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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Rui Rio no Porto Canal?



«Face às conclusões do grupo de estudo da RTP é de temer pelo futuro da RTP – Porto, que suporta mais de 50 por cento dos conteúdos apresentados na RTP Informação, o canal de notícias da televisão pública no cabo, e produz o jornal televisivo de maior audiência (comparada) há muitos anos. Há tempos que se receia que o emagrecimento de custos da televisão do Estado seja feito à custa do empobrecimento da RTP – Porto. A situação de crise do País pode ser uma boa oportunidade. Mas, se tal acontecer (e lamentando que alguns dos algozes sejam homens do Porto ou fortemente relacionados com o Porto, na Administração da RTP), cometer-se-á um crime de lesa-pátria (…)

Uma televisão pública, entre muitos outros conteúdos (alguns dos quais oferecidos na RTP2), não pode deixar de dedicar uma parte substancial dos seus recursos à informação, olhando para o país – o país todo, continental e insular – e para os espaços da lusofonia e da diáspora. O que não se sabe não existe. O que não aparece nas notícias e na informação não acontece.
(…) a ideia pouco inteligente de que tudo o que acontece fora de Lisboa não tem importância, de que a política, a economia e a finança se resumem a Lisboa.»
Alfredo Barbosa, jornalista
Semanário Grande Porto, 11/11/2011


Na quarta-feira da semana passada, ao fazer um zapping, apanhei parte de uma entrevista de Rui Rio no ‘Grande Jornal’ da RTP Informação. A entrevista abrangeu diversos temas e às tantas Rui Rio disse à jornalista qualquer coisa do estilo “… vocês aqui em Lisboa…”.

Já pouca coisa me surpreende no país mais centralista da Europa, mas não deixo de questionar por que razão esta entrevista não pôde ser efectuada a partir dos estúdios da RTP Porto. E também é significativo que o presidente da CM Porto e da Junta Metropolitana do Porto tenha aceite deslocar-se numa quarta-feira à noite a Lisboa, para dar uma entrevista, de alguns minutos, inserida num dos vários espaços noticiosos do canal de notícias da televisão pública.


Se dúvidas tivesse (que não tinha), estes episódios – entrevista de Rui Rio à RTP Informação e conclusões do grupo de estudo da RTP – vieram reforçar a minha convicção de que a estratégia que o FC Porto definiu para o Porto Canal é a mais correcta. De facto, o esvaziamento progressivo da RTP Porto no universo RTP, se por um lado constitui mais uma machadada centralista na pluralidade de notícias e opiniões (“o que não aparece nas notícias e na informação não acontece”), por outro é uma oportunidade que o Porto Canal deverá aproveitar.

Os canais do regime, público e privados, estão cada vez mais centralistas? Pois muito bem, então o Porto Canal deve dar voz a actores (políticos, empresários, académicos, desportistas, …) de fora do eixo Lisboa – Cascais.
Se a RTP é cada vez mais uma RTL (Rádio e Televisão de Lisboa), o Porto Canal, apesar do nome, tem de ser também o canal de Braga, de Guimarães, de Viana, de Vila Real, de Bragança, de Aveiro, de Viseu, etc.
Falta saber se as pessoas destas regiões, principalmente os políticos locais, querem ajudar a crescer um canal que não está sediado na capital e que não olha para o país de acordo com a célebre ideia de uma personagem de Eça, segundo a qual Portugal era (é!) Lisboa e o resto é paisagem.

Nesta linha, será que antes do final deste seu terceiro e último mandato, teremos o presidente da câmara municipal do Porto a dar uma entrevista ao Porto Canal?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Um dano colateral

Antes de ter sido tornado público que Rui Moreira não voltaria a participar no programa 'Trio de Ataque', o jornalista Alfredo Barbosa escreveu um artigo (clicar na imagem ao lado para aumentar) sobre o assunto, o qual foi publicado no semanário Grande Porto da passada sexta-feira.

