Segunda-feira, 19 de Março de 2012

SMS do dia

Nada me dá mais gozo que ver os calimeros a queixarem-se do Bruno Paixão!!!!!

Relembrando: "O dia em que o Pavão morreu"


A triste ocorrência em torno de Fabrice Muemba, que à hora em que escrevo ainda luta pela vida num hospital londrino - e o facto de ainda estar vivo muito deverá à eficácia e profissionalismo daqueles que no campo o socorreram - trouxe-me de novo à memória o mais triste dia da minha vida futebolística: o dia em que o Pavão morreu. Permito-me repetir, a este propósito, um artigo que em tempos aqui escrevi acerca desse funesto dia. Quando vi a consternação geral em White Hart Lane no sábado, percebi muito bem o que ia nas almas daquela multidão amante do futebol mas, acima de tudo, da vida.


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O dia 16 de Dezembro de 1973 amanheceu cinzento e chuvoso. Nada de especial para a nossa urbe, ainda para mais em Dezembro. Não me lembro se estava frio, mas também ainda sobre nós não caíra a obsessão do “aquecimento global”. Aliás, se bem me lembro, os “entendidos” diziam na altura que a temperatura do planeta estava a baixar, deixando-nos antever uma era glacial em que jogaríamos em Lisboa no nosso ambiente, isto é, com frio. Mas o cariz meteorológico daquele dia condiz, tristemente, com o descrito num artigo que há anos li – creio que do Carlos Pinhão – sobre “O Dia em Que o Pinga Morreu”. Um artigo sentido, diga-se, e que muito faz distanciar o pai da filha. Mas esses são outros contos.

Naquele dia 16 de Dezembro o FC Porto recebia nas Antas o Vitória de Setúbal. A equipa portista vinha disputando o campeonato com mais pujança que nas anteriores três ou quatro épocas, no seu melhor desempenho desde a saída de José Maria Pedroto em 1969. O presidente, Dr. Américo Sá, “descobrira Béla Guttmann numa esquina de Viena”, para usar uma expressão anos mais tarde utilizada por Jorge Nuno Pinto da Costa.


Aos 73 anos “o Mago” regressara à casa que deixara em 1959 alegando que o clima portuense era maléfico para o seu reumatismo, rumando ao Benfica. Não esclareceu, neste seu regresso, se se tratara do reumatismo nas termas de Baden-Baden ou se o clima portuense se tornara, a seu ver, mais seco. Mas de facto voltara. E, como velha raposa que era, montara uma equipa segura a defender – com Rolando jogando atrás dos outros três defesas e em forma soberba, e com o guarda-redes Tibi na sua melhor condição de sempre.

No meio-campo um trio criativo, Pavão e os brasileiros Bené e Marco Aurélio, e na frente dois extremos e um ponta-de-lança: o genial Oliveira que, com 21 anos e de sangue na guelra, ia pintando a manta ao longo da linha no seu interminável reportório de dribles, fintas e chicuelinas, o veterano Nóbrega “com os seus eternos defeitos e qualidades”, no dizer do grande jornalista Vítor Santos, e o possante avançado-centro moçambicano Abel, contratado ao Benfica três anos antes. E contava ainda, no “banco”, com o internacional brasileiro Flávio, um magnífico ponta-de-lança cujos melhores tempos no nosso clube já haviam, contudo, passado.

Do outro lado estava o nosso velho conhecido José Maria Pedroto e aquela que era, provavelmente, à época, a melhor equipa do futebol português, entendendo-se aqui por equipa não apenas o somatório das qualidades individuais dos seus jogadores. De facto – e sem surpresa - o “Zé do Boné” fizera de uma boa equipa uma grande equipa, e nesta sua 5ª (!) época à frente do conjunto sadino disputava o título sem pedir licença a ninguém. No mês seguinte o Vitória venceria na Luz por 3-2 e isolar-se-ia no primeiro lugar, acabando Pedroto, pouco depois, por “bater com a porta” e demitir-se, em situação controversa.

Começou o FC Porto muito bem o jogo, sempre disputado debaixo de chuva, e aos sete minutos adiantou-se no marcador com um golo do frio Marco Aurélio. Mas poucos minutos depois, aos 13 minutos mais precisamente, chegaria a tragédia, se bem que só nos viéssemos a aperceber da sua verdadeira dimensão no final do jogo. No meio do terreno e à entrada do campo adversário Pavão passou à direita a Oliveira – uma simbólica passagem de testemunho – e caiu subitamente de bruços sem ninguém lhe ter tocado. Alguns jogadores próximos do lance levaram as mãos à cabeça, os bombeiros entraram em campo e transportaram o infeliz para fora dele e pouco depois pôde ver-se, através da “maratona” (ainda não existia a arquibancada) uma ambulância levando-o ao Hospital de São João. Mas o jogo prosseguiu e o locutor de serviço até nos informou daí a pouco que “o nosso jogador Pavão foi transportado ao Hospital e encontra-se melhor”.

