Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

A "Superliga Europeia": o Regresso da Febre do Ouro


Pela voz de um conhecido promotor castelhano de espectáculos de circo, F. Perez, a peregrina ideia da “Superliga Europeia” voltou à “actualidade noticiosa”. Uma coisa me deixa logo de pé atrás quando se fala desta competição: é que, curiosamente, tanto o Sr. Perez como todos aqueles que antes ou agora defendem esta ideia, nunca o fazem alegando benefícios de ordem desportiva. É de facto bizarro a ideia de uma competição desportiva ser apenas defendida com base em argumentos de ordem financeira. Decerto isto significa que, desportivamente, pouco há a dizer em abono de uma prova desta natureza. E, de facto, uma coisa é vermos algumas vezes por época pela televisão as principais equipas europeias a defrontarem-se, ou recebê-las no nosso estádio, outra bem diferente seria isso passar a ser um acontecimento semanal. Estou em crer que, passada a novidade, o sucesso da prova não seria assim tão retumbante. O que torna a Liga dos Campeões especialmente apetecível é também o facto de se “fazer rogar”, de não ser uma rotina semanal. Para isso existe o “rame-rame” semanal dos campeonatos nacionais.


O conceito da “Superliga Europeia” fora enterrado com o alargamento da Liga dos Campeões, garantindo às ligas mais fortes quatro presenças na competição. Ninguém tem voltado ao assunto nos últimos anos, tendo a ideia apenas regressado à superfície, como referido no início, pela boca do mencionado empresário de espectáculos circenses. Mas não me parece que tenha, neste momento, pés para andar, ainda para mais vinda de quem vem, um personagem olhado de esguelha pela maioria dos outros principais clubes da Europa.

A mais grave consequência previsível da criação desta competição seria a morte das ligas nacionais, pelo menos tal como agora existem. O futebol não pode sobreviver sem a solidez da sua "pirâmide". Se a base ruir, o topo cairá também.

Nós portistas gostamos de atacar Benfica e Sporting e de vê-los pelas ruas da amargura, mas, no fundo, sentiríamos a falta deles se deixássemos de jogar contra eles regularmente. Precisamos deles um pouco como o Mouzinho precisava do Gungunhana em Chaimite, é verdade, mas também é dessas rivalidades que se alimenta o futebol. Basta ver, por exemplo, que, na Premier League, os grandes derbies de Liverpool, Manchester e Londres têm regularmente maiores assistências que a maioria dos jogos em casa das equipas inglesas na Liga dos Campeões, e, mesmo por cá, temos melhores assistências contra o Benfica e o Sporting que em muitos jogos da LC. Uma coisa é o gozo que dá ganhar a esses clubes, outra, bem diferente, seria ganhar a Man. U., Real Madrid ou Milan: saboroso, sem dúvida, mas sem aquele gozo interior que transborda à 2ª feira de manhã para o colega de trabalho que tem o azar de ser benfiquista ou sportinguista. E mesmo sob o ponto de vista estritamente financeiro, se tal competição nos permitiria alcançar maiores receitas, também, provavelmente, ela serviria para cavar ainda mais o fosso que nos separa dos clubes mais ricos da Europa, pois nada faz crer que a distribuição das receitas provenientes dos direitos televisivos viesse a ser feita de modo diferente do actual, isto é, privilegiando os clubes de países mais populosos e com, consequentemente, maiores mercados televisivos.

Na minha opinião, aqueles que, por essa Europa fora, possam achar que o futuro do futebol está numa superliga, podem perceber muito de cifrões e de marketing, mas não percebem nada das paixões e dos valores desportivos de quem gosta mesmo de futebol. Acho que, ao deixarem-se fascinar pelos milhões que uma superliga poderia dar a ganhar aos seus clubes, estão essencialmente a olhar para o curto prazo e para o seu umbigo, esquecendo o futuro do futebol em geral.

Domingo, 19 de Julho de 2009

SMS do dia: LXX

Na transferência de Cissokho para o Lyon, e de acordo com a informação enviada à CMVM, «A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD garantiu ainda 20% da mais valia que o Olympique de Lyon vier a obter como resultado duma eventual transferência do jogador.»

Ora, ao contrário do que a generalidade (toda?) a comunicação social referiu, 20% da mais valia não é a mesma coisa que 20% do valor de uma futura transferência do Cissokho. Ou seja, a FCP SAD só receberá alguma coisa, se o Lyon vender o Cissokho (evidentemente) e por mais de 15 milhões.

