O processo eleitoral finalizado no dia de ontem confirmou a reeleição da lista única apresentada como era de esperar. No entanto, apesar de todos os obstáculos levantados por aqueles que temem o sócio portista e o seu grau de visível insatisfação com o rumo presente, a lista única coleccionou apenas 79% dos votos para a presidência e uns "meros" 74% para o Conselho Superior. Sem concorrência com cabeça visível ainda assim o homem que foi eleito em inúmeras ocasiões por aclamação popular e 99,9% dos votos a favor conseguiu perder 1/5 dos seus seguidores eleitorais. Ontem fez-se história no FC Porto.
A ironia, porque com alguns indivíduos a ironia tem de estar sempre presente, é que mal se acabou o processo de contagem e se divulgaram os números, houve quem saltasse de imediato á primeira linha de batalha para cometer mais um acto desonesto a seu favor. Divulgar o conteúdo dos boletins de voto - mesmo rasurados ou com mensagens de apoio ou em contra - pode ser legal ou ilegal (desconheço os estatutos do clube nesse sentido) mas o que não é, seguramente, é ético. Mas tal era o medo, tal era o pavor de que se começassem a juntar os As mais Bs que foi necessário lançar a mensagem - com o devido eco - de que esses famigerados 21% de votos nulos não eram mais que outra forma de demonstrar amor, carinho e devoção com lemas de "Força Presidente", "Força Porto", "Estamos com o Presidente" como se quem não estivesse a favor de Jorge Nuno Pinto da Costa não tivesse apenas de pegar no seu boletim de voto e colocá-lo na urna.
Não vou chamar mentiroso a Sardoeira Pinto nem a Pinto da Costa, há personagens que se retratam por si sós ao longo da sua vida e não é necessário entrar em qualificativos perjorativos. Acredito piamente que algum que outro boletim de voto tivesse essas inscrições. Também vi - porque muitos sócios portistas quiseram divulgar nas redes sociais a sua insatisfação - muitas afirmações que seguem no caminho oposto. O que é certo é que a ausência de uma lista alternativa - os resultados deixam claro que havia espaço para essa lista e que um nome sério e com um projecto sólido podia ter estado perto dos 30% de votos a favor - gerou nos últimos dias um movimento entre sócios e adeptos que apelavam ao voto nulo, algo que era conhecido por todos no clube. Não estranhará, seguramente, a quem viveu o processo eleitoral, que determinados sócios associados á direcção tenham juntado o seu voto nesse sentido com mensagens de apoio para tentar minorar o grau de contestação. Mais uma estratégia para desviar a atenção e dar a sensação de que todos continuam atrás de um homem que conseguiu desbaratar de forma assustadora uma herança histórica ímpar no futebol mundial. A esmagadora maioria dos adeptos que votaram nulo ontem alguma vez (ou muitas vezes) votaram a favor de Pinto da Costa por isso o que convém á nova direcção - cujo mandato de quatro anos, uma novidade, terminará se se cumprem os prazos em 2020 - entender porque perdeu apoios reais e não apenas tentar disfarçar o sol com a peneira.
O clube, que é gerido de forma que dista muito da ideia democrática de um processo eleitoral, já fez tudo o que era possível para desprezar os sócios que pensam de forma contrária. Quem foi votar ontem - e haverá vários relatos nos próximos dias - encontrou-se com um cenário digno de regimes que em nada têm de democrático. Boletins de voto escuros propositadamente (sempre foram brancos) para dificultar a rasuração necessária para o voto nulo, ausência de possibilidade de votar em branco ou a ausência de mesas de voto obrigando aqueles que não queriam votar a favor - ou seja, pegar no papel, dobrá-lo e deposita-lo na urna sem sair do sitio - a exposição pública diante de todos os presentes como se fosse uma eleição de braço no ar ao bom estilo soviético. A presença, junto dessas mesas de "reflexão" - só faltava uma bica e o jornal - do candidato da única lista a votos é algo sui generis, para dizer o mínimo que se pode dizer neste caso. A utilização das ferramentas do clube como o Porto Canal para fazer campanha, desacreditar qualquer posicionamento em contra e para reforçar o estatuto de liderança solitária - com mais uma entrevista agendada para hoje, sem que nenhum noticiário do clube tivesse sequer mencionado o movimento Acorda Porto ou falado com um sócio que fosse dos que votaram nulo sem declarar o amor eterno ao candidato único, permite entender que o jornalismo independente, como tal, é algo que nas instalações do PortoCanal pura e simplesmente se meteu na gaveta.
No meio de todos esses condicionantes, ainda assim, dos sócios do Grande Porto que puderam votar - os que vivem no estrangeiro, a quem o voto electrónico ou postal está proibido, e os que vivem no resto de Portugal, onde é proibido votar em Casas do Clube, que não faltam pelo país - houve 21% que disseram "Basta". Entre esses haverá de tudo, seguramente. Os que acreditam que o candidato único pode resolver o problema mas tem de acordar. Os que acreditam que o candidato único tem uma última oportunidade. Os que acreditam que o candidato único é o problema. E até os que lhe devotam amor eterno. Seguramente haverá de tudo um pouco. Mas eram 21% dos votantes. O sinal está dado. Quem acredita que o caminho do FC Porto é outro perdeu, com o acto eleitoral de ontem, todas as desculpas para permanecer em silêncio. Quem venceu, por muito que tente o contrário, pode considerar-se avisado pelos donos do clube - os donos de verdade do clube - de que a situação está no limite. Ontem o FC Porto desceu mais baixo do que em algumas das derrotas mais humilhantes que sofreu em campo mas depois de cada tempestade o sol volta a sair. Os raios de luz, tibios, fizeram-se notar. O FC Porto está vivo.
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segunda-feira, 18 de abril de 2016
domingo, 17 de abril de 2016
SMS do dia
Hoje é dia de eleições.
Há um movimento que está a solicitar aos sócios a aderência ao #acordaporto.
Foi-nos solicitada a divulgação da seguinte página:
www.acordaporto.com
Os co-autores do Reflexão Portista irão expor a sua opinião, a seu tempo, sobre o acto eleitoral e os desafios futuros do FC Porto.
Há um movimento que está a solicitar aos sócios a aderência ao #acordaporto.
