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domingo, 27 de março de 2011

Regras para o uso da Internet

«Os episódios que envolveram Fucile, Guarín e Falcao nas redes sociais, com críticas, desabafos ou ideias desvendadas, levaram o FC Porto a elaborar um documento que estipula uma série de regras para os jogadores tendo em vista o uso do Facebook, Twitter e também páginas de internet. Assim, todos ficam comprometidos a não utilizar as redes sociais, ou outros meios digitais de divulgação de dados, para falar de assuntos relacionados com a equipa. Caso violem a regra, ficam sujeitos a uma multa pecuniária de valor elevado, apurou O JOGO. O documento entra em vigor a partir da próxima temporada, e todos os jogadores estão obrigados a assiná-lo. O clube, obviamente, não põe qualquer entrave à utilização das redes sociais, desde que para fins meramente pessoais. Esta medida já estava a ser pensada há algum tempo.»
in O Jogo, 27/03/2011

domingo, 25 de julho de 2010

A Internet, esse estádio "bonito, moderno e arejado"

Por Filipe Sousa

Talvez para retirar fundamento a algumas vozes descontentes com o trabalho desenvolvido até agora pelo André Villas-Boas, a equipa do Porto vai disputar um segundo encontro de apresentação aos adeptos, desta vez já com (muitos) golos e futebol de ataque – uma espécie de “estávamos a reinar, agora é que é”. Pela minha parte, não me sinto em condições ou com vontade de fazer já avaliações ao trabalho desenvolvido, porque os troféus, excluindo porventura a Supertaça, contam-se apenas no final do ano e, para todos os efeitos, a época ainda não começou. De tal forma que a esmagadora maioria dos adeptos, ainda não viu a equipa jogar, seja in loco, ou (surpresa!), nem mesmo ainda via transmissão televisiva. Como os relógios avariados, que pelo menos duas vezes por dia marcam a hora certa, os grandes grupos audiovisuais, que “apostam” sempre na mesma equipa, vão desta vez dar mais atenção à pré-época do campeão nacional – finalmente!

Isto é de facto muito bonito, mas os portistas querem é ver jogar o Porto, seja contra os amadores do Munster, ou contra o Man Utd, estejam em Portugal, no México, ou na Austrália. Os Portistas de cá, têm duas alternativas: ou vão ao estádio – condicionados pelo custo e pela distância – ou subscrevem a SportTv – isto se a SportTv se der ao trabalho de transmitir os jogos do Porto; o que fazem os Portistas lá fora, sinceramente, desconheço. Presumo que alguns terão acesso a canais portugueses com emissão internacional e alguns canais locais que amiúde transmitem jogos da Liga portuguesa, ou das competições europeias. A oferta é manifestamente escassa e, na maioria dos casos, de fraquíssima qualidade, dado que em Portugal só é notícia o Clube do Regime e pouco mais.

Assim, mais e mais, a Internet tem vindo a assumir-se como uma alternativa. Nesse mundo à parte, onde todos os gostos são satisfeitos, também se consegue assistir a jogos do Porto. A questão é que a qualidade de imagem é quase sempre fraca e o streamming (grosso modo, “transmissão”) é sujeita a frequentes falhas.

Se as opções de um treinador, por mais indecifráveis que sejam, têm sempre uma justificação, o não-aproveitamento deste meio de comunicação – seja para transmissão de jogos ou para outros contactos – por parte do Porto (e de outros clubes), é algo que me parece completamente inaceitável. Decerto alguém terá feito uma pergunta semelhante quando surgiu a televisão, e a maioria dos adeptos seguia os jogos através das TSFs. Porque não aproveitar esta nova forma de comunicação? Qual é a dificuldade de transmitir um jogo via Internet? Porque não disponibiliza o próprio Clube a transmissão dos jogos (neste caso amigáveis) da equipa, de forma a que um Portista, esteja na China ou no Alaska, possa assistir? É assim tão difícil encontrar um parceiro/patrocinador que suporte os custos, em troca de publicidade? E cobrar €0,5 ou €1 (ou mais) a cada utilizador pelo acesso pontual ao stream, num regime de verdadeiro pay-per-view? Numa altura em que qualquer “Zé”, disponibiliza na Internet, a partir de casa, a transmissão da SportTv, é aceitável que o Clube não procure “levar o Porto” a todos os Portistas (salvando-nos dos néscios - excepto o Gabriel Alves... - que continuamente relatam os jogos da equipa na televisão) ao mesmo tempo que arrecada algum lucro? Julgo que uma iniciativa destas, só teria benefícios.