Desse artigo, destaco a seguinte parte:
«Se bem o conheço, Rui Moreira nunca mais se sentará ao lado de António Pedro Vasconcelos. O Trio de Ataque, tal como existiu durante anos, acabou.
Se bem o conheço, José Alberto Lemos (director da RTPN) considerará que a saída de Rui Moreira não passa de um dano colateral na luta pela audiência.»

Ao contrário de Alfredo Barbosa, eu conheço mal o director de programas da RTPN. Sei que andou pelo jornal Público, pela SIC, pela RDP/Norte e que está na RTP desde 2003. Mas conheço razoavelmente bem o seu braço direito, o benfiquista mais famoso de Paredes, o qual, em Março de 2008, foi convidado para director adjunto da RTPN, tendo na altura José Alberto Lemos afirmado: “Carlos Daniel vai ter uma ligação muito estreita à área informativa, fazendo a gestão da informação do dia-a-dia. Vamos também reflectir em conjunto sobre os programas, o que devemos ou não mudar”.

Depois do que se passou no último Trio de Ataque, em que o próprio pivot do programa chamou à atenção do representante do slb para a ilegalidade que estava a cometer, o mínimo que a direcção de programas da RTPN deveria ter feito era um comunicado, garantindo que não mais seriam toleradas tais situações. Claro que não o fizeram, tamanha é a submissão aos interesses do slb.

Para verem onde a coisa chega, disse-me uma fonte credível que é frequente o cineasta ser visto no gabinete do Carlos Daniel até à hora do programa. E isso é crime? Não, tal como não é crime dois jornalistas da RTP - Carlos Daniel e Hélder Conduto - irem almoçar com Jorge Jesus no restaurante de um conhecido barbudo benfiquista, provavelmente para falarem do tempo...

O que é público e notório é a cumplicidade entre alguns jornalistas e diversos actores do slb. Esse facto, por si só, não põe em causa a sua competência profissional, mas que tipo de imparcialidade se pode esperar desses jornalistas?
Como diz o povo, quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele.


Passámos [RTP-N] de um canal regional para um canal nacional que representa todas as regiões do País. Era um canal que nasceu torto e desprestigiado, mas foi traçada uma estratégia para um canal de informação que se foi solidificando e hoje tem uma situação favorável do ponto de vista das audiências e é uma referência no panorama informativo. O canal precisa de crescer mais. E, mais do que estarmos obcecados com as audiências, apostamos antes em trabalhar com a qualidade, que distingue a RTP como serviço público de televisão”.
José Alberto Lemos, 05/06/2009

domingo, 3 de maio de 2009

Os pormaiores de um centralismo sufocante

«O director de programas da RTPN, José Alberto Lemos, acusou ontem a Zon TV Cabo de ter provocado "danos graves" a este canal por ter mudado o seu lugar na grelha de programação e o ter retirado do Pacote Selecção. (...)
"Qual é a lógica de meter naquele pacote canais que ninguém vê e em compensação retirar a RTPN?", questionou, sublinhando: "O Selecção inclui os dois outros canais de informação do Cabo, a SIC Notícias e a TVI 24".
O director lamentou que a Zon tenha trocado a posição da RTPN com a TV5 Monde, passando, nas televisões com TV Cabo analógica, para o 36.º lugar, enquanto os outros canais de informação, a SIC Notícias e a TVI 24, mantiveram a mesma posição.
"A Zon remete os utentes que pretendam fazer sintonização manual de busca do canal para o manual de instruções do televisor. Ninguém guarda o manual e mesmo que o faça apenas os fãs do canal vão dar-se a esse trabalho. Os outros espectadores, precisamente aqueles junto dos quais a audiência podia subir, não vão dar-se a esse trabalho", afirmou.
Como prova de que a alteração de lugar na grelha com a TV5 Monde prejudicou a RTPN, José Alberto Lemos apontou o share do canal no Grande Porto no dia em que a mudança de frequência ocorreu nas zonas da Boavista e Lapa (Porto), Gaia e Senhora da Hora (Matosinhos), quarta-feira, 22 de Abril.
Nesse dia, a RTPN teve o share mais baixo da sua história no Grande Porto, 0,5 por cento, quando no dia anterior tinha tido 4,9 por cento. No segundo dia da nova grelha naquelas zonas, quinta-feira, o canal teve na mesma região 1,1 por cento. (...)»
in PÚBLICO, 26/04/2009








