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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O Clube, a SAD e o Estádio (III)



Ao longo dos anos/décadas seguintes à sua inauguração, o Estádio das Antas foi sendo objecto de sucessivas melhorias.

Ainda em 1952, apenas quatro meses após a inauguração do estádio, foi inaugurada a pista de atletismo.

Em 1960, o Estádio das Antas foi dotado de uma pista de ciclismo, que mais tarde seria extinta.

A iluminação artificial do Estádio das Antas, que custou 3740 contos, só começou a funcionar cerca de 10 anos após a inauguração do estádio, a 1 de Setembro de 1962. O jogo que assinalou essa data histórica foi contra o Athletic Bilbau, tendo os azuis e brancos vencido a equipa basca por 2-1.

A 30 de Abril de 1976 foi inaugurado o fecho da “Maratona”, obra orçada em cerca de 45 mil contos. Esta obra abrangeu a construção da Bancada, de modo a fechar o anel inferior, a construção da Arquibancada e das respectivas rampas de acesso. Nos novos espaços existentes por baixo da Arquibancada, passaram a funcionar os serviços administrativos do clube, bem como, a sala museu.
Em simultâneo com o fecho da “Maratona”, foram também edificados novos camarotes do lado oposto, na designada bancada dos cativos.

A última grande obra de melhoramento do Estádio das Antas consistiu na extinção da pista de atletismo e no rebaixamento do relvado, de forma a aumentar a capacidade do estádio. Esta obra foi inaugurada a 17 de Dezembro de 1986 e, mais uma vez, o clube convidado foi o SL Benfica (outros tempos).

Mas, nas Antas, o Futebol Clube do Porto não se “limitou” a construir um grandioso estádio de futebol. À volta do Estádio das Antas, nasceu um complexo desportivo, uma autêntica “cidade desportiva”, que movimentava centenas/milhares de pessoas, e que era composta por diversas infraestruturas.

A 25 de Agosto de 1954, foram iniciadas as obras para o campo de treinos, o qual só foi inaugurado a 3 de Agosto de 1958. Para além de servir para os treinos da equipa principal, muitos sócios do Futebol Clube do Porto ainda se lembrarão de ver neste campo os jogos das camadas jovens.

Campo de treinos e respectiva bancada, 1958

A 18 de Agosto de 1968 foram inauguradas as Piscinas, as quais, mais tarde, haveriam de ter uma cobertura provisória (a partir de Fevereiro de 1969) e uma cobertura definitiva, inaugurada a 21 de Março de 1971.

Piscinas das Antas

A 21 de Março de 1970 foi inaugurado o Pavilhão de Treinos (posteriormente rebaptizado Pavilhão Afonso Pinto Magalhães). Era um pavilhão espaçoso, sem bancadas (lugares para público), o que permitia que várias equipas, de diferentes modalidades, treinassem em simultâneo.

Piscinas, Pavilhões e Arquibancada

A 28 de Maio de 1972, incluído nas comemorações do 20º aniversário da inauguração do Estádio das Antas, procedeu-se ao lançamento da 1ª pedra do novo Pavilhão Gimnodesportivo do Futebol Clube do Porto (posteriormente rebaptizado Pavilhão Américo de Sá), o qual haveria de ser inaugurado em 14 de Julho de 1973.

Pavilhão Américo de Sá

Para além das piscinas e pavilhões, cuja construção foi fundamental para suportar o desenvolvimento das modalidades amadoras e de alta competição, o CLUBE, ao longo de sucessivas Direcções (particularmente nas Direcções presididas por Afonso Pinto Magalhães e Américo de Sá), foi negociando e adquirindo terrenos, que possibilitaram (já no mandato de Pinto da Costa) a construção de mais três campos de treinos e a expansão da “cidade desportiva” das Antas em direção a Nascente.

Terrenos das Antas em 1976 (na presidência de Américo de Sá)

Quando, no início do século XXI, os associados foram chamados a pronunciar-se sobre o envolvimento do CLUBE no Plano de Pormenor das Antas (PPA), concordaram em abdicar de tudo isto – Estádio, Pavilhões, Piscinas, Campos de Treinos, terrenos – em troca da obtenção dos meios para a construção do novo estádio do Futebol Clube do Porto.

Vista aérea da "cidade desportiva" das Antas

Importa salientar este aspecto. Os associados do Futebol Clube do Porto aprovaram a destruição da “Cidade desportiva” das Antas (erguida durante décadas, ao longo de sucessivas Direções) e a inclusão da totalidade dos seus terrenos no projecto de renovação urbana da zona das Antas (o FC Porto detinha 51% da área abrangida pelo PPA), tendo em vista, como contrapartida, o CLUBE ficar detentor de um novo estádio.