Mais tarde o médico do clube, Dr. José Santana diria: «Reparei que caíra de bruços. Era homem que não fazia fitas. Portanto, tive logo a percepção de que era grave. Entrei no relvado e reparei que estava em estado de coma. Levei-o de imediato ao Hospital de São João. Tentou-se tudo. Fizeram-lhe electrochoques, mas era uma hemorragia cerebral. Hora e meia depois, tinha falecido. Poderia ter sido ruptura de um vaso sanguíneo, talvez em virtude de uma cabeçada na bola.»

Abel faria o 2-0 ainda na primeira parte e o FC Porto controlou bem o jogo no segundo tempo, pese embora uma excelente e determinada reacção dos vitorianos. Foi dos melhores jogos do FC Porto contra o V. Setúbal de Pedroto, que tantos amargos de boca nos causou…

E o jogo terminou. Subitamente um tenebroso silêncio abateu-se sobre o Estádio das Antas. Ninguém arredava pé. Da instalação sonora, nem pio. Mas já toda a gente percebera o que tinha acontecido. No relvado os jogadores choravam abraçados uns aos outros. José Maria Pedroto abraçava o seu antigo mestre Béla Guttmann, para depois ele próprio e alguns jogadores do Vitória de Setúbal, entre os quais o nosso futuro jogador e treinador Octávio, tentarem consolar os jogadores do FC Porto.

O próprio Pedroto seria vítima da comoção do momento, abandonando o campo amparado por alguns dos seus pupilos. Afinal fora ele que moldara aquele grande jogador que ali morrera com apenas 26 anos e que à época era, nada mais, nada menos, que o próprio símbolo do clube e seu capitão de equipa.

Encostei o ouvido ao transistor do vizinho e pude ouvir a voz do inesquecível Nuno Braz: “Morreu na flor da idade aquele que era um dos maiores jogadores portugueses”. Toda a gente estava petrificada, horrorizada com o sucedido. Atrás de mim uma senhora começou a rezar um Pai Nosso em voz alta, e largas dezenas de espectadores a acompanharam, no meio de lágrimas e soluços. O Pavão era o nosso maior ídolo da altura. O Porto não era campeão há 15 anos e sentíamo-nos perseguidos pelo infortúnio. Aquela morte chocante mais contribuiu para esse sentimento colectivo de fatalismo. Foi um dia negro. O mais triste dia futebolístico da minha vida.

Fernando Pascoal Neves, tenho a certeza que, de onde estás, te alegras com os nossos êxitos e nos desejas muitos mais! Paz à tua alma, grande “Pavão”!

Imagens:
ao alto: a capa de A Bola no dia seguinte ao infausto acontecimento;
ao meio: José Maria Pedroto, Pavão e Custódio Pinto, aquando da primeira passagem de Pedroto pelo F.C. Porto (1966/67 a 1968/1969)

O (real) valor de Hulk

O que estabelece a verdadeira grandeza num terreno de futebol? Habitualmente o adepto costuma olhar para as grandes noites como medidores de qualidade. Os momentos que ficam na retina. Os observadores gostam de ir mais longe e definem cada momento, mas sempre tendo em conta elementos circunstanciais chave. Os rivais, o entorno e o nível de exigência.

Hulk é a estrela mais cintilante da Liga Sagres, um dos maiores fenómenos físicos que o futebol português já testemunhou. E um símbolo deste FC Porto de virar de década. Mas o seu génio explica-se, também, pelo meio onde se move. Porque a sua grandeza é proporcional à exigência que o acompanha.



Poderia Hulk ser o mesmo Hulk se não jogasse de azul e branco numa Liga de segunda (ou terceira) linha europeia e com o nível de exigência físico, tático e mental da Liga Sagres?
A minha opinião é de que não, seguramente este Hulk desapareceria e outro jogador subiria ao relvado, muito menos decisivo e, seguramente, menos estelar do que aparenta de dragão ao peito. Uma opinião que não partilham seguramente muitos portistas, mas que ajuda a explicar também muitas das dúvidas que o rendimento do brasileiro alimenta junto dos olheiros dos grandes tubarões europeus.

