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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Portistas nas páginas de A BOLA

Nortada, Miguel Sousa Tavares (A BOLA, 18-07-2017)

«Os factos reportam-se a um jogo Beira-Mar - FC Porto, a quatro ou cinco jornadas do final de um campeonato que o FC Porto haveria de vencer tranquilamente com, salvo erro, uns 14 pontos de avanço sobre o segundo classificado – o Sporting. Ou seja, os 6 pontos retirados foram só para mostrar serviço. Recorde-se ainda que, nesses gloriosos dias, o FC Porto era treinado por José Mourinho, a sua superioridade interna era imensa e incontestável e estava a dias de se sagrar campeão europeu. Enquanto isso, o Benfica terminaria o campeonato a mais de 20 pontos de distância, em quarto lugar, atrás do Vitória de Guimarães.»
O que é feito de Carolina Salgado?
Miguel Sousa Tavares, A BOLA, 18-07-2017


O Miguel Sousa Tavares (MST) confunde algumas datas e factos (algo que, por vezes, acontece nas suas crónicas semanais publicadas na A BOLA), mas a mensagem essencial da crónica desta semana, além de pôr o dedo na ferida, é perfeitamente clara e correta.

As duas versões do livro de Carolina (jornal SOL, 08-09-2007)

Juiz acusa Carolina de mentir (O JOGO, 01-07-2008)

O célebre Beira-Mar x FC Porto, arbitrado por Augusto Duarte e que terminou empatado (0-0), foi disputado na época 2003/2004, jornada 31. Isto é, a quatro jornadas do fim desse campeonato e a cerca de um mês do FC Porto se sagrar campeão europeu em Gelsenkirchen, no dia 26 de Maio de 2004.
A equipa do FC Porto (treinada por José Mourinho) ganhou esse campeonato com 82 pontos. Mais 8 pontos que o SLB (2º classificado) e mais 9 pontos que o Sporting (3º classificado).

O campeonato que o FC Porto ganhou com 20 pontos de avanço (mais tarde reduzidos a 14) foi quatro anos depois, na época 2007/2008.
A equipa do FC Porto (orientada pelo prof Jesualdo Ferreira) terminou esse campeonato com 75 pontos e, após lhe terem sido retirados 6 pontos pelo CD da Liga (presidido pelo dr. Ricardo Costa), ficou com 69 pontos.
O Sporting terminou com 55 pontos. O V. Guimarães terminou com 53 pontos. E o SLB terminou esse campeonato em 4º lugar, com 52 pontos (a 23 pontos do FC Porto!).

Quanto à validade das escutas… Ao contrário do que afirma o MST, as escutas não foram ilegais, conforme foi explicado no último programa ‘Universo Porto’ (emitido no Porto Canal, na passada segunda-feira). As escutas não são é válidas para serem usadas no processo disciplinar da Liga/FPF que, “oportunamente”, foi (re)aberto pelo benfiquista de Canelas.

Percebe-se que este tipo de lapsos sejam aproveitados, por benfiquistas e sportinguistas, para descredibilizar o MST. O que me custa a aceitar é que também sejam aproveitados por portistas, para atacar e até insultar o MST, sempre que ele escreve uma crónica crítica do Presidente Pinto da Costa ou de decisões da Administração da SAD.

Ora, convém lembrar que, quando o Apito Dourado “explodiu”, enquanto o Presidente e o Clube/SAD se remeteram ao silêncio, o MST foi dos poucos, juntamente com alguns blogues (entre os quais tenho o orgulho de colocar o ‘Reflexão Portista’), a dar a cara e vir para a “frente de batalha” na praça pública.

É perfeitamente normal discordar das opiniões do MST e eu discordo com frequência, principalmente quando as opiniões são referentes a jogadores ou treinadores. Contudo, não me esqueço que o MST que critica o Presidente nas páginas de A BOLA é a mesma pessoa, o mesmo Portista que, nessas mesmas páginas, defendeu o FC Porto num dos períodos mais delicados da nossa história.

Por isso, e não só, obrigado Miguel.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Águia escondida com bico de fora


O Correio da Manhã de hoje dá destaque de primeira página a uma alegada declaração do ex-árbitro Jacinto Paixão: “É verdade que o FC Porto nos ofereceu raparigas”. Para mais pormenores, o jornal dirigido por Octávio Ribeiro remete para a sua edição em papel.

O Destak foi ver o vídeo publicado no Youtube (com um formato muito semelhante aos vídeos do “tripulha do Uganda”) e diz algo mais:

«“O meu nome é Jacinto Paixão, conhecido ex-árbitro. O que eu vou dizer a seguir destina-se a ficar gravado para posteridade, caso me aconteça alguma coisa a mim ou à minha família.
É desta forma que começa o vídeo gravado por Jacinto Paixão, ilibado do processo ‘Apito Dourado’, publicado no YouTube. O vídeo em causa refere-se a três jogos em particular. O Benfica-Moreirense (2003/04), o FC Porto-Estrela Amadora (2003/04) e o FC Porto-Académica (2002/03).
No vídeo, o antigo árbitro diz que o FC Porto tentou corrompê-lo com mulheres (“é verdade que o FC Porto nos ofereceu raparigas como era habitual fazer”) e com uma viagem. “Através da agência Cosmos, em 1998, para eu ir a Marrocos com os meus dois assistentes e o árbitro João Rosa Penicho”, revela.»
in www.destak.pt


Engraçado, os jogos referidos no vídeo são das épocas 2002/03 e 2003/04, mas a viagem a Marrocos foi em 1998…

Duvidando da consistência e veracidade das informações, A BOLA contactou Jacinto Paixão para o confrontar com o vídeo em causa. O antigo árbitro ouviu a gravação durante a chamada telefónica, não desmentiu ser sua a voz que se ouve e, no final, limitou-se a dizer, três vezes: “Sobre isso não faço comentários”.
Quando até A BOLA duvida…

Não tive pachorra, nem interesse, para ouvir as escutas que elementos ligados ao slb (vamos admitir que são apenas adeptos fundamentalistas) colocaram no Youtube mas, a propósito desses vídeos sonoros, lembrei-me do que o Filipe Sousa escreveu no artigo Allo, Allo, publicado em 23 de Janeiro de 2010:

«Poupei-me ao trabalho de fazer qualquer pesquisa no Google ou no próprio Youtube – bastou-me ir ao minaret... perdão, blog "antitripa", e sem surpresa já lá estava o link para os ditos vídeos; aposto que o tal "tripulha do uganda", é um dos membros desse blog, que aqui há uns anos mantinham outro, o "golden whistle", em que procuravam difamar o Porto além fronteiras.
Ouvidas as escutas em que intervém o PC, reti alguns factos: no caso da "fruta", é o próprio Jacinto Paixão – se é que o "JP" é mesmo o Jacinto Paixão, e não o Joaquim Pinheiro, irmão do Reinaldo Teles; mas vamos aceitar que é o primeiro – que pede a dita "fruta", o que convenhamos, é um pouco estranho quando quem foi acusado de corrupção activa foi o Pinto da Costa – que raio de corruptor é que não oferece nada, ou está à espera que os corrompidos venham ter com ele?»

De facto, se alguma coisa as escutas demonstram (obrigado a quem as colocou no Youtube), é que a iniciativa do contacto parte do próprio Jacinto Paixão e não de qualquer dirigente do FC Porto. Como é óbvio, pelo menos para quem tem mais do que dois neurónios, não parece que o jogo mais indicado para aliciar árbitros fosse um desafio disputado no estádio das Antas e, ainda por cima, entre o líder destacado (o FC Porto de Mourinho) e o último classificado (o Estrela da Amadora)…

Vale também a pena recordar, que Jacinto Paixão teve como advogado o mediático benfiquista e comentador da Benfica TV António Pragal Colaço. E que, em 13 de Dezembro de 2010, o ex-árbitro alentejano foi mesmo convidado para uma entrevista na Benfica TV onde, entre outras coisas, afirmou o seguinte:

“O Jacinto Paixão nunca alinhou nisso (corrupção)”

“Tenho muito respeito pelo Benfica e as pessoas ainda me acusam de ser portista. É mentira, como se diz no Alentejo.”

“Ouvi falar em viagens pagas”

“As únicas coisas que me ofereciam eram umas camisolas, uma salvas, nada mais...”

“Não beneficiei o FC Porto no jogo com o Estrela”

Agora o discurso é outro? Pois, mas estas “evoluções” no comportamento e declarações de Jacinto Paixão só surpreendem quem tem andado muito distraído. Aliás, são algo déjà vu com outra personagem do Apito Dourado – Carolina Salgado –, a qual passou de odiada a uma espécie de Santa Joana d'Arc da causa encarnada (enquanto foi útil aos interesses do slb).

Como toda a gente percebe, as discrepâncias e a memória selectiva, quer de Jacinto Paixão, quer de Carolina Salgado, nada têm a ver com a proximidade a Pragal Colaço e a Leonor Pinhão, respectivamente. Isso é mera coincidência…

P.S. Espectacular, é o mínimo que posso dizer, acerca do comunicado do FC Porto em resposta a mais esta manobra dos mesmos ressabiados de sempre.

domingo, 24 de outubro de 2010

Difamar é barato


Julho de 2008
Um juiz do Tribunal de Instrução Criminal acusou Carolina Salgado de mentir e enviou para o DIAP do Ministério Público do Porto uma certidão por falsidade de testemunho agravado.

