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terça-feira, 27 de setembro de 2011

No lugar do cineasta

Há cerca de um ano, Rui Moreira abandonou o Trio D´Ataque em directo e, uns dias depois, escreveu o seguinte na sua crónica semanal em A Bola: “Não pactuo com a porcaria, com a canalhice e com a insídia. Não serei cúmplice de um sistema em que aqueles que são condenados pelos tribunais são, depois, inocentados em programas de televisão ao passo que aqueles que são absolvidos pelos tribunais são depois sujeitos a julgamentos sumários. Comigo não contam para ser juiz, verdugo ou testemunha em autos de fé.”

A partir de hoje, o individuo que, com o seu comportamento abjecto, esteve na origem da saída de Rui Moreira, deixa o seu lugar no Trio, sendo substituído por Júlio Machado Vaz.

O Trio D´Ataque sobreviverá sem o fanatismo fundamentalista do cineasta encarnado?
Como reagirão as audiências, particularmente entre os benfiquistas, por o lugar do comentador encarnado passar a ser ocupado por uma pessoa com o distanciamento e perfil do sexólogo do Porto?

Pelo menos nos primeiros tempos, vai ser interessante verificar como será o programa sem os recados provenientes da Luz, na boca daquele que, nos últimos anos, se transformou na voz do dono?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

"Não há limites para a estupidez"

Ainda a propósito do apagão, as marionetas do slb (e.g. cineasta caquético e agredido simulado) repetiram até à exaustão nos programas desportivos que vão para o ar na ressaca do fim-de-semana que o FC Porto não se tinha comportado de forma digna por se ter recusado a entrar em campo de mãos dadas a criancinhas vestidas de vermelho e com o emblema lampião. Hoje, o clube esclareceu no site oficial que afinal foi o slb que se recusou a vestir crianças de azul e branco para acompanharem a sua equipa. Concordo inteiramente com o remate final: "o slb recusou-o, como confirmou através da chamada telefónica que fez ontem para o programa Trio de Ataque. E dizer que tinha proposto, como alternativa, camisolas brancas ou cinzentas só mostra hipocrisia. A última coisa que esperávamos era que se instrumentalizassem crianças, mas há, de facto, quem não tenha limites à estupidez."

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

É muita fruta...


No último 'Trio de Ataque', a reboque do penalty que João Ferreira assinalou (e bem!) no Beira Mar x FC Porto, António-Pedro Vasconcelos trazia uma cábula acerca dos penalties a favor dos azuis-e-brancos tendo, inclusivamente, sido esse o tema do deu 'Fundo'. O objectivo do representante do slb foi óbvio: pressionar os árbitros, claro, salientando que os dragões já tinham marcado seis golos no campeonato através de grandes penalidades. "É muita fruta", afirmou o cineasta indignado.

Ora, se seis golos de penalty em 18 jornadas "é muita fruta", que dizer dos três que o mesmíssimo João Ferreira assinalou a favor do slb num só jogo?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Perguntas Inocentes


Numa nota de rodapé a uma sua inflamada diatribe António Pedro Vasconcelos pergunta inocentemente por que (e não "porque" neste caso, como ele escreve) razão é que a sede da Liga é no Porto. Parece pensar que as instituições, para serem neutras, têm de ter a sede em Lisboa.

Conclui-se portanto que paira sobre o futebol inglês uma enorme sombra que põe em causa a seriedade das suas competições ao longo de mais de um século. É que a Football League (Liga Inglesa), fundada em 1888, nunca teve a sua sede em Londres, encontrando-se actualmente sediada na cidade de Preston, no Lancashire, a uns 40 km de Liverpool e Manchester e a uns 300 km de Londres. A Premier League, resultado de uma cisão por parte dos clubes da Primeira Divisão da Football League em 1992, tem de facto sede em Londres, mas esta última entidade, que continua a organizar os campeonatos das três divisões secundárias e a Taça da Liga, permanece longe da capital inglesa. Se calhar a referida cisão deu-se pelo facto de a sede do organismo estar no Lancashire, e não por motivos de ordem financeira como cinicamente a imprensa inglesa na altura alegou. Nunca reflectira nisso.

