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quarta-feira, 6 de abril de 2011

“Algo que Lisboa não consegue perceber”


Inúmeras personalidades ligadas ao futebol já se pronunciaram a propósito do título de campeão conquistado pelo FC Porto, sublinhando o brilhantismo e a justiça do mesmo. Contudo, entre todas as declarações que li ou ouvi, destaco as que Carlos Queiroz fez à LUSA:

“Mais importante do que assinalar a vitória do FC Porto, que já se esperava mais dia, menos dia, é de assinalar 14 campeonatos em 20 [conquistados pelos portistas], acho que fica uma lição, que é difícil de aceitar para alguns. A verdade é que em 20 campeonatos, o FC Porto, mais o Boavista, conseguem ter 15 campeonatos no Norte. É uma lição do que é talento, ordem, organização e unidade, algo que Lisboa não consegue perceber. Lisboa tem sentados em boas poltronas grandes teóricos do futebol. Estão lá os grandes jornais, os grandes cronistas, os grandes opinion makers.


Por melhor ou pior opinião que cada um tenha dele, Carlos Queiroz não é uma personalidade qualquer do futebol português. Nos últimos 20 anos, esteve à frente das selecções jovens, com as quais conquistou os Mundiais Sub-20 em 1989 e em 1991, foi selecionador nacional em vários países, incluindo Portugal por duas vezes, foi treinador principal do Sporting e do Real Madrid e treinador-adjunto de Alex Ferguson no Manchester United. Convenhamos que não é coisa pouca.

Ouvir, ou ler, estas declarações, deve custar um bocadinho aos adeptos do slb e do Sporting, até porque Carlos Queiroz nunca teve qualquer ligação ao FC Porto e, quando estava em Moçambique (só veio para Portugal em 1975, instalando-se nos arredores de Lisboa) assumia a sua simpatia pelo slb.

De facto, há coisas que Lisboa não consegue perceber...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O circo da FPF


O Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol anulou o castigo de um mês de suspensão a Carlos Queiroz. A multa de mil euros também foi retirada.
O Conselho de Justiça da FPF contrariou o Conselho de Disciplina do mesmo organismo e retirou o castigo a Carlos Queiroz. O mês de suspensão que o ex-seleccionador teria de cumprir, bem como os mil euros que teria de pagar de multa, foram anulados.

in zerozero.pt, 23/09/2010

O ex-seleccionador nacional está livre para voltar a treinar selecções ou clubes enquanto o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) não toma uma decisão final sobre o caso. Audições ao treinador e à ADoP não devem realizar-se antes de meados de Novembro.
"O TAS aceitou o pedido de Carlos Queiroz para suspender a execução dos seis meses de suspensão impostos pela Autoridade Antidopagem de Portugal, até à conclusão do seu recurso junto do tribunal. A suspensão está por enquanto temporariamente levantada. A suspensão pode ser retomada numa altura posterior, se o recurso de Queiroz for rejeitado pelo TAS", anunciou em comunicado o organismo máximo da justiça desportiva.
Quando apresentou o recurso contra a decisão da ADoP em o punir por perturbação de controlo antidopagem, Queiroz pediu também ao TAS que suspendesse a aplicação desse castigo até que o apelo fosse avaliado e o painel de arbitragem tomasse uma decisão final sobre o caso. Este tipo de pedido está previsto nos estatutos do tribunal arbitral, mas proíbe que quem use este mecanismo tente fazer o mesmo junto dos tribunais civis.

in Diário de Notícias, 24/09/2010


Assim, aos poucos, vamos assistindo ao triste fim do episódio protagonizado pela FPF, ADoP e Governo com o objectivo de afastar o seleccionador nacional do cargo, sem honra nem glória, de forma a se desobrigarem do contrato de trabalho que lhe tinham proposto e que tinham assinado de livre vontade. Queiroz era bem remunerado e, como estamos em época de vacas magras, vai daí que se tentaram criar as condições para uma rescisão sem onerar os cofres da FPF (ou seja, do Estado). Sem qualquer sucesso como era fácil de prever.


A Federação Portuguesa de Futebol, em toda a sua estrutura de alto a baixo, é um autêntico circo. E o circo "é o maior espectáculo do mundo". Tem palhaços (muitos) e alguns animais selvagens (como hienas).

Ninguém entende como pode um Conselho de Disciplina levantar um processo disciplinar para logo de seguida outro Conselho (o de Justiça) arquivar o caso. Ou melhor, como pode um caso ser despoletado meses depois do facto que lhe deu origem ter ocorrido. Ou o facto do presidente da FPF ser um banana e não ter mão no que se passa na instituição. Ou até como pode um indivíduo n vezes referenciado negativamente estar na Federação há várias décadas. Enfim...


Gilberto Madaíl é o palhaço rico. Amândio Carvalho é o palhaço pobre (de espírito). Laurentino Dias é outro palhaço rico mas daqueles que toca corneta – quis o protagonismo de chamar ao Governo a resolução de um caso que deveria ter sido resolvido por entidades independentes. Os Conselhos (todos) da Federação funcionam como a aldeia dos macacos – ninguém se entende.

