficiente para um jogador da valia do Fernando, até porque, na época passada, para além dos reconhecidos méritos defensivos, Fernando denotou uma evolução significativa em termos ofensivos, quer fazendo passes verticais para as costas da defesa contrária, quer surgindo ele próprio em zonas de finalização.

(O JOGO, 09-02-2013)

Dito isto, dizer que não se aceita negociar abaixo da cláusula de rescisão, pode ser uma boa estratégia negocial, quando o jogador está seguro, mas é um risco muito grande quando o jogador entrou no seu último ano de contrato. É que se não renovar, daqui a uns meses Fernando será um jogador livre para assinar por quem quiser, sem que a FC Porto SAD receba um cêntimo.

10 milhões por Fernando é pouco mas, ponderando todos os aspetos, penso que a FC Porto SAD deveria aceitar a proposta do AS Monaco, se é que a mesma ainda é válida.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Salazar, o regime e o benfica

A propósito do 25 de Abril, vale a pena lembrar alguns aspetos singulares do futebol português, do período anterior à revolução dos cravos de 1974.

«A partir dos anos 60, o Benfica aparece como grande figura da união nacional, alimentando um sentimento patriótico com a conquista das Taças dos Campeões Europeus em 1960/61 e 1961/62.»
in Record, 25-04-2013


Na realidade, o regime salazarista não perdeu tempo a associar-se e explorar as vitórias europeias do slb.
A televisão dava os primeiros passos em Portugal mas, em Maio de 1961, a presença do slb na final da Taça dos Campeões Europeus, mereceu honras televisivas e o jogo foi transmitido em direto (embora cheio de interferências).
E se a presença na final já tinha sido motivo para “anestesiar o povo”, após a vitória (3-2, frente ao FC Barcelona) a propaganda do regime não fez por menos: durante toda a semana, uma vez por dia, a RTP transmitia o jogo em diferido!

Mas a coisa não se ficou pelos habituais instrumentos da propaganda – jornais, rádio e televisão. A colagem e interesse do regime no sucesso benfiquista foi demonstrada ao mais alto nível.
Assim, após terem sido recebidos no Palácio de Belém, onde o Presidente da República, Américo Thomaz, lhes atribuiu a medalha de mérito desportivo, jogadores treinador e dirigentes do slb foram também recebidos pelo homem forte do regime, o Presidente do Conselho, António Oliveira Salazar, o qual manteve com os elementos da comitiva benfiquista uma conversa amistosa, em que manifestou o seu apreço pela vitória alcançada e pela expressão que a mesma teve como serviço prestado à pátria.

(Salazar e o Ministro da Educação com os jogadores, treinador e dirigentes do slb, 1961)

Oito dias antes da final de Berna, no dia 23 de Maio de 1961, estreava-se pelo slb (num jogo de reservas contra o Atlético) um jovem moçambicano proveniente do Sporting de Lourenço Marques (filial do SCP): Eusébio da Silva Ferreira.

Eusébio rapidamente se tornou a figura de proa do slb, sendo um elemento preponderante nos sucessos, a nível interno e europeu, dos encarnados durante a década de 60 do século XX.

Em 1964, quando a “Pantera Negra” já era uma estrela futebolística, conhecido em toda a Europa, a Juventus fez-lhe um tentador convite, oferecendo-lhe 25 mil contos. Quase na mesma altura, o Real Madrid, por influência de Di Stefano (seu ídolo da juventude), fez uma oferta igual.
Eusébio, que tinha apenas 22 anos, ficou eufórico ante a perspectiva de se transferir para Turim ou Madrid, mas “Salazar mandou-me chamar e disse-me que eu não podia sair do País, porque era património do Estado! Fui prejudicado nesse momento. Hoje teria uma grande fortuna”.

(Eusébio e Salazar, 1966)
Dois anos depois, após o Mundial de 1966, Eusébio e a sua mulher foram gozar férias para Itália, a convite do Inter de Milão, clube com o qual chegou a ter tudo acertado. O colosso italiano pagava-lhe 90 mil contos para assinar contrato, uma fortuna para a época (o equivalente a cerca de três milhões de dólares).
Disse Eusébio: “Naquele tempo dava-me para comprar os Restauradores”.
Mas, mais uma vez, surgiram obstáculos à sua saída. Para além da intransigência de Salazar, entretanto a Itália fechou as suas fronteiras a jogadores estrangeiros.

