O FC Porto mereceu ter vencido o Bessiktas por mais de um golo de vantagem. Gerou jogo e caudal ofensivo suficiente para isso e raramente esteve ameaçado pelos turcos. O resultado não podia ser mais enganador em relação ao que se viveu no relvado e no entanto é o resultado natural dadas as circunstâncias. Uma equipa que quer atacar um jogo da Champions League com Marega, Hernâni, Soares e André André nos momentos de maior aperto é, claramente, uma equipa fora de lugar. O FC Porto não tem plantel para ombrear com a elite continental e hoje, viu-se, nem sequer para lutar contra equipas do mesmo nível quando o que está em causa é o talento individual. Houve quatro golos no Dragão e nenhum foi de um jogador azul e branco. O talento individual de Quaresma, de Talisca, de Babel ou a liderança de Pepe estão do lado de um Bessiktas que, como qualquer gigante do futebol turco, tem bom dinheiro para gastar e pagar em salários. O FC Porto de há uns anos podia perfeitamente competir com essa realidade e fazia-o. Esta versão não. Sérgio Conceição não tem culpa. Montou um esquema para dominar o esférico e usar os espaços e depois, quando se viu a perder - em duas ocasiões - meteu toda a carne no assador. Atitude e querer nunca faltou à equipa e essa é a melhor nota. Mas só isso não chega. Não a este nível. É a crua e dura realidade.
Também não ajudou que no dia em que bateu o recorde de Xavi e passou a ser o jogador com mais jogos de sempre na história da competição, Iker Casillas estivesse similar ao Iker de há dois anos, o que custou o lugar a Lopetegui. O segundo e o terceiro golo contaram com duas estiradas pouco determinadas, apesar do primeiro ser um disparo tremendo e o segundo ser uma tabela básica que deixou a nu as falhas defensivas que oferecem os laterais do FC Porto, neste caso Alex Telles, que depois de ver como tinha de ser dobrado no seguimento ao seu homem, esqueceu-se de acompanhar Babel e este conseguiu disparar a belo prazer, um remate que Iker Casillas podia ter feito mais para parar. Não o fez e o jogo morreu, matematicamente, ali. Na prática, apesar da sensação de máxima entrega, já tinha morrido quando todos perceberam que a linha ofensiva do Porto era inofensiva frente á baliza. Pouco acerto. Muito pouco para tanto caudal. Se com NES o problema era chegar á frente e criar perigo - e cada lance de André Silva era um oásis - aqui o problema é que a qualidade individual dos interpretes não está à altura da quantidade de opções criadas. Oliver e Brahimi, na primeira parte, e o argelino e Otávio, no segundo tempo, bem se esforçaram e fizeram mexer as peças do puzzle mas nem Ricardo nem Alex estiveram acertados nem apoio nem os dois avançados titulares - a baixa de Aboubakar hoje deu um reflexo do que poderá passar se o camaronês se lesiona - mostraram estar á altura entre manos a manos desperdiçados e remates sem sentido. Nem sequer a meia distância, que ás vezes pode fazer a diferença, resultou efectiva. O Porto fez um jogo à Porto no querer e na atitude mas não foi suficiente para bater um Bessiktas que, na prática, é uma equipa banal e a mais débil do grupo. Na altura do sorteio ficou claro que este grupo, sem nenhum cabeça de cartaz, pode acabar com o Porto em primeiro ou em último. Os sinais de hoje deixam claramente a sensação que com um plantel tão curto - uma vez mais não havia um só ponta-de-lança no banco para lançar - é muito difícil aspirar a algo mais do que ir amealhando pontos e euros e ver o que passa sem tirar a cabeça do que deve ser prioritário, a Liga.
Ao trabalho de Conceição, como tem sido apanágio, não há muito a dizer que não seja positivo. A retirada de um esforçado Oliver, que teve nos pés grandes destelhos e duas excelentes ocasiões, entende-se no conjunto da gestão de esforços e na ausência de opções de ataque, pouco se lhe podia exigir quando a terceira substituição resultou ser Hernâni. Em atitude, capacidade de empurrar a equipa para a frente e mostrar, ao abdicar de Danilo - que continua sem se sentir totalmente cómodo neste modelo - vontade de ganhar contra tudo e todos, foi o mesmo treinador que nos jogos da Liga, um excelente sinal de atitude ganhadora. Mas quando os erros individuais - de Casillas atrás e da linha de ataque frente a Fabricio - condenam o resultado final, pouco mais há a dizer. O enfoque principal é o que é. O plantel é curtíssimo e não podemos exigir pérolas a porcos. Quem é o responsável desta gestão - mais uma vez, por culpa da sanção da UEFA só havia 19 jogadores disponíveis para o técnico trabalhar opções - e da falta de um plantel de garantias que dê a cara no momento oportuno. Técnico e jogadores deram tudo o que tinham. Nalguns casos o melhor que têm é isto e não há como disfarçar. Pode, perfeitamente, ser suficiente para consumo interno como o Benfica tem vindo a demonstrar com planteis tão fracos e jogadores tão ineptos, ainda que eles tenham sempre um joker na manga e a chamada do público em cada jogo para utilizar em momentos de aperto, mas quando falamos de Champions League não há milagres. Venha o próximo duelo a sério!
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quarta-feira, 13 de setembro de 2017
segunda-feira, 17 de abril de 2017
E sai Brahimi...
Acho que ninguém tem dúvidas. Yacine Brahimi é o melhor jogador da liga portuguesa.
Nem benfiquistas, nem sportinguistas nem qualquer adepto dos restantes clubes (que, infelizmente, são poucos em Portugal) encontrará seguramente um jogador com tanto talento individual e capacidade para decidir jogos como o argelino. A sua estranha (e ainda por explicar) suspensão nos primeiros meses do ano podem ter sido os detonantes das aspirações do Porto ao título e a sua curta visita à CAN foi providencial para manter o jogador disponível e fisicamente preparado para os decisivos meses finais de competição. E no entanto, nos jogos mais importantes do ano, Nuno Espirito Santo tomou sempre a mesma decisão...tirar Brahimi antes dos noventa minutos.
O argelino completou apenas dois jogos na sua totalidade ao largo da temporada na liga.
O primeiro, a 11 de Dezembro, contra o Feirense. O segundo, no fatídico empate frente ao Setúbal há três semanas. Foi substituido um total de 13 vezes nos jogos em que foi titular e em quatro ocasiões foi suplente utilizado. Tudo isto num jogador que não jogou os primeiros quatro jogos do ano nem foi sequer utilizado frente ao Benfica. Dito por outras palavras, o melhor jogador do campeonato não disputou qualquer Clássico na primeira volta e foi provavelmente o melhor em campo (excluindo Iker Casillas) nos que disputou na segunda. Esclarecedor.
Na plenitude física da idade, sem o desgaste de ter começado a jogar a titular como os restantes colegas no início de Agosto - só a finais de Setembro passou a ser considerado como opção e nos meses seguintes a sua participação foi gerida a conta-gotas - não se pode falar nem de cansaço acumulado nem de fatiga. Menos ainda quando as suas substituições ocorrem sempre no final dos encontros, quando qualquer jogador top pode fazer a diferença, entre lances de bola parada e os espaços que geralmente o cansaço colectivo provoca no terreno de jogo. Nesses momentos chave, NES considera sempre que Brahimi é prescindível.
Em Braga saiu com dez minutos para o fim. Dez minutos de intensa pressão portista. Na Luz, a sua substiuição, marcou definitivamente os minutos finais do jogo dando clara sensação de que a NES o empate lhe servia claramente. Não serviu, como se tem visto. Contra o Sporting, quando os leões se faziam sentir mais presentes no meio-campo do Porto e deixavam mais espaços atrás, o jogo vertical e os passes geométricos do argelino pareceram dispensáveis ao treinador que preferiu dar vinte minutos (intranscendentes) a Diogo Jota. Em nenhum dos casos citados há qualquer referência a problemas físicos (lesões, treinos condicionados nos dias seguintes, queixas visiveis do jogador, etc...)!
Estão a perceber a tendência não estão?
Agora façamos um exercicio.
Escolham os jogos mais dificeis disputados nos anos em que o FC Porto lutava pelo título (Clássicos, jogos com o Boavista na viragem do milénio e com o Braga desde final da década passada) e as suas principais figuras que se chamavam Hulk, Falcao, Lisandro, Deco, Zahovic ou Jardel, só para citar os últimos vinte anos...e vejam quantas vezes nesses encontros decisivos foram substituidos (ou não utilizados por questões técnicas) com resultados adversos aos interesses do Porto?
- Hulk
Foi substituido apenas uma vez em todos os seus anos de Dragão ao peito num jogo de máxima relevância na liga, frente ao Benfica, na 14º jornada do campeonato 2009/10, perdido por 1-0, a vinte minutos do final - sim, o jogo do túnel - tendo sido no ano anterior, o seu primeiro no futebol português, duas vezes suplente utilizado nos Clássicos da primeira volta.
- Falcao
No seu primeiro clássico em Portugal, em 2009, frente ao Sporting, Falcao foi substituido ao minuto 78, depois de ter inaugurado o marcador. Contra os leões no ano seguinte não completou nenhum dos dois jogos, saindo aos 79 minutos na primeira volta (empate a uma bola) e aos 82 no jogo da segunda volta (vitória por 3-2), marcando em ambos jogos.
- Lisandro Lopez
O argentino foi a grande arma ofensiva dos anos do Tetra conquistado entre Adriaanse e Jesualdo. No seu primeiro ano na Europa só completou um Clássico. Foi substituido aos 68 minutos no triunfo em Alvalade (o golo de Jorginho veio depois) e foi suplente utilizado na derrota na Luz. Lesionou-se aos 24 minutos no jogo em casa contra o Benfica. No ano seguinte, já titular indiscutivel, saiu a vinte minutos do final do duelo em Alvalade. Em 2007/08 saiu a cinco minutos do fim na vitória por 1-0 sobre o Sporting com a equipa a vencer.
- Ricardo Quaresma
Em 2004/05, no seu primeiro ano de azul e branco, Quaresma não completou qualquer Clássico. Saiu aos 76 minutos no duelo em Alvalade e aos 78 no triunfo no Dragão frente aos leões e foi suplente utilizado nos dois jogos frente ao Benfica, rendendo Postiga e Diego (um empate e uma vitória). No ano seguinte, já com Adriaanse, disputou apenas um Clássico completo e foi rendido aos 55 minutos na vitória em Alvalade e aos 80 na derrota na Luz tendo jogado os últimos vinte minutos na derrota no Dragão contra o Benfica. No ano seguinte marcou um golo e saiu aos 73 na vitória sobre o Benfica e repetiu feito (golo e substituição aos 73) em Alvalade. Repetiu o mesmo cenário na época seguinte, com três substituições nos dois jogos contra o Benfica e num dos jogos contra o Sporting, nos dez minutos finais do jogo (duas vitórias, uma derrota e um golo seu). Apesar de ter sido substituido regularmente nos Clássicos neste periodo, era titular indiscutivel e disputava os noventa minutos dos restantes jogos do ano, ao contrário de Brahimi.