Foi-nos solicitada a divulgação da seguinte página:
www.acordaporto.com
Os co-autores do Reflexão Portista irão expor a sua opinião, a seu tempo, sobre o acto eleitoral e os desafios futuros do FC Porto.
sábado, 16 de abril de 2016
A participação dos sócios
«As urnas abrem às 10.00 e encerram às 22.00, horário de Portugal continental. Os sócios do Benfica poderão votar no Estádio da Luz, em Lisboa, nas Casas do Benfica de Famalicão, Évora, Coimbra ou Faro ou através da Internet, para sócios residentes nas regiões autónomas e estrangeiro.»
in DN, 27-10-2012
Em Outubro de 2012, o SLB atravessava um período desportivo difícil, após um conjunto de derrotas muito dolorosas (para eles) nos dois campeonatos anteriores – 2010/11 e 2011/12.
Luís Filipe Vieira era objeto de alguma contestação pública mas, apesar disso, a Direção encarnada criou condições para que houvesse uma grande participação dos sócios nas eleições do clube, disponibilizando vários locais de maior proximidade, bem como, métodos eletrónicos de votação.
Assim, para além dos sócios do SLB que vivem na Área Metropolitana de Lisboa e que puderam votar no pavilhão da Luz, os que vivem no Norte puderam votar em Famalicão, os que vivem no Centro em Coimbra, os que vivem no Alentejo em Évora e os que vivem no Algarve em Faro.
Quanto aos sócios que vivem nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, ou em países estrangeiros, esses puderam votar através do website oficial do clube.
Como resultado, essas eleições do clube da Luz registaram o maior número de sempre de votantes (22676), os quais, para além de poderem votar na(s) lista(s) concorrente(s), também puderam votar em branco (sim, apesar de haver duas listas, 3,15% dos sócios benfiquistas que exerceram o seu direito votaram em branco).
Amanhã vão realizar-se eleições no FC Porto e, lamentavelmente, as condições em que as mesmas vão realizar-se são muito diferentes.
«As eleições para os órgãos sociais do FC Porto efetuam-se domingo, 17 de abril, entre as 10 e as 19 horas. As urnas estarão colocadas na Tribuna VIP da bancada nascente, “Tribuna VIP de Sócios”, entrada pela porta 16 do Estádio do Dragão.»
Ou seja, os sócios do Futebol Clube do Porto que vivem em Trás-os-Montes, na região Centro do país, na zona de Lisboa ou no Algarve, se quiserem votar, terão de se deslocar ao Porto. E já nem falo naqueles que vivem nas ilhas ou no estrangeiro. Não há dúvida que isto é um enorme incentivo à participação dos sócios…
Já agora, na perspectiva da atual Direção, para que servem as dezenas de casas do FC Porto espalhadas pelo país?
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| Pinto da Costa na Casa do FC Porto de Cantanhede (foto: Paulo Novais, LUSA) |
Para o presidente descerrar lápides com o seu nome e discursar nas respetivas (re)inaugurações?
Para justificar o pelouro do vice-presidente Alípio Jorge?
Para encher camionetas e trazer “clientes” aos jogos disputados no Estádio do Dragão?
Relativamente ao boletim de voto e à impossibilidade dos sócios do Futebol Clube do Porto votarem em branco (originalidade que deve ser caso único a nível mundial), o presidente da assembleia geral, Dr. Miguel Bismarck, em declarações esta semana ao jornal Record, referiu o seguinte:
“É um pormenor [possibilidade de votar em branco] que, naturalmente, pode ser ponderado numa próxima revisão dos estatutos do clube. Vou oferecer-me para fazer parte da comissão que se formar para proceder a essa revisão, pois é preciso fazê-lo, rever os estatutos e aperfeiçoar o regulamento eleitoral, pois há matérias reguladas nos dois documentos”
Não percebo. Era assim tão complicado haver um boletim de voto normal, isto é, um boletim com quadradinhos para os sócios porem (ou não) uma cruz?
E se essa "inovação" implicava rever os estatutos e "aperfeiçoar o regulamento eleitoral", por que razão isso ainda não foi feito?
Há muito boa gente (portistas, claro!) que enche o peito para dizer que temos um estádio cinco estrelas, o primeiro a nível mundial a ter certificação ambiental, que temos o melhor museu de clubes do mundo, que somos os maiores das redes sociais, etc. mas, meus caros, em termos de “devolver o clube aos sócios” e criar condições para uma muito maior participação dos sócios/adeptos na vida do clube, continuamos com os velhos métodos de sempre.
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domingo, 10 de abril de 2016
Políticos na Direção do FC Porto
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| Sessão de esclarecimento aos sócios em 1982 |
Em 1982, descontente com a situação que o clube atravessava, o Eng.º Armando Pimentel fez parte de uma comissão de sócios, a qual dinamizou várias sessões de esclarecimento e apresentou uma lista concorrente à Direção do Futebol Clube do Porto, lista essa que era encabeçada por Pinto da Costa.
Ora, uma das razões de descontentamento e que mereceu inúmeras críticas da parte do sócio Jorge Nuno Pinto da Costa, era o facto do presidente do clube – Dr. Américo de Sá – ser, simultaneamente, deputado do CDS. Daí que, quer durante as semanas/meses que antecederam as eleições de Abril de 1982, quer já como presidente do clube, Pinto da Costa tenha defendido uma rigorosa separação entre o clube e a política, tendo ficado definido que nenhum membro da Direção do FC Porto poderia ocupar cargos políticos.
Por isso, em 1989, quando foi eleito vereador da Câmara Municipal do Porto, o Eng.º Armando Pimentel, amigo de longa data de Pinto da Costa e, segundo o próprio, o mentor da sua candidatura à presidência, teve de deixar a Direção do FC Porto, onde ocupava uma das vice-presidências.
Mudam-se os tempos, mudam-se os interesses, mudam-se os princípios orientadores e em 2016…
“De acordo com os estatutos que foram discutidos e aprovados em Assembleia Geral, e em que eu não interferi em nada, foi decidido que os 14 vice-presidentes passavam a seis (…) introduzi um novo setor, que é o do planeamento dos novos projetos e do qual será responsável o professor Emídio Gomes, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte.”
declarações de Pinto da Costa, em entrevista ao Porto Canal, 07-04-2016
É normal as pessoas mudarem de opinião sobre diversos assuntos. O que já não é tão normal é as pessoas fazerem tábua rasa dos princípios éticos que as nortearam no passado e, sem darem qualquer justificação, mudarem radicalmente de posição.