No Noroeste de Inglaterra, nomeadamente no Condado de Lancashire e nas grandes aglomerações urbanas de Liverpool e Manchester, contidas dentro dos limites daquele condado, embora administrativamente autónomas, está a maior concentração de clubes de futebol de Inglaterra e residem alguns dos clubes mais antigos do mundo. Do mesmo modo, no Norte de Portugal reside uma grande parte dos clubes de futebol portugueses. A Associação de Futebol do Porto é a maior do país, isto é, a que mais clubes filiados tem. Não é preciso fazer perguntas inocentes para descobrir por que razão a sede da Liga é no Porto. Basta tentar-se não ser faccioso e não ver sinistras conspirações ao virar de cada esquina.

domingo, 10 de outubro de 2010

A Lei é para cumprir?


De acordo com a máquina de propaganda encarnada, ao serviço da qual existem centenas (milhares?) de pessoas de diferentes sectores da nossa sociedade, a divulgação, parcial ou total, de conteúdos de escutas telefónicas faz parte da liberdade de expressão.

Contudo, em 2007 foram introduzidas alterações no Código de Processo Penal e, desde essa altura, de acordo com o artigo 88.º, número 4, «não é permitida, sob pena de desobediência simples, a publicação, por qualquer meio, de conversações ou comunicações interceptadas no âmbito de um processo».

Segundo Rogério Alves (ex-bastonário da Ordem dos Advogados), de acordo com o Código do Processo Penal, "não é permitida a publicação de conversas ou comunicações interceptadas, mesmo que o processo de que fazem parte já não esteja em segredo de justiça, a não ser que haja autorização dos intervenientes nessas conversas. Se não tiver havido essa autorização, que é o ponto de partida que estamos a assumir, então essa divulgação viola a lei e faz incorrer quem a promova na prática do crime de desobediência simples".

Portanto, para que meios de comunicação social (por exemplo, Correio da Manhã ou Benfica TV) ou qualquer outra pessoa (por exemplo, António-Pedro Vasconcelos) pudessem reproduzir as escutas colocadas na Internet, sem incorrer num crime, teriam de solicitar autorização a todos os envolvidos.

Censura, dizem eles. Esta Lei é inconstitucional!
Oh meus amigos, se esta Lei não serve os interesses do clube do regime, mude-se a Lei!
É só dar uma palavrinha às pessoas certas. E, por exemplo, está demonstrado que não é difícil a Luís Filipe Vieira falar com o homem que desempenhou o cargo de Coordenador da Unidade de Missão para a Reforma Penal, entre 2005 e 2007. Sabem quem foi? Nem mais, nem menos, que o ministro que mais vezes é visto no camarote presidencial do estádio da Luz - Rui Pereira.
Outra hipótese é o actual Ministro da Justiça, o também benfiquista Alberto Martins. Aliás, benfiquistas é o que não falta no Governo Sócrates.

Mas enquanto esta Lei estiver em vigor, é obrigação de todas as pessoas e entidades respeita-la, particularmente os organismos públicos (como é o caso da RTP), que têm a obrigação de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para a cumprir e fazer cumprir.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A voz do dono


