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segunda-feira, 12 de março de 2018

Depender de nós mesmos

A vantagem de um tropeção importante, desses que deixa sangue nos joelhos e as mãos feridas, é que acontece precisamente quando por primeira vez o FC Porto dependia apenas de si mesmo para cair e poder levantar-se sem deixar nunca de depender de si mesmo. A reviravolta em Estoril permitiu ter este colchão. Muitos - a começar pelos rivais - contavam com esse tropeção para que o Porto chegasse ao jogo com o Sporting já com a liderança efectivamente em risco mas depois de superados os leões, a rasteira veio precisamente onde era mais previsivel que chegasse. Não é por acaso que este Porto tem um padrão claro de sofrimento este ano, fruto das decisões tácticas de Sérgio Conceição.

Vila das Aves, Santa Maria da Feira, Moreira de Cónegos, Estoril e agora Paços de Ferreira. A casa dos últimos, dos que vão sofrer até ao fim, e também campos pequenos, sem espaços, perfeitos para equipas que montam o autocarro, perdem tempo desde o primeiro instante e roubam ao FC Porto aquilo que o alimenta, o jogo de transição ao espaço. Conceição tropeçou contra a mesma pedra várias vezes. Estes foram os piores jogos do Porto em todo o ano e sempre com o mesmo padrão de comportamento - tanto no 11 escolhido, nas alterações e na forma de jogar. O caso do Estoril foi especial (45 minutos como há muito não se via) e frente ao Feirense houve uma dose de eficácia inesperada mas nos restantes cenários perderam-se sete pontos que são aqueles que mantêm o campeonato vivo. Ninguém pode exigir ao Porto - ou a qualquer outro clube - ser perfeito e ter vencido esses três encontros basicamente era o mais próximo a ser perfeito que a liga portuguesa tinha visto em muito tempo mas o certo é que o preocupante passa pelo facto de ser sempre o mesmo cenário e sempre o mesmo resultado o que demonstra escassa aprendizagem. Havia muitas baixas importantes, sem dúvida, mas nunca houve futebol nem uma ideia de jogo coerente e eficaz para as condições em que se disputou o duelo. Debaixo de um diluvio e de um vendaval, com o campo enxarcado desde o primeiro instante, o Porto jogou exactamente como joga num fim de tarde tranquilo no Dragão. Manteve jogadores tecnicistas mas com pouca incisão (Corona), optou por usar o jogador mais parecido a Herrera (mas muito pior) quando a condução com o esférico era impossível e apostou tudo num jogador, Waris, que tem tudo o mau de Marega e nada do bom. Foi o jogador que menos contribuiu para o jogo, com mais perdas, menos passes e com uma relação com a bola nefasta. Foi jogar com um menos desde o início tendo a Gonçalo no banco e sabendo, desde o primeiro momento, que Aboubakar não só não recuperou a boa forma prévia à lesão como é um reflexo ofensivo deste Porto, um jogador que precisa de muitas oportunidades para marcar.
Porque sim, apesar de tudo, tal como nas Aves, Feira ou Moreira de Conegos o Porto criou ocasiões suficientes para dar a volta ao golo irregular do Paços mas como sempre tem sucedido o ratio de eficácia é extremamente baixo. O Porto é uma equipa ofensiva, de tração dianteira mas a quem custa marcar como a nenhum outro e ontem os disparates de Aboubakar, Waris, Brahimi e Hernani - só para dar alguns exemplos - foram evidentes e reflexos de histórias parecidas.

Entre essas oportunidades esteve o penalti falhado por Brahimi, o momento chave do jogo.
Brahimi não é um especialista, acertou metade dos remates que tentou na sua passagem pelo Porto, e é um jogador macio para estes momentos. Também não era o homem escolhido por Conceição. Foi visivel na televisão e audivel na rádio que Oliveira foi o escolhido para anotar a grande penalidade mas por um motivo que só ele sabe, deixou Brahimi ficar com o peso da responsabilidade. Num plantel sem grandes especialistas é importante partir para os jogos com as coisas claras e os marcadores muito bem definidos. O passo atrás de Oliveira foi um péssimo sinal de caracter e o erro de Brahimi esperado e consequente com o desnorte emocional de uma equipa frustrada pelo anti-jogo do Paços (um recorde seguramente) mas também pela falta de um plano B. Até ao final do jogo o Porto tentou sempre a mesma jogada mas Dalot (ainda) não é Telles e os seus centros não fazem a diferença do mesmo modo que faltou altura e bom jogo de cabeça para explorar tantos cruzamentos ao mesmo tempo que faltou calma e frieza na hora de gerar as jogadas (as que Herrera, Oliver e Danilo sempre têm e que ontem fizeram muita falta ao colectivo) de ataque.

O Porto mereceu perder o primeiro jogo do ano porque jogou mal, desaproveitou muito, não soube adaptar-se ao ritmo do jogo e ao terreno de jogo e falhou um penalti tão claro que nem Bruno Paixão pôde não apitar. Mas que equipa chega á jornada 26, sofre a primeira derrota e só tem dois pontos de avanço de um segundo classificado levado ao colo há meses por um Polvo que a cada dia é destapado um pouco mais? Até ao dia de ontem só o Barcelona de Messi se mantinha invicto nas ligas europeias de elite (actualmente só o Lincoln Imps de Gibraltar também está sem ser batido no seu campeonato) mas enquanto os catalães sacam oito pontos de avanço ao segundo, a impunidade que grassa em Portugal permite ao segundo classificado depender apenas de si próprio para ser campeão. O que há que reter desta noite nefasta é que as próximas deslocações fora do Dragão vão ser contra rivais (e em campos) diferentes daqueles que têm custado pontos e que continuam a faltar oito vitórias (ou sete e um empate na Luz, como queiram) e que apenas se perdeu um match point dos nove disponiveis. A brilhantez do trabalho do plantel continua sem merecer a mais minima critica e ninguém seria capaz de imaginar que o FC Porto fosse cair apenas pela primeira vez a esta altura do campeonato. A cada dia que passa estão também mais perto de voltar os lesionados (Alex, Danilo e Soares, sobretudo) e a cada dia que passa novas revelações vão dando ainda mais valor ao que está a ser logrado em campo por um clube totalmente condicionado fora dele. No fim de contas, o Porto sai deste fim-de-semana como entrou. Apenas a depender de si mesmo. Que seja assim até ao último jogo do ano!

domingo, 8 de janeiro de 2017

Foi-se?

