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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

“As gentes do Porto são ordeiras”

O penálti sobre Danilo visto de vários ângulos (clicar na imagem para ampliar)

Uns minutos após o final do CD Aves x FC Porto, Pedro Henriques (ex-árbitro da AF Lisboa), o comentador de arbitragem da SportTv, afirmou o seguinte:

Há penalti! Não deixa dúvidas. O jogador tentou pontapear a bola mas pontapeou o Danilo. Não interessa se é sem querer.

No dia seguinte, nas páginas dos três jornais desportivos, a opinião dos comentadores de arbitragem era unânime.

No jornal O JOGO, Jorge Coroado (ex-árbitro internacional da AF Lisboa), José Leirós (ex-árbitro da AF Porto) e Fortunato Azevedo (ex-árbitro internacional da AF Braga), que constituem o painel do ‘Tribunal de O JOGO’, são perentórios: ao minuto 90, ficou por assinalar um penálti a favor do FC Porto.

Duarte Gomes (ex-árbitro internacional da AF Lisboa), na análise à arbitragem nas páginas do jornal A BOLA, confirma e diz que existiu um penálti (por assinalar) sobre Danilo.

Nas páginas do jornal Record, Marco Ferreira (ex-árbitro internacional da AF Funchal) e Jorge Faustino (ex-árbitro) também não têm dúvidas e escreveram o seguinte:

Amilton foi surpreendido pela antecipação de Danilo e, quando pretendia jogar a bola, acabou por apenas acertar na perna esquerda do jogador do FC Porto. Pontapé de penálti que ficou por assinalar

O jogador [Amilton] tenta pontapear a bola, acabando por acertar na perna de Danilo de forma imprudente dentro da sua área. Penálti por assinalar, não tendo a devida ajuda do VAR

Sete ex-árbitros, colaboradores de diferentes jornais ou televisões.
Sete ex-árbitros, de diferentes gerações.
Sete ex-árbitros, de diferentes associações do país (maioritariamente da AF Lisboa).
Sete ex-árbitros, a maior parte dos quais ex-internacionais, são unânimes:
Ao minuto 90 do CD Aves x FC Porto, ficou um penálti por assinalar a favor do FC Porto!

Mais. O penálti é de tal forma descarado que, vendo a unanimidade dos ex-árbitros e não tendo outros argumentos, a máquina de propaganda do SLB até se deu ao trabalho de pôr a circular um vídeo com imagens manipuladas.

O vídeo manipulado foi publicado no Twitter 'SL Benfica Press'

A razão desta rara unanimidade em relação ao penálti sobre o Danilo que ficou por assinalar é simples: trata-se de uma falta demasiado evidente para se poder usar a desculpa do “em caso de dúvida…”. Ou, dito por outras palavras, não é um “penálti de televisão” (outra desculpa que era habitual). É um lance claríssimo, que não deixa qualquer tipo de dúvida (a pessoas minimamente honestas), sendo perfeitamente visível mesmo sem se ter acesso a imagens televisivas e repetições (como é o caso do VAR).

E contudo, no ‘Dragões Diário’ do dia seguinte ao jogo (26-11-2017), a referência ao lance foi esta:

«… um penálti por assinalar de Amilton sobre Danilo, que nem árbitro nem vídeo-árbitro conseguiram analisar corretamente…»

É só isto que a estrutura do FC Porto tem para dizer, sobre o erro de arbitragem mais grave deste campeonato?

Com tantos paninhos quentes, com tanto cuidado na escolha das palavras para não ofender a APAF, só faltou pedirmos desculpa aos “padres”…, perdão, aos excelentíssimos senhores árbitros, que estiveram de serviço (e que servicinho fizeram…) na Vila das Aves.

E não me venham com a conversa de que temos que relativizar e que este é "só" mais um penálti (o sexto desta época) que ficou por assinalar a favor do FC Porto.
Eu não aceito esse tipo de conversa.
Este é O penálti que ficou por assinalar ao minuto 90, de um jogo que estava empatado (1-1) e, por isso, as consequências do "erro" são muito mais gravosas do que noutros casos.