Este processo vergonhoso só poderá terminar com a saída desta gente (pouco séria) dos cargos que actualmente ocupa. Madaíl tem de sair e levar com ele a sua trupe toda. E Laurentino tem de ser substituído por alguém que tenha a clarividência do que deverá ser um Secretário de Estado do Desporto. O presidente da ADoP, por seu lado, também deve ser substituído, ninguém o mandou aceitar o papel de idiota útil e uma Autoridade antidopagem deve ser dirigida por alguém imune a pressões do exterior.

sábado, 11 de setembro de 2010

Queiroz e a FPF, 17 anos depois…

"É preciso limpar muita porcaria que existe na FPF. Mas, quando me refiro a porcaria, não estou a dirigir-me a ninguém em particular, nem sequer ao Eng. Vítor Vasques [presidente da FPF]"
Carlos Queiroz, A Bola, 1993, após a derrota em São Siro frente à Itália


"A engrenagem federativa tem vícios e o pensamento de algumas pessoas não pode ser o mesmo de 72 ou 73. Não pretendo ter um estatuto privilegiado na FPF. Pretendo, apenas, ser respeitado e não ser tratado com um gajo qualquer"
Carlos Queiroz, A Bola, 1993

Cartoon: Henrique Monteiro

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Verdadeiramente "kafkiano"


Franz Kafka (1883-1924), romancista e novelista de língua alemã, natural de Praga, numa altura em que a Boémia pertencia ao Império Austro-Húngaro, legou ao vocabulário moderno através do seu muito conhecido romance O Processo e do seu nome de família o adjectivo "kafkiano". Em Portugal o termo sofre de algum desgaste, pois os nossos jornalistas têm a tendência para o cliché e a frase feita. Mas o que se tem passado nos últimos dias tem bem justificado o seu uso. Boa sorte, Prof. Queiroz.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O tenebroso lóbi do Porto



Será que ao testemunharem a favor de Queiroz, também Alex Ferguson, Luís Figo, Agostinho Oliveira, Henrique Jones (médico da Selecção), António Simões (ex-jogador e dirigente do slb) e, principalmente, Luís Filipe Vieira, fazem parte deste tenebroso lóbi do Porto?

Olhando para este tipo de "jornalismo", compreende-se melhor como é que a Benfica TV tem comentadores como o Pragal Colaço ou o José Carlos Soares...

Nota: imagem extraída do CM online (clique para ampliar)

sábado, 31 de julho de 2010

Uma trapalhada "à Benfica"


“Dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol aguardam que o técnico [Carlos Queiroz] seja ouvido pelo Conselho de Disciplina e só depois decidem a sua continuidade
(…)
A decisão sobre a continuidade do seleccionador deverá, assim, ocorrer duas semanas antes do primeiro jogo de Portugal na fase de qualificação para o Europeu de 2012, marcado para 3 de Setembro, em Guimarães, frente a Chipre, logo seguido, dia 7, de uma deslocação à Noruega.

Fonte da direcção federativa explicou ontem ao PÚBLICO que "a resolução de qualquer contrato é um acto muito reflectido", pelo que a FPF tem de aguardar que o Conselho de Disciplina ouça Carlos Queiroz e apure os factos ocorridos na Covilhã. Este órgão jurisdicional está a conduzir um processo de averiguações na sequência do inquérito enviado pelo Instituto do Desporto de Portugal (IDP), que aponta insultos de Carlos Queiroz ao presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal (Adop), Luís Horta.

Desta investigação do Conselho de Disciplina podem advir dois tipos de consequências para Queiroz: por um lado, um processo disciplinar por eventual violação da legislação antidoping, no qual a Adop tem direito a dar um parecer, e cuja punição é uma multa. Por outro lado, concluído o processo do Conselho de Disciplina, a direcção decidirá se mantém Queiroz no cargo.”

Público, 31/07/2010

O que se passou na Covilhã (alegados insultos de Queiroz aos membros da Autoridade Antidopagem) não é nem nunca será motivo suficiente para se despedir um Seleccionador. Esta não passa de mais uma trapalhada “a la SLB” criada pelos lobbies que o polvo benfiquista tem nos bastidores das organizações que tutelam o futebol em Portugal.


Queiroz agrediu ou tentou agredir um jogador adversário em directo? Não. Fez algo de verdadeiramente grave como o próprio Governo quer fazer passar através das declarações do Secretário de Estado Laurentino Dias? Não. Quanto muito Queiroz esteve mal no tratamento verbal dado aos técnicos antidopagem e merece uma multa, nada mais que isso e caso encerrado.

Não está em causa o desempenho de Queiroz ao leme da Selecção. É evidente para todos que Portugal deveria ter feito mais no Mundial, deveria ter jogado com menos cuidados e arriscado mais. Mas se houvesse gente séria na Federação esta teria analisado a prestação portuguesa com ponderação e, sentindo necessidade de mudança, teria rescindido contrato com Carlos Queiroz nos termos legais e contratuais de boa-fé, nunca optaria por criar expedientes artificiais para finalmente poder rescindir com “justa causa” e não pagar qualquer indemnização (porque seria elevada e não há dinheiros públicos para isso).


Uma vez livres do estorvo importará garantir um seleccionador que (i) seja subserviente à “Instituição”, (ii) hostilize o FC Porto e/ou os seus atletas e (iii) promova os Quins e os suplentes do SLB em detrimento de outros jogadores emergentes de nacionalidade portuguesa. Ponto.

Para levar a cabo os seus intentos o lobby benfiquista cedo começou o seu trabalho de sapa através dos meios de comunicação social, dos seus lacaios na FPF e até de uma ajudinha do Governo. The Job is almost finished. Ainda bem porque isto já cheira mal.