Outros convites se seguiriam, mas o clube encarnado, com o apoio do regime, foi irredutível e só permitiu a sua saída no final da carreira, em meados da década de setenta.

A propósito dos obstáculos que ele e outros jogadores do slb enfrentaram nos anos 60 e que os impediram de sair para clubes estrangeiros, Eusébio afirmou:
Queria ir para Itália, fui travado, houve muitos casos de outros colegas meus que não puderam sair, mas nunca houve ameaças.”
in Record, 25-04-2013


Podemos falar na maior ou menor proximidade de alguns dirigentes do slb ao regime, ou em desviar as atenções para aspectos meramente acessórios (como a letra do hino), mas factos são factos e a realidade é só uma: o regime primeiro cavalgou o sucesso internacional dos encarnados e depois, naquilo que verdadeiramente interessa, tratou de criar as condições necessárias para que esse sucesso se mantivesse, fazendo do slb e do seu principal jogador um dos símbolos do Portugal dos 3 F’s (Fátima, Fado e Futebol).

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

As entradas e saídas de Janeiro

A janela de transferências de Janeiro fechou às 23:59 de ontem e, em termos de entradas e saídas, o cenário é o seguinte:

Saídas do plantel:
- Miguel Lopes ( FC Porto -- SCP; a FCP SAD fica com 50% dos direitos económicos )
- Emídio Rafael ( FC Porto -- SC Braga )
- Iturbe (FC Porto -- River Plate; empréstimo por 6 meses )
- Rolando ( FC Porto -- SSC Nápoles; empréstimo por 6 meses )

A estas saídas, acresce a resolução de mais dois casos:
- Souza ( Grémio (emprestado) -- Grémio; venda por 3 milhões euros )
- Ventura ( Olhanense (emprestado) -- SCP; empréstimo )



Entradas no plantel:
- Izmaylov ( SCP -- FC Porto )
- Liedson ( Flamengo -- FC Porto, empréstimo por 6 meses )
- Fucile ( Santos (empréstimo) -- FC Porto ) --- a confirmar

Analisando estas entradas e saídas, constata-se que:

i) Ao contrário do receio manifestado por alguns portistas (talvez devido a notícias especulativas que saíram na comunicação social), nenhum dos 13 jogadores que fazem parte do lote restrito que tem sido mais utilizado por Vítor Pereira, saiu a meio da época. Boa notícia para o treinador e para os adeptos.

ii) As entradas no plantel não implicaram custos com a aquisição de passes de jogadores (ao contrário de idêntico período da época passada, em que foram investidos 3,5 milhões de euros no passe de Janko). É um sinal dos tempos.

iii) O aumento de encargos com os elevados salários de Izmaylov e Liedson é, pelo menos parcialmente, compensado com o facto da FC Porto SAD deixar de pagar os salários de cinco jogadores: Miguel Lopes, Ventura, Emídio Rafael, Iturbe e Rolando.

iv) A confirmar-se as notícias que vieram a público, a FC Porto SAD terá feito um encaixe global de cerca de 4 milhões de euros, com os empréstimos de Iturbe e Rolando e a venda do passe de Souza. Nada mau.

v) As entradas no plantel apenas envolvem jogadores conhecedores e perfeitamente adaptados ao futebol português e foram para posições onde as carências eram evidentes.


Ponderando todos estes aspetos, penso que o balanço é francamente positivo, mas conclusões definitivas só no final da época e estarão condicionadas ao desempenho que Izmaylov e Liedson evidenciarem dentro das quatro linhas.


P.S. Foi uma pena que o Quaresma (ou terá sido o Jorge Mendes?) tenha preferido os milhões do Dubai, em vez da possibilidade de voltar a ser campeão português, do prestigio de voltar a jogar na Liga dos Campeões e, conjugando estes aspetos, tentar recuperar um lugar na Seleção Nacional.