Em resumo, perante um lance destes, com toda esta envolvência, o FC Porto não pode reagir de forma encolhida, timida, quase envergonhada, como o fez no ‘Dragões Diário’.

E pior ainda, dois dias após a equipa liderada por Sérgio Conceição ter sido espoliada de 2 pontos na Vila das Aves, o presidente e a administração da FCP SAD continuam em silêncio.


O mestre Pedroto a apontar o caminho

As gentes do Porto são ordeiras porque, se não fossem, há muitos anos teriam recorrido à violência perante os enganos dos árbitros que têm decidido da perda de muitos campeonatos e Taças de Portugal.
― José Maria Pedroto

Que saudades do mestre Pedroto e do seu companheiro de então, Jorge Nuno Pinto da Costa. A dupla que, há 40 anos atrás, se insurgiu contra os poderes instalados na capital do ex-Império e iniciou a transformação dos “andrades” em “dragões”.


P.S. O "polvo encarnado" estende-se para todas as áreas, do futebol à comunicação social, passando pelo poder político e judicial. Por isso, não tenhamos ilusões. Este "polvo" gigante não será derrotado se continuarmos com falinhas mansas e boas maneiras.


sábado, 10 de junho de 2017

Oremos pelos “padres” pecadores

Francisco J. Marques a ler os e-mails no 'Universo Porto da Bancada'

Na última terça-feira à noite, no programa ‘Universo Porto da Bancada’, o diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, denunciou um esquema de poder, um esquema de tráfico de influências, um esquema de corrupção moral na arbitragem portuguesa (dificilmente se consegue provar a corrupção material). E, para suportar as suas afirmações, apresentou (leu) um conjunto de e-mails trocados entre um ex-árbitro da AF Braga (Adão Mendes) e um funcionário de peso do SLB, o mediático diretor de conteúdos da Benfica TV (Pedro Guerra).

As reações a esta denúncia não se fizeram esperar.

Os jornais, quer os desportivos, quer os generalistas, mais ou menos contrariados, com maior ou menor destaque, fizeram eco desta “bomba”. Primeiro nas suas edições online

[Record], [O JOGO], [JN], [DN], [PUBLICO], [A BOLA], [AS, Espanha], com as palavras "corrupção", "árbitros" e/ou "Benfica" nos títulos…

… e depois nas versões em papel.

Os e-mails comprometedores nas capas de vários jornais


As três televisões do regime – RTP, SIC e TVI – também não puderam ignorar esta denúncia bombástica, com o assunto a ser notícia em telejornais e a ser objeto de comentário/debate noutros programas.

Na sequência do impacto mediático, vieram as reações das instituições:
da associação de classe dos árbitros (APAF);
e da Federação Portuguesa de Futebol (Conselho de Disciplina da FPF).

Perante a avalanche mediática e as reações em cadeia que se verificaram, qual foi a resposta do SLB?
A nação benfiquista ficou em choque, sem saber muito bem o que dizer (a cartilha da semana não previa este assunto…), ao ponto do “primeiro-ministro” (Luís Filipe Vieira) ter adiado uma entrevista à RTP 1, a qual estava agendada (e chegou a ser anunciada) para a passada quarta-feira (dia 7 de junho).

E que disseram os dois interlocutores dos e-mails?
Adão Mendes, o “árbitro vermelho”, remeteu-se ao silêncio.
Quanto a Pedro Guerra, cuja cabeça começa a ser pedida por alguns benfiquistas desesperados, a comunicação social anunciou que irá reagir domingo à noite, na TVI24, numa edição especial do programa ‘Prolongamento’.
Cinco dias para reagir?
É normal. Depois do choque, é preciso tempo para o grupo de crise do SLB reler todos os e-mails que foram trocados (é bem provável que o FC Porto tenha em seu poder mais e-mails do que aqueles que já mostrou) e preparar a cartilha oficial a debitar…

Chegados a este ponto, pode dizer-se que todos os objetivos imediatos (de curto prazo), resultantes da denúncia feita no último ‘Universo Porto da Bancada’, foram alcançados. Eu diria mesmo que foram ultrapassados, tal foi o impacto mediático e a desorientação evidente que provocou nos “milhafres” de carnide, que mais parecem galinhas tontas.

