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domingo, 12 de novembro de 2017

Dos e-mails à REDE ENCARNADA

Investigação ao caso dos e-mails no principal telejornal da TVI

Em 10 de junho passado, uns dias após o Diretor de Informação e Comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, ter iniciado a bombástica revelação pública de e-mails, que nos últimos anos foram trocados entre diferentes personagens com ligações ao SLB, eu publiquei um artigo (Oremos pelos “padres” pecadores), onde escrevi o seguinte:

«Chegados a este ponto, pode dizer-se que todos os objetivos imediatos (de curto prazo), resultantes da denúncia feita no último ‘Universo Porto da Bancada’, foram alcançados. Eu diria mesmo que foram ultrapassados, tal foi o impacto mediático e a desorientação evidente que provocou nos “milhafres” de carnide, que mais parecem galinhas tontas.»

De facto, os benfiquistas ficaram atarantados, sem saber o que fazer ou dizer e, em termos de reações, houve de tudo. Silêncios ensurdecedores, falhas de memória seletivas, reações envergonhadas, não-reações e até confissões implícitas (do tipo “vocês fizeram parecido”).

Cinco meses depois, a partir da revelação de outros e-mails (feitas no Porto Canal, no jornal EXPRESSO e na revista SÁBADO), tudo é muito mais claro. Os adeptos do futebol e o público em geral, ficaram a saber que a rede de poder e de influências montada pelo SLB é enorme e abrange, ou abrangeu, todas as áreas do futebol português, nomeadamente:

- um ex-Presidente da Liga de Clubes (Mário Figueiredo);

- um ex-Presidente da Assembleia Geral da Liga de Clubes (Carlos Deus Pereira);

- um ex-VicePresidente do Conselho de Arbitragem da FPF, responsável pela classificação dos árbitros (Ferreira Nunes);

- vários ex-delegados da Liga (com destaque para Nuno Cabral, o “menino querido”);

- um ex-responsável pela nomeação dos delegados (o engenheiro Fidalgo);

- um ex-árbitro da AF Braga (Adão Mendes);

- um membro do Tribunal Arbitral do Desporto (Miguel Lucas Pires);

- um ex-presidente da Comissão Disciplinar da Liga e atual membro do TAD (Ricardo Costa);

E, claro, o presidente e vários elementos da estrutura do SLB (Luís Filipe Vieira, Paulo Gonçalves, Pedro Guerra).

Chegados a este ponto, a grande novidade dos e-mails não foi revelar que havia (há) uma vasta rede subterrânea a “trabalhar” em prol do SLB. Mesmo sem termos acesso às provas digitais/documentais que foram divulgadas, isso há muito tempo que era óbvio (em março de 2014, eu publiquei um artigo que intitulei Os aliados e “criadas de servir” de Vieira).

O grande mérito dos e-mails foi o de identificar, de forma inequívoca, vários rostos desta rede, revelar uma extensa teia de ligações, que envolveram os mais altos responsáveis do SLB e mostrar o refinamento a que se chegou nos métodos adoptados para ganhar jogos e campeonatos.

O esquema seguinte, publicado no JN, mostra apenas uma parte da REDE ENCARNADA.

Ligações entre diferentes rostos da Rede Encarnada (JN)

Cinco meses depois, este caso deixou de ser, unicamente, um caso de e-mails divulgados no Porto Canal.
Este caso “saltou” dos programas do Porto Canal para a generalidade da comunicação social, fez capa em jornais insuspeitos de terem uma agenda portista e chegou às televisões generalistas, mesmo aquelas cuja orientação é mais pró-SLB e anti-FCP.

Duas capas do Correio da Manhã de Junho de 2017

Investigação ao caso dos e-mails (Jornal 8 da TVI)

O mailingate, a rede de influências (Tempo Extra, SIC Notícias)

E o impacto deste caso é cada vez maior, como o próprio SLB reconhece. Por exemplo, no recurso que apresentou no Tribunal da Relação à sentença do Tribunal Cível do Porto, o qual recusou a providência cautelar que visava proibir o diretor de comunicação do FC Porto de continuar a divulgar e-mails, o SLB refere que a contínua divulgação de mensagens de correio eletrónico dos seus dirigentes, tem provocado um enfraquecimento da ligação emocional dos adeptos ao clube.
Pudera, ao verem revelado publicamente o “segredo” de como foi ganho o treta campeonato, quem é que não ficaria emocionalmente afetado?

Cinco meses depois, penso que devíamos deixar de chamar a este caso o “caso dos e-mails”. Os e-mails são, apenas, um elemento de prova (como seriam escutas, se algum juiz tivesse a coragem de pôr os telemóveis do presidente do SLB ou de Paulo Gonçalves sob escuta).

Este caso deve ser designado de acordo com o cerne da questão, isto é, como o caso da REDE ENCARNADA (ou algo parecido), porque é disso que se trata. Continuarmos a chamar a este caso o “caso dos e-mails” é desviar o foco para o assessório e um favor que fazemos ao SLB.

terça-feira, 13 de junho de 2017

O Estado Lampiânico não dorme

O sempre vigilante Estado Lampiânico aprofundou ontem, por via dos seus acólitos, a farsa em que está transformado o futebol em Portugal.

No que toca às suas forças paramilitares, nada vai mudar já que a proposta (do Porto) que previa castigos para clubes que apoiassem claques(?) ilegais, foi naturalmente chumbada.


Por outro lado, a proposta que visa despeitar os adversários (mas também zelar pela sua saúde, já que fumar faz mal!), foi aprovada.

Prevê-se em breve a aprovação de propostas para que o Estado Lampiânico tenha direito a 6 pontos por vitória, e que qualquer golo que lhe seja apontado seja punido com multa.

Por fim, é de lamentar que os votos tenham sido secretos, caso contrário poder-se-ia ficar a saber quem é que anda a ser "carregado pelo Estado Lampiânico".

domingo, 26 de março de 2017

Pressão despudorada

Domingos Almeida Lima (foto: Record)

«Domingos Almeida Lima [vice-presidente do SLB] disse que o Benfica já pediu reuniões aos presidentes da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, e da Liga de clubes (LPFP), Pedro Proença, para expor as "fortes preocupações" do clube sobre a atual situação do futebol português, tendo feito notar que, se a justiça desportiva não for salvaguardada, o Benfica não deixará de "apelar à intervenção do Governo".»
in record.pt, 25-03-2017


Eles (SLB) pressionam membros do Conselho de Arbitragem nos camarotes do estádio da Luz.