Na sua segunda etapa, foi suplente utilizado na derrota contra o Benfica da primeira volta e titular no triunfo da segunda volta em 2013/14. No primeiro ano de Lopetegui saiu ao intervalo do jogo com o Sporting em Alvalade e foi suplente utilizado nos três seguintes clássicos.
- Deco
Depois de ter chegado a tempo de ser Pentacampeão, Deco tornou-se imprescindivel nas quatro épocas seguintes. Nesse período apenas foi substituido contra o Sporting em 2000, a quinze minutos do fim e com o Porto a vencer e em 2003, na goleada por 4-1, a seis minutos do fim. Frente ao Benfica foi substituido a seis minutos do fim, depois de receber amarelo, num empate a um golo em 2003/04.
- Zlatko Zahovic
O esloveno passou três épocas de dragão ao peito e no seu primeiro ano foi substituido ao minuto 31 da vitória por 3-1 sobre o Benfica por lesão. No ano seguinte, tal como Jardel, foi suplente utilizado na derrota por 3-0 (quando entraram ambos já o Porto perdia por 2-0) e foi substituido na derrota em Alvalade à hora de jogo (o Porto perdia por 2-0). Foi ainda substituido no último minuto do triunfo contra o Benfica, em casa, em 1998/99.
- Mário Jardel
No seu primeiro ano foi substituido a um minuto do fim do Clássico na Luz, ganho por 1-2, com golo seu. No ano seguinte não completou nenhum duelo com o Benfica, primeiro como suplente utilizado (derrota por 3-0) e depois sendo rendido ao minuto 70 num triunfo por 2-0 quando a equipa já vencia claramente. Em 1998/99 voltou a ser substituido contra o Benfica, num empate a um golo, a três minutos do final e no último minuto de um jogo contra o Sporting, nas Antas, que decidiu com um golo para uma vitória por 3-2.
Ou seja, na imensa maioria dos casos, quase sempre que o jogador em causa foi substituido o objectivo do clube - a vitória - estava assegurado. Raramente isso se deu com Brahimi e NES, tanto na não utilização (dois resultados negativos) como nas substituições (apenas frente ao Sporting se conseguiu o objectivo). E nunca, nos casos citados, os jogadores em questão fizeram apenas 4 jogos completos durante uma temporada de liga. Na imensa maioria dos casos fizeram mais de dois terços do campeonato actuando os noventa minutos o que é muito, muito distinto.
Aos 27 anos o jogador está na melhor forma da sua carreira e tem meio passaporte validado para deixar o Dragão, entre necessidades de Financial Fair Play, do papel da Doyen e do próprio desejo do jogador que já viu barradas as suas aspirações no passado defeso contra aquilo que lhe tinha sido prometido. A sua chegada desde o Granada enquadrou-se num modelo de negócio muito popular á época e que acabou com a proibição da partilha de passes pela FIFA mas as mais valias geradas por uma venda em valores a rondar os 20 milhões serão sempre exiguas. Desportivamente, no entanto, Brahimi foi sempre um elemento diferencial a quem faltou nível na lista de companheiros de ataque e sobretudo um treinador a sério para potenciar todas as suas valências. Se, ainda para mais, em momentos de máxima tensão e intensidade um desses treinadores decide que a sua presença em campo é dispensável, estamos conversados. Brahimi pode sair do Porto sem ter sido nunca campeão mas nunca saberemos se não fomos campeões porque ele não esteve em campo quando devia.
Nem benfiquistas, nem sportinguistas nem qualquer adepto dos restantes clubes (que, infelizmente, são poucos em Portugal) encontrará seguramente um jogador com tanto talento individual e capacidade para decidir jogos como o argelino. A sua estranha (e ainda por explicar) suspensão nos primeiros meses do ano podem ter sido os detonantes das aspirações do Porto ao título e a sua curta visita à CAN foi providencial para manter o jogador disponível e fisicamente preparado para os decisivos meses finais de competição. E no entanto, nos jogos mais importantes do ano, Nuno Espirito Santo tomou sempre a mesma decisão...tirar Brahimi antes dos noventa minutos.
O argelino completou apenas dois jogos na sua totalidade ao largo da temporada na liga.
O primeiro, a 11 de Dezembro, contra o Feirense. O segundo, no fatídico empate frente ao Setúbal há três semanas. Foi substituido um total de 13 vezes nos jogos em que foi titular e em quatro ocasiões foi suplente utilizado. Tudo isto num jogador que não jogou os primeiros quatro jogos do ano nem foi sequer utilizado frente ao Benfica. Dito por outras palavras, o melhor jogador do campeonato não disputou qualquer Clássico na primeira volta e foi provavelmente o melhor em campo (excluindo Iker Casillas) nos que disputou na segunda. Esclarecedor.
Na plenitude física da idade, sem o desgaste de ter começado a jogar a titular como os restantes colegas no início de Agosto - só a finais de Setembro passou a ser considerado como opção e nos meses seguintes a sua participação foi gerida a conta-gotas - não se pode falar nem de cansaço acumulado nem de fatiga. Menos ainda quando as suas substituições ocorrem sempre no final dos encontros, quando qualquer jogador top pode fazer a diferença, entre lances de bola parada e os espaços que geralmente o cansaço colectivo provoca no terreno de jogo. Nesses momentos chave, NES considera sempre que Brahimi é prescindível.
Em Braga saiu com dez minutos para o fim. Dez minutos de intensa pressão portista. Na Luz, a sua substiuição, marcou definitivamente os minutos finais do jogo dando clara sensação de que a NES o empate lhe servia claramente. Não serviu, como se tem visto. Contra o Sporting, quando os leões se faziam sentir mais presentes no meio-campo do Porto e deixavam mais espaços atrás, o jogo vertical e os passes geométricos do argelino pareceram dispensáveis ao treinador que preferiu dar vinte minutos (intranscendentes) a Diogo Jota. Em nenhum dos casos citados há qualquer referência a problemas físicos (lesões, treinos condicionados nos dias seguintes, queixas visiveis do jogador, etc...)!
Estão a perceber a tendência não estão?
Agora façamos um exercicio.
Escolham os jogos mais dificeis disputados nos anos em que o FC Porto lutava pelo título (Clássicos, jogos com o Boavista na viragem do milénio e com o Braga desde final da década passada) e as suas principais figuras que se chamavam Hulk, Falcao, Lisandro, Deco, Zahovic ou Jardel, só para citar os últimos vinte anos...e vejam quantas vezes nesses encontros decisivos foram substituidos (ou não utilizados por questões técnicas) com resultados adversos aos interesses do Porto?
- Hulk
Foi substituido apenas uma vez em todos os seus anos de Dragão ao peito num jogo de máxima relevância na liga, frente ao Benfica, na 14º jornada do campeonato 2009/10, perdido por 1-0, a vinte minutos do final - sim, o jogo do túnel - tendo sido no ano anterior, o seu primeiro no futebol português, duas vezes suplente utilizado nos Clássicos da primeira volta.
- Falcao
No seu primeiro clássico em Portugal, em 2009, frente ao Sporting, Falcao foi substituido ao minuto 78, depois de ter inaugurado o marcador. Contra os leões no ano seguinte não completou nenhum dos dois jogos, saindo aos 79 minutos na primeira volta (empate a uma bola) e aos 82 no jogo da segunda volta (vitória por 3-2), marcando em ambos jogos.
- Lisandro Lopez
O argentino foi a grande arma ofensiva dos anos do Tetra conquistado entre Adriaanse e Jesualdo. No seu primeiro ano na Europa só completou um Clássico. Foi substituido aos 68 minutos no triunfo em Alvalade (o golo de Jorginho veio depois) e foi suplente utilizado na derrota na Luz. Lesionou-se aos 24 minutos no jogo em casa contra o Benfica. No ano seguinte, já titular indiscutivel, saiu a vinte minutos do final do duelo em Alvalade. Em 2007/08 saiu a cinco minutos do fim na vitória por 1-0 sobre o Sporting com a equipa a vencer.
- Ricardo Quaresma
Em 2004/05, no seu primeiro ano de azul e branco, Quaresma não completou qualquer Clássico. Saiu aos 76 minutos no duelo em Alvalade e aos 78 no triunfo no Dragão frente aos leões e foi suplente utilizado nos dois jogos frente ao Benfica, rendendo Postiga e Diego (um empate e uma vitória). No ano seguinte, já com Adriaanse, disputou apenas um Clássico completo e foi rendido aos 55 minutos na vitória em Alvalade e aos 80 na derrota na Luz tendo jogado os últimos vinte minutos na derrota no Dragão contra o Benfica. No ano seguinte marcou um golo e saiu aos 73 na vitória sobre o Benfica e repetiu feito (golo e substituição aos 73) em Alvalade. Repetiu o mesmo cenário na época seguinte, com três substituições nos dois jogos contra o Benfica e num dos jogos contra o Sporting, nos dez minutos finais do jogo (duas vitórias, uma derrota e um golo seu). Apesar de ter sido substituido regularmente nos Clássicos neste periodo, era titular indiscutivel e disputava os noventa minutos dos restantes jogos do ano, ao contrário de Brahimi.
Na sua segunda etapa, foi suplente utilizado na derrota contra o Benfica da primeira volta e titular no triunfo da segunda volta em 2013/14. No primeiro ano de Lopetegui saiu ao intervalo do jogo com o Sporting em Alvalade e foi suplente utilizado nos três seguintes clássicos.
- Deco
Depois de ter chegado a tempo de ser Pentacampeão, Deco tornou-se imprescindivel nas quatro épocas seguintes. Nesse período apenas foi substituido contra o Sporting em 2000, a quinze minutos do fim e com o Porto a vencer e em 2003, na goleada por 4-1, a seis minutos do fim. Frente ao Benfica foi substituido a seis minutos do fim, depois de receber amarelo, num empate a um golo em 2003/04.
- Zlatko Zahovic
O esloveno passou três épocas de dragão ao peito e no seu primeiro ano foi substituido ao minuto 31 da vitória por 3-1 sobre o Benfica por lesão. No ano seguinte, tal como Jardel, foi suplente utilizado na derrota por 3-0 (quando entraram ambos já o Porto perdia por 2-0) e foi substituido na derrota em Alvalade à hora de jogo (o Porto perdia por 2-0). Foi ainda substituido no último minuto do triunfo contra o Benfica, em casa, em 1998/99.
- Mário Jardel
No seu primeiro ano foi substituido a um minuto do fim do Clássico na Luz, ganho por 1-2, com golo seu. No ano seguinte não completou nenhum duelo com o Benfica, primeiro como suplente utilizado (derrota por 3-0) e depois sendo rendido ao minuto 70 num triunfo por 2-0 quando a equipa já vencia claramente. Em 1998/99 voltou a ser substituido contra o Benfica, num empate a um golo, a três minutos do final e no último minuto de um jogo contra o Sporting, nas Antas, que decidiu com um golo para uma vitória por 3-2.