Irão eles mandar o Queiroz para as Obras?


Segundo noticia o Daily Telegraph, citando a Radio Free Asia e meios de comunicação da Coreia do Sul, o seleccionador nacional da Coreia do Norte, Kim Jong-hun, acaba de ser expulso do Partido dos Trabalhadores da Coreia e obrigado a ir trabalhar na construção civil. Kim não teve qualquer cena menos agradável com as autoridades anti-doping, apenas foi castigado, face aos resultados no Campeonato do Mundo, por "trair" Kim Jong-un, um dos filhos e presumível herdeiro do Supremo Líder Kim Jong-il (Kim Jong deve ser o equivalente coreano de Zé da Silva).

Se a moda pega, ainda vamos ver o Dr. Gilberto Madail, o Dr. Laurentino Dias e outras supremas entidades do desporto em Portugal a mandarem o Carlos Queiroz para as obras.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A encruzilhada portuguesa

Por Miguel Lourenço Pereira


A chegada de João Moutinho às filas do FC Porto desperta-nos para uma realidade que tem estado adormecida no desértico futebol português. Desértico de ideias. Desértico de jogadas arrojadas, transferências internas, o pão nosso de cada dia em qualquer país, menos no nosso. E também um espelho do que tem sido a realidade dos clubes portugueses, FC Porto à cabeça, com a histórica ligação lusa ao futebol de formação. Um fantasma preparado para assombrar um país nos próximos anos. Se tudo ficar na mesma.

O FC Porto que terminou a última época contava apenas com quatro internacionais A portugueses. Apenas dois deles (Bruno Alves e Raul Meireles) seriam titulares na viagem à África do Sul. E desta vez não houve sequer manobras de bastidores como a que vetou alguns dos nomes campeões europeus de 2004. A realidade é que o português é cada vez menos uma nacionalidade presente no balneário do Dragão. Mas não só.

A performance de Portugal no Mundial deixou claro que o mais grave problema da equipa das Quinas está na falta de opções. De futuro. Jogadores no final da carreira substituem jogadores no final da carreira. Pouco ar fresco, ambicioso e com vontade de encontrar um lugar ao sol. Um cenário que selecção e clubes têm partilhado nos últimos dez anos. Olhar para a formação do FC Porto e descobrir jogadores de primeiro nível tem sido como encontrar uma agulha num palheiro. Falhou a geração dos Ricardo Costa, Hugo Almeida e Helder Postiga. Posteriormente a dos Bruno Gama, Helder Barbosa ou Vieirinha. E agora estamos perante o dilema. Irá o cenário repetir-se com os Ukra, Castro ou Rabiola?

O certo é que Bruno Alves é o único atleta no plantel da época passada que fez a formação no clube. Muito pouco para uma equipa de dimensão mundial, particularmente quando os grandes da Europa começam cada vez mais a apostar na formação (mesmo que seja na última fase) e menos nos negócios milionários que marcaram a década.

Esta situação não é em nada diferente à de Benfica ou Sporting, que tem mais fama do que proveito com a sua “aclamada” Academia, mas é ainda mais grave quando olhamos para os clubes de média dimensão.

Verdade seja dita, a formação em Portugal sempre funcionou melhor fora do âmbito dos “Três Grandes”. O que sucedia, particularmente até ao aparecimento da Lei Bosman, é que estes captavam rapidamente os jovens talentos quando começavam a dar provas do seu valor na liga. Foi assim durante décadas com os jogadores que saiam das verdadeiras escolas que eram o Boavista, Vitória de Guimarães, Leixões, Belenenses, Montijo, Barreirense, Atlético, Marítimo, Braga ou Farense. Daí saíram jogadores que depois criaram um vínculo com um dos grandes, de tal forma que hoje são poucos os que se lembram que a aventura não começou aí. Quem se recorda de que o primeiro clube de Jaime Pacheco foi o Aliados de Lordelo (onde jogou até aos 21), ou que Sousa começou a jogar no Sanjoanense, ou como Futre arrancou no Montijo antes da breve passagem pelo Sporting?

Hoje essa realidade é o verdadeiro deserto. A lei Bosman encheu Portugal de jogadores estrangeiros de qualidade inferior. Não só nos grandes (onde a sua presença é excessiva e notória), mas nesses pequenos clubes, muitos deles hoje em falência por terem precisamente entrado nessa politica de gastos sem lucro. Clubes como a União de Leiria, Nacional ou Farense tornaram-se portas de entrada para jogadores brasileiros colocados estrategicamente por empresários. O mesmo se passou com Salgueiros, Campomaiorense, Alverca, Estrela da Amadora, Belenenses... todos eles hoje a viverem os piores anos da sua história.

Abandonando a formação, os clubes deixaram de ter uma politica sustentável. Passaram a viver exclusivamente do empréstimo dos grandes e dos jogadores que estes compravam a pechinchas para depois vender a peso de ouro. Até os jogadores que hoje aí se destacam são mais depressa “sobras” da formação dos grandes (Beto, Varela, João Pereira) do que formação da casa. Uma politica suicida que acabou com o futebol de base da selecção nacional.