Implementação do PPA nos antigos terrenos do FC Porto

Quando o project finance do novo Estádio foi apresentado, não me lembro de alguém ter dito que, passados 5, 10 ou 20 anos, o CLUBE poderia ter de alienar acções da EuroAntas e deixar de ser o único proprietário do Estádio do Dragão. E muito menos que isso poderia acontecer devido a problemas financeiros de outras entidades (no caso, da SAD criada para gerir o futebol).




(continua)

sábado, 14 de setembro de 2013

PPA: a “perequação” (2)



Os terrenos incluídos no Plano de Pormenor das Antas (PPA) eram detidos por catorze proprietários, mas a maior parte, cerca de ¾ da área abrangida, pertenciam a apenas três entidades: Futebol Clube do Porto (51%), Lameira-Imobiliária, que integra o grupo de empresas Jomar, (15%) e Câmara Municipal do Porto (8%).
Sendo este o ponto de partida, é óbvio que sem o envolvimento destas três entidades e, particularmente, sem a anuência de quem tinha mais de metade dos terrenos – o Futebol Clube do Porto –, nunca a Câmara Municipal do Porto (CMP) poderia ter avançado com este ambicioso projeto de renovação urbana, o qual incidiu numa zona abandonada da cidade, que incluía espaços altamente degradados e onde se pode dizer que cidade a sério nem sequer existia (daí a comparação que alguns fizeram com a intervenção que, uns anos antes, tinha sido feita em Lisboa, nos terrenos da EXPO 98).

O PPA foi baseado numa espécie de operação de loteamento, através do emparcelamento do solo urbano, de forma a reajustar a configuração e o aproveitamento dos terrenos existentes para a construção prevista no plano.
Para tal, usou-se o princípio da “perequação compensatória”, prevista no Decreto-Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro.

A “perequação” consiste em calcular os metros quadrados (m2) de construção que caberiam ao conjunto dos terrenos, distribuindo-os depois pelos proprietários, a quem é depois atribuída capacidade construtiva em função dos terrenos com que participam. Ou seja, cada proprietário entra com os seus terrenos, recebendo uma parte da capacidade construtiva resultante do PPA na respetiva proporção (levando em conta o coeficiente de construção atribuído).

Nota: No caso do PPA, e relativamente aos pequenos proprietários, a CMP optou pela aquisição ou permuta de terrenos e, por isso, não foi atribuída área de construção a alguns proprietários.

Naturalmente, tal como acontece quando qualquer executivo camarário decide rasgar uma nova avenida ou renovar uma das ruas já existente no respectivo concelho, a CMP assumiu a responsabilidade da construção das infraestruturas (ruas, pavimentos, passeios, saneamento, etc.) que fizeram parte desta intervenção urbana.
Contudo, no caso do PPA, foi decidido que os proprietários envolvidos teriam de contribuir para o custo dessas infraestruturas. Assim sendo, 25% da capacidade construtiva atribuída a cada proprietário em resultado da “perequação”, foi-lhes subtraída e entregue à CMP.

No caso do FC Porto, cujos terrenos que possuía tinham sido adquiridos por diferentes direções do clube ao longo de décadas (e não, como aconteceu noutras latitudes mais a Sul, oferecidos pela respectiva câmara municipal…), a área com que entrou para a “perequação” foi de 161.749 m2 (mais tarde este valor haveria de ser revisto para 160.600 m2 [1] ). Desta área, o plano atribuiu a pouco mais de 5% (8.877 m2) um coeficiente de construção de 2.1, enquanto que aos restantes 152.872 m2 o coeficiente atribuído foi de apenas 1.05. Da aplicação destes coeficientes, resultou uma capacidade construtiva atribuída ao FC Porto de 179.157 m2.

Recordo que, poucos anos antes, em 1998, o Alvará de Loteamento emitido pela Câmara Municipal do Porto, abrangendo vários terrenos nas imediações do Estádio do Bessa, atribuiu a esses terrenos uma capacidade construtiva de 83.078 m2, o que correspondeu a um índice de 1.7 m3/m2. [2]

Para além do baixo coeficiente de construção atribuído à área que era detida pelo FC Porto (um coeficiente médio global de 1.1), a CMP, tal como fez em relação aos restantes proprietários abrangidos pelo PPA, retirou para si 25% à capacidade construtiva que tinha sido atribuída ao FC Porto, ou seja, 44.789 m2, sob o pretexto de comparticipação nos custos com as infraestruturas, ficando o clube com apenas 134.367 m2.