Exemplo: Se o Lyon vender o Cissokho por 20 milhões, o FC Porto receberá 1 milhão (=20% de 5 milhões) e não 4 milhões (20% do valor da transferência).

Gommendy desilude em Zolder


Ao contrário das expectativas, o início da temporada 2009 da Superleague Formula não está a correr bem ao carro do FC Porto, novamente pilotado pelo francês Tristan Gommendy.

Na prova deste fim-de-semana, que decorreu no circuito de Zolder, na Bélgica, Gommendy partiu do 5º lugar da grelha para a primeira corrida, mas terminou em 12º (num total de 18), sendo o último dos pilotos classificados na corrida.

Relativamente à segunda corrida, a que assisti na TVI24, pude constatar que a performance do binómio piloto/carro foi muito fraca. Partindo do 7º lugar da grelha, o carro do FC Porto nunca mostrou um andamento ao nível dos da frente, quer na parte inicial da corrida, ainda com a pista molhada e pneus de chuva, quer após a passagem pelas boxes, quando todos os pilotos em prova mudaram para pneus slick. Para ajudar à festa, a própria equipa deu um tiro no pé, não aproveitando a oportunidade para mudar imediatamente de pneus logo após o safety car entrar em pista.
Gommendy não ultrapassou um único carro mas, beneficiando de muitas desistências, terminou a segunda corrida em 7º, sendo o antepenúltimo dos pilotos classificados.

A próxima prova vai ser daqui a 12 dias, em Donington Park. Até lá, muita coisa tem de melhorar para que o carro do FC Porto possa disputar os primeiros lugares.

O Campeão já fumega


Estranho sentimento este, apesar da vitória robusta e segura do FC Porto, paira no ar um sentimento de orfandade, de vazio. Nada que tenha directamente a ver com a exibição Portista em si, mas pela ausência de três Reis Magos que compuseram o filão azul e branco nos últimos anos, Lucho, Lisandro e Pedro Emanuel. É no retorno ao estádio, no principiar de cada época, que verdadeiramente processamos a cíclicas perdas das nossas estrelas, pese a do nosso ex-Capitão derivar de uma razão diferente.

Precisamente, na merecida e justa homenagem ao nosso bravo Pedrão, esteve o ponto alto da apresentação do plantel da noite passada. Diante de um público que não lhe regateou aplausos, com todo o grupo de trabalho em 1ª fila a assimilar a gratidão que recaí em quem se dedica à causa do Dragão, fez-se o tributo nosso Grande Campeão, de forma particularmente emotiva.



Aos novos que chegam, aprendam com Pedro Emanuel se puderem. Porque homens como ele, não estão de passagem, são dos ficam…

No que ao encontro com o AS Mónaco diz respeito, Jesualdo Ferreira, face as contingências das lesões que assolam o plantel e ainda sem Falcão e Valeri, dispôs no novo relvado do Dragão o 11 possível, que voltou a dar boa conta de si, à semelhança do que havia feito com o Leixões. A exibição não foi tão exuberante como na passada Quarta em Aveiro, Cissokho já rumou a Lyon, mas equipa voltou a mostrar boas práticas de outros tempos.

Raul Meireles, talvez por herdar a histórica camisola 3 de Pedro Emanuel, mas também pela partida de Lucho, vem chamando a si a responsabilidade de indicar o caminho correcto aos seus companheiros. E faz com acerto. Belluschi, ainda em fase de reconhecimento dos terrenos que pisa, tenta seguir as pisadas do Português, salpicando com classe o seu jogo.



Sem grandes espalhafatos e chinfrins tão típicos da 2ª Circular, Jesualdo vai moldando a sua equipa em conformidade com as suas ideias. As peças vão encaixando harmoniosamente, mesmo faltando ainda lançar algumas pedras de potencial valor. O caminho está traçado, com o mesmo objectivo de sempre, rumo à vitória!

Fotos: Jornal de Notícias

Sábado, 18 de Julho de 2009

Uma questão de prestigio e dinheiro


“Benfica garante melhor marcador da Argentina”, garantia o Record em Janeiro de 2005. Uns meses depois, no arranque para a época 2005/06, Lisandro Lopez assinava pelo FC Porto, onde jogou quatro anos, conquistou um tetracampeonato e foi agora vendido ao Lyon por 24 milhões de euros (com a possibilidade de chegar a 28 milhões).

