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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Jackson, o possível Bota de Bronze a quem alguns apontam o dedo!

Se calhar ainda não repararam, no meio de tantas notícias negativas, mas Jackson Martinez está a disputar, taco a taco, a Bota de Bronze com Robbie van Persie, Edison Cavani, Robert Lewandwoski e, sim, Radamel Falcao.

Eu fui - e serei sempre - dos que criticaram a venda de Falcao, particularmente pelos valores em causa e o clube para onde foi. Pessoalmente tenho-o como o melhor avançado centro do Mundo, um dos melhores jogadores que já passaram pelo FCP. E a falta de um suplente à altura, no ano passado, custou-nos uma miserável época europeia. Mas com Jackson Martinez, a SAD acertou em cheio.

Se Falcao era conhecido por qualquer um que estivesse minimamente informado sobre o futebol sul-americano, descobrir Martinez era bem mais díficil. Não só porque jogava no México - uma liga pouco seguida - como porque a sua média de golos não impressionava. De dragão ao peito destacou-se como um exímio goleador e não é por acaso que está na batalha pelo último lugar do pódio dos avançados do continente europeu. Contra estrelas de nível internacional que jogam em equipas muito mais bem preparadas para suportar o seu apetite goleador. Desde Mário Jardel que o FC Porto não tinha um jogador no pódio deste prémio. Isso diz bem do que foi Jackson este ano. Os seus 25 golos empalidecem até os números de Falcao, na liga, aquando da sua passagem pelo clube. Para não falar de Hulk, Lisandro, Derlei ou McCarthy, todos eles avançados distintos, mais trabalhadores para a equipa. E claro, empalidecem também os golos de Lima, o jogador que devia ter sido o seu parceiro de ataque. A diferença é que Lima roda numa linha ofensiva com Cardozo, Rodrigo, Salvio e Gaitan e Jackson tem sido sempre ele, só contra o Mundo. Jackson tem 2335 minutos nas pernas. É o jogador do plantel que mais minutos disputou na Liga. Um minuto mais do que Helton. Não parou todo o ano - entre liga, taça, Champions e selecção. E continua aí, a marcar, como fez com o Moreirense. E a aumentar a sua lenda!


Muitos vão chegar a Junho e culpar Jackson pelos penaltys falhados que nos custaram pontos importantes na luta pelo título. Os adeptos são assim. Mas Jackson foi, realmente, a principal razão porque lutamos por este título até perto do fim. Sem os seus golos - numa equipa sem Hulk e sem avançados dignos desse nome - o FCP provavelmente teria abdicado da luta pelo título muito antes. Ao contrário do Benfica, com um excelente arsenal ofensivo, o FC Porto não só não tem um avançado suplente como a maioria dos jogadores de segunda linha são péssimos goleadores - Moutinho, Lucho, Defour, Atsu, Varela, Fernando e James marcaram muito poucos golos em todo o ano. 23 golos pelos 25 de Jackson.
Para colocar as coisas em perspectiva, Hulk tem mais golos que Moutinho e Atsu juntos. Kelvin também. Não há muito mais a dizer em relação a isso.

Jackson falhou na Madeira. Jackson falhou com o Olhanense em casa. Os quatro pontos que marcam a diferença pontual da liga. Mas Jackson salvou vitórias in extremis em muitos outros campos da liga. Levou a equipa às costas. Superou as expectativas e valeu cada cêntimo que a SAD pagou por ele. Jackson seguramente deve estar triste, deve sentir-se culpado de certa forma. Mas levantará cabeça. Porque basta olhar à sua volta para perceber que foram os seus colegas que lhe falharam a ele.