Posteriormente, através de um protocolo estabelecido entre a CMP e o FC Porto, a autarquia comprometeu-se a ceder ao clube uma área bruta de construção de 106.250 m2 (facto que iria motivar uma grande polémica… um ano depois, após a eleição de Rui Rio e de que falarei num próximo artigo).

Nota: Após os cortes feitos no PPA, e de acordo com a Cláusula 5.ª do Contrato-Programa estabelecido entre a Câmara Municipal do Porto e o Futebol Clube do Porto, datado de 4 de Fevereiro de 2003, a área bruta de construção cedida pela CMP ao FC Porto perfez um total de 90.245 m2 (e não os 106.250 m2 previstos inicialmente).

Rui Rio, após ser eleito (antes e durante a campanha eleitoral nada disse), insurgiu-se contra este subsídio em espécie dado pela CMP ao FC Porto (falarei nisso num próximo artigo).
Contudo, chamo à atenção que se a CMP tivesse atribuído aos terrenos com que o FC Porto entrou para o PPA (cerca de 161 mil metros quadrados) um coeficiente igual ao dos terrenos do Complexo Desportivo e Habitacional do Bessa (1.7), a capacidade construtiva resultante seria de cerca de 274 mil metros quadrados.
Isto é, depois de todos os cortes, ajustes, subtrações e adições, o Futebol Clube do Porto ficou com menos aproximadamente 50 mil metros quadrados de capacidade construtiva (224 mil versus 274 mil metros quadrados) do que aqueles que teria se, simplesmente, aos seus terrenos tivesse sido atribuído o mesmo coeficiente médio que foi atribuído aos terrenos do Boavista Futebol Clube.

(continua)

[1] Contrato-Programa entre a Câmara Municipal do Porto e o Futebol Clube do Porto, de 4 de Fevereiro de 2003

[2] Comunicado da Direção do Boavista Futebol Clube, de 14 de Fevereiro de 2002

Nota: Se alguém detectar erros grosseiros nos números que constam deste artigo, agradeço a respectiva correção na caixa de comentários, juntamente com a indicação da fonte dessa correção.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

PPA: os antecedentes (1)

Nota introdutória

No próximo dia 28 de Setembro o FC Porto completa 120 anos de existência e, se tudo correr dentro do previsto, nesse dia será inaugurado o novo museu do clube.

No dia seguinte, 29 de Setembro, há eleições autárquicas e fecha-se um ciclo de 12 anos de Rui Rio à frente dos destinos da cidade invicta, durante o qual a Câmara Municipal do Porto e o principal clube da cidade estiveram de costas voltadas.

O ‘Reflexão Portista’ não é um blogue político e, portanto, não cabe aqui uma análise política ao que foi o desempenho de Rui Rio como presidente da Câmara Municipal do Porto. Contudo, importa recordar o que esteve na origem deste corte de relações institucionais entre duas entidades que, à partida, deveriam estar alinhadas e colaborar ativamente em iniciativas que contribuam para a dinamização, projeção e crescimento da cidade do Porto.

É o que tenciono fazer, num conjunto de artigos que irei publicar durante as próximas semanas e onde irei recordar factos, declarações de protagonistas, encargos com obras, etc.

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A decisão do FC Porto de construir um novo estádio foi tomada em 1997, muito antes do EURO 2004, já então por se considerar que o Estádio das Antas estava a chegar ao fim da sua vida útil e que os gastos de manutenção anuais não o tornavam rentável.

Por outro lado, a ideia da Câmara Municipal do Porto (CMP) de fazer uma nova centralidade na zona oriental da cidade era ainda mais antiga (conforme declarações dos responsáveis autárquicos e documentos existentes o podem comprovar).

Deste modo, sendo os interesses da câmara e do clube convergentes, em Agosto de 1998, e por iniciativa da autarquia, o arquitecto Pedro Guimarães apresentou um primeiro estudo de renovação da zona, que ficou conhecido como a “Cidade do Dragão”. Nesse estudo, a localização que o clube tinha previsto para o novo estádio era no local ocupado pelo antigo campo de treinos n.º 1, ao lado do já demolido Estádio das Antas.