Com duas ou três excepções ao longo desta meia temporada já decorrida, na maioria dos jogos do FCP parece que estamos sempre a ver a mesma partida. Parece que pouco ou nada aprendemos com os desaires anteriores e, num cenário como este em que tudo aparentemente se esquece, tendemos a repetir sempre os mesmos erros.


Por exemplo, apesar de tudo o que foi dito e escrito, visto e revisto nos últimos meses, lá tivemos hoje direito ao regresso de Herrera a titular para a Liga. Muitos dirão que foi dos menos maus. A pergunta é: e qual foi o efeito prático disso? Se num jogo em que ele é "razoável", este jogador pouco ou nada acrescenta de real e concreto, que esperar dele naquelas outras partidas (a maioria) em que ele está ao seu nível habitual, ou seja, fraco?

Uma das virtudes do slb dos últimos anos é aprender com os erros cometidos, coisa que não sucedia em tempos anteriores por aquelas bandas. Já nós, pelo contrário, parece que queremos chegar a um resultado diferente, repetindo sempre os mesmos erros.
Os outros agradecem.

E depois, claro, temos os já nossos habituais falhanços de todas as primeiras-partes.
Bola bem trocada de pé para pé, sim, mas poucas oportunidades reais de golo e com estas sempre desperdiçadas sem que ninguém se pareça aborrecer muito como isso, erradamente acreditando que ainda falta muito tempo e que novas chances virão.
Que jogador do "11" do slb falharia aquela oportunidade do Diogo Jota, completamente isolado? Se calhar, nenhum. E quando é que Óliver vai deixar de se comportar como um júnior na hora do remate?
Mas NES e os jogadores acreditam sempre que no segundo tempo é que vai ser. Ora, muito raramente o é.
A equipa perde gás, de uma forma gradual, até quase desaparecer por completo.
As substituições, essas, são cada vez são mais tardias e, nunca por nunca, são feitas antes de cada jogador a entrar ter uma aula de Desenho ministrada pelo nosso treinador adjunto.
O factor-tempo jamais parece ser uma fonte de preocupação para os nossos lados.

E, claro, para a tempestade ser perfeita, e como se já não bastassem estes inúmeros problemas, temos ainda direito a esta lenga-lenga, que já vem de longe:
E agora sem Layun. E agora sem Otávio. E agora sem Brahimi. E agora sem Danilo.
Num clube tão disfuncional como o nosso actual e ainda com estas ausências de peso, não há quem aguente.

"Fizemos mais de 20 remates. Temos de trabalhar bastante esse aspecto para que não volte o problema que já foi". Pois, Nuno, mas isso já vimos ouvindo desde o início da época.
O que nós pretendemos saber é o que, neste aspecto concreto, foi feito até ao momento (e que não deu resultados) e o que será feito no futuro para resolver de vez o problema.

E já não falta muito para o dia 31...

segunda-feira, 11 de abril de 2016

A sério?


Mais um jogo miserável do FC Porto. Nova derrota, desta vez em casa do Paços de Ferreira. 

Não há fio de jogo, não há agressividade, não há a procura do golo, não há organização, não há nada. Nada de nada. A equipa está destruída e, apesar de isento de culpas, Peseiro foi (mais) um erro de casting. A tal “estrutura” que era tão elogiada e “vítima do reconhecimento exterior” afinal não foi capaz de encontrar um treinador decente para substituir Lopetegui. O final de época está a ser penoso. E pode sempre piorar.

Não é difícil adivinhar os motivos pelos quais os jogadores do FC Porto se mostram apáticos, lentos, sem ideias e extremamente inseguros. A médica que outrora Mourinho expulsou do Chelsea, Eva Carneiro, esteve este fim-de-semana numa conferência médica em Londres e, entre outras ideias do seu discurso, deixou uma frase interessante: “The relationship with management absolutely affects how ready [players] feel to take on a risk”. Numa tradução livre, disse a doutora que a relação dos jogadores com a “gestão” (edit: leia-se equipa técnica) afecta a forma como eles se predispõem a assumir riscos.

Depois da entrevista dada esta semana por Pinto da Costa ao PortoCanal, em que não só não assumiu por inteiro a responsabilidade pela actual situação do clube, como ainda culpou o ex-treinador de inadaptação e de contratações falhadas e acusou os actuais jogadores de falta de portismo e de carácter, estaria agora à espera que eles “metessem o pé” e dessem tudo em campo? A sério?!
   

domingo, 10 de abril de 2016

SMS do dia

Aguardo com expectativa o candidato Pinto da Costa a posicionar-se contra o presidente Pinto da Costa depois de mais um naufrágio no ocaso de um mandato que mete água por todos os lados. No meio de tanta dualidade, não surpreenderia que o psiquiatra de serviço leve a habitual comissão de 10% e uma percentagem na futura venda milionária do Rafa.
   

domingo, 6 de dezembro de 2015

A primeira reviravolta


Na era Lopetegui, os jogos no Dragão são sempre difíceis. Porque a equipa entra a dormir ou porque o adversário marca um golo fortuito, como foi o caso no jogo de ontem. Um canto a favor do Paços, um alívio e uma bola de ressaca para um pacense marcar fácil frente a Casillas. O FC Porto começava o jogo praticamente a perder. Por incrível que pareça, desta vez o Estádio manteve-se tranquilo e essa tranquilidade transmitiu-se à equipa que pegou no jogo e foi para cima do Paços com o objectivo de marcar golos. Uma e outra situações de golo ocorreram antes de uma bela jogada de Brahimi desmarcar Corona que, aguentando a pressão dos defesas contrários, picou a bola por cima de Marafona e fez o merecido golo do empate. Pouco depois ainda assistimos a um falhanço monumental de Herrera que sozinho atirou à figura do guarda-redes. Fomos para o intervalo empatados a uma bola.