Há vinte anos atrás, época em que Carlos Queiroz profissionalizou o futebol de formação português, era impensável que talentos como Tiago Targino e Diogo Lamelas (Vitoria Guimarães), João Aurélio e Edgar Costa (Nacional) ou Manu (Belenenses), Vitor Gomes (Rio Ave) e Yazalde (Braga) vivessem marginados dos onzes das suas próprias equipas, em detrimento de atletas estrangeiros. Mais. Há vinte anos esses seriam certamente titulares e estariam debaixo de olho dos olheiros dos grandes. Jogariam na selecção de forma competitiva (é imensa a diferença de equipas sub-21 e sub-19 com jogadores habituados a jogar ao mais alto nível do que aqueles que vivem no idílico mundo dos “juniores”, ou nos clubes que jogam sempre para não perder) e seriam o futuro do nosso futebol. Hoje são dúvidas mesmo antes de começarem. Ao contrário de Hazzard (belga, estrela do Lille), Berg (sueco, estrela do Hamburgo), Kadlec (checo, estrela do CSKA), Ninis (grego, estrela do Panathinaikos), não há um jovem jogador português que se destaque. Dentro e fora de Portugal. E isso é preocupante!

A principal razão do sucesso vertiginoso desta Alemanha (e desta Espanha, e desta Holanda, e até deste Uruguai) deve-se também à sua actual politica de formação. Das federações mas também dos clubes. São realidades, principalmente no caso holandês, em tudo similares à portuguesa. Mas gerida de uma forma diametralmente oposta. A média de idades dos planteis holandeses é infinitamente inferior à dos portugueses. O número de jogadores nacionais é muito mais alto. Na Holanda também há empresários, jogadores estrangeiros e clubes a disputar provas europeias ao mais alto nível. Mas o futebol é visto com outros olhos, sem o típico oportunismo do dirigismo português, dos escritórios da FPF até às oficinas do Dragão, Luz ou Alvalade.

Seria o ideal que os clubes que simbolizam o que de mais forte tem o nosso futebol tivessem nos seus onzes mais jogadores de formação própria. Mas talvez, mais importante ainda, seria que a segunda e terceira linha das equipas portugueses, hoje endividadas até ao tutano, mudassem por completo a sua postura e voltassem a apostar no que de melhor tem a sua cantera. A futura regra 6+5 pode ser polémica, mas no caso português adivinha-se fundamental para garantir a sobrevivência de um país e de um futebol desencontrados da realidade.

Os portistas podem sonhar com a afirmação de Ventura, Ukra, Castro, Rabiola ou Diogo Viana. Podem até ficar contentes com o sucesso de Bruno Gama, Hélder Barbosa, Vieirinha ou Bruno Vale. São produtos da nossa casa que beberam dos nossos ideais. Mas é preciso lembrar que desde sempre o FC Porto soube misturar o bom produto de formação da nossa escola com os melhores jogadores das pequenas escolas que gravitam à nossa volta. Beto, Varela ou Micael podem ser vistos já como os melhores exemplos desse regresso sadio ao passado. Talvez por isso seja simbólico que João Moutinho, produto da formação sportinguista, tome o testemunho de Raul Meireles, filho da escola boavisteira. Não importa a procedência. Importa a qualidade. A garra. O querer. Isso é a escola à Porto. Isso deveria ser a escola à Portugal!

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Miguel Lourenço Pereira a elaboração deste artigo.

Foto 1: origem desconhecida
Foto 2: Academia de Talentos

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Nossa Senhora de Caravaggio nos valha

No dia 26 de Maio de 2004, uma “máquina de jogar futebol” montada por José Mourinho, venceu a competição de clubes mais exigente e difícil do Mundo: a Liga dos Campeões.
Nesse dia, o onze inicial azul-e-branco que entrou no relvado do Arena AufSchalke, incluía nove jogadores com a nacionalidade portuguesa: Vítor Baía, Paulo Ferreira, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha, Pedro Mendes, Maniche e Deco.

Poucas semanas depois, realizou-se em Portugal o Europeu de futebol e, se assim quisesse, Luis Filipe Scolari poderia basear a Selecção numa equipa de top europeu – o FC Porto –, com provas dadas nos dois anos anteriores. Mais. Para além dos jogadores que se tinham acabado de sagrar campeões europeus de clubes, o seleccionador português tinha ainda à sua disposição Jorge Andrade, Rui Costa, Luís Figo, Simão Sabrosa, Pauleta e um jovem de 19 anos que começava a dar nas vistas em Manchester.

Ora, dispondo da base de luxo formada por Mourinho e com um lote alargado de jogadores de classe extra no auge da forma – Baía, Ricardo Carvalho, Maniche, Deco, Figo –, Scolari conseguiu a proeza de perder esse Europeu, disputado em casa (!), sendo derrotado duas vezes pela Grécia num curto espaço de quatro semanas.

Apesar de ter sido derrotado quando tinha tudo a seu favor, Scolari foi transformado em herói da pátria e até condecorado pelo presidente da república, o sportinguista Jorge Sampaio, o mesmo que se esqueceu da vitória portista em Gelsenkirchen.

Seis anos depois, após uma qualificação atribulada, mas em que deixou pelo caminho uma das selecções europeias com mais presenças em fases finais de mundiais – a Suécia –, Portugal chegou à África do Sul tendo de jogar naquele que, aquando do sorteio, foi designado como o “grupo da morte”. De facto, para além de uma das equipas asiáticas presente na prova, os “navegadores” tinham de defrontar o super Brasil e a Costa do Marfim, a qual possui jogadores do nível de Yaya Touré (Barcelona), Emmanuel Eboué (Arsenal), Kolo Touré (Arsenal), Salomon Kalou (Chelsea) e Drogba (Chelsea).

