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quarta-feira, 6 de abril de 2016

A Crise!


O Dragões Diário veio confirmar, oficialmente, que o FCP entrou (ou estacionou) numa situação que o editor enquadrou como sendo de crise.

Sendo assim, torna-se, então, muito importante seguir a atitude e o comportamento da estrutura, face a este momento de ruptura e perda, provocado pela assumpção de políticas e processos, reconhecidamente, inadequados na sua concepção ou aplicação, com especial incidência nos últimos três anos.

Faz parte do glossário tradicional que trata desta coisa das crises, considerar que, desde que uma crise seja bem gerida, pode ser revertida e tornada equilibrada, primeiro, e não  inimiga do crescimento, depois, se bem montados os motores de gestão e de governança. Porém, a crise conduz necessariamente a um aumento da vulnerabilidade e, por isso, representa, necessariamente, um momento de alto risco. Pode, frequentemente, evoluir muito negativamente, quando os recursos estruturais e financeiros estão delapidados e o prestígio dos responsáveis estão diminuídos e em perda acelerada.

O FCP vive há mais de 30 anos sob o comando do seu Presidente que no seu primeiro mandato deixou claro o programa que nortearia toda a sua acção e que, em versão reduzida, definiria assim: total autonomia na gestão do futebol, tendência para auto sustentação das actividades de alta competição, arrumar as finanças, lutar contra o centralismo, crescer e ousar vencer. Os êxitos consolidaram o modelo e os processos. E têm servido ad aeternum. A figura do Presidente passou a servir como  aval de competência. A maioria dos portistas reconhece a sua superior sagacidade  quando superou algumas crises bem complicadas. E, ultrapassou-as  sem muitos danos.

A situação mudou a crer nas manifestações ocorridas ultimamente que, apesar de tudo, não considero tão significativas quanto isso. Mas, ouve-se muita gente profundamente desagradada. Muito mais do que o costume. O Dragão anda quase vazio, não ruge e assobia sem contemplações os da casas. A coesão tem sido abalada, significativamente. A figura do Presidente já não é suficiente como aval. A situação desportiva e financeira é preocupante. O povo portista reclama uma viragem, mas ainda não mexeu a sério no Presidente. E na sua autoridade. Pede-se muito mais uma “varredela” aos maus da fita que a sua destituição.

É este o quadro actual. A equipa está esfrangalhada, a situação financeira é muito complicada, os custos de contexto são enormes e as receitas da Liga dos Campeões estão em risco. E o 'fair play financeiro' é uma ameaça real. Os portistas têm boas razões para andar desalentados, mas acho que uma boa parte ainda não viu o filme todo. Os maus resultados talvez sejam a ponta do iceberg. E se o Presidente é mais contestado do que nunca, como temo que uma mudança caia num conjunto de personalidades que na ânsia de reverter o pecado, mais não faça de que nos encher de uma bondade inócua ou incompetente, vendendo o compromisso de chegar, ver e vencer. Como se bastasse a promessa de fazer diferente e sem os familiares próximos. E fintar os oportunistas e os intermediários. E recuperar a tal identidade que foi perdida. Não creio que haja qualquer piedade se a equipa não ganhar. Seja a quem for que governe. O afunilamento democrático no nosso clube é um facto. E uma dificuldade acrescida no próximo futuro.

O povo portista não deve ser muito diferente dos que habitam outras cores. Face ao actual declínio, fala-se com muito temor do regresso aos anos sessenta. Os nossos principais adversários passaram por períodos semelhantes e não sucumbiram. O pessoal dos anos sessenta mostrou sempre uma grande resiliência. Nunca desistiu e o FCP, com base nesse suporte, soube encontrar o seu caminho.

É isso que temos de porfiar no momento. Encontrar o caminho. Só que o caminho vai correr, nos próximos quatro anos, com os mesmos timoneiros. Não creio que hajam alterações substantivas nas políticas e procedimentos. Nem cortes, relativamente a alguns maus hábitos. A pergunta que fica é se a revolução na continuidade (em curso) vai ser seguida e o suficiente para mudar o estado das coisas. Tudo vai depender do futebol. Não havendo luta eleitoral, vão ser os resultados a definir os comportamentos. Temos a Taça de Portugal e o playoff de acesso à Liga dos Campeões. Em menos de seis meses muito pode acontecer na casa da Dragão. Desportiva e financeiramente. E como estão ligados umbilicalmente. O Presidente tem o maior desafio da sua vida. E tomou-o por espírito de missão. Espero que ganhe para bem do nosso clube. Confesso que penso que o seu contrário estará mais próximo. Espero que os portistas não desertem e vão a jogo. O FCP merece.
   

sexta-feira, 1 de abril de 2016

1 de Abril


Pese embora a data, não é piada, nem mentira - é uma meia-verdade; é um facto que Alexandre Pinto da Costa, não manda no FC Porto... não manda, mas parece que manda.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Seja esperto, seja como o Rui


Sou portuense e portista, a ordem certa que venha o diabo e escolha porque nem eu sei ao certo mas tenho profundo orgulho de ambas. Tudo aquilo de positivo que acontece à minha cidade e ao meu clube é sempre motivo de regozijo. E poucas coisas têm sido tão positivas nos últimos tempos como Rui Moreira. O Presidente da Câmara Municipal do Porto - portuense e portista, seguramente numa ordem que ele também não saberá ao certo precisar - é uma lufada de ar fresco e um sinal de esperança para todos aqueles que sobreviveram ao cinzentismo dos últimos quinze anos na Invicta. É também um sinal de esperança para todos os portistas.

