Mostrar mensagens com a etiqueta livres indirectos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta livres indirectos. Mostrar todas as mensagens

sábado, 5 de outubro de 2013

O nosso treinador estuda os adversários?

É uma pergunta legitima tendo em conta o desnorte táctico com que muitas vezes a equipa do FC Porto se encontra. Uma realidade nova para muitos adeptos azuis-e-brancos, habituados a uma análise metódica que começou (em tempos recentes) com André Villas-Boas e prosseguiu com Vitor Pereira.

Paulo Fonseca tem demonstrado poucas virtudes (as sufragadas pelos resultados, enganosos a meu ver pelo abismo competitivo que separa o FC Porto de todos os seus rivais até agora...salvo o Atlético) e alguns defeitos. A maior parte deles podem-se corrigir com os anos, é o processo evolutivo de um treinador jovem. Ele não tem culpa que a SAD do FC Porto procure técnicos sem curriculum a homens experimentados. Quem sonha com Pellegrinis e acaba com Fonsecas às vezes tem o que merece.

Um dos defeitos que tenho observado em PF é a falta de estudo aprofundado do rival.
O FK Austria - uma equipa outrora gloriosa e há largos anos de terceira linha europeia, digam o que disserem do empate em São Petersburgo - jogou como quis contra o FCP. Deixou a iniciativa aos dragões, explorou perfeitamente todos os problemas tácticos do 4-2-3-1 e a falta de garra e sagacidade na marcação do homem da bola por parte dos médios e defesas da equipa portista. Causou mais perigo do que seria suposto entre duas equipas tão diferentes. Ao contrário, foram poucas as ocasiões que deu para perceber que nós sabíamos quais os seus pontos fracos. O golo de Lucho, numa jogada de livro, rompeu uma noite muito cinzenta. Não foi a única. Contra o Vitória de Guimarães (quem, por certo, o nosso treinador deve ter achado que ia jogar da mesma forma, infantil, que na Supertaça) ou o Vitória de Setúbal, tivemos sempre problemas em controlar o adversário e dificuldades em impor o nosso modelo. Faltavam jogadas de laboratório, momentos do jogo em que, ou a equipa convidava o rival a subir para explorar os espaços deixados atrás ou, pura e simplesmente, mudava de modelo para asfixiar o autocarro colocado à frente da baliza. Não se viu nem uma nem outra coisa.

Mas o que me tira verdadeiramente do sério quanto a esta incapacidade de saber ler o jogo e estudar o rival até ao mais pequeno detalhe ocorreu no final do jogo contra o Atlético de Madrid. A equipa espanhola marcou um golo num livre muito bem planeado e estudado pelos seus jogadores.
Poderia ser uma coincidência, um fruto do acaso que esse livre tenha sucedido no Dragão. Mas não foi. Não só porque Diego Simeone é conhecido, desde que começou a sua carreira como treinador, pelos seus lances de bola parada estudados ao mais mínimo detalhe entre livres e cantos, como esse mesmo remate tinha sido posto em prática no passado. Não uma, não duas, mas três vezes.

Poucas jornadas antes, com o Almeria, num lance bastante parecido, Tiago marcou o terceiro golo dos espanhóis. Um livre ensaiado, que explora a presença de um jogador sem marcação no meio da terra de ninguém, livre para rematar. PF viu esse lance? Não me parece!



Os jornais e sites foram rápidos a lembrar outro golo, mítico, este com Diego Simeone como jogador. Nos Oitavos-de-Final do Mundial de França, em 1998, "El Chollo" esteve envolvido na concepção do golo que permitiu à Argentina marcar contra a Inglaterra. Os "ches" acabaram por vencer o encontro em penalties mas este é um lance que fica para a história. Seguramente que, como amante do futebol que é, PF se deve lembrar disso.

Mas se não fosse pouco, a equipa de Simeone marcou um terceiro golo calcado ao que foi apontado no Dragão. Aconteceu no fim da primeira época de Simeone com o clube, em Mallorca, numa derrota dos colchoneros na ilha balear. Gabi, como no Dragão, enganou toda a gente e Adrián (e não Arda) disparou para as redes, com Falcao a desviar a bola. O árbitro acabou por marcar penalty mas o precedente estava estabelecido. O video está online, qualquer um o pode ver. Não é nem o primeiro nem o segundo caso. E depois da falta inútil e perigosa de Mangala não devia haver um só jogador do plantel do FCP que não estivesse avisado para a possibilidade de um coelho sacado da cartola directamente do livro de ideias originais do treinador argentino. O que se viu em campo?
PS: Peço desculpa pela má qualidade, mas fica a ideia!

Um desnorte total e absoluto dos jogadores, um golo a consumar uma reviravolta que parecia impossível na primeira meia-hora e a prova de que Paulo Fonseca tem muito trabalho pela frente como treinador principal.

Começar a estudar a fundo os seus rivais, saber alterar os destinos do jogo desde o banco e saber antever estes pequenos detalhes que na alta roda fazem toda a diferença são passos fundamentais para que, no futuro mais imediato, se transforme num treinador que valha a pena seguir e não apenas no homem que levou o Paços de Ferreira ao melhor posto da sua história.