Ou seja, na imensa maioria dos casos, quase sempre que o jogador em causa foi substituido o objectivo do clube - a vitória - estava assegurado. Raramente isso se deu com Brahimi e NES, tanto na não utilização (dois resultados negativos) como nas substituições (apenas frente ao Sporting se conseguiu o objectivo). E nunca, nos casos citados, os jogadores em questão fizeram apenas 4 jogos completos durante uma temporada de liga. Na imensa maioria dos casos fizeram mais de dois terços do campeonato actuando os noventa minutos o que é muito, muito distinto.
Aos 27 anos o jogador está na melhor forma da sua carreira e tem meio passaporte validado para deixar o Dragão, entre necessidades de Financial Fair Play, do papel da Doyen e do próprio desejo do jogador que já viu barradas as suas aspirações no passado defeso contra aquilo que lhe tinha sido prometido. A sua chegada desde o Granada enquadrou-se num modelo de negócio muito popular á época e que acabou com a proibição da partilha de passes pela FIFA mas as mais valias geradas por uma venda em valores a rondar os 20 milhões serão sempre exiguas. Desportivamente, no entanto, Brahimi foi sempre um elemento diferencial a quem faltou nível na lista de companheiros de ataque e sobretudo um treinador a sério para potenciar todas as suas valências. Se, ainda para mais, em momentos de máxima tensão e intensidade um desses treinadores decide que a sua presença em campo é dispensável, estamos conversados. Brahimi pode sair do Porto sem ter sido nunca campeão mas nunca saberemos se não fomos campeões porque ele não esteve em campo quando devia.
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Ter talento é pecado?
Josué, Quintero, seguir-se-á Brahimi?
Com a mesma ligeireza com que se dispensou Quaresma, que não servia para o FCP mas que deu uma boa ajuda para que Portugal se sagrasse campeão europeu, deixa-se agora "escapar" para a imprensa que o argelino estará de partida.
Sim, na última época e meia, qualquer bom adepto lhe terá gritado 3, 4, 5 vezes por jogo para que não levasse a bola para casa mas, recomenda agora o simples bom senso, que todos os portistas (a começar pela SAD) pensem 3, 4, 5 vezes antes de mandar embora um jogador como ele, para todo o sempre, do nosso clube.
Por muitos "carregadores de piano" que se tenha num plantel é com jogadores de talento que se conquistam vitórias em grande escala e se deixa para a história o perfume do bom futebol.
Poderíamos ter 11 Andrés em campo, em Viena, que sem um Madjer nunca teríamos ganho.
Temo que o homem do golo de calcanhar, muito provavelmente o melhor jogador que alguma vez vestiu a camisola do nosso clube, não seria titular caso jogasse hoje em dia. Faltar-lhe-ia "intensidade", "posicionamento", "jogar sem a bola nos pés". Seja lá bem o que isso for, num contexto maior de Futebol com "f" maiúsculo.
E por que nunca se coloca a questão ao contrário? E que tal os médios defensivos (Danilo é apenas mais um deficitário) aprenderem a fazer um passe de 30 ou 40 metros e saberem executar um simples remate à baliza?
Ora tal nunca trespassa para a caixa de comentários dos jornais.
O adepto não deve fazer o jogo dos treinadores. Eles, sim, querem jogadores que "obedeçam" sempre e sejam "domesticáveis", mesmo que, para isso, seja difícil distinguir um médio de um outro que jogue a seu lado. Mas os treinadores ainda têm a desculpa de ter o seu próprio emprego em jogo. Ao adepto cabe-lhe contrabalançar esta perspectiva enviesada e limitada. O futebol - um clube - tem que, tal como a vida, ser um jogo de equilíbrios: o treinador zela pela sua carreira, o dirigente pelo clube e o sócio pelo clube mas também pelo futebol. Deve ser esse o seu papel antes que os empresários mandem mesmo nisto tudo.
Temos, felizmente, vindo a confirmar que o regresso de Otávio trouxe soluções que não existiam nas duas épocas mais recentes mas ainda não sabemos com que regularidade o conseguirá fazer.
O Corona de 2015/16 também tinha boas soluções nos pés...mas só de umas 4 em 4 partidas.
E a própria constituição física desta dupla lança mais duvidas do que certezas sobre a constância dessas tais exibições.
Com a saída do argelino, ficaríamos com apenas estes dois criativos no plantel (três, se João Teixeira for mais do que o pouco que mostrou até aqui).
Um plantel de um clube tão grande como o nosso não pode ficar definido por, num simples jogo de pré-temporada, um dado jogador não ter passado a bola no tempo certo ou um outro, que se vinha a arrastar desde sempre, ter conseguido um ou dois bons cabeceamentos.
Com a mesma ligeireza com que se dispensou Quaresma, que não servia para o FCP mas que deu uma boa ajuda para que Portugal se sagrasse campeão europeu, deixa-se agora "escapar" para a imprensa que o argelino estará de partida.
Sim, na última época e meia, qualquer bom adepto lhe terá gritado 3, 4, 5 vezes por jogo para que não levasse a bola para casa mas, recomenda agora o simples bom senso, que todos os portistas (a começar pela SAD) pensem 3, 4, 5 vezes antes de mandar embora um jogador como ele, para todo o sempre, do nosso clube.
Por muitos "carregadores de piano" que se tenha num plantel é com jogadores de talento que se conquistam vitórias em grande escala e se deixa para a história o perfume do bom futebol.
Poderíamos ter 11 Andrés em campo, em Viena, que sem um Madjer nunca teríamos ganho.
Temo que o homem do golo de calcanhar, muito provavelmente o melhor jogador que alguma vez vestiu a camisola do nosso clube, não seria titular caso jogasse hoje em dia. Faltar-lhe-ia "intensidade", "posicionamento", "jogar sem a bola nos pés". Seja lá bem o que isso for, num contexto maior de Futebol com "f" maiúsculo.
E por que nunca se coloca a questão ao contrário? E que tal os médios defensivos (Danilo é apenas mais um deficitário) aprenderem a fazer um passe de 30 ou 40 metros e saberem executar um simples remate à baliza?
Ora tal nunca trespassa para a caixa de comentários dos jornais.
O adepto não deve fazer o jogo dos treinadores. Eles, sim, querem jogadores que "obedeçam" sempre e sejam "domesticáveis", mesmo que, para isso, seja difícil distinguir um médio de um outro que jogue a seu lado. Mas os treinadores ainda têm a desculpa de ter o seu próprio emprego em jogo. Ao adepto cabe-lhe contrabalançar esta perspectiva enviesada e limitada. O futebol - um clube - tem que, tal como a vida, ser um jogo de equilíbrios: o treinador zela pela sua carreira, o dirigente pelo clube e o sócio pelo clube mas também pelo futebol. Deve ser esse o seu papel antes que os empresários mandem mesmo nisto tudo.
Temos, felizmente, vindo a confirmar que o regresso de Otávio trouxe soluções que não existiam nas duas épocas mais recentes mas ainda não sabemos com que regularidade o conseguirá fazer.
O Corona de 2015/16 também tinha boas soluções nos pés...mas só de umas 4 em 4 partidas.
E a própria constituição física desta dupla lança mais duvidas do que certezas sobre a constância dessas tais exibições.
Com a saída do argelino, ficaríamos com apenas estes dois criativos no plantel (três, se João Teixeira for mais do que o pouco que mostrou até aqui).
Um plantel de um clube tão grande como o nosso não pode ficar definido por, num simples jogo de pré-temporada, um dado jogador não ter passado a bola no tempo certo ou um outro, que se vinha a arrastar desde sempre, ter conseguido um ou dois bons cabeceamentos.
sábado, 18 de julho de 2015
Ponto da situação
Distraídos com Casillas, vamos lentamente encolhendo os ombros ao que
a Quaresma diz respeito.
O técnico não perdoa jamais aquele abraço ao "inimigo" e não descansou
enquanto não o viu pelas costas. A entrevista ao "Expresso" foi apenas mais um pretexto.
Lamento, mas o presente curriculum de Lopetegui ainda não autoriza tamanha
carta branca de dispensar jogadores apenas pelo seu comportamento fora
do campo.
A exigência extrema usada pelo treinador basco contra alguns (em
contraponto com a brandura com que aceitou uma péssima temporada a
Adrian Lopez, premiando-o até com um inusitado regresso num jogo tão decisivo
como aquele de Belém, que determinou a perda do campeonato), deve ter
correspondência na forma como os adeptos o avaliarão nesta temporada.
Se Lopetegui chamou a si o controlo completo sobre o futebol do nosso
clube, deve ser responsabilizado desde o início.
Chegamos ao cúmulo de ter no plantel um jogador que faz tudo para sair
(Rolando), ao mesmo tempo que se dá um pontapé a um outro que pretendia
manter-se fiel ao nosso clube.
Para mais nos distrair do essencial, temos agora o ingresso de Maxi Pereira.
Comecemos pelas "cambalhotas" que muitos terão que dar.
Não será este o melhor exemplo, mas frequentemente confunde-se atletas/treinadores que pontualmente representam o slb com os adeptos e/ou dirigentes do mesmo.
Por exemplo, constata-se agora abundantemente que era um erro colar
Jorge Jesus ao clube da águia.
Ou seja, critique-se de forma mais equilibrada quem está num dado momento ao
serviço dos clubes lisboetas pois não sabemos o que o futuro nos reserva.
Maxi Pereira excedeu-se em relação ao nosso clube mas não o confundamos
com um Barbas ou com um José Eduardo Moniz.
A verdade é que, quando ele estiver em Montevideu, daqui há uns anos, a gozar a sua
reforma dourada, tanto lhe fará que ganhe o FCP ou o slb.
O problema do uruguaio é outro: até ao momento, não demonstrou
valor suficiente que prognostique um grande sucesso no FCP. E isto deveria
ter bastado para vetar a sua vinda, por muito tentadora que esta surgisse ao olhos de Pinto da Costa.
E, enquanto desperdiçámos energia com estes e outros casos menores, o ponto
actual da situação é a seguinte: a eventual mais-valia da vinda de Casillas (e esta apenas em relação a Fabiano, entenda-se) não compensa a perda de Jackson, sendo que esta ainda não foi colmatada.
Alias, mesmo que o sérvio do Anderlecht venha, a coisa não ficará totalmente resolvida.
Tudo isto somado, resulta que hoje, dia 18 Julho, não estamos mais fortes do que em 2014/15.
A ligeira vantagem que tínhamos há um mês, com as trocas de treinadores nos rivais, está a escapar perante as nossas próprias inúmeras mexidas.
actual da situação é a seguinte: a eventual mais-valia da vinda de Casillas (e esta apenas em relação a Fabiano, entenda-se) não compensa a perda de Jackson, sendo que esta ainda não foi colmatada.
Alias, mesmo que o sérvio do Anderlecht venha, a coisa não ficará totalmente resolvida.
Tudo isto somado, resulta que hoje, dia 18 Julho, não estamos mais fortes do que em 2014/15.
A ligeira vantagem que tínhamos há um mês, com as trocas de treinadores nos rivais, está a escapar perante as nossas próprias inúmeras mexidas.