Há uns largos tempos atrás o RP publicou uma série de textos opinativos em que se abordavam os perfis dos futuros presidenciáveis do clube. Nenhum parecia ser tão consensual como o de Rui Moreira, ainda que já na altura se mencionasse a sua ambição política (confirmada) e a sua presença como cronista no jornal A Bola (se podem atacar Vitor Baía por colaborar com o Correio, que diriam de quem colaborou com A Bola?). Era um perfil que gerava as dúvidas naturais de quem não era particularmente distante da SAD vigente mas que, ao mesmo tempo, nunca se posicionou abertamente como presidenciável por ter outra frente aberta. O facto é que ele podia ter sido - nas palavras de um grande portista - o Joan Laporta que o clube necessitava depois de décadas de um perfil radicalmente distinto que ajudou a elevar o clube aos píncaros da glória mas parecia desgastado. Laporta fez isso com o Barcelona e foi chave para cimentar o êxito actual. Moreira é, seguramente, uma pessoa muito mais séria e de fiar do que um Laporta rodeado de polémicas por todos os lados, mas a ideia de regeneração (a todos os níveis) desde dentro era o plano. Infelizmente para o FC Porto e felizmente para a cidade do Porto, Rui Moreira deu um murro na mesa e apresentou uma candidatura independente à Câmara para acabar com o compadrio partidário que representava Luís Filipe Menezes, o candidato "salta-pontinhas". Moreira ganhou, ganhou bem e ganhou de forma tão surpreendente que foi noticia um pouco por todo o Mundo. Poucos tinham defendido tanto a cidade como ele durante o seu mandato à frente da ACP. Os que nele acreditaram esperavam o mesmo perfil agora à frente da Câmara Municipal e não  se enganaram. Desde o momento em que foi eleito Rui Moreira não lutou apenas para melhorar a vida quotidiana dos portuenses - depois de década e meia de cinzentismo orçamental - mas também se ergueu como o grande defensor da cidade e região contra o asfixiante centralismo da capital. Fê-lo como sempre, com elegância, classe, valores mas uma autoridade moral que ninguém podia questionar (e quem não se lembra do seu abandono no programa Trio de Ataque, um ataque de portismo do mais exemplar que se viu em Portugal). Fê-lo, sobretudo, por convicção e por amor à sua cidade.   


Olhando para as últimas batalhas ganhas por Moreira ficamos sempre, nós, os portuenses, nós os nortenhos, orgulhosos de um homem assim. Para os que também somos, naturalmente, portistas, fica também a pontinha de inveja. Como queríamos um líder deste nível à frente dos destinos do nosso clube. Hoje o FC Porto precisa mais de Rui Moreira do que nunca precisou. 
Quando todos calam, ele levanta a voz. Quando todos tentam desviar as atenções, ele enfrenta as balas. Quando uns misturam alhos e bugalhos para ir pelas costas, ele vai de frente. Rui Moreira tem demonstrado ser um líder exemplar e espero, sinceramente, para o bem da cidade, que cumpra todos os mandatos a que legalmente se possa candidatar. O Porto agradecerá enormemente ter alguém como ele a conduzir os destinos da cidade. O Clube, esse, terá de olhar e procurar inspiração num perfil similar ainda que não seja fácil. Ruis Moreiras não há muitos.

Olhando para o panorama actual, é difícil encontrar no Clube o defensor absoluto da cidade e região que já foi. O elo de identidade desaparecido. Os valores perdidos. A conexão apagada. A história reescrita. O Porto não deve nunca deixar de ser a máxima referência e prioridade do FC Porto por muito que este procure, legitimamente, expandir-se para a China, Colômbia, México, Espanha ou Nova Zelândia. Se alguma vez chegamos onde chegamos foi também pelas nossas origens. Hoje, como nunca, nota-se a falta desses laços. Desses jogadores da casa que entendem cada palavra murmurada pelas gaivotas. Desses dirigentes que se preocupam com o Clube e com a cidade muito mais do que com arranjar trabalho para filhos, genros, cunhados, irmãos e companheiras dentro da estrutura do clube, repartindo benesses que pertencem a todos os sócios e accionistas, a dedo. Desses adeptos que antes faziam das Antas uma plataforma gigante de portismo e de sentimento nortenho e que agora gelam o Dragão ao som do sorver de bebidas, do mastigar de pipocas e de assobios que envergonhariam as pedras da Constituição.


Rui Moreira pode não estar disponível nos próximos dez anos para ser Presidente do FC Porto mas o seu exemplo está aí, para todos verem. O Presidente da Câmara não dá trabalho à família num organismo que é de todos. Não se preocupa em beneficiar os amigos de fora - os fundos legais e suspeitos, os agentes e comissionistas - e sim os seus concidadãos através da dinamização das forças-vivas da cidade que crescem com o turismo, a indústria e as marcas mais fortes da Invicta onde está, inevitavelmente, o nosso clube. Rui Moreira não se cala quando se prejudica o Porto da mesma maneira que outros calam quando se prejudica o FC Porto. Não se vende àqueles que insultam a cidade como outros se vendem àqueles que insultaram o clube e os recebem entre mordomias no palco presidencial. Rui Moreira pode não ser o próximo Presidente do FC Porto mas alguém que siga o seu exemplo deveria sê-lo. O Rui é esperto. O Rui é fiel. O Rui é frontal. O Rui é honesto. O Rui é corajoso. Futuro presidente do FC Porto, seja esperto. Seja como o Rui.
   

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Líder silencioso, clube desamparado


Já passaram 2 dias do jogo FC Porto x Marítimo e nem uma reacção pública do Presidente – ou de alguém ligado à SAD – sobre a arbitragem de Jorge Ferreira. A única posição oficial, ou oficiosa, surgiu esta manhã pela pena de Francisco J. Marques no “Dragões Diário”. Já aqui disse que esta rubrica expõe muito bem os podres da arbitragem e as artimanhas dos adversários, mas não tem o mesmo impacto nem impõe o mesmo respeito que afirmações in loco pelos responsáveis da SAD aos microfones da comunicação social.

A opinião de Jorge Coroado sobre esta arbitragem:
"Parece mas não se trata de perseguição, é mesmo muito fraquinho. Insistir na sua manutenção é contributo indelével para a descredibilização do setor. Castigos máximos por assinalar e atropelos à lei da vantagem engordaram prestação negativa."

Não me esqueço que foi este árbitro que esteve no empate com o Boavista no Dragão em que expulsou Maicon por uma entrada de carrinho. Não me esqueço que foi este mesmo o árbitro do jogo Moreirense x SLB de Fevereiro de 2015 que marcou um canto escandaloso, inexistente, de onde nasceu o golo do empate do SLB para, logo de seguida, expulsar um jogador do Moreirense por palavras que lhe terá dirigido. E no passado Domingo, este “habilidoso” de Fafe veio ao Dragão para nos roubar descaradamente. Outra vez.

