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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Um médio de top internacional

Tal como já tinha acontecido aquando da saída de Paulo Assunção, há cerca de um ano atrás repetiu-se o mesmo “drama”, devido à inevitável saída do Fernando (foi para o Manchester City ganhar 5x mais do que aquilo que ganhava no FC Porto). De facto, o “polvo” era um jogador muito importante nas tarefas defensivas (na transição defensiva, como agora se diz) e a sua saída foi uma baixa importante, aparentemente difícil de colmatar.

Em meados de Julho de 2014 chegou Casemiro e, entre os adeptos portistas, não faltou quem torcesse o nariz.
Porque vinha emprestado pelo Real Madrid (clube onde jogava pouco).
Porque o Casemiro era um Nº 8 e não tinha rotinas de jogar a Nº 6.
Porque era um jogador que não tinha timing de entrada à bola e, por isso, fazia demasiadas faltas.
Porque quem devia ser titular era o Rúben Neves.
Etc.

Contudo, Casemiro cresceu muito com Lopetegui (tal como outros jogadores), ao longo da época foi-se adaptando à nova posição e atualmente já (quase) ninguém “chora” por Fernando.

Casemiro, a Figura do FC Porto x Basel (O JOGO, 11-03-2015)

Casemiro, a Figura do SLB x FC Porto (O JOGO, 27-04-2015)

De facto, Casemiro é um médio mais completo que o Fernando porque, para além das missões defensivas (marcar, dobrar os laterais, “limpeza” à frente da área, etc.), aspectos em que melhorou muito, mas ainda sem ser tão bom como era o Fernando, tem outras qualidades onde é muito superior ao anterior médio-defensivo do FC Porto.
Quais?
A colocar a bola à distância.
A rematar à baliza de fora da área.
Na marcação de livres a 20-25 metros da baliza.
A surgir na área a finalizar, na sequência de cantos ou livres laterais ofensivos.
(em apenas uma época, Casemiro marcou mais golos neste tipo de lances de bola parada, do que o Fernando nos anos todos em que esteve no Porto)

No final da época, Casemiro já era visto como um dos jogadores fundamentais no onze portista e, não por acaso, está entre os 23 eleitos de Dunga para a Copa América (onde também há um jogador do Manchester City, mas não é o Fernando, é o Fernandinho…).

Opção de compra exercida (O JOGO, 29-05-2015)

Esta época de empréstimo ao FC Porto foi, sob todos os aspectos, a melhor coisa que aconteceu ao Casemiro desde que saiu do Brasil para vir jogar na Europa. Falta saber se, para o ano, vai continuar no Porto. Eu espero bem que sim.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Bateu no fundo

Sobre o jogo de ontem em Guimarães, não há muito de novo a dizer. Assim sendo, aqui vão meia dúzia de reflexões curtas.

i) Guarda-redes, defesas e médios defensivos do FC Porto
Helton, Fabiano, Danilo, Otamendi, Mangala, Maicon, Abdoulaye Ba, Alex Sandro, Fernando e Defour.
10 jogadores. Todos eles faziam parte do plantel 2012/2013, que esteve à disposição do treinador bi-campeão Vítor Pereira, o qual, convém lembrar, terminou o campeonato sem derrotas.
Um ano depois, era suposto que estes jogadores (a maior parte Sub-25) tivessem evoluído em termos de cultura táctica e que, fruto de um conhecimento mutuo maior, as rotinas entre eles estivessem ainda mais consolidadas.
Qual é a realidade?
Em termos defensivos, o FC Porto 2013/2014 é um autêntico passador e estes mesmos jogadores, que na época passada formavam uma defesa de betão (14 golos sofridos nos 30 jogos do campeonato), parecem baratas tontas dentro do campo.

ii) O mito do plantel fraquinho
Ainda ontem voltei a ouvir na televisão, como desculpa para esta época horribilis do FC Porto, que o treinador atual não tem à sua disposição Falcao, Hulk, James e Moutinho.
É um facto.
Como também é um facto que na época passada já não houve Falcao e Hulk.
Como também é um facto que nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2013 não houve James (lesionado) e Atsu (na CAN) e, em vários jogos, Vítor Pereira teve mesmo de recorrer a jogadores da equipa B (Sebá e Tozé).
Como também é um facto que na época passada não havia Herrera, Josué, Carlos Eduardo, Quintero, Quaresma ou Ghilas, de modo a que o treinador pudesse ter alternativas para o onze inicial ou para situações de castigos, lesões ou abaixamentos de forma dos habituais titulares.

iii) Ghilas
Depois do que já tinha mostrado nos 40 minutos que jogou em Frankfurt, Ghilas voltou a mostrar que pode ser muito útil (se entrar mais vezes antes do minuto 85…) e que no tal plantel fraquinho existem soluções alternativas de qualidade.