Agora, para além de manter o assunto na ordem do dia, os responsáveis do FC Porto precisam de preparar as próximas etapas, de modo a pressionar e obrigar as diversas instituições a (re)agir.

Evidentemente, o inquérito aberto pelo Ministério Público terá como destino o arquivamento (ninguém está à espera de outra coisa, quando o alvo é o clube do regime).

E o processo aberto pelo Conselho de Disciplina da FPF também resultará em nada (no dia em que o SLB for punido, a sério, na justiça desportiva, o futebol português acaba).

Por isso, as “munições” de que o FC Porto dispõe têm de ser bem gastas tendo, como alvo principal, o “polvo” da arbitragem – árbitros no ativo, responsáveis pela nomeação dos árbitros, observadores, responsáveis pela classificação dos árbitros.
Este “polvo”, que foi criado pelo SLB com “muito trabalho”, tem de ser desmantelado.

Para começo de conversa, sugiro que, ao longo dos próximos ‘Universo Porto da Bancada’, vá sendo apresentada uma seleção de jogos das últimas quatro épocas (2013/14, 2014/15, 2015/16 e 2016/17), que tenham sido adulterados por decisões dos oito “padres” – Jorge Ferreira, Nuno Almeida, Manuel Mota, Vasco Santos, Rui Silva, Hugo Pacheco, Bruno Esteves e Paulo Baptista.

Em cima: Manuel Mota, Bruno Esteves, Nuno Almeida, Hugo Pacheco
Em baixo: Vasco Santos, Jorge Ferreira, Rui Silva, Paulo Baptista
(foto: maisfcporto.com)

Não havendo provas concretas de corrupção material (que são sempre muito difíceis de obter, a não ser que os próprios confessem), de modo a suportar o seu afastamento da arbitragem, parece-me que a melhor estratégia é cozinhar estes “padrecos” em lume brando.

Ora, como todos estamos recordados, não faltam decisões arbitrais, que permitem estabelecer um nexo de causalidade entre o que é referido nos e-mails e a atuação dos oito “padres” em inúmeros jogos.

Alguns exemplos que, ao longo das últimas quatro épocas, foram referidos neste blogue:











Meus senhores, ajoelharam?
Pois agora vão ter de rezar…

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Ó meu Porto

Capa de O JOGO de 20-04-2017

Durante anos, demasiados anos, o FC Porto andou calado, silencioso, amordaçado, encolhido, quase que envergonhado.
Levavamos “estaladas” dos nossos inimigos e os dirigentes do FC Porto “ofereciam a outra face” (e, por vezes, até convidavam essa gente para o camarote presidencial).
“Cuspiam-nos na cara” e nada.
Insultavam-nos, denegriam-nos e nós, feitos anjinhos, chegamos ao ponto de convidar os diretores de A BOLA e do Record para a gala anual Caras-Dragões.

Nunca me conformei com este tipo de FC Porto (inclusive quando ganhávamos campeonatos). Pelo contrário, desde que existe ‘Reflexão Portista’ (2008) e mesmo antes noutros fóruns de portistas, sempre me insurgi contra esta atitude de “pombinhas” (para não dizer pior) dos dirigentes do meu clube.

Finalmente, nos últimos dias, parece que acordamos desta longa letargia e voltamos a ser Porto.








Capas de O JOGO de 19 e 21 de Abril

Este, sim, é o meu Porto!

Quando alguém se atrever a sufocar
O grito audaz da tua ardente voz
Ó Porto, então verás vibrar
A multidão num grito só de todos nós

sábado, 8 de abril de 2017

Respeito



Um FCP menos ansioso em comparação ao último jogo caseiro contra Setúbal e, por isso, hoje mais eficaz. Mas também este Belenenses é muito menos matreiro que o nosso adversário de há 15 dias...

Ainda assim, em toda a primeira parte só conseguimos uma única verdadeira oportunidade, a mesma que originou o primeiro golo. Um aproveitamento de 100%, portanto.

