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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017
Vitória moral que não nos serve de nada
O FCP merecia ter ganho em Alvalade e hoje no Dragão. Não o fez e, com todas as ajudas arbitrais e do VAR das passadas jornadas, eis que, subitamente, voltamos ao ponto zero e o campeonato, até aqui dominado pelo nosso clube, está agora relançado e com prognóstico difícil para as nossas cores.
Marega escolheu a pior altura para mostrar as insuficiências técnicas e o slb lá saiu, uma vez mais, sorridente do nosso estádio. Há um ano, foram dominados em praticamente toda a partida. Hoje, em parte e meia. Que outro clube, que não o slb, para sair deste sufoco, em duas épocas consecutivas, com dois empates? É um mistério que a ciência, um dia, terá que responder.
Não é que o nosso adversário tenha começado mal o jogo. Entrou até melhor e, durante mais de 20 minutos, dominou a partida. Porém, o FCP foi subindo de rendimento com o passar dos minutos, quando o meio-campo, finalmente, conseguiu construir jogo. Antes disso, vivemos apenas e só dos lançamentos longos paras as corridas de Marega pela direita.
Com a entrada de Otávio, o desequilíbrio atingiu o seu auge. Pelo meio, árbitro e juíz de linha não viram um jogador do slb, junto à linha lateral, a colocar toda a gente em jogo e, assim, anularam - mal - um lance que terminou com a bola no fundo das redes benfiquistas. Já na primeira-parte tinha existido um toque, junto à linha de fundo sobre Marega, que deixou muitas dúvidas.
Com o passar do tempo, o domínio era de tal ordem que parecia que o FCP iria mesmo acabar por marcar. Especialmente quando o slb ficou reduzido a 10 elementos, a partir do minuto 82.
Marega, jogando agora como verdadeiro ponta-de-lança após troca de Aboubakar por Soares, assim não o quis.
Nota ainda para uma monstruosa defesa de José Sá, já perto do final da partida, que, a entrar, seria o cúmulo dos cúmulos do azar para o FCP
E vão duas grandes defesas, do nosso jovem guarda-redes, em duas partidas consecutivas. Conseguiria Casillas evitar tais golos?
domingo, 26 de novembro de 2017
aVARiados
Aguardemos, com grande expectativa, a divulgação das comunicações entre o árbitro desta partida e o respectivo VAR. Que lhe terá este garantido? "Sim, o defesa chuta na perna do Danilo, mas acho que não é penalty claro"? Ou terá antes, o homem sentado em frente ao ecrã, afirmado que não viu toque algum? Seguramente, terá sido algo de surrealista do género.
Por muito menos se marcaram penalties a favor do slb e, principalmente, do scp na presente época.
Mas falemos, então, do jogo.
Surpresa da grande no "11" inicial: o regresso de Soares após longa ausência. Estaria na assistência para o bom golo de Ricardo Pereira mas, claramente, ainda não está a 100% fisicamente. E, possivelmente, não terá ainda o ritmo ideal nos tempos mais próximos.
O resultado final (fora a decisiva questão arbitral) é justo. O Aves teve 4 oportunidades claras para marcar e o FCP, além do tal golo, só conseguiu mais uma, em todos os 90 minutos: Aboubakar desmarcou-se bem, a passe de Danilo, mas rematou por cima. O camaronês poderia ter feito mais e melhor. Golos mais difíceis já ele marcou na presente temporada.
Porém, foi efectivamente o Aves quem mais produziu. Uma bola na nossa trave e uma super-defesa de Sá, numa brilhante "mancha" ao atacante adversário, explicam bem que nos deveríamos dar por satisfeitos com a vantagem ao intervalo.
Contudo, após o reatamento, Corona, uma vez mais apagado em termos atacantes, decidiu pender a balança definitivamente para o lado do Aves.
Ele que já na primeira parte tinha feito faltas em número excessivo e teve ainda uma mão-na-bola que lhe poderia ter custado mais um amarelo.
Mas não há sorte que sempre dure e o nosso adversário, sempre muito perigoso, acabou mesmo por marcar, após bom cruzamento do lado direito da nossa defesa (Ricardo+Maxi mais não é do que jogar com dois defesas-direitos e nem sequer com grandes resultados) e grande falha de Felipe ao deixar Vítor Gomes à vontade para cabecear para o fundo das redes.