árbitro Jorge Ferreira, da A.F. de Braga

Veja-se por exemplo a arbitragem do algarvio Nuno Almeida no jogo da Taça de Portugal, no Bessa (Boavista 0-1 FC Porto). Foram mostrados 6 cartões amarelos e 1 cartão vermelho directo à equipa do FC Porto e apenas 1 cartão amarelo à equipa do Boavista e quem assistiu ao jogo sabe que para os do Boavista era “canela até ao pescoço”. O problema é que qualquer árbitro da merdaleja de baixo já se sente à vontade, com uma legitimidade quase natural para prejudicar o FC Porto, porque sim. Na imagem abaixo, perante o submisso capitão Herrera, aquando da amostragem do vermelho directo a Imbula por uma calcadela, o árbitro algarvio, de dedos em riste e pose autoritária e ameaçadora. Esta imagem vale mais que mil palavras.

árbitro Nuno Almeida, da A.F. do Algarve

Há muitos anos que nem Presidente nem qualquer outro membro destacado da SAD defendem publicamente o clube de arbitragens tendenciosas, de nomeações incompreensíveis, de pontuações desvirtuadas e de falsidades e tratamento discriminatório da comunicação social lisboeta. O “pós-apito dourado” tem-se revelado penoso do ponto de vista da comunicação externa no FC Porto. Acabaram por ser os treinadores que, na última década, defenderam publicamente o Clube contra os referidos abusos. E nunca é demais nomeá-los, porque merecem: Jesualdo Ferreira, André Villas-Boas, Vítor Pereira, Paulo Fonseca, Luis Castro e Julen Lopetegui. Mas essa defesa pública trouxe-lhes muito desgaste. Ao treinador do FC Porto, para além do seu trabalho core, é-lhe exigido que defenda o seu grupo de trabalho e o clube perante uma comunicação social hostil e ardilosa e perante uma corporação – a arbitragem – dominada desde o topo pelos emblemas lisboetas, com o SLBà cabeça. E não deveria ser assim.

O Futebol Clube do Porto precisa de quem o defenda de viva voz e no momento certo. O Clube precisa de um Presidente que, no final de um jogo com uma arbitragem da estirpe da de Jorge Ferreira, desça à zona de imprensa e faça uma declaração pública acusando e denunciando estas situações. E, se necessário for, que afirme peremptoriamente que o “artista” em causa não volta a apitar o FC Porto. Ponto.

Infelizmente, das linhas orientadoras para o mandato a que Pinto da Costa se recandidatará, e que foram reveladas pelo próprio na entrevista da semana passada ao Porto Canal, não faz parte um combate forte e determinado ao poder instituído do SLB no seio da arbitragem nacional.
   

domingo, 13 de dezembro de 2015

Blindagem, já!


Chegou a ser ventilado que na véspera da deslocação do FC Porto à Luz, no final da época passada, num jogo que poderia decidir o campeonato, o treinador adversário, Jorge Jesus, terá tido acesso ao ‘onze’ que Lopetegui estava a trabalhar para essa partida. Desconheço a veracidade deste episódio.

No decorrer desta época, têm sido do domínio público algumas informações que se deviam manter privadas no estrito âmbito da equipa técnica e dos jogadores. Parece haver demasiada informação a circular pelos empresários de jogadores e outros elementos que vivem debaixo do chapéu da SAD. O FC Porto tem de voltar a blindar totalmente o seu balneário, independentemente do treinador que estiver a orientar a equipa. Para triunfar tem de voltar a ser aquele clube que já foi, uma fortaleza de onde nada sai, nada se sabe e que a todos surpreende.

Se o problema fosse apenas e só Lopetegui, seria muito fácil de resolver. Mas não é. É muito mais profundo que isso e os sócios já se aperceberam da sua verdadeira dimensão.

O presidente Pinto da Costa sempre teve um estilo de liderança autocrático. Até ao final de 2004 sempre exerceu a sua liderança e a sua presença, sendo a voz e a cara que representava o clube. Com o aparecimento dessa fraude jurídico-desportiva que deu pelo nome de Apito Dourado, a imagem do presidente ficou desgastada e a defesa pública dos constantes ataques ao clube foi sendo feita – e muito bem – pelo treinador Jesualdo Ferreira. A equipa jurídica que assessorou a SAD e o Presidente trabalhou na sombra e conseguiu desfazer a trama mas os aparecimentos públicos de Pinto da Costa nunca mais tiveram o mesmo impacto.

Sem alguém na forja que pudesse ir substituindo o Presidente para a defesa pública da boa imagem do clube, com um Antero Henrique mais preocupado com a sua afirmação pessoal na cúpula da SAD onde já se encontravam outros “pesos pesados” com superiores aspirações, e com a crescente influência de determinados empresários que traziam financiamento e jogadores de qualidade do mercado sul-americano, o clube ficou demasiado vulnerável e durante muitos anos sem uma figura que pudesse desempenhar o papel de Pinto da Costa: um líder com mão férrea que blindava totalmente as equipas técnicas e lhes dava a estabilidade e confiança que elas precisavam para se preocuparem apenas com o seu trabalho.

Neste momento o clube precisa de um Director desportivo forte e autoritário que consiga equilibrar o jogo de forças entre a equipa técnica e jogadores, o empresariado capitalista mas dependente, e a pressão exterior exercida pela comunicação social e pelos adeptos impacientes. De preferência um homem com a escola da casa.

Sem esta figura não há treinador que resista. Podemos ir fazendo experiências e transformar o clube num cemitério de treinadores como aconteceu nas décadas passadas com os clubes da 2ª circular, mas não conseguiremos voltar a ser aquele clube onde qualquer treinador conseguia ser campeão.
   

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Sucessão: os outros

Nas últimas semanas não faltaram nomes (e nem sequer todos portistas) avançados nos comentarios como possíveis candidatos a sucessor de Pinto da Costa, para além dos nomes inicialmente avançados pelo Alexandre no seu artigo inicial sobre o tema;  ao ponto de alguns autores do Reflexão Portista se perguntarem se estávamos a fazer alguma coisa errada ao não avançarmos com a nossa própria candidatura, LOL... :-D

Serve este artigo para mencionar os candidatos menos falados, com algumas considerações sobre cada um (e desconheço se algum deles tem ambição de chegar a presidente do FCP). Digamos que é a lista dos «outsiders», uns mais do que outros...


Miguel Sousa Tavares aka «o jornalista implacável»: a favor, o reconhecimento imediato pelos adeptos, a frontalidade, o espírito crítico e independente. Contra, nunca ter gerido nada e ser dado a extremos: como presidente provavelmente iríamos assistir a 5 treinadores, 20 jogadores dispensados (tal como 4 dirigentes, 2 massagistas e 3 apanha-bolas), e outros 15 jogadores contratados. Isto numa só época, claro.

