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sábado, 24 de novembro de 2012

Guilherme, Hélio, cunhas e (des)lealdades

«Luís Guilherme, que perdeu a presidência do Conselho de Arbitragem por um voto, no dia em que o delegado da A. F. Viana teve um desarranjo intestinal e não pôde votar, demitiu-se do Centro de Treinos de Árbitros de Lisboa depois de ter visto o CA da FPF [presidido por Vítor Pereira] vetar o nome de Hélio Santos, antigo árbitro de 1.ª categoria, indicado por Guilherme para colaborar, graciosamente, com o Centro de Treinos. O próprio Luís Guilherme fez questão de afirmar que Hélio Santos é padrinho de um filho seu
Eugénio Queirós, 23 novembro de 2012 | 19:15
in record.pt


Este texto, publicado ontem por Eugénio Queirós no seu blogue, é muito interessante e remete para alguns dos tentáculos que o slb teve (tem?) no chamado SISTEMA.

Recuemos uns anos...

Luís Guilherme deixou a arbitragem e assumiu funções na APAF em 1998 e, em 2002, foi convidado (segundo se disse na altura por indicação do slb) a presidir à Comissão de Arbitragem da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), onde esteve quatro anos.

No mesmo período, 2002 a 2006, um ex-responsável pelo futebol dos encarnados, Cunha Leal, exerceu (e de que maneira!) o cargo de director executivo da LPFP.

«As cunhas desleais não honram o futebol nem os lugares, quando se percebe que o objectivo é prejudicar o FC Porto»
Rui Santos, 16/05/2008
in record.pt

Hoje pode parecer estranho, mas na altura vivia-se na Liga o período de ouro da aliança entre o Boavista dos Loureiros (pai e filho) e o slb de Luís Filipe Vieira, uma santa aliança forjada contra Pinto da Costa e contra o FC Porto (em que uma das primeiras vitimas foi José Guilherme Aguiar).

Fui convidado por Valentim Loureiro, mas provavelmente por indicação do Benfica
Cunha Leal, 2 junho de 2002

Hélio Santos, outro dos protagonistas desta história, é um ex-árbitro filiado na Associação de Futebol de Lisboa, que teve como seu árbitro assistente um tal de... Luís Guilherme!

Ao longo da sua carreira, as tendências benfiquistas do árbitro Hélio Santos foram sempre notórias, mas o jogo que o projectou para a história do futebol português foi um célebre Estoril-Benfica, da época 2004/05, disputado no estádio do... Algarve (!).

«se [Cunha Leal] cumprisse o seu dever de isenção, não teria autorizado a farsa que constituiu a marcação do Estoril-Benfica para o Algarve, na jornada 30 do campeonato de 2004-05, cujo desfecho foi decisivo para a atribuição do título nessa temporada»
Rui Santos, 21/05/2008
in record.pt

A nomeação de Hélio Santos já dava algumas “garantias” mas, não fosse o diabo tecê-las, o seu compadre (Luís Guilherme) também nomeou para o mesmo jogo Devesa Neto, um ex-árbitro assistente que foi apanhado a jantar com José Veiga (ex-diretor desportivo do slb) no restaurante Sapo e que, conforme se ouviu nas escutas entre João Rodrigues (ex-dirigente do slb e ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol) e Pinto de Sousa, tinha o condão de acalmar os dirigentes benfiquistas...