«O abandono de Rui Moreira do programa ‘Trio de Ataque’ (na última terça-feira, na RTPN) ganhou novas proporções. O gestor, que ontem foi eleito sócio do ano do FC Porto, vai ser substituído, apurou o CM. Hoje deverá ser anunciado o nome do novo representante do FC Porto no programa da RTPN.
Ao CM, várias fontes revelaram que os responsáveis do canal público estão também a ser pressionados para que António Pedro Vasconcelos saia do programa, uma informação negada por José Alberto Lemos, director da RTPN. "Esse rumor não tem fundamento", garante ao CM. Já o comentador desconhece as pressões, mas admite que "é natural e possível que existam. Tenho acordo com eles [RTPN] e, até informação em contrário, vou comparecer”.
Esperemos que a RTP não avance para aquilo que será um acto de censura injustificada”, diz fonte oficial do Benfica ao CM, frisando que se tal vier a “acontecer é porque a RTP cedeu a pressões”. “E se há meio de comunicação social que tem de estar imune a pressões é a RTP”, observou a mesma fonte, deixando um aviso: “O Benfica irá até às últimas consequências na defesa de António Pedro Vasconcelos e contra aqueles que o tentam agora silenciar”.»
in Correio da Manhã, 08/10/2010


O Benfica irá até às últimas consequências na defesa de António Pedro Vasconcelos”, disse ao CM uma fonte oficial dos encarnados. Como? Mas, afinal, o APV participa no ‘Trio de Ataque’ como adepto do slb ou está lá como “comissário político” do “Politburo encarnado”?

Sinceramente, para salvaguardar o pouco que resta da sua imagem, o cineasta-comentador deveria pedir aos seus comparsas, que o ajudam a preparar o programa, para terem mais cuidado naquilo que dizem. É que, com este tipo de declarações, fica ainda mais óbvio que ele não passa de uma mera correia de transmissão da voz do dono.

Umas horas depois desta notícia do CM, a FC Porto Futebol SAD emitiu um comunicado, onde afirma que “não apoiará qualquer sócio ou adepto que venha a ser enquadrado como representante do clube, nem lhe prestará qualquer tipo de informação, pelo que todas as suas posições serão sempre pessoais”.

O contraste com a posição do slb não poderia ser maior. Que grande bofetada de luva branca!

P.S.1 Na sua crónica de hoje em A Bola, Rui Moreira escreve: “Não pactuo com a porcaria, com a canalhice e com a insídia. Não serei cúmplice de um sistema em que aqueles que são condenados pelos tribunais são, depois, inocentados em programas de televisão ao passo que aqueles que são absolvidos pelos tribunais são depois sujeitos a julgamentos sumários. Comigo não contam para ser juiz, verdugo ou testemunha em autos de fé.”

P.S.2 O semanário Grande Porto refere que Rui Moreira já decidiu que não volta ao programa. Estou curioso para ver se há algum portista que aceite sentar-se ao lado do APV ou se o Trio vai passar a Duo.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A equipa do Benfica saúda o público


Final da Taça de 1940, com "a equipa do Benfica saudando o público ao estilo que era uso na época".

Foto (clicar para ampliar) especialmente dedicada ao benfiquista António-Pedro Vasconcelos, atendendo às afirmações que fez há três semanas, no programa Trio d'Ataque do passado dia 5 de Janeiro.

Fonte: Livros de Ouro do futebol português, Diário de Notícias

P.S. Agradecemos ao Alex F., portista do Algarve, o envio desta foto.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Os 'broches' de A Bola

Numa altura em que o plantel do FC Porto cortou formalmente relações com o 'Pravda' do futebol português, vale a pena (re)ler o que dois conhecidos adeptos, um do Sporting e outro do Benfica, escreveram, aquando das últimas eleições do SLB, acerca da forma como o pasquim da Travessa da Queimada fabrica notícias e monta campanhas.