Entretanto, e por não ter ficado satisfeita com o estudo de Pedro Guimarães (Nuno Cardoso, na altura vereador do pelouro do Urbanismo, considerou a proposta inconcretizável e qualificou o trabalho de “banda desenhada”), a CMP decidiu, em Agosto de 1999, entregar ao arquitecto Manuel Salgado (responsável pelos projectos da EXPO'98 e do Centro Cultural de Belém) o projecto de requalificação urbana daquela zona oriental da cidade.

Segundo a introdução do relatório do Plano de Pormenor das Antas (PPA), trata-se de “um projecto urbano de grandes dimensões na zona das Antas e que abrange uma vasta área onde se localiza o estádio do Futebol Clube do Porto (FC Porto), diversas unidades industriais – algumas obsoletas –, terrenos camarários e terrenos privados ao abandono”. Abrange uma área de 41,3 hectares e fixa “a implantação do novo complexo desportivo do FC Porto e define a reutilização a dar aos terrenos que vão ser disponibilizados, estabelecendo uma estrutura de espaços públicos diversificados e o redesenho da malha urbana circundante e assegurando a articulação com os bairros mais próximos e a acessibilidade e a circulação em toda a zona, respeitando o regulamento e zonamento das Normas Provisórias do Plano Director Municipal”.

O PPA contempla uma área delimitada pelo Bairro de Contumil (a Norte), pela Rua de S. Roque da Lameira (a Sul), pela via-férrea (a Nascente) e pela Avenida de Fernão de Magalhães (a Poente).

Imagem aérea que inclui a zona abrangida pelo PPA (fonte: APOR)

Em Janeiro de 2000, o arquitecto Manuel Salgado apresentou a primeira versão do estudo, a qual já definia, com detalhe, a estrutura de toda a área do ponto de vista urbanístico e, nomeadamente, já previa uma grande superfície comercial (que haveria de se tornar polémica… dois anos depois!).

«Esta intervenção iniciou-se com a elaboração de um Estudo Urbanístico para a área compreendida entre a VCI, a Av Fernão de Magalhães, a Praça das Flores e a Praça da Corujeira e confinante com o Plano de Urbanização de Contumil (cerca de 85 ha) o que deu origem à realização do Plano de Pormenor da Zona da Antas (cerca de 40 ha). O Plano de Pormenor das Antas, assenta num princípio de reestruturação fundiária e de perequação compensatória de custos e benefícios e tem com objectivos criar uma nova cidade com funções variadas - 3000 fogos habitacionais que concentrarão uma população de cerca de 10000 pessoas; espaços comerciais e de serviços onde se prevêem a criação de cerca de 5000 postos de trabalho; 2 hotéis, um de 3 e outro de 4 estrelas; 1 estádio de futebol para 50000 espectadores, complementado ainda com áreas de lazer e desporto; 1 pavilhão multiusos; 1 centro comercial com cerca de 40000 m2 destinados a área de venda, armazéns e estacionamento para mais de 2000 viaturas; 1 parque verde urbano com 10 ha, equipado com zonas de desporto ao ar livre; 1 equipamento de saúde; 1 equipamento de ensino; estação e interface de metro; parques de estacionamento público para mais de 1000 viaturas.»
(fonte: APOR - Agência para a Modernização do Porto, S.A.)


Neste estudo, elaborado por Manuel Salgado para a CMP, o novo estádio do FC Porto é colocado numa localização diferente da inicialmente prevista, junto à VCI. Face a esta nova localização, que implicou custos acrescidos para o clube, o FC Porto aceitou discutir e negociar com a câmara o que tinha anteriormente preparado e que mais tarde virá a resultar no protocolo assinado entre a CMP e o clube.

Mapa do PPA com legenda (fonte: JN, 06-01-2000)

No dia 8 de Fevereiro de 2000, o estudo elaborado pelo arquitecto Manuel Salgado foi aprovado por unanimidade pelo executivo da CMP e, segundo a Direcção de Planeamento e Gestão Urbanística da CMP, foi desenvolvido de acordo com o conteúdo das normas provisórias do Plano Director Municipal (PDM). No estudo são propostas, regras e parâmetros que cumprem, quer as normas provisórias, quer o PDM.