Belmiro de Azevedo aka «o gestor implacável»: daqui a 4 anos vai ter 78 anos. Acho que não preciso de ir mais longe nos comentários.


Fernando Madureira aka «o macaco»: a favor: simpatia de PdC e capacidades de liderança, com o registo impressionante de ter pegado num grupo de carolas que gostava apenas de ir apoiar o clube do coração e ter tornado aquilo num autêntico negócio altamente lucrativo. Contra: preciso mesmo de dizer alguma coisa?


Reinaldo Teles aka «o Tio Reinaldo»: o histórico número dois e fiel adjunto de PdC. A favor: conhecimento profundo do futebol e homem da casa, alta gratidão da parte dos adeptos. Contra: com todo o devido respeito, lamento mas eu não lhe confiava sequer a gestão do mealheiro do meu filho, quanto mais da SAD. Acrescente-se a frágil saúde. De qualquer forma, acho extremamente provável que queira sair pelos seus próprios pés quando PdC sair, como aliás ele próprio já disse em tempos. Quanto muito, possível candidato a dirigente intermédio numa lista de «continuidade».

Adelino Caldeira aka «Darth Vader» : conhecido entre muitos detractores como o «dark side» maquiavélico da direção da SAD (uma espécie de Dick Cheney do FCP, digamos), o que inclui suspeitas de favorecimentos a sócios e familiares (que tiveram ou têm negócios com a SAD).  A favor: a experiência. Contra: a experiência :-). Mais a sério, apesar de ser um dos braços direitos de PdC não lhe conheço pessoalmente dotes especiais de gestão, nem tampouco dotes de liderança, ou sequer carisma - nao será aliás por acaso que praticamente ninguém fala dele como possível sucessor, não é? No entanto, é obviamente um fortíssimo candidato a manter o cargo secundário numa lista de «continuidade».

Fernando Póvoas aka «o médico»: reação imediata do adepto típico: «Quem??». Ex-vice-presidente do clube. A favor: experiência no clube, alguns dotes demonstrados de gestão nas suas clínicas privadas.  Podíamos também poupar algum dinheiro num médico para o banco nos jogos, já agora! Contra: um desconhecido da maior parte dos adeptos, e demasiado distante do mundo do futebol para ter credibilidade suficiente com os adeptos. As suas hipóteses aumentariam a pico se escolhesse uma figura popular do futebol do clube como gestor 'hands on' para o futebol (como um Baia ou Jorge Costa, por exemplo, ou um Antero Henrique se este aceitasse, o que não me acredito).

Joana Pinto da Costa aka «a Pintinha»: tem a vantagem do nome de familia: se isto fosse a Coreia do Norte, a eleição já estava no papo, carago! Tirando isso, desconheço-lhe quaisquer argumentos minimamente credíveis.

Alexandre Pinto da Costa: o mesmo ponto forte da Joana, mas com conhecimento por dentro do mundo do futebol. Contra: a sua história no mundo do futebol... «deitando-se» com os nossos inimigos e péssimos dados sobre as suas qualidades de gestão, para não falar em carisma zero tal como zero experiência como dirigente.

Jorge Costa aka «o Bicho»: figura querida dos adeptos. Indiscutíveis qualidades de liderança e amor ao clube. Bom conhecedor do mundo do futebol. Contra: enorme ponto de interrogação como gestor ou dirigente. No curto prazo não teria hipóteses de ser eleito sendo visto como extremamente «verde», mas quem sabe daqui a 4 (ou mais) anos, se entretanto mostar argumentos como dirigente. Não o excluo no entanto como possível candidato a dirigente subalterno (por exemplo ao lugar detido hoje por Antero Henrique) principalmente numa lista que não seja de «continuidade».

Fernando Gomes aka «o gajo das contas»: ex-administrador da SAD, era o tipo que dava a cara no aspecto financeiro durante muitos anos (e no G14). A favor: candidato credível e facilmente reconhecível, dos raros que têm experiência no mundo do futebol e como gestores, e em cargos de liderança. Longa história positiva dentro do FCP, desde os tempos de jogador de básquete até a dirigente. Contra: é mais conhecido dos adeptos hoje em dia pelas piores razões, nomeadamente pelas turras com o FCP enquanto presidente da FPF (e anteriormente na Liga), tendo ganho uma imagem demasiado próxima dos nossos inimigos para o gosto dos portistas. Nao e' querido por Pinto da Costa, diminuindo imenso assim as suas hipoteses. Mas como dizia PdC, «largos dias têm 100 anos» e nunca se sabe...

António Lobo Xavier aka «Pau-para-toda-a-colher»: candidato com um pedigree teórico interessante. Inquestionavelmente portista, é ainda jovem (53 anos) e tem um CV recheado de responsabilidades em diversas áreas (há quem diga demasiadas), da advocracia à política à gestão em empresas de topo, com capacidades de liderança reconhecidas - ao que se junta alguma experiência no FCP, onde chegou mesmo a ser Administrador na SAD. É também uma figura mediática, não só como deputado do CDS como também comentador na SIC.
Se fosse eleito poderíamos ainda como bónus poupar dinheiro com advogados da próxima vez que os nossos inimigos inventarem um processo contra nós :-). Contra: apesar de alguma experiência na SAD (mas em cargos nao executivos), muitos se irão perguntar - e muito legitimamente - se percebe mesmo de futebol. Além disso, a longa história no CDS pode jogar contra si entre alguns sócios (embora esteja convencido que num FCP e no Grande Porto, onde vive a grande maioria dos sócios, isto é um factor com pouco impacto).

André Villas Boas aka «cenourinha» ou «libras boas»: poderá eventualmente ser um candidato a ter em conta, quem sabe, mas acho que so´ daqui a muitos anos. A saída unilateral da «cadeira de sonho» poderia jogar contra ele, mas a reconciliação com PdC elimina em grande medida esse handicap.

Para alem disso ainda vi outros nomes a serem mencionados que nem me dou ao trabalho de comentar como Nuno Cardoso, Luis Filipe Menezes, Alexandre Magalhães, José Magalhães ou Fernando Gomes (ex-presidente da CMP).