Fevereiro de 2010
Carolina Salgado foi condenada a uma multa de 3000 euros e a uma indemnização de 1750 euros, por difamação agravada ao líder da claque Superdragões, Fernando Madureira.

Julho de 2010
Carolina Salgado foi sentenciada a uma multa de 1250 euros e a indemnizar o advogado Lourenço Pinto em 5000 euros, por difamação agravada.

22 de Outubro de 2010
Carolina Salgado foi condenada, por difamação agravada de Pinto da Costa, a dez meses de prisão, pena substituída por 300 horas de trabalho comunitário. Em causa está uma entrevista à jornalista Felícia Cabrita, na qual Carolina acusou Pinto da Costa de ser o mandante das agressões a Ricardo Bexiga (ex-vereador da Câmara de Gondomar). O tribunal considerou que Carolina utilizou "expressões altamente difamatórias" e "muito gravosas".


Livro, filme, entrevistas, em Portugal difamar é barato, principalmente para quem tiver "amigos" ricos, dispostos a financiar campanhas mediáticas de destruição de imagem e carácter.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Onde estão os "amigos" de Carolina?

«O Ministério Público pediu hoje, sexta-feira, a condenação de Carolina Salgado, ex-namorada de Pinto da Costa, por todos os crimes de que está acusada no julgamento que decorre desde o ano passado nas Varas Criminais do Porto. Única excepção é um ilícito de difamação contra o presidente do F. C. Porto.
Nos demais casos, o procurador Paulo Óscar defende existirem indícios suficientes para condenação. Designadamente, os casos em que Carolina terá ordenado incendiar os escritórios do advogado Lourenço Pinto e de Pinto da Costa, bem como agredir o médico Fernando Póvoas.
Prova suficiente existe, no entender da acusação, de um crime de difamação contra o causídico Lourenço Pinto, e de falso testemunho, durante um depoimento perante um juiz, no processo Apito Dourado.
O Ministério Público entende, por outro lado, não existirem provas de que Pinto da Costa agrediu Carolina – no âmbito de outra acusação apreciada no mesmo julgamento -, aquando de uma visita à casa onde, até Março de 2006, ambos viveram, na freguesia da Madalena, em Gaia.»
in JN, 30/04/2010


A vasta equipa do 'Apito Dourado' tinha em Carolina Salgado a "ponta de lança" da estratégia montada contra Pinto da Costa e o FC Porto.
Hoje, é o próprio Ministério Público que pede a sua condenação em Tribunal. Nada que não fosse previsível. Enquanto podia ser útil, tinha guarda-costas 24 horas por dia...
Pobre Carolina, por onde andam os teus "amigos"?



segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Pinhão desmascara Morgado?

«A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou hoje que está "a ler e a analisar" o livro de Carolina Salgado, ex-companheira do presidente do Futebol Clube do Porto, e que tomará as medidas que entender necessárias, disse à Lusa.»
in IOL Diário, 11/12/2006


«O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, disse hoje que a equipa de magistrados que irá acompanhar Maria José Morgado na condução do processo “Apito Dourado” ainda não está completa.»
in PÚBLICO, 16/12/2006


«Com pouco (ou nada) mais para investigar no processo "Apito Dourado", o grande desafio de Maria José Morgado consiste na descoberta de novos factos relacionados com a corrupção no futebol e com outros sectores de actividade. (…)
De acordo com o Código do Processo Penal (CPP), após o período em que os despachos de arquivamento podem ser alterados pelo superior hierárquico do procurador que os arquivou ou passado o prazo para a abertura da instrução, os processos só podem ser reabertos mediante "factos novos" que "invalidem os fundamentos invocados no despacho de arquivamento", de acordo com o art.º 279 do CPP. Ora, esta disposição acaba por condicionar a magistrada, que não poderá reabrir inquéritos apenas por não concordar com a decisão. Porém, enquanto procuradora do Ministério Público, Maria José Morgado dispõe de alguma liberdade de acção para considerar que determinada informação que chegou ao seu conhecimento constitui um "novo elemento de prova" e daí partir para a reabertura de um determinado processo.
As expectativas estão muito altas: tendo em conta as várias intervenções públicas que fez e o seu currículo como directora adjunta da Polícia Judiciária para a área do crime económico, a Maria José Morgado exigem-se resultados concretos. Aliás, o facto de ter sido nomeada para coordenar 81 processos que foram espalhados por 27 comarcas torna-a uma "superprocuradora", algo inédito na história da Ministério Público. Por outro lado, Morgado terá uma liberdade pouco habitual no Ministério Público: fazer todas as escolhas para a sua equipa, desde procuradores a inspectores da Polícia Judiciária e até funcionários judiciais.
in DN, 16/12/2009


«Leonor Pinhão foi a "estrela" de mais uma sessão do julgamento que senta Pinto da Costa e Carolina Salgado no mesmo banco dos réus. A ex-jornalista assumiu que ajudou Carolina Salgado e Fernanda Freitas a concluir o polémico livro "Eu, Carolina" durante três dias, numa suite de um hotel de Lisboa, quando o livro já tinha mais de 90 páginas. (…)
A ex-jornalista disse que apenas "dactilografou" e editou o que lhe foi ditado por Carolina e por Fernanda Freitas (versão negada pela mesma, que prestou depoimento antes) "a partir do momento em que é referida a visita ao Papa". Disse também que os advogados da D. Quixote cortaram algumas partes e que em relação ao processo Apito Dourado nada foi escrito que não tivesse, até essa época, saído nos jornais
Eugénio Queirós
in Record, 18/12/2009


Três anos depois da nomeação da “super-procuradora” e da sua equipa especial, Leonor Pinhão foi a Tribunal confirmar aquilo que já se sabia, isto é, o livro ‘Eu, Carolina’ não continha qualquer facto novo e tudo aquilo que foi escrito a propósito do ‘Apito Dourado’ já era do domínio público.
Ora, não havendo qualquer facto novo, ao abrigo de que lei é que a “super-procuradora” reabriu processos que já tinham sido arquivados?
Ou será que Maria José Morgado usou de alguma prerrogativa super-especial para considerar como "novo elemento de prova" factos que já tinham saído nos jornais?

Gostava de ver estas dúvidas esclarecidas, mas é sintomático que nenhum jornalista tenha reparado nas declarações que Leonor Pinhão fez em Tribunal e nas implicações que as mesmas têm nos desarquivamentos ordenados pela “super-procuradora”. Será medo ou incompetência?

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A história mal contada de uma “testemunha normal”


«Maria José Morgado garantiu, ontem, quarta-feira, que Carolina Salgado foi tratada como uma "testemunha normal" no Apito Dourado e revelou-se ofendida com a acusação de que a equipa especial de investigação por si liderada manipulou depoimentos.

Em causa estão declarações prestadas pela irmã gémea de Carolina ao Ministério Público do Porto, em Junho de 2007, aludindo a alegadas "cumplicidades" entre elementos da equipa especial de investigação do Apito Dourado e a ex-companheira de Pinto da Costa. Ana Salgado alegara que Maria José Morgado, na altura coordenadora da referida equipa, telefonava a Carolina para informá-la sempre que era deduzida uma acusação e para "dar-lhe força para continuar". E que o inspector da PJ Sérgio Bagulho, integrante da mesma unidade, teria "treinado" aquela testemunha.

Ontem, no início do julgamento de Ana Salgado - que responde por dois crimes de difamação agravada - a procuradora-geral adjunta rejeitou todas as insinuações, sublinhando que foi posta em causa a sua "honra profissional", bem como a de toda a equipa que liderou. "Nunca telefonei a Carolina Salgado", frisou a magistrada, revelando que o único contacto entre as duas, além do que tinha havido na sede da equipa especial, na primeira inquirição, foi estabelecido por iniciativa da ex-companheira de Pinto da Costa e nada teve a ver com os processos.

"Telefonou-me por razões humanitárias. Disse estar desesperada, com medo de ficar de repente na rua, sem casa, nem bens. Na altura, falei-lhe à pressa, porque estava a caminho da piscina. Disse-lhe para ter calma, que se houvesse algum processo cível ela poderia contestar. Só falei com ela por consideração ao Sérgio Bagulho (a quem Carolina tinha levantado a questão)", afirmou Morgado. Em causa estariam partilhas após a separação de Carolina e do presidente do F.C. Porto.

Quanto à acusação de manipulação de depoimentos, a magistrada afirmou que "não tem cabimento", lembrando que as declarações daquela testemunha, na reabertura dos processos, coincidiram com as que já tinha prestado em ocasiões anteriores.

Questionada sobre o facto de Carolina ter sido inquirida muitas vezes na própria residência, Morgado explicou que tal se deveu à necessidade de "evitar o circo mediático e fugas de informação", lembrando, também, que Carolina recebia protecção policial, por ter sido vítima de ameaças e alegadas perseguições.»
in JN, 01/10/2009


Mesmo fazendo um esforço para acreditar na versão de Maria José Morgado (MJM), as suas declarações suscitam-me um conjunto de interrogações.

É habitual uma "testemunha normal" ter acesso ao número de telemóvel da procuradora-geral adjunta?