O que terá levado Pinto da Costa a convidar um político no ativo, e que ocupa um importante cargo na administração pública, para uma das vice-presidências do Clube?
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| Pinto da Costa (FC Porto), Rui Moreira (CM Porto) e Emídio Gomes (CCDRN) na inauguração das novas instalações da piscina de Campanhã (fonte: Porto.) |
P.S. Como é óbvio, o que está em causa neste artigo não é o portismo e muito menos a competência do professor Emídio Gomes.
P.S.2 Há muitos portistas que confundem Pinto da Costa com o FC Porto e vice-versa. Eu, infelizmente, tenho idade suficiente para me lembrar do anterior presidente do clube – Américo de Sá. Do que eu não me lembro, é de Pinto da Costa, Sardoeira Pinto, Armando Pimentel, Álvaro Pinto e os outros sócios que, em 1982, fizeram parte da comissão que dinamizou uma lista alternativa à da Direção em exercício, terem sido catalogados de “oposicionistas”, “divisionistas” ou “inimigos do clube”.
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sexta-feira, 8 de abril de 2016
A Vergonha (Alheia!)
Pinto da Costa e a equipa de futebol do FC Porto estão em sintonia. Como nos velhos tempos, mas em negativo. Se na segunda-feira os jogadores e staff técnico foram protagonistas de uma derrota que envergonhou a história do clube (o próprio Presidente o afirmou), ontem foi a vez de Pinto da Costa voltar a demonstrar que é uma alma penada sem uma pinga do brio, da garra e da sagacidade para liderar este clube que ele ajudou, e muito, a fazer grande. A entrevista ao Porto Canal, como se esperava, não foi morna. Foi fria como uma manhã da Invicta cheia de nuvens e neblina e com apenas uma mensagem clara, a da incapacidade de Pinto da Costa de fazer auto-crítica e explicar, tirando os chavões da praxe, ao que vem para os próximos quatro anos. O homem que destroçou Portugal com o seu discurso, herdeiro de Pedroto, desapareceu. A sombra que surgiu ontem deu vergonha alheia aos que ainda têm memória e não se deixam levar pelo mito da personagem. Pinto da Costa quer ser o El Cid do FC Porto, ganhar batalhas depois de morto. Alguns, seguramente, ainda verão nele o guerreiro que foi mas a prática demonstra o contrário. Tal como o seu discurso ontem.
Não houve perguntas incómodas. Não pode haver. Quando o entrevistado é, ao mesmo tempo, o "patrão" - indirectamente Pinto da Costa é o "dono" do PortoCanal - só podemos esperar perguntas frouxas, débeis e ás vezes sem qualquer tipo de sentido como apontar aos críticos na bluegosfera uma insatisfação com o contrato da MEO que ninguém entendeu. Se calhar a pergunta estava mal preparada ou a resposta não dava para mais. Quando PdC tinha de ir medir-se aos meios da capital, que sabia rivais, sacava o melhor de si mesmo e era um gozo vê-lo atacar e desmontar o sistema com um discurso fluído, lógico e ganhador. Hoje, a falar como Marcelo Caetano, na comodidade do lar, tudo soa a falso, tudo soa a mofo.
A estratégia era previsível. Pequena moralmente e previsível.
Pinto da Costa sabe que tem de agradar aos fiéis e descarregou outra vez em Lopetegui todos os males da Humanidade. Ou tem fraca memória ou bipolaridade porque o homem que hoje é a encarnação da Besta do Apocalipse era alvo dos mais rasgados elogios há um ano, quando enchia o peito para falar com a imprensa espanhola sobre o "inovador", "profissional", "competente" Lopetegui. Quando elogiava as escolhas do treinador e como a sua capacidade de trabalho tinha permitido sacar um negócio tão rentável como o de Casemiro não ouvi em nenhum lado frases do estilo "eu nem os conhecia". Pinto da Costa é um homem do futebol, um homem que sabe e sempre soube muito de futebol. Se não conhecia os jogadores contratados sob o seu mandato, como Presidente, é grave e está a dar justificação aos que acreditam que já não está com a cabeça no clube e capacitado para os liderar. Mas reclamar que nem sabia quem eram é levar a coisa a outro nível, particularmente porque a esmagadora maioria jogou ao serviço de Lopetegui e, se escolheu o treinador, deve ter visto alguns jogos seus antes para conhecer o seu modelo de jogo. Ou talvez não.
O certo é que agora o problema não é o Ferrari, agora o problema é Campaña - um flop, sempre o disse - num plantel de 25 jogadores dos quais o clube valorizou importantes activos (Danilo, Alex Sandro, Casemiro...) e que foi montado à revelia do presidente para satisfazer o treinador. Das duas uma, ou Pinto da Costa perdeu as faculdades e decidiu, num arreigo de insanidade, abandonar a parcela desportiva à sua sorte e agora sente-se traído ou o caminho do engano voltou, como em Janeiro, a ser a opção mais fácil para agradar à nação portista. Já agora, depois de se ter confirmado que Adrian estava contratado ANTES de ter chegado o treinador - um ano, mais precisamente - continuar com essa lenga lenga é tomar os adeptos do FC Porto por parvos. Mas isso também já não é novidade.
Ficamos igualmente a saber que o Presidente sentiu vergonha como sócio do jogo do Tondela.
Não foi o primeiro nem o pior jogo do FC Porto dos últimos três anos mas é bom saber que o homem parcialmente responsável por esse jogo se sente envergonhado de si mesmo. Ainda que, naturalmente, não o assuma. O que parece mais estranho é exigir agora, a semanas de ir a votos, aquilo que podia ter exigido há um ano e meio quando apoiou seguir o caminho da política de empréstimos. Ou há dois e meio quando tentou pescar em distintos portos jogadores com pouca experiência de exigência. Ou há três e meio quando, directamente, não quis sequer investir num plantel campeão nacional. Exigir agora jogadores com carácter e da casa é fácil, barato e dará votos. Mas como homem detentor do poder, essa decisão não é mais que o resultado das decisões erradas dos últimos anos. Não de um ano que correu mal. De vários. Na altura a luz não abençoou Pinto da Costa com a necessidade de ter jogadores com carácter e que não vejam o FC Porto como clube ponte? É uma pena.