Há um ano atrás, o Benfica tudo fez para manter nas suas fileiras aquele que tinha sido o melhor jogador encarnado da época 2007/08 – o internacional uruguaio Cristian Rodriguez. Contudo, não tendo exercido a opção de compra do passe em devido tempo, não teve capacidade financeira para disputar o leilão com o FC Porto e “Cebola” foi para o Dragão, onde substituiria Quaresma (vendido ao Inter de Milão por 18,6 milhões mais o passe de Pelé).

“Na Roménia com o novo defesa-esquerdo do Benfica”, titulava A BOLA com grandes parangonas em 16 de Maio passado. Afinal, três semanas depois o FC Porto chegava a acordo com o Cluj e garantia a contratação de Alvaro Pereira (uma alternativa para o caso de se confirmar a transferência milionária de Cissokho), com o internacional uruguaio a afirmar ter assinado pelos azuis-e-brancos em apenas 4 minutos. Que crueldade!...

O último exemplo dos jogadores que estiveram com um pé e meio na Luz, cuja contratação foi dada como certa, ou quase, pela comunicação social e que acabam por vestir a camisola azul-e-branca é Falcao.

Este conjunto de contratações falhadas, além de servirem para ridicularizar a “imprensa vermelha”, provocam um enorme desconforto nos dirigentes benfiquistas, ao ponto de o site do clube publicar comunicados justificadores de não-contratações (!) e de o director desportivo – Rui Costa – ter necessidade de afirmar que o Benfica “não está à procura, nem nunca procurou contratar jogadores para não irem para o FC Porto ou porque o FC Porto está interessado”.

Mas mais importante do que achincalhar o rival, ou ganhar o campeonato das contratações que são disputadas entre os dois clubes, interessa analisar estes casos com frieza e de forma racional. Se o fizermos, é muito fácil perceber porque razão, quando têm hipóteses de escolher, os jogadores preferem o FC Porto em detrimento do SLB.

Em primeiro lugar é uma questão do prestigio que os dois clubes têm no Mundo. Por mais voltas que se dê, por mais manipulações jornalísticas que se façam, nas últimas duas décadas não há comparação possível entre o desempenho e conquistas internacionais de “águias” e “dragões. Aliás, é preciso recuar à década de 60 para se encontrar um “grande Benfica”, o que significa que só os pais, ou avós, dos actuais jogadores terão visto a actuar a equipa onde pontificava Eusébio. O mito de que há jogadores estrangeiros que sonham jogar no Benfica, não passa disso mesmo: um mito.

Depois há as perspectivas de valorização do próprio jogador. Conforme Jorge Maia escreveu em ‘O Jogo’, “temos de convir que é apenas normal que um jogador prefira jogar no tetracampeão português quando a alternativa é o terceiro classificado, que prefira ter a oportunidade de disputar a Liga dos Campeões em vez da Liga Europa e que opte pela oportunidade de actuar num dos clubes europeus que mais valorizam os seus activos em vez de jogar num clube valorizado especialmente pelo seu passado”.

Last but not the least, o carcanhol. Um dos slogans propagandeados pela actual direcção benfiquista é o pseudo equilíbrio financeiro e que o SLB não precisa de vender jogadores. Isto até pode ser verdade, mas só enquanto houver Bancos que emprestem dinheiro para tapar os buracos de exploração (vamos ver até quando). Contudo, o que estes casos demonstraram não é a apregoada saúde financeira, mas sim uma enorme debilidade económica na hora de discutir salários, valores de passes e formas de pagamento. Ora, como há muito deixou de haver jogadores a jogarem por amor à camisola...

Em resumo, prestigio, perspectivas de valorização e, principalmente, capacidade financeira, são estes aspectos que aos olhos dos jogadores e respectivos clubes marcam a diferença actual entre o FC Porto e o SLB. O resto é folclore.

Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Razia de lesões

«Jesualdo Ferreira vai ter de improvisar para o jogo de apresentação aos sócios e adeptos do F.C. Porto. O técnico dos azuis e brancos não tem nenhum dos três laterais direitos disponíveis e Tomás Costa será adaptado ao lugar na partida contra o Mónaco.
(...)
Jorge Fucile, Miguel Lopes, Sapunaru, Farías, Orlando Sá e Rodriguez continuam afastados dos trabalhos do restante plantel. Os dois primeiros ainda subiram ao relvado na parte final do apronto mas limitaram-se a correr em ritmo lento. Todos eles, ao que tudo indica, estão fora de combate para o duelo com o Mónaco.»
in Maisfutebol, 17/07/2009


Ainda agora começou a época (treinos) e já há seis lesionados. É certo que dois deles - Miguel Lopes e Orlando Sá - ainda estão a recuperar de lesões/operações da época passada, mas também é verdade que nos restantes quatro já lá estão dois clientes habituais do departamento médico: Sapunaru e Fucile.

