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terça-feira, 28 de abril de 2015

International CHAMPIONS Cup

Depois da muito boa campanha na UEFA Champions League (8 vitórias, 3 empates, 1 derrota), onde foi o único clube português que superou a fase de grupos e só foi travado nos Quartos-de-final, após uma série de 11 jogos sem perder…

… o FC Porto foi convidado para participar na International Champions Cup North America, juntamente com clubes como o Manchester United, Chelsea, Barcelona e PSG, entre outros.

International Champions Cup North America - todos os jogos

O FC Porto, um "clube regional", foi o único clube português convidado para a International Champions Cup?

Sporting e SL Benfica, dois "colossos mundiais", não foram convidados?!! Porquê?

Para um torneio de Champions, não faria muito sentido convidar clubes de Liga Europa, pois não?…


O calendário do FC Porto já está definido e prevê jogos no Canadá, EUA e México:

18 de Julho: FC Porto x Paris Saint-Germain (BMO Field, Toronto, Canadá)
24 de Julho: FC Porto x Fiorentina (Rentschler Field, Hartford, EUA)
26 de Julho: FC Porto x NY Red Bulls (Red Bull Arena, Harrison, EUA)
28 de Julho: FC Porto x América (Estádio Azteca, Cidade do México)

Prestigio, dinheiro (cachet), divulgação mediática e internacionalização da marca.
Eu diria que é quase tão bom como disputar o Torneio do Guadiana ou a Eusébio Cup…


P.S. Quem ler os jornais de Lisboa, ou assistir a programas sobre futebol nas televisões da capital portuguesa, fica convencido que o FC Porto está numa crise profunda porque, atenção, vai ficar dois anos seguidos sem ganhar o campeonato. Dois anos! Ena… Contudo, e infelizmente (para muitos anti-portistas), a notícia da "morte" desportiva do FC Porto parece que ainda não chegou ao estrangeiro…

sexta-feira, 12 de julho de 2013

"Boa língua" espanhola

(jornal MARCA, Julho 2013)

No mesmo órgão de comunicação social, português ou estrangeiro, pode haver jornalistas e artigos de "má língua" e de "boa língua".

O jornal MARCA, o maior diário desportivo espanhol e um dos principais jornais desportivos europeus, é um bom exemplo disso mesmo.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Porto: cada vez mais Futebol Clube

Por André Machado

A vencer desde 1893. É este o “benchmarking” de tantos portistas como eu, que no alto das suas cadeiras de sonho, profissionalmente falando, aplicam esta filosofia, sem pestanejar, no seu dia-a-dia. A transposição é permanente. Nunca esquecida. Vencer desde a sua nascença. Vencer desde a sua existência. Vencer. Ganhar. Conquistar. Crescemos a sentir o Porto e a pagar cara cada vitória. Nas Antas torcíamos mais do que os outros, acreditávamos mais do que os outros, ficamos conscientes e convictos que, para sermos melhores, teríamos forçosamente que fazer mais, e acima de tudo fazer mais do que os “outros”. Assim o fizemos. Assim trouxemos esta bagagem para a nossa vida profissional, pessoal. O Porto foi e é uma escola de homens. O Ensinamento. O Exemplo.


Mas nós, e quando me refiro a nós, falo na globalidade da essência do que é ser “portista”, não fomos os únicos a abraçar o crescimento e a maturidade. O Porto, também ele, cresceu. Mudou de casa. Triplicou o número de colaboradores. Quadruplicou o valor das suas equipas. Até diversificou a sua actividade e fundou novas empresas. Sempre a vencer, pelo menos dentro do campo. Nas quatro linhas. Na sua máxima preocupação, o Futebol. No “core” da sua existência, o Desporto Rei. Mas fora dele, parece esfumar-se no tempo, como um dia de neblina pela manhã, esta vontade de ser mais. Esta vontade de ser Porto.

Hoje o Porto não é só emoção, não representa apenas uma causa, uma região. Hoje o Porto é razão. É negócio, é activo e passivo. Hoje o Porto é lucro, organização, rentabilidade. Hoje o Porto somos todos nós, mas não só. Hoje o Porto é “mais” SAD. Mas é “menos” Comercial, menos Estádio, menos Multimédia, menos Seguros, menos Viagens, e claramente, é hoje menos Modalidades. Podia ser mais, mas não é. Hoje o Porto é muito, podia ser bem maior, mas parece teimar em não querer ser.


Classifico, desportivamente, como irrepreensível o trabalho da estrutura da SAD e respectivos elementos. Classifico como únicos os feitos e as conquistas alcançadas. Reconheço uma validade e um valor extremo e ímpar. E este reconhecimento abrange as mãos de quem detém o destino do meu Clube. Porém, desconheço a estratégica, o posicionamento e a abordagem comercial. O fio condutor das outras estruturas que perfazem o Grupo. Desconheço a penetração comercial internacional pretendida. Desconheço a capitalização do “Brand Equity”, desagregado do activo “Futebol”. Desconheço a captação de investimento internacional na sponsorização do clube e no investimento na rubrica “Hospitality”, entre outras. Desconheço talvez porque ando desatento, talvez porque a Razão baralhe a Emoção, de quando em vez. Desconheço talvez porque haja menos comunicação mediática sobre estas rúbricas, desconheço porque talvez seja de menor escala a política expansionista do grupo. Desconheço, talvez porque não perceba de política alguma, para além da política desportiva, que é de fácil compreensão. Simplesmente desconheço. Prefiro assim.

Mesmo quando se fala em expansão, fala-se pouco em penetração global. Conhecem-se entradas específicas em Mercados Emergentes, nomeadamente na aquisição de novos activos, leia-se jovens jogadores. Mas referencia-se pouco a comercialização activa de merchandising personalizado, por exemplo, nestes Países. Quantas multinacionais, que se encontram em fase de penetração no Mercado nacional, terão sido abordadas? Quantas feiras desportivas de renome mundial contaram com a presença do FC Porto, enquanto expositor? Quantos Produtos foram Licenciados e activados fora do território nacional? Quantas vezes foi o Porto o veículo que aproxima as organizações internacionais do Mercado Nacional, capitalizando assim o investimento que as mesmas fazem no clube e elevando a mais-valia que significa a elaboração de uma parceria comercial com a organização? Quantos eventos captados internacionalmente, fora do âmbito desportivo foram captados e inseridos no contexto Estádio do Dragão / Dragão Caixa? Quantos modelos de sucesso foram analisados, estudados e seguidos, nas diferentes áreas de negócio? Desconheço. Sou um leigo. Uma vez mais, um cego. Se no capítulo desportivo não há discussão que resista pois a invencibilidade estratégica impera há mais de três décadas, o mesmo não se pode afirmar no que à capitalização e rentabilização de outras potencialidades do Clube, das Empresas e da Marca, diz respeito.