Porque uma coisa é ser a estrela da liga portuguesa e outra, muito diferente, é ser um jogador de referência nas principais ligas da Europa. Porque pelo FC Porto passaram grandes jogadores estrangeiros, mas só um, o luso-brasileiro Deco, manteve o mesmo nível de grandeza quando deixou o Dragão. Todos os outros, estrelas cintilantes no céu da Invicta, baixaram o perfil mediático essencialmente porque a exigência das grandes ligas se mostrou bastante diferente ao ritmo de jogo a que estavam habituados.

Desde os dias de Teofilo Cubillas e Rabath Madjer que fomos um clube perspicaz em transformar aparentes desconhecidos em foras-de-serie. Mas como sucedeu com o peruano e o argelino, sair do Porto como estrela custa quando se aporta num novo porto. Durante os últimos 20 anos, e citando apenas jogadores estrangeiros, o génio de Emil Kostadinov, Zlatko Zahovic, Mário Jardel, Derlei, Lucho Gonzalez, Lisandro Lopez e Falcao brilhou no Porto como em nenhum outro lado. Todos eles eram estrelas cintilantes de azul e branco ao peito, mas nos palcos europeus empalideceram consideravelmente e transformaram-se em jogadores de perfil mediano (em alguns casos mediano-alto, mas sem o mesmo estatuto dentro e fora de campo).
Falcao, o último exemplo, ainda não logrou exibir em Madrid o mesmo espírito que fez dele o mais apaixonante goleador da última década no futebol português. Jardel passou sem pena nem glória pela Turquia e só voltou a brilhar em Portugal. Derlei perdeu-se no futebol russo, Lucho e Lisandro em França nunca foram jogadores “especiais”, Zahovic passou pela Grécia antes de entrar ao serviço do Valencia onde nunca foi a estrela que muitos imaginavam e assim sucessivamente. Pouco me permite imaginar que Hulk seria diferente.



Tem umas condições físicas impressionantes, um remate prodigioso e um espírito de improvisação que faz jus à escola brasileira. Mas nos palcos europeus, onde as defesas não jogam com a permissividade, passividade e (muitas vezes) genuína incompetência das defesas da Liga Sagres, Hulk é também o jogador mais fácil de travar. O seu jogo baseia-se, sobretudo na explosão, na procura de espaços e uma marcação mais apertada e intensa é, demasiadas vezes, suficiente para desarmá-lo. A sua tendência para explorar as diagonais utilizando, sobretudo a força muscular torna-o numa presa mais fácil de travar do que o mais imprevisível James Rodriguez, apenas para citar um colega de equipa. E a sua propensão para usar e abusar dos lances de bola parada resulta, em excessivas ocasiões, num verdadeiro desperdício para o colectivo.

Quando encontra o espaço necessário para pensar e agir, Hulk pode ser imparável. A péssima defesa do Villareal na meia-final da passada Europe League deixou isso a nu. Mas na Champions League, nos últimos anos, as suas performances têm passado despercebidas. Contra conjuntos tacticamente mais apurados, Hulk sofre. E muito. Uma realidade que ajuda a perceber que o seu estatuto de estrela em Portugal dificilmente se repetiria numa das principais ligas do futebol europeu.

Nem mesmo a jogar por um Brasil claramente mais débil que noutras épocas encontramos um Hulk assumidamente decisivo, determinante e estelar. O seu jogo continua, mesmo com a canarinha, a ser demasiadamente físico e excessivamente individual. Faltam-lhe, claramente, condições táticas e uma ideia de jogo mais colectiva para fazer brilhar o colectivo e, por consequência, ele mesmo.

Seguramente que Hulk não ficará muito mais tempo no Dragão. Mediaticamente é um jogador apetecível e à medida que vá jogando mais pelo Brasil, haverá sempre clubes dispostos a contratá-lo. Mas nunca pelo valor da cláusula e muito menos com o estatuto de estrela de que goza actualmente. A sua transfiguração noutro palco europeu será um processo complexo e exigirá muito de sua parte para funcionar.

Grande na história do FCP, o brasileiro cumpre também todos os requisitos para ser mais um dos brilhantes jogadores que para nós será sempre uma estrela, mas que falhará o salto desportivo para a elite do futebol mundial.

Domingo, 18 de Março de 2012

A 3ª taça desta época


O FC Porto conquistou hoje a sua 13.ª Taça de Portugal de Basquetebol, ao derrotar na final a Académica por 58-47.

Esta é a terceira competição que o FC Porto venceu este época, depois de já ter ganho a Supertaça e a Taça da Liga (desde há três anos denominada Taça Hugo dos Santos), sendo o sétimo troféu conquistado pelos dragões sob o comando de Moncho López.

E se, no próximo fim-de-semana, voltar a derrotar o slb (o Dragão Caixa vai ser pequeno...), o FC Porto garante desde logo o 1º lugar da fase regular do campeonato.