Conceição terá considerado que um empate, nestas circunstâncias, era melhor do que nada e foi retirando de campo todo o trio da frente, um-a-um. Certo que ainda tentou o "joker" Marega, também ele de regresso, mas isso foi pouco se a ideia era tentar vencer esta partida. E depois, já sabe, se não é Brahimi a resolver, muito poucos ou nenhuns o farão. E o argelino terá realizado a exibição menos conseguida da temporada.
Pelo meio, houve ainda a rábula das inúmeras escorregadelas dos nossos jogadores. Estranho que o FCP não tenha encontrado solução para este problema.
Quase no fim, foi então o momento em que o VAR terá "avariado". Literalmente ou em sentido figurado. Não foi a primeira vez, nem será seguramente a última. Nesta época e nas seguintes. Prejudicados? Os mesmos do costume: nós.
Vira o disco e toca o mesmo, ainda que exista agora um tipo pago para ver as imagens da TV.
sábado, 4 de novembro de 2017
E agora venha o merecido descanso
Este era o típico jogo para, em épocas anteriores, irmos até ao minuto 90+ para tentar vencer a partida.
Sinal positivo dos novos tempos, agora esperamos até ao último minuto...mas para marcarmos o segundo golo.
Foi, portanto, um daqueles jogos em que a bola parece não querer entrar por mais domínio que se tenha ou oportunidades que se criem.
Mas em 2017/18 a música é outra e Herrera marcou na melhor altura para evitar um crescendo de nervosismo: já bem perto do final da primeira parte.
Segundo golo do mexicano em outras tantas partidas e com semelhanças entre ambos. Podia até ser o terceiro em outros tantos jogos, não tivesse Herrera desperdiçado uma oportunidade clara no Bessa.
Inovou Sérgio Conceição para esta partida: Reyes por Danilo (castigado) era por alguns esperada, já Hernâni por Corona foi uma surpresa para quase todos. O português começou bem e criou até, por alguns instantes, a ilusão de ser opção para o futuro, dada a inconstância exibicional do mexicano. Porém, Hernâni foi-se apagando ao longo da partida e verdadeiramente não criou perigo por aí além. Acabou até por ser substituído pelo seu adversário directo pelo lugar. E Corona acabou até por estar melhor, apesar de ter menos minutos para o demonstrar.
Já Reyes pouco acrescentou. Bem sabemos que aquele não é o seu lugar natural mas talvez se esperasse uma outra disponibilidade para quem poucas mais partidas terá para o fazer.
A.André voltou a fazer de Marega e muito provavelmente continuará a fazê-lo nos próximos tempos mas, obviamente, é algo de completamente diferente. Teve várias oportunidades para matar a partida e optou quase sempre mal.
Os segundos 45 minutos foram penosos para a nossa equipa em termos físicos. Conceição bem que avisou que precisávamos de mais 24 horas de descanso.
Sérgio Oliveira teve, também ele, uma nova oportunidade e, mal entrou, falhou um golo cantado por duas vezes. Em boa verdade, porém, este guarda-redes do Belenenses defendeu quase tudo. Só não pode fazer mais no golo de abertura e, depois, no golão de Aboubakar em cima do minuto final: correria desenfreada de Herrera e finalização sublime do camaronês. Ele que foi até acusado de ser meio-tosco aquando da sua primeira passagem pelo FCP.
A paragem para as selecções chega, pois, na melhor altura. Estávamos a ficar nas lonas, em termos físicos, depois de tanta partida de elevada exigência.
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domingo, 25 de outubro de 2015
Pela enésima vez...
...o FCP falha quando não o podia, de todo, fazer.
Agora, uma eventual derrota em Alvalade significará uma história quase a papel químico da época passada: um atraso considerável, que muito nos custará a reverter.
Surpreendeu Lopetegui no "11" inicial: Rúben Neves estranhamente de fora (mas afinal de contas, é já jogador com físico para uma época inteira ou ainda não?) e um Imbula de pedra e cal, vá se lá saber bem porquê.
Corona que, em boa verdade, tirando os golos, pouco tem feito em termos de jogo-jogado, foi também ele para o banco e lá voltamos, assim, a termos direito à habitual inconsequência de Tello.
Para aumentar os nossos problemas, Brahimi insiste em confirmar que as suas exibições da segunda metade da época transacta são mesmo aquelas a que, infelizmente, nos temos de habituar.
