Os sócios do FC Porto ficaram assim a saber que foi o medo de levar “um tiro no joelho” que ditou que o Judas fosse o primeiro jogador em todo o Mundo a invocar a “Lei Webster” para rescindir unilateralmente um contrato (isto, claro está, excluindo o próprio Webster). As pressões do empresário e o aliciamento de outros clubes nada tiveram a ver com o caso. A hipótese de que tenha sido de facto ameaçado poderá não ser de todo inverosímil. Partindo do princípio que o episódio relatado é verdadeiro, o jogador terá ficado sem condições para continuar no clube e na cidade. No entanto não é sequer razoável que a forma de resolver uma questão destas fosse a rescisão unilateral do contrato com o recurso a tal expediente. Haveriam de certeza soluções onde ambas as partes pudessem sair com mais benefícios financeiros.
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Judas explica-se...
O Judas resolveu explicar publicamente as razões que o levaram a rescindir contrato unilateralmente com o FC Porto em Maio do ano passado. Fê-lo numa entrevista dada à RTP, esse imparcial órgão de comunicação social pago por todos nós, onde ainda teve espaço para afirmar que já obteve a nacionalidade portuguesa e que está pronto para ser seleccionado para o próximo jogo sabendo já a letra do hino nacional. Pela atitude que tomou contra o seu anterior clube, que como se sabe em Portugal representa a raiz do Mal, Judas será de certeza recebido no Terreiro do Paço como um “bom português”.
Os sócios do FC Porto ficaram assim a saber que foi o medo de levar “um tiro no joelho” que ditou que o Judas fosse o primeiro jogador em todo o Mundo a invocar a “Lei Webster” para rescindir unilateralmente um contrato (isto, claro está, excluindo o próprio Webster). As pressões do empresário e o aliciamento de outros clubes nada tiveram a ver com o caso. A hipótese de que tenha sido de facto ameaçado poderá não ser de todo inverosímil. Partindo do princípio que o episódio relatado é verdadeiro, o jogador terá ficado sem condições para continuar no clube e na cidade. No entanto não é sequer razoável que a forma de resolver uma questão destas fosse a rescisão unilateral do contrato com o recurso a tal expediente. Haveriam de certeza soluções onde ambas as partes pudessem sair com mais benefícios financeiros.
Ironia do destino, o actual clube do Judas, o Atlético de Madrid vem jogar ao Dragão no próximo mês nos oitavos de final da Liga dos Campeões. Que jeito deu esta “entrevista” para tentar limpar a imagem do Judas antes de visitar o Dragão (a entrevista e o modo como foi conduzida foi mais um prego no caixão da RTP, depois queixem-se de “tratamento discriminatório”). Os sócios do FC Porto têm memória e o Judas, que se diz disponível para um dia voltar a Portugal (que mistério, para onde será?...) terá, acredito, uma recepção à altura da sua atitude quando jogar no Dragão.
Os sócios do FC Porto ficaram assim a saber que foi o medo de levar “um tiro no joelho” que ditou que o Judas fosse o primeiro jogador em todo o Mundo a invocar a “Lei Webster” para rescindir unilateralmente um contrato (isto, claro está, excluindo o próprio Webster). As pressões do empresário e o aliciamento de outros clubes nada tiveram a ver com o caso. A hipótese de que tenha sido de facto ameaçado poderá não ser de todo inverosímil. Partindo do princípio que o episódio relatado é verdadeiro, o jogador terá ficado sem condições para continuar no clube e na cidade. No entanto não é sequer razoável que a forma de resolver uma questão destas fosse a rescisão unilateral do contrato com o recurso a tal expediente. Haveriam de certeza soluções onde ambas as partes pudessem sair com mais benefícios financeiros.terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Livre conduto para denegrir o FC Porto
«Os Donos da Bola reflectem muito aquela curiosidade pacóvia que temos quando paramos a ouvir uma conversa de peixeiras ou quando se organiza uma enorme fila de carros que pára na estrada só para ver os mínimos estragos de um simples toque de dois veículos. (...)Misturam-se também, neste programa semanal, outras coisas bem menos felizes: relembro a entrevista da semana passada, de José Manuel Mestre ao secretário-geral da UEFA, Gerhard Aigner, em que se tentava conduzir a entrevista conduzindo o entrevistado com perguntas canhestras como "Sabe que o Sr. Pinto da Costa insultou dois árbitros no ano passado?". Aigner é raposa velha e, com um indisfarçável ar de enfado, foi-lhe respondendo educadamente. Fazia lembrar François Mitterrand, que no primeiro septanato na Presidência da França, chamou um dia a Giscard d'Estaing "le petit telegraphiste", porque este andava pela Europa a fazer queixinhas do Presidente do seu país.»