Eles (SLB), sempre que perdem ou empatam, no final do jogos vão direitinhos aos árbitros, provavelmente para lhes “desejar boa viagem de regresso a casa”...

Rui Vitória e os árbitros

Eles (SLB) anunciam reuniões de emergência com o Conselho de Arbitragem.

Eles (SLB) divulgam publicamente datas e “conclusões” das reuniões que solicitam ao Conselho de Arbitragem.

Eles (SLB) promovem entrevistas televisivas em momentos cruciais, com temas escolhidos a dedo.

Entrevista de Luís Filipe Vieira à CMTV (02-03-2017)


Eles (SLB) emitem comunicados oficiais a anunciar que não estarão representados em jogos da Seleção, disputados no… estádio da Luz.

Eles, um clube que domina totalmente os meandros do futebol português, pelo menos desde os tempos em que Vieira colocou Cunha Leal na Liga, não têm qualquer pudor em exercer uma enorme pressão, para lá de todos os limites, sobre os principais agentes do futebol português.

A esta pressão descarada, o Sporting, através do diretor de comunicação (Nuno Saraiva) e, principalmente, do presidente Bruno de Carvalho, já lhes respondeu à letra (“esse senhor [Luís Filipe Vieira] nem na vida pessoal pode ter a cabeça tranquila quanto mais no futebol”).

E nós?
A Administração do FC Porto está de férias?

O FC Porto (Administração/Direção) não pode ficar calado e, a menos de uma semana do SLB x FC Porto, fazer de conta que toda esta pressão despudorada nada tem a ver connosco e com esse jogo decisivo.

É preciso que nos próximos dias (antes que seja tarde demais, antes do SLB x FC Porto!), alguém da estrutura do FC Porto venha a público e reaja, de forma muito dura, a esta campanha do SLB.

O FC Porto não pode continuar tolhido. Temos de reagir à Porto, carago!

P.S. Nunca nos renderemos! (publicado no início desta época)

terça-feira, 10 de junho de 2014

Golpada? Que ideia…

Não é fácil encontrar fotos de Pinto da Costa sentado ao lado de Mário Figueiredo, quer no camarote presidencial do Estádio do Dragão, quer noutro estádio qualquer.

Já fotos de Luís Filipe Vieira ao lado do presidente da Liga e candidato único às eleições de amanhã é coisa que não falta…


(clicar nas fotos para as ampliar)

Porquê?
Já se esqueceram que antigamente, no tempo em que havia “verdade desportiva” no futebol português, houve um período em que o presidente da FPF tinha de ser, obrigatoriamente, indicado pelo Benfica, Sporting ou Belenenses?
Que saudades desses tempos…



P.S. Mais de 30 horas antes da “difícil e demorada” decisão do presidente da Assembleia Geral da Liga (o senhor Carlos Deus Pereira, antigo jogador do… Benfica!), já havia gente no Record que sabia o que ia acontecer, isto é, que as candidaturas de Fernando Seara e Rui Alves iam ser declaradas nulas. Terá sido uma previsão do bruxo de Fafe?…

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Fernandos


Custa crer mas, por aquilo que se vai lendo, tudo indica que Pinto da Costa apoia ou, pelo menos, não se opõe, à candidatura do “padrinho” de Nuno Lobo para a presidência da Liga.

Após ter renegociado o contrato com a SportTv, ao FC Porto interessa a centralização dos direitos televisivos (ideia que o político Fernando Seara diz defender)?

Enfim, é bem provável que passemos a ter dois Fernandos, um azul e outro encarnado, a liderar FPF e Liga de Clubes.


Deve ser por isso que o presidente dos verdes anda a estrebuchar…

sábado, 8 de março de 2014

Os aliados e “criadas de servir” de Vieira

"são mais importantes os lugares na Liga do que contratar bons jogadores"
Luís Filipe Vieira, em 2003, a propósito da contratação de Jankauskas (ex-jogador do slb) pelo FC Porto


slb x FC Porto, época 2012/2013

Marítimo x slb, época 2013/2013

estádio da Luz, época 2013/2014

slb x FC Porto, época 2013/2014

slb x sporting, época 2013/2014

Paços Ferreira x slb, época 2013/2014 (alegria após 2º golo dos encarnados)


Alguns dos “amigos” ou “criadas de servir” do slb que, desde o início do século XXI, Luís Filipe Vieira apoiou e/ou foi colocando em lugares estratégicos da Liga de Clubes:
Hermínio Loureiro - Os lugares na Liga
Ricardo Costa - Os tentáculos do Polvo
Delegados da Liga - Luz ao fundo do túnel
Ricardo Costa - Os lugares na Liga...
Observadores da Liga - O poder do slb na LPFP
Ricardo Costa - O convidado VIP
Delegados da Liga - O engenheiro Fidalgo

E ainda há quem tenha a lata de dizer, sem se rir, que é o FC Porto que controla o “sistema”.

De resto, numa altura em que um dos principais aliados do slb está em risco, claro que tem de haver guerra no futebol português...

Correio da Manhã, 08-03-2014

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O engenheiro Fidalgo

Emídio Fidalgo e as agressões de Jorge Jesus em Guimarães


Emídio Fidalgo e as adendas aos relatórios dos delegados (fonte: O JOGO, 17-02-2014)


Este senhor, Emídio Fidalgo, é mais uma “prova” inequívoca de que o FC Porto domina o Sistema…

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O Artigo 94.º



«O adiamento do dérbi maior lisboeta entre Benfica-Sporting não é um caso virgem na história do novo Estádio da Luz, inaugurado em 2003. (…)
O mesmo tipo de objetos, em que se incluem lã de vidro e chapa metálica, já haviam obrigado à suspensão do Benfica B-Feirense, partida relativa à 23.ª jornada da Segunda Liga, que se iria realizar na Luz, a 19 de janeiro de 2013.»
in record.pt, 09-02-2014


«Mário Dias, antigo vice-presidente do Benfica e responsável pela supervisão da construção do novo Estádio da Luz, acredita que os problemas na cobertura do palco das águias surgiu devido a falta de manutenção.
“A primeira coisa que tem de se fazer numa obra, especialmente desta dimensão, é manutenção. Se tivessem verificado que uma chapa poderia levantar com o vento teriam certamente corrigido o problema. É possível que a estrutura já estivesse assim há muito tempo”, afirmou em declarações à Rádio Renascença.»
in record.pt, 10-02-2014


“A estrutura do Estádio aguenta os ventos que sopraram ontem [domingo], com essa e muito mais velocidade. Houve rajadas na ordem dos 130 km/h e a estrutura está preparada para suportar ventos na ordem dos 200 km/h. Os danos não foram na estrutura do Estádio, foram nos revestimentos da cobertura e, em particular, nas fixações desse revestimento à estrutura. Esse é que foi o problema.”, afirmou Tiago Abecassis [projectista do estádio da Luz], em declarações à Benfica TV.