Ah, e ainda há Cissokho. E mais valia que não houvesse...
Para além do mais, e após ter andado enganado, meses e meses, com Fabiano e Herrera, Lopetegui poderá muito bem ter-nos agora enganado acerca de Bueno: que faz um jogador destes, de garra e remate fácil, no banco de suplentes, durante meses a fio?
Até parece que não precisamos de golos.
Mas chega de falar em assuntos secundários. O verdadeiro mal, já todos nós sabemos qual é: qualquer semelhança com aquela nossa raça, querer e entrega dos anos 80 e 90 é, hoje em dia, pura coincidência.
Hoje, a braçadeira de capitão, a mesma que tanto peso simbólico transportou durante épocas e épocas no nosso clube, como que "caiu dos céus" no braço de Martins Indi, que até é bom rapaz e não tem culpa nenhuma de apenas estar cá há pouco mais de um ano.
O problema está aqui: até se pode juntar, todos os anos, meia-dúzia de atletas, com algum valor, que vêm substituir outra meia-dúzia que partiu, mas quando já não existe aquele "extra" que era o que nos verdadeiramente distinguia dos demais, a coisa acabará por dar para o torto, mais tarde ou mais cedo.
O "até os comemos" está praticamente terminado.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Uma equipa de anjinhos...
... a começar no treinador. Julen Lopetegui voltou a mexer no 'onze'. Colocou Marcano no lugar do castigado Maicon, e jogou com Casemiro, Herrera e Rúben Neves no meio campo com a ajuda do "falso" extremo Brahimi. Na frente jogaram os desinspirados Jackson e Quaresma.
A rotação a que Lopetegui tem sujeitado a equipa não funciona. É um facto. Nesta altura seria preferível tentar estabilizar um 'onze' tipo e daqui por uns meses ir introduzindo um a um os novos elementos. Espera-se que o treinador entenda isto e que coloque os melhores em campo no próximo jogo para o campeonato. Convém, também, que lhe expliquem as idiossincrasias do futebol português: os adversários e os árbitros, principalmente. A mensagem que passou à própria equipa e ao adversário no último jogo no Dragão foram completamente erradas. Se o primeiro objectivo é o campeonato então é nesta competição que não devem haver poupanças de jogadores, seja qual for o adversário.
Quanto ao jogo, a equipa entrou muito insegura e reagiu mal a uma entrada pressionante do Sporting. Logo no segundo minuto da partida Rúben Neves falha um passe a meio campo e os de Alvalade agradeceram. Nani foi por ali fora, a bola sobrou na direita para Carrillo que fez o centro para Johnatan de cabeça fazer o golo. O jogo a começar e já estávamos a perder...
Depois de vários jogos em que Rúben Neves demonstrou que ainda não tem nervo para ser titular da equipa do FC Porto, Lopetegui resolveu mais uma vez dar-lhe a titularidade. A exibição do jovem jogador foi sofrível e acabou por ser substituído ao intervalo por Óliver. Em suma: uma substituição queimada.
Por outro lado também não se entende como o desinspirado Quaresma é colocado a titular num jogo destes. Tem pouca mobilidade, não consegue criar desequilíbrios e de vez em quando perde a cabeça como no lance em que dá uma sarrafada no Nani e leva um cartão amarelo. Ao intervalo foi substituído por Tello, possivelmente para não ser expulso na 2ª parte. Outra substituição queimada.
As duas substituições e o intervalo tiveram um efeito positivo no FC Porto. A equipa entrou a trocar melhor a bola - ainda que muito longe da baliza adversária - e criou desequilíbrios no meio campo, sendo que para isso Óliver deu um grande contributo.
Tivemos três lances de golo iminente na 2ª parte: Jackson isola-se e face a Patrício atira à figura; depois aos 82' Herrera remata em arco para grande defesa de Patrício e já no final do jogo, Tello faz uma boa jogada na direita e, com Brahimi e Jackson sozinhos, resolve atirar ao lado. Inacreditável! O Sporting por seu lado atirou uma bola à barra, por Capel, e ganhou um número infindável de livres e pontapés de canto. E outros tantos mergulhos do temível avançado Slimani para a piscina.