O regresso - já anunciado - de Rafa, de Otávio (culpa de Lopetegui, naturalmente) e de Josué seguem a mensagem anterior e no caso dos dois primeiros são uma boa notícia. Mas fazer tanto finca pé num jogador absolutamente mediano (Sérgio Oliveira e André André já cá estão e fazem melhor figura) é realmente o nível de compromisso e exigência que se quer para os próximos quatro anos? A sério? Fico admirado com a bandeira branca que afirmações deste estilo desfraldam. A ideia da pré-época começar em Abril pode ser racional mas é um insulto ao portismo, um insulto vil. O FC Porto, aquele que admiramos, luta até ao último dia de cada ano, não começa a preparar o seguinte com antecipação ainda que o faça, indirectamente. No discurso populista de mostrar-se como pai zangado com os jogadores, Pinto da Costa vendeu o balneário e o treinador, deixando-os expostos aos adeptos nos próximos jogos nesses castings públicos onde quem for mais assobiado terá menores probabilidades de ficar. Não é assim que se gere um clube profissional mas pode ser assim que se evitam alguns votos nulos. Afinal era para isso que servia uma entrevista onde se falou quase tanto tempo da selecção de futebol - que interessa, realmente, muito ao FC Porto e aos portistas - como da total ineficácia no combate ao #Colinho ou aos poderes instituídos na arbitragem, na Liga e na Federação de Futebol. Onde antes o FC Porto de Pinto da Costa se distinguiu no discurso e nos actos hoje esse mesmo decadente FC Porto de um decadente Pinto da Costa não rosna, mia...e mia fininho.
Pinto da Costa, que não garante a continuidade de treinador e jogadores, que tentou fazer de um acto vil e que deve ser denunciado de meia dúzia de imbecis às portas de sua casa (quem estiver em desacordo que debata abertamente ou vote nulo, não se atacam residências na covardia da noite) um acto de "terrorismo", com a conotação mais triste que a palavra possa ter, e que ainda teve tempo de mandar bocas aos blogues (ao ter falado em anónimos imagino que ainda lhe doam os posts publicados pelo Tribunal do Dragão...porque a maioria dos espaços da Bluegosfera são escritos por pessoas com nome e apelido) disse mais do que uma vez que como sócio que é - e ninguém duvidará do seu portismo - que sentia vergonha da situação e que se candidatava contra a situação actual do clube.
Senhoras e senhores, Pinto da Costa candidata-se contra ele próprio e contestando o seu próprio trabalho. Só ficamos na dúvida se essa contestação contra o estado das coisas é também uma contestação contra os negócios (falou-se no caso de Rúben Neves por alto mas nunca sem mencionar a pequena fortuna que José Caldeira saca do jogador), contra os empresários (o nome do filho e das empresas associadas desapareceu por magia do discurso que se focou em Jorge Mendes), contra o facto de ter familiares directos e de outros membros da SAD a trabalhar nos quadros do clube, se é uma contestação contra o despovoamento de referências no balneário propiciada pela sua gestão, se é uma contestação contra as sucessivas escolhas erradas da sua pessoa dos últimos treinadores desde a não renovação de um bicampeão nacional ou se é uma contestação vazia, oca como o seu discurso.
Perguntas que nunca poderiam ter sido feitas, claro está. Não é preciso ir muito longe para perceber que o tempo de antena tem de ter uma mensagem apenas, a de que o futuro do clube será construído por aqueles que estão contra o presente do clube e que, com as suas decisões do passado provocaram o estado das coisas actuais. Pinto da Costa leu Orwell, seguramente, mas não sabe quem é Campaña. Talvez não saiba também para onde vai, como o seu poema favorito, mas devia saber de onde vem e o que deixa para trás. E que depois de três décadas e meia já não pode dizer, como tanto gostava, "sei que não vou por aí". Porque foi, e essa viagem já não tem bilhete de regresso.
quarta-feira, 6 de abril de 2016
A Crise!
O Dragões Diário veio confirmar, oficialmente, que o FCP entrou (ou estacionou) numa situação que o editor enquadrou como sendo de crise.
Sendo assim, torna-se, então, muito importante seguir a atitude e o comportamento da estrutura, face a este momento de ruptura e perda, provocado pela assumpção de políticas e processos, reconhecidamente, inadequados na sua concepção ou aplicação, com especial incidência nos últimos três anos.
Faz parte do glossário tradicional que trata desta coisa das crises, considerar que, desde que uma crise seja bem gerida, pode ser revertida e tornada equilibrada, primeiro, e não inimiga do crescimento, depois, se bem montados os motores de gestão e de governança. Porém, a crise conduz necessariamente a um aumento da vulnerabilidade e, por isso, representa, necessariamente, um momento de alto risco. Pode, frequentemente, evoluir muito negativamente, quando os recursos estruturais e financeiros estão delapidados e o prestígio dos responsáveis estão diminuídos e em perda acelerada.
O FCP vive há mais de 30 anos sob o comando do seu Presidente que no seu primeiro mandato deixou claro o programa que nortearia toda a sua acção e que, em versão reduzida, definiria assim: total autonomia na gestão do futebol, tendência para auto sustentação das actividades de alta competição, arrumar as finanças, lutar contra o centralismo, crescer e ousar vencer. Os êxitos consolidaram o modelo e os processos. E têm servido ad aeternum. A figura do Presidente passou a servir como aval de competência. A maioria dos portistas reconhece a sua superior sagacidade quando superou algumas crises bem complicadas. E, ultrapassou-as sem muitos danos.
A situação mudou a crer nas manifestações ocorridas ultimamente que, apesar de tudo, não considero tão significativas quanto isso. Mas, ouve-se muita gente profundamente desagradada. Muito mais do que o costume. O Dragão anda quase vazio, não ruge e assobia sem contemplações os da casas. A coesão tem sido abalada, significativamente. A figura do Presidente já não é suficiente como aval. A situação desportiva e financeira é preocupante. O povo portista reclama uma viragem, mas ainda não mexeu a sério no Presidente. E na sua autoridade. Pede-se muito mais uma “varredela” aos maus da fita que a sua destituição.