Na segunda parte o FC Porto entrou forte, com vontade de fazer golos e de vencer o jogo, enquanto o adversário se limitava a perder tempo com lesões convenientes que implicavam a entrada da equipa médica em campo. Até que Herrera se lembrou de pressionar o guarda-redes e o defesa e, aproveitando o erro, ganhou um penalty que Layun marcou na perfeição. Estava consumada a reviravolta no marcador, a primeira de Lopetegui ao comando da equipa do FC Porto.

Até ao final do jogo ainda assistimos ao desperdício de golos cantados por parte de Tello e, principalmente, Aboubakar. O camaronês está com os níveis de confiança abaixo de zero.

É necessário deixar uma nota ao responsável pelo futebol na SAD, Antero Henrique. Tem de explicar ao senhor treinador e aos senhores jogadores, e já agora a todo o staff do Dragão, que os nossos adversários têm de sentir medo quando entram na nossa casa. Porque cá, temos de ser nós a mandar.

Jornal OJOGO, edição online

Qualquer equipa que vem ao nosso Estádio condiciona os nossos jogadores, empurra, marca faltas e lançamentos mais à frente, bloqueia a marcação das faltas a nosso favor com obstruções, simula lesões e pede assistência para logo de seguida se levantar e correr, pressiona o árbitro, etc. E não há qualquer reacção da parte dos nossos jogadores. O Paços foi o exemplo perfeito deste tipo de comportamento. E depois temos de ouvir as declarações deste suíno: 

"Não há vitórias morais, mas ao sétimo jogo no Dragão o FC Porto sofreu um golo. O FC Porto acaba o jogo a queimar, a retardar o início do jogo, acho que isso são sinais de que qualquer equipa que venha ao Dragão pode fazer um jogo que coloca o FC Porto em sentido".

"Qualquer equipa que vem ao Dragão coloca o FC Porto em sentido"?! Esta ideia não pode passar e estes comportamentos têm de ser travados com a nossa atitude colectiva. Os adversários têm de sentir medo.
   

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Sai uma trivela para a mesa 5

                                          Foto: Maisfutebol

O FC Porto quis redimir-se da derrota da jornada anterior na Madeira frente ao Marítimo e fez uma exibição convincente aplicando a chapa 5 ao Paços de Paulo Fonseca.

A equipa jogou com muito mais intensidade, pressionando mais alto o adversário e em consequência ganhando a bola mais próximo da baliza adversária. As oportunidades de golo foram surgindo até que aos 28’ Jackson empurra para a baliza a bola vinda de um cruzamento tenso da esquerda de Alex Sandro, beneficiando ainda do erro do guarda-redes Defendi que falhou a saída ao cruzamento.

Vi no Paços de Paulo Fonseca uma equipa semelhante ao FC Porto da época passada. É uma equipa organizada que, sem a bola, se move em bloco ora para o lado esquerdo ora para o lado direito, dependendo das movimentações do adversário mas que, não raras vezes, deixa os adversários na cara do golo porque falha uma ou outra marcação quando a bola é lançada para as costas da defesa. Era assim a nossa defesa na época passada. E foi assim que Jackson se isolou com um passe longo livrando-se de Hélder Lopes que depois acaba por agarrá-lo dando origem à marcação do penalty que Quaresma executou na perfeição.

O árbitro Marco Ferreira conseguiu inovar e mostrar-nos uma nova interpretação das leis do jogo no que respeita à sanção disciplinar a aplicar ao jogador que impede o adversário de jogar tendo este pela frente apenas o guarda-redes. Assim, estes lances são, segundo Marco Ferreira, puníveis com livre directo e o jogador infractor:
a) É punido com a amostragem de um cartão amarelo se a equipa adversária for o FC Porto ou;
b) É punido com um cartão vermelho e consequente ordem de expulsão se a equipa adversária for outra que não a mencionada em a).

Foi assim aos 37’ quando Hélder Lopes agarrou Jackson dentro da área e foi assim aos 81’ quando Romeu agarra Jackson à entrada da área (i.e, viram apenas um cartão amarelo sendo que no caso de Romeu levou a expulsão por se tratar do segundo amarelo).

Depois, aos 43’, vem o momento de magia no jogo. Deixo aqui a descrição do lance por Pedro Cunha no Maisfutebol que tem mais veia poética que eu:

Era uma vez… Quaresma. 

Todas as histórias de encantar, pedaços da nossa infância, começam assim. E o Mustang merece a deferência. É raro, muito raro, ver o que vimos no Dragão este domingo. O terceiro golo da noite é um prodígio de potência, colocação e efeitos especiais. Sim, efeitos especiais. 

O pontapé de trivela, três dedos na bola e o arco perfeito, é sobre-humano. É um truque saído da manga de um mágico, retocado na mesa de edição de imagem e servido ao público com um halo de perfeição. Que grande golo, caro leitor! 

O movimento de Quaresma é o habitual. A finta a procurar a zona central e a parte de fora do pé direito a fazer das suas. A bola explodiu no ângulo superior direito da baliza do Paços e dissipou, com a firmeza de uma alta patente, as poucas dúvidas que ainda assombravam o score.

Logo no início da segunda parte Herrera fez o 4-0 depois de excelente trabalho individual de Jackson – que grande jogo fez o colombiano, está em toda a parte, defende, ataca, desmarca-se, enfim, é um trabalhador incansável – e a equipa adormeceu um pouco, o que se compreende. Até ao fim há a destacar a desmarcação de Óliver que, na cara do guarda-redes, atirou à figura e o 5-0 por Cristian Tello na marcação de um livre directo por falta cometida sobre Jackson. Um golo de belo efeito.