Benquerença, em Alvalade, foi mais uma vez habilidoso e "geriu" muito bem as incidências da partida. Na primeira parte ficou por mostrar cartão vermelho a Slimani, que agrediu Indi, e foram perdoados cartões amarelos a Adrien e a William. Além disso contei pelo menos 5 faltas contra o Sporting que Olegário "mandou seguir". Na segunda parte, aos 88', há um toque de calcanhar de Jackson, a passe de Óliver, com a bola a ser cortada com a mão por Maurício dentro da área sportinguista. Penalty que ficou por marcar. Mais um, em Alvalade. Um dia ainda havemos de ter um penalty em Alvalade...
O controlo da arbitragem está, desde há um par de anos, em Lisboa. É sabido no meio futebolístico. Neste campeonato o FC Porto foi prejudicado em todos os jogos. A administração da SAD continuará a assobiar para o lado? Até quando?
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Uma vitória para não esquecer
O Porto de/e Lopetegui teve/tiveram hoje o verdadeiro contacto com a pequenez do nosso futebol. As duas jornadas anteriores já tinham servido de aperitivo, mas o pseudo-futebol do Moreirense foi uma pratada bem servida. Podem não o admitir, mas nenhum treinador de Moreirenses e quejandos, quando olha para o calendário e vê confrontos com o Porto e demais concorrentes ao título, pensa noutra coisa senão numa derrota; não o admitem por palavras, mas confessam-no no relvado, com os 10 jogadores encostados à área, interessados em apenas queimar tempo. Alguns dos resultados mais inesperados envolvendo os clubes grandes, são precisamente aqueles em que David não se deixa atemorizar por Golias - o SLB x Estoril de há dois anos é um exemplo flagrante; se o jogo já está perdido à partida, porque não "jogá-lo pelo jogo", respeitar quem pagou bilhete, demonstrar carácter e personalidade, e quem sabe até amealhar 3 pontos? Pode-se perder lutando, mas nunca se ganhará se só se defende. Bardamerda para o Miguel Leal e para quem segue a mesma escola.
Quanto ao Porto, Lopetegui não deu a primeira parte como perdida, mas viu-a antes como um passo necessário, quase um pré-requisito, para atingir o momento do jogo em que finalmente a resistência do adversário foi vencida. Espero que do mesmo modo, veja todo o jogo como uma lição importante para no futuro saber lidar com estes patetas, que poderiam ter carreiras frutuosas noutros métiers, mas que por qualquer razão se dedicaram ao Futebol - jogue-se com 3 defesas ou 4 avançados, seja lá de que maneira for mas que não sejam necessários mais de 45 minutos para destroçar estes tristes. De resto, findos estes 5 primeiros jogos, o Porto apresenta números sólidos - não me iludo com os zero golos sofridos, quando defrontamos equipas que nem sequer intenções têm de atacar - uma promissora empatia entre Brahimi e Jackson e estamos sem dúvida muito melhor que há um ano atrás. Não podemos é dormir na forma e perder pontos em jogos que só nós estamos interessados em vencer; é assim que se hipotecam campeonatos.
Quanto ao Porto, Lopetegui não deu a primeira parte como perdida, mas viu-a antes como um passo necessário, quase um pré-requisito, para atingir o momento do jogo em que finalmente a resistência do adversário foi vencida. Espero que do mesmo modo, veja todo o jogo como uma lição importante para no futuro saber lidar com estes patetas, que poderiam ter carreiras frutuosas noutros métiers, mas que por qualquer razão se dedicaram ao Futebol - jogue-se com 3 defesas ou 4 avançados, seja lá de que maneira for mas que não sejam necessários mais de 45 minutos para destroçar estes tristes. De resto, findos estes 5 primeiros jogos, o Porto apresenta números sólidos - não me iludo com os zero golos sofridos, quando defrontamos equipas que nem sequer intenções têm de atacar - uma promissora empatia entre Brahimi e Jackson e estamos sem dúvida muito melhor que há um ano atrás. Não podemos é dormir na forma e perder pontos em jogos que só nós estamos interessados em vencer; é assim que se hipotecam campeonatos.