É este o quadro actual. A equipa está esfrangalhada, a situação financeira é muito complicada, os custos de contexto são enormes e as receitas da Liga dos Campeões estão em risco. E o 'fair play financeiro' é uma ameaça real. Os portistas têm boas razões para andar desalentados, mas acho que uma boa parte ainda não viu o filme todo. Os maus resultados talvez sejam a ponta do iceberg. E se o Presidente é mais contestado do que nunca, como temo que uma mudança caia num conjunto de personalidades que na ânsia de reverter o pecado, mais não faça de que nos encher de uma bondade inócua ou incompetente, vendendo o compromisso de chegar, ver e vencer. Como se bastasse a promessa de fazer diferente e sem os familiares próximos. E fintar os oportunistas e os intermediários. E recuperar a tal identidade que foi perdida. Não creio que haja qualquer piedade se a equipa não ganhar. Seja a quem for que governe. O afunilamento democrático no nosso clube é um facto. E uma dificuldade acrescida no próximo futuro.
O povo portista não deve ser muito diferente dos que habitam outras cores. Face ao actual declínio, fala-se com muito temor do regresso aos anos sessenta. Os nossos principais adversários passaram por períodos semelhantes e não sucumbiram. O pessoal dos anos sessenta mostrou sempre uma grande resiliência. Nunca desistiu e o FCP, com base nesse suporte, soube encontrar o seu caminho.
É isso que temos de porfiar no momento. Encontrar o caminho. Só que o caminho vai correr, nos próximos quatro anos, com os mesmos timoneiros. Não creio que hajam alterações substantivas nas políticas e procedimentos. Nem cortes, relativamente a alguns maus hábitos. A pergunta que fica é se a revolução na continuidade (em curso) vai ser seguida e o suficiente para mudar o estado das coisas. Tudo vai depender do futebol. Não havendo luta eleitoral, vão ser os resultados a definir os comportamentos. Temos a Taça de Portugal e o playoff de acesso à Liga dos Campeões. Em menos de seis meses muito pode acontecer na casa da Dragão. Desportiva e financeiramente. E como estão ligados umbilicalmente. O Presidente tem o maior desafio da sua vida. E tomou-o por espírito de missão. Espero que ganhe para bem do nosso clube. Confesso que penso que o seu contrário estará mais próximo. Espero que os portistas não desertem e vão a jogo. O FCP merece.
sexta-feira, 11 de março de 2016
AG em directo, via Streaming ou PortoCanal, porque não?
O FC Porto é um grande clube. Não, o FC Porto é uma Nação.
O crescimento espantoso do clube provocou igualmente, e de forma merecida, o crescimento da sua legião de seguidores. Muitos desses adeptos que se juntaram ao clube nos anos de glória fizeram-se igualmente sócios, em muitos casos, correspondentes. Outros mantiveram uma profunda ligação emocional, que não financeira. O problema para muitos portistas sócios no entanto foi a situação económica da última década que atirou milhares para outras paragens. A emigração, sobretudo de jovens, notou-se bastante em todo o país e na zona norte em Portugal. Hoje não é segredo nenhum dizer que há milhares de sócios portistas a residir longe do Grande Porto. Uma realidade que tem inclusive ajudado a espalhar o grande nome do Porto lá fora por aqueles que viveram, na primeira pessoa, os momentos mágicos do calor humano das Antas e do Dragão na pele.
Ora, se o FC Porto quiser ter um detalhe de preocupação e respeito para com esses sócios (e, já agora, com os muitos sócios que vivem noutras zonas do país), não havia nada melhor que pudesse fazer do que transformar a próxima Assembleia Geral (e quem diz a próxima diz também "as próximas") num evento transmitido em directo. Ora, se o clube não tivesse gasto uma pequena fortuna no PortoCanal, essa transmissão até podia ser feita via streaming na página oficial. Todos os que nos visitam sabem que até um grupo de grandes bloggers portistas - onde o Reflexão Portista teve presença - conseguiu fazer isso com os seus encontros da Bluegosfera, logo não deve ser algo complicado para uma grande instituição conseguir uma conexão rápida e segura para os portistas e sócios que não vão poder estar presentes.
Mas....mas, o Porto Canal pertence ao Clube e não há, realmente, nada que respeite mais a instituição que utilizar um canal próprio para aproximar a instituição dos seus. Afinal de contas, não é por um dia a programação ser interrompida pelo encontro entre grandes portistas que debatem o dia a dia e a vida do clube - afinal, não se interrompeu um jogo para dar o discurso presidencial na inauguração de uma Casa em Cantanhede, onde há, igualmente, grandes portistas - que virá mal ao mundo. O processo eleitoral é o pilar de qualquer instituição e o FC Porto não é diferente.
Seguir em directo o processo, o debate de ideias entre sócios, conhecer o ambiente que se vive nas Assembleias, identificar os rostos, os silêncios, os que falam soltando palavras que são portismo puro e absoluto, devia ser algo a que todos nós, portistas pelo Mundo - e pelo país - deveríamos poder formar parte. Entenderão, naturalmente, que muitos não possam deslocar-se em pessoa para votar (uma pena que não exista ainda um voto electrónico para esses casos) mas isso não devia significar esconder o processo quando a sua divulgação pública é perfeitamente possível.
E se fosse necessário restringir o acesso a sócios, não é tecnicamente complexo criar um código e "username" inserindo o número do cartão de sócio para que só estes pudessem ver a AG em directo, passando o PortoCanal emissões regulares de cinco minutos em directo durante a Assembleia, emitindo posteriormente uma reportagem alargada nos seus informativos.