É habitual os inspectores da PJ meterem “cunhas” para que a procuradora-geral adjunta atenda telefonemas de "testemunhas normais", ou este caso foi uma excepção aberta por MJM por o inspector da PJ ser o senhor Sérgio Bagulho e a testemunha ser a dona Carolina?

É habitual que inspectores da PJ e a procuradora-geral adjunta se preocupem com problemas pessoais das "testemunhas normais" que, segundo a própria MJM, nada tinham a ver com os processos?

É habitual o Ministério Público inquirir as "testemunhas normais", ou arguidos, na sua própria residência, para "evitar o circo mediático”? Foi isso que aconteceu, por exemplo, com Valentim Loureiro, Carlos Cruz, Paulo Pedroso ou Oliveira e Costa?

Evidentemente, está por nascer o jornalista português com coragem para fazer estas perguntas à toda poderosa procuradora-geral adjunta e suspeito que mesmo que fossem feitas ficariam sem resposta.

Foto: JN

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A triste sina de Carolina


Destaques do depoimento de Carolina Salgado no Tribunal de S. João Novo, na passada terça-feira:

1. O livro 'Eu, Carolina'

"Ela [Leonor Pinhão] fez algumas rectificações sobre futebol"

«Quando confrontada pelos advogados de Fernando Póvoas e Pinto da Costa com a narração, no livro "Eu, Carolina", de um episódio de suposta excessiva sobredosagem de medicamentos que a deixaram de cama e sem reacção durante vários dias, disse, inicialmente (de manhã), que o seu livro "contém várias incorrecções", por não ter sido ela a fazer a "revisão".»
in JN, 08/09/2009


2. A encomenda de "servicinhos"

«A mulher que é tida como importante testemunha em vários do casos do Apito Dourado procurou, ainda, fazer crer ao colectivo de juízes não fazer parte da sua maneira de ser dar ordens para actos violentos. Mas foi confrontada com o caso das agressões ao advogado e ex-vereador do PS de Gondomar, em que confessou envolvimento. "Eu não mandei. Só intermediei a contratação de alguém" (...) "Na altura foi verdade e já lhe pedi desculpa. Fui intermediária (nas agressões a Ricardo Bexiga) mas não confirmo que tenha sido eu a mandar
in JN, 08/09/2009


3. O relacionamento de Carolina com Paulo Lemos

«Carolina Salgado mostrou-se muito hesitante e com muitos lapsos de memória quando foi interrogada pelo advogado de Pinto da Costa e não conseguiu clarificar em que momento deixou de confiar em Paulo Lemos, com quem, segundo este, terá mantido um relacionamento amoroso a seguir à separação.
Lemos terá sido quem, a mando de Carolina, provocou incêndios nos escritórios de Pinto da Costa e do advogado Lourenço Pinto, em Junho de 2006. Carolina negou ter tido qualquer envolvimento deste tipo com Lemos (...)
Carolina disse desconhecer ainda por que razão Lemos apareceu nos jornais a exibir um placa, um fato e um chapéu relativos às obras no Estádio do Dragão, objectos que pertenciam a Pinto da Costa»
Eugénio Queirós, Record, 08/09/2009

«confrontada com 10 chamadas e mensagens escritas, de facturação detalhada, alegadamente com Paulo Lemos, a 12 e 13 de Junho de 2006 (data dos incêndios e da suposta ordem para agredir Póvoas com martelo), fez por negar proximidade com aquele suposto executante dos crimes.»
in JN, 08/09/2009


4. Maria Elisa e Fernando Póvoas

«Em relação à alegada tentativa de agressão a Fernando Póvoas, que segundo a acusação terá sido encomendada por Carolina que o culpava pela sua separação de Pinto da Costa, a arguida respondeu que mantinha uma relação de amizade com o médico e que após a separação este lhe "deu algum apoio".
A alegada tentativa de agressão teria ocorrido após Póvoas ter promovido encontros entre Pinto da Costa e a jornalista Maria Elisa, o que teria provocado a separação do casal.»
in JN, 08/09/2009

«Carolina identificou Maria Elisa como um dos pomos de discórdia com o antigo companheiro. Carolina disse ter recebido uma fotografia, por telemóvel, no qual Pinto da Costa e "a jornalista Maria Elisa" surgiam juntos, numa fase em que ainda vivia com o líder dos dragões.»
Eugénio Queirós, Record, 08/09/2009


5. Os lapsos de memória

«Durante a sessão da tarde, a arguida foi questionada pelos juízes, Ministério Público e advogados de Pinto da Costa, Fernando Póvoas, Lourenço Pinto e por inúmeras vezes não soube "precisar" datas ou acontecimentos com que ia sendo confrontada.
Após uma breve pausa, justificou a sua "lentidão" de raciocínio com "a medicação" que toma para "relaxar" e acabou então por rectificar algumas declarações que havia prestado.»
in PUBLICO, 08/09/2009

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Nitidamente desiludido perante a desgraça que foi a primeira sessão de Carolina Salgado a depor em Tribunal, Eugénio Queirós, o marido de Tânia Laranjo (lembram-se dela?), concluiu o seguinte no seu blogue:

«Carolina Salgado caminha para o KO técnico. Depois de 3 horas a depor no tribunal de S. João Novo, a ex-primeira dama portista meteu os pés pelas mãos. Depois de ter dito que foi "apenas intermediária" na agressão a Ricardo Bexiga, confirmou pela primeira vez uma mãozinha da benfiquista Leonor Pinhão nos acabamentos do seu polémico livro e não convenceu ninguém quando tentou negar uma relação amorosa com Paulo Lemos, ex-arguido deste processo e figura-chave do mesmo no que toca aos casos relacionados com os incêndios dos escritórios de Lourenço Pinto e Pinto da Costa e de uma emboscada ao médico Fernando Póvoas. Dá para perceber que Carolina está nas lonas e que não consegue sequer decorar o guião dos seus advogados. O melhor que lhe pode acontecer neste julgamento é tudo acabar com absolvições para todos, tanto mais que começa a ser evidente que ninguém está a contar a verdade, embora a versão de Carolina seja claramente a mais incoerente. Um verdadeiro desastre


De facto, num país civilizado em que a Justiça funcionasse, bastava ouvir e ler o que Carolina já disse e escreveu, com contradições permanentes e auto-incriminações, para que ela estivesse em muito maus lençóis. Assim, o mais provável é que isto não dê em nada, a não ser que alguém financie um segundo livro ou uma sequela do filme do marido da Leonor Pinhão...

Mas por falar em pinhões, por onde andam a Leonor, o seu marido João Botelho, o Malheiro, o Barbas, a Maya e toda a corte de novos "amigos" de Carolina?
Numa altura destas, em que a pobre coitada está a ser apertada em tribunal, estou certo que lhe daria muito jeito umas testemunhas abonatórias, quanto mais não fosse para transmitirem algum conforto moral. Contudo, depois de a usarem, parece que os novos "amigos" já se esqueceram de Carolina. Nada que não fosse previsível.

Bem, não percamos os próximos episódios. O show de Carolina em Tribunal continua hoje.

Imagem (clique para ampliar): Revista VIP, 2007

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A "ponta-de-lança" do MP


«Juízes querem saber ao pormenor por que razão a ex-namorada de Pinto da Costa faltou, pela terceira vez consecutiva, a uma audiência de julgamento.
A sugestão partiu do procurador do Ministério Público, Paulo Óscar, que estranhou os atestados médicos apresentados para justificar as faltas, por doença, não referirem se Carolina Salgado está impossibilitada de se deslocar ao tribunal ou de prestar declarações.
Os juízes acolheram a ideia e decidiram chamar ao tribunal o médico que tem acompanhado Carolina Salgado. O clínico será ouvido pelos magistrados no dia 27.»
in JN, 14/07/2009


Aquela que foi a testemunha-chave do Ministério Público (MP) contra Pinto da Costa e o FC Porto, e cujo livro serviu de pretexto a Maria José Morgado para a reabertura de vários processos que já tinham sido arquivados, faltou pela terceira vez consecutiva ao julgamento que está a ser realizado no tribunal de S. João Novo, onde responde em vários processos que lhe foram movidos.

Mas se as ausências de Carolina Salgado já não surpreendem, o mesmo não se poderá dizer da atitude do próprio Ministério Público, ao "estranhar os atestados médicos apresentados para justificar as faltas".
Aliás, depois de tudo o que se passou noutros processos relacionados com o 'Apito Dourado', até fica mal ao Ministério Público duvidar e pôr em causa a credibilidade de Carolina Salgado.
Ó senhor procurador Paulo Óscar, olhe que se a D. Carolina diz que está doentinha é porque está mesmo. Coitadinha...

Fotomontagem: TVI24

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Agostinho Homem e o "Apito Salgado"



Agostinho Homem, vice-procurador-geral da República, foi encarregue por Pinto Monteiro de uma das investigações paralelas ao ‘Apito Dourado’, nomeadamente das diversas declarações e acusações feitas pela irmã gémea de Carolina Salgado, Ana Maria Salgado.

Recentemente jubilado, este beirão (tal como Pinto Monteiro), deu uma entrevista ao 'Correio da Manhã' (a quem havia de ser?), de que reproduzo algumas das perguntas e respostas mais significativas.

