Quando assumiu a presidência do município em Janeiro de 2002, Rui Rio procurou desde logo mostrar que não pretendia obter dividendos políticos através dos clubes de futebol da cidade. Compreendo o alcance de tal posição, pois é necessário que exista transparência entre autarquia e todas as indústrias. Já não consigo compreender os moldes em que “decretou” o divórcio entre município e clubes de futebol.Desde logo acho estranho que alguém se candidate a um cargo político de destaque e não seja capaz de manter as relações institucionais que tal posto acarreta sem que se sinta melindrado na sua isenção, honestidade ou ego. É verdade que Pinto da Costa apoiou o candidato socialista – um direito de qualquer cidadão – mas espero que isto não tenha contribuído para a tomada de posição de Rui Rio. Aliás, é curioso que Rui Rio tenha sentido necessidade de fazer tanto alarido em separar política e futebol. Neste aspecto, o povo portuense mostrou ser bem capaz de “separar as águas” como comprovam a sua eleição e reeleição à frente da Câmara Municipal do Porto.
Na realidade, Rui Rio é que acaba por demonstrar uma enorme incapacidade em separar o mundo da política e do futebol sem que para isso tenha de suprimir um deles. Esta dificuldade fez com que o presidente da Câmara relegasse para segundo plano os interesses da cidade do Porto, já que os clubes e associações desportivas vão para além da equipa profissional. As infraestruturas desportivas têm um impacto social e urbano na cidade e Rui Rio não foi capaz de gerir estas mais-valias para benefício dos munícipes.
E nos quase 8 anos à frente do município do Porto, Rui Rio não foi capaz de homenagear qualquer feito do Futebol Clube do Porto em qualquer modalidade. Para seu azar, durante este período, o FC Porto não foi apenas 6 vezes campeão nacional, como venceu a Taça UEFA, sagrou-se campeão europeu e mundial. Homenagear estas equipas e os seus jogadores (muitos deles residentes no Porto) não teria beliscado a transparência ou isenção do presidente da Câmara, tal como homenagear (e muito bem) os quatro medalhados nos Jogos Paraolímpicos de Pequim não originou qualquer diferendo político.Acima de tudo, o problema de Rui Rio é pessoal. É a sua incapacidade em gerir a sua imagem política e simultaneamente conviver com adversários políticos e posições divergentes. É uma falta de “jogo de cintura”, importante para um líder autárquico se manter autónomo sem prejudicar os interesses da cidade e dos seus cidadãos. É pena, porque se tivesse começado de outra forma, julgo que Rui Rio teria conseguido manter a Câmara Municipal do Porto isenta e ao mesmo tempo retirar os benefícios que o futebol pode ter para a cidade.