Durante anos criticamos, e bem, a forma como os canais privados e públicos faziam das eleições, noutros clubes, um circo mediático. Não é isso que queremos. Queremos uma celebração de portismo para todos, porque ninguém é mais portista que outro em função da distância em quilómetros que reside do estádio do Dragão, e se existem os meios tecnológicos, se existe a propriedade de um canal que pertence ao clube, a obrigação da direcção do FC Porto ainda em funções é abrir esse momento a todos. A não ser que sintam que o ambiente e o processo eleitoral está bem como está, entre silêncios mais ou menos cómodos, rostos sérios, vozes que despeitam opiniões alheias e sabem que o podem fazer porque poucos estão a olhar. Se assim for, entende-se perfeitamente que o processo continue a existir em formato catacumba. Mas acho que está na altura do portismo merecer algo distinto, uma celebração do nosso amor do clube distribuído a azul e branco, ás claras, nos quatro cantos do mundo.
sexta-feira, 4 de março de 2016
0,0005% contra
No passado dia 15 de Fevereiro, o presidente da Mesa da Assembleia-Geral do Futebol Clube do Porto informou os Associados, que as eleições dos órgãos sociais do Futebol Clube do Porto, para o quadriénio entre meados de 2016 e 2020, seriam realizadas no dia 17 de abril de 2016.
O Dr. Miguel Ângelo Bismarck referiu que as eventuais candidaturas devem ser “apresentadas nos termos do disposto no artigo 52.º dos estatutos do clube”, ou seja “até 30 dias antes da realização das eleições e ser propostas por, pelo menos, 300 associados sénior no pleno gozo dos seus direitos, devendo ser acompanhadas dos termos de aceitação dos candidatos”.
Sensivelmente na mesma altura, foi também marcada a Assembleia Geral da SAD do FC Porto, tendo em vista eleger os corpos sociais para o mesmo período (o quadriénio 2016 a 2019).
Ora, sendo o Clube o maior acionista da SAD (detém cerca de 75% das ações) e detentor de todas as ações de categoria A, compete à Direção do Clube indicar os membros do Conselho de Administração da SAD.
Nesse sentido, tendo sido marcadas eleições para o Clube, o lógico seria que a Assembleia Geral da SAD fosse agendada para depois das eleições do Clube, de modo a ser a nova Direção do Clube, seja ela qual for, a indicar os membros para os órgãos sociais da SAD.
Inexplicavelmente, não foi isso que aconteceu. A Assembleia Geral da SAD foi realizada ontem, dia 3 de março de 2016, 45 dias antes das eleições para os órgãos sociais do Futebol Clube do Porto.
De acordo com um Comunicado da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, na Assembleia Geral de ontem esteve representado 83,78% do capital social e, em termos do ponto 2 da Ordem de Trabalhos – Eleição do Conselho de Administração para o quadriénio 2016/2019 – a deliberação foi a seguinte:
«2. Eleição do Conselho de Administração para o quadriénio 2016/2019.
Neste ponto da ordem de trabalhos foi apresentada, pela Direção do Futebol Clube do Porto, uma nova proposta, que integrou, para além dos membros anteriormente comunicados, Antero José Gomes da Ressurreição Diogo Henrique e José Américo Amorim Coelho (não executivo). Esta proposta foi aprovada com 99,9995% dos votos a favor e 0,0005% contra.»
Sou Portista desde que me lembro.
Sou Sócio do Futebol Clube do Porto há muitos anos.
E sou um pequeníssimo acionista da FC Porto SAD desde a sua criação.
Ao longo da minha vida, já sofri, vibrei, saltei e até chorei (de alegria) a ver jogos de equipas do Futebol Clube do Porto em diferentes modalidades.
Ontem senti um vazio dentro de mim. Um vazio por, às 15h30 da tarde, não ter podido estar ao lado do acionista Portista cujas ações representam 0,0005% do capital da FC Porto SAD.
E, tal como ele, ter votado contra.
Porque, independentemente das pessoas e da opinião que cada um de nós possa ter (isso é assunto para outros artigos), o Clube manda na SAD e o Clube, pelo menos formalmente, ainda é dos Associados. Ou já não é?
Tudo indica que, mais uma vez, só haverá uma lista candidata nas próximas eleições (a que vai ser encabeçada por Jorge Nuno Pinto da Costa), mas os Associados do Futebol Clube do Porto têm de ser respeitados e só se irão pronunciar, por ação ou omissão, daqui a 45 dias.
Assim sendo, qual era o problema da Assembleia Geral de ontem, ter sido marcada para depois das eleições no Clube?
quarta-feira, 2 de março de 2016
São Porto?
Ser Porto.
Há uns anos começou a correr por aí a expressão "Ser Porto", como se os cimentos gastos do velho estádio das Antas recordassem outro grito de guerra entretanto perdido. Foi a época do marketing, do 1893 na camisola - não fosse alguém duvidar do duvidável - e da externalização da comunicação do clube com as suas forças vivas a labaredas ou diários mitológicos que vendem independência mas seleccionam melhor as noticias com lápiz azul(e branco) que outros. Mas o importante era repetir o mantra, "Ser Porto". Todos aqueles que tinham chegado até ali, muitos nascidos quando "Ser Porto" significava sofrer ano sim e ano também, tinham de reaprender a cartilha, não fosse alguém desconfiar de que "Ser Porto" não era lá com eles e como se o "Bibó Porto carago" que durante décadas se ouviu até no silêncio da neblina que todas as manhãs se adentra pela Douro fosse impossível de se vender nos emails enviados às empresas a quem se pede dinheiro para pagar os croisants que antes se compravam no Velasquez fiados. Mas por muito que vendam o grito, por muito que criem a linguagem moderna do que é, na prática, "ser Porto", há quanto tempo é que aqueles que a proclamam, ás vezes até em silêncio - pasme-se, há directores desportivos do clube que falam calados ou falam lá para fora, não para os seus, porque ficam melhor na fotografia - são eles Porto?
Foram, sem dúvida, foram Porto.