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[Correio da Manhã]: Acabou de ser jubilado e o último caso que investigou, nomeado pelo Procurador-Geral da República (PGR), Fernando Pinto Monteiro, tem a ver com a condução do caso ‘Apito Dourado’, falou-se que o senhor é benfiquista. Quer comentar?

[Agostinho Homem]: O facto de eu ser benfiquista nunca prejudicaria alguém que estivesse ligado a qualquer outro clube. Se quer que lhe diga, acho que nos últimos anos o FC Porto nem tem precisado de comprar os árbitros – se é que algum dia comprou – porque tem sido, de longe, a melhor equipa.

[CM]: Enquanto teve este processo nas mãos, recebeu ameaças?

[AH]: Nunca. Sou um ilustre desconhecido: fui ao Porto à vontade.

[CM]: E acreditou nas declarações dela [Ana Maria Salgado]?

[AH]: Eu nem acredito, nem deixo de acreditar. Quando ela [Ana Maria Salgado] prestou as primeiras declarações, devo dizer que, eu vi logo que a maior parte das coisas eram mentira. Mas também havia algumas verdades. O que fiz depois foi a análise, ouvi várias pessoas a quem ela se referia e fiz a investigação de modo a nem sequer confiar plenamente nas declarações em que ela se retratou.

[CM]: Como é que reage ao facto de ela agora ter vindo alterar novamente as declarações?

[AH]: Não sei. Acho é que conforme ela disse que se tinha vendido, quando prestou as primeiras declarações, se calhar agora também lhe pediram para prestar estas – deduzo eu. Eu já tinha feito o relatório final quando as declarações me chegaram, portanto, li “en passant” e não lhes liguei muito.

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Esta entrevista é mais uma peça interessante para se perceber como, por quem e com que pressupostos foi conduzida a investigação do Ministério Público no processo 'Apito Dourado'.

Quanto às declarações da irmã gémea de Carolina Salgado, fica razoavelmente claro da entrevista de Agostinho Homem, publicada pelo 'Correio da Manhã de 5 de Julho, que só foi considerada credível a parte em que acusa Pinto da Costa. Tudo o resto, como é evidente, são mentiras que ela disse porque "se tinha vendido"...

Fotos: Correio da Manhã

terça-feira, 10 de março de 2009

Pinto da Costa, Carolina, Vieira, Pinto Monteiro e o Apito

«Aquilo que passará à história sob o nome de Apito Dourado foi uma operação sabiamente planeada e montada, visando um objectivo principal: quebrar os rins ao FC Porto, pôr um ponto final na sua hegemonia futebolística longamente exercida. Não o conseguindo no terreno de jogo, tentou-se então consegui-lo fora de campo, no terreno da justiça. O Apito Dourado, à revelia de tudo o que o senso comum e a simples boa-fé sabiam, pretendeu e pretende ainda demonstrar que, como dizia há dias o presidente do Benfica, esta longa sequência de sucessos desportivos do FC Porto se deve a «batota» e nada mais. Incluindo os dois títulos de campeão europeu e os dois títulos de campeão mundial de clubes.

Por isso mesmo, desde o início, o Apito Dourado teve apenas dois alvos declarados: o presidente do FC Porto e o presidente da Liga, Valentim Loureiro. O objectivo único era provar que, com o apoio do segundo, o primeiro construíra um sistema de corrupção e tráfico de influências, que era a única justificação para o domínio desportivo exercido — apenas isso, nem sequer a gritante incompetência da gestão desportiva dos rivais. À época, curiosamente, Valentim estava de costas voltadas com Pinto da Costa, tendo-se associado com o presidente do Benfica para dominar a Liga — que Luís Filipe Vieira afirmou ser mais importante do que ter uma boa equipe de futebol. Mas pouco importou: para atingir Pinto da Costa e demonstrar o seu poder «mafioso» era essencial demonstrar que ele dominava a Liga, mesmo que tal não fosse verdade. E uma das coisas eticamente mais eloquentes neste processo foi a forma como Filipe Viera deixou cair e abandonou o seu aliado Valentim Loureiro, assim que percebeu que ele era mais útil no papel ficcionado de cúmplice de Pinto da Costa.

A primeira consequência do Apito Dourado foi, assim, a execução de Valentim Loureiro: ele foi condenado por tráfico de influências em benefício do Gondomar, num processo que aos seus mentores deixou a amarga sensação de estarem apenas a perseguir a arraia miúda como forma de tentar chegar ao «peixe graúdo». E o Boavista viria a comer por tabela, sendo relegado pela Comissão Disciplinar da Liga para a segunda divisão — num caminho inelutável rumo ao desaparecimento, sem que ninguém consiga dizer ao certo porque foi um dos históricos do futebol português condenado à morte.

Quanto a Pinto da Costa e ao FC Porto — o verdadeiro e único alvo do Apito Dourado — a situação não se afigura brilhante para os seus mentores, mas ainda restam algumas esperanças. Recordemos: houve três processos, correspondentes a outros tantos jogos da época 2004/05, em que se ancoraram as acusações: o primeiro, relativo a um Nacional-Benfica, acabou com um despacho de não-pronúncia do Tribunal do Funchal, em que o juiz chegou a escrever que não se entendia como é que o nome de Pinto da Costa tinha sido metido ali a martelo; o segundo, relativo a um FC Porto-Estrela da Amadora, acabou igualmente com um despacho de não-pronúncia do Tribunal do Porto, confirmado por sentença unânime da Relação, e com uma participação por crime de falsas declarações contra a peça-chave de todo o Apito Dourado — a suposta «escritora» Carolina Salgado; resta o terceiro, relativo a um Beira-Mar-FC Porto, que já havia sido também arquivado, mas que a insistência da Dr.ª Morgado conseguiu levar a julgamento. E é esse que agora decorre no Tribunal de Gaia.

Este simples enunciado factual dos resultados judiciais produzidos até agora no âmbito do Apito Dourado (e após milhares ou milhões de euros investidos em «investigação» por parte do Ministério Público) seriam suficientes para que o Procurador-Geral da República tivesse alguma contenção a falar do assunto — pelo menos, até ver o que sucede no tribunal de Gaia e após o depoimento da sua tão acarinhada e protegida testemunha. Mas não: Pinto Monteiro entendeu antecipar-se e debitar a sua sentença, antes que a Justiça reduza a pó o seu voluntarismo justiceiro. Disse o Dr. Pinto Monteiro que, após o Apito Dourado, «mesmo que os arguidos venham a ser absolvidos, nada será como dantes, no futebol português». E isto, porque «a partir deste processo, os agentes do futebol português passaram a saber que podem ser investigados». Falso, Sr. Procurador: o que o Apito Dourado mostrou é que o presidente do FC Porto estará sempre sob suspeita e, eventualmente, sob investigação; quanto aos outros «agentes», não vimos nada… Na tese dos mentores do Apito Dourado, os árbitros vendem-se, sim, mas só ao FC Porto; o tráfico de influências existe, sim, mas só a favor do FC Porto; as batotas fazem-se, sim, mas apenas em benefício do FC Porto. O Sr. Procurador pode-nos indicar alguma diligência de investigação que, nem que fosse por mera rotina ou cautela, tenha incidido sobre os presidentes do Benfica, do Sporting, do Braga, do Guimarães? É sem dúvida uma coincidência infeliz que todos aqueles que intervieram a vários níveis no Apito Dourado para acusar o FC Porto sejam simpatizantes do Benfica. Uma coincidência infeliz mas que, por isso mesmo, deveria ter acautelado a forma como o fizeram.

Mas o Dr. Pinto Monteiro vai ainda mais longe quando, sem um estremecimento de pudor, afirma que «pode não se provar que sejam culpados, mas já se provou que houve indícios para terem de responder perante a justiça». Depois de ver que, em dois dos três casos em que o seu Ministério Público quis acusar, a justiça reduziu os seus «indícios» a meras intenções sem fundamento algum e a sua querida testemunha a alguém desprovido de qualquer credibilidade, sentindo que o único processo que conseguiu levar a julgamento nada mais tem a sustentá-lo do que a credibilidade dessa mesma testemunha, o Procurador-Geral dá-se por muito satisfeito por achar que conseguiu recolher «indícios» que não servem para condenar ninguém, mas apenas para o acusar sem fundamento. Ou seja: não conseguindo convencer a Justiça, resta a sentença popular. Se alguém ainda não tinha percebido o estado a que chegou o Ministério Público, leia o retrato da situação nestas extraordinárias declarações de quem manda nele. Entre o raciocínio «jurídico» do Procurador e o do presidente do Benfica, não vejo a mais pequena diferença de substância…E, caramba, se devia havê-la!