No golo de Danilo houve grande mérito de André Silva que, mais uma vez, passou um pouco ao lado da partida no restante tempo em que esteve no relvado. Continuamos sem saber muito bem em que posição NES quer que ele jogue.

A segunda parte foi muito mais fluida, principalmente após a entrada de Corona.

O golo da tranquilidade nasceu mesmo dos pés do mexicano, após grande jogada no flanco direito (finalmente um "extremo" em campo), e Soares voltou, assim, aos seus melhores dias. Ele que na primeira parte rematou frouxo, num lance em que poderia ter feito muito melhor.

O brasileiro ainda teria outras duas boas acções na área.

Brahimi, que continua em grande, faria depois o terceiro golo num penalty (desnecessário) que ele próprio pediu a NES para marcar.

Sobre a arbitragem, existiu um lance de mão na bola, ainda durante o primeiro tempo. Porém, como o FCP, antes do início da partida, se tinha associado à campanha "Respeito pelos árbitros. Policiamento obrigatório, já", se calhar não devemos fazer comentários sobre o assunto.

Bem, ao menos o André André parecia pouco à vontade e nem na tarja segurou...

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

APAF trata do inquérito aos árbitros

(Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol)

Árbitros garantem que todos os clubes dão lembranças
11 de Novembro de 2015

Os árbitros já responderam às questões colocadas pela Comissão de Inquérito da Liga sobre as alegadas prendas do Benfica. Nestas respostas, a que a TSF teve acesso, os árbitros não confirmam convites para refeições feitos pelo Benfica.

Os 180 árbitros, assistentes e observadores responderam todos da mesma forma. Seguiram uma minuta criada pela APAF (Associação Portuguesa de árbitros de Futebol) e confirmam que o Benfica e outros clubes ofereciam lembranças nos mesmo termos e contextos.

Neste mail de resposta às perguntas da Comissão de Inquérito da Liga, os árbitros nunca usam as expressões "voucher", "refeições", "almoços" ou "jantares". Dizem apenas que, por ser generalizada e circunstancial a entrega de tais ofertas, dependendo às vezes de factos tão concretos como aniversários de clubes, celebrações de feitos desportivos ou evocação de glórias, é impossível recordar ou localizar com precisão se em determinado jogo foi feita essa oferta.

Neste email a que a TSF teve acesso, os juízes explicam ainda que, ao longo da carreira, foi hábito generalizado os clubes oferecerem pequenas lembranças como porta-chaves, galhardetes, cachecóis, livros, camisolas ou produtos regionais como pão, doces e vinhos.

A maioria das vezes estas ofertas foram feitas no final dos jogos, à saída dos balneários e à vista de todos, sendo que nas competições profissionais também os delegados e assistentes da Liga os receberam.

Os 180 árbitros, assistentes e observadores concluem que estas ofertas, de valor irrisório, recebidas por boa educação e cortesia, não afetaram a imparcialidade até porque a entrega era feita no final dos jogos.


(Kit oferecido aos árbitros pelo Benfica. Inclui uma camisola, entradas em museu e vouchers para refeições)

Ou seja, a zelosa APAF fez uma minuta para orientar os árbitros nas respostas ao questionário da Comissão de Inquérito da Liga. E as conclusões são, obviamente, que todos os clubes dão presentes e que estes não diferem na sua natureza. A APAF e os árbitros mentiram porque não confirmam que o Benfica lhes ofereceu vouchers para refeições. É a própria associação dos árbitros que está a tentar desculpar o clube do regime e equiparar as suas acções e atitudes com a dos restantes clubes das competições profissionais. Resta saber se a Liga, enquanto entidade que representa todos os clubes, vai relevar estas respostas ou se finalmente vai tomar uma atitude correcta e independente distinguindo galhardetes e outros adereços simbólicos de almoços, jantares e entradas em museus, que são ofertas de valor pecuniário muito mais significativo.
   

sábado, 24 de novembro de 2012

Guilherme, Hélio, cunhas e (des)lealdades

«Luís Guilherme, que perdeu a presidência do Conselho de Arbitragem por um voto, no dia em que o delegado da A. F. Viana teve um desarranjo intestinal e não pôde votar, demitiu-se do Centro de Treinos de Árbitros de Lisboa depois de ter visto o CA da FPF [presidido por Vítor Pereira] vetar o nome de Hélio Santos, antigo árbitro de 1.ª categoria, indicado por Guilherme para colaborar, graciosamente, com o Centro de Treinos. O próprio Luís Guilherme fez questão de afirmar que Hélio Santos é padrinho de um filho seu
Eugénio Queirós, 23 novembro de 2012 | 19:15
in record.pt


Este texto, publicado ontem por Eugénio Queirós no seu blogue, é muito interessante e remete para alguns dos tentáculos que o slb teve (tem?) no chamado SISTEMA.