Fazendo um pouco de história, recordo que a RTPN nasceu em Maio de 2004, sucedendo à experiência falhada que foi a NTV, e com algumas originalidades: pela primeira vez o director de um canal não estava em Lisboa e a informação era dividida entre as redacções de Lisboa e Porto (que passou a integrar os profissionais da extinta NTV). Na altura, o arranque da manhã, o "prime-time" e a noite eram feitos a partir do Porto, que garantia ainda a realização dos programas de cariz informativo que integravam a nova grelha.

Entretanto, as coisas foram “evoluindo” no sentido habitual. A administração da RTP começou a convidar 'pivots' a transferirem-se para a capital e o peso do Porto foi diminuindo na programação na mesma proporção que o de Lisboa ia aumentando.

Apesar de tudo, a redacção do Porto ainda mantém um peso significativo na programação da RTPN, particularmente no capítulo do desporto, com vários programas a serem feitos a partir do Porto, embora com convidados de todo o país.

A RTPN está a fazer o seu caminho, havendo programas, como é o caso do ‘Trio de Ataque’, que têm audiências muito interessantes. Assim sendo, o que levou a ZON a tomar uma decisão que, objectivamente, privilegiava a SIC Notícias e a TVI 24 em detrimento da RTPN?

Nota: No dia 30 de Abril foi anunciado que as administrações da RTP e da ZON tinham chegado a acordo e que a RTPN voltava a ocupar a posição que anteriormente era a sua na grelha de canais da ZON, concretamente no sistema analógico. Além disso, foi também acordado que, tal como a SIC Noticias e o TVI 24, a RTPN iria passar a ser incluído em todos os pacotes comercializados pela ZON, nomeadamente no chamado pacote selecção.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

SMS do dia - XXXVI


Programa Zona Mista, RTPN, Sábado, 2009/02/21

O seu clube saiu derrotado de Alvalade e o gordo sabujo descontrolou-se por completo. Para variar desatou a vomitar a sua verborreia habitual anti-FC Porto, desta vez com uma conjectura sobre penalties. Após acalorada discussão com o jornalista Bruno Prata, chegou ao ponto de fazer insinuações torpes relativamente aos dois restantes intervenientes do programa. As palavras empregues caracterizam muito bem a personagem que as proferiu.

A este apontamos o mesmo caminho que ao Conduto. Perdeste? Então incha porco.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Azia sportinguista no Trio de Ataque


No último ‘Trio de Ataque’, realizado em 08/04/2008, o representante do Sporting deu os parabéns ao FC Porto pela conquista do campeonato que, segundo ele, tal como o da época passada foi ganho de forma limpa.

Não podendo pôr em causa a enorme superioridade deste FC Porto (20 pontos são 20 pontos e, ainda por cima, as exibições desta época estão ainda muito frescas), Rui Oliveira e Costa mostrou aquilo que genuinamente lhe vai na alma. Vai daí, cavalgando a onda mediática do Apito Dourado, tratou de contestar o mérito do FC Porto em campeonatos ganhos pelos dragões nos anteriores 15 anos, referindo que havia uma mão por trás e que “já houve um poder instalado no futebol português que foi nefasto, que durou uma década e meia, e que tem vários nomes”. Para que não ficassem dúvidas sobre os destinatários da sua azia, acrescentou: “O sistema Pinto da Costa-Valentim Loureiro que mandou no futebol português vai ser punido.”