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sexta-feira, 10 de julho de 2015
Haja bom senso, meus senhores
Já bem bastam aquelas saídas que pouco ou nada podemos fazer para evitar. Não inventemos, pois, problemas adicionais para a próxima época. A não ser que o nosso ideal para um ataque demolidor seja a dupla Bueno-Adrian Lopez, não parece que a qualidade seja abundante na frente de ataque. Para além do mais, nem sequer existem certezas sobre qual dos dois Brahimis irá aparecer em 2015/16: será mesmo aquele pré-CAN?
Que a chegada de Casillas ou os milhões do Imbula não nos distraia daquilo que é realmente importante. Ficámos sem o nosso melhor jogador dos últimos 3 anos e ainda não veio, e muito provavelmente não virá, substituto à altura. Convém que tenhamos à mão jogadores que realmente conseguem virar uma partida. E eles são tão poucos que o melhor é mantê-los do nosso lado.
Os bons treinadores são aqueles que conseguem lidar com os jogadores de temperamento mais difícil.
Já fugir do problema e mandá-los para a rua é muito fácil e qualquer um o pode fazer.
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Um suplente de luxo
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| Quaresma na Seleção de Fernando Santos (O JOGO, 17-06-2015) |
Depois de ter sido ostracizado por Paulo Bento, Fernando Santos recuperou Quaresma para uma Seleção que, com o “engenheiro do Penta” ao leme, voltou a ser nacional.
E Quaresma não tem deixado ficar mal o selecionador nacional, bem pelo contrário, como provam os seus números de golos e assistências (algumas das quais absolutamente decisivas).
A questão que se coloca nesta altura é outra.
Deverá Quaresma continuar a ser uma espécie de suplente de luxo, ou o Mustang já fez mais do que suficiente para ser titular nesta seleção de trintões?
Ou dito de outra forma, Nani e Danny têm feito mais do que Quaresma, de modo a justificarem a titularidade que lhes foi dada por Fernando Santos?
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Abraços e beijinhos
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| Quaresma e Jorge Jesus (foto: Maisfutebol) |
Nas redes sociais e até no Porto Canal, já muito se falou no abraço e beijinhos entre Quaresma e Jorge Jesus, no final do último SLB x FC Porto.
Entretanto, a comunicação social lisboeta não dorme e hoje (quarta-feira), alguns jornais, tirando partido da situação, vieram dizer que o abraço de Quaresma a Jorge Jesus tinha caído mal na estrutura portista.
Se isso for verdade, acho bem, porque eu também não gostei. E não gostei, porque o SLB é mais do que um adversário, mais do que um mero rival.
Nos últimos anos, o SLB, por razões estratégicas, elegeu o FC Porto como alvo a abater e, nesse sentido, transformou-se num inimigo do FC Porto.
Inimigo? Sim, inimigo, em termos desportivos, bem entendido.
E não foi, apenas, um problema entre dirigentes. A “nação benfiquista” declarou guerra ao FC Porto e nessa “guerra” não olhou a meios:
- Primeiro, o próprio SLB tudo fez, em Portugal e no estrangeiro, para afastar o FC Porto das competições europeias.
- Depois, diversos benfiquistas (Leonor Pinhão, João Malheiro, João Botelho, etc.) apoiaram, directa ou indirectamente, a elaboração de um livro e a produção de um filme, cujo único objectivo foi o de achincalhar o FC Porto.
- Seguramente pessoas ligadas ao SLB, andaram (andam?) por sites estrangeiros e pelo YouTube, com a missão de denegrirem e insultarem o FC Porto (até se dão ao trabalho de colocar vídeos legendados).
- Comentadores benfiquistas, incluindo dirigentes no activo, aproveitam o palco que lhes é dado por televisões e jornais para, semanalmente, atacarem e enxovalharem o FC Porto.
- Dirigentes e elementos da estrutura do SLB, puseram e põem em causa a justeza e legitimidade de vários títulos conquistados pelo FC Porto, alguns dos quais com o contributo do próprio Quaresma.
Ora, quem não se sente, não é filho de boa gente. E Quaresma tem especiais responsabilidades, não só por saber tudo isto, mas por ter vivido grande parte destas situações de perto e saber o que isso custou ao clube e aos adeptos portistas.
Eu até compreendo que a jogadores estrangeiros, que estão de (curta) passagem pelo Porto, este tipo de situações sejam desconhecidas ou lhes passe ao lado, mas ao Quaresma não.
Mais. O Quaresma sabe, como toda a gente sabe, que este é o campeonato mais fraudulento de que há memória, um campeonato que está manchado por uma série inacreditável de casos de arbitragem. E sabe, também, que este sucessivo colinho ao SLB já foi várias vezes denunciado pelo treinador do FC Porto, o qual, por causa disso, foi (é) objecto de gozo e desconsideração por parte da “nação benfiquista”.
Por tudo isto, não compreendo, não aceito e lamento que, precisamente a seguir a um desentendimento entre Lopetegui e Jorge Jesus, Quaresma, à vista de toda a gente e em pleno relvado do estádio da Luz, tenha ido dar um abraço ao treinador dos encarnados.
Se eu dúvidas tivesse acerca do acerto da decisão, que não tinha, estava mais do que justificada a retirada da braçadeira de capitão no início da época (a seguir ao incidente em Lille).
E bem pode o Quaresma bater com a mão no peito, dar beijos no emblema azul-e-branco, ou fazer declarações de “amor” ao FC Porto, porque há coisas que não se esquecem e a imagem que está no início deste texto vale por mil palavras.
P.S. Há umas semanas atrás, numa entrevista que deu ao Porto Canal, vi e ouvi o Lima Pereira dizer que nunca tinha trocado de camisola com um jogador do SLB. Nunca! Outros tempos, outros jogadores, outra fibra, outra paixão pelo FC Porto.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Melhor que a melhor equipa do Mundo
Tenho inveja.
Tenho genuína inveja de quem hoje esteve no Dragão. Há noites que nunca se esquecem. Tive a sorte de viver muitas ao vivo. Hoje houve 50 mil afortunados que jamais se vão esquecer da noite em que o FC Porto foi - como contra o Dinamo de Kiev em 1987 - melhor que a melhor equipa do Mundo. Que jogadores que estavam lesionados até há dois dias correram como búfalos. Que egos imensos foram encolhidos para encaixar no coração da equipa. Em que ninguém poupou uma gota de oxigénio a pensar no amanhã. A noite em que o Dragão engoliu o Bayern como poucas vezes alguém sonhou ser capaz. A noite em que Julen Lopetegui mostrou a Pep Guardiola que com menos ovos podia fazer uma omelete melhor. A noite, enfim, em que se demonstrou porque é que o FC Porto é a melhor equipa da Europa fora dos grandes das grandes ligas. E que de vez em quando até a esses mostramos que não andamos nisto para fazer número.
A primeira parte foi uma das maiores delicias futebolísticas da última década.
A entrada da equipa resume-se numa palavra: Avassaladora.
Julen Lopetegui tinha a lição bem estudada. Pode entender pouco do que significa jogar na Madeira mas o Bayern conhecia-o á perfeição. Sabia o que era preciso fazer. Asfixiar o processo de posse de bola roubando todas as opções de passe aqueles que sabem jogar. A equipa marcou á zona todos aqueles jogadores em quem Guardiola confia - Alonso, Lahm, Thiago - e deixou aos centrais, aos desastrados centrais, a tarefa de criar jogo. Com isso ganhou a partida. Forçou erro atrás de erro. E, por uma vez, o FCP soube aproveitar o erro alheio com precisão de cirurgião. Jackson - esse imenso avançado que vai deixar muito mais saudades do que deixou Falcao e que não devia ser vendido por menos de 50 milhões de euros - esteve imenso. Para quem vinha de uma lesão muscular parecia um tigre, um mamute de outras eras. Correu, correu, defendeu como o primeiro gladiador, ajudou nas compensações e não deixou respirar Xabi Alonso. Nos instantes iniciais roubou a bola ao ex do Real Madrid e frente a Neuer driblou o guarda-redes caindo de imediato. Penalti claro.
Neuer devia ter visto o cartão vermelho. O árbitro espanhol Vellasco Carballo no entanto deve ter ficado a pensar que Jackson fizera falta sobre Alonso (se fosse ao contrário, eu teria pedido falta) e para não condicionar os 180 minutos de eliminatória que faltaram quis ser diplomático. Fez mal. O FC Porto foi prejudicado nesse momento chave e o Bayern salvou-se de um cataclismo. Quaresma, que tinha estado naquela eliminatória dolorosa com o Schalke 04 quando Neuer se fez famoso pela primeira vez, tinha contas a ajustar e não perdeu a oportunidade. Estes foram os melhores 45 minutos de Quaresma desde que deixou o Porto. A confiança de Lopetegui - esteve impecável o basco no alinhamento inicial - foi recompensada. O numero 7 fez tudo para merecer ser titular. Não havia réstia do "velho Quaresma". Havia malabarismos e classe, sim, mas também recuperações ao sprint, desarmes, ajudas a Danilo, linhas de passe oferecidas a Herrera e Oliver e uma constante pressão sobre Bernat (que devia ter sido expulso no inicio da segunda parte depois de mais um baile quaresmiano) e Dante. Graças a esse exercício "sachianno", chegou o segundo golo. Outra recuperação, outro vendaval de ataque e Quaresma, frente a Neuer, define com a classe dos génios. Não tinham passado dez minutos e o Dragão já se tinha levantado duas vezes para fazer tremer os cimentos da Terra.
O FC Porto foi nesses primeiros vinte minutos a melhor equipa do Mundo.
Com bola fez maravilhas. A visão periférica de Brahimi e Oliver e o trabalho do colectivo manteve o Bayern atónito, como se tivesse subido ao ring e estivesse a ponto de cair por K.O. Na recuperação a equipa esteve tremenda. É provavelmente o maior mérito de Lopetegui a forma como a equipa ocupa os espaços para haver sempre alguém a recuperar a bola. Naturalmente houve a reacção do Bayern. Os alemães continuam a ser a melhor equipa do mundo e encontraram a bola quando o ataque, como era inevitável, baixou ligeiramente o pressing. Não há equipa que aguente noventa minutos o que o FCP fez em vinte. Nesses seguinte quinze minutos o Bayern teve mais a bola mas não o controlo. O FC Porto mantinha-os longe da sua área, recuperava bem a bola e sai-a a jogar. Alex Sandro teve o terceiro nos pés - Neuer evitou um golo olímpico - e Casemiro podia também ter marcado de cabeça depois de um centro de Quaresma num livre indirecto. O Bayern raramente criou perigo real mas conseguiu marcar numa jogada onde a defesa estava totalmente fora de sitio. Casemiro foi fechar um centro de Boateng mas não chegou a tempo. Sandro estava na direita, Danilo na esquerda e Maicon perdeu a marcação a Thiago que apareceu a desviar na pequena área. Era um golo evitável, o unico erro colectivo em toda a primeira parte. O nível Champions é assim. Não se podia dizer que era imerecido - a reacção do Bayern foi positiva - mas doeu tendo em conta o imenso esforço que a equipa estava a fazer para reduzir ao mínimo o erro. Com esse resultado chegou-se ao intervalo, uma sensação de superioridade emocional tremenda mas com esse golo fora a pesar na consciência.