domingo, 18 de maio de 2014
FC Porto, o verdadeiro primeiro vencedor da Taça de Portugal
"Num país onde o futebol era já um fenómeno de popularidade mas onde não havia infra-estruturas, profissionalismo e capacidade de organização, era complicado dar forma a um torneio destas caracteristicas que emulasse a FA Cup ou a Copa del Rey. Talvez por isso a primeira edição tivesse sido apenas disputada pelos clubes campeões dos distritos de Lisboa e Porto, Sporting e FC Porto. Era a grande rivalidade desportiva da década de vinte, a das duas equipas que dominavam com maior autoridade a sua competição distrital. Disputado a duas mãos, o torneio terminou com uma vitória para cada lado que levou à realização de um terceiro jogo, em campo neutral, no estádio do Bessa. Os leões protestaram que o jogo decisivo fosse disputado na cidade do Porto e os azuis-e-brancos acabaram por sair vencedores por 3-1 já no prolongamento. O clube da Cidade Invicta tornava-se então, ao contrário da fórmula que credita a Académica, no primeiro vencedor do Campeonato/Taça de Portugal."
Futebol Magazine
Os adeptos do Futebol Clube do Porto estão habituados a ganhar.
Vamos a finais, ganhamo-las. Nos últimos 30 anos somos a potência hegemónica - HEGEMÓNICA - do futebol português. De cinco em cinco anos perdemos um título, uma média irrepetível e que nem o Benfica foi capaz de reproduzir nos seus mais famosos anos. O que Pinto da Costa conseguiu é algo que nenhuma história falseada será capaz de obviar. O FC Porto idealizado por José Maria Pedroto, organizado por Pinto da Costa e executado por gente do nível de Artur Jorge, Bobby Robson, José Mourinho e André Villas-Boas deu aos adeptos um novo ADN. Estamos nas derrotas, estamos nas vitórias. E estamos mais habituados ás segundas do que ás primeiras. E talvez por isso deixemos passar detalhes a que outros clubes dão mais importância. Quem tem tempo livre pode fazê-lo. Mas nem sempre foi assim. O FC Porto já foi o maior clube português antes desta interminável saga de glória. Era um espinho cravado no costado do centralismo absoluto do futebol orquestrado desde Lisboa. Antes do primeiro grande deserto de títulos - entre 1940 e 1956 - o clube azul-e-branco era uma formação formídavel e dificilima de bater. Era também uma equipa de registos históricos. Entre os anos 20 e 40 o FC Porto ganhou a primeira edição de todos os torneios criados em Portugal. Mais tarde vencia a primeira Supertaça. Mas um truque idealizado desde o centralismo lisboeta e perpetuado pela imprensa e pela falta de acção das autoridades nortenhas ajudaram a perpetuar uma das maiores mentiras do nosso futebol. A de que o FC Porto é o primeiro vencedor do que hoje é a Taça de Portugal.
A questão é simples e fácil de entender.
Entre 1922 e 1938 realizou-se o Campeonato de Portugal. Era um torneio inspirado na Copa del Rey espanhola, uma primeira ronda preliminar nos distritais - a organização básica do futebol português á época - e depois uma série de rondas a eliminar que culminavam numa final em território neutro. Era a "Taça". Só anos mais tarde, depois do sucesso da campanha da selecção portuguesa nos Jogos Olímpicos de Amesterdão se deu a vontade de criar uma liga regular que seria restrita a equipas de quatro distritos (Braga, Lisboa, Coimbra e Porto e mais tarde aberta a Setúbal, Évora, Algarve e Aveiro) no que se baptizou como Campeonato da Liga. Essa competição durou quatro épocas, entre 1934 e 1938. O FC Porto, inevitavelmente, venceu a primeira edição. Em 1938 o governo salazarista decidiu mudar o organigrama desportivo do país e decidiu dar uma lavagem de imagem com dois novos nomes para as respectivas provas. O Campeonato de Liga passou a Campeonato Nacional de 1º Divisão e o Campeonato de Portugal a Taça de Portugal. O formato permanecia o mesmo.
No caso do Campeonato Nacional, ampliaram-se os clubes mas manteve-se a politica de quotas que se manteve mais uma década até que se aboliu o apuramento via Distritais e se abriu caminho a que os clubes subissem e descessem de divisão. Na Taça de Portugal os Distritais deixaram de servir como ronda preliminar e as eliminatórias entre equipas começaram desde o principio, mas sem a participação na primeira ronda dos clubes da 1º Divisão. Com o passar dos anos, parte da imprensa desportiva começou a tratar o Campeonato da Liga como parte própria do historial da 1º Divisão. Era uma decisão que alegrava, sobretudo, os benfiquistas que assim juntavam mais 3 títulos ao seu historial. O jornal A Bola era o principal apologista desta inclusão que favorecia o "seu" clube. O Record, por outro lado, não o reconhecia. A finais dos anos oitenta e principio dos noventa a pressão nas instituição da Federação Portuguesa de Futebol e o circo mediático montado à volta do clube vermelho de Lisboa levou a FPF a dar como válidos esses três títulos (o do FC Porto também) no palmarés oficial. Por isso os benfiquistas celebram hoje o 33º titulo que podia, perfeitamente, ser o 30º.