Numa futura negociação dos direitos de transmissão, poder-se-ia até assegurar o direito a transmitir também jogos oficiais, aumentando o número de “clientes” interessados. Além disso, os tão criticados “adeptos da pipoca”, podiam juntar o útil ao agradável, e juntar ao “snack” as pantufas e/ou cerveja a sério; os adeptos que vão ao estádio, esses não trocam a experiência por nada, pelo que continuariam a estar presentes. E numa fase inicial, partindo do princípio que os custos são consideráveis, ou que a tecnologia não permite concretizar em absoluto a ideia, poder-se-ia limitar o número de “lugares” disponíveis, tal como acontece num estádio – em todo o caso julgo que o número de interessados, superaria em muito a oferta. Acima de tudo, o clube teria ao seu dispor, sem intermediários, um meio de comunicação “limpo” e próximo, como nenhum outro, dos sócios e adeptos, onde quer que estejam, para além de lançar as bases para um futuro “Canal FCP” – que eu, em boa verdade, muito temo por aquilo que já vi da “Clube do Regime TV”, e pela forma como este meio pode ser usado como ferramenta de lavagem cerebral, desinformação e incitamento ao ódio e à violência.

Haja alguém que faça ver à SAD do Porto, que os adeptos não querem mais que tudo que o jogador A ou B esteja presente na inauguração da Casa do FCP de Florianópolis ou Yerevan, duas ou três apresentações da equipa aos sócios em cada pré-época, ou que o Labaredas achincalhe X ou Y: queremos é (bom) futebol!

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Filipe Sousa a elaboração deste artigo.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A Internet, o mercado brasileiro e os negócios

Por Pedro Carriço (*)


Desde 2005 que resido no Brasil e, sempre que posso, tento acompanhar o futebol em Portugal. Recentemente, e apesar de já ter passado muito tempo desde a minha última visita ao dragão, consegui acompanhar mais o clube do
que nos primeiros tempos por cá. Há coisas que estão a mudar, por conta do fenómeno da Internet, que teve abertura explosiva há uma década e cujo potencial era essencialmente desconhecido mas que criou uma onda de especulação generalizada sobre o Mundo que seria, nessa altura, para o dia do amanhã. O que sucedeu foi que a uma expectativa tão elevada de mudança repentina do Mundo como o conhecíamos, sucedeu um balde fria que foi a constatação que por muito rápida que viesse a ser, não seria tanto quanto já imaginariam aqueles analistas de acções que olhavam para as tecnológicas, dos media e telecomunicações.

Na verdade o Mundo mudou, e tem mudado de forma rápida, talvez não tanto como se previa nos idos anos de 1999 ou 2000 mas foi rápida o suficiente. Eu, sem assinar a SportTv, ou algum canal por cabo, tenho assistido regularmente a jogos do Porto, não com a qualidade de um LCD que recebe o sinal directamente da box, mas para lá caminha. A única coisa que eu tenho é uma fiável ligação à Internet e depois uns cabos que passam o sinal para a TV. Quase me sinto como em tempos, quando combinava com uns amigos para ver uma partida no café mais próximo. O que é curioso é que apesar da extensa oferta de futebol neste lado do Atlântico, raramente me sinto motivado para ver um jogo de um Corinthians, ou um do Cruzeiro ou, para falar da região em que resido, de um Bahia ou de um Vitória. Consigo explicar isso porque a relação que tenho com o futebol toca em questões de emoção antes ainda do simples espectáculo. Não é assim com toda a gente, mas é concerteza assim comigo. A emoção às vezes ultrapassa o clube mas muitas vezes é por relação com ele, diria por exemplo que via o Flamengo quando lá jogava (e bem) o Ibson, ou então também vejo hoje com prazer Lyon ou Marselha por causa de jogadores que tanto dizem ao Porto.

O que me parece mais do que evidente é que se o mundo mudou de forma tão clara em tempos recentes, haverá ainda muito mais mudança para ver nos próximos anos. Daí que faça sentido alinhar estratégias de gestão para um Mundo muito diferente do que o conhecemos hoje. Não querendo ser profeta, diria que o modelo de gestão de qualquer um dos clubes lusos já é ultrapassado. Tem dado para sobreviver, mas não sei se por muito tempo. Apesar disso, cada um dos três grandes tem tido resultados muito desanimadores e não fossem receitas extraordinárias, teríamos já tido falências, e no caso do Benfica essa situação foi até evitada por um aumento do capital. A lógica de sustentabilidade tem passado por um papel de intermediação de activos (jogadores) entre clubes de menor capacidade financeira e os outros. Manter essa lógica significará uma de duas coisas – ou um clube se torna uma referência absolutamente atípica e brutalmente competente em qualquer canto do mundo, ou então caminhará para o definhamento.