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Artigo 94.º (do Regulamento das Competições da Liga Portuguesa de Futebol Profissional)
Não realização de jogos por falta de condições do estádio, de segurança ou dos equipamentos

1. Quando um jogo oficial não se efectuar ou não se concluir em virtude do estádio não se encontrar em condições regulamentares por facto imputável ao clube que o indica, é este punido com a sanção de derrota e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 12 UC e o máximo de 50 UC e com a sanção de reparação à Liga e ao adversário das despesas de arbitragem, de delegacias, de organização e do valor da receita que eventualmente coubesse ao adversário.

2. Se um jogo não for realizado por falta de condições de segurança imputáveis ao clube que indica o estádio, o clube é punido nos termos do número anterior.

3. Quando o jogo se realizar em estádio neutro é mandado repetir, sendo apenas aplicáveis as sanções de multa e de reparação ao clube visitado, salvo se as faltas previstas nos números anteriores não lhe forem imputáveis.

4. O clube responsável pela não realização de um jogo oficial em virtude de os equipamentos das duas equipas não permitirem fácil destrinça ou não se encontrarem nas condições regulamentares, será punido nos termos do n.º 1.

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Perante os factos que são conhecidos, a que se juntam as declarações de Mário Dias e de Tiago Abecassis, é óbvio que não foi por causa de um fenómeno meteorológico inédito e completamente extraordinário que deixou de haver condições de segurança no estádio da Luz. Assim sendo, cada um que tire as suas conclusões acerca da forma como a Liga de Clubes (entidade organizadora do campeonato) lidou com este caso.

P.S. Viram/ouviram algum dirigente do slb a falar sobre este caso? Quem eu vi a assumir as “dores” do adiamento do jogo e se tem desdobrado em entrevistas (incluindo uma em directo no Telejornal da RTP...) foi Mário Figueiredo, o presidente da Liga. Fico sem perceber se a LPFP serve para organizar competições e garantir que os regulamentos se cumprem, ou se serve para defender os interesses do clube do regime...

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Estratégia de comunicação

A propósito do “caso Quaresma” (mais um caso lamentável envolvendo a Liga, a FPF e o FC Porto), foi muito interessante ver como reagiu o FC Porto ao longo do dia.

Primeiro Paulo Fonseca, à hora de almoço, quando questionado pelos jornalistas, disse o seguinte:
“Não queria alongar-me nessa questão até porque vai haver uma comunicação do presidente [Pinto da Costa]. Não merece comentários até porque sabemos quais são os verdadeiros objetivos destas notícias e o grupo percebe isso.”

Mais tarde, em declarações ao Porto Canal, Pinto da Costa aproveitou a oportunidade para passar mais algumas mensagens cirúrgicas, tendo como alvo a Liga, a FPF e os respectivos presidentes (Mário Figueiredo e Fernando Gomes).

“Conhecendo as pessoas envolvidas é fácil de compreender o que se está a passar. Mas não quero ir por aí...”

“ontem, sexta-feira, e geralmente é sempre à sexta-feira, às 18:49, recebemos um fax dirigido ao presidente do FC Porto, assinado pelo secretário-geral da FPF, um sr. Paulo Lourenço, que não conheço (…) estranhei ter sido ele a assinar e que o fax viesse dirigido ao presidente do FC Porto porque, geralmente, só há correspondência direta para um presidente de outro presidente”

“Como conhecemos as pessoas, vamo-nos precaver e pagar duas vezes. O que já pagámos à Liga vamos depositar na segunda-feira na conta da FPF. Vamos fazer um empréstimo à FPF para que não possa dizer à Liga que não recebeu. E para que possam acrescentar mais uns milhares de euros aos milhões que têm a prazo.”

“Isto está sem rei nem roque. As pessoas têm os seus projectos pessoais, defendem os seus lugares e estão pura e simplesmente a marimbar-se para a justiça e para a verdade”

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Fonte oficial da Liga…

«Fonte oficial da LPFP disse à agência Lusa que no caso de ter havido intenção deliberada do FC Porto de atrasar o jogo (o Sporting jogava à mesma hora e as duas equipas estavam a disputar o apuramento), os “dragões” podem vir a ser punidos com a derrota no jogo e consequente perda de pontos. No caso de se determinar que não houve dolo, a punição a aplicar ao clube nortenho pode ser apenas uma multa.
A mesma fonte acrescentou que no jogo do Dragão, a contar para a última jornada da fase de grupos da Taça da Liga, a equipa insular “chegou ao campo à hora combinada”, ao contrário da equipa “azul e branca”, que se atrasou e teve de ser chamada pelos delegados.
“Os delegados foram buscar a equipa que estava atrasada e esse atraso pode configurar uma de duas situações: ou se trata de um atraso sem dolo ou houve uma intenção deliberada”, disse a mesma fonte, acrescentando que cabe à justiça desportiva averiguar qual das duas situações ocorreu. (…)
Por outro lado, a fonte oficial da LPFP admite que “não está fora de causa a direção da Liga poder participar o caso ao Ministério Público”, caso se comprove que houve, de facto, dolo por parte dos “dragões” no atraso do começo do jogo.»


Fonte oficial da LPFP?…
Terá sido a mesma “fonte oficial da Liga” que, a propósito do slb x Gil Vicente não poder ser realizado no estádio da Luz, por falta de condições do terreno de jogo, ignorou ostensivamente o Artigo 9º, ponto 7, do Regulamento da Taça da Liga?

Regulamento de Competições da LPFP

Quanto aos 2m40s de atraso do FC Porto x Marítimo relativamente ao início do FC Penafiel x Sportem Calimeros de Portugal, atendendo à enorme gravidade da situação, algo nunca visto nos relvados portugueses, não vejo outra hipótese que não seja esta direção da Liga, sempre tão zelosa em cumprir os regulamentos, participar o caso ao Ministério Público…

Ai se o ridículo matasse…

sábado, 9 de novembro de 2013

Volta Ricardo Costa

«A palmada e os insultos alegados não são referidos nos Relatórios Oficiais do Jogo; são mencionados no Relatório das Forças de Segurança mas apenas na medida em que assim foram relatados pelo Sr. Dr. Nuno Lobo; não foram presenciados (vistos ou escutados) por nenhuma das sete pessoas que vieram aos autos prestar declarações para além do Sr. Dr. Nuno Lobo. Questionados todos os oito inquiridos sobre se sabiam de alguém que tivesse visto a palmada ou ouvido os insultos, responderam que não.»