Isto posto, mantenho-me coerente com o que sempre disse desde o início desta história. Lamento muito que o presidente do meu clube esteja sentado no banco dos réus (e, com ele, o próprio clube) a responder pela acusação de corrupção desportiva. Não ignoro a forma como se chegou a tal e, obviamente, basta-me saber que tudo depende de querer acreditar no que diz Carolina Salgado, para concluir que só pode haver um desfecho, que é a absolvição. Claro que não acredito que fosse preciso comprar o árbitro de um jogo já sem importância alguma e em que, segundo os relatos da época, o FC Porto até acabou prejudicado pela arbitragem. E claro que, como toda a gente que percebe alguma coisa de futebol e não está de má-fé, sei muito bem que não foi graças a «batota» que o FC Porto ganhou o que ganhou cá dentro e foi duas vezes campeão da Europa e do mundo. Foi, entre outras coisas, porque Pinto da Costa é, de longe, o presidente que mais percebe de futebol e um dos raros que não chegou ao futebol por acaso e para se promover socialmente. Porque enquanto ele era presidente do FC Porto e tratava de reunir os melhores, Vale e Azevedo era presidente do Benfica e os benfiquistas adoravam-no mesmo percebendo que ele roubava e era um absoluto incompetente, mas atacava Pinto da Costa — e, hoje ainda, há quem ache que tal é suficiente para ser campeão. E, por isso, enquanto o Benfica desprezava jogadores como Jardel, Zahovic, Deco, Maniche, ou treinadores como Mourinho e Jesualdo Ferreira, Pinto da Costa aproveitava-os e era com eles que ganhava.

Não é por isso, pois, que Pinto da Costa está sentado no banco dos réus. Ele está sentado no banco dos réus devido à sua fatal tendência para as más companhias. O que eu, como portista, não consigo aceitar é que o presidente do meu clube receba um árbitro em casa para tomar café. Que o receba acompanhado do «empresário» António Araújo e com a Dª Carolina Salgado a fazer de dona-da-casa, Primeira Dama e tudo o resto cujas consequências estão à vista. É inacreditável que, mesmo acossado pela justiça, Pinto da Costa não tenha ninguém minimamente prestigiado para apresentar como testemunha abonatória no tribunal, para além do tristíssimo juiz Conselheiro Mortágua. É lamentável que o homem que conseguiu transformar um clube de província num campeão do mundo e num motivo de orgulho para Portugal, ainda não tenha conseguido, ao fim de tantos anos, despir a capa do provincianismo e transformar-se num homem do mundo. E que tenha preferido, como qualquer cacique de província, viver rodeado de gente pequenina, que lhe satisfaz o culto pessoal e desprestigia o clube.»

Miguel Sousa Tavares
in A BOLA, 10/03/2009


A qualidade e acutilância das crónicas que Miguel Sousa Tavares assina semanalmente no jornal 'A Bola' justifica uma leitura atenta das mesmas. Embora eu não seja leitor e muito menos comprador do jornal "semi-oficial" do SLB, não perco as suas crónicas até porque há vários sites, blogues e fóruns que as reproduzem.
No 'Reflexão Portista' é a primeira vez que o fazemos, não porque esta crónica seja excepcionalmente melhor que as outras, mas porque põe o dedo em várias "feridas", inclusive no último parágrafo, ao tocar numa "ferida" que continua a dividir os portistas.

Nota: O título, a selecção das fotos e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

Fotos: cartoonices.wordpress.com

segunda-feira, 9 de março de 2009

"Pequenas" discrepâncias nas versões de Carolina

«A ex-companheira de Pinto da Costa chegou já com a sessão a decorrer e foi sujeita a um longo interrogatório por parte de Gil Moreira dos Santos, advogado do presidente dos dragões, durante o qual entrou várias vezes em contradição em relação a pormenores que revelou no livro e também na fase de instrução do processo.

Gil Moreira dos Santos quis saber onde se encontrava no momento em que o encontro entre Pinto da Costa e Augusto Duarte se deu e Carolina teve muita dificuldade em apresentar uma versão coerente. A própria juíza não pareceu satisfeita com as respostas dadas. Carolina justificou algumas incoerências, dizendo tratar-se de "forças de expressão".

Gil Moreira dos Santos disse que o que está a acontecer com Carolina é aquilo em que em criminologia se designa telescoping, ou seja a testemunha revela uma maior precisão dos factos à medida que estes se distanciam do tempo.

Carolina chegou a dizer que o corredor da casa onde vivia com Pinto da Costa "fazia parte da sala" para justificar que esteve sempre presente durante o encontro com Augusto Duarte.»
in Record, 09/03/2009



«Na sessão de hoje, a defesa dos arguidos utilizou como estratégia, bem sucedida, a procura de declarações discrepantes prestadas por Carolina Salgado, em momentos distintos, à Polícia Judiciária (PJ), durante a fase de instrução e na primeira audiência deste julgamento.

O enfoque da acusação foi a localização da casa onde se encontrava a cómoda, na qual, alegadamente, estava o dinheiro para os subornos às equipas de arbitragem.
Carolina Salgado tinha afirmado, inicialmente, a existência de duas cómodas com dinheiro: uma na casa da Madalena (como refere o livro "Eu, Carolina") e outra na habitação da Rua do Clube de Caçadores, em Gaia.
Hoje, na audiência, Carolina Salgado apenas referiu a existência da cómoda da casa da Rua dos Caçadores.

Gil Moreira dos Santos questionou ainda a testemunha sobre o valor alegadamente entregue ao árbitro Augusto Duarte: Carolina Salgado tinha dito em Novembro de 2006 à PJ que o envelope continha entre 2.500 a 3.000 euros, embora relate no livro - que considerou hoje credível, embora com algumas gralhas - apenas o valor de 2.500, tal como lhe tinha dito na altura Pinto da Costa. (...)

O advogado Marcelino Pires, representante de Augusto Duarte - hoje pela primeira vez presente no julgamento -, encontrou igualmente algumas discrepâncias nos testemunhos de Carolina Salgado, entre elas, uma primeira alusão ao encontro para o suborno como sendo na véspera de um Benfica-FC Porto de 2005/06 e não de um Beira-Mar-FC Porto de 2003/04.
Carolina considerou tratar-se de um lapso, que veio a rectificar depois.

O advogado João Machado Vaz, que defende o arguido António Araújo, questionou Carolina Salgado sobre se tinha visto Pinto da Costa a entregar o envelope a Augusto Duarte logo no início do referido encontro ou se durante o mesmo. Mais uma vez, as declarações de Carolina foram contraditórias, embora a testemunha tenha sempre refutado a estratégia da acusação.»
in JN, 09/03/2009


Só pessoas maldosas podem questionar a credibilidade e coerência das declarações da Carolina d'Arc.
Ela já apresentou várias versões para os mesmos factos?
Qual é o problema?
A confusão acerca dos factos deriva, concerteza, dos medicamentos que anda a tomar por causa da selvática agressão de que foi vítima na semana passada. Coitada, ela até foi ao Instituto de Medicina Legal, é porque estava muito doentinha...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Hortênsia Calçada e o Apito Dourado



Houve tantas manobras no Apito para ver se conseguiam tramar o Pinto da Costa e o FC Porto.
Foi pena a procuradora Hortênsia Calçada não ter dito tudo, mas há coisas que se percebem nas entrelinhas...

sábado, 25 de outubro de 2008

Pinto da Costa, 3 – Ministério Público, 0


Na passada terça-feira, o juiz de instrução do Tribunal de Gondomar, Pedro Miguel Vieira, decidiu que Pinto da Costa não deveria ir a julgamento por alegado crime de corrupção desportiva relacionada com o jogo Nacional-Benfica, disputado a 24 de Fevereiro de 2004 e investigado no âmbito do processo Apito Dourado.

Esta decisão não surpreendeu, visto que o próprio Ministério Público (MP), apesar de ter acusado Pinto da Costa, cobriu-se de ridículo e assumiu no debate instrutório deste caso que, afinal, os indícios contra Pinto da Costa eram insuficientes.

Se assim é, porque razão o MP avançou com uma acusação contra Pinto da Costa?
Para o cidadão comum é incompreensível. Aliás, este comportamento do MP só reforça e dá razão aqueles que pensam que, mais do que procurar a verdade e obter eventuais condenações em tribunal, o verdadeiro objectivo do ‘Apito Dourado’ é enxovalhar o presidente do FC Porto, é “queimá-lo na fogueira da comunicação social”.

Voltando ao juiz Pedro Miguel Vieira, vale a pena salientar que não se limitou a decidir pelo arquivamento do processo Nacional-Benfica. Referindo que ouviu todas as escutas, o juiz, no seu despacho e em declarações que fez aquando da leitura do mesmo, desancou o MP:

"É de difícil compreensão o juízo efectuado [...] no sentido de imputar os factos em apreço ao arguido Pinto da Costa"

"Para além das deduções efectuadas pela PJ, não foi detectada ligação do dirigente aos factos

"Não há no processo prova capaz para condenar Pinto da Costa em julgamento"

"A ligação [de Pinto da Costa] ao caso apenas acontece por força de presunções ou juízos de valor sem qualquer sustentação"

"Não existem indícios suficientes agora, nem existiam já no final da fase de inquérito"

"É ridícula a ideia de que um árbitro se possa deixar comprar em troca de um bilhete para um jogo [no caso o FC Porto-Manchester United da Liga dos Campeões, da época 2003/04]. O bilhete não pode ser visto como uma vantagem patrimonial"

Não é a primeira vez que um juiz critica fortemente uma acusação do Ministério Público contra Pinto da Costa. Em Julho passado, Artur Guimarães Ribeiro, juiz do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, a quem coube analisar o caso FC Porto – E. Amadora, também arrasou vários pontos da acusação da equipa de Maria José Morgado, dizendo que "não têm qualquer suporte probatório".
Mais. Provou (através do cruzamento de escutas telefónicas) que Carolina Salgado mentiu – "é notório que a mesma [Carolina] presta, e tem prestado, falsas declarações em tribunal quanto ao objecto dos autos" – e que o Ministério Público devia-o ter percebido, se tivesse sido mais diligente e levasse em conta as reais motivações da testemunha.
O comportamento de Carolina é de tal maneira grave, que o juiz do TIC mandou extrair uma certidão, por falsas declarações, a qual enviou para o DIAP do MP do Porto. A testemunha-chave do MP, que serviu para a reabertura dos processos contra Pinto da Costa, incorre no crime de falsidade de testemunho agravado, o qual é punível com até seis anos e oito meses de cadeia. Irónico, não é?