Pegando num exemplo bem próximo e actual, as novas plataformas digitais e os designados “Social Media” que vieram para ficar, a página oficial do clube, no Facebook, possui um elevado número de colombianos como fãs e seguidores das actualizações diárias e da realidade presente do clube, estando já no topo da tabela, fruto das estrelas que o Porto conseguiu captar, neste País. De que forma é que rentabilizamos comercialmente esta aproximação intercontinental? Quantos dos nossos patrocinadores oficiais (independentemente da sua classificação, “Gold or Silver”) ou parceiros, que possuem especial interesse nesta região do Globo, utilizaram este canal como meio e veículo de comunicação direccionada? São muitas as questões que possuo. Desconheço todas as suas respostas. Talvez por ser um leigo. Serei certamente um leigo nesta matéria.

A vencer desde 1893 continua a ser o “benchmarking” e o legado de tantos portistas como eu, que no alto das suas cadeiras de sonho, profissionalmente falando, aplicam esta filosofia, sem pestanejar. Já o fizeram no passado. Vencer desde a sua nascença. Vencer desde a sua existência. Vencer. Ganhar. Conquistar. O Porto foi e é uma escola de homens. O Ensinamento. O Exemplo. Porque no Porto sempre torcemos mais do que os outros, sempre acreditamos mais do que os outros, sempre fomos conscientes que para sermos melhores, teremos forçosamente que fazer mais, acima de tudo fazer mais do que os outros.

E, neste capítulo, no extra futebol, ainda não somos suficientemente “mais”. Ainda não somos “mais” do que os outros…

Nota: o Reflexão Portista agradece a André Machado a elaboração deste artigo.
   

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Para que serve um Dep. Comunicação?

Será que um departamento de comunicação é útil para isto...


Isto é, para debitar propaganda barata (que só convence os já convencidos), juntamente com uma mensagem de ódio aos adversários e, pelo caminho, transformar o seu Diretor de Comunicação numa estrela mediática (pelos piores motivos)?

Ou um departamento de comunicação deve, por exemplo, servir para isto...




Isto é, para transmitir mensagens pela positiva ("détecteur de talents", "ejemplo de gestión", "el presidente TOP", etc.), que capitalizem os muitos sucessos alcançados pelo clube, com o objectivo de obter maior notoriedade e reconhecimento, particularmente a nível internacional?

Alguém se lembra de uma grande entrevista dada pelo Diretor de Comunicação do FC Porto?
Aliás, não fosse ser um ex-jornalista da RTP e suspeito que a maior parte dos adeptos do futebol desconheceriam o nome do Diretor de Comunicação do FC Porto.
E porquê? Porque, ao contrário do slb, no caso do FC Porto o que interessa é a mensagem (uma mensagem forte, positiva e eficaz) e não um descabido protagonismo do mensageiro.


P.S. No auge da tentativa do slb em chegar à Liga dos Campeões através de manobras de secretaria, muitos benfiquistas disseram que o nome e prestígio do FC Porto estariam irremediavelmente manchados por muitos anos. Será verdade?
Quantos adeptos espanhois, franceses, italianos, ingleses, etc., saberão quem é Carolina Salgado, Leonor Pinhão ou Jacinto Paixão?
Em contraponto, qual é a tiragem de jornais como a MARCA ou o L'Equipe? (dois dos principais diários desportivos europeus onde, nos últimos anos, têm sido publicadas diversas notícias e reportagens altamente elogiosas para o FC Porto)
O problema da esmagadora maioria dos benfiquistas é terem A BOLA como referência e confundirem os seus desejos com a realidade.

terça-feira, 4 de junho de 2013

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Pepe, what an idiot


Foi esta a reação de Wayne Rooney, no Twitter, perante mais uma atitude inacreditável e inqualificável de Pepe.


«Pepe volvió a ser protagonista negativo en un Clásico. En la primera parte vio la tarjeta amarilla por una dura entrada a Busquets pero en la segunda amplió su repertorio. Simuló una agresión en la cara de Cesc cuando el azulgrana no le llegó a tocar en el rostro y posteriormente pisó a propósito la mano de Messi cuando el argentino se encontraba en el suelo tras una entrada de Callejón.»
in marca.com


«El comportamiento de Pepe en el Clásico, y en otros muchos partidos que constituyen para él un auténtico historial delictivo, es intolerable. Sólo la providencia evita que cada uno de estos encuentros se convierta en una carnicería.
El Real Madrid, en la persona de Florentino Pérez, debe valorar muy seriamente la posibilidad de deshacerse de un jugador que es una vergüenza para el Real Madrid, que no está ni a la altura de la historia del club, ni a la altura de sus compañeros ni de la profesión de futbolista. El mercado de invierno sería una buena oportunidad para sacar algún dinerillo y evitar que Pepe vuelva a vestir la camiseta blanca. Si queda un mínimo de cordura en el club, éste ha debido ser su último encuentro.
Hubo un caso, el de Juanito, en el que el jugador tomó la decisión voluntariamente. Juanito pisoteó la cabeza de Matthaus y, a los pocos días, decidió que abandonaría la disciplina del club por decisión propia tras lo vergonzoso de su acción. Pero estamos hablando de Juanito, tras cuyo corazón caliente se escondía un tipo de una pieza.
No parece que Pepe vaya a tomar la misma decisión de Juanito tras la exhibición de salvajadas ofrecida ante el Barcelona. Seguramente, optará por quedarse en el club, a la sopa boba, escondido tras la falsa identidad de ser el abanderado de la causa madridista y protegido por el clan que parece ha tomado las riendas de la entidad, traicionando cualquier vinculo con la tradición del equipo tanto en lo futbolístico como en el comportamiento deportivo.»
in marca.com



Propositadamente, retirei estes textos e imagens do jornal a Marca (versão online), o qual, como é sabido, é um jornal que está para o Real Madrid como A Bola está para o slb.

Ora, se perante o historial de atitudes lamentáveis de Pepe, neste e noutros jogos, no jornal semi-oficial do Real Madrid já se publicam textos com termos como “carnicería”, “vergüenza”, “intolerable” e se discute se Pepe deve voltar a vestir a camisola branca, a pergunta que me apetece fazer é: qual vai ser a atitude de Paulo Bento?
Para o atual selecionador português, que faz da disciplina a sua imagem de marca, e que se mostrou absolutamente intransigente nos casos Bosingwa e Ricardo Carvalho, Pepe continua a reunir todas as condições para ser convocado para a seleção das quinas?