O JOGO, 09-11-2013

«Compulsada toda a prova apreciada durante este inquérito, verifica-se que não existem indícios suficientes da ocorrência de infracção disciplinar».

Pois é, não houve um único dos inquiridos (todos presentes na Tribuna Presidencial do estádio da Amoreira), que confirmasse as acusações do Nuninho.
Não me surpreende. Imagino que as testemunhas chamadas a depor estivessem todas aterrorizadas e com medo de serem espancadas pelo "musculado" Adelino Caldeira...

Claro que se fosse no tempo do saudoso Dr. Ricardo Costa, o homem que o slb colocou no CD da Liga..., perdão, o "corajoso" homem do 'Apito Final' e herói dos stewards do Túnel da Luz, outro galo cantaria.
De facto, a falta que tu, Ricardo, fazes para que haja "justiça" (a verdadeira "justiça", a justiça defendida e propalada pelos benfiquistas...) no futebol português.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

De capuchinho vermelho a lobo mau

Caro leitor, há uma semana atrás você conhecia o senhor Nuno Cárcomo Lobo?

Como é que, de repente, este quase desconhecido (talvez 0,01% das pessoas que acompanham o fenómeno desportivo soubessem quem ele era) passou a estrela mediática tendo, em poucos dias, obtido um enorme espaço em jornais, bem como, um tempo de antena nas rádios e nas televisões de fazer inveja a políticos em campanha eleitoral?

Foi fácil, bastou a este “capuchinho vermelho” transformar-se num “lobo mau” e, depois de comportamentos provocatórios no camarote presidencial do estádio da Amoreira (que, inclusivamente, mereceram a crítica do seu antecessor no cargo), fazer-se de vítima e atacar violentamente (violência verbal, entenda-se) o presidente e outro dirigente do FC Porto.

Evidentemente, vivendo nós num país de gente amargurada, onde os sucessos dos dragões provocam uma enorme azia, quem escolhe o FC Porto como alvo é sempre bem visto. É uma estratégia por demais conhecida, que outros mais espertos que o Nuninho já seguiram no passado (Santana Lopes, Vale e Azevedo, Rui Rio, etc.) mas, apesar de gasta, continua a dar resultado.

Até aqui nada de novo na lisboalândia. Mas, sem que tenha ficado surpreendido, há duas coisas que não deixaram de me causar alguma impressão.

Conforme se pôde ler no Facebook de Nuno Cárcomo Lobo, em 21 de Fevereiro de 2011, após o final de um jogo entre leões e águias, o Sporting (equipa e clube) foi visado, e de que maneira, por este “capuchinho vermelho”:

“Terminou o jogo-treino para o Estugarda… OH Jesus, podias ter levado os juniores a Alvalade ou então jogares com 8 jogadores. Bastava… Tenho mais respeito pelo Portimonense ou pela Naval do que pelo clube do Bairro de Alvalade!!! CARREGA BENFICA!!!”

“Agora... Calma e concentração, rapazes!!! Agora teremos pela frente equipas de futebol: Estugarda e Marítimo!!! De ballet como a de hoje já não apanharemos muitas mais!!! FORÇA CAMPEÃO!”

Eu não sou sportinguista (cruzes, credo!) mas, tendo estas declarações sido profusamente divulgadas nos últimos dias (entretanto estes posts já foram apagados), gostava de saber o que é que os sócios do Sporting pensam disto.
Quanto a Bruno de Carvalho, que afirmou não admitir faltas de respeito institucionais de ninguém, já se percebeu que a coerência não é o seu forte e continua a agir como se o atual presidente da Associação de Futebol de Lisboa nada tivesse dito de ofensivo para o clube a que preside.
Aliás, prevejo que ainda iremos assistir a um “casamento” entre Bruno de Carvalho e Luís Filipe Vieira, apadrinhado pelo homem que classifica o Sporting como o “clube do Bairro de Alvalade” …


Mas pior que este come e cala leonino é o comportamento de dois dos principais dirigentes do futebol português.
Tendo Nuno Lobo proferido (escrito) afirmações reveladoras de um racismo nojento, como é que os presidentes da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga de Clubes aceitaram os convites e estiveram presentes no jantar do 103.º aniversário da Associação de Futebol de Lisboa, que se realizou na passada segunda-feira?


A partir de agora, quero ver com que cara é que Fernando Gomes (presidente da FPF) e Mário Figueiredo (presidente da Liga) irão criticar e combater declarações, ou manifestações racistas, que ocorram nos campos de futebol. É que, apesar das obrigações institucionais, a hipocrisia tem limites.

E depois, ainda há quem se admire que Adelino Caldeira e Pinto da Costa os deixe ficar de mão estendida…


«UEFA has reinforced its stand against racism and, together with the players' body FIFPro, is now actively supporting campaigns attempting to banish this evil from football and society.
European football's governing body has forged a close partnership with the Football Against Racism in Europe (FARE) network, which comprises groups and bodies working against intolerance and discrimination across the continent.»
Fonte: uefa.com

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

E se o jogo fosse em Braga?

«(...) a primeira enchente azul na Mata Real ficou marcada pela frustação: os cerca de 800 bilhetes colocados à venda em Paços de Ferreira, ontem de manhã, foram escassos para tantos portistas. (...) Os 5250 lugares do recinto estão maioritariamente reservados aos sócios da casa (...) um dispositivo policial tardio, incapaz de garantir que a transação decorresse segundo a ordem de chegada estabelecida, ao longo da madrugada, entre aqueles que pernoitaram junto ao estádio. A lista que é costume elaborar nestas ocasiões foi, segundo relatos, reordenada de acordo com a lei do mais forte, quando, por volta das sete da manhã, elementos ligados à claque portista se apresentaram na Mata Real e assumiram o controlo da multidão. (...) Vendidos a 12, 24 e 30 euros, especulava-se que já valeriam 150, na candonga. Às 11 horas, estava esgotada a lotação para os visitantes.»
in O JOGO, 16-05-2013


Desde o escasso número de bilhetes cedidos ao FC Porto (cerca de 300, sensivelmente o mínimo obrigatório correspondente a 5% da lotação da Mata Real), até ao modo como foi (des)organizada a venda de bilhetes em Paços de Ferreira, estamos perante um processo lamentável e que suscita alguma perplexidade.