Manuel Queiroz, PÚBLICO de 01/12/1996
Alguém na RTP lembrou-se de enviar um jornalista a Madrid para fazer uma entrevista ao ex-jogador do FC Porto Paulo Assunção a qual, pela forma insidiosa como foi conduzida e pelas perguntas canhestras que foram feitas, me fez recordar a entrevista de há 12 anos atrás de José Manuel Mestre (jornalista da SIC) a Gerhard Aigner.
Não, o interesse do jornalista da RTP era outro. Queria que o jogador dissesse porque razão não tinha renovado pelo FC Porto.
Ora, conforme é público, o processo da renovação do médio-defensivo brasileiro arrastou-se durante toda a época 2007/08, com o jogador a recusar as sucessivas propostas que a FCP SAD lhe fez. De forma resumida, relembremos o que aconteceu nos últimos meses da época passada.
Em 2 de Fevereiro de 2008, após a vitória (4-0) sobre o U. Leiria, Paulo Assunção foi confrontado com os rumores que havia na comunicação social, sobre a possibilidade de abandonar o FC Porto mediante o pagamento de uma indemnização equivalente ao valor dos seus salários até ao final do contrato. O jogador afastou liminarmente esse cenário afirmando:
“Também vi isso nos jornais, que posso sair pagando os salários, mas o meu empresário está a falar com a direcção do FC Porto.
A minha vontade é ficar aqui, mas ainda não há acordo. Eles [FC Porto] estão a apresentar uma situação boa para eles, eu estou a apresentar uma situação que seria boa para mim.
Interesse de outros clubes? Só sei pelos jornais, tenho contrato até 2009 e quero ficar aqui.”
Em 23 de Fevereiro de 2008, após a vitória (3-0) sobre o Paços de Ferreira, Paulo Assunção voltou a negar a existência de contactos com outros clubes e afirmou:
“Como está a minha renovação? Confirmo que o meu empresário está a falar com o FC Porto e que o processo está em marcha. Estamos na fase das negociações”.
Perante as sucessivas recusas do jogador às propostas de renovação que a SAD portista lhe ia apresentando e aos rumores, cada vez mais fortes, de que o jogador ia rescindir o contrato recorrendo à lei Webster, em 13/03/2008 o seu empresário – Ilson Visconti – veio a público reconhecer que o médio brasileiro estava a ser aliciado para rescindir contrato com o FC Porto no final da época.
“É verdade que têm surgido muitos empresários a propor essa saída ao Paulo. Ele foi aliciado para rescindir com o clube no final da época, pedem-lhe para fazer isso, mas o jogador quer ficar”.
«Paulo Assunção tem contrato com o FC Porto até 2009 e os portistas pretendem prolongá-lo até 2012, intenção que tem encravado nas exigências do jogador, consideradas pouco razoáveis pela administração da SAD. Paulo Assunção é um dos elementos nucleares da equipa de Jesualdo Ferreira, mas não é internacional e já tem 28 anos de idade.»
Finalmente, e culminando aquilo que toda a gente já tinha percebido (o jogador não ia renovar porque tinha propostas de clubes estrangeiros que a FCP SAD não poderia cobrir), a 30/04/2008 a agência Lusa divulgou a seguinte notícia:
«Continuam as especulações da imprensa sobre o alegado assédio do Atlético de Madrid a jogadores portistas. Depois de Raúl Meireles e Lucho González, a imprensa desportiva fala em Paulo Assunção, atestando que os responsáveis do emblema madrileno perguntaram à SAD portista o preço do passe do jogador.