(continua)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Os peritos da IGF

«O ex-presidente da Câmara do Porto, Nuno Cardoso, três responsáveis do FC Porto e dois antigos técnicos do município foram absolvidos, esta tarde, do crime de participação em negócio. Em causa estava uma permuta de terrenos contratualizada entre a câmara e uma família portuense, que acabou por ceder a sua posição, a meio do processo ao FCP.
A juíza dos Tribunal de Juízos Criminais do Porto considerou ainda “improcedente” o pedido de indemnização cível efectuado pela autarquia, por considerar ter sido lesada, neste negócio, em cerca de 2,5 milhões de euros. (…)
A juíza não considerou provado nenhum dos factos apresentados pela acusação, criticando o relatório da Inspecção-Geral de Finanças (IGF), que sustentou o processo – à semelhança do que já fizera o procurador do Ministério Público que, anteontem, pedira a absolvição de todos os arguidos. Esta tarde, a juíza confirmou que o tribunal “não logrou alcançar qualquer vontade ou intenção dos arguidos em beneficiar ilicitamente quer a família Ramalho quer o FC Porto”.»
in PUBLICO.pt


A tese do benefício do FC Porto, sustentada por Rui Rio e pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF), foi estrondosamente derrotada em Tribunal. A juíza do processo entendeu não ter ficado provado qualquer prejuízo para o património municipal, nem conluio entre Nuno Cardoso e o FC Porto.

Esta decisão era esperada. Recorde-se que nas alegações finais, realizadas na segunda-feira, o próprio magistrado do Ministério Público já tinha pedido a absolvição de todos os arguidos, considerando que o processo se revelou “um balão sem ar”, que não se poderia condenar com base em suposições e que toda a história se resumiu a uma “ficção”.
Independentemente da decisão, chamo à atenção para a dureza das expressões utilizadas e para o facto da tese dos peritos da IGF ter sido completamente descredibilizada.

Espero que esta decisão de um Tribunal, contribua para fazer reflectir os portistas (para os anti-portistas é irrelevante) que, neste e noutros casos relacionados com o Plano de Pormenor das Antas, tinham embarcado de cabeça nas teses dos peritos da IGF.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Outra eleição...

... que passou quase despercebida.

No passado dia 30 de Maio, terminou o “reinado” de Laura Rodrigues à frente da Associação de Comerciantes do Porto, da qual era presidente desde 2000.
A Dona Laura foi derrotada por Nuno Camilo, um jovem comerciante de 33 anos, por 21 votos de diferença (190 votos contra 169), naquela que foi a maior participação de sempre nas eleições da associação.

360 votos?!
Qual é a relevância desta associação e das eleições para a sua direcção?
Praticamente nenhuma, mas vale a pena recordar que no início do seu primeiro mandato, em Março de 2002, esta associação serviu de pretexto ao Dr. Rui Rio para justificar a sua oposição ao Plano de Pormenor das Antas (PPA), nomeadamente em termos da drástica redução da volumetria do Centro Comercial, porque era preciso defender os interesses dos comerciantes da Baixa do Porto...
Quanto à Dona Laura, à boleia do Dr. Rui Rio, conseguiu “sacar” 5 milhões de euros ao Grupo Amorim, supostamente para apoio ao comércio tradicional.

A aliança estratégica entre Rui Rio e Laura Rodrigues, na oposição cerrada ao PPA (ou seria ao FC Porto?), deu muito jeito aos dois, mas será que os comerciantes do Porto lucraram alguma coisa com essa guerra?

Por falar nisso, que é feito desses 5 milhões?
Eu não sei, mas há quem diga que vão no Batalha...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O Rio, a cidade e o clube

Não é fácil falar de Rui Rio e de Pinto da Costa, exclusivamente no âmbito político e desportivo, respectivamente, como se a vida de cada um começasse e terminasse nessa condição.
O homem que é Presidente do FCP tem todo o direito de fazer as suas escolhas políticas, mas deve-o fazer em seu nome pessoal e não misturar o clube com motivações do tipo partidário.

O mesmo tipo de registo seria exigível ao Presidente da Câmara e a Rui Rio, relativamente ao FCP, embora não seja a mesma coisa, porque os cargos que ambos exercem pedem responsabilidades diferentes.


Relativamente ao Presidente da Autarquia, é esquisito que não lhe interesse o desporto – ainda que profissional – e os clubes que moram cá no burgo, nomeadamente o FCP que é uma marca que beneficia claramente a cidade. No seu programa, fala no apoio ao desporto amador. Deve ser, por isso, que a autarquia tanto se empenhou nas corridas de automóveis e aviões. Entre o desporto amador (que fica muito bem em qualquer programa) e o ego do nosso presidente, ganharam os motores e as acrobacias aéreas.