P.S. Gostei de ver o presidente do FC Porto a assistir ao jogo no pavilhão multiusos de Fafe. Espero que estas presenças de Pinto da Costa a assistir aos jogos das equipas de Andebol, Basquetebol e Hóquei em Patins seja um sinal de que, enquanto ele for presidente do clube, as modalidades de alta competição vão continuar a existir e a ter equipas que lutem para ganhar.


Foto: record.pt

Três números 8

Lucho saiu, deixou um vazio por preencher e, um ano depois, Moutinho veio para vestir a camisola 8 e desempenhar o papel de Lucho.


No início desta época, Defour foi contratado para salvaguardar uma eventual saída de Moutinho, que não se concretizou.


E, dois anos e meio depois, Lucho regressou a "casa" para fazer de... Lucho.


Ora, no Nacional x FC Porto, o meio-campo portista foi formado precisamente por estes três jogadores, todos com características para Nº 8, embora podendo ser adaptados a outras posições.

Com Fernando lesionado, faltou um Nº 6 (Castro está no Sporting de Gijón e Souza foi dispensado), falta um Nº 10 (Belluschi foi emprestado ao Génova e James joga como extremo) e sobraram três jogadores habituados a pisar os mesmos terrenos e a ter dentro de campo o mesmo tipo de missão.
Era previsível que as coisas não corressem lá muito bem e, ainda por cima, Lucho estourou por volta dos 60 minutos e as pilhas de Defour não duraram muito mais.

Veremos como este meio campo de números 8 se irá comportar na próxima terça-feira, visto que, com a lesão de Fernando e a "limpeza" feita em Janeiro, não há mais médios disponíveis para o jogo contra o slb.

Sábado, 17 de Março de 2012

O Luso-Merenguismo ou o Regresso de Miguel de Vasconcelos



O fenómeno mais irritante da actualidade futebolística é aquilo que poderia apelidar-se de "luso-merenguismo". É não só parolo, como anti-nacional.

Este fenómeno traduz-se por histéricos berros dos comentadores televisivos portugueses cada vez que o Real Madrid marca um golo e/ou comete uma façanha. Chega a ser equiparável ao nacional-lisboetismo dos nossos media.

De facto, ao seguirmos pela televisão os jogos do Real Madrid ouvimos as vozes dos nossos comentadores (que seria mais apropriado serem designados por propagandistas) a atingirem verdadeiros paroxismos de cada vez que os "merengues", a que eles chamam "rengues", fazem alguma coisa de notável.

Está, aliás, a criar-se uma muito típica mentalidade persecutória nacional, segundo a qual quem não é pelo Real Madrid é um traidor à Pátria. E isto porque o referido clube - símbolo do imperialismo castelhano - é treinado por José Mourinho e conta nas suas fileiras com o melhor jogador português.

Aqui pela zona do Porto sempre houve um saudável "barcelonismo", essencialmente pela sua oposição ao "madridismo", mas eu próprio temo pela regional alma quando entro num café e vejo inúmeros basbaques a aplaudirem um golo do Real Madrid.

Miguel de Vasconcelos decerto estará reconfortado no céu (ou inferno) dos iberistas. Quanto a mim: "Visca el Barça!", e nem que toda a selecção portuguesa alinhasse pelo Real Madrid eu algum dia apoiaria aquele clube.

PS: Força APOEL!

Imagem: defenestração de Miguel de Vasconcelos, 1 de Dezembro de 1640

Sexta-feira, 16 de Março de 2012

Mais sorte que juízo!

Os caprichos da Liga Portuguesa têm destas coisas. A marcação dos horários dos jogos obedece a lógicas sobrenaturais, pouco explicáveis, mas, bem vistas as coisas, depois do que se assistiu na Choupana, talvez visasse poupar mais uns quantos de portistas de assistir a um degredo de bola redonda. Salvou-se o resultado, os importantíssimos três pontos, graças a um Helton grandioso e um ineficaz Nacional.

Apesar do credo na boca no período de ocaso do encontro, o seu começo foi bem colorido para as nossas cores. No estilo calmo e descontraído (faceta transversal azul e branca noutros jogos) o líder do campeonato foi tomando controlo e iniciativa sobre o jogo. Os insulares não pressionavam, dando espaço de manobra para os homens de Vítor Pereira se soltarem, fazendo alguns remates prometedores.

Curiosamente, o Dragão iria chegar à vantagem num lance caricato, onde a bola faz carambola na cabeça de Álvaro Pereira indo cair nos pés de Janko, que só precisou de encostar para o primeiro do encontro. O domínio era materializado num lance de fortuna, mas, logo depois, Rolando não teve engenho para dobrar o marcador na cara de Vladan. Cristian Rodriguez e Defour, ainda antes do intervalo, iriam seguir-lhe as pisadas, numa ode ao desperdício que converteria o 2º tempo bem mais palpitante.