Enfim, apos tantos nomes para todos os gostos e feitios, fico um bocadinho desiludido que ninguem mencionou o meu :-D... já agora aqui fica, para fechar o ramalhete:

José Rodrigues aka 'o bloguista-que-tem-a-mania-que-tem-piada': a favor, sei lá... é portista. Contra: para além do pequeno pormenor de ter zero hipóteses de ser eleito, a sua esposa já o avisou de que se se atrever a pensar sequer em regressar a Portugal antes da reforma (i.e. daqui a 20 e muitos anos), vai levar um enxerto de porrada.

Concluindo: o mais provável (mas não certo) é que PdC continue por mais 3 anos, havendo portanto mais do que oportunidade para voltarmos mais tarde ao tema da sucessão. É também muito provável que se o PdC «apadrinhar» uma candidatura essa terá enorme probabilidade de vencer, independentemente do seu mérito e das listas alternativas. Mas como foi dito no artigo inicial desta série, não vem mal nenhum (bem pelo contrário) que os adeptos comecem a reflectir nisso com alguma antecedência porque as iterações só contribuem para que as opiniões na «altura da verdade» sejam o mais informadas e consolidadas possíveis.


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 A Sucessão: Artur Jorge, uma especulação
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A Sucessão: o fim de um tabu

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Os enigmas de Rui Moreira

Para muitos adeptos portistas, o nome de Rui Moreira oferece um consenso pouco habitual fora da estrutura actual da SAD, quando se trata de falar da sucessão do maior presidente desportivo da história do futebol, a par de Santiago Bernabeu. O que leva que um sector de sócios do FC Porto pense que este empresário da Invicta é o homem certo para suceder a Pinto da Costa na cadeira de sonho do Dragão?

Rui Moreira tem a seu favor três elementos que quase sempre se procuram e poucas vezes se encontram em potenciais candidatos. É um homem da cidade e do clube desde sempre, seguidor confesso, adepto de bancada e sem medo de dizer publicamente o que pensa sobre a gestão do clube. É também uma figura pública, não tanto pelo seu trabalho ao serviço da Associação Comercial do Porto, mas pelo seu papel de cronista e convidado de programas televisivos para representar a facção azul e branca. Dele disse Pinto da Costa, quando em 2010 lhe entregou o Dragão de Ouro ao Sócio do Ano que "com a sua inteligência esteve lá a defender o FC Porto, mas não como um simples recadeiro, sem receber mensagens no telefone a meio do programa de outros, tendo mostrado a dignidade de dizer basta ao fartar vilanagem".

Educado, correcto mas directo, a sua postura, principalmente quando abandonou o programa da RTP Trio de Ataque, valeu-lhe o apoio de muitos sectores entre os adeptos, cientes que o sucessor de Pinto da Costa não pode ter medo de mandar as farpas necessárias para manter os rivais na ordem.
É, também, uma das poucas figuras consensuais de um Norte perdido de referentes públicos. A sua postura de defesa da autonomia do porto de Leixões, do aeroporto Sá Carneiro e o seu posicionamento favorável à regionalização vem de encontro com a massa adepta mais tradicional que vê no clube um reflexo da cidade do Porto e, por extensão, da região norte.



Mas o seu nome gera também muitas dúvidas. Sobretudo porque nunca escondeu a sua ambição política.
Nestas últimas semanas o seu nome voltou à baila com força, por motivo das eleições autárquicas deste ano. Politicamente conservador, associado historicamente ao CDS, Moreira sonha tanto com a cadeira de presidente do FC Porto como com a da Câmara Municipal da cidade. Durante os anos de gestão de Rui Rio foi sempre falado como um opositor capaz de reunir à sua volta toda a oposição mas acabou por desmarcar-se de todas as corridas, ciente que o apoio esmagador da direita valeria ao presidente em funções a renovação no cargo. Mas Luís Filipe Menezes, o candidato da coligação PSD-CDS, gera muitas dúvidas aos portuenses e há uma vazio político, que uma candidatura aparentemente independente, mas com muitos apoios partidários, pode explorar. Moreira sabe-o, conhece a sua popularidade e pode ser tentado a avançar. Se vencer, seguramente será presidente da autarquia entre quatro a oito anos, o que o invalidaria como candidato à presidência do clube. E se perde?
Bem, ninguém gosta de votar em candidatos perdedores. Uma derrota nas urnas, especialmente se for clara,  pode ferir para sempre a sua imagem junto do associado portista e inviabilizar qualquer ideia de sucessão a Pinto da Costa.

Rui Moreira é também cronista no jornal A Bola. Para muitos sócios e adeptos portistas, isso não deixa de ser um sacrilégio, como Miguel Sousa Tavares bem sabe, e mesmo que o seu discurso seja previsivelmente o da defesa do clube num jornal de prestigio, a verdade é que poucos podem entender essa parceria a não ser da perspectiva do mais básico populismo mediático. Um populismo que funciona bem em modelos como o do Benfica mas que encontrará seguramente uma resistência tenaz no "tribunal" portista.

E afinal, Rui Moreira é um gestor de futebol reconhecido?
Foi membro do Conselho Consultivo do FC Porto mas não se lhe conhece nenhum acto de gestão interno que tenha saído de uma proposta sua. Escreve e fala fluentemente sobre futebol mas nunca mostrando um nível de conhecimento de gestão desportiva superior a muitos outros cronistas azuis e brancos. É um empresário de sucesso, sem dúvida, e o seu papel como presidente da ACP recebeu sempre bastantes elogios, mas não é o mesmo mexer-se no mundo empresarial tradicional do que no universo e no submundo futebolístico  onde é preciso sujar as mãos muito mais vezes do que se quer. Rui Moreira seria um candidato interessante com uma equipa de gestores de futebol atrás de provas dadas. Poderia ser capaz de unir à sua volta os mais acérrimos nortenhos (aqueles que querem que o Olhanense perca com o Gil Vicente só por ser do Sul) e alguns dos pintistas confessos, mas será capaz de o fazer sozinho?

E no fim de contas, não parece que esse sonho de consagração política como símbolo unificador das distintas sensibilidades nortenhas, a través de um cargo no panorama regional, uma velha memória do antecessor de Pinto da Costa, o também homem forte do CDS no Porto, Américo de Sá, de quem José Maria Pedroto disse um dia que queria entrar na Assembleia da República (onde era, precisamente, deputado eleito pelo Porto) com a cabeça de Pinto da Costa numa bandeja para acalmar os centristas? Será Rui Moreira um presidente capaz de se comprometer a 100% com o futuro do clube, como muitos esperam, ou haverá sempre um canto da sereia ao virar da esquina para uma das grandes figuras presentes da Invicta?