Seis anos depois, Jorge Andrade, Nuno Valente, Costinha, Rui Costa, Figo e Pauleta já arrumaram as botas, o FC Porto de Mourinho há muito que não existe e o onze base da equipa campeã nacional 2009/10 tinha apenas dois jogadores portugueses: Quim e Fábio Coentrão.

Seis anos depois, a selecção nacional superou a fase de grupos sem sofrer qualquer golo, tendo empatado com o Brasil, e sido eliminada pela Espanha nos oitavos-de-final. É mau?
Claro que é! Ainda por cima, a selecção portuguesa estava cheia de craques em grande forma (a começar pelo CR16 – esteve 16 meses sem marcar um golo na selecção) e perder com a Espanha, mesmo com um golo marcado em fora-de-jogo, é inadmissivel!
Aliás, toda a gente sabe que esta Espanha é uma equipa fraquinha... O facto de ser a actual campeã da Europa e de ter vencido os 10 jogos da fase de apuramento foi sorte...
E pior ainda, desta vez Portugal não cometeu a “proeza” de perder duas vezes com um “colosso” tipo Grécia e o seleccionador nem sequer tentou agredir ninguém...

Havendo quem entenda que tínhamos obrigação de ir mais longe e, inclusivamente, quem afirme que “tínhamos Selecção para ser campeã do Mundo” (Jorge Jesus, capa de A Bola de 01/07/2010), é preciso tomar medidas drásticas.
Tirar a braçadeira ao Ronaldo e meter as primas donnas na ordem?
Nããã! Correr com o Carloz Queiroz!

Não por acaso, os mesmos que andaram com o Scolari ao colo, já fazem manchetes com o salário milionário de Carlos Queiroz (o Scolari devia ser baratinho...) e clamam pelo seu despedimento, quiçá para fazer regressar o sargentão.

Eu tenho uma ideia melhor. Proponho que se contrate a Nossa Senhora de Caravaggio porque, olhando para a “matéria prima” de que Queiroz dispôs para este Mundial, o que Portugal precisava (precisa) para superar equipas como o Brasil, Espanha, Argentina ou Alemanha é de alguns milagres.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Business as usual

Nos meses que antecederam este Mundial 2010, mais concretamente a partir do jogo que deu o apuramento a Portugal, temos sido bombardeados com a publicidade dos gigantes do costume (cá do burgo e não só). BES, Nike, McDonalds e outros de que agora não me recorde deram início a uma intensa campanha de publicidade. Publicitar produtos/serviços que se identifiquem com a imagem da nossa selecção passou a ser quase obrigatório.



O BES recrutou o Ronaldo, o Queiroz e a música "I Got a Feeling" dos Black Eyed Peas.

O Ronaldo começou por fazer um anúncio onde respondia a perguntas de um narrador cuja ideia final era mais ou menos esta "eu tenho um feeling para este Mundial mas certezas, certezas só que o meu dinheiro vai render no BES". Coisa ridícula e de mau gosto.

Queiroz também acabou refém do BES e do tema "I Got a Feeling" dos Black Eyed Peas.



O Simãozinho, por seu lado, optou por assinar um acordo de publicidade com a McDonalds tendo mesmo representado a dança Big-Mac-Loco-qualquer-coisa quando marcou o segundo golo de Portugal no jogo frente à Coreia do Norte.


"A McDonald’s Portugal possui um acordo global de imagem com Simão Sabrosa relativo ao Mundial de Futebol FIFA 2010, no âmbito da campanha Alimenta a Paixão, não tendo sido concretizado qualquer acordo específico de celebração de golos", afirmou António Filipe, director de marketing e comunicação da McDonald’s Portugal.
Os jogadores (ou treinadores) são (ou devem ser) livres para assinarem contratos de imagem e fazerem o que bem entenderem da sua figura. Tudo normal. O problema surge quando uma campanha de publicidade ("Escreve o futuro") de um patrocinador (Nike) condiciona toda uma forma táctica de abordagem aos lances de bola parada da Selecção Nacional. Agora somos obrigados a gramar o Cristiano Ronaldo a marcar todo e qualquer livre directo mesmo depois de já ter marcado uma boa meia dúzia com a bola a passar a kms da baliza adversária. O ritual é sempre o mesmo e igualzinho ao do anúncio Nike: Ronaldo, o herói, segura na bola e coloca-a no chão. Afasta-se lentamente e pára fixando-se com as pernas bem afastadas. Depois intercala alguns olhares profundos entre a bola e a baliza. Para finalizar faz uma inspiração profunda dilatando visivelmente a caixa torácica e expira de uma só vez para então correr para a bola e rematar em estilo. No anúncio a imagem seguinte aparece com um fundo negro e a letras brancas o título inspirador "escreve o futuro". No relvado têm aparecido chutos para a bancada.


A Selecção tem excelentes marcadores de livres directos e bolas paradas. Simão, Bruno Alves ou Raul Meireles são alguns exemplos. Estamos reféns da publicidade Nike?

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ainda têm saudades?

Pois é, o campeão europeu de 2004 já voltou para casa, bem como, o actual campeão e vice-campeão do Mundo em título. Quanto a Portugal, com um treinador que é "burro", terminou a fase de grupos sem derrotas e sem sofrer golos.

Por falar em golos, há quantos minutos é que Portugal não sofre golos em jogos oficiais?
Por onde andam os que diziam que o Eduardo não valia nada e que o titular da Selecção devia ser o Quim?