P.S. Até o subdiretor da Marca entende que já não há mais espaço para contemplações...


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ejemplo de gestión económica y deportiva



26 de mayo del 2004, estadio Gelsenkirchen. El Oporto de José Mourinho completa la gesta y se proclama campeón de Europa tras ganar 3-0 al Mónaco. Siete años después, los 'Dragones' recuperan su sitio en el continente alzando la Europa League al vencer por la mínima al Braga. La transición de un éxito al otro es un ejemplo único en el fútbol de gestión económica y deportiva que conviene analizar con detenimiento.

Siete años, siete temporadas en las que el club portugués siempre ha arrojado un notable superávit tras el mercado de fichajes. Ficha barato y vende caro. Se abraza al mercado sudamericano, descubre talentos, jugadores emergentes, les da confianza y minutos y, algunos años después, vende a un precio tres o cuatro veces mayor del importe desembolsado en su momento en la compra.

Los ejemplos son numerosos. Las negociaciones, de matrícula de honor. Por citar algunos, Pepe llegó del Marítimo por 2 millones de euros y, tres temporadas después, se fue al Real Madrid por 30 millones. Similar es el caso de Anderson, por el que se pagaron 5 millones al Gremio. Tres años más tarde, se fue al Manchester United y el Oporto nutrió sus arcas con 31 'kilos'. Y así podíamo seguir hablando de Deco, Maniche, Diego, Lucho González, Lisandro López, Meireles...

Para que se hagan una idea, en esas siete temporadas el Oporto presente unos beneficios de 196 millones de euros. Lo mismo que otros equipos se gastan en una sola temporada o el doble de lo que algunos pagan por un único futbolista. ¿Y los resultados? pues resulta que esa política que los más escépticos pueden calificar de austera se ha traducido en títulos. Cinco campeonatos de Liga, cuatro Copas de Portugal, cuatro Supercopas de Portugal y una Europa League desde entonces.

El criterio y la eficiencia de sus ojeadores, la habilidad a la hora de negociar un traspaso y la responsabilidad otorgada a determinados jugadores pese a su juventud son las claves de este Oporto. Sin entrar en demasiados números, basta decir que el once que los 'Dragones' presentaron en la final de la Europa League en Dublín le costó al club alrededor de 40 millones de euros. Aquí, el detalle:

Helton (1,5 millones) / Sapunaru (2,5 millones), Otamendi (4 millones), Rolando (950.000 euros), Álvaro Pereira (4,5 millones) / Guarín (1 millón), Moutinho (10 millones), Fernando (720.000 euros) / Hulk (5,5 millones), Falcao (5,5 millones), Varela (libre).

La pregunta, ahora, es por cuánto dinero saldrán del equipo luso aquellos que busquen una nueva aventura o los afortunados que reciban la llamada millonaria de los grandes equipos europeos. Mientras, el Oporto seguirá con su filosofía conservadora. En tiempos de crisis, es lo lógico.

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O texto anterior foi publicado no jornal espanhol Marca (vê-se logo que não foi escrito pelo Nuno Luz...) e, embora tenha algumas pequenas imprecisões, é mais um exemplo de como o FC Porto é visto além fronteiras.

Imagino a mossa que este tipo de artigos fazem em alguns dos peões da propaganda anti-Porto. Eles esforçam-se tanto! Até prepararam um vídeo com as “confissões” de Jacinto Paixão em inglês…

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sábado, 7 de maio de 2011

Os amigos portugueses de Juan Ignacio Gallardo

«Entiendo que hoy es un día triste para Portugal. Y no es fácil ofrecer consuelo cuando a uno le desborda la felicidad, como es mi caso. (…) Fue Villa, el Pichichi Villa, el que por fin logró batir al monumental Eduardo. (…) Cuando el árbitro pitó el final, parte de la península ibérica se convirtió en una fiesta y en la otra parte se apagó la luz. Así es el fútbol.»

Este extracto faz parte de um artigo assinado por Juan Ignacio Gallardo, publicado, não na Marca, mas no Record, a seguir ao Portugal x Espanha do Mundial da África do Sul, disputado em 29 de Junho de 2010.

Neste artigo, o subdirector da Marca não dedicou uma única palavra à actuação do árbitro, o argentino Héctor Baldassi, nem se preocupou com quem ele foi jantar nesse dia, apesar do golo espanhol, que eliminou Portugal, ter sido marcado em claro fora-de-jogo. Aliás, a arbitragem de Baldassi foi tão boa, que o seu compatriota, o seleccionador argentino Diego Maradona, afirmou: “Baldassi não deixou Portugal chegar à área da Espanha, porque cada bola dividida era para Espanha. Sou amigo de Baldassi, mas pareceu-me uma arbitragem horrível”.

Mas os contactos de Juan Ignacio Gallardo com Portugal não se ficaram por este artigo nas páginas do Record. Uns meses depois, a 3 de Novembro de 2010, deslocou-se a Lisboa. E para quê? Para participar na inauguração do departamento de Conservação e Restauro do slb (!) e oferecer a Luís Filipe Vieira um presente: a primeira página do jornal Marca referente à vitória do slb sobre o Real Madrid, na final de 1961/62.

Pois é, diz-me com quem andas... e torna-se mais fácil perceber a origem de certas notícias.



Para a mentira ser segura
E atingir profundidade
Tem que trazer à mistura
Qualquer coisa de verdade

António Aleixo


P.S. O senhor Gallardo já investigou onde é que jantou o árbitro Gianluca Rocchi na passada quinta-feira? É que perante a forma como o Villarreal marcou os dois primeiros golos (o 1º após um fora-de-jogo claro e o 2º com Sapunaru a ser empurrado por Marchena no momento em que saltou para cortar a bola), talvez valha a pena...


Foto 1: Juan Ignacio Gallardo (fonte: Record)

Foto 2: António Magalhães (director-adjunto do Record) e Bernardo Ribeiro (subdirector do Record) em Madrid (17/12/2010), à conversa com o presidente do Real Madrid e com Juan Ignacio Gallardo (fonte: Record)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Suspeição made in Madrid

«¡¡¡Penalti a favor del Oporto!!! Pase de Guarín a Falcao y penalti claro de Diego López. Tarjeta amarilla para el meta. Al menos no le han expulsado

«El árbitro holandés [Bjorn Kuipers] acertó en las jugadas claves del encuentro: el penalti y el posible fuera de juego en el cuarto gol, en posición correcta. No tuvo reparos en sacar tarjetas cuando la acción lo mereció.»