E contudo, tudo poderia ter sido diferente, se a Direção do Paços de Ferreira se tivesse lembrado (será que não lembrou?) da hipótese de transferir este jogo para um estádio de maiores dimensões. Por exemplo, o que tinha o Paços Ferreira a perder se o jogo fosse disputado em Braga, no estádio Axa, o qual tem capacidade para 30 mil espectadores?
Aparentemente nada, porque a classificação final do Paços Ferreira está definida e é independente do resultado deste último jogo.
Ora, não tendo nada a perder, o Paços Ferreira poderia, num cenário destes, fazer um encaixe muito significativo. Por exemplo, reservando 4000 bilhetes para distribuir gratuitamente pelos seus associados, se vendesse os restantes 26 mil bilhetes ao público a um preço unitário de 40 euros, o Paços Ferreira faria um encaixe superior a um milhão de euros!

Claro que a transferência do Paços Ferreira x FC Porto para o estádio Axa não agradaria a Luís Filipe Vieira, nem ao atual presidente da Liga, os quais já se devem ter esquecido do local onde foi disputado o Estoril x slb da época 2004/2005.
Claro que se o jogo tivesse sido transferido para um estádio maior e com melhores condições, o presidente do Paços de Ferreira, Carlos Barbosa, não teria sido saudado, nem recebido uma ovação na passada quarta-feira dos adeptos benfiquistas presentes no Arena de Amesterdão.
Pois, mas a prioridade dos dirigentes do Paços Ferreira deveria ser defender os interesses do Paços Ferreira e não, como parece ser o caso esta semana, estarem preocupados com as "dores" de outros clubes.
A não ser que haja negócios relevantes a serem tratados (há quem trate das coisas por outro lado...) e, por exemplo, a transferência de algum dos jogadores do Paços de Ferreira esteja dependente do resultado deste jogo...

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Castigos à portuguesa

O circo está montado, como o futebol português gosta.
Num dia como hoje em vez de se falar de futebol, os responsáveis pela organização dos torneios que se disputam neste rectângulo voltam a demonstrar o seu apetite pelo polémico e pelo ridículo. Não só confirmam publicamente aquilo que muitos já suspeitavam - a não suspensão do FC Porto da Taça Liga por um vazio legal - como ainda dão um bónus ao SL Benfica inesperado. Porque vale mesmo tudo.

No que nos toca, a decisão deixa em mau lugar, sobretudo, a própria Liga de Clubes.
Responsável por uma competição desenhada sobre o joelho, para agradar aos clubes grandes e gerar as receitas que se podiam perder com a redução de equipas da primeira divisão, a Liga meteu o pé pelas mãos uma vez mais com este imbróglio  Já deixei aqui a minha posição e não me vou repetir. Acho que houve um erro de facto, acho que o clube devia ter sido mais frontal e que se as coisas fossem feitas com pés e cabeça, o FC Porto não estava em competição. Mas estamos. Porque a Liga descobriu rapidamente que o vazio nos regulamentos é de tal ordem que não havia fundamentos legais para condenar o clube dessa forma. Curiosamente, deixa cair na imprensa que a decisão é passível de recurso, dando esperanças ao Vitória de Setúbal e ao "amigo" Sporting de Braga, que supostamente esteve por detrás de uma denúncia que nem a própria Liga se dera conta em tempo real. Ou seja, estamos na Taça da Liga mas de um momento para o outro podemos deixar de estar, só porque a alguém lhe apeteça complicar mais as contas. Tipicamente português. Por coisas como esta acho que o FC Porto fazia melhor em utilizar as semanas de competição para uma digressão pela América do Sul. Fazíamos mais dinheiro e não tínhamos de aturar este ridículo. De certa forma, jogar estes dois jogos também é uma hábil forma de nos castigar onde realmente conta.

Por certo, estamos na Taça da Liga mas, olhando para o cenário, melhor não estar.
Temos uma meia-final complicada com um Rio Ave que tem demonstrado ser um osso duro de roer e uma hipotética final com Braga ou Benfica. Jogos que vão ser física e mentalmente exigentes numa altura da temporada em que não nos podemos dar ao luxo, não com o plantel que temos, de estar a máximo gás na Champions League e no mano a mano com o Benfica na Liga. Se não tivéssemos empatado com o Olhanense, podíamos respirar um pouco melhor, assim sendo a tensão é máxima e 180 minutos a mais nas pernas (como mínimo) não são bom sinal. E a troca de quê realmente?



Mas para compensar os 6 milhões de adeptos que não conseguem entender o conceito jurídico de vazio legal, era preciso fazer algo. Sendo assim, Oscar Cardozo, o boxeur paraguaio que joga de vez em quando à bola, foi suspenso com um só jogo. Se pensarem bem, é uma suspensão que faz todo o sentido. Afinal, agredir em campo e ameaçar um árbitro deveria equivaler sempre a ser expulso por duplo amarelo, não vejo onde esteja a diferença. Especialmente se jogam de encarnado, assim sendo até me surpreende que o suspendam um jogo sequer. Se ainda fosse o Lima...

Claro que quem está por detrás destes castigos teve por bem não ter em conta antecedentes, que no caso de Cardozo (e de Matic) são sobejamente conhecidos, nem sequer o regulamento que a FIFA e a UEFA defendem para as suas competições, onde um vermelho directo por agressão é castigado sempre entre dois a quatro jogos, como até o imparcial A Bola adiantou, desesperadamente, depois do jogo. O Record falou em 14 jogos, mas como já sabemos com o é o Record, deixemos as coisas aí. Mas como aqui nem há antecedentes, nem uma agressão captada pelas câmaras de televisão, nem sequer está em causa o continuar de uma série de comportamentos a que outros boxeurs de encarnado como Maxi ou Luisão têm praticado a belo prazer ao longo da época, nada a dizer. Coerência senhora, acima de tudo, coerência!

É possível - mas não provável - que esta suspensão não esteja ligada à agressão, que anunciem que depois vem um processo disciplinário, daqueles que demoram tempo e são para cumprir na época seguinte, ou quando já não for realmente importante para o profeta da Luz contar com o paraguaio. Também me parece bem, afinal não queremos ir aos Aliados em Maio sem saber que, uma vez mais, jogamos contra mais do que onze - como deixou cair, talvez premonitoriamente, Pinto da Costa ainda há dois dias - e que o rival não teve direito a todos os argumentos possíveis e impossíveis para ganhar o terceiro título em 18 anos.