E, já agora, por onde andam os que tinham saudades do Scolari e faziam capas a chamar burro a Carlos Queiroz?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Ah, grande Carlos Queiroz!

"Estava a tomar o café e a falar ao telemóvel, ele [Carlos Queiroz] veio ter comigo e provocou-me. Eu reagi ao que ele disse e depois agrediu-me. Tentei libertar-me com um pontapé e só fomos separados pelas pessoas que lá estavam, incluindo membros da comitiva da federação"
Jorge Baptista, em declarações à SIC Notícias


«O seleccionador confirmou que houve “empurrões”, mas negou ter agredido o comentador, conforme avançou o jornal “Record”, cujo site noticiou que Queiroz agrediu Jorge Baptista com dois murros, depois de uma troca de palavras azedas e de insultos»
in PUBLICO.PT, 06/02/2010


Ah, grande Carlos Queiroz, só foi pena as que caíram ao lado.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Algumas notas sobre a Selecção Nacional


Quando tudo parecia perdido à entrada para as derradeiras jornadas do Grupo 1 da fase de qualificação para o Mundial de Futebol da África do Sul sai um coelho da cartola da FPF chamado Liedson e tudo muda. Vitórias precisavam-se e tudo indica que Portugal irá registar 4 vitórias e 1 empate nos 5 últimos jogos, o que proporcionará a entrada no play-off de qualificação. Queiroz não foi totalmente feliz nas equipas que montou ao longo da qualificação mas também não é menos verdade que nunca na era scolariana a Selecção jogou com adversários tão fortes e com um grupo tão complicado. Entretanto, e com o acesso ao play-off à porta, a imprensa lisboeta e os medíocres jornalistas da capital andam histéricos porque parece que ainda não podem fazer o ansiado funeral ao Queiroz. O desonesto então estava inconsolável com a vitória categórica por 3-0 frente à Hungria.

Adiante. A chegada de Liedson à Selecção foi decisiva para a recta final. Depois de uma travessia do deserto de pontas-de-lança após o abandono de Pauleta, e com as experiências Postiga, Danny, Hugo Almeida e Nuno “eterna promessa” Gomes a não darem frutos, a chegada de Liedson foi uma lufada de ar fresco e de golos fundamentais. Um ponta-de-lança goleador é essencial numa equipa como a portuguesa que tem bons extremos e onde funciona melhor um esquema de 4-3-3 do que um de 4-4-2. Além disso, e com a promoção de Cristiano Ronaldo a capitão, o “melhor do Mundo” assumia demasiadas vezes o protagonismo agarrando-se demais à bola acabando por destruir o jogo e deixando impacientes os colegas. Sem a presença de um avançado fixo na área Queiroz tentou fazer na Selecção com Ronaldo aquilo que fazia no Manchester United, não o colando à linha e dando-lhe liberdade para vaguear no centro do terreno e aparecer na zona de finalização, o que não resultou. Pelas características dos jogadores da selecção parece que Ronaldo poderá render mais jogando a extremo ou fazendo diagonais para o centro para sair o remate.

O jogo com a Hungria revelou um jogador que parecia esquecido da Selecção (e até dos clubes portugueses), o Pedro Mendes, que teve uma actuação irrepreensível e mostrou que pode (e deve) ser o trinco titular. O castigo de Pepe resultou na descoberta do homem certo para o lugar certo. Só é pena que o Pedro Mendes não tenha no seu curriculum uma passagem por Lisboa em vez da presença no FC Porto Campeão da Europa em 2004 porque isso lhe retira todas as possibilidades de fazer uma carreira de sucesso na Selecção (os opinion-makers sulistas já estão nervosos e desorientados). Em minha opinião o Pepe não deve voltar a ser colocado no lugar de trinco. As suas melhores exibições são como defesa central e se o problema é tirá-lo da equipa o seleccionador sempre pode ir alternando a sua presença com a de Bruno Alves ou de Ricardo Carvalho, embora este último não seja de substituir enquanto está em forma porque (ainda) é um jogador de grande qualidade.

O outro jogador em destaque neste último jogo com a Hungria foi o Simãozinho. Finalmente marcou os golos que já andava a falhar escandalosamente nos jogos pela Selecção. Não está em boa forma e as suas prestações no Atl. Madrid também não têm sido as melhores. Talvez por isso não tenha festejado o primeiro golo frente à Hungria. No entanto, quando voltar a ganhar confiança, é um jogador importante na estrutura da selecção.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

As Vacas da Selecção


Enquadramento histórico

Desde há largas décadas que a Selecção Nacional, de um modo geral, é gerida tendo em conta não os interesses do Futebol Nacional mas sobretudo os interesses dos clubes de Lisboa e dos seus apaniguados. Essa peculiar forma de gestão dos destinos futebolísticos de uma equipa que deveria supostamente representar o País já foi abordada várias vezes aqui no Reflexão Portista. E quem tem dúvidas pode consultar aqui, por exemplo, o célebre episódio da Selecção Benfica-Sporting-Belenenses. Isto para não abordar outros temas como o do Presidente da FPF que teria de ser alguém ligado a um desses clubes. Ao longo dos anos e principalmente depois do 25 de Abril e da atitude desassombrada de Pedroto e Pinto da Costa no combate à concentração excessiva de poderes futebolísticos em Lisboa as coisas foram mudando, mas pouco. Ou melhor, essa concentração e domínio excessivo diminuíram mas passaram a fazer-se as coisas “por outros lados”.

