Mostrar mensagens com a etiqueta Jonas Eriksson. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jonas Eriksson. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 10 de março de 2015

Isto é um espectáculo!


Absolutamente espectacular.
Uma exibição de gala em todos os sentidos selou de forma histórica o apuramento para os Quartos de Final da Champions League. Toda a superioridade que se viu em Basileia traduziu-se em golos. Foram quatro. Podiam ter sido mais. Mereciam ter sido mais. Numa competição séria onde os jogadores recebem cartões quando devem ver e os penalties são marcados quando deve ser, esta podía ter sido uma noite europeia histórica. Ficaram dois penalties por marcar, ficaram duas expulsões por assinalar na equipa suíça mas nem isso impediu o Porto de dar um show de bola em toda a regra. São 20 golos já apontados, um recorde que iguala os números de 2003/04. A diferença? Cinco jogos menos.


Foram quatro bombas, quatro disparos sem piedade, ao estilo do melhor pistoleiro do farwest. Quatro golos que podiam perfeitamente ganhar o prémio de golo da ronda. Cada qual o melhor. Dois livres perfeitos e diferentes - um disparo tenso ao ângulo e uma bomba tomahawk à distância - um remate colocado de Herrera depois de uma jogada de Brahimi - MVP absoluto da festa azul e branca - e um sprint com slalom à mistura de Aboubakar com direito a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno foi o bónus que os adeptos que estiveram no Dragão receberam.
Os golos foram a expressão da superioridade. Se as bolas pareciam não entrar no St. Jakobs debaixo do céu da Invicta não se fizeram de rogar. Foi cedo evidente que a eliminatória estava emocionalmente resolvida. O Porto entrou como era necessário, com autoridade mas com a calma de quem se sabe superior e está preparado para manejar os tempos de jogo. O Basel veio defender e procurar nas bolas paradas e nos contra-ataques o seu milagre. Nada de novo. Desta vez tiveram ainda menos oportunidades e quando apareceram cruzaram-se com um Fabiano a grande nível. Não falhou e apenas ficou ligado ao jogo pelo momento de infortúnio absoluto. O golpe do guarda-redes com Danilo deixou-nos a todo com o coração nas mãos. Temeu-se o pior e o brasileiro só recuperou a consciência na ambulância. Não se sabe ainda o que vai passar com o lateral mas tal como a ausência de Jackson Martínez e Oliver Torres - os três pivots, com Brahimi - da temporada, o jogo do colectivo foi tal que passou ao lado a sua baixa. Mérito de Lopetegui que conseguiu montar um conjunto equilibrado que potencia as individualidades mas que rema na mesma direcção e que por isso sobrevive a baixas individuais de grandíssimo calibre. Não é nada fácil.


O Porto foi melhor em todas as vertentes do jogo.
Teve mais vezes a bola, um acerto de passes na casa dos 80%, uma recuperação à perda imaculada e um acerto pouco habitual para este nível da competição frente à baliza. Um jogo de sonho.
Não há muito a dizer de negativo. O amarelo a Marcano - que está imenso no seu trabalho como coordenador da linha defensiva - vai impedi-lo de jogar a primeira mão dos Quartos de Final. Uma baixa de peso. Foi o único cartão para os Dragões enquanto que os suíços podem agradecer a poupança de um árbitro nefasto que engoliu duas grandes penalidades e duas expulsões bem como vários amarelos. O primeiro que ficou por marcar podia perfeitamente o de Samuel que provocou a falta sobre Tello no lance que permitiu a Brahimi abrir a contagem. Foi um lance exemplar. Um ataque com perda de bola recuperada imediatamente por Casemiro - hoje um grande jogo do brasileiro - que lançou o ataque onde Tello encontrou espaço para isolar-se frente á baliza. Sofreu falta e daí Brahimi - a la Deco - abriu o livro. Ia ser, de novo, a sua noite no que foi talvez o seu melhor jogo desde que foi para a CAN. O segundo tento também é todo seu, um baile demoníaco pela direita quando já Indi jogava como lateral e Alex Sandro ocupava o posto de Danilo. A bola chegou a Herrera que disparou colocado, ao ângulo. Levantou o estádio. O mal-amado mexicano esteve, como todos, a um nivel muito bom. O golo foi merecido. Como o de Casemiro. Fisicamente imponente, hoje controlou bem o meio-campo tanto recuperando como organizando, conectando bem com Evandro, que tem feito esquecer agradavelmente a importante baixa de Oliver. Entre os dois engoliram os suíços, fossem eles queijo ou chocolate. Cada um que escolha. O seu livre - daqueles que Cristiano Ronaldo não marca há largos meses mas de que reclama patente - vai correr mundo e alguém em Madrid já se queixa do erro de casting que foi tê-lo emprestado. Foi o 3-0, um resultado justo e contundente mas faltava algo especial. Durante todo o jogo o trabalho físico e táctico de Aboubakar foi tremendo. Não é fácil ocupar um lugar que está perfeitamente desenhado para Jackson Martínez. Mas o camaronês conseguiu-o e quando encontrou a bola, em velocidade, foi dançando sobre os defesas contrários até encher o pé e reventar as redes. Um grande, grande golo que dá confiança á equipa. Não está o "Cha Cha Cha" mas Vincent parece determinado em ganhar o seu lugar para a próxima época.


Numa noite europeia única - nunca o FC Porto tinha marcado 4 golos numa ronda a eliminar da Champions League - o apuramento para os quartos foi carimbado com um golpe de autoridade que vai pôr a Europa em sentido. Meia imprensa já nos trata como o novo Dortmund ou Atlético mas sabemos que é preciso ir com calma e que o objectivo está cumprido. Tudo o que vier agora é para desfrutar e agradecer. Num ano em que o campeonato nacional está mais viciado do que nunca esteve nas últimas décadas e que mesmo ganhando na Luz já se sabe que alguém será expulso no jogo a seguir para garantir que tudo está bem, esta é a vara de medir única que tem a equipa. E não há que enganar. A equipa está num estado de forma física tremenda, os conceitos tácticos implementados por Lopetegui estão a dar os seus frutos e a continuidade é o primeiro passo para o êxito. Faltam muitos detalhes por trabalhar e todos sabemos que uma noite tão eficaz assim é difícil de se repetir mas que tenha existido já prova do que somos capazes quando estamos ao nosso melhor. O Dragão hoje pode dormir tranquilo. A chama está bem viva!