Portanto, para agradar a um clube, ao qual não se podia castigar, dá-se a "benesse" de permitir continuar em prova numa competição que o mesmo clube repetidamente (e bem) ignorou. Para agradar ao outro, ao que se podia e devia castigar exemplarmente, dá-se a benesse, de permitir aos seus jogadores continuarem a comportar-se como hooligans quando as coisas não funcionam em campo. Obrigado futebol português por seres como és, se não fosses assim, ganhar tanto durante tanto tempo não era a mesma coisa!


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

71 horas e 45 minutos

"Quem fez a lei definiu uma precisão à hora e não ao minuto. A partir do momento em que a precisão é a hora, 71 horas e 45 minutos são 72 horas"
Armando Leitão, professor na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP)



sábado, 26 de janeiro de 2013

desLIGAdos


Tudo indica que o FC Porto vai ser desclassificado da Taça da Liga 2012/13, devido à utilização irregular de Fabiano, Abdoulaye e Seba no 3º jogo da fase de grupos - FC Porto x Vitória Setúbal -, menos de 72 horas depois destes jogadores terem alinhado pela equipa B (FC Porto B x Naval).

«O Regulamento de Competições da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), sobre a inscrição e participação de equipas B na II Liga por clubes da I Liga, dita, no artigo 13.º, que "qualquer jogador apenas poderá ser utilizado pela equipa principal ou equipa B decorridas que sejam 72 horas após o final do jogo em que tenha representado qualquer uma das equipas, contadas entre o final do primeiro jogo e o início do segundo". (...)
Os "azuis e brancos" incorrem na pena prevista no Regulamento Disciplinar da LPFP, no seu artigo 78.º, sobre a inclusão irregular de jogadores. O clube "será punido, no caso de provas por pontos, com as sanções de derrota e de subtração de pontos a fixar entre o mínimo de dois e o máximo de cinco pontos" e, acessoriamente, uma multa pecuniária a definir.
Já o artigo 44.º do mesmo regulamento frisa que a sanção da derrota "faz perder ao clube sancionado, na tabela classificativa, os pontos correspondentes ao jogo a que a falta disser respeito, os quais serão atribuídos ao clube adversário", isto é, os três pontos em disputa.»
in JN


Não sou jurista mas, lendo o regulamento, parece-me não restarem grandes dúvidas. 71 horas e 45 minutos é um período de tempo inferior a 72 horas. Assim sendo, o FC Porto vai perder na secretaria, a favor do Vitória Setúbal, os três pontos que conquistou dentro das quatro linhas, o que faz com que sejam os sadinos a disputarem as meias-finais da prova (no caso frente ao Rio Ave, vencedor do Grupo C).

Na altura em que estou a escrever este texto, ainda não há uma reacção oficial do FC Porto, mas uma fonte do clube/SAD já comentou o caso para a comunicação social:

«Fonte dos dragões diz que o FC Porto solicitou a marcação do encontro para o início da noite desse dia, com a Liga a determinar aquela hora por força da transmissão televisiva. (...)
“Faz sentido haver regulamentação da equipa A para a equipa B, para não se correr um risco de haver jogadores da A a jogar pela B em momentos importantes e desvirtuar essa competição. Agora, o contrário já é desvirtuar o princípio de promoção dos jovens”, lembra a fonte.
O FC Porto aguarda a decisão com serenidade, deixando o tema nas mãos do seu departamento jurídico. De qualquer forma, sabe que um eventual afastamento permitiria ganhar alguns dias de descanso num momento importante da temporada.
“As meias-finais da Taça da Liga estão entre a deslocação a Alvalade e os jogos com o Málaga...”»
in Maisfutebol


«“Aquando da marcação dos jogos, o FC Porto pediu à Liga para o jogo ser à noite. A Liga nunca respondeu e marcou o jogo para as 17h30, alegando interesse da TVI”, disse ao PÚBLICO fonte do FC Porto, que recusou explicar as razões para o clube ter utilizado Fabiano, Abdoulaye e Seba, que tinham jogado no domingo pela equipa B, frente à Naval.
“Em semana de Benfica-FC Porto, parece que o jogo foi marcado de propósito para forçar o FC Porto a utilizar o melhor onze. O jogo Benfica-Académica foi marcado para mais de 72 horas depois do fim do Santa-Clara-Benfica B, mas o jogo FC Porto-Setúbal não respeitou as 72 horas após o fim do FC Porto B-Naval”, queixou-se a mesma fonte. (...)
O caso está entregue ao departamento jurídico do FC Porto, mas no Dragão já se desvaloriza uma eventual penalização.
“A Taça da Liga não é neste ano, como nunca foi no passado, competição prioritária para o FC Porto. Este ano ainda menos, porque a Liga não paga os prémios, a prova não apura para as competições europeias e não tem patrocinador”, disse ao PÚBLICO a mesma fonte portista.
“Se formos afastados, é menos um jogo no apertado calendário de final de Fevereiro, início de Março, entre os jogos com o Málaga [para a Liga dos Campeões].”»
in PUBLICO


É verdade que é raro um jogo da equipa principal ter início às 17h30. Como é sabido, os jogos da Liga dos Campeões têm início às 19h45 e os do campeonato costumam ser à noite. E também admito como perfeitamente plausível a versão, segundo a qual, o FC Porto solicitou que o jogo fosse à hora habitual (depois das 20h00) e que foi a Liga a impor (não interessa agora as razões) que o FC Porto x Vitória Setúbal fosse disputado a um dia de semana à tarde!
Mas, se o clube/SAD se sentiu lesado e que, comparativamente com o slb, estava a ser discriminado pela Liga, deveria tê-lo dito na altura. Dizê-lo agora soa a desculpa e o que transparece para a opinião pública é que houve um lapso da estrutura da SAD.

Consequências?
O FC Porto não vai ganhar a Taça Lucílio Baptista, versão 2012/13, o que me deixa tristíssimo...
Mas nem tudo é mau.
Não vamos ter de aturar o Fernando Correia e o João Querido Manha a relatarem/comentarem mais um jogo do FC Porto.
E a TVI, depois de nem sequer ter transmitido um dos três jogos que o FC Porto disputou na fase de grupos (Nacional x FC Porto), em vez de uma meia-final com o FC Porto, vai transmitir um Vitória Setúbal x Rio Ave. As audiências vão ser gigantescas... Quem se deve estar a rebolar a rir é o Joaquim Oliveira.