Sabem onde isto foi publicado? Precisamente na Marca (podem consultar aqui), o mesmo jornal que agora está a tentar criar um caso envolvendo dirigentes portistas e o árbitro do FC Porto x Villarreal.

A Administração da FC Porto SAD já emitiu um comunicado, onde esclarece o que se passou e desmente que Pinto da Costa, ou Reinaldo Teles, tenham estado presentes no jantar com o árbitro Bjorn Kuipers, após o jogo com o Villarreal.

Mas mesmo que algum dirigente do FC Porto tivesse levado os árbitros e os delegados da UEFA a jantar APÓS o jogo, qual era o problema? Por acaso era isso que ia influenciar a arbitragem de um jogo que já tinha terminado?

Como seria de esperar, a comunicação social lisboeta nem sequer quis averiguar o que realmente se passou e tratou logo de cavalgar o boato lançado pela Marca, dando grande destaque ao assunto. Aliás, lendo a pseudo notícia completa no site da Marca, percebe-se perfeitamente que, independentemente de ser assinada por um tal Juan Ignacio Gallardo, a mesma teve o dedo de algum correspondente do jornal madrileno, ou de periodistas amigos sedeados na capital portuguesa (a Marca está para o Real Madrid como A Bola está para o slb).

Na véspera do jogo da 2ª mão, é mais do que óbvia a intenção da Marca. Quanto aos jornalistas “espanhóis” do lado de cá da fronteira, há que começar a preparar o terreno para uma eventual final FC Porto x slb e, entretanto, aproveitar para tentar denegrir o clube azul-e-branco.

Este jornalismo de sarjeta, promovido por uns ressabiados (Força Barça!) amargurados por sucessivas vitórias dos clubes rivais, fez-me recordar uma célebre frase, proferida pelo “poeta” Diego Armando Maradona e dirigida a alguns hombres de prensa: “con el perdón de las damas, que la chupen, y que la sigan chupando”.


P.S.1 «O líder da arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol refuta em absoluto que a equipa de arbitragem do jogo FC Porto-Villarreal, da primeira mão da meia-final da Liga Europa, na opassada quinta-feira, tenha jantado com qualquer dirigente portista. Carlos Esteves, que já recebeu a nota de despesa relativa aos almoços e jantares da comitiva da UEFA durante a deslocação ao Porto, garantiu ao Expresso que, no jantar após o jogo, estiveram apenas os seis árbitros, o observador do encontro, o delegado ao jogo e António Garrido. Presente à mesa esteve ainda um enfermeiro, "indicado pela FPF para assistir em caso de lesão a equipa de arbitragem da UEFA", assegura o dirigente.»
(a noticia completa pode ser lida aqui)

P.S.2 O FC Porto anunciou que vai processar judicialmente o jornal Marca e também o jornalista que assinou a notícia. Claro que se os responsáveis da Marca tivessem um pingo de vergonha e de ética jornalística, apresentavam um pedido de desculpas público ao FC Porto pelo boato que lançaram e, pelo caminho, identificavam o "garganta funda" português que esteve na origem desta noticia falsa. Mas como a Marca é da mesma massa de A Bola...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Um orgulho para os colombianos


«Eduardo Lara, seleccionador de sub 20 da Colômbia, ex seleccionador principal dos colombianos, assistiu ao jogo [FC Porto x Spartak Moscovo] pela TV e, numa entrevista a Bola Branca [programa desportivo da Rádio Renascença], diz ter ficado encantado com a exibição de Falcão mas também dos outros colombianos, Guarin e James.
Eduardo Lara confessa-se adepto do FC Porto, influenciado pela presença de três colombianos na equipa. (…) Finalmente, Eduardo Lara diz sentir orgulho por ter visto bandeiras da Colômbia nas bancadas do Dragão»
in www.rr.pt


Em Dezembro passado, num artigo que intitulei 'Dar novos Mundos ao Mundo portista', escrevi o seguinte:
«Quantos internacionais colombianos actuam fora da Colômbia? Para além do FC Porto, há mais algum clube onde joguem três internacionais deste país?
Ora, eu penso que este facto poderia ser aproveitado para promover a marca FC Porto na Colômbia, um país pouco conhecido em Portugal (e o recíproco também deve ser verdadeiro). (…) Jogos, resumos, documentários com entrevistas, os golos de El Tigre, etc., é algo que seguramente interessaria a uma faixa significativa da população. E mesmo que não gerasse receitas a curto prazo, seria um passo em termos da expansão da marca e de potenciais receitas futuras.»

Dentro do grupo empresarial portista há, de certeza, pessoas responsáveis pelo marketing e pela promoção da marca FC Porto. Espero que alguma dessas pessoas tenha ouvido esta entrevista de Eduardo Lara à Rádio Renascença, a qual veio reforçar a minha convicção de que é um desperdício ter no plantel três internacionais colombianos e não tirar partido disso, nomeadamente em termos de promoção da marca azul-e-branca no mercado sul-americano (principalmente na Colômbia e Venezuela).



Com Falcao, Guarín e James a destacarem-se (de modo diferente) ao serviço do FC Porto, bandeiras colombianas nas bancadas e sombreros vueltiao na cabeça de Guarín, de que é que estão à espera?

domingo, 9 de janeiro de 2011

Sombrero vueltiao


No final do jogo, a propósito dos dois golos que marcou e da comemoração do segundo com um sombrero vueltiao, Freddy Guarín afirmou o seguinte:
"Foi muito importante para mim. Foi um amigo, Arturo, da aldeia onde nasci, que mo deu. É um chapéu típico do meu país."


Recentemente falei aqui no assunto. É um desperdício ter no plantel três internacionais colombianos e não tirar partido disso, nomeadamente em termos de promoção da marca FC Porto no mercado sul-americano (principalmente na Colômbia e Venezuela). Evidentemente, não seria um negócio para dar lucro imediato, mas sim algo inserido numa estratégia global de expansão da marca FC Porto, cujo primeiro passo é a divulgação (semear), para mais tarde então apostar no merchandising e no negócio dos produtos televisivos (colher).

Mas para além dos aspectos desportivos, há também o potencial turístico que poderia ser explorado. Não haveria hipótese de serem desenhados protocolos com as entidades que promovem o turismo da Colômbia na Europa, bem como, o turismo português (e mais particularmente do Porto e Norte) no mercado sul-americano?

(www.elmundo.com)


(www.rcnradio.com)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Dar novos Mundos ao Mundo portista


Após uns dias de férias, regressaram hoje a Portugal e aos treinos no Olival os jogadores estrangeiros do plantel, entre os quais se destaca a legião de sul-americanos: os brasileiros Helton, Souza, Fernando, Walter e Hulk; os uruguaios Fucile, Cristian Rodriguez e Álvaro Pereira; os argentinos Otamenti, Bellushi e Mariano; os colombianos Falcao, Guarín e James Rodriguez.

