A comunicação social tem vendido nos últimos dias a ideia de que o FC Porto pode vir a ser beneficiado por uma praga de lesões no Bayern de Munich. Ora quem escreve ou não sabe que, desde que chegou á capital bávara Pep Guardiola só teve o plantel completo em meia dúzia de semanas, ou não tem olhado para a lista de baixas do FCP. O Bayern está habituado a jogar ao máximo das suas capacidades sem alguns dos seus mais influentes jogadores. Têm plantel para isso. Não está Robben? Está Muller. Não está Schweinsteiger? Estará Javi Martinez. E assim sucessivamente. Já o Porto joga com as suas naturais limitações – muito superiores á dos alemães – e para nós uma baixa é um problema muito mais grave. É mesmo?
A eliminatória contra o Bayern vai ser bonito e emocionante especialmente porque há muito tempo que não se respira o vento dos quartos de final no Dragão. Mas, tal como sucedeu da última vez, o FC Porto não só não é favorito como tem pela frente o máximo candidato ao titulo. Em 2009 foi o Manchester United - detentor do troféu e agora é o Bayern. O que o FCP deve (e pode) fazer é, como mínimo, repetir a mesma atitude que teve então, obrigando o todo poderoso Man Utd a sofrer até ao fim para passar. Fomos Dragões em Old Trafford e em casa só caímos com um golo do outro mundo. Ninguém dava nada por nós e ninguém podia apontar-nos nada no final da eliminatória. Tudo o que não seja isso é um milagre (que também acontece no futebol) e é preciso assumir essa realidade sem baixar nunca a cabeça.
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| (foto: Mais Futebol) |
A prioridade é e deve ser o campeonato.
A equipa perdeu uma grandíssima oportunidade na Madeira de depender de si mesma para ser campeã com um grau de dificuldade menor. Ainda depende de si, sim, mas depende sobretudo de marcar mais de 2 golos na Luz. Possível mas difícil, especialmente tendo em conta que em casa o Benfica nunca fica a zero. O que era impossível há dois meses agora não o é tanto (ainda que continue a ser muito difícil) e deve ser aí que Lopetegui tem de apontar o arsenal. O objectivo mínimo da Champions (chegar aos oitavos) e o óptimo (chegar aos quartos) foi cumprido. A Liga é outra história.
Tudo isto a propósito das lesões. A de Tello é um problema. Vai falhar o jogo com o Bayern e também, seguramente, o jogo na Luz. Contra os dois rivais seria um futebolista extremamente útil a explorar espaços e a utilizar o seu 1x1 nos duelos directos. Vamos sentir a sua falta. Mas qualquer outra baixa para os jogos europeus pode ser uma benesse para a liga. É verdade que o FC Porto tem de ganhar os dois jogos antes da Luz (Rio Ave e Académica, que não vão ser pêras doces) para ter alguma opção mas não é menos certo que chega com jogadores a recuperarem de lesões como Jackson e Oliver e, portanto, mais frescos que alguns dos seus colegas a que se nota claramente a falta de pernas. O mesmo se pode dizer de Danilo ou Casemiro, cujas breves paragens ajudaram a repor oxigénio. E Brahimi, que levou uma sova tremenda em Janeiro na CAN, está a pouco e pouco a recuperar o seu ritmo.
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| (foto: Mais Futebol) |
Não são as condições ideias para uma eliminatória Champions mas podem ser condicionantes positivos para preparar o assalto final á Liga onde temos de ser perfeitos em todos os sentidos. E são muitos minutos nas pernas (o Benfica está de férias desde Dezembro a meio da semana) para aguentar sem quebras esta tensão final. Ás vezes pausas forçadas – porque nenhum jogador quer parar de moto próprio e menos para jogos europeus – são um auxilio inesperado para o treinador. No final de contas, algumas das lesões em questão podem vir a ter efeitos positivos neste sprint final.

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