Perante este tipo de dislates é caso para perguntar: Ó senhor Rui Oliveira e Costa, recorda-se da forma como o Sporting venceu os campeonatos das épocas 1999/00 e 2001/02?

Será que os sportinguistas já se esqueceram da grande revelação da época 1999/00, um tal de Bruno Paixão?

Será que os sportinguistas já se esqueceram dos 17 (dezassete!!) penalties a seu favor, que os árbitros (esses malandros que estão a mando do Pinto da Costa...) assinalaram na época 2001/02?

E nas épocas em que o FC Porto não foi campeão, será que o “sistema” estava distraído?
Bem, revendo as escandaleiras que ocorreram nas épocas 1999/00, 2001/02 e 2004/05, devia estar num sono profundo, ou mesmo em coma...

No artigo ‘Apito atrasado’, publicado no blog ‘Portistas de Bancada’, é feita uma análise interessante, onde são destacados diversos factos e números desses tais 15 anos em que “houve um poder instalado no futebol português que foi nefasto”...

Mas se em Abril de 2008, o representante do Sporting no programa ‘Trio de Ataque’ retira mérito ao FC Porto, vale a pena recordar o que disseram, na altura, conhecidos sportinguistas, por exemplo, a propósito dos títulos ganhos pelo FC Porto em 2005/06 (treinado por Co Adriaanse) e em 2003/04 (treinado por José Mourinho).

«Terminado que está o Campeonato, pouco mais há a acrescentar, a não ser reconhecer que o título está muito bem entregue»
Daniel Reis (*), A BOLA, 11/05/2006

«a equipa de Co Adriaanse, que há muito ocupa a liderança do campeonato, é um justo campeão. (...) foi inegavelmente a equipa mais regular e com maiores recursos para ultrapassar as adversidades. Será, ao contrário do que aconteceu na época passada, um campeão incontestado e que merece sê-lo»
José António Lima (*), A BOLA, 12/04/2006

Ainda mais claro foi um antigo presidente do Sporting. Com o título ‘Parabéns, Futebol Clube do Porto’, Pedro Santana Lopes assinou o seguinte texto no jornal A BOLA de 05/05/2004:
«É também impressionante a reacção do FCP quando joga fora do seu estádio, porque parece que desce sobre a equipa um impressionante manto de serenidade, que leva a equipa a jogar com uma descontracção absolutamente notável. (…) Na verdade, num ano ganhar o campeonato português, a Taça de Portugal e a Taça UEFA e no ano seguinte, para já, ser campeão nacional outra vez, estar na final da Taça de Portugal outra vez e ir à final da Liga dos Campeões, não tem palavras. Ainda por cima, como já tive várias vezes ocasião de sublinhar, os jogadores que vêm fundamentalmente de equipas portuguesas e, nalguns casos, com jogadores rejeitados pelos clubes principais rivais do FCP. É uma grande proeza, enche de orgulho todos os portugueses e, deste sportinguista confesso, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, vai um forte abraço de parabéns a todos os portistas na pessoa de Jorge Nuno Pinto da Costa.»

Para quem tem olhos na cara e viu o que cada uma das equipas jogou dentro de campo, e saliento dentro do campo, não há nem houve dúvidas sobre o merecimento dos campeonatos ganhos pelo FC Porto. Mas para o senhor Rui Oliveira e Costa e outros como ele, para quem o “sistema” é a explicação para todos os males, o sucesso do FC Porto foi obra de uma mão oculta...
Continuem assim, com a vossa postura de calimeros, que nós, portistas, vamos continuar a ganhar campeonatos.

(*) Daniel Reis e José António Lima são dois jornalistas sportinguistas e em 2006 ambos escreviam na BOLA e no EXPRESSO

P.S. Ontem à noite o Sporting perdeu em casa 0-2 com o Glasgow Rangers e foi eliminado da Taça UEFA. Terá sido obra de alguma mão invisível ou, como dizia um dos seus cómicos presidentes, foi o “sistema” no seu esplendor?...