Nem oitenta como era com Fernando Gomes, nem abaixo de zero como faz Rui Rio. Um Presidente da Câmara tem todo o direito de não se querer misturar (nem parecer que o faz) em situações que sejam (ou pareçam) promíscuas. Com o FCP, Rui Rio não se distanciou: criou a ruptura. Houve exageros e alguma violência absolutamente reprovável por parte da claque, mas o pecado original foi cometido por Rui Rio e a sua entourage, que na sua grande maioria detesta o futebol ou o FCP. Pior, agiu como se o facto fosse uma mais valia política. Depois da vitória nas eleições, o que antes era um desejo - partir a espinha dorsal ao FCP -, passou a ser um projecto exequível. Se já tinha ganho as eleições contra tudo e todos, porque não aspirar chegar mais longe?


Como atrás referi, da sua agenda (pessoal e informal) constava quebrar a espinha ao FCP (e a PdC) e retirar-lhes todo o apoio que até aí tinham recebido da CMP. O PPA que viabilizou a construção do Dragão, era o instrumento que precisava para consolidar a personalidade de antes quebrar que torcer. Serviu, ao mesmo tempo, para funcionar como um instrumento fundamental para o seu projecto político. Com um cajado matou dois coelhos: o PS, despesista e promíscuo, o FCP uma espécie de tecto que encobria toda um seita de malfeitores.

Com a ajuda da Associação de Comerciantes do Porto tudo fez para bloquear o projecto do Dragão. Amorim que é um conhecido apoiante da causa do PSD, interveio e conseguiu um acordo.

Sinceramente, era interessante conhecer como tem sido monitorizado esse empréstimo e o que é que ganharam os Comerciantes, para além da exploração do cinema Batalha. Parece-me óbvio que o problema dos pequenos comerciantes é sistemático e não vai com as bolhas de dinheiro que Rio generosamente lhes "concedeu", via acordo com o Grupo Amorim.

Para que serviu tanto alarido? Obviamente, prejudicar o FCP e ficar bem na fotografia para a opinião publicada. Para além disso, servirá para memória futura, quando o partido for chamado a eleger um novo presidente, o que deverá acontecer a curto prazo. Aliás, esta é a fórmula ganhadora, que Scolari seguiu e que tem o nome de “Princípio de Rio”: hostiliza o FCP e tens o país aos pés.

Depois do acordo entre Rio, Amorim e os Comerciantes, o que ganhou a cidade? E que problemas viram os comerciantes resolvidos? A quem interessa isso agora? Fazer todo o mal de uma vez, relativamente ao FCP, foi a estratégia. Agora, o seu desprezo, mais silencioso e cuidadoso, é quase reconhecido como um benefício.

Firmou acordos com o Grupo Amorim e com a Soares da Costa. Satanizando o FCP, obviamente só podia criar anti-corpos junto do clube, dirigentes e adeptos. O tempo cura algumas chagas, mas as marcas ficam lá. Apesar disso, honra lhe seja feita, conseguiu fixar e aumentar o seu pecúlio eleitoral, o que é obra que merece reflexão, política e sociológica.

A ambiciosa intervenção do Plano de Pormenor das Antas visava o propósito de criar uma nova centralidade com funções variadas. Para aqui previram-se três mil fogos, dois hotéis, um estádio de futebol, um pavilhão multiusos, um centro comercial, equipamentos de saúde e de ensino, um parque urbano com dez hectares, estacionamento para três mil viaturas e um interface para o metro.


Parte do Plano de Pormenor das Antas está construído mas, o equipamento de saúde, o de ensino e o tal parque urbano ficaram pelo caminho, confirmando o imobilismo camarário instalado há anos na cidade.

A revitalização da baixa, os bairros camarários, as corridas de automóveis e aviões, o recente amor pelo fogo de artifício, são a obra que é elencada pelos seus seguidores como meritória. O Metro serve para demonstrar a sua sanha regionalista, e mostrar os dentes a Lisboa, sem morder.

A relação entre o FCP e Rui Rio já foi bem pior. Agora, simplesmente preferem silenciar o ódio de estimação que merecem um do outro. A Rui Rio já não interessa afrontar o clube porque já não retira dividendos disso – os ganhos conquistados estão consolidados, não é preciso bater mais no ceguinho – e o FCP porque sabe que a maldição de Rui Rio há-de passar e o FCP há-de continuar por muitos e bons anos como o clube de referência da cidade.

Devo confessar que sou de mais do FCP e de menos do PSD, apesar disso, desejo a melhor sorte para o Dr. Rui Rio. Estou ansioso por vê-lo no Parlamento, ou noutro qualquer lugar, bem longe da Câmara e da nossa cidade. O país espera-o!