E o que faz uma equipa depois de 45 minutos assim? Quando se chama FC Porto a resposta é fácil: faz-se melhor.
A segunda parte foi isso. Melhor, em todos os sentidos menos no marcador. Só entrou um (golaço de um Jackson divino) mas o Bayern foi engolido pelo jogo de posse do Porto. Se na primeira parte havia a estratégia de pressionar, morder e contragolpear, na segunda parte os Dragões quiseram e tiveram a bola. Pautaram o ritmo, levaram o esférico para longe da sua área (onde tinha rondado muito na primeira parte), criaram lance atrás de lance e esmagaram a resistência escassas que o Bayern parecia oferecer. Herrera e Jackson conectaram para o 3-1 e pouco antes, numa jogada "a la Brasil de 70", o esférico rodou entre o colombiano, Oliver, Brahimi e Quaresma para Herrera forçar Neuer á defesa da noite. Uma jogada perfeita que o Bayern jamais soube emular. O momento mais simbólico da noite deu-se precisamente quando um Guardiola claramente superado - Lopetegui é, a partir de hoje, um nome em qualquer lista de um grande europeu e que "cojones" teve o basco ao encarar de frente o Bayern e ganhar-lhe no seu próprio jogo - tirou a Gotze e colocou Rode. Queria não sofrer mais, não sofrer mais golos, não sofrer mais sem a bola e para isso abdicava de atacar. O todo poderoso Bayern do mágico e melhor treinador do Mundo Pep Guardiola rendia-se á evidência. O Porto era superior. E assim foi durante todo o jogo. Um jogo que podia não ter acabado nunca.
Pouco me importa hoje do que vai passar na terça-feira que vem em Munique. Não estão Danilo e Alex Sandro (mas sim Marcano) sendo que Ricardo e Indi nas laterais são a única opção que sobra. O Bayern seguramente terá outro ritmo, outra pressão e tocará sofrer, sofrer muito. Mas ninguém no seu perfeito juízo podia pensar noutro cenário que não fosse esse. O Bayern continua a ser o Bayern, o Porto continua a ser o Porto. Em noites assim é extremamente importante por tudo em perspectiva. Sonhar sim, sempre, sempre, mas sem esquecer que tudo o que se consiga, tudo é bónus, resultado de um grande trabalho colectivo desenvolvido desde o Verão. Resultado de uma politica de jogo recuperada depois do desastre do último ano, do talento de muitos jogadores que chegaram agora ou se têm consolidado e que sabem que hoje são a conversa de ordem dos maiores clubes mundiais. Depois da noite de hoje todos saem reforçados. A SAD que apostou forte, o treinador que muitos - eu incluído - duvidavam estar á altura mas também os jovens jogadores que alguns grandes da Europa descartaram ou que outros não tiveram o engenho de pescar. Todos eles são o baluarte desta noite, desta mágica noite europeia á moda do Porto.
O FC Porto até pode ganhar a Liga dos Campeões. Também pode sair goleado do Allianz. Não me interessa nada. Hoje nada interessa. Em noites assim, com chuva ou céus iluminados pelas estrelas, não há outra coisa a fazer senão sentir um imenso orgulho em ser portista. Um imenso orgulho em ser da equipa que sabe ser melhor que as melhores equipas do mundo.
Tenho genuína inveja de quem hoje esteve no Dragão. Há noites que nunca se esquecem. Tive a sorte de viver muitas ao vivo. Hoje houve 50 mil afortunados que jamais se vão esquecer da noite em que o FC Porto foi - como contra o Dinamo de Kiev em 1987 - melhor que a melhor equipa do Mundo. Que jogadores que estavam lesionados até há dois dias correram como búfalos. Que egos imensos foram encolhidos para encaixar no coração da equipa. Em que ninguém poupou uma gota de oxigénio a pensar no amanhã. A noite em que o Dragão engoliu o Bayern como poucas vezes alguém sonhou ser capaz. A noite em que Julen Lopetegui mostrou a Pep Guardiola que com menos ovos podia fazer uma omelete melhor. A noite, enfim, em que se demonstrou porque é que o FC Porto é a melhor equipa da Europa fora dos grandes das grandes ligas. E que de vez em quando até a esses mostramos que não andamos nisto para fazer número.
A primeira parte foi uma das maiores delicias futebolísticas da última década.
A entrada da equipa resume-se numa palavra: Avassaladora.
Julen Lopetegui tinha a lição bem estudada. Pode entender pouco do que significa jogar na Madeira mas o Bayern conhecia-o á perfeição. Sabia o que era preciso fazer. Asfixiar o processo de posse de bola roubando todas as opções de passe aqueles que sabem jogar. A equipa marcou á zona todos aqueles jogadores em quem Guardiola confia - Alonso, Lahm, Thiago - e deixou aos centrais, aos desastrados centrais, a tarefa de criar jogo. Com isso ganhou a partida. Forçou erro atrás de erro. E, por uma vez, o FCP soube aproveitar o erro alheio com precisão de cirurgião. Jackson - esse imenso avançado que vai deixar muito mais saudades do que deixou Falcao e que não devia ser vendido por menos de 50 milhões de euros - esteve imenso. Para quem vinha de uma lesão muscular parecia um tigre, um mamute de outras eras. Correu, correu, defendeu como o primeiro gladiador, ajudou nas compensações e não deixou respirar Xabi Alonso. Nos instantes iniciais roubou a bola ao ex do Real Madrid e frente a Neuer driblou o guarda-redes caindo de imediato. Penalti claro.
Neuer devia ter visto o cartão vermelho. O árbitro espanhol Vellasco Carballo no entanto deve ter ficado a pensar que Jackson fizera falta sobre Alonso (se fosse ao contrário, eu teria pedido falta) e para não condicionar os 180 minutos de eliminatória que faltaram quis ser diplomático. Fez mal. O FC Porto foi prejudicado nesse momento chave e o Bayern salvou-se de um cataclismo. Quaresma, que tinha estado naquela eliminatória dolorosa com o Schalke 04 quando Neuer se fez famoso pela primeira vez, tinha contas a ajustar e não perdeu a oportunidade. Estes foram os melhores 45 minutos de Quaresma desde que deixou o Porto. A confiança de Lopetegui - esteve impecável o basco no alinhamento inicial - foi recompensada. O numero 7 fez tudo para merecer ser titular. Não havia réstia do "velho Quaresma". Havia malabarismos e classe, sim, mas também recuperações ao sprint, desarmes, ajudas a Danilo, linhas de passe oferecidas a Herrera e Oliver e uma constante pressão sobre Bernat (que devia ter sido expulso no inicio da segunda parte depois de mais um baile quaresmiano) e Dante. Graças a esse exercício "sachianno", chegou o segundo golo. Outra recuperação, outro vendaval de ataque e Quaresma, frente a Neuer, define com a classe dos génios. Não tinham passado dez minutos e o Dragão já se tinha levantado duas vezes para fazer tremer os cimentos da Terra.
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| Jackson e Neuer (foto: UEFA.com) |
Com bola fez maravilhas. A visão periférica de Brahimi e Oliver e o trabalho do colectivo manteve o Bayern atónito, como se tivesse subido ao ring e estivesse a ponto de cair por K.O. Na recuperação a equipa esteve tremenda. É provavelmente o maior mérito de Lopetegui a forma como a equipa ocupa os espaços para haver sempre alguém a recuperar a bola. Naturalmente houve a reacção do Bayern. Os alemães continuam a ser a melhor equipa do mundo e encontraram a bola quando o ataque, como era inevitável, baixou ligeiramente o pressing. Não há equipa que aguente noventa minutos o que o FCP fez em vinte. Nesses seguinte quinze minutos o Bayern teve mais a bola mas não o controlo. O FC Porto mantinha-os longe da sua área, recuperava bem a bola e sai-a a jogar. Alex Sandro teve o terceiro nos pés - Neuer evitou um golo olímpico - e Casemiro podia também ter marcado de cabeça depois de um centro de Quaresma num livre indirecto. O Bayern raramente criou perigo real mas conseguiu marcar numa jogada onde a defesa estava totalmente fora de sitio. Casemiro foi fechar um centro de Boateng mas não chegou a tempo. Sandro estava na direita, Danilo na esquerda e Maicon perdeu a marcação a Thiago que apareceu a desviar na pequena área. Era um golo evitável, o unico erro colectivo em toda a primeira parte. O nível Champions é assim. Não se podia dizer que era imerecido - a reacção do Bayern foi positiva - mas doeu tendo em conta o imenso esforço que a equipa estava a fazer para reduzir ao mínimo o erro. Com esse resultado chegou-se ao intervalo, uma sensação de superioridade emocional tremenda mas com esse golo fora a pesar na consciência.
E o que faz uma equipa depois de 45 minutos assim? Quando se chama FC Porto a resposta é fácil: faz-se melhor.
A segunda parte foi isso. Melhor, em todos os sentidos menos no marcador. Só entrou um (golaço de um Jackson divino) mas o Bayern foi engolido pelo jogo de posse do Porto. Se na primeira parte havia a estratégia de pressionar, morder e contragolpear, na segunda parte os Dragões quiseram e tiveram a bola. Pautaram o ritmo, levaram o esférico para longe da sua área (onde tinha rondado muito na primeira parte), criaram lance atrás de lance e esmagaram a resistência escassas que o Bayern parecia oferecer. Herrera e Jackson conectaram para o 3-1 e pouco antes, numa jogada "a la Brasil de 70", o esférico rodou entre o colombiano, Oliver, Brahimi e Quaresma para Herrera forçar Neuer á defesa da noite. Uma jogada perfeita que o Bayern jamais soube emular. O momento mais simbólico da noite deu-se precisamente quando um Guardiola claramente superado - Lopetegui é, a partir de hoje, um nome em qualquer lista de um grande europeu e que "cojones" teve o basco ao encarar de frente o Bayern e ganhar-lhe no seu próprio jogo - tirou a Gotze e colocou Rode. Queria não sofrer mais, não sofrer mais golos, não sofrer mais sem a bola e para isso abdicava de atacar. O todo poderoso Bayern do mágico e melhor treinador do Mundo Pep Guardiola rendia-se á evidência. O Porto era superior. E assim foi durante todo o jogo. Um jogo que podia não ter acabado nunca.