Não gostei da exibição de Cristian Tello, apesar do livre bem marcado, e creio que a sua substituição seria mesmo a mais acertada em vez da de Quaresma. O espanhol, mais uma vez, teve uma actuação de altos e baixos e nunca mostrou disponibilidade total para disputar a bola. Há uma jogada na primeira parte sobre o lado esquerdo do ataque do FC Porto em que a bola lhe é passada bastante para a frente e Tello pura e simplesmente se desinteressa do lance. Isto não é um jogador "à Porto" e o problema é que ninguém lhe explica isso sendo, aparentemente, um jogador intocável para Lopetegui. O Quaresma é sempre o extremo sacrificado quando toca a substituições e, sinceramente, começo a entender a sua incompreensão apesar de não concordar com gestos públicos de desagrado como tirar as fitas das caneleiras e atirá-las ostensivamente para o chão. 

Em suma, valeu ao FC Porto uma entrada em jogo com determinação e entrega por parte de todos os jogadores que desta vez conseguiram colocar mais intensidade em todas as bolas. A equipa deveria jogar assim em todos os jogos da Liga até à 34ª e última jornada.
   

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A pouca vergonha do SL Paixão

Capa de O JOGO de 27-01-2015

«Num jogo com muito que analisar em termos de arbitragem (…)
Centro de Jonas, a bola bate na mão de Ricardo e Bruno Paixão assinala penálti. Este é o relato fiel. (…)
Chegou, então, o momento que decidiu o jogo. Abordagem displicente de Eliseu e penalti inequívoco sobre Hurtado, lançado minutos antes pelo Paços de Ferreira. Bruno Paixão hesitou segundos confrangedores, quando todos pareciam ter visto. Olhou na direção contrária ao lance (Manuel Mota, o quarto árbitro, ou o assistente?) e então apitou. Sérgio Oliveira marcou o golo que decidiu o jogo e manteve acesa a disputa pelo campeonato.
Ainda sobre o árbitro, uma última nota: medíocre como quase sempre. Dúvidas em dois lances com Cícero na área encarnada e o tom repetitivo de apitos que todos percebem ser de alguém com pouca mão no jogo. A Liga e um jogo tão vivo como este mereciam melhor.»


«Hurtado passou, correu, Sérgio devolveu a bola, ela chegou ao peruano e o lateral do Benfica esticou a perna. Estava na beira da grande área e acabou por rasteirar o avançado do Paços. De início não se ouviu apito — até ao auxiliar avisar Bruno Paixão e o árbitro, aí sim, soprar no apito. Era penálti.»


Bruno Paixão em acção: take 1 (fonte: Record)

Bruno Paixão em acção: take 2 (fonte: Record)

«A indicação do penálti que decidiu a partida terá sido dada pelo 4.º árbitro, Manuel Mota que, curiosamente, estava mais longe do lance do que Bruno Paixão e o seu auxiliar, Rodrigo Pereira.
O juiz hesitou após a falta de Eliseu e olhou para o seu assistente. Bruno Paixão só marcou a infração quando recebeu a indicação de Manuel Mota. Esta situação acabou por ser analisada por Jesus. “Não sei quem deu a indicação. O árbitro auxiliar do lado da bola não deu, o árbitro também não, e, passado alguns segundos, há a confirmação de que é penálti”.»
in record.pt


Jorge Maia, O JOGO, 27-01-2015

Não há muito a dizer sobre a escandaleira do FC Paços Ferreira x SL Paixão de ontem à noite. As decisões, as hesitações, as imagens, os FACTOS falam por si.

Ontem, em Paços de Ferreira, apesar da derrota do clube do regime, assistiu-se a um novo episódio do campeonato mais fraudulento dos últimos 30 anos (pelo menos).

E, perante a fraude, perante a falsificação de resultados, perante a instituição da mentira desportiva, o chefe dos árbitros, o senhor Vítor Pereira, continua como se nada fosse, sem dizer uma palavra.


"Apetecia-me mas não vou falar da arbitragem [de Bruno Paixão]"
Paulo Fonseca, 26-01-2015


P.S. Os intermináveis minutos de desconto dados por Bruno Calabote… perdão, por Bruno Paixão, após o Paços Ferreira ter marcado ao minuto 89…


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

SMS do dia

Paulo Fonseca expulso por Bruno Paixão enquanto é segurado por Manuel Mota (fonte: LUSA)

O maldito Paulo Fonseca já fez mais pelo FC Porto este ano do que o amigo Julen Lopetegui. Ganhar ao Benfica! As ironias da vida são tramadas.

sábado, 23 de agosto de 2014

No intervalo do Play-off

68 horas e meia após o final do jogo de Lille, teve início o jogo em Paços de Ferreira.

Na próxima terça-feira, às 19h45, 72 horas após o final do jogo de Paços Ferreira, terá início o FC Porto x Lille, da 2ª mão do Play-off da Liga dos Campeões.

Assim, no jogo de hoje, Danilo, Herrera, Brahimi e Óliver Torres não fizeram parte do onze inicial e, em sentido contrário, estrearam-se a titulares Ricardo, Evandro, Tello e Adrian Lopez.

É óbvio que o plantel desta época tem maior qualidade e profundidade do que os planteis dos últimos três anos e, conforme Lopetegui já repetiu várias vezes, para ele não há 11 titulares. Contudo, parece evidente que as escolhas para este Paços Ferreira x FC Porto foram condicionadas pela importantíssima eliminatória frente ao Lille.

Apesar das muitas alterações, a equipa revela já uma organização apreciável para esta fase da época. Aliás, nesse aspecto, faz-me lembrar o que de bom tinha o FC Porto de Vítor Pereira.