Ao ouvir esta notícia, lembrei-me do seguinte: Quantos internacionais colombianos actuam fora da Colômbia? E para além do FC Porto, há mais algum clube onde joguem três internacionais deste país?
Ora, eu penso que este facto poderia ser aproveitado para promover a marca FC Porto na Colômbia, um país pouco conhecido em Portugal (e o recíproco também deve ser verdadeiro).

Nas últimas duas décadas, a Colômbia tem sido muitas vezes notícia e nem sempre pelas melhores razões. Narcotráfico, Cartel de Medelin, Cartel de Cali ou Pablo Escobar foram temas em destaque na comunicação social de todo o Mundo. Ultimamente, o que deu nas vistas foram as picardias e insultos entre os presidentes Hugo Chavez e Álvaro Uribe, tendo por pano de fundo os guerrilheiros das FARC e questiúnculas antigas entre os dois países. A este propósito, convém dizer que, até 1830, Colômbia, Venezuela e Equador fizeram parte da "Gran Colombia", cuja capital era Bogotá. Mas a República da Colômbia tem outro lado e, por exemplo, também é a pátria de Gabriel García Márquez e dos cantores Juanes e Shakira.

E no futebol?
Bem, eu lembro-me do Higuita, do Valderrama e, claro, do Once Caldas.
E do outro lado do Atlântico, o que sabem os colombianos de Portugal, do Porto ou do futebol português?
Os jogos do FC Porto, perdão, os jogos da equipa onde actuam Falcao, Guarín e James Rodriguez são transmitidos na Colômbia (em directo ou diferido)?
Não sei, mas sei que com uma população de mais de 45 milhões de pessoas, a Colômbia é “só” o país mais populoso da América do Sul hispânica, sendo o terceiro país de língua espanhola a nível mundial (a seguir ao México e à Espanha).

Numa altura em que os grandes clubes europeus apostam cada vez mais na internacionalização das suas marcas, parece-me que a Colômbia e a sua vizinha Venezuela (país de forte comunidade portuguesa), são zonas do globo para onde os dirigentes do FC Porto deveriam olhar com atenção. Jogos, resumos, documentários com entrevistas, os golos de El Tigre, etc., é algo que seguramente interessaria a uma faixa significativa da população. E mesmo que não gerasse receitas a curto prazo, seria um passo em termos da expansão da marca e de potenciais receitas futuras.

O presente é importante, mas não podemos descurar o futuro. Portugal é um mercado pequeno e, tal como há 600 anos atrás, precisamos de descobrir novos Mundos para o Mundo portista.

sábado, 22 de maio de 2010

A equipa, os adeptos e a marca FC Porto


No domingo passado, dia 16 de Maio, após os festejos da conquista da 15ª Taça de Portugal, o plantel do FC Porto entrou de férias. Serão 39 dias de descanso até ao arranque da nova temporada, marcado para o dia 25 de Junho, excepto, claro, para os seis jogadores convocados pelas respectivas Selecções para o Mundial da África do Sul (Beto, Rolando, Bruno Alves, Raúl Meireles, Fucile e Álvaro Pereira).

Tendo a época terminado tão cedo, porque razão é que o FC Porto não aproveitou para fazer uma digressão? Seria uma excelente oportunidade para disputar dois ou três jogos num PALOP, ou em países onde haja uma vasta comunidade de emigrantes (na Europa ou na América).

Terá sido por falta de convites? Parece que não porque, segundo O JOGO, “apesar de ter recebido alguns convites, o clube decidiu não efectuar qualquer jogo ou mini-digressão de final de temporada”.

Ora, para além de servir para estreitar laços com os adeptos e fomentar o portismo além fronteiras, uma digressão nesta altura também poderia (deveria!) incluir 7 ou 8 dos muitos jogadores que estão emprestados – Ventura, Tengarrinha, Castro, Ukra, André Pinto, Pelé, Stepanov, etc. – de modo a aquilatar do seu estado actual e, principalmente, para perspectivar a integração de alguns no plantel da próxima época.

E o treinador? Mesmo a eventual mudança de treinador seria um problema facilmente ultrapassável, porque o comando técnico poderia ser entregue à dupla Rui Barros – João Pinto.

Ao longo dos últimos anos o FC Porto coleccionou vitórias e teve um assinalável sucesso desportivo, incluindo a nível internacional. Contudo, parece-me que temos esbanjado boas oportunidades para promover a marca FC Porto de uma forma mais global. Outros - SLB -, com muito menos vitórias para exibir, não perdem qualquer ocasião para manter a chama da fé clubística bem viva.

sábado, 8 de agosto de 2009

A marca FC Porto


Em 2 de Agosto passado, Luís Sobral escreveu no Maisfutebol um artigo com o título "O que significa a marca Porto":

«O F. C. Porto acaba de vender um central de 28 anos, com escassa história no clube, João Paulo, por uma verba próxima do milhão e meio de euros. É isso que o Le Mans vai pagar, segundo a imprensa francesa.

A facilidade com que o F.C. Porto se mexe no mercado internacional tem, do meu ponto de vista, três razões fundamentais.

1. Manutenção de uma estrutura estável ao longo de anos, enquanto os rivais mudaram (no Benfica saiu José Veiga entrou Rui Costa; no Sporting a saída de Carlos Freitas valeu a «promoção» a Pedro Barbosa). No F.C. Porto é Antero Henrique o eixo de todos os contactos, uma pessoa discreta mas que está há muitos anos no futebol, em diferentes funções, ao mais alto nível.


2. A presença constante do clube na Liga dos Campeões, o que permite intensificar contactos e expor jogadores.


3. O sucesso dos futebolistas que saíram do Dragão nos anos mais recentes (Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Deco, Bosingwa, Anderson, Paulo Assunção; Quaresma é a excepção). E até de um treinador, José Mourinho.