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| Quaresma (foto: UEFA.com) |
Pouco me importa hoje do que vai passar na terça-feira que vem em Munique. Não estão Danilo e Alex Sandro (mas sim Marcano) sendo que Ricardo e Indi nas laterais são a única opção que sobra. O Bayern seguramente terá outro ritmo, outra pressão e tocará sofrer, sofrer muito. Mas ninguém no seu perfeito juízo podia pensar noutro cenário que não fosse esse. O Bayern continua a ser o Bayern, o Porto continua a ser o Porto. Em noites assim é extremamente importante por tudo em perspectiva. Sonhar sim, sempre, sempre, mas sem esquecer que tudo o que se consiga, tudo é bónus, resultado de um grande trabalho colectivo desenvolvido desde o Verão. Resultado de uma politica de jogo recuperada depois do desastre do último ano, do talento de muitos jogadores que chegaram agora ou se têm consolidado e que sabem que hoje são a conversa de ordem dos maiores clubes mundiais. Depois da noite de hoje todos saem reforçados. A SAD que apostou forte, o treinador que muitos - eu incluído - duvidavam estar á altura mas também os jovens jogadores que alguns grandes da Europa descartaram ou que outros não tiveram o engenho de pescar. Todos eles são o baluarte desta noite, desta mágica noite europeia á moda do Porto.
O FC Porto até pode ganhar a Liga dos Campeões. Também pode sair goleado do Allianz. Não me interessa nada. Hoje nada interessa. Em noites assim, com chuva ou céus iluminados pelas estrelas, não há outra coisa a fazer senão sentir um imenso orgulho em ser portista. Um imenso orgulho em ser da equipa que sabe ser melhor que as melhores equipas do mundo.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Quaresma no onze inicial?
«No desafio anterior (contra o Arouca), com o FC Porto a jogar com menos um desde muito cedo, Quaresma fez uma grande exibição e foi considerado, quase unanimemente, o melhor em campo. Como “prémio”, hoje foi para o banco e Lopetegui apenas o chamou, já com a equipa em desespero de causa, à procura de recuperar a vantagem perdida no marcador. Não foi a tempo…»
Foi assim que iniciei o artigo que publiquei a após o Nacional x FC Porto (1-1).
Quaresma foi o melhor contra o Arouca.
Quaresma foi o melhor contra o Estoril.
Quaresma foi um dos melhores (senão o melhor) contra o Rio Ave.
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| Quaresma num grande momento, contra o Arouca, Estoril e Rio Ave |
Quaresma está num grande momento de forma, provavelmente a atravessar um dos melhores momentos da sua carreira, ao ponto de mesmo os seus críticos o reconhecerem.
Assim sendo, e ainda por cima estando Tello lesionado, faz algum sentido questionar a titularidade de Quaresma na próxima quarta-feira?
Faz. Para começar, o desafio da próxima quarta-feira não é um jogo qualquer. É a 1ª mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões.
E o oponente é “apenas” o Bayern Munique, considerado, por muitos especialistas, a melhor equipa do Mundo.
Sendo o Bayern uma equipa fortíssima, é natural que Lopetegui adopte algumas cautelas e pretenda reforçar o meio-campo (José Mourinho fez o mesmo em 2003/04 – no campeonato jogava em 4-3-3 e na Liga dos Campeões em 4-4-2).
Ora, não podendo contar com o rapidíssimo Tello, nem com o goleador Jackson a 100% (está afastado dos relvados desde o dia 6 de Março), já para não falar em Iván Marcano e Adrián López (é hilariante ver a preocupação da comunicação social portuguesa, dedicando 10 vezes mais tempo/espaço a falar das ausências do Bayern do que nas importantes ausências do FC Porto…), não me admirava que o onze inicial escolhido por Julen Lopetegui fosse o seguinte:
Fabiano
Danilo, Maicon, Indi, Alex Sandro
Casemiro, Rúben Neves, Herrera
Óliver, Brahimi, Aboubakar
Se estão bem recordados, foi precisamente este o onze (com Jackson em vez de Aboubakar) nos dois jogos do Play-off de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões, numa altura em que o Lille estava com a preparação mais adiantada (o campeonato francês começa primeiro que o português) e era um dos líderes da Ligue 1.
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| Onze inicial no FC Porto x Lille |
Sem bola, o FC Porto poderia (poderá) jogar numa espécie de 4-5-1, com Casemiro, Rúben Neves, Herrera e Óliver a pressionarem e correrem, correrem, correrem (a “fórmula de sucesso” referida por Luís Gustavo, jogador do Wolfsburgo).
Com posse de bola, Óliver e Brahimi abririam (abrirão) nas alas, com o apoio dos dois laterais (Danilo e Alex Sandro).
E Quaresma?
Quaresma seria um trunfo precioso, a usar a partir dos 60 minutos (Brahimi não aguenta muito mais).
P.S. Não sofrer golos em casa é muito importante e, por isso, tal como em 2003/2004, na meia-final contra o Depor, um eventual 0-0 no jogo da 1ª mão seria um resultado que manteria tudo em aberto para a 2ª mão.
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Quaresma
segunda-feira, 6 de abril de 2015
2 + 2 = Quaresma
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| Quaresma e Danilo |
2 assistências.
2 golos.
Uma segunda-feira de Páscoa em cheio para o Quaresma.
Para além de Quaresma, também Danilo esteve inspirado, formando uma ala direita de grande nível.
Sem poder contar com Adrián López, Jackson, Maicon e Tello, todos lesionados (sim, senhores jornalistas de Lisboa, não é só o Bayern que tem vários jogadores lesionados…) e sem forçar demasiado, bem pelo contrário, os dragões ajustaram contas com os canarinhos, com cinco golos sem resposta. E, neste caso, o sem resposta é mesmo sem resposta, porque não me lembro do Estoril ter feito sequer um remate à baliza do regressado Fabiano.
Exceptuando o facto de ter remetido Helton para o banco (depois de tudo o que se passou, não percebo o regresso de Fabiano à titularidade), Lopetegui esteve muito bem nas substituições e no timing das mesmas.
Eu teria feito exactamente as mesmas.
Com o FC Porto a ganhar por 3-0, desde o minuto 51, impunha-se uma gestão de esforço inteligente e foi isso que Lopetegui fez.
Herrera e Brahimi são jogadores com muitos minutos nas pernas (algo que, nesta altura da época, se nota cada vez mais…), estiveram recentemente ao serviço das respectivas selecções e seria importante tê-los perto do seu melhor para o colossal duelo com o colosso da Baviera.
Quanto a Óliver, convém recordar que ainda está a recuperar o ritmo após uma paragem por lesão.
Contas da Jornada 27: Depois de na jornada anterior ter recuperado 1 ponto e 1 golo em relação ao líder do campeonato, nesta jornada o FC Porto recuperou mais 3 golos no acumulado entre golos marcados e sofridos.
Ora, atendendo a que, segundo os experts da bola indígena, o SL Andor está de regresso às exibições com nota artística e, em contraponto, o FC Porto a atravessar uma grave crise (já se fazem inquéritos sobre a continuidade de Lopetegui…), o saldo das últimas duas jornadas não é muito mau…
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Um novo Quaresma
Principais destaques de Quaresma no jogo contra o Vitória Guimarães:
4’: Quaresma cruza com peso, conta e medida para Jackson, que cabeceia ao lado.
9’: Quaresma pressiona alto sobre João Afonso e consegue interceptar a bola, a qual sobra para Jackson que, em boa posição, remata por cima.
11’: Quaresma é lançado em profundidade nas costas da defesa do Vitória Guimarães, mas Assis, atento, é muito rápido a sair da área e chega primeiro à bola.
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| O JOGO, 14-02-2015 |
18’: Quaresma temporiza, lê bem o jogo e, no momento exacto, faz um passe vertical a isolar Danilo, que remata cruzado, ao segundo poste, com a bola a passar ao lado da baliza.
30’: Quaresma cruza para Jackson que, em esforço, volta a cabecear ao lado.
72’: Livre do lado direito do ataque portista. Quando a defesa do Vitória esperava uma bola bombeada para a zona central da área, Quaresma coloca a bola teleguiada em Rúben Neves, que rematou, mas a bola foi cortada por um jogador vimaranense.
76’: Livre do lado direito marcado por Quaresma, que varia e coloca a bola ao 2º poste, onde surge Marcano a assistir Maicon, que cabeceia mas falha um golo de forma incrível.
83’: Livre indirecto dentro da área do Vitória Guimarães. Quando se esperava um pequeno toque para o lado, para um companheiro rematar, Quaresma surpreende e faz um passe para o outro lado da área, a isolar Danilo, que remata fraco e à figura do guarda-redes do Vitória.
Aos 31 anos, é notório que Quaresma já não tem a velocidade e o poder de explosão que tinha aos 24 ou 25 anos e, por isso, não é tão forte no 1x1 quanto foi mas, em contrapartida, tem melhorado, significativamente, outros aspectos.
Esta época, temos visto um Quaresma com outra atitude, a recuar, a ajudar o lateral, a defender, sem que isso implique fazer sempre falta e, nos últimos jogos, até o temos visto a pressionar alto ou a participar activamente na(s) zona(s) de pressão da equipa.
O melhor exemplo desta evolução foi o jogo contra o Vitória Guimarães. Quaresma não marcou qualquer golo, nem tão pouco fez assistências que tenham resultado em golo mas, quem viu o jogo sem preconceitos e com olhos de ver (eu vi-o no estádio e depois revi-o em casa), pôde observar um Quaresma que se fartou de jogar, mais para a equipa do que para ele, e em que a maior parte das oportunidades de golo do FC Porto saíram dos seus pés, ou tiveram a sua intervenção.
Lopetegui parece estar a conseguir um pequeno milagre: transformar um Quaresma prima donna, num Quaresma jogador de equipa e dos bons!
P.S. Tello entrou aos 65’ para o lugar de Brahimi, numa altura do jogo muito favorável às suas características (o Vitória Guimarães tinha adiantado as suas linhas e deixava muito espaço nas costas), mas eu pergunto: em 25 minutos (mais os descontos), o que fez Tello de positivo?
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Sai uma trivela para a mesa 5
Foto: Maisfutebol
O FC Porto quis redimir-se da derrota da jornada anterior na Madeira frente ao Marítimo e fez uma exibição convincente aplicando a chapa 5 ao Paços de Paulo Fonseca.
A equipa jogou com muito mais intensidade, pressionando mais alto o adversário e em consequência ganhando a bola mais próximo da baliza adversária. As oportunidades de golo foram surgindo até que aos 28’ Jackson empurra para a baliza a bola vinda de um cruzamento tenso da esquerda de Alex Sandro, beneficiando ainda do erro do guarda-redes Defendi que falhou a saída ao cruzamento.
Vi no Paços de Paulo Fonseca uma equipa semelhante ao FC Porto da época passada. É uma equipa organizada que, sem a bola, se move em bloco ora para o lado esquerdo ora para o lado direito, dependendo das movimentações do adversário mas que, não raras vezes, deixa os adversários na cara do golo porque falha uma ou outra marcação quando a bola é lançada para as costas da defesa. Era assim a nossa defesa na época passada. E foi assim que Jackson se isolou com um passe longo livrando-se de Hélder Lopes que depois acaba por agarrá-lo dando origem à marcação do penalty que Quaresma executou na perfeição.
