«A Liga 2012/13 só começou no papel para o F.C. Porto. O filme é o mesmo visto várias vezes ao longo da época passada e que, apesar de ter corrido bem na Supertaça, não voltou a ter final feliz. Entrada amorfa, futebol pouco esclarecido, dois pontos perdidos. (...)
A tarde era de muito calor e o F.C. Porto entrou para não suar muito. (...) Com o Gil lá atrás, à espera de um contra-ataque milagroso, o resto cabia ao F.C. Porto. Tão natural como a sua sede, já dizia o anúncio. Esperado, quase obrigatório. Mas faltou pimenta ao ataque portista. Havia mais F.C. Porto, mas faltava um F.C. Porto organizado. O jogo começou assim, continuou assim e acabou assim. Perto do fim, houve a natural tentativa desesperada dos bicampeões nacionais. Mas o desespero quase nunca é bom conselheiro. (...)
James pouco ou nada inspirado, Jackson ainda a aprender e Hulk para o resto. Só Hulk. Sempre ele, como se tivesse sido chamado para matar as saudades dos adeptos. Correu, rematou, mostrou alguns pormenores do costume, misturou-os com erros de início de época. Tentou, como sempre.
Entrar mal no jogo nem é uma novidade para o F.C. Porto de Vítor Pereira. Uma tecla tão batida na temporada passada que continua a ser incompreensível como não gasta de vez. É verdade que a bola esteve quase sempre do lado azul e branco, mas também é certo que quase nunca foram tomadas as melhores opções com ela.
O F.C. Porto parecia esperar o que o jogo poderia dar. Como em tantas outras ocasiões. Não sossegou os adeptos, não quis resolver cedo. Arriscou e foi permitindo que o Gil respirasse, naquele estilo em bloco. (...)
Para o F.C. Porto fica o aviso: é preciso mais. Tem de haver mais. A oportunidade de começar a Liga na frente de Benfica e Sp. Braga ficou para trás. Resta perceber se a capacidade de resposta que valeu um título na época passada continua pelos lados do Dragão.»
in Maisfutebol, 19-08-2012
Subscrevo esta análise ao Gil Vicente x FC Porto, da autoria do jornalista João Tiago Figueiredo e publicada no site Maisfutebol uns minutos após o final do jogo. De facto, quando Hulk não resolve os jogos com as suas arrancadas, assistências ou golos, tudo se complica e vêm ao de cima as insuficiências desta equipa.
É verdade que o mercado ainda não fechou e que há jogadores, principalmente Hulk e Moutinho, com legitimas expectativas em saírem do FC Porto para clubes mais endinheirados de campeonatos com outra projecção mediática, mas situações destas acontecem todos os anos (basta recordar os casos de Quaresma e Bruno Alves) e, apesar disso, ontem Hulk voltou a ser o melhor;
É verdade que há jogadores importantes - Hulk, Danilo e Alex Sandro - que não fizeram a pré-temporada no FC Porto, mas todos eles já cá estavam na época passada e, por via disso, conhecem perfeitamente quer os companheiros de equipa, quer os métodos do treinador;
É verdade que na passada quarta-feira houve uma anedótica data FIFA para jogos particulares das selecções, mas jogos do campeonato antecedidos de deslocações e mini-estágios das selecções é algo com que todos os treinadores do FC Porto têm de saber lidar, sendo o preço a pagar por terem um plantel recheado de internacionais (o Paulo Alves do Gil não tem "problemas" destes...).
Seja como for, mesmo com estes handicaps, a equipa do FC Porto tem de jogar muito mais do que jogou em Barcelos, principalmente se levarmos em conta que o adversário foi uma equipazinha do nível deste Gil Vicente. E o pior é que a exibição da equipa portista no jogo de ontem foi um remake cansativo de muitos (demasiados) "filmes" de má qualidade que se viram na época passada.
O treinador principal do FC Porto, que tem à sua disposição um plantel de mais de 100 milhões, o qual inclui jogadores do nível do Hulk, Moutinho, James, Lucho, Danilo, Alex Sandro, etc., não pode chegar ao fim de um jogo destes e apresentar como desculpa a "relva altíssima", as "dimensões mais reduzidas do campo" ou o anti-jogo permanente da equipa adversária.
O treinador principal do FC Porto tem obrigação de saber que, no campeonato português, a maior parte das equipas recorrem a estes e outros expedientes do género para travar os dragões. Compete-lhe a ele encontrar antídotos para este tipo de armadilhas e, em vez de um futebol lento, mastigado e sem ritmo, pôr a equipa a jogar, desde o apito inicial, um futebol veloz, pressionante e eficaz (se puder ser também bonito tanto melhor).
Chega de desculpas após exibições destas. Depois de uma limpeza generalizada do balneário e da contratação de um ponta-de-lança que "era muito desejado pelo treinador" (foi Pinto da Costa quem o disse), que mais falta ao actual treinador principal do FC Porto para pôr em prática o futebol que prometeu e que este plantel de luxo possibilita? Depois de um ano de transição, será que esta época podemos sonhar com um cheirinho do futebol que vimos na época 2010/11, quando Vítor Pereira era adjunto de André Villas-Boas?
P.S. A manter-se este tipo de futebolzinho, nem quero pensar no destino da equipa azul-e-branca se o "abono de família" Hulk sair.
Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.
Fotos: Maisfutebol