Sinceramente, para quem (como eu) não atribui qualquer valor desportivo à Taça da Liga, esta "penalização" é bem pior para a competição (e indirectamente para a Liga) do que para o FC Porto.

sábado, 24 de novembro de 2012

Guilherme, Hélio, cunhas e (des)lealdades

«Luís Guilherme, que perdeu a presidência do Conselho de Arbitragem por um voto, no dia em que o delegado da A. F. Viana teve um desarranjo intestinal e não pôde votar, demitiu-se do Centro de Treinos de Árbitros de Lisboa depois de ter visto o CA da FPF [presidido por Vítor Pereira] vetar o nome de Hélio Santos, antigo árbitro de 1.ª categoria, indicado por Guilherme para colaborar, graciosamente, com o Centro de Treinos. O próprio Luís Guilherme fez questão de afirmar que Hélio Santos é padrinho de um filho seu.»
Eugénio Queirós, 23 novembro de 2012 | 19:15
in record.pt


Este texto, publicado ontem por Eugénio Queirós no seu blogue, é muito interessante e remete para alguns dos tentáculos que o slb teve (tem?) no chamado SISTEMA.

Recuemos uns anos...

Luís Guilherme deixou a arbitragem e assumiu funções na APAF em 1998 e, em 2002, foi convidado (segundo se disse na altura por indicação do slb) a presidir à Comissão de Arbitragem da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), onde esteve quatro anos.

No mesmo período, 2002 a 2006, um ex-responsável pelo futebol dos encarnados, Cunha Leal, exerceu (e de que maneira!) o cargo de director executivo da LPFP.

«As cunhas desleais não honram o futebol nem os lugares, quando se percebe que o objectivo é prejudicar o FC Porto»
Rui Santos, 16/05/2008
in record.pt

Hoje pode parecer estranho, mas na altura vivia-se na Liga o período de ouro da aliança entre o Boavista dos Loureiros (pai e filho) e o slb de Luís Filipe Vieira, uma santa aliança forjada contra Pinto da Costa e contra o FC Porto (em que uma das primeiras vitimas foi José Guilherme Aguiar).

“Fui convidado por Valentim Loureiro, mas provavelmente por indicação do Benfica”
Cunha Leal, 2 junho de 2002

Hélio Santos, outro dos protagonistas desta história, é um ex-árbitro filiado na Associação de Futebol de Lisboa, que teve como seu árbitro assistente um tal de... Luís Guilherme!

Ao longo da sua carreira, as tendências benfiquistas do árbitro Hélio Santos foram sempre notórias, mas o jogo que o projectou para a história do futebol português foi um célebre Estoril-Benfica, da época 2004/05, disputado no estádio do... Algarve (!).

«se [Cunha Leal] cumprisse o seu dever de isenção, não teria autorizado a farsa que constituiu a marcação do Estoril-Benfica para o Algarve, na jornada 30 do campeonato de 2004-05, cujo desfecho foi decisivo para a atribuição do título nessa temporada»
Rui Santos, 21/05/2008
in record.pt

A nomeação de Hélio Santos já dava algumas “garantias” mas, não fosse o diabo tecê-las, o seu compadre (Luís Guilherme) também nomeou para o mesmo jogo Devesa Neto, um ex-árbitro assistente que foi apanhado a jantar com José Veiga (ex-diretor desportivo do slb) no restaurante Sapo e que, conforme se ouviu nas escutas entre João Rodrigues (ex-dirigente do slb e ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol) e Pinto de Sousa, tinha o condão de acalmar os dirigentes benfiquistas...

O jogo, da 30ª jornada, realizou-se no dia 24 de Abril de 2005 e, tal como a data sugere, fez lembrar os tempos da outra senhora.
Seria exaustivo (e difícil) referir todas as "roubalheiras", perdão, os casos de arbitragem que ocorreram durante os 90 minutos, por coincidência quase todos em prejuízo do Estoril, mas os mais significativos foram os seguintes:
Aos 24 minutos, numa altura em que o Estoril vencia por 1-0, deu-se a expulsão do estorilista Rui Duarte, naquela que foi a expulsão mais rápida dessa época;
Aos 37 minutos, ficou por assinalar um penalty clarissimo contra o slb, bem como, a expulsão do defesa central encarnado Ricardo Rocha;
Aos 75 minutos, uma falta do médio encarnado Petit foi transformada em falta contra o Estoril, e deu origem ao golo do empate;
Finalmente, aos 79 minutos, nova expulsão de um jogador do Estoril (vermelho direto para João Paulo, por palavras), abrindo caminho ao 2º golo do slb, que haveria de ser marcado por Mantorras dois minutos depois.
O jogo terminou com sete cartões amarelos e dois vermelhos para jogadores do Estoril, um cartão amarelo para jogadores do slb e, claro, com a vitória dos encarnados (1-2), como tinha de ser.

Missão cumprida, após o jogo soube-se que o árbitro o tinha apitado com botas emprestadas pelo slb. Tudo normal, aliás o próprio Hélio Santos confessou que, no final, lavou as botas e as devolveu. Só faltou engraxá-las...

Mas, aquilo que para a História do futebol português ficou conhecido como Estorilgate, teve ainda outros contornos pouco claros, envolvendo pressões sobre jogadores do Estoril, que foram denunciadas pelos próprios treinadores dos canarinhos (Litos, treinador principal e Carlos Xavier, treinador-adjunto).

Enfim, tudo claro e limpinho, como os benfiquistas gostam...

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Direitos televisivos: slb, Liga e regulamentos

Extrato de um artigo de opinião de Luís Sobral (publicado no Maisfutebol, em 29-10-2012), com observações muito pertinentes acerca dos direitos e transmissões televisivas.

«(...) Fazer algo que soe a ataque à Olivedesportos gera aplausos na Luz e, viu-se, dá votos. Será também racional?
O presidente dos «encarnados» diz há muito tempo a mesma coisa: o clube merece receber mais pelos direitos. Oliveira já ofereceu mais, mas o líder benfiquista não acha suficiente. Pode ser estratégia negocial, legítima, ou início de revolução. (...)
Os próximos tempos serão, pois, fascinantes. Os clubes e a Liga estão a mexer no coração das receitas, no ponto fundamental do negócio. Com os riscos que isso acarreta, numa altura em que o mercado publicitário decresce a um ritmo assustador, as televisões compram muito menos e as tecnologias trazem novas oportunidades e desafios.
Para muitos emblemas, a dependência da tv ronda os 70 por cento. Pode ser que tudo acabe por ficar na mesma, apenas mais caro para a Olivedesportos. Mas também pode mudar, com consequências que ninguém consegue verdadeiramente antecipar. A hipótese de passar jogos na Benfica TV, a concretizar-se, obrigará também a rever a utilização que é feita das imagens televisivas em diferentes instâncias do futebol, da disciplina à arbitragem. Digo eu.
O Maisfutebol levantou o tema na última sexta-feira. Do meu ponto de vista, a Liga e a Federação estão obrigadas a olhar com lupa para os regulamentos de competições e disciplinar. Deixará de ser legítimo utilizar as imagens de jogos para tomar decisões, pelo simples facto de que o olhar deixará de ser neutro, distante, frio, igual para todos.
Eu sei que a minha opinião não será partilhada por muitos leitores. Mas também sei que já fiz mais transmissões de futebol do que a esmagadora maioria de quem me lê. E sei como se faz e conheço quem faz. Também sei que nada na prática atual dos clubes portugueses me leva a acreditar que algum dia poderão ser fontes justas e isentas. É contra a sua natureza, viciados em colocar o emblema antes do futebol.
Valia a pena começar a pensar sobre isto. É impensável que uma televisão de clube transmita jogos de uma liga profissional e os regulamentos e práticas não se alterem.»