Recuemos uns anos...

Luís Guilherme deixou a arbitragem e assumiu funções na APAF em 1998 e, em 2002, foi convidado (segundo se disse na altura por indicação do slb) a presidir à Comissão de Arbitragem da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), onde esteve quatro anos.

No mesmo período, 2002 a 2006, um ex-responsável pelo futebol dos encarnados, Cunha Leal, exerceu (e de que maneira!) o cargo de director executivo da LPFP.

«As cunhas desleais não honram o futebol nem os lugares, quando se percebe que o objectivo é prejudicar o FC Porto»
Rui Santos, 16/05/2008
in record.pt

Hoje pode parecer estranho, mas na altura vivia-se na Liga o período de ouro da aliança entre o Boavista dos Loureiros (pai e filho) e o slb de Luís Filipe Vieira, uma santa aliança forjada contra Pinto da Costa e contra o FC Porto (em que uma das primeiras vitimas foi José Guilherme Aguiar).

Fui convidado por Valentim Loureiro, mas provavelmente por indicação do Benfica
Cunha Leal, 2 junho de 2002

Hélio Santos, outro dos protagonistas desta história, é um ex-árbitro filiado na Associação de Futebol de Lisboa, que teve como seu árbitro assistente um tal de... Luís Guilherme!

Ao longo da sua carreira, as tendências benfiquistas do árbitro Hélio Santos foram sempre notórias, mas o jogo que o projectou para a história do futebol português foi um célebre Estoril-Benfica, da época 2004/05, disputado no estádio do... Algarve (!).

«se [Cunha Leal] cumprisse o seu dever de isenção, não teria autorizado a farsa que constituiu a marcação do Estoril-Benfica para o Algarve, na jornada 30 do campeonato de 2004-05, cujo desfecho foi decisivo para a atribuição do título nessa temporada»
Rui Santos, 21/05/2008
in record.pt

A nomeação de Hélio Santos já dava algumas “garantias” mas, não fosse o diabo tecê-las, o seu compadre (Luís Guilherme) também nomeou para o mesmo jogo Devesa Neto, um ex-árbitro assistente que foi apanhado a jantar com José Veiga (ex-diretor desportivo do slb) no restaurante Sapo e que, conforme se ouviu nas escutas entre João Rodrigues (ex-dirigente do slb e ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol) e Pinto de Sousa, tinha o condão de acalmar os dirigentes benfiquistas...

O jogo, da 30ª jornada, realizou-se no dia 24 de Abril de 2005 e, tal como a data sugere, fez lembrar os tempos da outra senhora.
Seria exaustivo (e difícil) referir todas as "roubalheiras", perdão, os casos de arbitragem que ocorreram durante os 90 minutos, por coincidência quase todos em prejuízo do Estoril, mas os mais significativos foram os seguintes:
Aos 24 minutos, numa altura em que o Estoril vencia por 1-0, deu-se a expulsão do estorilista Rui Duarte, naquela que foi a expulsão mais rápida dessa época;
Aos 37 minutos, ficou por assinalar um penalty clarissimo contra o slb, bem como, a expulsão do defesa central encarnado Ricardo Rocha;
Aos 75 minutos, uma falta do médio encarnado Petit foi transformada em falta contra o Estoril, e deu origem ao golo do empate;
Finalmente, aos 79 minutos, nova expulsão de um jogador do Estoril (vermelho direto para João Paulo, por palavras), abrindo caminho ao 2º golo do slb, que haveria de ser marcado por Mantorras dois minutos depois.
O jogo terminou com sete cartões amarelos e dois vermelhos para jogadores do Estoril, um cartão amarelo para jogadores do slb e, claro, com a vitória dos encarnados (1-2), como tinha de ser.