Ora, se essa vara de medir foi aplicada ao Campeonato da Liga-Primeira Divisão, porque não o foi aplicada com o Campeonato-Taça?
Talvez o principal motiva seja o facto de que neste Campeonato de Portugal o Benfica foi superado em títulos pelo Sporting e pelo FC Porto. Os Dragões, como mandava a tradição não escrita, tinham ganho a primeira edição do Campeonato de Portugal contra os leões. Ganharam mais três edições contra quatro dos leões. Quando a Taça de Portugal começou, a Académica foi proclamada campeã depois de um jogo épico contra o próprio Benfica, clube que nem sequer fazia parte da equação nas primeiras edições do Campeonato de Portugal. A imprensa da época, ciente do facto, calou-se e não exigiu o mesmo trato aos vencedores do Campeonato de Portugal. O Sporting, que por então em títulos nacionais seguia com uma vantagem considerável sobre o FC Porto, também preferiu não fazer ruido. E o provincianismo a que o FC Porto tinha sido empurrado pelo país impedia o clube de exigir um tratamento condigno a esses anos míticos da sua história. Quando Pinto da Costa chegou ao poder, fê-lo com novos titulos, novas celebrações e uma nova cultura de vitória e também ficou esquecido esse "roubo" histórico. O FC Porto, no fundo, não é só o primeiro clube a vencer o Campeonato 1º Divisão e a Supertaça. É também o primeiro clube a vencer a Taça de Portugal, via Campeonato de Portugal. Ou seja, o primeiro clube em todas as competições do país. Uma espinha demasiado gorda para engolir, seguramente.
O resto do futebol português pode preferir esquecer. Muitos adeptos portistas, focados no presente e preparados para o futuro também. Compreendo-os. Mas para mim, para a grandeza de um clube que já foi a maior força nacional noutros tempos distantes, o FC Porto será sempre o primeiro campeão da Taça, contem o que quiserem contar. E nunca está demais relembrar antes que alguém se esqueça que essas tardes de glória aconteceram e foram pintadas de azul e branco!
Futebol Magazine
Os adeptos do Futebol Clube do Porto estão habituados a ganhar.
Vamos a finais, ganhamo-las. Nos últimos 30 anos somos a potência hegemónica - HEGEMÓNICA - do futebol português. De cinco em cinco anos perdemos um título, uma média irrepetível e que nem o Benfica foi capaz de reproduzir nos seus mais famosos anos. O que Pinto da Costa conseguiu é algo que nenhuma história falseada será capaz de obviar. O FC Porto idealizado por José Maria Pedroto, organizado por Pinto da Costa e executado por gente do nível de Artur Jorge, Bobby Robson, José Mourinho e André Villas-Boas deu aos adeptos um novo ADN. Estamos nas derrotas, estamos nas vitórias. E estamos mais habituados ás segundas do que ás primeiras. E talvez por isso deixemos passar detalhes a que outros clubes dão mais importância. Quem tem tempo livre pode fazê-lo. Mas nem sempre foi assim. O FC Porto já foi o maior clube português antes desta interminável saga de glória. Era um espinho cravado no costado do centralismo absoluto do futebol orquestrado desde Lisboa. Antes do primeiro grande deserto de títulos - entre 1940 e 1956 - o clube azul-e-branco era uma formação formídavel e dificilima de bater. Era também uma equipa de registos históricos. Entre os anos 20 e 40 o FC Porto ganhou a primeira edição de todos os torneios criados em Portugal. Mais tarde vencia a primeira Supertaça. Mas um truque idealizado desde o centralismo lisboeta e perpetuado pela imprensa e pela falta de acção das autoridades nortenhas ajudaram a perpetuar uma das maiores mentiras do nosso futebol. A de que o FC Porto é o primeiro vencedor do que hoje é a Taça de Portugal.
A questão é simples e fácil de entender.