Problema

A cultura de influência lisboeta nas equipas da Selecção tem-se manifestado há largos anos, e acentuado nos últimos, na constante transformação de jogadores do Sporting e do Benfica em Vacas Sagradas no seio da Selecção Nacional. O último exemplo deste estranho comportamento, que também afecta os adeptos dos referidos clubes, é a insistência na presença “obrigatória” de jogadores que já deram o que tinham a dar à equipa nacional como são os casos de Ricardo, Quim ou Nuno Gomes. Mas não são casos únicos, há jogadores que “têm” de jogar mesmo que estejam ou tenham estado lesionados como Simão e C. Ronaldo. Este último é a vaca mais sagrada que apareceu nos últimos anos: deram-lhe a braçadeira de capitão sem que tivesse demonstrado qualquer maturidade para tal e comporta-se como uma prima-dona dentro de campo usando e abusando de lances individuais improdutivos. Já não há paciência.

Diagnóstico

Carlos Queiroz tem vários problemas para resolver, além do apuramento para o próximo mundial, se quiser continuar a ser o Seleccionador. A sua entrada na Selecção não foi a mais feliz uma vez que já tinha publicamente elogiado a estrutura do FC Porto e quando chegou não “queimou” declaradamente nenhum jogador portista e isso fez toda a diferença. O brasileiro sacrificou o melhor guarda-redes em 2004 e um inspirado Quaresma em 2006, criou a sua própria manada e adoptou um constante comportamento hostil ao FC Porto e com isso ganhou a admiração e protecção de um País inteiro. Até dos jornalistas que tratava frequentemente à biqueirada. Agora as baterias estão todas apontadas a Queiroz. Os medíocres comentadores da nossa praça não aceitam que se deixe de fora Nuno Gomes, Moutinho ou Simão, ainda que não se encontrem na melhor forma física. Eles não entendem e não perdoam.


Futuro

Depois da saída do brasileiro para o Chelsea em pleno Europeu, a renovação na Selecção tornou-se incontornável. É certo que poderia ter sido feita de outra forma, sem um corte tão profundo com o passado, mas essa foi a opção de Queiroz e é com ela que no futuro lhe serão pedidas responsabilidades. De qualquer forma, como já referi, o seu estilo e a sua postura não são do agrado dos jornalistas e adeptos afectos aos clubes de Lisboa e por isso prevejo muitas dificuldades para Madaíl segurar Carlos Queiroz a curto prazo.

domingo, 29 de março de 2009

Regresso ao Passado

(Os Magriços)

Com excepção da carreira dos Magriços no mundial de 1966, sempre estivemos habituado às vitórias morais da nossa selecção... e continuamos. Aquele mundial que foi glorificado até à exaustão para servir a Pátria, não animou os jogadores e nem sequer aqueceu um pingo de esperança nos desanimados portugueses, pois nas competições internacionais que se seguiram tudo voltou ao normal. Nem as selecções formadas basicamente com os jogadores do SLB, no tempo em que dominava no campeonato e obtinha bons resultados na Taça dos Campeões, foram bem sucedidas nas campanhas para o europeu ou mundial.

A selecção nacional passou por sucessivas convulsões. Má organização, clubismo exacerbado e muito amadorismo. Não obstante tais vicissitudes, tirámos um 3º lugar no Campeonato Europeu, em França – apesar da mediocridade e das desavenças entre os três treinadores em exercício, Cabrita, Toni e Morais - e da grande divisão no seio da equipa entre jogadores do FCP e do SLB.

Pouco tempo depois, conseguimos uma presença no mundial, tirada a ferros (na Alemanha) para depois na fase final borrarmos a pintura, com uma série de acontecimentos que ficaram conhecidos pelo escândalo de Saltillo: uma desoladora imagem, que inscreveu dirigentes, equipa técnica e jogadores. Um comportamento execrável, um futebol medíocre, que se ficou por uma simpática vitória com a Inglaterra. O resto foi uma tristeza: não houve inocentes.

(A equipa que venceu o mundial da categoria em Riade)


Vieram, depois, os meninos de Carlos Queiroz e a geração de oiro que prometeu muito, com as vitórias nos mundiais sub-19. Porém, tirando esses êxitos e alguns lugares de honra que obtiveram no escalão sénior, não restaram muitos mais motivos para especial regozijo, bem pelo contrário: esse ciclo que deixou o amargo da desilusão por não termos concretizado o potencial anunciado que sempre se revelou ser muito superior às nossas forças, terminou no mundial na Coreia que foi mais ou menos um Saltillo revisitado.

Controvérsia à parte, a FPF rompeu com o passado, despediu António Oliveira e recrutou Scolari. Um novo ciclo e um novo paradigma. Criados os inimigos e feitos ao amigos o brasileiro fez história: foi populista, blindou o balneário, arregimentou parte da CS, e reinou que nem um déspota iluminado. Não saiu vitorioso, mas teve sucesso. Acabou no Chelsea, onde de resto já não mora. Portugal teve bastantes vitórias mas nenhum triunfo. Scolari triunfou, foi promovido e despromovido em muito pouco tempo e con$olidou o futuro.

A sua saída, que foi acompanhada por alguns dos mais notáveis jogadores daquele período, fazia prever dificuldades que a corrida para o Mundial da Alemanha tinha posto a descoberto, apesar de não nos termos batido com equipas de primeira linha.