Outros artigos nesta série: 
A Sucessão: O Bibota

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A Sucessão: o «Bibota»

Fernando Gomes, carinhosamente conhecido entre os portistas como o "Bibota" (devido a ter conquistado por duas vezes a Bota de Ouro sendo o melhor marcador nos campeonatos europeus), é uma figura incontornável da História do FCP (e um dos melhores avançados portugueses de sempre), tendo despontado no clube ao mesmo tempo que o FCP ressurgiu de um longo período de «seca» (sob o comando de PdC e Pedroto) com o seguimento que se conhece nos 35 anos seguintes. 

O seu nome está também associado aos primeiros feitos internacionais do FCP: contributo decisivo para chegarmos à final de Basileia, campeão europeu em '87 (tendo falhado a final por lesão), Supertaça europeia e Taça Intercontinental em '88. A nível individual, marcou 527 golos (!) na totalidade da carreira (a esmagadora maioria ao serviço do FCP).

O seu ascendente coincidiu também com o meu «acordar» para questões futebolísticas, já que eu tinha 6 anos quando o FCP ganhou o campeonato de 77/78 sendo Gomes e Frasco os meus primeiros ídolos; tendo ficado portanto inconsolável quando Gomes foi vendido (por uma soma recorde para esses tempos) para o S. Gijon 2 anos depois, e em êxtase quando regressou ao FCP 2 anos mais tarde (em '82).

O maior atributo de Gomes como jogador era o «faro» pelo golo, sabia «ler» muito bem as jogadas e as movimentações dos defesas adversários estando quase sempre no sítio certo, parecendo muitas vezes que tal acontecia por mera sorte ou acaso - erradamente. Nesse aspecto Jardel foi o «herdeiro» de Gomes.

A sua saída (como jogador) do FCP não se fez da forma mais pacífica: saiu em conflito - primeiro com Ivic (que teve a famosa tirada de «Gomes é finito») e depois com Artur Jorge - com a fama de ser um vaidoso e má influência no balneário, tendo ido parar ao SCP de forma amigável (já com 33 anos)... pendurando as botas 2 anos mais tarde, em '91.

O seu percurso desde então (e já lá vão 22 anos...) foi bastante modesto para alguém com os seus pergaminhos, tendo andado durante muitos anos de voltas avessas com PdC, tendo-se associado com um péssimo timing a «inimigos» do FCP , como José Veiga, tendo mesmo a reputação de ter tido «dedo» em alguns negócios com jogadores que foram prejudiciais aos interesses do FCP.

No entanto como diz PdC «largos dias têm 100 anos» e nos últimos anos testemunhámos a reconciliação  - com o Bibota (finalmente) a assumir recentemente um cargo na SAD portista (ainda que secundário, pouco mais que uma espécie de «Eusébio» do FCP).

Pela sua carga histórica, o Bibota será sempre alguém a ter em conta caso apresente uma candidatura a presidente do FCP. Suspeito no entanto que isso só iria acontecer num cenário em que se fazia acompanhar por várias figuras de «dentro», como num cenário de presidencia-dualista com a equipa de A. Henrique, A. Caldeira e A. Ferreira.

Penso que F. Gomes seria uma enorme incógnita: a favor, tem o «investimento» emocional de muitos adeptos, o portismo e ser um homem do mundo do futebol. É também ainda relativamente jovem para o cargo (56 anos). 

No entanto não se lhe conhecem atributos de liderança ou carisma muito fortes (mesmo como jogador penso que nunca o demonstrou ao nível do que se viu num «Broas», V. Baía ou J. Costa), não se faz a mínima ideia se terá «olho» para jogadores ou treinadores, não se lhe conhecem dotes de gestão (os rumores sobre a sua experiência pessoal parece mesmo apontar o contrário tendo alegadamente feito investimentos ruinosos), e deixa algumas dúvidas ao nível da capacidade de julgamento das «companhias» que escolhe (para não falar da fama que granjeou como jogador nos anos finais de ser demasiado vaidoso e interesseiro).

Concluindo, penso que haverá lugar para o Bibota na estrutura portista mas duvido imenso que faça sentido num cargo de liderança. Penso também que a probabilidade de avançar com uma candidatura (a presidente ou pelo menos como mão direita do presidente) é remota, mais do que no caso de um V. Baía (ou quem sabe um J. Costa daqui a uns anos).

De qualquer forma como jogador ficará sempre no meu coração por tudo o que deu ao clube ao campo.

Outros artigos nesta série: 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Baía a presidente, Baía a presidente!

Vitor Baía pertence ao mesmo lugar da geração dos anos 90 que ocupa Fernando Gomes, o "Bibota", com os portistas que cresceram nos anos 70 e 80. É o máximo símbolo no campo do que significa ser jogador, capitão e emblema do clube.

Quando voltou, depois de um período no Barcelona que começou bem mas que entre alguns erros e muitas lesões acabou mal, num jogo contra o Beira-Mar em casa, agora com o 99 às costas, esperava-a uma legião de adeptos fanáticos, desejosos de testemunhar em primeira pessoa o regresso do filho pródigo. Estava frio, muito frio, chovia  como no Porto habitualmente sucede nestes momentos. Eu tinha 39,5 graus de febre, estava de cama há dois dias mas conseguiu convencer por artes mágicas os meus pais que nunca me perdoaria perder o regresso do Baía depois de tantos anos. E lá fui ver um jogo com pouca história mas com muito simbolismo.

Só os grandes nomes são capazes de inspirar nos adeptos esse tipo de sensações, de intimidade.
Ao contrário dos seus colegas de equipa, os Jorge Costa, Sérgio Conceição, Paulinho Santos, Rui Barros ou Nuno Capucho, o antigo guarda-redes sempre deixou claro que não tinha nenhuma intenção de ser treinador. O seu lugar era atrás de um gabinete com um posto de acordo com o seu status. Simbologia para um líder que superou todos os registos, que ainda é o futebolista com mais títulos conquistados, e que começou a carreira na ressaca de Viena para acabar pouco depois da ressaca de Gelsenkirchen.