O processo de renovação de Assunção com o Porto prossegue sem acordo e diz-se que o brasileiro solicita um aumento desmesurado no salário para prolongar o actual vínculo que se prolonga até ao fim da próxima época.»
Há muito que se falava no Atlético de Madrid como estando por trás das sucessivas recusas do Paulo Assunção em renovar o contrato, mas esta noticia da Lusa, de finais de Abril, veio clarificar a situação.
Eu percebo muito bem que em vésperas de vir ao Estádio do Dragão, dê jeito ao jogador dizer que não renovou por causa do episodio das ameaças que lhe foram feitas à saída de um treino. Contudo, há um pequeno “pormenor” que desmente esta versão. Este incidente ocorreu em 15/05/2008, numa altura em que já era público que o jogador ia rescindir o contrato porque tinha quem lhe pagasse mais (até os nomes dos clubes interessados eram do domínio público).
Sendo isto mais que óbvio (há enumeras noticias da altura que o confirmam), porque razão a RTP enviou um jornalista a Madrid cujo único propósito pareceu ser reescrever a história, ignorando deliberadamente factos que tinha obrigação de conhecer?
Mas o que é que as declarações do médio brasileiro têm de novo para justificar manchetes?
Nada. A única coisa de novo é a contradição entre o que Paulo Assunção afirmou à RTP (“disseram-me que, se não renovasse até quarta-feira, levaria um tiro num joelho”) e o que tinha dito há um mês atrás, em entrevista a O JOGO (edição de 26/12/2008), em que disse que um grupo de adeptos que tinha assistido ao treino ameaçara partir-lhe uma perna.
De resto é uma notícia requentada, porque no próprio dia em que o incidente se verificou (há mais de oito meses!), a comunicação social deu conta do mesmo, tendo sido amplamente noticiado por televisões, rádios e jornais.
«Paulo Assunção, jogador do Futebol Clube do Porto, apresentou queixa na PSP, contra desconhecidos. O jogador contou à polícia que tinha sido ameaçado à saída do treino de terça-feira, por quatro indivíduos.
Os indivíduos aconselharam-no a assinar a renovação de contrato com o FC Porto nos próximos dois dias ou poderia sofrer consequências físicas.»
in SIC online, 15/05/2008 10:49
Por tudo isto volto a perguntar: o que pretende a RTP com este tipo de campanhas anti-FC Porto?Competir neste "campeonato" com a TVI, 'Correio da Manhã', Record e 'A Bola', para ver quem conquista a maior fatia de simpatia entre os milhões de frustrados que odeiam os actuais Tri-campeões nacionais?
Relativamente ao jornalista Hélder Conduto, após ter trocado (em Maio de 2006) a TSF e a SIC pelo grupo RTP, tendo assumido a função de coordenador de desporto da estação pública, este benfiquista natural de Aljustrel mostra que tem ambição e que sabe qual é o caminho mais curto para chegar ao topo.
Parabéns Hélder, mais uma ou duas entrevistas destas e és promovido. Aliás, até já tenho uma sugestão para os anúncios da tua próxima entrevista:
«Exclusivo RTP. Saiba o verdadeiro motivo de Adriaanse se ter pirado do Porto».
Já imaginaram as manchetes bombásticas que uma entrevista com o holandês podia dar?
Até já estou com água na boca... É desta que vamos entalar o Pinto da Costa!
P.S. Algumas das perguntas que o jornalista da RTP se “esqueceu” de fazer ao Paulo Assunção:
- Em Junho de 2004 tinha um compromisso verbal com o Sporting mas acabou por assinar pelo FC Porto. Quanto é que o FC Porto lhe ofereceu a mais do que o Sporting?