Três jogos (dois dos quais fora de casa) e zero golos sofridos é, obviamente, bastante positivo e que tem algum significado.
É um chavão mas é verdade: as boas equipas começam a construir-se de trás para a frente.

Mas, por outro lado, este FC Porto de Lopetegui ainda revela dificuldade em criar oportunidades de golo, incluindo em lances de bola parada.

Há uma estatística no jogo de hoje que me parece relevante. O FC Porto teve 12 cantos a seu favor (contra apenas dois do Paços de Ferreira), mas foi incapaz de criar perigo para a baliza dos castores em qualquer um deles.

É fundamental começar a ter jogadas estudadas para os lances de bola parada, de modo a melhorar o aproveitamento deste tipo de lances.

Sem deslumbrar, foi uma boa e merecida vitória do FC Porto num campo onde, suspeito, não vai ser fácil ganhar.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Algumas coisas boas

A exibição dos azuis-e-brancos foi fraquinha, na linha do que se tem visto esta época e com os defeitos conhecidos. Contudo, em vez de repetir aquilo que todos os adeptos portistas já estão fartos de saber e discutir (lentidão, desorganização coletiva, fragilidades defensivas, falta de acutilância ofensiva, etc.), vou falar de algumas das coisas boas deste FC Porto x Paços Ferreira.

Comecemos pelo mais importante: o resultado do jogo.
Ganhar e somar três pontos é sempre bom e, para aquilo que o FC Porto jogou, eu diria que ganhar este jogo por 3-0 foi um excelente resultado.

Outra coisa boa foi que, ao contrário do que aconteceu no último slb x FC Porto, desta vez, dos dois lances para penalty a favor do FC Porto, o árbitro (Cosme Machado) decidiu assinalar um. Menos mal, estamos a progredir...

Jackson Martinez marcou mais um golo (o 14º no campeonato) e, pelo menos até terça-feira, isolou-se na liderança da lista dos melhores marcadores do campeonato. E não é ele que marca os penalties que são assinalados a favor do FC Porto...

Fernando, o jogador que, segundo "fontes bem informadas", ia ser ostracizado pelos "malvados" dirigentes do FC Porto e não voltaria a vestir a camisola do FC Porto, regressou após paragem por lesão, jogou 90 minutos e foi um dos melhores em campo.

Quem também jogou 90 minutos, tendo sido o jogador das duas equipas que percorreu a maior distância (mais de 11500 metros), foi Herrera. Aos poucos, o médio mexicano vai ganhando o seu espaço na equipa e eu continuo a pensar que a sua intensidade de jogo, o seu futebol vertical e os passes de ruptura que faz só precisam de um coletivo mais forte e organizado à sua volta para convencer a generalidade dos adeptos portistas.

Perante a intempérie que, nos últimos dias, se abateu sobre o país, o Estádio do Dragão voltou a demonstrar que é, de longe, o melhor estádio português. Já se sabia que era o mais bonito, o que tem os acessos mais eficazes, as melhores condições de segurança (sem precisar de jaulas) e o relvado que resiste melhor a fortes chuvadas. Hoje ficou também demonstrada a enorme diferença de qualidade entre a cobertura do Estádio do Dragão e a do estádio lisboeta onde se vai disputar a próxima final da Liga dos Campeões...

domingo, 1 de setembro de 2013

Meu Deus, que mau!

Paços Ferreira x FC Porto, Jackson Martinez (fonte: Maisfutebol)

Que mau que é ver um ponta-de-lança titular do FC Porto a rematar à baliza pior que um iniciado. E não foi uma ou duas vezes, foram sete ou oito.

Que mau que é ver um jogador da categoria do Lucho e a "revelação" Licá a imitarem Jackson Martinez e a também não conseguirem sequer que um dos seus vários remates fosse enquadrado com a baliza.

Que mau que foi ver como, primeiro Fucile e depois Maicon, iam enterrando a equipa, devido à forma displicente com que abordaram dois lances em zonas proibidas. Valeu São Helton.

Que mau que foi ver a dificuldade que o FC Porto teve para vencer este Paços de Ferreira, uma equipa frágil, em reconstrução, que jogou a meio da semana em São Petersburgo e que vinha de quatro derrotas em quatro jogos oficiais.

Que mau que foi ver o FC Porto a queimar tempo no final do jogo, à espera que os minutos passassem, em vez de aproveitar o adiantamento do Paços para marcar o 2º golo e "matar" o jogo.

Enfim, perante uma exibição cinzenta, salvou-se o resultado, uma magra vitória que valeu 3 pontos e a manutenção da liderança do campeonato.

E parabéns aos milhares de adeptos do FC Porto que se deslocaram a Felgueiras, os quais apoiaram a equipa do princípio ao fim, fazendo com que, na prática, quem jogou em casa tivesse sido o FC Porto e não o Paços de Ferreira.

P.S. Sim, o FC Porto ganhou, mas se aquilo que esteve mal não for corrigido (para além do Jackson, é preciso outras alternativas para finalização das jogadas de ataque; contra equipas fechadinhas, um meio-campo formado por Fernando, Defour e Lucho é muita parra e pouca uva), mais tarde ou mais cedo iremos ter amargos de boca.

domingo, 19 de maio de 2013

Cadê do Cadú?

Estou a viver este jogo [Paços Ferreira x FC Porto] de forma intensa. Espero que o Paços consiga ganhar, por ser o meu clube e por poder ajudar o Benfica a ser campeão, seria como colocar a cereja no topo do bolo. Aliás, vou ver o jogo no domingo com um cachecol do Paços e uma camisola do Benfica.
Cadú, ex-jogador do Paços Ferreira


Quem é este Cadú?
É um defesa-central, de 31 anos, sendo atualmente jogador do CFR Cluj, onde está há sete anos (desde a época 2006/07).