domingo, 23 de setembro de 2012

O tapete encarnado



Na passada quinta-feira, Académica, Marítimo e SCP jogaram para a Liga Europa, com a particularidade da Briosa ter tido uma deslocação longa à Europa de Leste, mais concretamente a Plzen, a cerca de uma hora de distância da capital checa.

41 anos depois da última participação nas competições europeias, para a esmagadora maioria dos atuais jogadores da Académica tratou-se mesmo de uma estreia absoluta nas eurotaças.

Por tudo isto, o intervalo para o jogo seguinte da Académica deveria ter sido o maior possível, dentro daquilo que está previsto nos regulamentos da Liga. Contudo, o calendário dos jogos destas três equipas na 4ª jornada do campeonato português, é o seguinte:


Ou seja, a única destas três equipas que, na quinta-feira, jogou fora de casa é precisamente aquela que vai jogar hoje, enquanto que as outras duas terão mais um dia para recuperar do esforço despendido. Fantástico, não é?

Há quem continue a trabalhar muito bem nos bastidores e a fazer as coisas por outro lado...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Quanto valem, afinal, os direitos televisivos?

"Estudo encomendado pela Liga coloca centralização de direitos e concorrência na TV paga como forma de potenciar receitas.

Os clubes da I Liga de futebol negoceiam cada um por si os direitos televisivos e ao todo recebem actualmente cerca de 60 milhões de euros. Se a negociação fosse feita em conjunto (de forma centralizada), as receitas podiam duplicar, passando para 120 milhões anuais num cenário intermédio. Esta é uma das conclusões de um estudo encomendado pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional à Oliver & Ohlbaum Associates e que foi divulgado nesta segunda-feira.

O estudo apresenta três hipóteses para 2013. Num cenário de baixa, os direitos de TV valeriam 83 milhões de euros; num cenário-base, o valor sobe para 120 M; e num cenário de alta chegariam mesmo aos 142 milhões, sendo que em qualquer um deles a maior parte da receita seria proporcionada pela venda dos jogos para transmissão em canal fechado – em 2017, o valor poderia atingir os 165 milhões."

Público, 11/09/2012

Este estudo encomendado pela Liga conclui que “se a venda centralizada de direitos de TV fosse implementada em Portugal (tal como acontece em boa parte dos países europeus, à excepção de Espanha), os maiores beneficiados seriam os pequenos e médios clubes”.

Embora não conhecendo a totalidade do estudo, nem parte dele, tenho sérias reservas sobre a principal conclusão dele retirada de que os direitos televisivos poderiam valer 120 milhões de euros se negociados em conjunto pelos clubes profissionais em Portugal. A economia portuguesa apresenta na actualidade um cenário macroeconómico fortemente recessivo e as expectativas dos agentes estão a piorar em face das dificuldades de recuperação e ajustamento sentidas em 2012.

Por outro lado, sabemos, pelos casos vindos a público na última década, que os “estudos de procura” encomendados pelos promotores de determinado projecto em Portugal devem ser encarados de forma muito conservadora dado que, em grande parte deles, quando os projectos chegam à sua fase madura, é o worst case scenario que se atinge.


A infografia acima foi retirada do jornal Record e mostra as receitas obtidas por cada clube profissional da comercialização dos seus direitos televisivos. O rácio top to bottom (a maior receita individual dividida pela menor receita individual) foi, em Portugal, de 7,75. Parece demonstrar algum desequilíbrio na repartição das receitas, no entanto ainda é bastante menor do que o da La Liga, em Espanha, de 12,5 e o da Serie A, de Itália, de 10,0 (Nota: estes rácios de Espanha e Itália são válidos para a época anterior, de 2010/2011, Fonte: The Guardian).

O sistema mais equilibrado – e o mais rico! – em termos de repartição de receitas provenientes dos direitos televisivos é o da Premier League. O rácio top to bottom é de apenas 1,54 (!) na época de 2010/2011. As receitas dos clubes ingleses provenientes das transmissões televisivas são divididas em 3 partes: 50% distribuídos de igual forma entre os 20 clubes, 25% são pagos mediante o custo das instalações e os restantes 25% são pagamentos baseados na classificação obtida por cada clube na temporada anterior. No entanto, os maiores clubes acreditam que sozinhos conseguiriam ganhar mais dinheiro do que vendendo os seus direitos em conjunto, principalmente no que respeita às receitas obtidas no exterior. Houve um movimento iniciado pelo Liverpool no ano passado com o objectivo de terminar com a negociação em conjunto no final do actual contrato, em 2013.


Voltando ao caso português. Duvido que os grandes estejam dispostos a ceder, à cabeça, parte das suas receitas aos clubes mais pequenos para, de seguida e com maior força negocial, puxarem para cima o valor de um pacote global dos direitos televisivos. Pode até existir a possibilidade de um Equilíbrio de Nash, mas será necessário ter em conta a força e a defesa dos seus interesses que fará o monopolista da aquisição de direitos televisivos – a Olivedesportos (Sporttv). A esta cabe-lhe preservar a sua posição de domínio, dividindo os clubes e criando obstáculos ao aparecimento de concorrência, nomeadamente através de contratos individuais, longos e em diferentes momentos no tempo.

Em suma, e voltando ao estudo da Oliver & Ohlbaum Associates: apesar da posição monopolista exercida pela Olivedesportos, tendo em conta a instabilidade do mercado português e o ambiente de crise generalizada, creio que o valor global dos direitos televisivos estará muito mais próximo dos 83 do que dos 142 milhões de euros (os cenários de baixa e alta, respectivamente, do recente estudo defendido pela Liga).