- Quando assinou contrato com o FC Porto fê-lo até Junho de 2009. Assinou o contrato com o FC Porto coagido ou ameaçado por alguém?
- Alguma vez o FC Porto desrespeitou compromissos que tinha consigo, nomeadamente ao nível de salários ou prémios?
- Apesar de não ter chegado a um entendimento para a renovação do contrato com o FC Porto, alguma vez foi colocado de parte ou deixou de ser convocado por causa dessa situação?
- Acha bem que recorrendo à lei Webster os jogadores possam desrespeitar contratos que assinaram livremente, enquanto que os clubes são obrigados a cumprir os contratos até ao último dia?
- Foi apenas em 2007 que soube do interesse do Atlético de Madrid na sua contratação, ou antes disso já tinha havido contactos com o seu empresário?
- É coincidência que o Paulo Assunção tenha sido contratado pelo clube de que mais se falou durante os longos meses em que andou a negociar a renovação com o FC Porto?
- O Atlético de Madrid pagou ao Paulo Assunção, ou o seu empresário, algum prémio por assinatura do contrato?
- A proposta do Atlético de Madrid era superior à do FC Porto? Qual era a diferença anual (em centenas de milhares de euros)?
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domingo, 13 de julho de 2008
Assunção e o Atlético de Madrid
Paulo Assunção rescindiu há poucas semanas unilateralmente e sem justa causa o contrato de trabalho que o ligava ao FC Porto. Fê-lo nos termos do Artigo 17º das «Regulations on the status and transfer of player», aprovadas pelo Comité Executivo da FIFA.
Esse artigo resulta de uma decisão do Tribunal Arbitral do Desporto, sobre um jogador escocês que se transferiu do Hearts para o Wigan Athletic, que dá pelo nome de Andy Webster. Este caso específico ficou concluído em Lausanne e decidiu-se que o jogador tinha de pagar ao Heart of Midlothian 150 mil libras esterlinas, valor que correspondia ao somatório dos ordenados que ainda tinha a haver do clube até ao final do contrato.
A FIFA estabeleceu que um jogador está autorizado a rescindir unilateralmente o contrato com o seu clube, mesmo que ainda tenha mais um, dois e em alguns casos até três anos de contrato. O “caso Webster” começou como uma contenda entre a FIFA e a União Europeia, tentando esta fazer convergir os direitos dos futebolistas com os dos demais trabalhadores europeus. Segundo o Artigo 17, qualquer jogador que tenha entre 23 e 28 anos de idade tem o direito de sair do clube desde que já tenha cumprido três anos ao seu serviço de um contrato de quatro ou de cinco anos, desde que indemnize o clube com o valor dos seus ordenados até ao final do contrato existente. A situação mais controversa resulta do facto de que qualquer jogador com 28 anos ou mais velho pode também rescindir unilateralmente desde que tenha cumprido apenas dois anos do seu actual contrato.
O Artigo 17 vai dificultar, na prática, que se continuem a pagar elevados montantes pela transferência de jogadores e vai fazer os clubes pensarem duas vezes antes de rubricarem contratos de longa duração com os jogadores. De realçar a importância do lobby junto da FIFA feito pelo sindicato global de jogadores, o Fifpro e do Scottish Professional Footballers’ Association, ambos liderados por ex-jogadores de futebol.
Aquando desta decisão falou-se muito na imprensa britânica de grandes jogadores que poderiam recorrer a este artigo para se transferirem para outros clubes, como Frank Lampard, Cristiano Ronaldo e Michael Owen. Curiosamente foi um jogador bastante mais modesto como P. Assunção o primeiro a socorrer-se deste artigo para se mudar para outro clube. A questão que se coloca, agora, em concreto é que, dado Paulo Assunção e Atlético de Madrid serem os primeiros jogador e clube respectivamente, depois do próprio Andy Webster, a usarem desta artimanha para mudança de clube, está agora aberta a caixa.