No outro dia via referências de que o Porto sondou o Grêmio de Porto Alegre sobre um tal de Mário Fernandes – defesa central de 19 anos – oriundo do Estado de São Paulo, mas já com um ano e alguma coisa no Grêmio. O preço seria, segundo diz a imprensa, de 13 milhões de euros. Um valor absurdamente alto se pensarmos com valores de há alguns anos, ainda que possa vir a ser uma estrela e valer ainda mais. Mas existe sempre o risco de tal não acontecer. Efectivamente algo está a suceder no mundo macroeconómico global que dita novas orientações. O Brasil, típico exportador de estrelas que dariam potenciais bons negócios, vai crescer mais de 5% este ano, e tem mantido um diferencial positivo bem generoso de crescimento face às economias na Europa e em particular face a Portugal nestes últimos 6/8 anos. Para além disso, falamos de crescimentos em moeda local e descontando a inflação. Ora se pensarmos que o euro valia quase quatro reais em 2005 (agora vale 2,4), se pensarmos que a inflação tem sido em média 4/5% aqui e ainda pusermos em cima o crescimento maior no Brasil, rapidamente chegamos à conclusão que o valor de 13 milhões de euros seria o equivalente a uns 5/6 há apenas quatro anos. Não é por acaso que estrelas como o Robinho ou o Ronaldo tenham vindo para cá, ainda que para o primeiro creio ter sido por empréstimo. O que quero dizer é que, se há alguns anos era possível vir e escolher e não arriscar muito, com menos dinheiro dava para comprar os melhores, dos mais importantes clubes e que já sentiam a pressão do campeonato brasileiro e da libertadores, agora para conseguir bons negócios é preciso conhecer campeonatos estaduais, arriscar mais e, possivelmente, ficar mais refém ainda do que os empresários podem oferecer. Parece-me muito arriscado.


Voltando ao início e tentando aproveitar as novas formas de negócio, creio ser tempo de mudar o paradigma; é fácil falar, mas creio que apenas um modelo de negócio que consiga sustentabilidade sem os resultados extraordinários pode sobreviver. O cálculo financeiro é simples e aplica-se a qualquer empresa – quando se investe, projectam-se os cash-flows que ele vai gerar no futuro e desconta-se para o presente. Se o valor descontado for positivo, depois de deduzido o investimento, então vale a pena, se estivermos a pensar na revenda para dar lucro, receio cada vez mais estarmos a dar tiros nos pés.

(*) Pedro Carriço é um portista de 38 anos, de Coimbra, que vive desde 2005 em Salvador, no Brasil. É portista desde os 5 anos por influência do irmão mais velho. Depois de acabar o curso, viveu no Porto dois anos, de 1997 a 1999. Nessa altura fez-se sócio e frequentava as piscinas das Antas. Foi também nessa altura que via mais jogos no estádio. Mais tarde, quando saiu do Porto, esteve num grupo que formava o núcleo portista de Coimbra - "os dragões de Coimbra". Neste ano, e graças à Internet, conseguiu voltar a ver a equipa a jogar com regularidade e isso motivou-o a procurar notícias e a aparecer em blogs, dos quais o ‘Reflexão Portista’ é parada obrigatória todos os dias.

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Pedro Carriço a elaboração deste artigo.

Fotos: Mário Fernandes e gráfico com os valores das maiores transferências.

sábado, 11 de abril de 2009

Novas Tecnologias I

Estando as "Novas Tecnologias" tanto em voga, devido ao constante bombardeamento da comunicação social deste termo para qualquer aparelho electrónico mais evoluído do que uma torradeira, creio que era tempo (e já a passar de validade) de o FC Porto abraçar as ditas e começar a fornecer serviços sérios e úteis aos seus associados, com benefícios para ambos.


Calendário de jogos e eventos na Internet

O FC Porto disponibiliza no seu site, através de uma página apelidada de tudo sobre os próximos jogos do FC Porto, onde disponibiliza informação sobre os próximos 3/4 jogos e informação dos seguintes 10/15 dias sobre o clube (outras modalidades e eventos institucionais).

Para um clube com o tamanho do FC Porto e o número de adeptos que tem, parece-me manifestamente pouco. O FC Porto deveria fornecer informação relativa ao calendário completo da época corrente (e possivelmente manter um histórico) de todas as modalidades, de todos os eventos institucionais e todos os eventos relacionados com o FC Porto (reuniões da liga de clubes, fóruns da UEFA, eventos organizados no Estádio do Dragão).

As pessoas interessadas em assistir aos jogos (ou participar em outras actividades) deveriam ter a informação o mais antecipadamente possível de forma acessível, mesmo que a data do evento venha a ser depois actualizada (por exemplo, devido à antecipação de um jogo de domingo para sábado).

Um método simples para o conseguir, é recorrendo à criação de um calendário virtual que os adeptos possam consultar no seu telemóvel ou computador de forma fácil e eficiente.
Para tal, existe um formato de calendário (iCalendar) que os adeptos podem configurar (no iCal da Apple, Outlook 2007 e Windows Calendar da Microsoft, no Google Calendar, entre outros), que lhes permitem estar sempre perto da informação. É possível também disponibilizar essa informação num formato simples através de uma página, para quem não quer ou não tem a possibilidade de ter um calendário no seu computador.
Esta informação é também actualizável, visto que se o FC Porto alterar, eliminar ou adicionar novos eventos, os calendários que se encontram nos equipamentos dos adeptos vão ser automaticamente actualizados.


O planeamento de viagens ou ausências de forma a poder-se assistir a jogos por parte dos adeptos, sejam eles em casa ou fora, são também do interesse do FC Porto. É possível deste modo conseguir ter mais gente a assistir aos seus jogos, e com isso garantir maiores receitas de bilheteira e/ou televisão.