Foram provavelmente mais do que muitos ainda que o FC Porto, o que não ganhava todos os anos e sofria tantas vezes o injusto e criminal tratamento votado pelo centralismo, também estivesse cheio de homens grandes e que eram, sem dúvida, também eles, Porto. Mas ninguém discute, ninguém disputa que houve uma lufada de ar fresco quando quem hoje se esconde em muros de silêncio deu um pontapé na muralha para gritar, sem medo, que ser Porto era algo maior do que um motivo de orgulho, era uma forma de ser. Esses gritos, que se ouviam tão longe que minaram por dentro o sistema que nos afogava ano atrás ano, são a base de tudo e não há como esquecer essa voz que, quando falava, o mundo tremia. Durante três longas, inesquecíveis e intermináveis décadas - pelo menos na nossa memória - reescreveu-se o adn de um clube que deixou de ter medo de gritar que era ele próprio, um clube de portistas para portistas e disposto a tudo para não se deixar prejudicar por quem não suportava o êxito desses portistas. Forjou-se aí a cultura vigente, ás vezes substituindo coisas antigas, outras vezes recuperando-as. Nasceram dragões das nuvens, recuperou-se a "mistica" do balneário depois de anos de prima-donas que jantavam com presidentes para despedir treinadores e recuperaram-se figuras históricas, não para lamber feridas mas sim para lançar o futuro. A cada eleição, a cada aclamação, entendia-se aquele "ser Porto" porque não eram palavras vãs. O discurso tinha eco real no quotidiano e não eram apenas os titulos - nacionais e internacionais. Era o orgulho próprio, a identidade, a sensação de pertencer a algo grande, genuino e que não deixava de ser portuense, nortenho, apesar de haver espaço para todos. Aquele "ser Porto" era-o na teoria e na prática - vamos assumir já que ninguém é perfeito e que houve, como sempre, altos e baixos - e quem conduzia o navio era, sem dúvida, Porto. Ainda o é?
O novo processo eleitoral está prestes a chegar à sua conclusão antes de ter sido sequer iniciado, consequência lógica e inevitável de quem se sabe eterno e imortal - ele, os outros, todos - e não está para incomodar-se com burocracias. Mas se há rostos similares, alguns gastos pelos anos, pela vida e pelos excessos de tudo, o discurso hoje já não é o mesmo. É vazio, é oco, é um loop gasto, perdem-se já palavras, entendimentos e ilusões a cada vez que o "ser Porto" se corrompe, dia após dia. Tudo aquilo que se defendeu em 1977, que se reforçou em 1982 e que foi, ano atrás ano, dando força aos nossos despertares, é hoje memória presente mas vã, como aqueles que sentem nostalgia por algo que sabem que não vai voltar olhando para aqueles que lhes dizem, quase rindo-se de eles, de que esse algo nunca se foi. Mas foi, ó se foi. Em 1982 o FC Porto fez-se grande porque decidiu colocar o seu destino nas mãos de quem era Porto, soube ser Porto e soube fazer-nos a todos um pouco mais Porto. Mas em 1982 - e nos anos seguintes - o que o Porto não queria, o que não era ser Porto, o que nos fazia a todos um pouco menos Porto era precisamente aquilo que hoje aqueles que lutaram contra essa realidade colocam em prática com assustadora frequência. Procurei, juro que procurei, nos panfletos eleitorais, nas hemerotecas, no discurso e nas aclamações e vivas daqueles anos sinais do que é o Porto de hoje e não encontro paralelos, não encontro concordância. Em nenhum lugar encontrei sinais do que podiamos encontrar em relatórios de conta como os que vamos abrindo, trimestralmente, com resignação, as alvisseras e vivas a um "ser Porto" que inclui entre tantos outros pecados inconfessáveis:
- pagar comissões a familiares por negócios
- contratar familiares e familiares de amigos para a estrutura do clube
- permitir que familiares exerçam de porta-voz do clube, defenestrando simbolos reais de escudo no peito, ou coloquem em risco o próprio futuro do clube tendo acesso a informações mais tardes debitadas por meia dúzia de tostões e muito rancor
- estar mais preocupado em distribuir riqueza pela corte de amigos do que no futuro do clube
- apostar conscientemente na desvalorização desportiva em prole da dependência financeira alheia, entre bancos e fundos, o que ás vezes é o mesmo
- alhear-se do que é ser simbolo de uma cidade, de uma região, não como elemento exclusivo - todos podem ser Porto em qualquer canto do Mundo - mas como vector de dinamismo deixando essa luta abandonada ou a outros sem a mesma força que tem a voz do dragão
- abdicar de uma excelente equipa de scouting, forjada com anos de trabalho intenso de pessoas que, muitas vezes desde o biberão sim "são Porto", para externalizar esses serviços
- transformar a formação, a base de mais de década e meia de êxitos, num pro-forma, num negócio onde até percentagens de passes são oferecidos, como eclairs, em processos de renovação quando, quem assina, já tem o contrato escrito a azul e branco no coração
- transferir a seu belo prazer as quotas dos sócios, negligenciando as modalidades que sempre fizeram parte do ADN do clube e que também são, para muitos, Porto.
- transferir a seu belo prazer a posse do estádio, correndo o risco de deixar, num futuro em que a SAD possa não ser da instituição de um modo maioritário -e ninguém pode jurar que isso não passará - o FC Porto no olho da sua própria rua.
- calar, consentir e silenciar todos os "roubos de Igreja" que prejudicam, dia sim, dia também o clube quando o êxito do clube se construiu em gritar, não consentir e denunciar cada golpe que nos tentaram dar por cima e por debaixo da mesa
- permitir que os velhos poderes, os que se contestavam e que columpiados com o poder, esse que ia entrar na Assembleia com uma cabeça na bandeja, controlem como um polvo as instituições que têm poder de decisão sobre a vida desportiva onde compete o escudo e a camisola
- ser incapaz de competir com equipas menores, em orçamento e pedigree, sem um assomo de vergonha e auto-critica salvo por escorrer a culpa para os que já não estão, assobiando para o lado ao mesmo tempo que se engorda a maquinaria orçamentada até ao risco da implosão.
Não, não adianta procurar porque não vão encontrar nada que proponha como politica desportiva nada disto porque, "ser Porto", nessa altura de positivismo e arrojo, era outra coisa ainda que alguns sejam os mesmos, e muito do que hoje se faz era então combatido, valentemente, sem papas na lingua, sem medos e sem meias palavras.