Falta saber se as mentiras de Carolina foram unicamente motivadas por um sentimento de vingança, ou se alguém induziu (instruiu?) a ex-companheira de Pinto da Costa a mentir no seu testemunho. Era muito importante que este assunto fosse esclarecido, até porque correm boatos de que Carolina foi "treinada" por Leonor Pinhão e por um elemento da equipa de Maria José Morgado.
Não sei se isto é verdade, talvez não seja, mas será que o Ministério Público está interessado em investigar e em tirar tudo isto a limpo? Infelizmente, não me parece.

Ainda há recursos pendentes de ambos os lados mas, perante as decisões destes dois juízes, a que há que juntar a decisão do Tribunal da Relação do Porto de Setembro passado, que condenou o Estado português a indemnizar Pinto da Costa em 20 mil euros, devido a ter sido detido irregularmente no âmbito do processo Apito Dourado, é caso para dizer que, em termos de tribunais, o resultado, para já, é o seguinte:
Pinto da Costa, 3 – Ministério Público, 0

E nestas contas nem sequer estou a incluir o denominado 'caso Bexiga', em que Carolina Salgado declarou ter, a mando de Pinto da Costa, contratado pessoas para agredirem o ex-vereador da câmara de Gondomar Ricardo Bexiga (foi espancado por dois homens encapuçados, no dia 25 de Janeiro de 2005).

Desde o início se sabia que a versão contada por Carolina incluía falsidades facilmente comprováveis (por exemplo, a destruição das câmaras de filmar no parque da Alfândega do Porto que, pasme-se, nunca existiram) mas, apesar disso, o MP entendeu constituir arguidos a própria, Fernando Madureira e Pinto da Costa (a ânsia de o "caçar" era tanta...).
Após ter dado para fazer umas manchetes nos pasquins habituais e algumas peças nas televisões do regime, o caso morreu e foi a própria Equipa de Coordenação do Apito Dourado (ECPAD) que, em Fevereiro passado, decidiu arquivá-lo por o depoimento auto-incriminador de Carolina, não acompanhado de outras provas que o confirmem, ser “de tal maneira frágil que não deve sustentar uma acusação”.

O "jogo" ainda não acabou (o processo do Beira Mar – FC Porto vai para julgamento, estando, segundo o JN de 22/10/2008, em vias de ser remetido ao Tribunal de Gaia), mas nesta altura já cheira a goleada...

Nota: Os negritos são da minha responsabilidade.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A testemunha-chave de novo na ribalta


Já tínhamos assistido a pseudo factos da história, inventada por alguém e contada por Carolina, a serem desmentidos por testemunhas em Tribunal;
Depois, em Junho passado, Carolina foi apanhada a mentir sobre uma pretensa gravidez e, passado uns dias, um juiz encontrou provas de que Carolina prestou declarações falsas em tribunal.

Para além das mentiras, que parecem ser quase um modo de vida de Carolina Salgado, outros aspectos do seu carácter já tinham sido denunciados pelo seu ex-namorado Paulo Lemos e a semana passada, perante mais um escândalo público, foi a vez do seu último namorado reagir:

«“Maldita a hora em que eu conheci essa mulher! Estou tão arrependido que fazia tudo para o tempo voltar atrás”, desabafou Francisco Rolo ontem à tarde ao 24horas.
Foram quatro meses de instabilidade, que só prejudicou o negócio”, disse ainda Rolo, revelando depois a sua versão do que aconteceu aquando da ida de patrulhas da GNR à sua estalagem, onde apreenderam uma pistola de calibre de guerra, como o 24horas ontem noticiou.
A pistola não é minha e eu nunca tinha visto a arma”, jurou Rolo, confirmando “que a pistola era de calibre 7.65 e estava junto dos aposentos de Carolina”. (...)


Furioso com ela frisando que “tinha decidido não falar mais sobre este assunto”, o dono da Estalagem Rainha Dona Leonor explicou que não poderia ficar calado após as declarações de Carolina Salgado ao “Correio da Manhã” de ontem. “Não posso pactuar com tantas mentiras”, afirmou.
Àquele diário Carolina Salgado afirmou que Rolo a agredira, não apenas esta semana mas também anteriormente, quando lhe teria dado um soco no olho.
Nunca bati na Carolina nem em ninguém, toda a gente sabe. Até me ri ao ler que lhe costumava bater. Veja lá, como se isso fosse possível, eu bater-lhe e ela não ter ido embora mais cedo! Então eu ia bater-lhe numa altura em que ela andava com os polícias sempre atrás dela?”, interrogou-se ainda Rolo.
Eu nunca tive problemas com a justiça, é a primeira vez que me vejo envolvido numa situação destas e com idas permanentes ao posto da GNR deixar as minhas impressões digitais”, desabafou ainda.
Neste cenário, a comparação acaba por ser inevitável:
Reparem que ela está a fazer-me exactamente aquilo que fez ao senhor Pinto da Costa. Primeiro simula uma agressão, depois faz queixa à GNR, a seguir provoca um escândalo e depois vai para os jornais e televisões fazer-se de vítima”.»
in 24 Horas, 15/08/2008


Será que também este empresário de restauração alentejano está a soldo de Pinto da Costa?
Será que toda a gente que testemunhou contra Carolina, ou contrariando as versões que ela apresentou - o ex-marido, o ex-namorado, os empregados do Degrau Chá, a irmã gémea, etc. - estão a soldo do Pinto da Costa?

Eu compreendo muito bem (ó se compreendo!) que a dupla Pinto Monteiro e Maria José Morgado façam tudo e mais alguma coisa para conseguírem uma condenação de Pinto da Costa em Tribunal, mas será que os fins justificam os meios?

Como é possível que uma instituição supostamente respeitável, como é o caso do Ministério Público, construa e alicerce um caso contra um cidadão (por mais odiado que ele seja em Lisboa) baseado e suportado numa testemunha-chave como Carolina Salgado?

Eu sei muito bem (ó se sei!) a azia que provoca na ex-capital do Império a interminável lista de sucessos que o FC Porto alcançou nas últimas décadas.
Mas vale tudo para tentarem fazer vergar o presidente e, pensam eles, por tabela o clube a que preside há 26 anos?
O ódio que têm ao Porto e, particularmente ao FC Porto, é assim tão grande?


P.S. Carolina d'Arc, perdão, Salgado deixou de ter protecção policial. Já terá cumprido a sua missão ou, afinal, as ameaças à sua vida não eram assim tão "ameaçantes"?


Fotos: 24 Horas

terça-feira, 1 de julho de 2008

A credibilidade da testemunha-chave



Nota: Primeiras páginas de O JOGO, do JN e do 24 horas de 01/07/2008

«O juiz do Tribunal de Instrução Criminal entende não existirem indícios suficientes de actos de corrupção. E apanhou a testemunha Carolina Salgado a mentir. O Ministério Público vai recorrer.
Artur Guimarães Ribeiro ficou com dúvidas quando ouviu a ex-namorada do líder do F. C. Porto garantir-lhe, a 27 de Fevereiro, que estava ao lado de "Jorge Nuno" quando este, pelas 13 horas de 24 de Janeiro de 2004, recebeu o telefonema de António Araújo em que foi falada a contratação de "fruta" para os árbitros do F. C. Porto-Amadora. É que, dizia a testemunha o próprio Pinto da Costa, ter-lhe-á confidenciado, após o termo da chamada, que Jacinto Paixão e os fiscais-de-linha iriam ser presenteados com três prostitutas.

Por duvidar da credibilidade da versão de Carolina, o juiz decidiu pedir à PJ cópias das conversas escutadas naquele dia no telemóvel do dirigente. E concluiu que, afinal, à hora do telefonema, Carolina estava ou na casa da mãe ou no cabeleireiro.

Além disso, o magistrado fez notar que os sete meses de escutas sobre Pinto da Costa desmentem um "comportamento reiterado" de corrupção. Uma vez que a testemunha não especificou qualquer caso que não fosse já do conhecimento público.

Decidiu, então, enviar para o DIAP do MP do Porto uma certidão por falsidade de testemunho agravado. Um crime punível com até seis anos e oito meses de cadeia, por, alegadamente, ter sido cometido com intenção lucrativa e ter resultado perda de posição profissional para o visado. (...) No despacho, o juiz arrasa vários pontos da acusação da equipa de Morgado, dizendo que "não têm qualquer suporte probatório". (...)