Os 15M do Lyon valem menos que os do Milan

"Não há a mínima abertura para rever as condições do negócio. É inaceitável pensar-se que vamos admitir um empréstimo quando o próprio médico do Milan disse que o problema nos dentes não era impeditivo do jogador continuar a jogar. Ou querem o Cissokho e o negócio faz-se por 15 milhões ou não querem o jogador e não há problema nenhum porque não fui que o quis vender. Não há outra solução. Se o Milan vier com a proposta que foi acordada no início, podemos pensar vendê-lo. Menos um euro do que isso, então o Cissokho não sai do F.C. Porto."
Pinto da Costa, 24/06/2009


"Responsáveis da direcção do Lyon vão fazer uma nova proposta hoje. Ligaram ontem a perguntar se podiam reunir-se connosco para concretizar a intenção. Não têm acordo com o jogador e se oferecerem 15 milhões o Cissokho não sai"
Pinto da Costa, 17/07/2009


Pelos vistos, o Pinto da Costa está disposto a esticar a corda para sacar mais uns milhões ao Lyon. Espero que consiga, mas também não me importo se os franceses desistirem e o Cissokho continuar de dragão ao peito.
Quem não deve estar a achar muita graça é o jogador e o seu empresário.
Esta novela promete...

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Fiquei com apetite de ver mais!


O FCP estreou-se ontem de forma pública. Foi um bom treino, com uma primeira parte muito entretida e com alguns jogadores a mostrar um bom nível neste arranque da temporada.

Afinal, o FCP apresentou-se segundo o modelo tradicional de JF e a equipa movimentou-se muito bem.

Belluschi foi uma boa surpresa: mostrou-se bom de bola, com boa movimentação e muito bem a explorar os espaços abertos junto da área do Leixões.

Tivemos bons momentos em que a bola circulou muito bem e a que só faltou o passe mais certeiro e de ruptura, o um contra um (ou dois) mais eficaz, ou uma maior espontaneidade no momento do remate.

Hulk, muito activo, foi um perigo permanente, Varela esteve muito em jogo mas nem sempre foi suficientemente acutilante no momento do remate ou no duelo que travou com Laranjeiro. Prometeu e parece ser reforço.
Destaco ainda, Fernando, a um nível já muito elevado, a jogar mais à frente do que é costume colaborando de forma decisiva no encolhimento do Leixões, e o empenhamento de Mariano que fez parte do trio que jogou os 90 minutos.

Gostei de Maicon e Cissokho que esteve muito activo: acho que vamos sentir a sua falta se sair. Nuno André Coelho esteve irregular e perdeu alguns passes em zona proibida. Como defesa direito limitou-se a cumprir, sem grandes rasgos. A rever.

Na segunda parte estivemos mais intermitentes, mais cansados e o jogo não fluiu tão bem, nomeadamente porque o meio campo esteve menos assertivo, um pouco também por mérito do Leixões que subiu um pouco no terreno e foi capaz de cortar melhor as linhas de passe.

Apesar disso, tivemos mais oportunidades de golo que na primeira parte, porque o jogo foi mais partido e o Leixões não foi capaz de jogar com igual intensidade em todo o campo e abriu mais a sua linha defensiva.

O novo reforço, Álvaro Pereira, pareceu-me bom a atacar. Falta ver um jogo em que desempenhe a tempo inteiro o lugar de defesa esquerdo.

Uma última palavra para a exibição do árbitro que esteve mal e frequentemente mal auxiliado, e para Raul Meireles que teve uma entrada perigosa e protestou de forma excessiva a marcação da grande penalidade, que constituiu um dos erros grosseiros cometidos pelo árbitro que teve uma actuação ao estilo Robin dos Bosques.

O sistema e o modelo de jogo continuam à boa maneira de JF. Como diria o grande Octávio mais importante que a táctica é a dinâmica da equipa. E, ontem, quer o sistema quer a dinâmica não pareceram incompatíveis, ora quando circulámos mais a bola, ora quando contra-atacámos ou jogamos mais no controlo do jogo.