Para se ser correcto, a retomada da partida ainda trouxe uma ligeira fragrância azul e branca. Janko viu o guarda-redes do conjunto madeirense a negar-lhe o bi neste final de tarde e, James, pouco depois, rematou com perigo. Foi isto. Nada mais! Pedro Caixinha reforçou o meio campo com a entrada Mihelic em detrimento do deslocado Pecnik, e o Nacional tornou-se dono e senhor do miolo, garantindo mais velocidade e agressividade sobre a bola.



A última meia hora da partida foi um mergulho ao sofrimento e à sofrível existência portista. Um período que só teve um sentido, onde Helton negou uma mão cheia de bolas de golo, quer a Mateus, quer a Rondón. A quebra física do FC Porto era gritante, onde as perdas das 2ª bolas era uma constante e o recurso às faltas uma inevitabilidade. A defesa viu-se quase toda amarelada e Vítor Pereira desanuviou-lhe o ar com o ingresso de Mangala e Alex Sandro.

O suplício não foi muito diferente, mas pelo menos a equipa punha-se a salvo de uma expulsão de última hora. Trinta minutos de um semi-massacre que foi retirando crença à equipa da casa, culminando na extrema ironia de terminar o encontro a ver duas bolas baterem no seu ferro e, ao cair do pano, sofrendo o golpe fatal de Alex Sandro, no 0-2 que arrumava as contas.

Um resultado que ronda a injustiça, pela excelente 2º parte do Nacional. E mais uns quantos de apontamentos para o bloco de notas do adjunto de Vítor Pereira, em mais uma sofrível partida da sua equipa. Nesta toada, mais jornada, menos jornada, o tropeção vai-se desenrolar, novamente.

Chuveirinho contra (mais) banhadas?


Nota-se, principalmente nos nossos jogos caseiros, um agravar das dificuldades em tornear sistemas defensivos cada vez mais "cultos".
Ora, abordar tal questão debruçando-nos na maior ou menor qualidade do técnico/jogadores actuais é algo redutor e, portanto, apenas explicará parte deste problema muito mais abrangente. Até mesmo um Barcelona sente crescentes dificuldades em furar "autocarros" naqueles dias em que Messi se torna mais "terreno".

Ora aqui está: sem um Messi ou, na nossa escala, um Falcao, cada vez a "coisa" (ou seja, tornear defesas "inteligentes") está mais complexa.

No caso concreto do presente, o nosso jogo está de tal forma previsível que começa a ser cada vez mais fácil, para defesas com a tal "cultura", anularem-nos quase por completo.

Qual é a nossa jogada-tipo (aquela que acontece a uma cadência de uns míseros 5 minutos)?
É aquela em que o Hulk é lançado na direita.
3 em cada 4 vezes, a jogada não terá sequência e lá fica o homem a reclamar falta (metade das quais com razão). Quando, na tal quarta vez, consegue finalmente chegar à área, estão lá tantos adversários que raramente a bola chega aos pés de um dos nossos.

E esta nossa típica jogada é habitualmente intercalada por apenas mais duas:

- Aquela em que o James ou o Hulk vão pelo miolo (normalmente em diagonais) e são carregados à entrada da área, sem que do respectivo livre-directo algo resulte;

- E os esforços do A.Pereira pela esquerda que, invariavelmente, terminam num cruzamento para um corte fácil de um adversário;

Ora, num cenário destes, creio que um primeiro passo para alterar este estado (sonolento) das coisas seria aumentar o grau de imprevisibilidade dos nossos ataques.
Por outras palavras, fazer algo de que ninguém esteja à espera.

Mesmo não sendo de bom-tom e tendo até má-fama, um "chuveirinho" para a área adversária, se feito de quando em vez, creio que só poderá trazer vantagens, ainda para mais com um jogador como o Janko na área.


Não fazendo disto norma, como é lógico, também não se transforme em algo tabu no futebol moderno. Aliás, para os 2 ou 3 minutos finais de uma partida (quando em desvantagem) ainda estará para ser inventado algo melhor...
Contra o actual progresso das defesas, um certo "retrocesso" de parte ofensiva poderá ser parte da solução.
Com sorte, num ressalto, o adversário lá mete a mão à bola ou, aflito, tem uma falha que num ataque mais planeado dificilmente aconteceria de tão rotineiros que se tornaram.

Foi (apenas) assim que criámos algum perigo contra a Académica...

