Numa altura em que o plantel do FC Porto cortou formalmente relações com o 'Pravda' do futebol português, vale a pena (re)ler o que dois conhecidos adeptos, um do Sporting e outro do Benfica, escreveram, aquando das últimas eleições do SLB, acerca da forma como o pasquim da Travessa da Queimada fabrica notícias e monta campanhas.

«desta vez foi josé manuel delgado, jornalista que muitos apreciam(!), que me fez saltar a tampa quando ontem
filigranou no jornal ' a bola' um dos grandes 'broches' da história do jornalismo desportivo.
perante o desassossego criado pela erupção (que não durou mais de 24 horas, saliente-se) da candidatura de josé eduardo moniz à presidência do 'sl e benfica',
a 'comunicação' do regime encarnado engendrou uma fantasiosa história assente em argumentos de alta plausabilidade - os direitos televisivos do 'benfica' são realmente muitíssimo interessantes! - transformando o ainda director da 'tvi' no miguel vasconcellos do século 21...
não está em causa
a vulgaridade da trama fabricada mas tão somente a completa incredulidade de muitos, entre os quais me incluo, perante
a sujeição de uma das grandes referências do imprensa desportiva aos interesses de circunstância de uma clique que não olha a meios para defenestrar na primeira ocasião a credibilidade de qualquer oposição. seja ela actual ou próxima futura.
os fundadores do jornal da travessa da queimada, em tempos um dos baluartes da escrita anti-situacionista, devem estar aos saltos na cova.»
António Boronha (ex-vice-presidente da FPF)
in blog
‘António Boronha’, 23/06/2009
«(...) Vieira passou a ser um presidente a prazo, cuja margem de erro é nula e cujo prazo de validade está preso por um fio ao primeiro fracasso. Voltar a prometer títulos, novos ciclos de vitórias, como fez com Camacho, Rui Costa e Quique Flores, depois de o ter feito com José Veiga, Koeman e Fernando Santos, já não basta.
Graças a um
golpe palaciano, é provável que Vieira volte a ganhar. Mas, em vésperas de se tornar o presidente com mais anos à frente dos destinos do clube, ele é, paradoxalmente,
um presidente acossado, que vai passar o resto do seu tempo a olhar para a sua própria sombra. (...)
Não admira, assim, que, desde que apareceu num hotel de Lisboa a ler uma declaração escrita com rigor, e no tom que era preciso, sem acinte nem dramatismo, com sentido da responsabilidade e fazendo as críticas que se impunham ao "golpe estatutário" e à inoportunidade destas eleições - demarcando-se ao mesmo tempo dos que, no meio de muita gente séria e bem-intencionada, se quiseram servir dele como bandeira de ambições mesquinhas, ressentimentos e vinganças -, Moniz se tenha tornado, para Vieira, uma sombra a abater. Só isso explica
a torpe campanha que A Bola, a partir do dia seguinte, montou contra ele. Que o jornal, que foi de Cândido de Oliveira e de tantos outros, se tornara a
"voz do dono" - não do Benfica, mas desta direcção -, já se sabia. Mas que,
pela pena de Vítor Serpa e de J.M. Delgado, tenha descido tão baixo, inventando tenebrosas maquinações, urdindo delirantes "complots", denunciando fabulosos negócios, que metem interesses espanhóis e direitos televisivos, com uma presunção de impunidade protegida pelo apelo aos mais básicos sentimentos dos benfiquistas, é coisa que nos faz temer pelo futuro do clube, se Vieira, como muitos pensam, voltar a ganhar.
Se o juiz não der razão aos que exigem a impugnação destas eleições, Vieira retomará as rédeas do clube. Se a equipa, que, com Jesus, vai seguramente jogar um futebol mais bonito, mais agressivo e mais eficaz do que jogou com os dois espanhóis, ganhar o campeonato, os ânimos vão serenar. Mas, ao menor sopro de desastre, tudo se desmorona. E, nessa altura, esperemos que Moniz esteja disponível para servir o Benfica.

Há muito que o clube merecia um candidato com este peso, esta capacidade de liderança, este instinto político, e que, ao contrário dos últimos presidentes, não precisa do Benfica para fazer nome, reputação ou fortuna. O que dirão, nessa altura,
J.M. Delgado e Vítor Serpa, que se prestaram a fazer um sórdido frete ao presidente em exercício, numa atitude que ofende os pais fundadores e deslustra os pergaminhos de um jornal que foi, no passado, um dos baluartes da verdade e da inteligência?»
António-Pedro Vasconcelos
in PUBLICO, 25.06.2009
(Re)leio estas coisas, escritas há meio ano atrás, e sorrio...
E volto a sorrir quando ouço algumas “virgens ofendidas”, adeptos dos clubes da 2ª circular, a pretenderem dar lições de moral sobre
blackouts e
relações entre os clubes e a comunicação social.
Na minha opinião, há muito que o clube e a SAD deveriam ter cortado relações formais com A Bola, o Record e o Correio da Manhã e tirar daí todas as consequências no limite do que for permitido pela lei de imprensa. Além disso, e que eu saiba, nada impede que jogadores, treinadores e dirigentes possam dar entrevistas a órgãos de comunicação social previamente escolhidos. Ainda recentemente o dr. Ricardo Costa o fez, quando deu uma entrevista exclusiva ao Record e Antena 1.
Respeitando a lei, em vez de conferências de imprensa, não é possível dar entrevistas exclusivas todas as semanas?
Nota: Os destaques a negrito são da minha responsabilidade.