Artur Guimarães insurge-se, ainda, contra a inclusão, na acusação, de alegados erros dos árbitros apreciados pela PJ, em desvalorização dos peritos de arbitragem. Por último, esclarece que, mesmo que o caso configurasse corrupção, seria na forma tentada. Mas sem que, face à moldura penal (menos de três anos de prisão), fosse possível utilizar escutas como prova.»
in JN, 01/07/2008


Mais um episódio que vem atestar a "credibilidade" da testemunha-chave do Benfica, de Maria José Morgado e de Ricardo Costa na cruzada que encetaram contra o FC Porto. Pelos vistos, a senhora estava mal ensaiada...

Usando uma linguagem habitual no jogo Batalha Naval, que grande tiro no porta-aviões!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Uma testemunha pouco credível


«A antiga companheira de Pinto da Costa afirmou ontem, no programa “Contacto” (SIC), que já não está grávida, mas recusou-se a dar pormenores. Ou seja: Carolina mentiu, mesmo a pessoas que lhe estão próximas, sobre a gravidez. E omitiu, no comunicado que fez anteontem, o aborto – que terá sido espontâneo, segundo diz agora.
Já na segunda-feira a ex de Pinto da Costa dissera ao 24horas e à revista “Flash!” que estava tudo bem com a gravidez. Mas nesse mesmo dia disse a outra revista, a “TVMais”, ter “perdido o bebé”. Ontem, as revistas publicaram, cada uma, a sua versão.

foto: 24 Horas

Carolina interveio em directo, por telefone, no “Contacto” e foi sempre muito evasiva. “Já não estou grávida”, admitiu apenas, depois de “apertada” pelos comentadores do programa.
“De momento eu já não estou grávida, mas não fiz nenhum aborto”, jurou Carolina. De resto, fugiu às perguntas. Recusou explicar quando e como abortou, continuando a confundir tudo e todos. (...)»
in 24 Horas, 12/06/2008

Esta rábula da gravidez é apenas mais uma, a juntar à das câmaras de vídeo destruídas que nunca existiram no parque da Alfândega, ou à da cómoda cheia de notas que, afinal, nunca esteva na casa da Madalena.

É Carolina Salgado uma pessoa credível?

Claro! Qualquer pessoa que tenha a “coragem” para atacar o Pinto da Costa e o FC Porto, não só merece imediato perdão pelos pecados passados (“orelhas, estou aqui”...), como ganha, automaticamente, uma enorme credibilidade.

Aliás, se Carolina D’Arc, perdão, Salgado, não fosse uma testemunha extremamente credível, alguém acredita que a esposa do Dr. Saldanha Sanches iria reabrir processos que tinham sido arquivados, com base no seu testemunho?

Mais. A credibilidade de Carolina é de tal modo grande que, o novo S. Jorge, o Dr. Ricardo Costa, já disse que o seu ‘Apito Final’ podia dispensar o recurso às escutas (é considerado inconstitucional pela maior parte dos especialistas na matéria que já foram ouvidos), porque foram valorados outros meios de prova – as declarações da D. Carolina.

Enfim, voltando ao que interessa, este episódio da gravidez que afinal não era, vem reforçar a credibilidade desta testemunha-chave dos processos ‘Apito Dourado’ e ‘Apito Final’, certo?

Quando é que a Leonor Pinhão a ajuda a escrever o segundo livro?
Estamos mortinhos para saber mais novidades...

sábado, 17 de maio de 2008

Um inimigo que urge abater

Este artigo é cópia de um comentário do utilizador ‘Cesário’ ao artigo “A Guerra”, que publico com a devida vénia.
(Nota: O título do artigo, os negritos e as fotos são da minha autoria e responsabilidade)

Eu não sou portista mas tal facto não me impede de encarar os factos com seriedade e de os tratar como tal; factos e não convicções.

Presentemente tenho que confessar que já não consigo calar a minha revolta e estupefacção pelo momento que atravessa Portugal.
Assistimos, neste momento, ao assassinato social de uma personagem pública, em absoluto frenesim mediático e perante o gozo, finalmente alforrio, de três quartos do país. Pinto da Costa é o seu nome e atrás dele arrasta-se pelo chão o nome do clube a que ele preside - o Futebol Clube do Porto.

Na entrega dos Globos de Ouro, onde o Jesualdo Ferreira recebeu o galardão de treinador do ano, as vaias e apupos que se ergueram só não foram mais explícitas na transmissão televisiva por causa das palmas pré-gravadas; esta reacção fez-me corar de vergonha como se tivesse sido eu o alvo. Perante a audiência das elites mediáticas sufragou-se o nojo do país por tal clube e presidente.

No dia seguinte a um outro espectáculo mediático, este o da leitura da sentença da Liga de Clubes, publicaram-se notícias sobre a perda de sigilo bancário de Pinto da Costa em relação a contas de empresas suas, vítimas de denúncias de Carolina Salgado.
Quando o inimigo cai no lodo não se deve cometer o erro estratégico de o deixar levantar; as solas das botas servem para alguma coisa.

Mas afinal qual a causa que levou, finalmente, à condenação, não dos tribunais – que estes são o que sabemos – mas em sede da opinião publica (desportiva?), do homem por causa de quem foi formada a segunda equipa especial de investigação do Ministério Público em toda a história da terceira república em Portugal?
Antes desta só uma foi criada e foi-o para investigar um outro fenómeno de "proporções equivalentes": as FP 25 de Abril.

O que está aqui em causa não é se ele é corrupto ou não. Eu disso não sei e se o for não sei se é muito diferente dos que o perseguem, inclusive dos que dirigem o meu clube.
O que está aqui em causa são duas acusações específicas, ocorridas numa determinada data, envolvendo determinadas pessoas. Acusações que são o corolário de anos de investigação por parte da mais cara e mais "independente" equipa de investigação em Portugal e que continuamos a pagar como se não houvesse problemas mais graves a resolver neste pais. Por mais que alguns queiram, não se trata de absolutamente mais nada.

Todos os que comentam este caso confessam, em privado ou na televisão, o seu desconhecimento do processo, mas no entanto louvam a coragem da condenação.

Como é possível? Que estado de loucura é que nos atingiu?
De certeza que não é por causa das escutas telefónicas que Pinto da Costa será condenado, porque se for, não se compreende por que é que as escutas que mostram Luís Filipe Vieira, João Rodrigues e Veiga a escolher árbitros e pedir favores, e que foram publicados nos mesmos jornais, não deram origem a processos.

De certeza que não é por causa do testemunho de Carolina, porque em qualquer parte do mundo ela não seria considerada uma testemunha credível. Não por causa do seu passado de alterne, mas porque é uma companheira desavinda e com pronunciada e notória intenção de denegrir o antigo companheiro.

Para além disso nunca conseguiu apresentar qualquer prova do que afirmou, exibindo apenas testemunhos contraditórios. E testemunhos valem o que valem. Todos podemos dizer mal ou bem de quem nos apetecer.

Pinto da Costa é condenado porque existe uma generalizada convicção de culpa. De que é corrupto e que arquitecta os resultados do clube a que preside há mais de vinte e cinco anos e que portanto este não os merece e que lhes deviam ser retirados.


Esta convicção continua a ser uma convicção e não uma certeza, depois do falhanço da toda-poderosa equipa de Morgado em apurar factos novos e emancipados da Carolina. Neste momento a equipa da eminente magistrada investiga transferências de jogadores do FCP e mais recentemente empresas de Pinto da Costa para apurar fugas ao fisco. Tudo com base nas informações de Carolina. Já não se trata de futebol. É a procura de um ponto fraco, do calcanhar de Aquiles. Trata-se de um inimigo que urge abater a qualquer custo. Se doer melhor.

Eu nisto não me revejo. E quem possui, então, esta convicção tão forte que até se confunde com uma certeza? Esta convicção que desmobiliza qualquer interesse sobre aspectos legais ou morais e apenas direcciona para o pelourinho. Os adeptos do Porto não a têm, claro. Têm-na os adeptos dos seus dois clubes realmente rivais, os quais constituem perto de três quartos dos adeptos em Portugal. E como é possível que massas tão colossais de pessoas tenham crenças tão parecidas ou tão diferentes?
A explicação não me parece difícil.

Todos se lembram do campeonato ganho pelo Sporting em 1999/2000?
Pois o Sporting chegou ao último jogo com dois pontos de vantagem sobre o Porto, depois de o segundo ter sido "roubado" de uma forma – mesmo eu tenho que admitir – inacreditável, por Bruno Paixão em Campo Maior. Os meus amigos portistas ficaram cabalmente convencidos da corrupção desse campeonato que lhes roubou o "Hexa".

No ano seguinte o mundo do futebol escandalizou-se com a benevolência com que o "sistema" permitiu ao Boavista molhar a sopa em praticamente todos os relvados do país, deixando uma esteira de mortos e feridos nas fileiras adversárias.

Em 2001/2002 o Sporting ganhou um campeonato em que os adeptos contrários se indignaram com o número de jogos resolvidos com penaltis. As suspeitas foram como de costume descomunais.

Em 2004/2005 o Benfica arrecadou um campeonato invulgar, pisando com pezinhos de lã o que se convencionou chamar de "passadeira vermelha". Mais uma vez foi grande e generalizada a revolta e a suspeita.


Ora, este curto parágrafo contém a descrição de todas os campeonatos ganhos por equipas adversárias do Porto desde 1994 e isto é que constitui o cerne do problema.