Boa estreia e boas perspectivas. Gostei!

O Adepto Bairrista e o Adepto da "Marca"


1. Quando, na Final da Taça de Portugal da última época, as equipas subiram ao relvado, cerca de 10.000 espectadores equipavam de amarelo, a cor do Paços de Ferreira, o nosso adversário naquela partida. De onde vinha tanta gente? De Monção? De Miranda do Douro? De Vila Real de Santo António? A questão parece descabida e a resposta é evidente: mas, claro que vinham de Paços de Ferreira!

E qual a razão pela qual esses adeptos do Paços viriam todos da sua terra? Bolas, mais uma pergunta estúpida! Será assim tão estúpida? Experimente-se então perguntar agora de onde vinham os cerca de 25.000 portistas presentes no Jamor. Sem dúvida que a maioria viria do Grande Porto mas, com a Final nos arredores de Lisboa, decerto muito portista da capital ali estaria presente.

2. Há uns 10 anos fiquei meio estupefacto quando, seguindo pela televisão um jogo do FC Porto em Faro, reparei num cartaz que dizia “Dragões de Olhão”. Foi aí que comecei a reparar no crescente fenómeno dos portistas da “província”, para roubar um termo tão caro ao vocabulário lisboeta. O F.C.P. parecia estar também a ser acometido por um fenómeno que há muito existia em Benfica e Sporting. Todos nós conhecemos (de “ginjeira”, diria eu) os famigerados benfiquistas do Norte, particularmente do Minho e dos desertos futebolísticos do planalto transmontano, aliás a espécie mais aferroada de vermelhuscos. A incidência do lagartus nortensis vulgaris (Linnaeus) é muito menor, estando a espécie claramente em vias de extinção, provavelmente sendo até já uma espécie protegida (não está ainda determinado o impacto do CO2 de origem humana na rápida diminuição desta espécie zoológica).

3. A origem dos fenómenos citados em 2. está nos períodos de êxito, mais ou menos alargados, de cada um dos clubes. O portuense médio, adepto do F.C. Porto, tê-lo-ia também sido mesmo que o seu clube não tivesse atingido o fulgor dos últimos 25 a 30 anos. O mesmo se diga do bom lisboeta adepto do Benfica ou do Sporting em relação aos períodos dourados daqueles emblemas. Mas o êxito dos três clubes fez transbordar a respectiva massa adepta para fora do seu habitat natural. De hoje em dia já há, pelos vistos, mais portistas que belenenses em Lisboa. E o número de benfiquistas assumidos terá de novo aumentado na Invicta com o naufrágio do Boavista, embarcação onde muitos deles se tinham refugiado e da qual eram bem capazes de constituir a maioria da tripulação (possível explicação para o escasso amor clubista recentemente revelado por aquelas bandas).

4. Temos assim, e para nos centrarmos agora no F.C. Porto, duas espécies relevantes e distintas de adeptos: o adepto bairrista e o adepto a que poderia chamar-se “da marca” (nestes últimos não incluo, obviamente, os lisboetas com raízes no Porto ou no Norte, eles também adeptos bairristas em sentido lato). Este fenómeno vem tornar obsoletas, pelo menos no campo futebolístico, as proclamações contra os “mouros” e os gritos de “nós só queremos Lisboa a arder”, pois do outro lado da porta de Martim Moniz pode estar um “mouro” de cachecol azul-branco ao pescoço. Mas se o alargamento da base de adeptos só pode ser bem-vindo (e já haverá mais portistas que sportinguistas no país inteiro) já os assomos de alguns desses adeptos da marca se tornam, aos olhos dos portistas de sempre e de todas as estações, por vezes incomodativos. É que isto de ouvir “lições de portismo”, ou até de moral, de correligionários recém-convertidos não cai mesmo nada bem. É que muita dessa gente, como diria um amigo meu, se tivesse nascido vinte anos mais cedo, seria possivelmente adepta do Benfica ou do Sporting, e o portista bairrista acha que não tem de aturar esses “entusiasmos”. Essa é, contudo a atitude típica de todos os recém-convertidos: regra geral, a sua militância é mais radical. Mas o “núcleo duro” do F.C. Porto, aquele de onde o clube nasceu, onde sempre foi buscar os seus dirigentes, só pode ser o dos adeptos bairristas. Sem estes, o clube não existiria; com os outros, tornou-se apenas maior. Tornou-se também melhor?