Cadú diz que o Paços Ferreira é o seu clube mas, nos 13 anos que já leva de carreira, jogou apenas dois anos no clube da capital do móvel, nas longínquas épocas 2002/03 e 2003/04.
Quanto ao clube do regime, pelos vistos a grande paixão futebolística de Cadú, ele nunca teve o “privilégio” de envergar a camisola encarnada, que agora diz ir vestir durante o Paços Ferreira x FC Porto.

Ora, nunca tendo jogado no slb, o que leva um jogador profissional, no ativo, a manifestar-se publicamente desta maneira?
É estranho e faz com que aquilo que se passou no dia 22 de Maio de 2005 possa, à luz destas declarações, ser revisto com outros olhos.

Domingo, 22 de Maio de 2005, 34ª e última jornada da época 2004/05.
No Estádio do Bessa XXI disputou-se um Boavista x slb, decisivo para a atribuição do título.
Os encarnados estavam a revelar grande dificuldade em marcar mas, aos 37 minutos, um tal de Cadú cometeu um penalty disparatado, que o especialista Simão Sabrosa não teve dificuldade em concretizar, colocando o slb em vantagem por 1-0.

(Boavista x slb, época 2004/05)

Se no Paços Ferreira x FC Porto de hoje houver algum penalty, ou autogolo, a favor dos dragões, imagino o que se diria se essa “infelicidade” fosse protagonizada por um jogador que, passado algum tempo, revelasse ter uma enorme paixão pelos azuis-e-brancos…


P.S.1 «O jogador português do Cluj, Cadú, é suspeito de estar implicado no caso de viciação do resultado no jogo com o Galatasaray, segundo o jornal romeno Prosport avança esta sexta-feira [08-02-2013]. Segundo aquela publicação, o capitão da equipa romena terá recebido alegadamente 100 mil euros para que a sua equipa perdesse no encontro com a formação russa, em jogo da fase de grupos da edição deste ano da Liga dos Campeões. O Galatasaray precisava de vencer para ultrapassar o Sporting de Braga e o Cluj e garantir um lugar nos 'oitavos'. A Europol suspeita que o resultado a 7 de novembro, em que os turcos venceram os romenos por 3-1 tinha sido viciado. Com este resultado, o Galatasaray juntou-se ao Cluj na passagem à fase seguinte da Liga dos Campeões.»

P.S.2 Este caso do Cadú fez-me relembrar o célebre caso Manaca.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sábado, 18 de maio de 2013

Presidente do Paços, o homem do cheque

«Segundo apurou o GRANDE PORTO junto de um jogador que representa actualmente os "castores", no final do treino da passada terça-feira, no balneário, o presidente do clube, Carlos Barbosa, prometeu aos 14 jogadores que venham a ser utilizados pelo treinador Paulo Fonseca durante aquele que será o jogo do título, um prémio de 30 mil euros caso obtenham um resultado que não permita que os dragões revalidem o título. A notícia não foi bem recebida e gerou mesmo mal-estar junto dos jogadores pacenses e da própria estrutura do clube.
Carlos Barbosa, que o GP tentou contactar sem sucesso até ao fecho da edição, não revelou quem está por detrás dessa promessa, mas o GP sabe que além do prémio acenado aos jogadores, o próprio clube receberá também um cheque de cerca de 500 mil euros, caso a equipa obtenha um resultado positivo.

A verdade é que o grande beneficiado com uma vitória ou um empate do Paços de Ferreira será o Benfica, um clube com o qual os pacenses mantêm boas relações e realizado alguns negócios, como foi o caso das transferências de Luisinho e Mitchel para a Luz no último Verão, a troco de um milhão de euros e do empréstimo de Melgarejo aos "castores" na época passada.
Ainda na quarta-feira, Carlos Barbosa foi um dos convidados do Benfica para a final da Liga Europa, onde foi muito saudado pelos adeptos encarnados.»
in semanário GRANDE PORTO, 17-05-2013


Nada tenho contra o Futebol Clube Paços de Ferreira e muito menos contra os seus genuínos adeptos, bem pelo contrário. Mas espero que os dirigentes do FC Porto não esqueçam aquilo que a actual direcção do FC Paços Ferreira, e particularmente o seu presidente, têm feito esta semana, tendo em vista a "preparação eficaz" do jogo de amanhã.

Desde a saga dos bilhetes ao "doping financeiro", nada está a ser descurado. E não ficaria admirado que amanhã, quando chegasse ao estádio da Mata Real, a equipa do FC Porto fosse confrontada com uma relva alta e mal tratada.

Em condições normais, amanhã o único adversário seria uma valorosa equipa pacense, cujos objetivos já estão alcançados. Mas a realidade é outra e, para além da aliança entre Luís Filipe Vieira e Carlos Barbosa, a equipa do FC Porto vai enfrentar uma coligação de interesses fortíssima, que inclui um árbitro lisboeta e uma comunicação social fanatizada (conforme se viu na recente cobertura da final da Liga Europa). E até o reforço policial vem de Lisboa...

Nota: A foto e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

E se o jogo fosse em Braga?

«(...) a primeira enchente azul na Mata Real ficou marcada pela frustação: os cerca de 800 bilhetes colocados à venda em Paços de Ferreira, ontem de manhã, foram escassos para tantos portistas. (...) Os 5250 lugares do recinto estão maioritariamente reservados aos sócios da casa (...) um dispositivo policial tardio, incapaz de garantir que a transação decorresse segundo a ordem de chegada estabelecida, ao longo da madrugada, entre aqueles que pernoitaram junto ao estádio. A lista que é costume elaborar nestas ocasiões foi, segundo relatos, reordenada de acordo com a lei do mais forte, quando, por volta das sete da manhã, elementos ligados à claque portista se apresentaram na Mata Real e assumiram o controlo da multidão. (...) Vendidos a 12, 24 e 30 euros, especulava-se que já valeriam 150, na candonga. Às 11 horas, estava esgotada a lotação para os visitantes.»
in O JOGO, 16-05-2013


Desde o escasso número de bilhetes cedidos ao FC Porto (cerca de 300, sensivelmente o mínimo obrigatório correspondente a 5% da lotação da Mata Real), até ao modo como foi (des)organizada a venda de bilhetes em Paços de Ferreira, estamos perante um processo lamentável e que suscita alguma perplexidade.

