
O jogo entre o Marítimo e o FCP foi bom, o resultado melhor. O FCP entrou bem no jogo, mas rapidamente perdeu o controlo do meio campo. Com menos homens nessa zona do terreno e com Quaresma a perder demasiadas bolas e Fucile e Cech a perder demasiados passes, permitimos que o Marítimo crescesse e levasse o jogo, durante uns 20 a 30 minutos, para demasiado perto da nossa grande área. Sem ocasiões de golo, criaram uma ou outra situação de frisson que podiam ter sido evitadas. Pedro Emanuel fartou-se de passar recomendações para os colegas.
Acho que o árbitro ajudou um pouco a este ascendente do Marítimo, com uma dualidade de critérios que me pareceu notória. O FCP "fez" quase o dobro de faltas que o Marítimo, assim o entendeu o árbitro Pedro Henriques, que no balanço entre o estilo inglês e português
aplica sempre o que dá menos jeito ao FCP. Feitios!
Fomos melhorando com o aproximar do fim da 1ª parte, o Farías teve uma oportunidade de golo que falhou por pouco, e o árbitro esqueceu-se de assinalar uma grande penalidade sobre o nosso avançado. Ao cair da 1ª parte marcámos o nosso primeiro golo. Um golo à Lisandro. Um golo à ponta de lança.
Como aspecto negativo, aponto aquele pequeno sururu que temos de saber evitar. Não acho que houvesse motivos para expulsão, mas há que que saber controlar o ímpeto e ser mais inteligente na "retaliação".
Na 2ª parte e após a expulsão do jogador do Marítimo (não havia necessidade), dominámos completamente o jogo e vencemos com todo o mérito. É um campo tradicionalmente difícil para o FCP. A rapaziada do Marítimo aparece sempre com muita força e cheia de saúde, principalmente quando joga em casa.
Na TV não dá muito para descodificar as nuances tácticas e a movimentação da equipa, mas creio que Meireles jogou mais pela direita e Lucho pela esquerda.
Quaresma melhorou na 2ª parte, tal como toda a equipa do FCP que com mais espaços foi capaz de jogar bem e construir um resultado que ainda poderia ter sido mais volumoso.
Porém, é prioritariamente sobre aqueles trinta minutos em que não estivemos bem que a equipa deve atentar. Farías não teve tempo para jogar, pois raramente a bola lhe chegou. Foi esforçado, mas Lisandro dá outra profundidade ao jogo e quando não somos capazes de jogar em ataque continuado, temos de saber aproximar as linhas e não permitir ao adversário ter a iniciativa.
Enquanto o Marítimo só tinha um jogador fixo na frente (André Pinto) o FCP tinha três: a) Quaresma que é um jogador "indisciplinado" tacticamente, e gosta pouco de marcar o defensor que lhe compete; b) Farías que não está habituado a rotinas defensivas e não é agressivo; c) resta Lisandro, esse sim, mais agressivo e já rotinado no nosso campeonato e disponível para pressionar e recuar para linhas mais atrasadas.
Jogando "demasiado" aberto e com o desacerto dos laterais, transviou-se muito passe e teve-se pouca bola, durante aquele período em que o Marítimo dominou.
Falta-nos um outro elemento para o meio campo com capacidade para reforçar essa zona nevrálgica do terreno e permitir ao Lucho mais liberdade e pisar mais frequentemente outras zonas mais próximas do último terço do terreno, e funcionar como elemento municiador e finalizador. Acho que Quaresma e Lisandro agradeceriam essa proximidade.
Individualmente comentaria que Paulo Assunção continua a ser um dos jogadores mais fiáveis do FCP e Bruno Alves parece menos categórico na abordagem dos lances, e com alguns lapsos de marcação e colocação. Lisandro continua com aquele brilhozinho nos olhos que particularmente aprecio e os adversários temem.
Um bom treino para o jogo da CL, que aguardo ansiosamente. Um exame.
A última palavra para o nosso treinador. Impecável no comentário do jogo, teria preferido que não tivesse abordado - na antevisão do jogo - "criticamente" a nomeação do árbitro, mas se não for ele a falar quem haveria de ser? Está tudo mudo! Fica a coragem de chamar a si o "odioso" do comentário. Só por isso, acresce o respeito que me merece a forma como tem exercido as funções de técnico do FCP.