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Falcão voa para o Dragão




"Está feito. Depois de quase duas semanas de avanços e recuos, Falcao está garantido como reforço do FC Porto e deve viajar durante o dia de hoje para Portugal, apresentando-se nos trabalhos de pré-temporada que decorrem no Olival sob a orientação de Jesualdo Ferreira já amanhã.

O acordo foi alcançado ontem à noite na Argentina, madrugada em Portugal, e a determinação do avançado de jogar no FC Porto foi decisiva para a conclusão de um negócio que se complicou inesperadamente."


Depois dos diversos "wishful thinkings" dos pasquins lisboetas, cá está, para variar, o mais recente reforço para o ataque do FC Porto, aquele que será um provável substituto de Lisandro Lopez. Trata-se do ex-ponta-de-lança do River Plate, Radamel Falcão, caracterizado assim há 2 anos atrás por Luís Freitas Lobo, o especialista em prospecção de craques cá do burgo: “goleador colombiano já crescido na cantera galina. É um pouco parecido com Angel, outro avançado centro colombiano que também passou pelo River, na forma de jogar. Gosta de recuar fugindo às marcações, procurar tabelas com companheiros e procurar depois espaços livres de desmarcação na área, rematando sempre que possível. Não é muito forte fisicamente (1.75m e 78kg) mas nunca pára de lutar durante os 90 minutos.”

O FC Porto comprou 60% do passe do jogador por 3,9 milhões de euros que assinou contrato válido para as próximas 4 épocas, conforme comunicado da SAD à CMVM.

A "ponta-de-lança" do MP


«Juízes querem saber ao pormenor por que razão a ex-namorada de Pinto da Costa faltou, pela terceira vez consecutiva, a uma audiência de julgamento.
A sugestão partiu do procurador do Ministério Público, Paulo Óscar, que estranhou os atestados médicos apresentados para justificar as faltas, por doença, não referirem se Carolina Salgado está impossibilitada de se deslocar ao tribunal ou de prestar declarações.
Os juízes acolheram a ideia e decidiram chamar ao tribunal o médico que tem acompanhado Carolina Salgado. O clínico será ouvido pelos magistrados no dia 27.»
in JN, 14/07/2009


Aquela que foi a testemunha-chave do Ministério Público (MP) contra Pinto da Costa e o FC Porto, e cujo livro serviu de pretexto a Maria José Morgado para a reabertura de vários processos que já tinham sido arquivados, faltou pela terceira vez consecutiva ao julgamento que está a ser realizado no tribunal de S. João Novo, onde responde em vários processos que lhe foram movidos.

Mas se as ausências de Carolina Salgado já não surpreendem, o mesmo não se poderá dizer da atitude do próprio Ministério Público, ao "estranhar os atestados médicos apresentados para justificar as faltas".
Aliás, depois de tudo o que se passou noutros processos relacionados com o 'Apito Dourado', até fica mal ao Ministério Público duvidar e pôr em causa a credibilidade de Carolina Salgado.
Ó senhor procurador Paulo Óscar, olhe que se a D. Carolina diz que está doentinha é porque está mesmo. Coitadinha...

Fotomontagem: TVI24

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

SMS do dia: LXIX


Parece que o novo presidente do Sporting estranha a influência da banca nos negócios de Verão do futebol português. Essa não, Dr. Bettencourt! Diga lá à gente onde estaria a esta hora o Sporting sem a maléfica banca?!

Mudar...


Temo que Jesualdo acredite, convictamente, que o seu sistema de “transições rápidas” tenha mesmo sido o grande “segredo” do expressivo número de vitórias fora-de-portas, e consequente êxito global, obtido nas últimas temporadas (em especial na que agora terminou).

Tenho, para mim, que aquele mesmíssimo sistema táctico, com aquele mesmíssimo meio-campo (trinco-Meireles-Lucho), jamais teria obtido tão bons resultados se, na linha da frente, não tivéssemos contado com jogadores de categoria verdadeiramente superior como Quaresma (nas duas primeira épocas), Lisandro (em todas elas) e Hulk (na derradeira).

Eram estes quem, verdadeiramente, fazia a diferença. E apenas um só não chegava, para a coisa resultar em pleno tinham que estar dois deles, simultaneamente, em campo.

Com a saída (esta sim “dramática”) de Lisandro, algo terá que, obrigatoriamente, mudar naquele “clássico” esquema táctico (e plano único assumido) de Jesualdo. Sem ele, este 4-3-3 que tantas vitórias forasteiras nos deu, parece esgotado.