Missão cumprida, após o jogo soube-se que o árbitro o tinha apitado com botas emprestadas pelo slb. Tudo normal, aliás o próprio Hélio Santos confessou que, no final, lavou as botas e as devolveu. Só faltou engraxá-las...

Mas, aquilo que para a História do futebol português ficou conhecido como Estorilgate, teve ainda outros contornos pouco claros, envolvendo pressões sobre jogadores do Estoril, que foram denunciadas pelos próprios treinadores dos canarinhos (Litos, treinador principal e Carlos Xavier, treinador-adjunto).

Enfim, tudo claro e limpinho, como os benfiquistas gostam...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A indignação do presidente da APAF


«Indiagnosticável a entrevista da RTP ao presidente da APAF, Luís Guilherme, sobre a penalização de Rui Costa por não ter anotado no relatório do Benfica-Nacional nada que se parecesse com a barafunda entre o jogador Luís Alberto e o treinador Jorge Jesus, ocorrida logo depois do último apito e transmitida em directo pela TV. O choque e a indignação dos dois parceiros da referida entrevista foi tão grande, nas perguntas e nas respostas, que levanta uma nova questão científica: se um árbitro não é obrigado a ver aquilo, é obrigado a ver o quê?»
José Manuel Ribeiro, O Jogo, 09/07/2011


O Luís Guilherme, presidente da APAF, que agora ficou tão chocado e indignado com o castigo aplicado à equipa de arbitragem do slb x Nacional, é a mesma pessoa que, em 28 de Abril de 2009, afirmou o seguinte numa entrevista ao Record/Antena 1:

"O árbitro tem de descrever no relatório o que observa (...) o que nos preocupa é se são omitidos factos nos relatórios (...) não me passa pela cabeça que eles [árbitros] não descrevam o que vêem e ouvem. Porque se não o fizerem estaremos perante um caso disciplinar grave. (...) é preciso dizer que a APAF não pactua com situações de omissão de factos, se acontecerem e forem verdadeiras. (...) os árbitros têm de escrever pormenorizadamente no relatório o que vêem e ouvem"


Como é mais do que óbvio, é impossível que os três elementos do trio de arbitragem não tenham visto a confusão e desacatos que se geraram no final do slb x Nacional. Aliás, a foto que ilustra este artigo PROVA a presença de dois dos árbitros no meio desses desacatos (um a segurar na bola, nas costas de Coentrão e Javi Garcia, e outro ao lado de Jokanovic, treinador do Nacional) e ambos a olharem para o sitio onde estava a dupla Jorge Jesus e Luís Alberto.

Sendo as imagens absolutamente inequívocas, o que é que realmente indignou o presidente da APAF?
O facto de três seus associados terem sido castigados (e muitíssimo bem!), ou o facto deste trio de arbitragem não ter escrito no relatório do jogo aquilo que toda a gente viu (e eles também)?

É natural que haja algum corporativismo mas, para não cair no ridículo, nem parecer que a APAF está demasiado alinhada com as posições do slb, era conveniente que o senhor Luís Guilherme tivesse mais cuidado nas suas posições públicas.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Os chulos e o Sistema

"Já me chamaram de chulo, como amador, não quero ser chulo profissional. Se aceitarmos ser profissionais nem um canto nos perdoam. Por isso digo, se querem um palhaço, paguem."
Estas eloquentes declarações foram proferidas por Olegário Benquerença, no dia 22 de Novembro de 2009, no I Congresso Internacional de Arbitragem, organizado pela APAF no Centro Cultural de Congressos das Caldas da Rainha.