Entre 1922 e 1938 realizou-se o Campeonato de Portugal. Era um torneio inspirado na Copa del Rey espanhola, uma primeira ronda preliminar nos distritais - a organização básica do futebol português á época - e depois uma série de rondas a eliminar que culminavam numa final em território neutro. Era a "Taça". Só anos mais tarde, depois do sucesso da campanha da selecção portuguesa nos Jogos Olímpicos de Amesterdão se deu a vontade de criar uma liga regular que seria restrita a equipas de quatro distritos (Braga, Lisboa, Coimbra e Porto e mais tarde aberta a Setúbal, Évora, Algarve e Aveiro) no que se baptizou como Campeonato da Liga. Essa competição durou quatro épocas, entre 1934 e 1938. O FC Porto, inevitavelmente, venceu a primeira edição. Em 1938 o governo salazarista decidiu mudar o organigrama desportivo do país e decidiu dar uma lavagem de imagem com dois novos nomes para as respectivas provas. O Campeonato de Liga passou a Campeonato Nacional de 1º Divisão e o Campeonato de Portugal a Taça de Portugal. O formato permanecia o mesmo.
No caso do Campeonato Nacional, ampliaram-se os clubes mas manteve-se a politica de quotas que se manteve mais uma década até que se aboliu o apuramento via Distritais e se abriu caminho a que os clubes subissem e descessem de divisão. Na Taça de Portugal os Distritais deixaram de servir como ronda preliminar e as eliminatórias entre equipas começaram desde o principio, mas sem a participação na primeira ronda dos clubes da 1º Divisão. Com o passar dos anos, parte da imprensa desportiva começou a tratar o Campeonato da Liga como parte própria do historial da 1º Divisão. Era uma decisão que alegrava, sobretudo, os benfiquistas que assim juntavam mais 3 títulos ao seu historial. O jornal A Bola era o principal apologista desta inclusão que favorecia o "seu" clube. O Record, por outro lado, não o reconhecia. A finais dos anos oitenta e principio dos noventa a pressão nas instituição da Federação Portuguesa de Futebol e o circo mediático montado à volta do clube vermelho de Lisboa levou a FPF a dar como válidos esses três títulos (o do FC Porto também) no palmarés oficial. Por isso os benfiquistas celebram hoje o 33º titulo que podia, perfeitamente, ser o 30º.
Ora, se essa vara de medir foi aplicada ao Campeonato da Liga-Primeira Divisão, porque não o foi aplicada com o Campeonato-Taça?
Talvez o principal motiva seja o facto de que neste Campeonato de Portugal o Benfica foi superado em títulos pelo Sporting e pelo FC Porto. Os Dragões, como mandava a tradição não escrita, tinham ganho a primeira edição do Campeonato de Portugal contra os leões. Ganharam mais três edições contra quatro dos leões. Quando a Taça de Portugal começou, a Académica foi proclamada campeã depois de um jogo épico contra o próprio Benfica, clube que nem sequer fazia parte da equação nas primeiras edições do Campeonato de Portugal. A imprensa da época, ciente do facto, calou-se e não exigiu o mesmo trato aos vencedores do Campeonato de Portugal. O Sporting, que por então em títulos nacionais seguia com uma vantagem considerável sobre o FC Porto, também preferiu não fazer ruido. E o provincianismo a que o FC Porto tinha sido empurrado pelo país impedia o clube de exigir um tratamento condigno a esses anos míticos da sua história. Quando Pinto da Costa chegou ao poder, fê-lo com novos titulos, novas celebrações e uma nova cultura de vitória e também ficou esquecido esse "roubo" histórico. O FC Porto, no fundo, não é só o primeiro clube a vencer o Campeonato 1º Divisão e a Supertaça. É também o primeiro clube a vencer a Taça de Portugal, via Campeonato de Portugal. Ou seja, o primeiro clube em todas as competições do país. Uma espinha demasiado gorda para engolir, seguramente.
O resto do futebol português pode preferir esquecer. Muitos adeptos portistas, focados no presente e preparados para o futuro também. Compreendo-os. Mas para mim, para a grandeza de um clube que já foi a maior força nacional noutros tempos distantes, o FC Porto será sempre o primeiro campeão da Taça, contem o que quiserem contar. E nunca está demais relembrar antes que alguém se esqueça que essas tardes de glória aconteceram e foram pintadas de azul e branco!
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