Trata-se apenas de uma ideia para resolver esta (nova) equação E o decisivo jogo contra o Nacional está mesmo aí (e, tal como em Barcelos, sem Hulk...).

Há quem opte (o Inter de Mourinho ou, mais recentemente, o scp contra o City, etc, etc) por entregar a bola ao adversário e esperar.

Todas as soluções são válidas num jogo de futebol.
Apenas que algumas fazem mais "confusão" que outras.

Quinta-feira, 15 de Março de 2012

Longe da vista, longe do coração?

O Jogo: «Que tipo de feedback tem recebido durante este empréstimo por parte do FC Porto?»

Christian Atsu: «Não tenho tido feedback. Dão-me os parabéns quando faço bons golos, mas, além disso, ninguém fala comigo. Não sei o que estão a pensar sobre esta minha época, mas sei que têm bons planos para mim e por isso não é importante se falam comigo ou não.»

Fonte: extrato de entrevista a Atsu a O Jogo.

Costuma dizer-se que o empréstimo de jovens jogadores é uma etapa (final, espera-se) da sua formação. Pessoalmente concordo com essa filosofia, mas ao ler estas declarações, pergunto-me se esses jovens jogadores são adequadamente acompanhados.

Tratando-se de um investimento em recursos humanos, penso que a SAD terá todo o interesse em acompanhar os jovens emprestados de relativamente perto, até porque não são assim tantos como isso (uma dúzia, já excluindo os mais velhos que não foram emprestados numa lógica de formação, mas sim de «refugo» sem retorno possível, ou para valorizar & vender – por exemplo, um Guarin ou um Fucile).

E quando digo ‘relativamente de perto’ não me refiro apenas à sua performance nos jogos (isso também), mas sim estar em contacto frequente com os jogadores (pelo menos uma vez por mês, idealmente face a face mas se necessário por telefone ou melhor ainda Skype ou algo do genero) numa lógica de Q&A, tocando em assuntos como por exemplo: ‘como é a relação do jogador com o treinador e dirigentes?’, ´que problemas é que o jogador tem (profissionais ou pessoais)? A SAD pode ajudar?`´, ´Como é que o jogador vê a sua evolução? Quais os principais aspectos a melhorar? Está a ter oportunidades para isso na equipa onde está?’, etc.

Mais não seja isso ajuda a manter laços fortes entre o jogador e a casa-mãe, de forma a que no fim da época não peça para sair de vez.

Ora se Atsu que até joga a 30km do Dragão (no Rio Ave) não é acompanhado de perto, como será com outros que estão mais longe?

A SAD tem hoje uma máquina altamente profissionalizada ao seu dispor (entre dirigentes, equipas técnicas, observadores, etc) incomparavelmente maior do que no FCP pré-SAD, mas tenho a impressão de que o acompanhamento dos jovens emprestados não evoluiu minimamente no mesmo sentido.


Finalmente: para além do acompanhamento de perto desses jovens, também seria altamente desejável que cada um deles tivesse um dossier extensivo e em dia com uma discussão sobre todos eles a ter lugar mensalmente ao nível do CA da SAD, junto com a equipa técnica. Nessa lista não teríamos apenas os jovens, mas também outros emprestados com perspectiva de retorno (por exemplo, um Beto). Não sei se isso será feito, mas duvido muito.

Quarta-feira, 14 de Março de 2012

As cores das camisolas e dos cartões

As fotos seguintes referem-se a dois lances do mesmo jogo (Paços Ferreira x slb), envolvem o mesmo jogador dos encarnados (Bruno César), ilustram os critérios disciplinares "uniformes" do árbitro do desafio (Bruno Esteves, AF Setúbal), e são esclarecedoras da "verdade desportiva" que nos querem impingir:







Fotos (clicar para as ampliar): Catarina Morais (Maisfutebol)

Hierarquias de Poder

* Por Nuno Campos



1 - Se houver patrão correm todos. Não se esforçaram na primeira parte? Mas vimos alguém correr à volta do campo no fim do jogo? Alguém perdeu o Domingo de folga ou vai ter que treinar às 6 da manhã esta semana? Alguém teve que ouvir um berro durante o jogo? Uma substituição por opção aos 20 minutos de jogo, aconteceu esta época? Estes jogadores são mercadoria valiosa e frágil. Ninguém lhes pode tocar, muito menos o treinador, para não estragar o negócio.

2 - Quem é responsável por esvaziar o plantel de jogadores da formação, verdadeiros portistas como por exemplo o Castro? Esse corria tanto na primeira parte como na segunda, e ainda mandava os outros correr. Quem deixou sair o Pedro Emanuel e demorou meia época para encontrar alguém com estaleca para o substituir (Paulinho Santos)? Quem foi buscar o Lucho em Janeiro, assumindo que o plantel inicial tinha um enorme falta de liderança e de carácter? E quem demorou meia época para encontrar um ponta de lança de segunda?