P.S. O jornal O JOGO diz que a coisa bateu no fundo. Não estou certo que assim seja e, vendo o que a equipa (não) joga, receio bem do que possa acontecer até ao final desta época.

P.S.2 Não sei assobiar, nunca levei lenços brancos para o estádio e acho lamentável que se insulte o treinador do FC Porto, seja ele quem for.

P.S.3 Se os sócios e adeptos portistas estão descontentes, irritados e querem pedir satisfações a alguém, não é com certeza ao treinador atual do FC Porto que se devem dirigir. Que eu saiba, o clube tem presidente e a SAD tem uma administração, que é quem toma as decisões.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Onde está a cabeça de Fernando?


Fico feliz por estar neste grande clube, mas vamos ver. Depois de tudo o que vivemos e daquilo que conquistei aqui dentro, vários títulos, que foram oito, penso que a melhor altura para sair seria esta. Fala-se muito na Itália, mas vamos ver. (…) todos os jogadores sonham em jogar em grandes campeonatos.

Estas declarações de Fernando, feitas imediatamente após a Final da Taça de Portugal, são reveladoras do estado de espírito do jogador, sendo claro que, para ele, se fechou um ciclo no passado domingo.

Ao ouvi-las, lembrei-me de declarações idênticas feitas no mesmo local, há um ano atrás, por Raul Meireles e Bruno Alves. Por outro lado, não pude deixar de rever mentalmente as últimas exibições que Fernando fez ao serviço do FC Porto. De facto, quer na Final da Liga Europa, quer no jogo do Jamor, o trinco brasileiro esteve vários furos abaixo do habitual, revelando uma grande desconcentração competitiva e cometendo erros crassos que, não fora as extraordinárias defesas de Helton e Beto, poderiam ter comprometido o sucesso da equipa nestas duas competições.

Aparentemente, a cabeça de Fernando já está noutro clube/campeonato (Itália?) e, assim sendo, penso que se houver uma boa proposta (12 a 15 milhões de euros), a Administração da FC Porto SAD faria bem em vender o seu passe, mesmo por um valor abaixo da cláusula de rescisão, até porque existem alternativas no plantel.
Quais?
Para além das possíveis adaptações de Guarín, Moutinho ou Castro à posição 6, existe Souza, o qual, na próxima época, já estará perfeitamente adaptado ao futebol português, ao clube, aos companheiros de equipa e às ideias de André Villas-Boas.
Não por acaso, no momento em que partiu para férias no Brasil, o ex-Vasco da Gama afirmou: “Sabemos que a Europa tem equipas de maior expressão e o Fernando quer conhecer outros ares. Ele tem essa possibilidade e, se acontecer, vou ficar feliz não só por ter a oportunidade de jogar mais, mas sobretudo por ele e pela sua família.

Havendo, como há, boas alternativas no plantel, só falta uma proposta aceitável para que todas as partes fiquem satisfeitas: Fernando, Administrador Financeiro da SAD e… o Souza!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

"Como Bolatti há poucos"


"Como Bolatti há poucos. Hoje em dia, é o destaque no futebol argentino e sê-lo-ia também no Barcelona, com Xavi e Iniesta, que são o motor da equipa. Eles mostram que não é preciso ser-se sobredotado fisicamente, mas que é uma questão de inteligência e mentalidade".
[Bolatti é] um futebolista que entende bem o jogo, um jogador que recupera bolas sem ter de fazer falta, graças ao excelente posicionamento em campo. Não só organiza bem como é preciso e simples quando é necessário sê-lo. Também é contundente mais à frente, cabeceia bem e tenta o remate de fora da área"
Fernando Redondo (em entrevista ao jornal argentino Olé)


Estaremos a falar do mesmo Bolatti que, sempre que teve oportunidades, foi uma decepção no FC Porto?

Mario Bolatti foi contratado pelo FC Porto no Verão de 2007 (passe 2 milhões de euros, contrato de 4 anos), mas com Paulo Assunção de pedra e cal (os próprios companheiros de equipa consideravam-no um elemento fundamental) revelou-se impossível conquistar a titularidade.
Contudo, no Verão de 2008 surgiu uma oportunidade de ouro. Recorrendo à lei Webster, Assunção rescindiu unilateralmente o contrato e pensou-se que Bolatti iria ocupar o seu lugar na equipa, mas tal não aconteceu e acabou por ser Fernando a impor-se como o novo médio defensivo dos dragões.