Cerca de um mês e meio depois, no passado dia 3 de Janeiro, o senhor Olegário estava na "catedral" a arbitrar o SLB x Nacional, quando aos 29 minutos de jogo, sem estar a disputar a bola, Luisão pontapeou um adversário (Leandro Salino) que se encontrava caído no relvado. Benquerença viu, interrompeu o jogo e quando toda a gente esperava a inevitável expulsão do defesa-central encarnado, o árbitro limitou-se a mostrar um cartão amarelo ao internacional brasileiro.
Já ninguém se surpreende com as roubalheiras na "catedral" da Luz mas, desta vez, o país futebolístico ficou atónito. Como é que isto foi possível com um árbitro que está na calha para ser nomeado para o Mundial da África do Sul? Haverá explicações para tal actuação (a qual seria complementada até ao final do jogo por mais meia-dúzia de lances de inclinação acentuada do relvado da Luz)?

Para percebermos a actuação do Benquerença no SLB x Nacional, temos de analisar o contexto e as possíveis implicações das suas decisões. Comecemos então por analisar as implicações no próprio jogo e na competição em causa. Os encarnados não estavam a jogar bem (o próprio Jorge Jesus o reconheceu no final do desafio) e se ficassem a jogar com menos um, quando ainda faltava mais de uma hora para o final do encontro, as probabilidades de vitória, e até de empate, reduziam-se drasticamente. Ora, se o SLB perdesse em casa com o Nacional, o acesso às meias-finais da Taça da Liga ficaria seriamente comprometido, até porque os outros dois jogos do grupo são fora de casa com adversários que não são fáceis. E depois de o SLB ser eliminado da Taça de Portugal, não convém que o mesmo aconteça na Taça Lucílio, pois não?

Contudo, se Olegário tivesse cumprido as leis em termos disciplinares, as maiores implicações seriam no campeonato. Como é sabido, Sidnei e David Luiz não estão disponíveis para a deslocação a Vila do Conde. Sidnei está a recuperar de uma lesão muscular, que o mantém afastado dos relvados há várias semanas e David Luiz, apesar da enorme impunidade de que tem gozado, viu o 5º amarelo no jogo com o FC Porto. Se também Luisão não pudesse jogar, a dupla de centrais encarnados no estádio dos Arcos teria de ser constituída por Miguel Vítor (que está sem ritmo de jogo) e por Roderick (ex-junior) ou Javi Garcia (adaptando um outro jogador ao lugar de trinco).
Estão a ver as implicações da (não)expulsão do Luisão?

Saliento que perante a agressão de Luisão, Olegário tinha três hipóteses: i) mandar seguir o jogo; ii) expulsar o central benfiquista; iii) mostrar o cartão amarelo. Já agora, porque razão optou pela terceira hipótese em vez de mandar seguir o jogo? Poderia alegar não ter visto, o que salvaguardaria a sua reputação. A resposta só ele poderá dar, mas se o árbitro dissesse que não viu o lance a situação enquadrava-se nos critérios de um processo sumaríssimo e nem com toda a ginástica do Mundo o dr. Ricardo Costa poderia salvar o central benfiquista. Percebem?

Mas em termos disciplinares há mais, muito mais. Em apenas três minutos, entre os 29 e os 31 minutos, Javi Garcia e Maxi Pereira também beneficiaram da benquerença do Olegário, senão tinham ido tomar banho mais cedo. Até que chegamos aos 70 minutos do SLB x Nacional, momento em que David Luiz derrubou dentro da área Rodrigo Silva. É indiscutivelmente lance para penálti (recordo que o resultado ainda estava 0-0) e também de expulsão, porque o avançado madeirense estava isolado. Benquerença mandou jogar, mas se tivesse puxado do cartão vermelho, então David Luiz iria ficar de fora no jogo seguinte ao do Rio Ave. Ou seja, se não fossem os vários números de circo protagonizados por Olegário (que grande ilusionista!), o SLB não iria poder utilizar quer Luisão, quer David Luiz pelo menos nos dois próximos jogos, ambos fora de casa (Rio Ave e Marítimo). E no caso do Luisão já estou a pressupor a benevolência do dr. Ricardo Costa, porque em Espanha Pepe apanhou um castigo de 10 jogos.

Sendo esta a realidade, o que queriam que o pobre árbitro, que não quer ser chulo nem palhaço, fizesse?
O Sistema agradece.