O árbitro Marco Ferreira conseguiu inovar e mostrar-nos uma nova interpretação das leis do jogo no que respeita à sanção disciplinar a aplicar ao jogador que impede o adversário de jogar tendo este pela frente apenas o guarda-redes. Assim, estes lances são, segundo Marco Ferreira, puníveis com livre directo e o jogador infractor:
a) É punido com a amostragem de um cartão amarelo se a equipa adversária for o FC Porto ou;
b) É punido com um cartão vermelho e consequente ordem de expulsão se a equipa adversária for outra que não a mencionada em a).
b) É punido com um cartão vermelho e consequente ordem de expulsão se a equipa adversária for outra que não a mencionada em a).
Foi assim aos 37’ quando Hélder Lopes agarrou Jackson dentro da área e foi assim aos 81’ quando Romeu agarra Jackson à entrada da área (i.e, viram apenas um cartão amarelo sendo que no caso de Romeu levou a expulsão por se tratar do segundo amarelo).
Depois, aos 43’, vem o momento de magia no jogo. Deixo aqui a descrição do lance por Pedro Cunha no Maisfutebol que tem mais veia poética que eu:
Era uma vez… Quaresma.
Todas as histórias de encantar, pedaços da nossa infância, começam assim. E o Mustang merece a deferência. É raro, muito raro, ver o que vimos no Dragão este domingo. O terceiro golo da noite é um prodígio de potência, colocação e efeitos especiais. Sim, efeitos especiais.
O pontapé de trivela, três dedos na bola e o arco perfeito, é sobre-humano. É um truque saído da manga de um mágico, retocado na mesa de edição de imagem e servido ao público com um halo de perfeição. Que grande golo, caro leitor!
O movimento de Quaresma é o habitual. A finta a procurar a zona central e a parte de fora do pé direito a fazer das suas. A bola explodiu no ângulo superior direito da baliza do Paços e dissipou, com a firmeza de uma alta patente, as poucas dúvidas que ainda assombravam o score.
Logo no início da segunda parte Herrera fez o 4-0 depois de excelente trabalho individual de Jackson – que grande jogo fez o colombiano, está em toda a parte, defende, ataca, desmarca-se, enfim, é um trabalhador incansável – e a equipa adormeceu um pouco, o que se compreende. Até ao fim há a destacar a desmarcação de Óliver que, na cara do guarda-redes, atirou à figura e o 5-0 por Cristian Tello na marcação de um livre directo por falta cometida sobre Jackson. Um golo de belo efeito.
Não gostei da exibição de Cristian Tello, apesar do livre bem marcado, e creio que a sua substituição seria mesmo a mais acertada em vez da de Quaresma. O espanhol, mais uma vez, teve uma actuação de altos e baixos e nunca mostrou disponibilidade total para disputar a bola. Há uma jogada na primeira parte sobre o lado esquerdo do ataque do FC Porto em que a bola lhe é passada bastante para a frente e Tello pura e simplesmente se desinteressa do lance. Isto não é um jogador "à Porto" e o problema é que ninguém lhe explica isso sendo, aparentemente, um jogador intocável para Lopetegui. O Quaresma é sempre o extremo sacrificado quando toca a substituições e, sinceramente, começo a entender a sua incompreensão apesar de não concordar com gestos públicos de desagrado como tirar as fitas das caneleiras e atirá-las ostensivamente para o chão.
Em suma, valeu ao FC Porto uma entrada em jogo com determinação e entrega por parte de todos os jogadores que desta vez conseguiram colocar mais intensidade em todas as bolas. A equipa deveria jogar assim em todos os jogos da Liga até à 34ª e última jornada.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
É complicado...
Este tipo de derrotas são as mais difíceis de digerir e não apenas por ter acontecido contra o nosso principal rival.
Desta vez, contra o que frequentemente acontece, esta não teve causas óbvias e, por isso mesmo, as obrigatórias correcções poderão levar mais tempo.
Sim, é certo que, hoje por hoje, um Quaresma tem ainda mais futebol e experiência do que um verde Tello e que, por isso mesmo, deveria ter mais "tempo de antena" em campo. É também verdade que Óliver promete sempre muito mais do que aquilo que na realidade produz. E, se formos bem a ver, temos também um razoável número de titulares que dificilmente poderão ser considerados mais de que apenas "regulares" em termos de qualidade e classe (Fabiano, Marcano, Herrera e até, muito provavelmente, Casemiro).
Sendo tudo isto certo, o facto é que ainda soa a pouco para explicar estes 0-2.
O resultado é um misto de azar e de erros individuais (Danilo, Fabiano, Herrera e, em menor escala, Jackson).
O FCP fez muita coisa bem até sofrer o primeiro golo. Só depois, sim, é que deixou de ter a cabeça no sítio certo. O próprio slb terá perdido muitos jogos no Dragão em que terá feito bem mais do que neste Domingo. A questão é que, nas mais recentes épocas, o slb precisa de metade das nossas oportunidades para marcar o dobro dos golos. Para além disso, o árbitro auxiliar do slb-Rio Ave, explicou-nos, na perfeição, o resto que falta aqui dizer.
E, assim sendo, 6 pontos ressoa mesmo a sentença de morte. Eles que perderam apenas 5, até ao momento...
E isto nem começou aqui.
Colocando de parte os "compreensíveis" empates em Guimarães (sim, este com "mãozinha") e em Alvalade, a nossa primeira "morte" aconteceu mesmo naquela chuvosa noite contra o Boavista no Dragão (ainda hoje estamos para perceber a razão de Jackson ter escolhido jogar, na primeira parte, para a baliza onde o relvado pior se encontrava...).
Depois, o 2-2 no Estoril fez o resto, A partir desse empate estávamos mesmo obrigados a bater o slb em casa. Coisa, já se sabe, nunca garantida.
Demasiada pressão para ainda antes do Natal.
Que, ao menos desta vez, na Champions façamos a nossa obrigação de passar aos "quartos" dada a nossa clara superioridade em relação ao adversário. Que as derrotas passadas com Schalke e Málaga nos tenham servido de lição definitiva.
Quanto à liga, pouco mais nos resta que continuar a fazer a nossa obrigação e sofrer.
O que é uma pena pois, inversamente ao nosso rival, já vencemos outros campeonatos em que a nossa matéria-prima não era tão interessante como esta actual.
P.S.: A factura de não termos comprado o Lima continua por saldar...
sábado, 22 de novembro de 2014
As “más” decisões de jogadores “irresponsáveis”
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| O JOGO, 19-11-2014 |
Desde a estafada tese do “mau balneário”, à falta de “critério”, passando pela estatística dos “bons” e “maus” cruzamentos, valeu (vale) quase tudo para denegrirem o que o mustang, com ares de Harry Potter, faz em campo.
Uma das críticas mais frequentes, que esses críticos de Quaresma lhe fazem, é baseada na tese das más decisões.
Cruzou para a cabeça de Ronaldo, mas foi o defesa dinamarquês que fez autogolo e, por isso… blá, blá, blá.
Cruza, perdão, “bombeia” muitas vezes para a área, mas mesmo quando resulta em golo, Quaresma não devia ter cruzado porque, perante a posição dos defesas versus a movimentação dos avançados, conclui-se que… blá, blá, blá.
Rematou, a bola passou por baixo do guarda-redes do Athletic e entrou, mas Quaresma não devia ter rematado, porque o Brahimi fez um movimento interior e… blá, blá, blá.
Ontem, o jornal Record publicou uma extensa entrevista de Vítor Pereira.
Ao ler, nessa entrevista, o que o ex-treinador do FC Porto disse acerca do golo do Kelvin (num célebre FC Porto x SL Benfica), não pude deixar de pensar no “clube de críticos do Quaresma”.
[Vítor Pereira]: Pensava-se que já não ia acontecer nada e aconteceu tudo. E aquele menino, se fosse responsável, tinha cruzado em vez de rematar (risos). Portanto, naquela altura era preciso aquilo: um bocadinho de irresponsabilidade.
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| Kelvin, FC Porto x SL Benfica (2-1) da época 2012/2013 |
[Record]: Foi isso que lhe pediu no momento da substituição?
[Vítor Pereira]: Claro que sim. Era o que estava a faltar. Por isso é que eu digo: ser treinador tem muito de racional, mas também de intuitivo. E até de espiritual. (…) o Kelvin, porque é irreverente, capaz de pegar na bola, sair num 1x1 e… dar qualquer coisa. Foi o que aconteceu.
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| Vítor Pereira e Jorge Jesus, após a "irresponsabilidade" de Kelvin |
Irreverência, capaz de pegar na bola, sair num 1x1, um bocadinho de irresponsabilidade são tudo coisas que também poderiam ser ditas em relação a Quaresma.
A mensagem (ensinamento) de Vítor Pereira é que há determinados jogos, ou momentos dos jogos, em que as equipas precisam de outro tipo de soluções, entre as quais, recorrer a jogadores com estas características.
Mas, claro, a competência e currículo de Vítor Pereira, não se compara com a de alguns “especialistas” sem rosto (com “formação na área”…) que, do alto da sua sapiência, usam “blogues laterais” para doutrinar o povo…
sábado, 15 de novembro de 2014
A “arma secreta”
Dinamarca x Portugal, resultado em 0-0.
Quaresma entrou em campo aos 84 minutos e, 8 minutos depois, fez um centro perfeito para a cabeça de Cristiano Ronaldo: Golo!
FC Porto x Athletic, resultado em 1-1.
Quaresma entrou em campo aos 70 minutos e, 5 minutos depois, rematou e a bola só parou no fundo da baliza: Golo!
Portugal x Arménia, resultado em 0-0.
Quaresma entrou em campo aos 70 minutos e, 2 minutos depois, conduziu uma jogada pelo lado direito, a bola ainda passou por Nani e Cristiano Ronaldo empurrou-a para lá da linha de baliza: Golo!
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| Quaresma, A Figura do Portugal x Arménia (fonte: O JOGO, 15-11-2014) |
3 jogos complicados.
3 jogos que estavam empatados.
3 jogos com Quaresma a entrar nos últimos minutos.
3 jogos em que as acções de Quaresma foram determinantes para a sua equipa marcar e ganhar.
Ele diz que não é uma “arma secreta” e eu estou de acordo, porque isto já são coincidências a mais para ser um segredo.
Aos 31 anos, mais maduro e menos explosivo, saltar do banco para abrir a frente de ataque, enfrentando, em duelos de 1x1, defesas já desgastados é, na minha opinião, o modelo em que Ricardo Quaresma, nesta fase da sua carreira, poderá ser mais útil, quer no FC Porto, quer na Seleção.
Desde que, claro, Quaresma não desanime por ser o “novo Juary” do FC Porto.
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Clique emocional
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| Golo de Quaresma no FC Porto x Athletic |
Aos 45’, em cima do intervalo, o “patinho feio” de grande parte dos adeptos portistas (Héctor Herrera), após uma jogada de excelente entendimento com o “maestro” (Juan Quintero), colocou o FC Porto em vantagem no marcador (1-0).
Durante o intervalo, Ernesto Valverde foi ao banco buscar dois “trunfos” que tinha guardado – Etxebarria e Muniain – e, no início da 2ª parte, viu-se uma equipa basca diferente, para melhor, e um FC Porto pior.