«desta vez foi josé manuel delgado, jornalista que muitos apreciam(!), que me fez saltar a tampa quando ontem filigranou no jornal ' a bola' um dos grandes 'broches' da história do jornalismo desportivo.
perante o desassossego criado pela erupção (que não durou mais de 24 horas, saliente-se) da candidatura de josé eduardo moniz à presidência do 'sl e benfica', a 'comunicação' do regime encarnado engendrou uma fantasiosa história assente em argumentos de alta plausabilidade - os direitos televisivos do 'benfica' são realmente muitíssimo interessantes! - transformando o ainda director da 'tvi' no miguel vasconcellos do século 21...
não está em causa a vulgaridade da trama fabricada mas tão somente a completa incredulidade de muitos, entre os quais me incluo, perante a sujeição de uma das grandes referências do imprensa desportiva aos interesses de circunstância de uma clique que não olha a meios para defenestrar na primeira ocasião a credibilidade de qualquer oposição. seja ela actual ou próxima futura.
os fundadores do jornal da travessa da queimada, em tempos um dos baluartes da escrita anti-situacionista, devem estar aos saltos na cova.»
António Boronha (ex-vice-presidente da FPF)
in blog ‘António Boronha’, 23/06/2009


«(...) Vieira passou a ser um presidente a prazo, cuja margem de erro é nula e cujo prazo de validade está preso por um fio ao primeiro fracasso. Voltar a prometer títulos, novos ciclos de vitórias, como fez com Camacho, Rui Costa e Quique Flores, depois de o ter feito com José Veiga, Koeman e Fernando Santos, já não basta.
Graças a um golpe palaciano, é provável que Vieira volte a ganhar. Mas, em vésperas de se tornar o presidente com mais anos à frente dos destinos do clube, ele é, paradoxalmente, um presidente acossado, que vai passar o resto do seu tempo a olhar para a sua própria sombra. (...)
Não admira, assim, que, desde que apareceu num hotel de Lisboa a ler uma declaração escrita com rigor, e no tom que era preciso, sem acinte nem dramatismo, com sentido da responsabilidade e fazendo as críticas que se impunham ao "golpe estatutário" e à inoportunidade destas eleições - demarcando-se ao mesmo tempo dos que, no meio de muita gente séria e bem-intencionada, se quiseram servir dele como bandeira de ambições mesquinhas, ressentimentos e vinganças -, Moniz se tenha tornado, para Vieira, uma sombra a abater. Só isso explica a torpe campanha que A Bola, a partir do dia seguinte, montou contra ele. Que o jornal, que foi de Cândido de Oliveira e de tantos outros, se tornara a "voz do dono" - não do Benfica, mas desta direcção -, já se sabia. Mas que, pela pena de Vítor Serpa e de J.M. Delgado, tenha descido tão baixo, inventando tenebrosas maquinações, urdindo delirantes "complots", denunciando fabulosos negócios, que metem interesses espanhóis e direitos televisivos, com uma presunção de impunidade protegida pelo apelo aos mais básicos sentimentos dos benfiquistas, é coisa que nos faz temer pelo futuro do clube, se Vieira, como muitos pensam, voltar a ganhar.
Se o juiz não der razão aos que exigem a impugnação destas eleições, Vieira retomará as rédeas do clube. Se a equipa, que, com Jesus, vai seguramente jogar um futebol mais bonito, mais agressivo e mais eficaz do que jogou com os dois espanhóis, ganhar o campeonato, os ânimos vão serenar. Mas, ao menor sopro de desastre, tudo se desmorona. E, nessa altura, esperemos que Moniz esteja disponível para servir o Benfica.
Há muito que o clube merecia um candidato com este peso, esta capacidade de liderança, este instinto político, e que, ao contrário dos últimos presidentes, não precisa do Benfica para fazer nome, reputação ou fortuna. O que dirão, nessa altura, J.M. Delgado e Vítor Serpa, que se prestaram a fazer um sórdido frete ao presidente em exercício, numa atitude que ofende os pais fundadores e deslustra os pergaminhos de um jornal que foi, no passado, um dos baluartes da verdade e da inteligência?»
António-Pedro Vasconcelos
in PUBLICO, 25.06.2009