E contudo, tudo poderia ter sido diferente, se a Direção do Paços de Ferreira se tivesse lembrado (será que não lembrou?) da hipótese de transferir este jogo para um estádio de maiores dimensões. Por exemplo, o que tinha o Paços Ferreira a perder se o jogo fosse disputado em Braga, no estádio Axa, o qual tem capacidade para 30 mil espectadores?
Aparentemente nada, porque a classificação final do Paços Ferreira está definida e é independente do resultado deste último jogo.
Ora, não tendo nada a perder, o Paços Ferreira poderia, num cenário destes, fazer um encaixe muito significativo. Por exemplo, reservando 4000 bilhetes para distribuir gratuitamente pelos seus associados, se vendesse os restantes 26 mil bilhetes ao público a um preço unitário de 40 euros, o Paços Ferreira faria um encaixe superior a um milhão de euros!

Claro que a transferência do Paços Ferreira x FC Porto para o estádio Axa não agradaria a Luís Filipe Vieira, nem ao atual presidente da Liga, os quais já se devem ter esquecido do local onde foi disputado o Estoril x slb da época 2004/2005.
Claro que se o jogo tivesse sido transferido para um estádio maior e com melhores condições, o presidente do Paços de Ferreira, Carlos Barbosa, não teria sido saudado, nem recebido uma ovação na passada quarta-feira dos adeptos benfiquistas presentes no Arena de Amesterdão.
Pois, mas a prioridade dos dirigentes do Paços Ferreira deveria ser defender os interesses do Paços Ferreira e não, como parece ser o caso esta semana, estarem preocupados com as "dores" de outros clubes.
A não ser que haja negócios relevantes a serem tratados (há quem trate das coisas por outro lado...) e, por exemplo, a transferência de algum dos jogadores do Paços de Ferreira esteja dependente do resultado deste jogo...

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Sem "autocarro" é que é bom...

(slb x Paços Ferreira)


"Não vamos jogar com o autocarro à frente da baliza, porque não o fazemos, e vamos defrontar o Benfica desinibidos e a lutar para ganhar"
Tony (defesa do Paços Ferreira), 22-02-2013

"Vamos ser iguais a nós próprios e não vamos jogar com o autocarro em frente à nossa baliza. Não faz parte da nossa filosofia e nem só o resultado interessa"
Paulo Fonseca (treinador do Paços Ferreira), 23-02-2013

"não perdemos a nossa identidade"
Paulo Fonseca (treinador do Paços Ferreira), 24-02-2013


Sem "autocarro" e de peito aberto. É assim mesmo!

Ao contrário da semana passada (slb x Académica), desta vez ninguém criticou o anti-jogo, nem as perdas de tempo e muito menos a estratégia adoptada pelo treinador da equipa adversária. É só elogios à postura do Paços...

«Exibição serena, vitória fácil e resultado robusto, eis o resumo da noite em que o Benfica se desembaraçou com surpreendente facilidade do sensacional P. Ferreira de Paulo Fonseca.»
in record.pt

domingo, 25 de março de 2012

Nem espanto, nem tristeza. Apenas pobreza.


Vinte e quatro jogos depois, ainda há quem exclame, ou até quem se espante, por tão intensos e sucessivos tropeços no liso, que estas equipinhas cá do burgo não aspiram a mais do que esse singelo diminutivo, e, eis outra vez, nem dois dias passaram, espalha-se ao longo outro “grande” com futebol tão pequeno, que apesar de pagos com muitos dinheiros, não são essas moedas que os fazem jogar mais. Os “pobres” da casa, coitados, lá vão eles à vida todos contentes, um pontinho no bolso, bem melhor que nada, seja louvado Cássio pelas prestimosas intervenções, ou bem-afortunado das aselhices alheias.

Não foi o pior, nem foi o melhor, correu como em outros jogos se deu, uma mediania sensaborona, que o nosso jogar não sabe a carne, nem peixe, mas a comandita de Vítor Pereira acabou por engolir as sobras que não tinha rapado antes do empate fatal, maldita melga ou vareja, que nos pôs a ver estrelas.

Nem foi nada mal, tal a cadência de bolas, e perigos vários, esvoaçando a baliza caseira. Depois do quarto de hora de jogo, a meter muito rasgo e pouco mais, chegou-se à frente o Dragão, com boas promessas de golo, mas todas elas sem lhe verem o ouro. Lucho primeiro, enquanto as pernas lhe davam, pica por cima, mas lá vem Cassio. Janko mais tarde, que para ser mais fácil, ou quiçá mais difícil, de portas escachadas, acerta-lhes nas fechaduras. Vira porca, venha outra, mais do mesmo, Janko outra vez, não sabe o que fazer a um ressalto de um tiro de Hulk. E nulo que és, fica-te tão bem.

Volta das cabines o povo, anda cá Fernando, que estás perdoado. Põe-te andar Defour, que só aterraste por estas beiras há pouco, ainda cheiras a leite, e não tens arcaboiço para deixar no chuveiro um capitão doutros tempos. Não sejas arreliante, escrever tais dislates, nem dois minutos a bola rolava e já se anichou nas redes de Cássio. Arrancada de Hulk, um pique bem ao seu estilo, obrigado Ricardo por nos fazeres o jeito, não vá aparecer aí um austríaco qualquer a trocar as voltas aos seus papéis.



Sobe, sobe rendimento. Oportunidades às dúzias, mas golos que é bom, nem vê-los. Chuta Hulk, chuta Moutinho. Carrega Cássio que estás na baliza para isso. Perde-se fulgor e alguma energia, mas deixa lá estar o Lucho que lá vai com a bomba no máximo. O Paços acredita, e está mesmo a cheirar a paio. Nem é preciso servi-lo. Com retaguarda como a nossa, há banquete pronto a sair a qualquer instante. Eis a igualdade, que até rima com nulidade, talvez injusto, ou se calhar merecido.