3 - Nos fracassos desta época não há inocentes. O défice de liderança e de empenho verificam-se a todos os níveis da estrutura, desde o Presidente até aos jogadores, passando pela equipa técnica.

4 - Os exemplos, bons e maus, vem de cima.

5 - As escadas varrem-se de cima para baixo.

6 - O clube que merece ganhar o campeonato - direcção, treinador e jogadores - é o Braga.


* O Reflexão Portista agradece ao Nuno Campos a autorização da publicação deste comentário como artigo.

Terça-feira, 13 de Março de 2012

Incapacidade gritante

O FC Porto não ganhou porque não foi capaz, não foi competente”.
Não podemos entrar em mais nenhum jogo com esta falta de agressividade e sem capacidade para resolver as dificuldades colocadas”.
Demos 45 minutos de vantagem ao adversário. Na primeira parte, não existimos como equipa. Faltou-nos agressividade, do ponto de vista ofensivo e defensivo; a equipa foi lenta, denunciou muito o jogo. Depois, tivemos de ir atrás do prejuízo.”.
Não quero justificar a má primeira parte com a equipa de arbitragem. Nem sequer queria ir por aí, porque o que define o jogo é uma primeira parte que, do nosso lado, não existiu.


Todas estas declarações foram feitas por Vítor Pereira, no final do FC Porto x Académica.
Vítor Pereira fala em incapacidade, incompetência, inexistência como equipa e eu, que vi o jogo atentamente, não poderia estar mais de acordo com ele. Mas, quantas vezes já ouvimos este discurso?

Eu admito que jogos de menor motivação possam acontecer pontualmente ao longo de uma época, principalmente se a vantagem na classificação for de modo a proporcionar algum amolecimento aos jogadores (na época passada, para evitar que isto pudesse acontecer, André Villas-Boas ia anunciando objetivos intermédios). O problema é que esta incapacidade, incompetência e inexistência de que fala Vítor Pereira, referindo-se à equipa que ele próprio orienta, fazem parte de um “filme” que esta época já vimos N vezes e em que ele é um dos protagonistas.
De facto, Vítor Pereira mostrou lucidez na análise que fez ao FC Porto x Académica, mas ele não é comentador, nem jornalista. É o treinador principal da equipa de futebol sénior do FC Porto e dele os portistas esperam soluções, até porque tem à sua disposição o plantel mais caro de sempre do futebol português (se é o melhor, ou se é um plantel equilibrado, é outra conversa).

No seu comentário ao jogo, o meu companheiro do blogue Mário Faria, escreveu: “ou o treinador não é capaz de passar a mensagem e os processos, (…) ou então são os jogadores que não lhe ligam nenhuma, não aprendem ou acham que o que lhes pede é algo sem nexo”.
Tal como o Mário Faria, eu também não sei o que se passa mas, em qualquer das situações, eu diria que o treinador não fica bem na fotografia.

Quando Vítor Pereira passou de Nº 2 a Nº 1 e assumiu o comando técnico do FC Porto, o que herdou?
Uma equipa que tinha ganho o campeonato (sem derrotas!) e a Taça de Portugal, acumulando várias vitórias históricas e categóricas perante o principal rival, a que juntou a conquista da Liga Europa. E, para além dos resultados, tínhamos uma equipa que jogava de forma fantástica (lembram-se de haver quem a comparasse ao Barça?), que bateu recordes, que vencia contra as arbitragens e que fez os adeptos sonhar com a repetição dos sucessos a nível interno e um trajeto longo na Liga dos Campeões 2011/12.

Ora, há quem pense que o núcleo duro de jogadores que, sob o comando de André Villas-Boas, atingiram estes patamares de excelência, são os mesmos que esta época querem “tramar” o seu ex-adjunto. E, por quererem “tramar” o Vítor Pereira, ignoram o que ele diz, jogam deliberadamente de forma apática, não têm vontade de ganhar os jogos e, no limite, até vão perder o campeonato de propósito.
Para eu alinhar nesta tese rebuscada, vão ter primeiro de me explicar o que é que os jogadores ganhariam em, propositadamente, prejudicar-se a si próprios!

Também há quem sustente que os jogadores são meninos mimados e que jogam pouco porque já estão com a cabeça em transferências milionárias para o Chelsea, Manchester United, Juventus, etc.
Bem, isto parece-me um contrassenso, porque para suscitar o interesse dos grandes clubes europeus e levá-los a abrirem os cordões à bolsa, os jogadores têm de dar nas vistas pela positiva, ou não?