É claro que sabemos que para Vitor Baía ser algum dia presidente do FC Porto precisa de ter atrás de si uma equipa extremamente competente. Porque bom gestor não é.
Os seus problemas financeiros, as dividas (entretanto perdoadas) espelham o que habitualmente acontece com futebolistas com muito dinheiro, erros de aplicação de fundos, confiança nas pessoas erradas e falências precoces. Baía, de quem alguns dizem que até era benfiquista em miúdo, não seria a primeira pessoa em que eu pensaria para manter um controlo sobre as verbas do clube. Mas como símbolo institucional é uma das máximas referências do portismo.

Perante o cenário, já aqui avançado, de uma liderança bicéfala depois de acabar o mandato de Pinto da Costa (este ou os seguintes), o clube precisaria de uma figura consensual com os adeptos para presidente do clube enquanto que a SAD estaria entregue aos homens que, realmente, vão liderar os destinos do clube. Da mesma forma que muitos não engolem a imagem de Antero Henriques como presidente de facto, ninguém exclui que ele continue a mandar, como em parte já faz, com um "testa-de-ferro" no cargo. Nesse sentido, a figura de Baía, mais jovem, mais presente, mais subordinado, encaixa melhor que o perfil do "Bibota", outro eterno símbolo e crónico presidenciável.

Baía foi provavelmente o maior guarda-redes da história do futebol português. Como presidente seria um romper evidente com a herança de Pinto da Costa. O estilo do presidente é inimitável mas ninguém imagina Baía como guerreiro do Norte, a lançar farpas e ataques aos poderes instalados, dentro e fora de Portugal, a utilizar a retórica como arma política e com um faro para os negócios impecável. Mas a herança de PdC será pesada para todos e talvez muitos adeptos prefiram um líder simbólico, apoiado por uma equipa que mantenha a estrutura de sucesso, que uma aventura com alguém que aterre de fora, como António Salvador e Rui Moreira, e que rompa com os moldes actuais de gestão do clube.

Baía seria portanto um nome de consenso e de pouco poder, um presidente para a fotografia, de uma forma que os Adelino Caldeira, Fernando Gomes, Antero Henriques ou Reinaldo Teles jamais poderão ser. A sua herança, junto dos adeptos, daqueles que o viram nascer, crescer e triunfar de dragão ao peito seria um capital de prestigio e popularidade que demoraria muitos anos a perder-se, salvo uma gestão desastrosa, e deixaria espaço para que os homens dos corredores do poder continuarem a fazer negócios à sua maneira.

"Baía a presidente, Baía a presidente!" seria, seguramente, algo que não me surpreenderia ouvir da guarda pretoriana, ou da claque, como lhe queiram chamar, quando chegar a hora. Porque como parou o impossível no campo, o 1 (ou 99, como prefiram) também poderia continuar a tapar as perguntas mais incómodas no gabinete presidencial!

Outros artigos nesta série: 
A Sucessão: António Oliveira
A Sucessão: Antero Henriques
A Sucessão: O Fim de um Tabu

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A Sucessão: Antero Henrique

Antero Henrique é visto por muitos portistas como estando na pole position dos possíveis candidatos a sucessor de Pinto da Costa, e bem possivelmente com razão, embora eu tenha algumas dúvidas.

Não deixa de ser curioso que assim seja quando não faz sequer parte da «cúpula» na SAD, não fazendo parte do Conselho de Administração (onde para além de PdC temos A. Caldeira, R. Teles e A. Ferreira, para além de um administrador não-executivo) nem sendo sequer um dos 14 vice-presidentes do clube (onde se encontra por exemplo R. Teles e A. Caldeira). Isso acontece no entanto porque é visto como o homem forte do futebol, e o futebol é a principal actividade do clube.

Transmontano de Vinhais (e alegadamente benfiquista enquanto criança segundo entrevista de um amigo de infância ao JN há uns anos, tendo depois visto a «luz»: um pormenor que a ser verdade acho curioso mas sem importância), Antero Henrique subiu a pulso no FCP a partir de um início modesto, sob a tutela de PdC. Tendo ido estudar para o Porto com 18 anos, cruzou o seu destino com o FCP no início dos anos 90 como coordenador da revista Dragões, de onde «saltou» para assessor de imprensa, ainda nos anos 90; e com a criação da SAD estruturou o departamento de relações externas. Destacou-se nos primeiros anos de SAD pela lealdade absoluta a PdC (como durante o processo do «Pito Dourado»), sendo promovido a director-geral para o futebol em 2005 (o que levantou confusão entre alguns adeptos na altura, como eu, no que diz respeito ao seu papel vs. o papel do «administrador para o futebol» que era, e é suposto no papel ser ainda, Reinaldo Teles; hoje em dia há muito menos dúvidas nessa questão).

No sistema presidencialista de PdC, Antero passou desapercebido da esmagadora maioria dos adeptos nos primeiros tempos, «dando a cara» pela primeira vez a sério num projecto por si anunciado intitulado de «611,» que muito aplaudi na altura. Como se viu mais tarde esse projecto foi um tremendo fracasso (medido pelos critérios anunciados por Antero), já que se em 2006 tínhamos 4 jogadores da casa no plantel, em 2011 em vez de termos 6 como previsto (um objectivo que nem era particularmente ambicioso), tínhamos... 1.

No entanto a imagem de competência (ainda que bastante nebulosa e vaga, devido à forma opaca como a SAD funciona e com PdC a ser quase o único a dar a cara, o que tem muitas vantagens mas também algumas desvantagens)  que ganhou junto de muitos adeptos foi pouco beliscada por esse projecto que tinha a sua marca, sendo associado com as sucessivas vitórias nacionais (e internacional, no caso da Liga Europa), claramente o mais importante para os adeptos. Ultimamente tem dado um pouco mais a «cara», o que saúdo, mas mesmo assim é difícil para o adepto comum saber até que ponto é que ele teve «dedo» em decisões importantes de gestão por contraponto a PdC e aos companheiros de administração.

Mesmo que seja mais ou menos consensual que é competente no cargo que desempenha, será ele um bom presidente? Uma pergunta que muitos adeptos se colocam é se não estaremos na presença de um possível exemplo do princípio de Peter, i.e. de que as pessoas têm tendência a serem promovidas até ao seu nível de incompetência - no caso de Antero, quer isto dizer que poderá ser um bom director no dia-a-dia mas um mau presidente. Essa é uma resposta muito difícil de responder, mas para a maioria dos adeptos será suficiente que PdC «abençoe» a sua candidatura para remover essa dúvida.