Receio é que o professor, crente incondicional no seu sistema (vencedor) dos últimos 3 anos, seja tentado a não dar o braço a torcer e queira mesmo fazer omeletas sem ovos, mantendo o “desenho” como até aqui. Pelo menos na parte inicial da nova época. Pelo menos até a realidade o fazer mudar de ideias.

Sem dúvida que o facto de termos sempre jogado, fora, com 3 médios que, inventem-se os nomes que se inventarem (de contenção, de transição, interiores, box-to-box), pouca vocação atacante possuíam, dava ao adversário a doce ilusão que seriam mesmo capazes de discutir o jogo-pelo-jogo, na sua própria casa, isto porque ali, mesmo à sua frente, viam o grande FCP, com uma estranha incapacidade de segurar a bola, até mesmo de “controlar” (no sentido clássico) a própria partida.
Ora, era esta tal ilusão que os liquidava, jogo após jogo, um após o outro. Apanhados em contra-pé, perdida a - fundamental - superioridade numérica junto da sua própria baliza, os nossos oponentes tombavam, mais cedo ou mais tarde, aos pés dos golpes rápidos, simples e práticos de um Lisandro ou Hulk.

É bem verdade que os nosso médios colocavam, de facto, a bola, o mais rapidamente possível, nos pés dos nossos avançados, mas era mesmo a arte, incomum, destes últimos quem verdadeiramente fazia a coisa funcionar na perfeição.

Fossem os nossos atacantes apenas “bonzitos” (como um Farias, como um Falcao?) jamais teríamos tido o sucesso que obtivemos. A bola até pode continuar a chegar “lá”, na mesma, nesta época que agora se inicia, mas sem a magia, o drible, a convicção, de um Lisandro ou Quaresma, a coisa dificilmente funcionará.

Muita gente, pelo contrário, tem colocado a ênfase no trabalho do meio-campo. Porém, mesmo a ser verdadeira esta discutível ideia (convenhamos que sempre foi mais fácil roubar a bola ao adversário e pô-la ao dispor do colega da frente do que marcar golos...), este tipo de médios que temos vindo a utilizar, coloca-nos problemas fatais e sem solução nos jogos em casa (por definição, 50% do total) onde, sem posse-de-bola, pouca meia-distância e nenhuma imaginação, raramente conseguimos criar grande número de chances, quanto mais batermos um Mancheter United, scp, slb ou mesmo um Braga).

Estar à espera de um qualquer erro do adversário, foi coisa que nunca resultou nos jogos mais complicados disputados no Dragão.

Jesualdo, deve pois adoptar um novo sistema de acordo com os (bons) jogadores que ainda restam, que no fundo são quem sempre dita qual a melhor forma de uma qualquer equipa se estender em campo.
Faltam alas para pontas-de-lança como Farias ou Falcao? Bem, foi o nosso treinador quem achou que Reyes não fazia falta. Tarik, idem. Candeias e Vieirinha também podiam ter tido uma chance. Ele lá saberá...

Para baralhar ainda mais estas contas todas, temos ainda que tentar entender quem é, afinal, o verdadeiro Cristian Rodriguez: se aquele que jogava pouco mas marcava muito, da primeira metade do último campeonato, se aquele que jogava mais e melhor mas que não acertava tantas vezes com o fundo da baliza, dos últimos meses.
Pode até ser que seja uma mescla dos dois ou mesmo nenhum deles...

Muita coisa ainda em aberto, pois. Muito cedo ainda para se aceitarem palpites. Mais do que há um ano atrás, agora sim é que virá mesmo, por aí, uma nova “era” no nosso clube.

Dentro do campo, entenda-se.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

O “Index” de Pinto da Costa

No país mais centralista da Europa, quem é presidente do FC Porto há 27 anos tem de estar preparado para todo o tipo de críticas e ataques, os quais sobem de tom na directa proporção da azia provocada pelo enorme sucesso alcançado pelos azuis-e-brancos.

Ora, apesar de estar habituado a ser fortemente visado pela comunicação social do regime, é sabido que Pinto da Costa é particularmente sensível às críticas, por mais leves que sejam, quando estas são proferidas por jornalistas ou comentadores portistas. É o caso de Miguel Sousa Tavares ou Rui Moreira, como no passado foram os casos de António Tavares-Teles e de Manuel Queiroz.