Para o substituir um nome consensual: Carlos Queirós, um excelente organizador. Tomou conta da selecção num momento de viragem. Saíram Figo, Petit, Jorge Andrade, Pauleta e alguns outros jogadores deixaram de ser alternativa: Postiga, Nuno Gomes, Ricardo, Quim, Meira e Miguel.

Com o impedimento de Paulo Ferreira, passámos a não contar com jogadores suficientemente credíveis para ocupar as posições de: guarda-redes, defesa-esquerdo, trinco e ponta de lança. Aliada a essa fragilidade, um CR7 claramente em sub-rendimento explicam em grande parte esta terrível falência da nossa selecção, até ao momento.

Praticamente afastados, desde sábado passado, do mundial de África do Sul, resta a Carlos Queirós lançar os fundamentos de uma selecção competitiva, com um modelo de jogo, uma equipa base e um grupo de trabalho coerente.

Tenho muitas dúvidas que alguma vez tenhamos uma equipa capaz de ganhar um campeonato da Europa ou do Mundo. E mais tenho sobre o nosso seleccionador que me parece tão perdido quanto os nossos jogadores a caminho do golo.


Aquele ar de sofrimento, que a câmara indiscreta mostrou, é contagioso. A selecção está em crise, para não destoar do ambiente geral. Não há só ineficácia. A equipa não tem auto-estima suficiente e não se sente capaz de ganhar. Não há confiança e os suecos tiveram muito tempo de bola e nunca foram encostados às cordas. Agora nem a alegria das varandas engalanadas e dos cordões humanos apoteóticos, que anteciparam a vitória que mesmo tão perto não fomos capazes de agarrar, dá para disfarçar o nosso pessimismo. Porém nada de dramatismos: afinal, não se mudou tanto, apenas desta vez perdemos mais cedo.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Ao lado do "leproso" não...

«O seleccionador nacional, Carlos Queiroz, assistiu ontem ao encontro dos encarnados com o Galatasaray ao lado de Luís Filipe Vieira e Eusébio. O treinador já se vai tornando, de resto, presença assídua na "Catedral", pois também havia visto no camarote presidencial o embate das águias com a Naval 1.º de Maio, a contar para o Campeonato.»
in O JOGO, 07/11/2008

Pois é, quando o Seleccionador Nacional assiste a jogos no camarote presidencial do estádio da Luz, ao lado do presidente encarnado, é algo absolutamente normal que, quanto muito, merece uma pequena nota de rodapé.

Contudo, há duas semanas atrás, caiu o Carmo e a Trindade por o mesmo Carlos Queiroz ter tido a falta de gosto, a veleidade, a desfaçatez de ter assistido ao FC Porto – Dinamo Kiev ao lado de Pinto da Costa.

Razão tinha o xocolari (um ídolo para a comunicação social do regime) que dizia que não vinha ao Porto porque era muito longe...

E depois ainda se admiram que a malta aqui para o Norte goste muito da Galiza, dos galegos, do Cel7a de Vigo...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

De estado de graça, para uma panela de pressão


Não basta jogar, é preciso também marcar. Numa única frase pode-se resumir o estranho jogo de Alvalade da noite passada e, também, constatar que a linha que separa o sucesso do insucesso é demasiado tenue.

Ao primeiro jogo a “sério” a Selecção Nacional volta evidenciar problemas antigos – péssima finalização, dificuldades no jogo aéreo na transição defensiva - que já vêem talvez dos tempos dos Afonsinhos. Estaremos a regressar aos tempos das vitórias morais? Estará Queiroz equivocado na sua estratégia de alteração de alguns conceitos instituídos na Selecção nos ultimos anos?

Provavelmente hoje não faltarão muitos fazedores de opinião a passar a ideia de que no reinado de Scolari nada disto seria possível, mas sou daqueles em que acredita que o trabalho e preparação técnica, a educação e o interiorizar de conceitos, mais cedo ao mais tarde garantirão frutos. Tudo isto com um lote de Seleccionados que chegam à equipa Nacional mercê de prestações positivas nos seus clubes, e não à conta de uma “carta branca” passada sempre às mesma figuras, independentemente da sua condição no momento.

O encontro com a Dinamarca foi um semi “dejá vu” de partidas como a Polónia e Sérvia, com toques mais maquiavélicos.

Continuam alguns problemas por resolver nesta Selecção, como sejam defender bolas paradas e saber jogar com a pressão final. A linha defensiva que toda ela é bastante ágil e rápida são de excelente qualidade, direi mesmo dos melhores do Mundo a defender com a defesa em linhas avançadas, mas menos bons a actuar nos ultimos metros, onde a velocidade não é tão importante.


No ataque a ineficácia na finalização é um calvário onde não vislumbra um fim à vista. Parece que o código genético Lusitano falhou nos seus primórdios na concepção das máquinas goleadoras, e só Eusébio ou Gomes nasceram com defeito de fabrico.
Desperdiçar quatro golos na cara do guarda redes em 45 minutos deve ser um feito que provavelmente só Portugal se poderá gabar...

Serenidade e confiança na sua estratégia, sem desvios nos seus propósitos, é o que se pede neste momento à Selecção Portuguesa. Mas, após esta inesperada derrota caseira e com o próximo encontro a ser disputado no terreno do principal adversário, a panela que inusitadamente ganhou pressão em Alvalade, pode estourar precocemente.

Fotos: Record