Durante o ano e meio em que Bolatti envergou a camisola azul e branca, participou em 19 jogos oficiais (15 para o campeonato), num total de 745 minutos, e a ideia que ficou é que lhe faltava ritmo, intensidade e garra para ser o "trinco" do onze de Jesualdo Ferreira.
Pelos vistos, ao serviço do Huracán o seu desempenho tem sido diferente, para muito melhor, e até Maradona o convocou para o jogo particular que a Selecção Argentina disputou recentemente na Rússia.

Em virtude do grande desempenho no Torneio Clausura (Janeiro a Junho de 2009), que o próprio considerou os melhores seis meses da sua carreira, admiti que Bolatti pudesse regressar para integrar o plantel 2009/10, até porque Andrés Madrid não convenceu e Pelé é uma carta fora do baralho. Contudo, de forma algo surpreendente, os responsáveis da FCP SAD preferiram investir (3,5 milhões? 4,2 milhões? não se sabe, não foi comunicado à CMVM) na compra do passe de Prediger, um outro médio do campeonato argentino mas com menos créditos do que Bolatti.
Perante este facto, e tal como aconteceu com Ibson, tudo indica que a hipótese de Bolatti regressar ao FC Porto é muito reduzida, ou mesmo nula, pelo menos enquanto Jesualdo for o treinador.

Entretanto, soube-se que a sociedade desportiva portista vendeu 30 por cento do passe de Bolatti ao agente FIFA Marcelo Simonian e os restantes 20 por cento ao Huracán, num negócio cujos valores também não foram comunicados à CMVM, e em que supostamente o Huracan passa a ser responsável pelo pagamento na íntegra do ordenado do jogador.

Esta notícia não surpreende e vem na linha de uma outra notícia de Julho passado, que referia um valor de 2 milhões de euros pela venda dos mesmos 50% do passe, aos quais seriam abatidos os 900 mil euros que o Huracán tem a receber correspondente à formação de el comandante (Lucho começou a jogar futebol nas escolas do Huracan aos 14 anos, onde permaneceu até aos 21).

Enfim, custa a acreditar que o médio que está emprestado ao Huracán seja o mesmo que teve exibições tão pobres com a camisola azul-e-branca, mas se continuar na senda das boas exibições não devem faltar grandes clubes interessados, certo?
Se assim for, como a FC Porto SAD permanece detentora de 50% do passe de El Gringo, ainda é capaz de fazer um bom encaixe...

terça-feira, 9 de junho de 2009

Jesualdo e os "números seis" do plantel


«[O Pelé] não tem o traço, nem de carácter nem de estrutura táctica, para ser o “seis” que o FC Porto precisa. Isto sem colocar em dúvida minimamente as qualidades grandes que o Pelé tem. Poderá não ser o “seis” que o FC Porto deseja, mas poderá sê-lo noutro clube qualquer ou noutro país.
[Andrés Madrid] fez uma tarefa importante, que foi ficar na segunda linha relativamente ao Fernando. Quando utilizado, cumpriu sempre. É tacticamente muito evoluído. É o único do actual plantel com capacidade para substituir o Fernando.»
Jesualdo Ferreira, PUBLICO, 05/06/2009


Enquanto Jesualdo for o treinador do FC Porto o Pelé não volta a calçar.

Quanto ao Andrés Madrid, apesar do desempenho fraquinho (na minha modesta opinião) que teve nos jogos em que foi chamado, continua a merecer a aprovação e a confiança do Jesualdo. Ou seja, não será por haver um parecer técnico negativo, bem pelo contrário, que Andrés Madrid não ficará no plantel 2009/10 como alternativa a Fernando para a importante posição seis. Tudo depende das negociações entre o FC Porto e o Braga.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Qual a melhor opção para médio-defensivo?


Raul Meireles foi eleito por maioria (44%, correspondendo a 68 votos) como "a melhor opção para médio-defensivo" para esta época no FC Porto.

Num honorável segundo lugar, a grande distância tanto do primeiro, como de todas as outra opções, surge Fernando com 43 votos (28% das opções). A terceira opção mais votada vai para a "Outro (a contratar)" com 13% das votações (20). Ibson com 8 votos (5%), Tomás Costa com 6 votos (3%) e Guarín com 5 (3%) ficaram com as posições seguintes.
Destaque para o último lugar de Bolatti que parece ter caído em descrédito, tendo obtido apenas 1 voto. Com um voto também fica a opção "Outro (do plantel)" que previa o desvio de outro atleta para aquele lugar.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A duas semanas do 1º jogo oficial, que sectores precisam de ser reforçados?