Dúvida que no entanto regressará em força caso as primeiras épocas no pós-PdC não sejam de sucesso, com comentários do género «Pois é, o mérito do sucesso era mesmo do PdC». Um desafio que se coloca tanto a Antero como a qualquer outro possível candidato, aliás, porque terão sempre muitíssimo menos margem de manobra do que PdC tinha, por razões óbvias. Existem duvidas tambem que tenha a sensibilidade e sagacidade suficientes para a gestão económica da SAD quando se perspectivam tempos de maior aperto do cinto.

Muitos consideram que não tem um perfil presidenciável, sendo um «tecnocrata». Penso que não será de excluir de todo a possibilidade de que, consciente disso, Antero junte forças com A. Caldeira e A. Ferreira (e quem sabe R. Teles) para colocar uma figura popular entre os adeptos como presidente do FCP clube que se contente em deixá-lo(s) gerir a SAD como mais ou menos bem entenderem (como possivelmente um Fernando «bibota» Gomes). É um cenário que não me agrada porque é o presidente que é eleito pelos sócios e a eles responde também pela gestão do futebol, e com essa responsabilidade devem vir poderes concretos e inquestionáveis na SAD. Prefiro Antero a presidente do clube e da SAD, do que responsável (de forma oficial ou não) apenas da SAD.

Pergunto-me também como verão os seus colegas mais seniores e com origens menos humildes, como um A. Caldeira, a perspectiva de o ter como chefe. Não sei se o aceitarão de forma tão pacífica como isso.

Finalmente, contra si Antero tem o handicap de ser desde sempre um mero homem do futebol, sem experiência significativa ao nível do clube, ao contrário de PdC e tantos outros dirigentes (como R. Teles). Será ele um candidato com a sensibilidade suficiente para ter em conta os interesses superiores do FCP quando estes colidirem com os da SAD? Esta é uma enorme dúvida (e parecem existir alguns dados avulsos que a reforçam), mas penso que de menor importância aos olhos da maioria dos sócios: não vai ser certamente por aí que não será eleito.

Para terminar, pergunto-me se Antero estaria disposto a continuar no posto actual no caso de uma candidatura que não seja de «continuidade», com os administradores a serem todos substituídos (ou quase),  e numa posição claramente subalterna perante o novo «chefe» - na teoria, e na prática. Com os dados que tenho neste momento, penso que poderia ser uma solução eventualmente interessante para o FCP... mas ainda é cedo para tirar conclusoes bem fundamentadas.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A Sucessão: o fim de um tabu?


A sucessão de Jorge Nuno Pinto da Costa tem sido um tema praticamente considerado tabu nos meios portistas, chegando qualquer especulação nesse sentido a revestir-se, aos olhos de alguns zelotas, de tons de sacrilégio ou blasfémia. Faz-me lembrar - salvaguardadas as devidas distâncias e proporções - o que se passava no Estado Novo quando Salazar já passara a casa dos 70 anos: nem os indefectíveis do regime se atreviam a especular sobre  a sucessão do chefe. Estava tudo na aparente crença de que ele era eterno, e quem ousasse pensar o contrário era logo considerado um perigoso subversivo (hoje em dia dir-se-ia que tinha uma "agenda").

O que no F.C. Porto tem sucedido a este respeito deve causar ao próprio Pinto da Costa um imenso gáudio, pois é próprio dos seres superiores, como ele, rirem-se - pelo menos à sucapa - dos lisonjeadores baratos. Mas não duvido que a sua sucessão o preocupe. Não é impunemente que se serve um clube como o F.C. Porto 30 anos. Isso requer, além de grandes qualidades, uma grande paixão pelo clube.

Pois agora, Pinto da Costa, aquando da ida a França para o jogo com o Paris Saint-Germain - e num muito português hábito de se falar no estrangeiro do que se não fala em casa - declarou que tenciona fazer apenas mais um mandato, ou seja, de 2013 a 2016.

Entre os portistas há, como não podia deixar de ser, grande apreensão relativamente à sucessão de uma fígura ímpar como Pinto da Costa. Há um chavão que diz que ninguém é insubstituível, e mesmo tendo em atenção que todo o chavão tem um fundo de verdade - ou não existiria - é minha opinião que um personagem como ele é mesmo insubstituível, pelo menos na versatilidade e eclectismo dos seus dotes e capacidades.

Colocados perante o inelutável facto de que, um dia, Pinto da Costa sairá mesmo, os portistas têm reacções díspares. Há os que antevêem um descalabro, depois do sucesso e estabilidade de tantos anos, há os que acham que ele já não deveria estar à frente do clube - uma corrente certamente minoritária - e há os que, não olhando a nomes, temem pelo futuro do clube e, principalmente, da SAD, ao lerem os relatórios - uma corrente ainda mais minoritária, diria eu.

Mas dado ser agora aparentemente oficial que em 2016 teremos de escolher um novo presidente, abro aqui um debate, se tal presunção me é permitida. Quem pensamos que será o sucessor de Pinto da Costa, e quem desejaríamos que ele fosse? O leque de candidatos normalmente falado é vasto: Vítor Baía, António Oliveira, Fernando Gomes (futebolista), Antero Henrique, Rui Moreira, até o Presidente do Braga, António Salvador. Pinto da Costa costuma dizer que não indicará um sucessor, pois "o F.C. Porto não é uma monarquia" (diga-se de passagem que as monarquias não funcionam desse modo, pois os monarcas não têm o poder legal de decidir quem lhes sucede, a sucessão está constitucionalmente prevista. A não ser, claro, que estivesse a pensar em "monarquias" do tipo norte-coreano ou cubano). Mas, e já dizia o poeta, "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", pelo que nada poderá garantir-nos que, daqui até 2016, Pinto da Costa não mude de ideias e decida apoiar um "delfim". Afinal de contas, também disse um dia que nunca presidiria a um F.C. Porto transformado em sociedade. Pragmatismo sempre foi a sua palavra de ordem, e com isso tem-se ele - e nós - dado muito bem.

Existe um outro nome, do qual ninguém fala, e que nem sei se tem ambições dessa natureza, mas que não me surpreenderia que fosse do agrado do próprio Pinto da Costa. A seu tempo, e na sequência deste artigo, direi a quem me refiro.

Há apenas um pequeno senão nesta história toda. É que Pinto da Costa, mesmo que provavelmente não jogue poker, sempre foi um mestre de "bluff", pelo que, até poderá estar a pensar sair já no próximo ano, ou nem sequer ter decidido quando sairá.

Está aberto o debate.