O FC Porto, como um dos clubes fundadores, pode e deve alertar todos os outros clubes pertencentes ao ECA (European Club Association) para esta actuação do clube espanhol e sugerir que os demais clubes europeus ajam do mesmo modo relativamente aos colchoneros. Porque não? Assim os espanhóis poderiam provar do seu próprio veneno. E o Atlético de Madrid nem sequer pertence à ECA.
Além disso o FC Porto pode processar o jogador e o clube espanhol por eventuais danos causados por um trabalhador que rasgou um contrato de trabalho que tinha assinado de livre e espontânea vontade. Veja-se o exemplo do Chief Executive do Celtic, Peter Lawwell, que já ameaçou processar qualquer jogador que rasgue o seu contrato de trabalho, com ou sem recurso ao Artigo 17. Na sua ideia se a entidade empregadora despedir sem justa causa um trabalhador também terá de o indemnizar e essa indemnização será calculada com base nos danos causados.
Esse artigo resulta de uma decisão do Tribunal Arbitral do Desporto, sobre um jogador escocês que se transferiu do Hearts para o Wigan Athletic, que dá pelo nome de Andy Webster. Este caso específico ficou concluído em Lausanne e decidiu-se que o jogador tinha de pagar ao Heart of Midlothian 150 mil libras esterlinas, valor que correspondia ao somatório dos ordenados que ainda tinha a haver do clube até ao final do contrato.
A FIFA estabeleceu que um jogador está autorizado a rescindir unilateralmente o contrato com o seu clube, mesmo que ainda tenha mais um, dois e em alguns casos até três anos de contrato. O “caso Webster” começou como uma contenda entre a FIFA e a União Europeia, tentando esta fazer convergir os direitos dos futebolistas com os dos demais trabalhadores europeus. Segundo o Artigo 17, qualquer jogador que tenha entre 23 e 28 anos de idade tem o direito de sair do clube desde que já tenha cumprido três anos ao seu serviço de um contrato de quatro ou de cinco anos, desde que indemnize o clube com o valor dos seus ordenados até ao final do contrato existente. A situação mais controversa resulta do facto de que qualquer jogador com 28 anos ou mais velho pode também rescindir unilateralmente desde que tenha cumprido apenas dois anos do seu actual contrato.O Artigo 17 vai dificultar, na prática, que se continuem a pagar elevados montantes pela transferência de jogadores e vai fazer os clubes pensarem duas vezes antes de rubricarem contratos de longa duração com os jogadores. De realçar a importância do lobby junto da FIFA feito pelo sindicato global de jogadores, o Fifpro e do Scottish Professional Footballers’ Association, ambos liderados por ex-jogadores de futebol.
Aquando desta decisão falou-se muito na imprensa britânica de grandes jogadores que poderiam recorrer a este artigo para se transferirem para outros clubes, como Frank Lampard, Cristiano Ronaldo e Michael Owen. Curiosamente foi um jogador bastante mais modesto como P. Assunção o primeiro a socorrer-se deste artigo para se mudar para outro clube. A questão que se coloca, agora, em concreto é que, dado Paulo Assunção e Atlético de Madrid serem os primeiros jogador e clube respectivamente, depois do próprio Andy Webster, a usarem desta artimanha para mudança de clube, está agora aberta a caixa.
Além disso o FC Porto pode processar o jogador e o clube espanhol por eventuais danos causados por um trabalhador que rasgou um contrato de trabalho que tinha assinado de livre e espontânea vontade. Veja-se o exemplo do Chief Executive do Celtic, Peter Lawwell, que já ameaçou processar qualquer jogador que rasgue o seu contrato de trabalho, com ou sem recurso ao Artigo 17. Na sua ideia se a entidade empregadora despedir sem justa causa um trabalhador também terá de o indemnizar e essa indemnização será calculada com base nos danos causados.Sabe-se pela imprensa que o FC Porto recusou qualquer tentativa de negociação com o Atlético de Madrid para que os espanhóis nos pudessem, de certa forma, “compensar” pela saída do brasileiro. Concordo inteiramente com esta posição e entendo que o FC Porto deve levar este caso até às últimas consequências para responsabilizar tanto o P. Assunção como o Atlético de Madrid pela actuação que revela uma enorme falta de carácter e de profissionalismo.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Goodbye and good riddance
A rescisão de contrato unilateral de Paulo Assunção foi como um murro no estômago de muitos portistas. Sem ter sido propriamente uma surpresa (a negociação da renovação de contrato, que não se concretizou, foi uma telenovela em câmara lenta), não deixa de ser um balde de água fria, até porque é a primeira vez que o "Webster ruling" é utilizado contra um dos grandes clubes europeus (o único clube que até agora tinha sido vítima disto foi o modestíssimo Hearths of Mithlodian).Esta saída deixa-me três dúvidas no ar e três certezas.