A maioria dos votantes nesta sondagem consideram que o sector que mais precisa de ser reforçada é o de "Defesas laterais" com 41 votos (37%).

O "Meio campo defensivo" foi o segundo sector mais votado com 30% dos votos (33). Muito próximos nas escolhas dos participantes desta sondagem, ficaram as opções "Pontas de lança" e "Meio campo ofensivo" com 22% (24) e 21% (23) dos votos respectivamente. No outro extremo a nível de resultados ficaram os "Defesas centrais" e os "Guarda-redes" com apenas 5 (4%) e 3 (2%) votos.

Médio-defensivo do FC Porto

Quando comecei a ir ao futebol, em meados dos anos 70, os meus ídolos eram o Oliveira e, principalmente, o Gomes. O Oliveira fazia jogadas geniais, mas o Gomes marcava golos atrás de golos e os miúdos (e graúdos) sempre gostaram dos jogadores que marcam muitos golos.
Havia também um jogador que jogava com a camisola Nº 6 e que era o capitão da equipa – Rodolfo dos Reis Ferreira – mas esse era raro marcar um golo e era mais notado por impor respeito dentro do campo, aos nossos e aos deles.


Quando o Rodolfo deixou de jogar (nunca jogou noutro clube que não fosse o FC Porto), quem passou a ocupar o seu lugar na equipa foi o Jaime Pacheco, também conhecido por Jaime I (no plantel havia outro Jaime – Jaime Magalhães – também conhecido por Jaime II). O Jaime Pacheco não era tão mandão como o Rodolfo, mas corria como o caraças e começou a dar muito nas vistas, ajudando o FC Porto a chegar à final de Basileia e, passado umas semanas, os “patrícios” a brilharem no Europeu de França de 1984.

Contudo, verdadeiramente eu só reparei na importância do Jaime Pacheco quando, em Junho de 1984, o Sporting desferiu um ataque ao FC Porto, aliciando dois dos “esteios da equipa” (era assim que se dizia na altura) a rescindir o contrato, alegando falta de condições psicológicas...
Eles lá foram ganhar dinheiro para Lisboa, mas apesar do presidente do Sporting – João Rocha – ter ameaçado levar a equipa toda, a resposta de Pinto da Costa às contratações de Sousa e Jaime Pacheco foi cirúrgica, tendo ido buscar ao Sporting um miúdo que os leões se preparavam para emprestar à Académica: Paulo Futre.

Mas voltando aos trincos, com a saída de Jaime Pacheco, Pedroto, apesar de doente, deu indicação para o FC Porto contratar um jogador ao Varzim – António André.

Nascido no seio de uma família de pescadores das Caxinas, Vila do Conde, André tornou-se num exemplo de dedicação, aliando a sua força à raça / entrega em cada partida.
A comunicação social, e eu também, começou a prestar muita atenção ao novo médio-defensivo dos “dragões” tendo, rapidamente, sido claro que o FC Porto tinha ficado a ganhar com a troca, ao ponto de passado dois anos Pacheco e Sousa terem voltado ao FC Porto, mas André nunca mais perdeu a titularidade.

A seguir a André o FC Porto teve vários jogadores que ocuparam a posição 6, entre os quais se destacam o brasileiro Emerson (pela sua força – Bobby Robson dizia que ele tinha dois corações) e Paulinho Santos, também ele um homem das Caxinas e também ele de antes quebrar que torcer.

Na segunda metade dos anos 90 e início do século XXI o lugar de médio defensivo foi perdendo peso dentro da equipa, até que em Janeiro de 2002 Mourinho chegou às Antas e apostou em Costinha como pivot defensivo.

Costinha nunca foi um jogador de grandes correrias, mas tinha um posicionamento e leitura de jogo fora do comum, para além de ter um bom jogo de cabeça e, por isso, ser várias vezes decisivo em lances de bola parada.

Costinha foi um jogador fundamental nas equipas de Mourinho e aquando da sua saída, no final da época 2004/05, pensou-se que seria muito difícil de colmatar, mas o FC Porto fez regressar Paulo Assunção, que estava emprestado ao AEK de Atenas, o qual fez três épocas de muito bom nível – 2005-08 – até fazer uso da lei Webster para sair do FC Porto.

Mas afinal, que características deve ter um bom médio-defensivo (“trinco”)?

Garra, pulmão, agressividade e disponibilidade para correr quilómetros, tipo Jaime Pacheco, André, Paulinho Santos ou Petit?

Bom posicionamento, correcta leitura de jogo e rigor táctico, tipo Costinha ou Paulo Assunção?