A minha perspetiva é outra e muito mais simples. Na análise que faço ao desempenho da equipa azul-e-branca, penso hoje o mesmo que pensava em Setembro/Outubro passado, ou seja, o FC Porto dispõe de um plantel de boa qualidade (globalmente) e com provas dadas, mas em que se destacam duas lacunas graves:
i) falta de um ponta-de-lança ao nível do restante plantel;
ii) incapacidade gritante do treinador em motivar, potenciar e tirar pleno partido dos jogadores que a Administração da SAD colocou à sua disposição.

Faltam disputar oito jornadas para terminar o campeonato e, ao contrário do slb, o FC Porto só depende de si para revalidar o título que é seu. Contudo, mesmo que a equipa consiga manter até ao fim a posição que ocupa atualmente, Pinto da Costa e Antero Henrique devem refletir profundamente em tudo o que se passou esta época. Os erros de planeamento e de casting não se podem repetir na próxima época.

P.S. O facto de noutros artigos ter destacado diversos casos de arbitragem que ocorreram nesta jornada, não invalida que também reflita sobre os problemas internos que afetam a equipa do FC Porto. São dois aspetos distintos e ambos têm forte influência no desempenho da equipa e nos resultados dos jogos.

Segunda-feira, 12 de Março de 2012

O pior cego…

Porque há quem não tenha visto, veja mal, não queira ver, ou seja “cego”...

(clicar na foto para a ampliar)


Conforme esta foto mostra de forma inequívoca, o jogador da Académica, além de agarrar Hulk pelo braço, toca-lhe e derruba-o com a perna direita.

Se tivessem sido cumpridas as regras, seria assinalada uma grande penalidade e mostrado o cartão amarelo ao defesa da Briosa. Contudo, no campeonato da “verdade desportiva”, o filiado da APAF, além de não ter assinalado este penalty claro, ainda por cima mostrou um cartão amarelo ao Hulk, o que o impedirá de jogar no próximo Nacional x FC Porto.

Eu até admitia que o senhor Marco Ferreira pudesse estar encoberto e não ter visto o lance mas, para ter considerado simulação (e mostrar o cartão amarelo), foi porque viu e tem a certeza que o Hulk caiu sem ser agarrado, nem tocado. Ou seja, o madeirense Marco Ferreira viu uma coisa que não aconteceu!


Assim sendo, pergunto a Vítor Pereira (o nomeador dos árbitros, cuja recondução foi apoiada por Luís Filipe Vieira): este árbitro – Marco Ferreira – tem condições para continuar a arbitrar?

P.S. Numa jornada em que o FC Porto foi nitidamente prejudicado, enquanto que slb e SC Braga beneficiaram de favores dos senhores do apito, esta semana ninguém vai falar de arbitragem…

Fotos (clicar para as ampliar): Catarina Morais (Maisfutebol)

“Jogo perigoso passivo”

Aos 60’ do Paços Ferreira x slb, numa altura em que os pacenses venciam por 1-0 e em que as duas equipas ainda jogavam com 11 jogadores (o Paços terminou com 9!), o “herói” do jogo, Bruno César, que já tinha um cartão amarelo, fez isto:



O árbitro, Bruno Esteves, não teve coragem para fazer o que se impunha, ou seja, no mínimo, mostrar o 2º cartão amarelo e expulsar o jogador do slb.

E assim, em vez de o Paços ficar a jogar contra 10, com maiores possibilidades de consolidar e até aumentar o seu domínio do jogo, o slb aproveitou a condescendência do árbitro, deu a volta ao resultado e somou mais três pontos.
Presumo que seja esta a verdade desportiva que os benfiquistas defendem…

P.S. “A mim, parece acidental esta calcadela de Bruno César no joelho de Luisinho que, pelo facto de estar no solo, causa jogo perigoso passivo”, Paulo Paraty, no ‘Tribunal de O JOGO’.

"Jogo perigoso passivo"?!!
Percebem por que razão é que o Paulo Paraty era um dos árbitros preferidos de Luís Filipe Vieira?
Percebem por que razão é que ele foi escolhido (nós adivinhamos por quem) para comentador de arbitragem na RTP Porto?

Domingo, 11 de Março de 2012

E a FCP SAD, não diz nada?



O silêncio dos responsáveis do FC Porto e, particularmente, da Administração da SAD perante este tipo de situações é algo que já é recorrente.
Também por isso, é nestas alturas que eu questiono a utilidade da SAD ter contratado tantos "craques" do jornalismo para o Departamento de Comunicação.
Servem para quê?