É óbvio que a razão para a rescisão terá sido a falta de acordo financeiro na renovação do contrato. Pergunto-me quais terão sido as exigências de P. Assunção e se estas teriam sido assim tão incomportáveis para a SAD, ou se não terá havido pelo contrário uma certa teimosia exagerada e/ou bluff e/ou até mesmo um menorizar da importância do jogador na equipa.
Penso que se P. Assunção não pediu (muito) mais do que o jogador mais bem pago ganha neste momento (Quaresma?), a sua vontade devia ter sido satisfeita no limite. Isto porque desportivamente é um jogador difícil de substituir, e financeiramente irá ficar-nos certamente mais caro o passe de um substituto do que 100mil euros/mês que seja de aumento salarial (o que seria equivalente a não mais de 2 ou 3 milhões ao fim de 2 ou 3 anos).
E de um ponto de vista de "justiça", bem... isso não existe no que diz respeito a salários no mundo do futebol. Quaresma ganha certamente muito mais do que um Pedro Emanuel, e é questionável se essa diferença é justa. Idem para C. Ronaldo vs. alguns colegas de equipa. Ganham mais porque negocialmente têm mais margem de manobra, tão simples como isto.
Outra dúvida coloca-se no que diz respeito a eventuais ofertas ao FCP pela aquisição do passe de P. Assunção. Se a renegociação de contrato estava muito mal parada, é questionável se não se terá perdido uma boa oportunidade de ao menos encaixar alguns milhões com a sua venda (contra umas centenas de milhar de euros de indemnização).
Outra dúvida coloca-se no que diz respeito a eventuais ofertas ao FCP pela aquisição do passe de P. Assunção. Se a renegociação de contrato estava muito mal parada, é questionável se não se terá perdido uma boa oportunidade de ao menos encaixar alguns milhões com a sua venda (contra umas centenas de milhar de euros de indemnização).
A terceira dúvida prende-se com o preenchimento desta vaga no plantel e da conquista da titularidade: Bolatti parece estar ainda algo verde, e para além dele temos Castro (certamente muito verde) e Fernando (também certamente verde). Parece-me que vamos acabar por ir ao mercado...
Quanto às certezas, a primeira é que a vida continua e não será por causa disto que não seremos os principais candidatos ao título na próxima época. Os jogadores passam, e as vitórias nos campeonatos continuam...A segunda é que abriram as hostilidades na Europa no que diz respeito ao Webster ruling. Até agora nunca tivemos um clube com "nome" na Europa envolvido num caso destes; presumo que haja um acordo "tácito" entre os grandes clubes (digamos ex-G14) para não usar esta arma atómica. Vamos a ver quem é o clube por detrás disto, mas esse clube merece que cortemos relações com eles e será, se não ostracizado, certamente olhado de soslaio no panorama europeu. Será mesmo um alvo legítimo para a mesma arma da parte de clubes ainda mais ricos, já que perdeu autoridade moral.
A terceira é que, mesmo que a atitude de P. Assunção seja compreensível no caso de ter ofertas milionárias de outras paragens, não é certamente desculpável. Não gosto de quem rasga contratos que assinou de livre vontade - não é minimamente ético (para mais quando o "Webster ruling" não tem sido sequer usado por outros jogadores). Sendo assim, goodbye and good riddance.
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