Aos 58’, na sequência de mais um passe lateral no meio-campo portista, interceptado por um jogador adversário (desta vez, o autor do “erro individual”, que esteve na origem de um golo da equipa adversária, foi Herrera), o Athletic chegou à igualdade (1-1).
Se a equipa portista já não denotava muita segurança, a partir daí tremeu bastante e, com a “ajuda” dos assobios vindos das bancadas, a bola parecia que queimava nas chuteiras dos jogadores que envergavam a camisola azul-e-branca.
Lopetegui foi rápido a reagir e, cinco minutos depois, reequilibrou a equipa com uma substituição eficaz, mas que desagradou a muitos adeptos: tirou Quintero (excelente com a bola nos pés, mas é menos um quando é preciso defender e correr atrás da bola) e meteu o “puto” Rúben Neves.
Mas o momento do jogo, que funcionou como um clique emocional (no relvado e nas bancadas), foi ao minuto 70.
“Quaresma? Saiu com muita energia do banco e fez um golo importante para a equipa e para ele”
Julen Lopetegui
Cinco minutos após ter entrado em campo, debaixo de uma “chuva de aplausos”, Quaresma, cheio de confiança (e com a preciosa colaboração de Gorka Iraizoz…), marcou o golo que deu a vitória (2-1) à equipa de Lopetegui.
Para mim, houve dois momentos fundamentais no jogo de hoje:
- o momento da Razão: a entrada de Rúben Neves.
- o momento da Emoção: a entrada de Quaresma.
Duas substituições (com a entrada de dois jogadores portugueses) que correram bem, muito bem. Mérito de Lopetegui, que soube ler o jogo e identificar o que, naquela altura, a equipa precisava.
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terça-feira, 14 de outubro de 2014
Uma Selecção do Carvalho
Após a equipazinha de Paulo Bento ter feito uma exibição miserável e sido derrotada, em casa, pela Albânia, logo no jogo seguinte, a Seleção de Fernando Santos foi à Dinamarca (teoricamente, o adversário mais forte deste grupo) e regressou a Portugal com uma vitória e “6” pontos (3 pontos para Portugal e 0 pontos para a Dinamarca) na bagagem.
Olhando para o onze inicial do jogo em Copenhaga, estavam lá três jogadores que não contavam, ou tinham sido proscritos por Paulo Bento: Tiago, Danny e Ricardo Carvalho.
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| Onze inicial da Selecção portuguesa em Copenhaga |
E que jogo fez este “jovem” Ricardo de 36 anos, uma exibição do Carvalho!
Mas o melhor de tudo, a cereja em cima do bolo, foi aquele cruzamento teleguiado, ao minuto 90’+5, de outro Ricardo, outro dos mal-amados de Paulo Bento (e não só): Ricardo “mau balneário” Quaresma.
Eu imagino a azia que esta vitória do “engenheiro do penta”, com o forte contributo de alguns “proscritos de Paulo Bento”, causou nos geninhos deste país.
Ah, e ainda por cima a Seleção Nacional jogou de azul e branco!
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terça-feira, 10 de junho de 2014
CR7, Pepe, Ricardo Carvalho, Quaresma…
Nas últimas duas semanas, a atenção mediática do país (leia-se, da RTP, da SIC, da TVI, da Antena 1, da TSF, da RR, de A BOLA, do Record, do Correio da Manhã, etc.) esteve virada para a seleção portuguesa de futebol, ou melhor, para o joelho esquerdo de Cristiano Ronaldo.
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| Partes de capas do Correio da Manhã nas últimas duas semanas |
A coisa foi (é) de tal maneira que, agora que CR7 voltou aos treinos, o país respirou de alívio e quase passa despercebido à generalidade dos portugueses que Pepe, seu companheiro no Real Madrid, continua em tratamentos.
Já ouvi e li que Pepe está a ser poupado para estar no auge das suas capacidades no jogo de arranque do Mundial, mas isso não é notícia, é o habitual sempre que Pepe tem sido chamado à seleção portuguesa. Isto é, em vez de participar nos treinos, passa os dias em repouso / tratamento / recuperação e depois, quando chega o dia do jogo, é… titular!
Tudo isto faz-me lembrar o dia 31 de Agosto de 2011 (já lá vão quase três anos…), na véspera de um jogo em Chipre, de qualificação para o Euro2012, quando Ricardo Carvalho abandonou um estágio da selecção.
A razão para tal atitude?
Após uma semana de treinos, Ricardo Carvalho percebeu que ia ser suplente, enquanto Pepe, que tinha passado os dias sem treinar, ia fazer parte do onze inicial de Paulo Bento.
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| Ricardo Carvalho |
Num comunicado enviado à Agência Lusa, o melhor defesa central português da última década, disse o que lhe ia na alma:
«Sinto-me em plena forma física e também mental, como o tem demonstrado a minha prestação no meu clube e na selecção. Se me fazem sentir a mais e não mo dizem, a única possibilidade é a saída. (…) Tendo cumprido 75 internacionalizações e sido profundamente dedicado à defesa do bom-nome da equipa das 'quinas', nunca antes me senti tão desrespeitado e ferido na minha dignidade. Entre os meus pares, sou apenas mais um atleta. No entanto, mereço também, como os outros, consideração e respeito (…)».
Com Paulo Bento é assim.
São titulares jogadores que passam os dias / semanas anteriores ao(s) jogo(s) sem treinar.
Mas isso não interessa. O que importa é que os “outros”, os que passam os jogos com o rabinho sentado no banco de suplentes, fiquem caladinhos e não façam ondas.
Em futebolês, são jogadores que “fazem um bom balneário”. Se jogam muito ou pouco, isso é secundário.
E, segundo dizem os entendidos da coisa, foi precisamente por ser emocionalmente instável e por não “fazer um bom balneário”, que outro Ricardo, Quaresma, ficou de fora.
Ao contrário de Pepe, um jogador emocionalmente muito estável, de comportamento irrepreensível…
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| Pepe em “ação” |
… e que na seleção de Paulo Bento não corre o risco de ser suplente (“O problema de Pepe tem nome, chama-se Varane. Não há mais história”, José Mourinho, 08-05-2013).
Siga a rusga.
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segunda-feira, 19 de maio de 2014
A lista de Bento
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| Lista de convocados (fonte: record.pt) |
“Todas as decisões de deixar jogadores de fora são decisões difíceis. O nosso critério em relação a esse setor [avançados/extremos] e a todos os outros tem a ver com um critério técnico-tático.”
Paulo Bento
Nani. De 07-12-2013 até agora participou em três jogos (!!) do Manchester United, num total de 134 minutos!
Faz parte da lista de Paulo Bento.
Vieirinha. Sofreu uma lesão gravíssima em 24-09-2013 e só regressou aos relvados quase sete meses depois, no dia 12-04-2014.
Faz parte da lista de Paulo Bento.
Éder. Teve várias lesões ao longo da época e, de 07-12-2013 até agora, participou em cinco jogos do SC Braga, num total de 246 minutos.
Faz parte da lista de Paulo Bento.
Hélder Postiga. Transferido para a Lazio em Janeiro, participou em cinco jogos da equipa de Roma, num total de 139 minutos e zero golos marcados!
Faz parte da lista de Paulo Bento.
Sejamos sérios. Se a escolha já estava feita (de acordo com um “critério técnico-tático”…), independentemente dos jogadores estarem em boa forma ou não, aliás, independentemente dos jogadores terem sequer jogado regularmente pelos seus clubes nos últimos seis meses, porquê tanto show-off?
Mais. Se mesmo jogadores que passaram a época lesionados e sem jogar foram escolhidos em detrimento de Quaresma, por que razão este último foi incluído na lista dos 30?
Para o FC Porto é melhor que o Quaresma não tenha sido convocado, o qual, deste modo, vai poder apresentar-se no arranque da época 2014/2015 (fresquinho e cheio de vontade...). Mas, não teria sido mais sério (e decente), o selecionador ter desde logo assumido que não contava com ele?
Enfim, se dúvidas tivesse elas hoje ficaram desfeitas. Para mim, esta seleção não é a Seleção de Portugal. Vejo-a, sim, como a seleção dos amigos de Paulo Bento e, como tal, é-me indiferente.
Provavelmente, irei ter mais interesse em ver os jogos do México, Colômbia, França ou Bélgica...
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domingo, 11 de maio de 2014
Mais do mesmo!
Não há muito que dizer sobre este jogo que seguiu o destino
de muitos outros desta época. Entrámos bem, a bola correu, fizemos perigo e
marcámos cedo. No corredor direito Danilo e Ricardo estiveram em muito bom
plano; o trio do meio campo comandou o jogo; Jackson esteve muito activo e ficou
a pouca distância de marcar um golo excepcional. Foram agradáveis de ver esses minutos.
Fomos perdendo fulgor, embora o SLB tivesse andado sempre distante da nossa
baliza. Até que sucedeu a grande penalidade que Reyes provocou, em mais um erro
defensivo que não estranhamos porque passou a fazer parte da rotina da equipa a
que nos habituamos como uma inevitabilidade. A partir daí, a equipa
desorganizou-se e perdeu o rumo. Uma outra grande penalidade a nosso favor, por
falta bem conquistada por Martinez, permitiu-nos chegar em vantagem ao
intervalo.
Na segunda parte, o SLB ajustou as marcações e o FCP, também
como vem sendo hábito, perdeu fulgor. Defour e Herrera apresentavam desgaste e
a defesa tremia à mínima ameaça. Fabiano hesitou e a trave salvou-nos de sofrer
o empate. As substituições de Defour por Quintero, de Herrera por Josué e de
Quaresma por Kelvin não trouxeram melhorias significativas. A qualidade caiu em
flecha e o segundo tempo foi um bocejo. Apenas uma boa jogada e Quintero, em boa posição, a atirar ligeiramente ao lado.
Este jogo não deixou saudades, como não vai deixar o
campeonato. Foi o fim adequado a uma prestação bem longe dos nossos
pergaminhos. Pela negativa neste jogo destaco Quaresma, o pior em campo. À
defesa, falta liderança e Fabiano demonstrou fragilidades preocupantes. A equipa
parece exausta e Defour e Herrera deram o estoiro cedo demais. Mikel esteve
regular, combativo e a dar boas indicações e Ricardo confirmou ser um dos bons reforços
desta época. Foram os melhores e mais constantes neste jogo. Maicon, Reyes (que não percebo porque joga do lado esquerdo) e Alex estiveram irregulares e pouco seguros.
O Dragão teve pouca gente e há um sentimento de desilusão que
se percebe, mas que não justifica a deserção. A equipa não consegue interagir com os adeptos e a ligação é de
grande frieza. O que vi no Dragão Caixa na sexta-feira foi inolvidável; a
rapaziada do futebol tem muito aprender com os basquetebolistas. Mas, não
acredito que sejam capazes. Quaresma tem que rever os seus processos e atitudes.
A direcção deve ter uma conversa com o atleta e definir os limites. A próxima época não pode começar com equívocos.
Boas Férias !
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