A marca F.C. Porto representa qualidade. E todos nós, consumidores, sabemos a importância de confiar quando adquirimos um produto ou um serviço.
Na Europa do futebol, quem tem dinheiro para gastar olha para o F.C. Porto como um vendedor que não engana. Faz-se pagar bem, mas não entrega gato por lebre


Dois dias depois, na entrevista que deu ao JOGO, Antero Henrique afirmou o seguinte a propósito da marca e da projecção internacional do FC Porto:

«conseguimos projectar a nossa marca, participando na Peace Cup. Este torneio veio para a Europa por sugestão do FC Porto, feita há alguns anos (...)
torneios deste nível colocam-nos em destaque em mercados muito agradáveis para a nossa marca, porque chegámos a todo o Mundo através das transmissões televisivas para mais de 40 países diferentes. De tal forma que, além do ponto de vista desportivo, no financeiro, o FC Porto tem sido a equipa portuguesa mais solicitada, talvez das mais solicitadas a nível europeu para participar neste tipo de competições, conseguindo terminar a pré-época com um saldo bastante positivo de mais de um milhão de euros. Mas também ao nível da divulgação, da expansão, do impacto cultural e social a nossa participação na Peace Cup foi muito importante para o FC Porto, confirmando a sua presença entre a elite do futebol europeu e na primeira divisão do futebol mundial.

(...) temos convites para participar nos torneios mais importantes que se realizam actualmente e alguns para torneios que, no passado foram grandes testes, e que agora são desvalorizados e por isso já não nos interessam porque são redundantes e inconsequentes do ponto de vista da expansão, consolidação e prestígio da marca FC Porto. Para um clube com a projecção do tetracampeão português, a Peace Cup é o torneio de Verão que mais interessa no sentido da projecção da marca.»


Estudos recentes feitos em Portugal, indicam que o FC Porto é a marca mais credível, porque ganhou a maioria das competições a nível nacional, conseguindo também títulos internacionais. Consequentemente, o FC Porto é escolhido pelo mérito, particularmente entre os mais jovens.

O marketing e o merchandising exploram as marcas e os clubes procuram gerar receitas a partir de produtos com a sua marca, bem como, de patrocinios e naming de instalações desportivas. Neste aspecto, penso que em Portugal ainda há muito a fazer em termos de inovação. Alguns exemplos interessantes podem ser vistos aqui.

Mas basta olharmos para o Real Madrid ou para os clubes ingleses para percebermos que esta questão da marca é algo que começa a ter um peso muito significativo, particularmente se levarmos em conta que o negócio Futebol é cada vez mais visto e gerido de forma global.

Foto: A imagem que ilustra este artigo foi produzida por Bruno Sousa. O original pode ser obtido aqui.

sábado, 16 de maio de 2009

Reflexão sobre o negócio do futebol


Na sequência do artigo 'O horário do FC Porto x Nacional', que publiquei no sábado passado, uma interessante análise feita por Luís Sobral, centrada no modo como os clubes "vendem" o seu produto e captam (ou não) novos adeptos.

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Reflexão sobre o negócio do futebol
Autor: Luís Sobral
2009/05/13
in 'Agência Financeira'

O futebol profissional português é provavelmente o produto mais fácil e mais difícil de vender.
Mais fácil porque toda a gente sabe o que é, toda a gente sabe que existe, toda a gente sabe onde está à venda.
Mais difícil porque toda a gente desconfia do seu valor, porque quem o fabrica insiste em gritar que o produto está estragado e porque a ocupação do espaço público é quase sempre feita de forma deficiente.

Os pontos fáceis dispensam, julgo, explicação. São evidentes. Ao contrário de outras actividades desportivas/culturais/lazer, o futebol profissional dispõe de abundante espaço de divulgação. Nos meios mais poderosos (televisões em sinal aberto, televisões por cabo, Internet, jornais e rádios) e, por consequência, também nas conversas informais (escolas, cafés, empregos, etc.).
Milhões de pessoas sabem que o F.C. Porto é tetracampeão. Apenas dezenas conhecem o nome da peça que está em cena no Teatro Aberto.

A vantagem de ter um produto exposto é aumentar a possibilidade de alguém o adquirir. Desde que o produto seja bom.
Aqui começa o problema.
O produto futebol português é, de uma forma geral, visto como pouco qualificado. Por razões pouco discutíveis: erros graves, desconfiança sobre a verdade desportiva, jogadores de qualidade duvidosa, estádios que oscilam entre o muito bom e o mau, horários incertos, nível de linguagem poucas vezes atractivo.
Na prática, o número de pessoas interessadas em pagar para ir aos estádios ver jogos de profissionais não excede, em média, as 100 mil. Um por cento da população, portanto.
Depois há mais alguns que aceitam pagar qualquer coisa para saber o que se passa no futebol português. São os que subscrevem a SportTV e adquirem jornais desportivos. Não existem estudos, mas acredito que muitos são os que também vão aos estádios.
Existe ainda uma categoria, bem maior do que a anterior: são os que aceitam ver futebol na televisão, sem pagar. Um pouco mais de um milhão (audiência média), todos os fins-de-semana.

Audiências dos jogos da época 2008/09 transmitidos em canal aberto (fonte: Marktest)


Façamos contas, então.
Apesar de divulgada como nenhuma outra actividade, o futebol só convence um por cento da população a pagar aos clubes. E se for de borla só atrai a atenção de dez por cento dos potenciais interessados.
No entanto, este número é multiplicado por quatro em grandes eventos que envolvem a selecção nacional, como Mundiais ou Europeus.

Isto significa, do meu ponto de vista, que pelo menos metade dos que habitam em Portugal nunca terão grande vontade de se envolver com o futebol. Passa-lhes ao lado. E estão no seu direito.
Mas existem dois, três, talvez quatro milhões de pessoas que até admitem ver futebol (e comprar cachecóis, camisolas, etc.) se os convencerem de que vale a pena. Os anos Scolari são prova suficiente.


Os dirigentes do futebol deveriam estar preocupados em estudar estas pessoas e encontrar formas de comunicar com elas.
Isto não se faz nos estádios. Esses já estão convertidos.
Fazê-lo nas ruas custa muito dinheiro.
Os jornais desportivos têm audiências cada vez mais reduzidas e são adquiridos, em princípio, pelos mesmos que vão aos estádios (somados os três jornais, hoje em dia falamos apenas em 150 mil compradores/dia).
A Internet é um meio poderoso, mas onde cada um é dono do seu destino (sites, blogues, Messenger, twitter, etc., etc.).
A televisão por cabo é ainda uma realidade distante para a maioria dos portugueses.

Conclusão: o meio mais eficaz para comunicar com massas continua a ser a televisão em sinal aberto.

Pois bem, que sucedeu no último domingo? A RTP1 deu meia dúzia de minutos à festa do F.C. Porto e depois remeteu-a para o programa de desporto (onde, claro, só estiveram os que habitualmente já têm contacto com o produto). A SIC manteve a sua programação. A TVI manteve a sua programação.

É este o estado do futebol em Portugal, incapaz de produzir conteúdo suficientemente interessante para atrair as pessoas que não estão já fidelizadas.