O jogo, da 30ª jornada, realizou-se no dia 24 de Abril de 2005 e, tal como a data sugere, fez lembrar os tempos da outra senhora.
Seria exaustivo (e difícil) referir todas as "roubalheiras", perdão, os casos de arbitragem que ocorreram durante os 90 minutos, por coincidência quase todos em prejuízo do Estoril, mas os mais significativos foram os seguintes:
Aos 24 minutos, numa altura em que o Estoril vencia por 1-0, deu-se a expulsão do estorilista Rui Duarte, naquela que foi a expulsão mais rápida dessa época;
Aos 37 minutos, ficou por assinalar um penalty clarissimo contra o slb, bem como, a expulsão do defesa central encarnado Ricardo Rocha;
Aos 75 minutos, uma falta do médio encarnado Petit foi transformada em falta contra o Estoril, e deu origem ao golo do empate;
Finalmente, aos 79 minutos, nova expulsão de um jogador do Estoril (vermelho direto para João Paulo, por palavras), abrindo caminho ao 2º golo do slb, que haveria de ser marcado por Mantorras dois minutos depois.
O jogo terminou com sete cartões amarelos e dois vermelhos para jogadores do Estoril, um cartão amarelo para jogadores do slb e, claro, com a vitória dos encarnados (1-2), como tinha de ser.

Missão cumprida, após o jogo soube-se que o árbitro o tinha apitado com botas emprestadas pelo slb. Tudo normal, aliás o próprio Hélio Santos confessou que, no final, lavou as botas e as devolveu. Só faltou engraxá-las...

Mas, aquilo que para a História do futebol português ficou conhecido como Estorilgate, teve ainda outros contornos pouco claros, envolvendo pressões sobre jogadores do Estoril, que foram denunciadas pelos próprios treinadores dos canarinhos (Litos, treinador principal e Carlos Xavier, treinador-adjunto).

Enfim, tudo claro e limpinho, como os benfiquistas gostam...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A indignação do presidente da APAF


«Indiagnosticável a entrevista da RTP ao presidente da APAF, Luís Guilherme, sobre a penalização de Rui Costa por não ter anotado no relatório do Benfica-Nacional nada que se parecesse com a barafunda entre o jogador Luís Alberto e o treinador Jorge Jesus, ocorrida logo depois do último apito e transmitida em directo pela TV. O choque e a indignação dos dois parceiros da referida entrevista foi tão grande, nas perguntas e nas respostas, que levanta uma nova questão científica: se um árbitro não é obrigado a ver aquilo, é obrigado a ver o quê?»
José Manuel Ribeiro, O Jogo, 09/07/2011


O Luís Guilherme, presidente da APAF, que agora ficou tão chocado e indignado com o castigo aplicado à equipa de arbitragem do slb x Nacional, é a mesma pessoa que, em 28 de Abril de 2009, afirmou o seguinte numa entrevista ao Record/Antena 1:

"O árbitro tem de descrever no relatório o que observa (...) o que nos preocupa é se são omitidos factos nos relatórios (...) não me passa pela cabeça que eles [árbitros] não descrevam o que vêem e ouvem. Porque se não o fizerem estaremos perante um caso disciplinar grave. (...) é preciso dizer que a APAF não pactua com situações de omissão de factos, se acontecerem e forem verdadeiras. (...) os árbitros têm de escrever pormenorizadamente no relatório o que vêem e ouvem"


Como é mais do que óbvio, é impossível que os três elementos do trio de arbitragem não tenham visto a confusão e desacatos que se geraram no final do slb x Nacional. Aliás, a foto que ilustra este artigo PROVA a presença de dois dos árbitros no meio desses desacatos (um a segurar na bola, nas costas de Coentrão e Javi Garcia, e outro ao lado de Jokanovic, treinador do Nacional) e ambos a olharem para o sitio onde estava a dupla Jorge Jesus e Luís Alberto.

Sendo as imagens absolutamente inequívocas, o que é que realmente indignou o presidente da APAF?
O facto de três seus associados terem sido castigados (e muitíssimo bem!), ou o facto deste trio de arbitragem não ter escrito no relatório do jogo aquilo que toda a gente viu (e eles também)?

É natural que haja algum corporativismo mas, para não cair no ridículo, nem parecer que a APAF está demasiado alinhada com as posições do slb, era conveniente que o senhor Luís Guilherme tivesse mais cuidado nas suas posições públicas.