Basta aplicar a fórmula explicada em cima para se perceber o porquê do ódio ao Porto e da convicção, por parte dos adversários, da sua culpa e da do seu presidente que tem permanecido o mesmo. Neste país ninguém ganha por merecimento. Tudo ganha na batota.

Ganhasse o Porto dois campeonatos por década e era um clube simpático e o presidente um tipo culto que até declama poesia, passe a pronúncia.

É claro que existe corrupção no futebol. Ninguém é ingénuo. No futebol e na politica, nas modalidades amadoras e sociedades recreativas. A corrupção existe onde existem interesses. Nas mesas de café, por entre cervejas e tremoços, os amigos e conhecidos repartem amigavelmente estas histórias e convencimentos, riem-se do golo que marcaram com a mão e ofendem-se com a vista grossa feita à bola que bateu em pelo menos 15% do ombro e portanto deveria ser penalti.

Falta apenas o catalisador de todas estas energias, positivas e negativas e o catalisador são os media. No momento em que escrevo este texto não sei quantas pessoas o vão ler, mas se o fizer na televisão sei que vai ser escutado por milhões.
Os dirigentes dos clubes que não ganham o suficiente, ou então velhas comadres desavindas, extravasam os seus ódios e dissimulações nos meios de comunicação e catalisam todas as frustrações dos adeptos que conduzem da mesma forma que os políticos gerem os povos nos comícios e mesas de voto.

Temo que o processo tenha ido longe demais e apenas a justiça civil tenha oportunidade de repor o estado de direito que permanece na aparência mas que foi suspenso de facto. Nesta sociedade, quem acusa tem que provar, não o contrário.
Nesta sociedade, perante a justiça, causas iguais originam processos iguais. Não pode haver discriminação. Não pode haver perseguição. Aquilo que está aqui em causa é apenas demonstrar se os dois acontecimentos de que Pinto da Costa é acusado são provados ou não. O resto é política, mediatismo ou clubite.

Quando a chacina de uma pessoa por causa de campeonatos ou outra coisa tão mesquinha como esta, é permitida – gostemos da pessoa ou não da pessoa, e eu não gosto – mais vale mudarmos de vida. No fim, o trago será sempre amargo.

Assim não vale a pena.

terça-feira, 13 de maio de 2008

A testemunha


«A Liga baseia os argumentos no depoimento da dita senhora [Carolina Salgado], tal como o Ministério Público.»
Pinto da Costa, Visão, 01/05/2008

«As escutas não foram decisivas no processo, longe disso. Desmistifique-se essa ideia de que, sem escutas, não havia nada. Aliás, se só tivéssemos escutas, teríamos algumas dificuldades.»
Ricardo Costa, presidente da CD Liga, 09/05/2008

«Pinto da Costa foi considerado culpado em dois casos (...). Por de trás de ambos os casos está a sua ex-companheira Carolina. No caso de Augusto Duarte, foi aceite a palavra de Carolina que jura que o presidente do FC Porto recebeu na sua casa, na Madalena, o árbitro na véspera do jogo com o Beira Mar, “e lhe ofereceu um envelope com 2500 euros em dinheiro. No caso do FC Porto – Estrela Amadora, foi dado como provado que o FC Porto subsidiou prostitutas para o trio de árbitros, chefiado por Jacinto Paixão, Carolina foi a chave do processo ao traduzir “fruta” por prostitutas.»
Diário de Notícias, 11/05/2008


Em menos de dois anos, Carolina passou de 1ª dama do FC Porto à testemunha-chave nos processos contra Pinto da Costa e contra o FC Porto. Por isso, hoje em dia Carolina é uma espécie de santa para os benfiquistas e para a generalidade da comunicação social lisboeta, e Maria José Morgado mandou a polícia protegê-la dia e noite (de quem?), não fosse acontecer alguma coisa a este seu “bem precioso”.

Mas vale a pena recuar um pouco tempo e recordar alguns factos.

Outubro de 2004
«A polémica em redor da questão dos bilhetes para o clássico de domingo agravou ainda mais as já tensas relações entre o Benfica e o FC Porto. De tal forma que nem a mulher de Pinto da Costa terá autorização para entrar na tribuna do Estádio da Luz. Pelo menos, é essa a intenção dos encarnados.
Segundo o nosso jornal apurou, os responsáveis benfiquistas já deram instruções no sentido de proibir a entrada de Carolina Salgado na tribuna presidencial do recinto encarnado. Esta pretensão tem antecedentes e decorre de um episódio registado na temporada passada. No último Benfica-FC Porto disputado no Estádio da Luz, a esposa do presidente portista foi uma das convidadas para a tribuna de honra e deixou Luís Filipe Vieira "pendurado" quando este lhe estendeu a mão para a cumprimentar. Uma situação que o presidente do Benfica não gostou. Nem esqueceu.»
in Record, 13/10/2004

Confrontada com o veto presidencial, nesse jogo Carolina não foi para a tribuna de honra do estádio da Luz. Dessa vez preferiu ir para a bancada, junto com os Super Dragões, de onde exibiu um célebre cartaz dirigido ao presidente do SLB.


Fevereiro de 2006
No dia 26/02/2006, aquando de mais um Benfica – FC Porto, Carolina ainda não era venerada e amada por milhões benfiquistas. Pelo contrário, o cartaz “Orelhas tou aqui” não estava esquecido e os adeptos fizeram questão em demonstrá-lo.


Ainda mais incisiva foi a claque ‘Diabos Vermelhos’, tendo exibido duas tarjas com uma mensagem muito clara.


Dezembro de 2006
«Pinto da Costa não quis tecer qualquer comentário quanto ao lançamento do livro e, segundo fonte próxima do dirigente, por detrás deste lançamento pode estar a eterna ‘guerra’ entre FC Porto e Benfica, dirigida por dois ‘inimigos’: Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira. É que corre o boato que a publicação deste livro só foi possível devido ao financiamento de alguém ligado ao clube de Lisboa, uma vez que os custos seriam demasiado altos para serem suportados pela ex-companheira de Pinto da Costa. Mas fala-se também que a estadia de Carolina Salgado por Lisboa, numa unidade hoteleira da capital, tem sido ‘patrocinada’ por alguém ligado ao Benfica.
A ex-namorada de Pinto da Costa apresenta hoje publicamente a sua obra no Fórum Almada, pelas 15h30, numa acção que promete reunir naquele centro comercial muitos curiosos.»
in Correio da Manhã, 09/12/2006

Após o lançamento do livro ‘Eu, Carolina’, a ex-companheira de Pinto da Costa passou de prostituta (a quem os ‘Diabos Vermelhos’ mandavam fechar a perna), a heroína dos benfiquistas. Além de a promoverem a escritora, transformaram-na numa santa, uma verdadeira Carolina D’Arc.


Mais. Como Maria José Morgado ainda não tinha posto à disposição de Carolina dois policias, 24 horas por dia, pagos por todos nós, a segurança da “escritora” foi garantida durante uns tempos por elementos dos Diabos Vermelhos, isto segundo o jornal “Tal e Qual” de 15/12/2006.


Na mesma altura, Paulo Lemos que, segundo o próprio, foi um “amigo colorido” de Carolina após a separação desta de Pinto da Costa, afirmou, numa entrevista ao jornal ‘24 horas’ de 15/12/2006, ter assistido a um encontro entre Luís Filipe Vieira e Carolina Salgado num restaurante de Lisboa.
Na altura, o envolvimento de pessoas do Benfica no “arrependimento” de Carolina ainda era um segredo bem guardado e, por isso, não surpreendeu que estas declarações tenham sido desmentidas por Ricardo Maia, assessor de imprensa de Luís Filipe Vieira.

Contudo, em 13/01/2007, o jornal SOL publicou um artigo, assinado por Felícia Cabrita, onde é dito que “o primeiro encontro entre os agentes da DCICCEF e Carolina Salgado ocorreu num hotel da Praça de Espanha, em Lisboa, e teve como intermediário o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira. Com Carolina, estava a redactora do livro, Maria Fernanda Freitas, e a jornalista Leonor Pinhão”.
Esta notícia nunca foi desmentida por Luís Filipe Vieira, nem pela PJ.

Mais tarde, veio-se a saber que o papel desempenhado por Leonor Pinhão tinha sido ainda mais relevante.
Em 08/09/2007, o jornal SOL referiu que o livro ‘Eu, Carolina’ teve duas versões: a original, com 99 páginas, e a que foi publicada, com 157 páginas. A versão estendida contou com a preciosa colaboração de Leonor Pinhão, conforme referiu Maria Fernanda Freitas e a própria Carolina, em declarações efectuadas na PJ.


Novembro de 2007
Como um livro não era suficiente para entreter o espírito faminto de uns largos milhares benfiquistas, havia que também fazer um filme. Chegados a este ponto, como já não era preciso disfarçar o objectivo, nem quem estava por trás, o casal Leonor Pinhão (como argumentista) e João Botelho (como realizador) meteram mãos à obra e, em 01/11/2007, estreava o filme ‘Corrupção’ baseado no livro ‘Eu, Carolina’.


Algures daqui a uns anos...
... quando terminarem todos os processos que estão a correr em tribunal, espero que estes “amigos” não se esqueçam da pobre Carolina, porque é muito provável que ela precise da ajuda deles para pagar indemnizações por difamação. Sim, porque convém não esquecer que falta provar, em tribunal, todas as acusações que fez.