Num caso destes, que deveria ter feito o F.C. Porto? Interessar os grandes canais, como caminho para chegar aos que não são clientes regulares deste desporto e, por arrasto, da marca F.C. Porto.
Quando terminou o jogo com o Nacional, pelas 22 horas, cerca de três milhões de pessoas estariam a ver televisão em sinal aberto. Logo no momento de maior grandeza do clube.
Acontece que apenas uma ínfima percentagem de espectadores «participou» na festa. Chama-se a isto uma oportunidade perdida.

O desafio, numa situação como esta, é criar conteúdo próprio para resultar em televisão e adequado ao tempo que os canais poderiam dedicar à festa do título, se esta fosse, de facto, transformada num evento televisivo.

A ambição de alguém que gere um produto em que acredita deve ser comunicá-lo ao maior número de pessoas, pelo menor custo. Ao melhor estilo vejam como isto é bonito!
Num caso como este, o desafio era interessar quem gera audiência, conseguir chegar às pessoas que viam televisão àquela hora. Permitir conteúdo exclusivo para cada canal, garantir total disponibilidade para colocar câmaras próprias e permitir a personalização a partir do Dragão. Emissões curtas mas de grande eficácia, que depois poderiam continuar no cabo. Mas a mensagem principal teria passado.

No dia seguinte, os principais protagonistas deveriam ter ocupado o espaço de comunicação disponível. Nada disto aconteceu. Aliás, em Portugal os políticos aparecem. Os empresários aparecem. Os artistas adorariam aparecer. Os jogadores são escondidos, como se fossem incapazes de se responsabilizar pelo que dizem.
(um exemplo: há assessores de imprensa que impedem treinadores e jogadores de responder a perguntas que não digam respeito a futebol. E, mais estranho ainda, há treinadores e jogadores que aceitam esta limitação)


Os clubes portugueses ainda não perceberam que precisam de captar novos clientes. E isso só se consegue com um produto credível, bem arranjado e comunicando com quem ainda não o conhece/adquire.
Este é o desafio que as estruturas do futebol português e sobretudo os clubes têm pela frente. Nos últimos anos, a Liga fez um esforço na Carlsberg Cup e garantiu dois patrocinadores de grande fôlego (Unicer e Central de Cervejas). Mas a verdade é que o número de espectadores nos estádios decresceu e as audiências televisivas em canal aberto são hoje mais baixas do que há um ano.

Outra realidade: o futebol de primeira qualidade é um bom produto televisivo, que gera audiências. Mas o campeonato não se adequa à categoria «primeira qualidade», por isso na tabela anual de programas mais vistos em 2009 não aparecerá, estou certo disso, nenhum jogo da Liga Sagres nas primeiras 25 posições. (a partida mais vista esta época, um Benfica-Naval, teve audiência média de 1.8 milhões de espectadores; a estreia da novela «Deixa que te leve», da TVI, fez na segunda-feira 2.3 milhões).

As televisões precisam de futebol de «primeira qualidade»? Sim, basta olhar para as tabelas de programas mais vistos. Mas se continuar como está o futebol profissional português será um produto cada vez menos interessante. Por isso menos visto, logo menos «comprado». Logo, pobre.

Provavelmente nada disto interessa aos adeptos dos clubes, nos dias em que ganham. Mas devia preocupar quem está obrigado a fazer contas, sobretudo se tiver como ambição que algum dia saiam do vermelho.

Nota: As fotos e os destaques a negrito são da minha responsabilidade.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Vai uma Super Bock?

Conforme é sabido, a UNICER e o FC Porto assinaram um contrato de patrocínio para as próximas três épocas. Assim, a partir de 1 de Julho, a marca 'Super Bock' irá substituir o BES nas costas do equipamento oficial do FC Porto e também irá surgir nos equipamentos de treino e de saída dos jogadores e da equipa técnica.

Embora não tenha nada de especial contra o BES (não sou cliente e não gosto da cor, mas isso é um pormenor), fico muito satisfeito por o FC Porto ter deixado de ser patrocinado pelo "Banco do Sporting" e, em sua substituição, ter reforçado a parceria com a UNICER (ligação que existe há 15 anos), a qual é líder do mercado das bebidas e uma das poucas grandes empresas nacionais que mantém a sua sede e administração na região do Porto. É o chamado dois em um! E o timing não poderia ser melhor, visto o SLB ter reforçado a sua ligação à Sagres.

Com este contrato, a UNICER torna-se no principal parceiro comercial do FC Porto, em virtude deste acordo abranger igualmente outras modalidades do clube - as equipas de Andebol, Atletismo, Basquetebol e Hóquei em patins serão patrocinadas pela marca Vitalis, igualmente detida pela UNICER - além de que, conforme é sabido, o campo da Constituição ter sido totalmente renovado com o apoio da UNICER em contrapartida do naming (daí a designação Vitalis Park).


Para além dos patrocínios, outro aspecto que me agrada neste acordo é o envolvimento do FC Porto num torneio a realizar em Luanda, em 2010.
"A disputa da Taça Super Bock em Luanda faz parte do contrato que fizemos com Sporting e FC Porto. Queremos que seja uma prova com regularidade anual e estamos a fazer todos os esforços para que a selecção angolana, patrocinada pela Cristal, também entre na competição"
António Pires de Lima, presidente da UNICER

Na minha opinião, o crescimento da marca FC Porto passa, em grande parte, pelas comunidades lusófonas espalhadas pelo Mundo e daí ser estratégico o reforço da ligação aos PALOP, particularmente a Angola e a Moçambique.

Como se tudo isto não bastasse, ainda por cima sou apreciador e consumidor desta cerveja (nada como uma Super Bock fresquinha para acompanhar uma francesinha...)


Nota: Quem for abstémio pode sempre beber uma água Vitalis...

quarta-feira, 25 de março de 2009

O mito dos 6 milhões


«O consultor Ricardo Luz, autor do relatório ‘As marcas do futebol português - ano 2008’, explicou ser difícil analisar qual o clube vencedor no campeonato das marcas, embora tenha realçado a supremacia nos resultados do FC Porto nos últimos anos.

Há períodos diferentes no futebol: O Sporting foi dominante em determinada altura, tal como o Benfica. O FC Porto tem dominado claramente nos últimos anos e, pelos resultados, é a marca mais credível, porque ganhou a maioria das competições a nível nacional, conseguindo também títulos internacionais. Mas olhamos para a história como um todo e os três grandes têm todos períodos de dominância”.

Entrevistado, o gestor frisou que uma grande empresa não se consegue manter se não tiver resultados e explicou que estes resultados devem ser potencializados sistematicamente.