Na minha opinião, a missão de um médio-defensivo é muito mais que o ocupar de espaços e interceptar linhas de passe. Isto é importante, mas não é tudo.

Conforme escreveu Luís Freitas Lobo, em 21/12/2005, “quando uma equipa tem a bola, a única certeza que tem é que o passo seguinte é…perde-la. A solução para essa fatalidade é, desde logo, perde-la o mais longe possível da sua área e em zonas laterais que não facilitem o contra-ataque rápido do adversário”.

Ou seja, é fundamental que o médio-defensivo seja muito eficaz no passe, tocando a bola para trás e serenando o jogo quando é preciso, abrindo nos flancos, ou verticalizando o jogo e fazendo um passe de ruptura quando surge uma oportunidade.

Evidentemente, não é fácil encontrar um jogador com todas estas características e, quando surgem, estão fora do alcance das bolsas dos clubes portugueses – Albertini, Paulo Sousa, Guardiola, Redondo, Pilro, Marcos Assunção, etc.

Paulo Assunção fez 39 dos 46 jogos do FC Porto na época passada, um dado que traduz a sua importância na equipa. Ora, olhando para o plantel desta época, qual a opção mais indicada para o substituir?


Se a escolha fosse baseada no número que cada um dos jogadores tem nos calções e nas costas, estava feita: seria Guarín.

Contudo, e conforme já escrevi em comentários a alguns artigos, na minha opinião o Guarín não tem as características necessárias para jogar na posição 6. Falta-lhe rigor táctico, leitura de jogo e qualidade de passe. Acredito que, bem trabalhado, poderá dar um excelente número 8, mas duvido que algum dia venha a ser um bom número 6.

Por isso, nesta altura, a minha escolha para jogar na posição 6 seria o Raul Meireles.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Análise do plantel 2007/2008: Médio defensivo

O FC Porto teve no seu plantel Paulo Assunção, Bollati e Castro para ocuparem a posição de médio defensivo. Até ao dia da publicação deste artigo, este quatro jogadores tinham participado no seguinte número de jogos:


CP

LC

TP

TL

ST

LI

Paulo Assunção

26

08

02

00

01

00

Bollati

15

02

00

01

00

04

Castro

02

00

00

00

00

12



A posição de médio defensivo é uma posição que no FC Porto, à excepção da época de 04/05, na qual a estabilidade tem sido preponderante para o desempenho da equipa. Até à época de 04/05 a posição pertencia a Costinha há já algum tempo, sendo este lugar agora ocupado por Paulo Assunção com igual ou melhor sucesso. Bollati tem-se revelado um jogador com qualidade em algumas fases da época e a Castro pode augurar-se um futuro interessante se tiver as oportunidades pelas quais tem lutado por merecer.

Paulo Assunção é um dos jogadores em maior destaque do plantel, sendo dos médios defensivos actualmente no plantel principal o que mais provas tem dado da sua capacidade. Paulo Assunção tem primado pela regularidade com que tem jogado, sempre num patamar de alto nível. Apesar de não ser muito forte fisicamente, a capacidade de trabalho e de sacrifício têm feito dele um jogador importante. Com bom sentido de posição é importantíssimo na manobra defensiva da equipa, dobrando os companheiros de equipa com extrema facilidade. Tem a capacidade de subir no terreno mantendo a mesma eficiência defensiva, ganhando a equipa com isso a capacidade de recuperação ainda no terreno de adversário. É um jogador completo.

Vindo da argentina no início da época, Mário Bollati atravessou com alguma dificuldade um período de adaptação a um futebol mais rápido e mais agressivo. Com uma estampa física invejável (1,89m) e passada larga, é um jovem com qualidade para assumir as despesas do meio campo defensivo, apesar de ainda necessitar de mais experiência. É bom no jogo aéreo e na marcação, precisando de aperfeiçoar a capacidade de antecipação e a leitura de jogo. Com a bola nos pés é um jogador que permite que a equipa faça uma transição defesa-ataque mais rápida, devido ao bom toque de bola, boa capacidade de passe e qualidade técnica.

Castro é um jovem que fez os seus primeiros jogos no plantel sénior. Tem “fome de bola” e vontade de mostrar futebol. Tendo sido dos menos utilizados, apenas foi possível discernir a boa qualidade técnica e a “raça” com que disputa os lances. Quanto às suas qualidades e defeitos vamos ter de esperar por uma próxima época para as podermos identificar.

Paulo Assunção vai entrar agora no último ano de contrato, ficando no ar a possibilidade de não renovar. É importante então estar atento à evolução de Bollati e Castro, de modo a precaver o futuro com uma possível contratação.