Este último nasceu no Porto, onde sempre viveu, estudou e trabalhou. Começou a sua actividade de jornalista em 1981, no 'O Comércio do Porto', e posteriormente passou pelo 'Jogo', 'Semanário', 'Público', 'Record', 'Correio da Manhã' e 'Diário de Notícias'.
Há uns anos atrás, sensivelmente na altura em que era subdirector e responsável da delegação Norte dos jornais da Cofina, Manuel Queiroz escreveu alguns artigos de opinião que desagradaram profundamente a Pinto da Costa, o qual respondeu de forma violenta nas páginas da revista 'Dragões'.

A partir daí Manuel Queiroz ficou no Index (*) de Pinto da Costa, de onde suponho que ainda não terá saído. É o preço a pagar por ter desagradado ao “Papa”. Contudo, no dia 2 de Julho passado houve um episódio com algum simbolismo e que talvez represente uma aproximação. Na festa de lançamento do novo semanário ‘Grande Porto’, do qual Manuel Queiroz é o primeiro Director, Filomena Pinto da Costa foi convidada e esteve presente.


Devido aos sucessos impensáveis alcançados durante a presidência de Pinto da Costa, o FC Porto deixou de ser apenas o maior clube da Invicta e passou a ser o clube português mais conhecido e de maior prestigio a nível internacional. Por isso mesmo, é importante que haja cada vez mais gente empenhada em reflectir o FC Porto, trazendo para a discussão ideias e perspectivas diferentes.

Manuel Queiroz é um destacado jornalista e o facto de criticar alguns aspectos da gestão de Pinto da Costa não faz dele menos portista, bem pelo contrário.
Colocar portistas no “Index”, só porque pensam pela sua cabeça e têm o desplante de expressar discordâncias relativamente a aspectos da gestão da SAD, não me parece que contribua para o engrandecimento do FC Porto, que é o que todos pretendemos. Reservemos, pois, o “Index azul-e-branco” para os Manhas, Delgados, Pinhões, Cartaxanas e companhia.

(*) O Index Librorum Prohibitorum era uma lista de publicações proibidas pela Igreja Católica, criado em 1559 e que foi actualizado regularmente até a 32ª edição, em 1948. Esta lista continha os livros ou obras que se opusessem à doutrina da Igreja Católica e visava "prevenir a corrupção dos fiéis".

Domingo, 12 de Julho de 2009

Os "métodos de treino" de Jorge Jesus


«Domingos não foi de meias-palavras na primeira declaração pública desde que começou o trabalho de campo em Braga. Satisfeito com o rendimento dos jogadores no primeiro teste da época, contra o Freamunde, o treinador não deixou de salientar o cansaço que muitos exibiram e as limitações que sente por ter três jogadores lesionados sem terem realizado um único treino (Matheus, Jorginho e Moisés), aos quais se juntam os intermitentes Leone e Frechaut, que só puderam jogar 28 e 17 minutos, respectivamente.
"É pena que haja cinco jogadores com pubalgias. Não me lembro de um clube com tantos casos destes. Isso limita o trabalho. Os jogadores vão tardar a aparecer", lamentou, recusando imputar responsabilidade ao departamento médico. "Não estou a colocar em causa o departamento médico, mas são muitos casos e gostaria de ter todos os jogadores aptos, até pelo tempo que tiveram de férias, disponíveis."
Mas afinal, de quem é a responsabilidade? "Não me perguntem. Mas não é normal. Desde 1986 que não ouvia falar de pubalgias..." - ironizou, sem nunca referir os métodos de Jorge Jesus como responsáveis por tantas lesões.
Recorde-se que, no ano passado, o Braga terminou a época com apenas 12 profissionais disponíveis para jogar.»
in O JOGO, 10/07/2009


Este artigo publicado em O JOGO deixa muitas mensagens subliminares nas entrelinhas e dá azo a várias interpretações. No meu caso, as queixas do Domingos e as referências aos "métodos de treino" de Jorge Jesus fizeram-me recuar às cinco épocas em que Jorge Jesus treinou o FC Felgueiras - 1993/94 a 1997/98 -, quando este clube subiu da 2ª Divisão B até à primeira liga do futebol português e, se bem me recordo, período em que houve suspeitas e uma investigação sobre alegados problemas de doping.

Gosto pouco do estilo octaviano "vocês sabem do que eu estou a falar" e, por isso, seria importante que algum jornalista tivesse coragem, investigasse e tentasse descodificar o real alcance das declarações de Domingos.