O clube que não potenciar os resultados desportivos está a perder oportunidades para conseguir mais receitas que, depois, se repercutirá na qualidade da equipa. Tudo isto é um circuito cada vez mais ligado”, disse. (...)

Para Ricardo Luz, a “indústria está a crescer”, havendo, por isso, “muita gente na Ásia, por exemplo, que, hoje, é adepta de clubes na Europa. Com as novas tecnologias, rapidamente passam a consumidores, porque vão a Internet, compram as camisolas dos jogadores preferidos e conseguem ver os jogos. O mercado é global e há aqui uma oportunidade excelente para os clubes. Mas também uma ameaça, como tudo na vida, já que todos os clubes combatem no mercado”. (...)»

in Lusa / SOL, 18/02/2009

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«O FC Porto é o clube de futebol que mais adeptos conquista pela meritocracia, enquanto Sporting e Benfica garantem apoiantes pela área geográfica ou influência familiar, segundo Carlos Liz, autor do estudo ‘O Futebol, as marcas e os adeptos’.

Na conferência Sports Marketing 09, hoje organizada no Porto pelo Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), Liz defendeu que os "azuis-e-brancos" têm crescido de forma evidente no número de adeptos por causa da mentalidade vencedora instaurada.

"No nosso estudo, as pessoas mais velhas, para cima dos 40 e tal anos, são do Benfica e Sporting, mas quando se desce na idade, particularmente para as crianças, verifica-se um aumento de adeptos do FC Porto. Não há o critério de família ou região, mas da meritocracia. E o FC Porto tem sido mais ganhador, logo, os mais jovens, vão para o que consideram melhor", disse.

O director-geral da Área de Planeamento e Estudos de Mercado (APEME) concluiu que, há anos atrás, os adeptos escolhiam os clubes porque os pais assim o exigiam ou desejavam e afirmou também que, a criação de um novo modelo familiar também terá alterado as possibilidades de escolha.

"O FC Porto é escolhido pelo mérito. Por isso, os outros clubes (Benfica e Sporting) têm de fazer pela vida para continuarem a merecer a atenção dos adeptos. Estamos perante um novo modelo de escolha", explicou.

in O JOGO, 25/03/2009



Isto são mais duas machadadas no mito dos 6 milhões mas, claro, não têm qualquer credibilidade. Aliás, suspeito que estes dois estudos foram pagos pelo Pinto da Costa...

domingo, 12 de outubro de 2008

Inovar no marketing e merchandising

Em 31 de Março de 2006, a PortoComercial - Sociedade de Comercialização, Licenciamento e Sponsorização assinou um contrato com a TBZ - Marketing Acções Promocionais tendo em vista uma melhor exploração de tudo o que anda à volta da marca FC Porto.
Contudo, as coisas não correram lá muito bem (para não dizer que correram mal) e em Junho passado o FC Porto renegociou o contrato para a cedência da exploração comercial da sua marca e das áreas comerciais do clube com a TBZ, estando assegurada "uma receita mínima global de 8,9 milhões de euros até 2016", segundo informação prestada pela SAD à CMVM.
A alteração contratual visou a exclusão da "gestão e exploração das áreas comerciais do FC Porto, passando esta actividade a ser gerida directamente pelo Grupo FC Porto".

Como o marketing do FC Porto tem andado com falta de ideias para tirar partido da marca FC Porto, que só em Portugal tem mais de dois milhões de adeptos, aqui vão alguns exemplos de iniciativas inovadoras promovidas por dois clubes sul-americanos.

1. O Hotel do Boca Juniors

«Um cemitério, desenhos animados, uma companhia de táxis e agora um hotel. A marca Boca Juniors, que conta já com 900 produtos e serviços, não pára de crescer (...)
Líder absoluto das ideias insólitas na área da comercialização da marca, o clube mais popular da Argentina anunciou recentemente que vai construir um hotel de cinco estrelas em Buenos Aires, o Boca By Design Suites. (...)


Será o primeiro hotel temático de um clube de futebol, que custará cerca de 14 milhões de euros. Um investimento (a cargo da empresa Design Suites) que os responsáveis do clube acreditam ter retorno em poucos anos.

"Há milhões de fãs do Boca que já devem estar a sonhar com a possibilidade de passar algum fim-de-semana neste hotel ao lado dos seus ídolos", comentou o presidente do Boca Juniors, Pedro Pompilio, quando apresentou o projecto.

A diária num quarto simples irá custar cerca de 200 euros, e as suítes devem oscilar entre os 250 e os 325 euros. Serão 89 quartos, distribuídos entre 17 andares e baptizados com os nomes dos jogadores mais importantes do clube. A suíte presidencial, como não podia deixar de ser, chamar-se-á Diego Armando Maradona.


Tudo transportará os hóspedes para os 103 anos de história do clube. As paredes serão forradas com imagens interactivas de antigos craques. Os empregados serão especialistas de futebol - quase com habilitações para serem treinadores - e umas das suas obrigações é saber de cor todas as importantes datas, troféus conquistados, golos decisivos. À mesa, o prato fará alusão a figuras da equipa e a símbolos do clube.


O Boca By Design Suites, além de restaurantes e bares, terá um canal de TV temático, uma piscina com tela gigante para os jogos, uma biblioteca temática sobre o clube, salas de conferências e salões para festas. Não faltará uma megaloja com produtos da marca Boca, um verdadeiro fenómeno de vendas.
O azul e o amarelo predominarão no empreendimento, que ocupará uma área de 7500 metros quadrados. Os jogadores do Boca serão hóspedes frequentes, já que o hotel passará a ser o local habitual de concentração da equipa.»
in DN, 04/10/2008


2. Nomes dos adeptos no carro do Corinthians


Corinthians quer colocar nomes de torcedores no carro da Superliga
por Agência Corinthians
10/09/2008

«Devido à grande repercussão da ação de marketing “O Timão Tem a Sua Cara”, na qual o Corinthians vai nome dos torcedores na camisa oficial do time, o clube resolveu replicar a experiência no carro do Timão na Fórmula Superliga, modalidade do automobilismo que congrega os maiores times de futebol do planeta.

Segundo o Vice-Presidente de Marketing do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg, a idéia surgiu para atender os torcedores que não terão condições de comprar um espaço na camisa do clube - o preço por foto, ainda em estudo, é de cerca de R$ 1 mil.

Já o preço para colocar o nome no carro alvinegro do Corinthians deve atingir cerca de R$ 40, e serão aproximadamente 10 mil nomes. Além de ver seu nome no carro pilotado por Antonio Pizzonia, apresentado hoje como novo piloto da equipe, o torcedor ganhará um certificado e participará de promoções. A ação de marketing está em fase de planejamento e ainda não tem uma data de início.»