(Re)leio estas coisas, escritas há meio ano atrás, e sorrio...
E volto a sorrir quando ouço algumas “virgens ofendidas”, adeptos dos clubes da 2ª circular, a pretenderem dar lições de moral sobre blackouts e relações entre os clubes e a comunicação social.
Na minha opinião, há muito que o clube e a SAD deveriam ter cortado relações formais com A Bola, o Record e o Correio da Manhã e tirar daí todas as consequências no limite do que for permitido pela lei de imprensa. Além disso, e que eu saiba, nada impede que jogadores, treinadores e dirigentes possam dar entrevistas a órgãos de comunicação social previamente escolhidos. Ainda recentemente o dr. Ricardo Costa o fez, quando deu uma entrevista exclusiva ao Record e Antena 1.
Respeitando a lei, em vez de conferências de imprensa, não é possível dar entrevistas exclusivas todas as semanas?

Nota: Os destaques a negrito são da minha responsabilidade.

terça-feira, 10 de março de 2009

Os processos UGT/FSE e Apito Dourado

No último ‘Trio de Ataque’ (dia 3 de Março), a propósito de mais um episódio da novela ‘Apito Dourado’, Rui Moreira referiu que teria sido prudente que a justiça desportiva (com menos meios de prova) esperasse pelas decisões dos tribunais, até para que se evitassem situações inexplicáveis e inaceitáveis de os mesmíssimos factos terem como consequência decisões jurídico-disciplinares de sentido contrário.

António Pedro Vasconcelos e Rui Oliveira e Costa discordaram veementemente e o representante do Sporting foi mesmo mais longe, dizendo que não reconhecia credibilidade à Justiça dos tribunais, mas que na justiça desportiva ainda acreditava alguma coisa (não foram estas as palavras exactas, mas foi esta a ideia que transmitiu).

Esta afirmação, que desqualifica a Justiça portuguesa, é grave e não foi feita propriamente à mesa de um café, para um grupo restrito de amigos, depois de beber uns copos. Foi feita na televisão, num programa que também é visto no estrangeiro e por uma pessoa que foi dirigente da UGT e do PS (ainda recentemente o vimos na companhia do primeiro-ministro), que teve responsabilidades no Sporting e que é administrador de uma das principais empresas de sondagens que actuam em Portugal.

Eu não sei desde quando é que Rui Oliveira e Costa tem esta posição relativamente à Justiça que é feita nos tribunais portugueses, mas ao ouvi-lo dizer isto lembrei-me de um processo em que ele esteve envolvido e que ficou conhecido como o caso UGT/FSE.

O julgamento incidiu em alegadas burlas com verbas do Fundo Social Europeu (FSE) em que, segundo o Ministério Público, houve um “plano criminoso” de utilização indevida de verbas do FSE na formação profissional prestada pela UGT.
Os factos remontam a 1988 e 1989, tendo a acusação por fraude na obtenção de subsídios, num valor superior a 358 mil contos (1,8 milhões de euros), sido deduzida pelo Ministério Público em 1995.

O processo UGT/FSE tinha como arguidos o actual secretário-geral da UGT, João Proença, o seu antecessor, Torres Couto, o ex-tesoureiro José Veludo e o também antigo dirigente da central sindical Rui Oliveira e Costa, entre outros.

Em 17 de Dezembro de 2007, o colectivo de juízes do Tribunal da Boa Hora, presidido por João Felgar, reconheceu como provadas quatro situações de irregularidades na formação profissional promovida pela UGT com fundos europeus, duas em 1988 e duas em 1989, mas absolveu todos os arguidos e apenas considerou José Manuel Veludo (tesoureiro do ISEFOC, o instituto de formação ligado à UGT) culpado de crime de burla na forma tentada, entretanto prescrito.

Apesar do processo ter 200 volumes e 900 factos documentados, o tribunal considerou que não era possível extrapolar que a falsificação de documentos “era do conhecimento do ISEFOC ou dos demais arguidos no âmbito de um plano criminoso mais vasto” e de que não foi produzida prova suficiente de um conluio entre os arguidos para os considerar cúmplices nos factos.