Cabeçudos somos nós por acreditar que agora é desta. Nem foge, nem descarta. Assim vai este andor, com os descrentes ansiosos, os agitados furiosos e os louvaminhas prudentes. Enquanto isso, vem de fininho o Braga e põe-se a pronto de açambarcar o tesouro da realeza. Bem feita e merecida chaga merecias, vós “grandes” que não desgrudais lá do púlpito, que chorais e rogais por gralhas e agruras do apito, mas não fazeis muito ou pouco por merecer lá ficar. Oremos.

quarta-feira, 14 de março de 2012

As cores das camisolas e dos cartões

As fotos seguintes referem-se a dois lances do mesmo jogo (Paços Ferreira x slb), envolvem o mesmo jogador dos encarnados (Bruno César), ilustram os critérios disciplinares "uniformes" do árbitro do desafio (Bruno Esteves, AF Setúbal), e são esclarecedoras da "verdade desportiva" que nos querem impingir:







Fotos (clicar para as ampliar): Catarina Morais (Maisfutebol)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Afinal a Taça da Liga não é secundária


Vitor Pereira resolveu dar uma oportunidade a jogadores menos utilizados e fez entrar de ínicio, entre outros, Mangala, Alex Sandro, Sousa e Cristian Rodríguez. E foi com este último que entrou no jogo praticamente a ganhar. Kléber segurou entre adversários e "picou" para o uruguaio que marcou um grande golo, logo aos 2 minutos. Há um par de anos que já não víamos C. Rodríguez a jogar e a entregar-se desta forma. Porém, é um comportamento compreensível. Não viu o seu contrato milionário ser renovado e dentro de alguns meses terá de arranjar novo clube. A mostrar serviço, terá de ser agora.

O FC Porto dominou o primeiro quarto de hora e o Paços mostrou porque é o lanterna vermelha do campeonato. No entanto, aos 17 minutos, após falha colectiva da defesa (e de marcação de Alex Sandro), o Paços empatou por William e a tendência do jogo inverteu-se. Os da casa cresceram e o FC Porto voltou a mostrar-se inseguro. Jogo muito fraco nesta altura.

Na segunda parte Vitor Pereira contrariou, na prática, o que afirmara antes do jogo, isto é, que a competição era secundária e serviria para experimentar jogadores menos utilizados. Porque quis vencer o jogo fez entrar Moutinho, Hulk e Fernando. Com os ases em campo voltou o domínio do jogo e, aos 70 minutos, Hulk marcou um penalty assinalado por falta cometida sobre si. Fez bem Pinto da Costa em reclamar da arbitragem do jogo anterior pois só assim parecem marcar-se faltas sobre o Hulk.

Situações mais preocupantes:
- a exibição de Alex Sandro, um jogador que custou quase 10 milhões de euros!;
- a extrema lentidão de Otamendi, que perde em corrida para todos os adversários;
- as contínuas invenções de VP (ex.: tirando Maicon e colocando Djalma na direita);
- Iturbe nem nestes jogos tem tido hipótese de jogar. É para crescer, porque é no banco de suplentes que eles crescem e se fazem jogadores. Ah grande VP.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Não há "vacas sagradas"


"A segunda parte foi mais conseguida, jogámos com uma equipa bem organizada, bem trabalhada, que sai com qualidade nas transições ofensivas. Na primeira, circulámos a bola num ritmo baixo e tivemos dificuldade em encontrar espaços. Na segunda a dinâmica foi diferente."
Vítor Pereira


O Moutinho é melhor que o Defour e o Kléber é melhor que o Walter. Naturalmente, estas duas substituições, e o facto de estar a ganhar, fizeram com que a equipa melhorasse na 2ª parte.

Contudo, o momento do jogo é a substituição de Hulk por James. Não sei se com esta substituição Vítor Pereira ganhou uma equipa mas, seguramente, conquistou um maior respeito entre os adeptos.

No FC Porto não há, não pode haver, "vacas sagradas" e é bom que todos percebam isso, a começar pelo incrível Hulk, o melhor jogador do plantel.


Fotos: record.pt

segunda-feira, 21 de março de 2011

Um meio-campo "renovado" na Mata Real


Conforme é sabido, o Paços de Ferreira tem vindo a fazer um bom campeonato e, de acordo com quem tem acompanhado de perto esta equipa, muito do seu sucesso é alicerçado na coesão do seu trio do meio-campo.

No dia 11 de Março, o Paços de Ferreira foi a Aveiro jogar com o Beira Mar para a 23ª jornada do campeonato. Chegados ao final do jogo, dois dos médios da equipa – David Simão e André Leão – tinham visto o 5º cartão amarelo e o outro médio – Leonel Olímpio – foi expulso com um vermelho directo (numa jogada em que nem sequer tocou no jogador aveirense).

Nota: Os primeiros três cartões mostrados pelo árbitro a jogadores do Paços foram precisamente a estes três médios. O árbitro haveria ainda de mostrar mais dois cartões, em período de descontos...

Perante esta situação, no jogo da 24ª jornada o meio-campo do Paços vai ter de ser TODO mudado, com Rui Vitória a ter de inventar soluções, recorrendo a jogadores menos rodados e fazendo várias adaptações.

P.S.1 A arbitragem do Beira-Mar x Paços Ferreira não foi polémica, nem deu que falar. Apenas para que conste, e para memória futura, o árbitro foi o “promissor” Marco Ferreira.

P.S.2 Hoje, no tal jogo da 24ª jornada, o Paços Ferreira vai receber na Mata Real um clube que tradicionalmente equipa de encarnado e que, nesta altura, ocupa o 2º lugar da classificação.