P.S. Como se não bastasse o “trabalho exemplar” de Benquerença, Vítor Pereira jogou pelo seguro e, de modo a não correr quaisquer riscos, tratou de nomear Bruno Paixão para dirigir o jogo de hoje entre o Rio Ave e o Benfica. O Sistema não dorme...

terça-feira, 28 de abril de 2009

Os árbitros que não escrevem o que vêem e ouvem


Extractos de uma recente entrevista de Luís Guilherme (presidente da APAF) ao Record/Antena 1.

Record - Vamos a um caso concreto: esta semana o árbitro Bruno Paixão deu ordem de expulsão ao treinador do Sporting, em Guimarães, mas depois, no relatório não mencionou os insultos de que foi alvo e são perceptíveis nas imagens da televisão. Por que é que isto acontece? Os árbitros têm problemas de afirmação, subalternizam-se, ou, por outro lado, compensam no relatório os erros que cometem em campo, apresentando uma versão suave dos factos?

Luis Guilherme - O que está a dizer não pode acontecer. O árbitro tem de descrever no relatório o que observa...

R - O árbitro escreveu que o treinador do Sporting "gesticulou e mostrou desacordo", mas ficou-se por aí...

LG - Se o árbitro Bruno Paixão não se apercebeu das injúrias que eventualmente lhe tenham sido feitas, e o mesmo aconteceu com o 4.º árbitro, não tem de inventar. Mas é preciso esclarecer que ao árbitro não preocupa a punição que é dada a quem é expulso. O árbitro tem de interpretar as leis e os regulamentos. Não interessa se o treinador é punido com multa ou dias de suspensão, o que nos preocupa é se são omitidos factos nos relatórios, e por que é que demora tanto tempo a ser feita justiça, com processos pendentes, como acontece com o treinador do Sporting, que tem dois, um que é quase da época passada. Isso é que nos preocupa, porque com a não resolução desses casos não se cria justiça. Em relação aos árbitros isso já não acontece.

R - Ao não escreverem nos relatórios o que vêem e toda a gente vê, os árbitros não estão a contribuir para a sua própria descredibilização?

LG - Se assim for, é evidente que sim. Mas não me passa pela cabeça que eles não descrevam o que vêem e ouvem. Porque se não o fizerem estaremos perante um caso disciplinar grave. Só que as imagens que nós temos nas nossas casas, através da televisão, não são as que os árbitros têm, nomeadamente com grande planos salteados de treinadores a proferirem alguns impropérios. Mas é preciso dizer que a APAF não pactua com situações de omissão de factos, se acontecerem e forem verdadeiras.

R - Mas quando se vê o árbitro Lucílio Baptista ser abalroado por Pedro Silva, do Sporting, na final da Taça da Liga, e depois não escreve no relatório, porque "não se passa nada", não fica preocupado?

LG - Fico preocupado, mas eu falei com o Lucílio Baptista sobre essa matéria e outras, e ele explicou-me que não interpretou a situação como tendo sido uma investida do jogador. O ano passado houve um caso idêntico, com o Olegário Benquerença, mas foi ele, com a sua movimentação, que acabou por provocar o contacto com o jogador. O Lucílio não inferiu que tivesse sido uma atitude agressiva, mas o jogador a tentar explicar que jogou a bola com o peito e não com a mão. E eu aceitei a explicação. Mas volto a afirmar que os árbitros têm de escrever pormenorizadamente no relatório o que vêem e ouvem.


R - Os árbitros têm receio de o fazer, acredita que isso possa acontecer?

LG - Se isso acontecer, o árbitro não pode ser árbitro. Claramente. O árbitro está ali para decidir. Se o árbitro não tiver a coragem para dizer o que se passou não pode ser árbitro.

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Alguém sabe o que aconteceu aos processos disciplinares do Paulo Bento, Pedro Silva e João Moutinho, decorrentes das afirmações e cenas tristes que todo o país viu, na final da Taça da Liga?
É que esse jogo já foi há mais de um mês!
Tão célere para outras coisas, de que está à espera Ricardo Costa?
Será que as inevitáveis punições ao treinador e jogadores sportinguistas irão ser cumpridas durante o defeso?
É que já só faltam quatro semanas para o campeonato terminar...

Fotos: Record