Será que Rui Oliveira e Costa considera que esta decisão do Tribunal da Boa Hora foi credível?
Ou será que para Rui Oliveira e Costa a credibilidade dos tribunais é a la carte, isto é, a Justiça só é credível quando as decisões vão de encontro às ideias (ou deverei dizer desejos) deste ex-sindicalista?

Pouco tempo depois da decisão do Tribunal da Boa Hora, João Proença fez as seguintes declarações:

Assistiu-se a uma clara tentativa para destruir ou minimizar a central sindical. Disso são prova as constantes fugas ao segredo de justiça durante a fase de investigação, com o objectivo de condenar a UGT na praça pública, e o excesso de zelo manifestado pelo Ministério Público até à fase de julgamento, diversas vezes orientado ao mais alto nível [pelo Procurador-geral da República, Cunha Rodrigues]. (...)
Durante 20 anos houve uma clara tentativa de condenar a UGT na praça pública e muitos dos prejuízos são irreparáveis, nomeadamente para as pessoas e instituições atingidas na sua idoneidade. (...)
Como é evidente os ataques brutais de que fomos vítimas, perante a opinião pública e nas próprias empresas, deixaram marcas”.

Pegando nestas declarações do secretário-geral da UGT é possível fazer um paralelismo com o processo ‘Apito Dourado’?

Imaginemos as seguintes declarações, que Pinto da Costa (ainda) não fez, mas que poderia perfeitamente ter feito:

Assistiu-se a uma clara tentativa para destruir ou minimizar o Futebol Clube do Porto. Disso são prova as constantes fugas ao segredo de justiça durante a fase de investigação, com o objectivo de condenar a FC Porto na praça pública, e o excesso de zelo manifestado pelo Ministério Público até à fase de julgamento, diversas vezes orientado ao mais alto nível [pelo Procurador-geral da República, Pinto Monteiro]. (...)
Durante cinco anos houve uma clara tentativa de condenar o FC Porto na praça pública e muitos dos prejuízos são irreparáveis, nomeadamente para as pessoas e instituições atingidas na sua idoneidade. (...)
Como é evidente os ataques brutais de que fomos vítimas, perante a opinião pública e nos próprios clubes, deixaram marcas”.

Será que o caso UGT/FSE e o processo ‘Apito Dourado’ são, no modo como foram “geridos” pelo Ministério Público, assim tão diferentes?
O que dirá Rui Oliveira e Costa deste paralelismo?


P.S. No ‘Trio de Ataque’ da semana passada Rui Oliveira e Costa fez outra afirmação interessante. Disse ele que, independentemente das decisões judiciais nos processos do ‘Apito Dourado’ (o homem está mesmo com pouca fé...), nunca mais um árbitro foi a casa de um presidente de um clube nas vésperas de um jogo.
Pois, talvez, e eu digo que apesar da decisão do Tribunal da Boa Hora, nunca mais tive conhecimento de uma central sindical ter promovido cursos que envolvessem acções de formação facturadas e não realizadas, a apresentação de aulas teóricas como se de práticas se tratassem, ou a atribuição a cinco pessoas da formação realizada por uma, permitindo recebimentos superiores aos devidos.

Fontes: Lusa, 17/12/2007

domingo, 2 de março de 2008

Organização e liderança

Em dia de derby de Lisboa, o Jornal de Notícias de hoje faz uma análise ao insucesso desportivo de águias e leões, quando comparado com o sucesso dos dragões.

À pergunta, "qual a diferença entre os grandes de Lisboa e o FC Porto?", responderam assim conhecidos adeptos de Sporting e Benfica:

Rui Oliveira e Costa: "Organização, liderança e experiência"

António Pedro Vasconcelos: "O FC Porto tem uma liderança forte e é organizado. Ao contrário do Benfica, a equipa tem um modelo de jogo totalmente definido e os jogadores formam um conjunto de qualidade."

Afinal, parece que o 'Apito Dourado' não é a explicação para todos os males...