Aquilo que corrompia o clube até as entranhas - o medo crónico, a subserviência, a desvalorização desportiva, o desrespeito pelo associado - aliado aquilo que nem nos piores anos se vivia como o nepotismo, as negociatas com entidades que existem debaixo de um imenso ponto de interrogação - está hoje mais presente do que então, a tal ponto que parece, pura e simplesmente, que voltamos a viajar no tempo. Nada pode apagar 30 anos de titulos e memórias que não se derretem no tempo mas também nada logra, realmente, explicar, tanto interesse em voltar atrás no tempo. Parece, de algum modo, que alguém se arrependeu de quem foi, do que significou e do que logrou e quer voltar ao inicio, recuperar a juventude perdida tentando voltar à casa de partida do jogo para reiniciar o processo. Só que todos sabemos que o tempo não volta para trás por muitos que alguns queiram e devolver o clube à mais miserável das condições não dá direito a jogar o jogo com uma nova vida guardada. Ou talvez aqueles que ajudaram a definir, com todo o mérito, aquele "ser Porto" se tenham esquecido do que foram.
Será, então, que esse "ser Porto" que foi também o de todos aqueles que vieram de trás e suportaram não a glória mas a dor, o sofrimento e a tristeza de perder sem poder lutar, existe ainda naquele espaço fechado onde se tomam as decisões que padecemos todos? No fundo, em todo este processo, só há uma pergunta que é ainda válida tendo em conta tudo o que sabemos, tudo o que desenterramos, tudo o que vivemos e tudo o que debates. Será, de verdade, que eles ainda são "Porto"?
Há uns anos começou a correr por aí a expressão "Ser Porto", como se os cimentos gastos do velho estádio das Antas recordassem outro grito de guerra entretanto perdido. Foi a época do marketing, do 1893 na camisola - não fosse alguém duvidar do duvidável - e da externalização da comunicação do clube com as suas forças vivas a labaredas ou diários mitológicos que vendem independência mas seleccionam melhor as noticias com lápiz azul(e branco) que outros. Mas o importante era repetir o mantra, "Ser Porto". Todos aqueles que tinham chegado até ali, muitos nascidos quando "Ser Porto" significava sofrer ano sim e ano também, tinham de reaprender a cartilha, não fosse alguém desconfiar de que "Ser Porto" não era lá com eles e como se o "Bibó Porto carago" que durante décadas se ouviu até no silêncio da neblina que todas as manhãs se adentra pela Douro fosse impossível de se vender nos emails enviados às empresas a quem se pede dinheiro para pagar os croisants que antes se compravam no Velasquez fiados. Mas por muito que vendam o grito, por muito que criem a linguagem moderna do que é, na prática, "ser Porto", há quanto tempo é que aqueles que a proclamam, ás vezes até em silêncio - pasme-se, há directores desportivos do clube que falam calados ou falam lá para fora, não para os seus, porque ficam melhor na fotografia - são eles Porto?
Foram, sem dúvida, foram Porto.
Foram provavelmente mais do que muitos ainda que o FC Porto, o que não ganhava todos os anos e sofria tantas vezes o injusto e criminal tratamento votado pelo centralismo, também estivesse cheio de homens grandes e que eram, sem dúvida, também eles, Porto. Mas ninguém discute, ninguém disputa que houve uma lufada de ar fresco quando quem hoje se esconde em muros de silêncio deu um pontapé na muralha para gritar, sem medo, que ser Porto era algo maior do que um motivo de orgulho, era uma forma de ser. Esses gritos, que se ouviam tão longe que minaram por dentro o sistema que nos afogava ano atrás ano, são a base de tudo e não há como esquecer essa voz que, quando falava, o mundo tremia. Durante três longas, inesquecíveis e intermináveis décadas - pelo menos na nossa memória - reescreveu-se o adn de um clube que deixou de ter medo de gritar que era ele próprio, um clube de portistas para portistas e disposto a tudo para não se deixar prejudicar por quem não suportava o êxito desses portistas. Forjou-se aí a cultura vigente, ás vezes substituindo coisas antigas, outras vezes recuperando-as. Nasceram dragões das nuvens, recuperou-se a "mistica" do balneário depois de anos de prima-donas que jantavam com presidentes para despedir treinadores e recuperaram-se figuras históricas, não para lamber feridas mas sim para lançar o futuro. A cada eleição, a cada aclamação, entendia-se aquele "ser Porto" porque não eram palavras vãs. O discurso tinha eco real no quotidiano e não eram apenas os titulos - nacionais e internacionais. Era o orgulho próprio, a identidade, a sensação de pertencer a algo grande, genuino e que não deixava de ser portuense, nortenho, apesar de haver espaço para todos. Aquele "ser Porto" era-o na teoria e na prática - vamos assumir já que ninguém é perfeito e que houve, como sempre, altos e baixos - e quem conduzia o navio era, sem dúvida, Porto. Ainda o é?
O novo processo eleitoral está prestes a chegar à sua conclusão antes de ter sido sequer iniciado, consequência lógica e inevitável de quem se sabe eterno e imortal - ele, os outros, todos - e não está para incomodar-se com burocracias. Mas se há rostos similares, alguns gastos pelos anos, pela vida e pelos excessos de tudo, o discurso hoje já não é o mesmo. É vazio, é oco, é um loop gasto, perdem-se já palavras, entendimentos e ilusões a cada vez que o "ser Porto" se corrompe, dia após dia. Tudo aquilo que se defendeu em 1977, que se reforçou em 1982 e que foi, ano atrás ano, dando força aos nossos despertares, é hoje memória presente mas vã, como aqueles que sentem nostalgia por algo que sabem que não vai voltar olhando para aqueles que lhes dizem, quase rindo-se de eles, de que esse algo nunca se foi. Mas foi, ó se foi. Em 1982 o FC Porto fez-se grande porque decidiu colocar o seu destino nas mãos de quem era Porto, soube ser Porto e soube fazer-nos a todos um pouco mais Porto. Mas em 1982 - e nos anos seguintes - o que o Porto não queria, o que não era ser Porto, o que nos fazia a todos um pouco menos Porto era precisamente aquilo que hoje aqueles que lutaram contra essa realidade colocam em prática com assustadora frequência. Procurei, juro que procurei, nos panfletos eleitorais, nas hemerotecas, no discurso e nas aclamações e vivas daqueles anos sinais do que é o Porto de hoje e não encontro paralelos, não encontro concordância. Em nenhum lugar encontrei sinais do que podiamos encontrar em relatórios de conta como os que vamos abrindo, trimestralmente, com resignação, as alvisseras e vivas a um "ser Porto" que inclui entre tantos outros pecados inconfessáveis:
- pagar comissões a familiares por negócios
- contratar familiares e familiares de amigos para a estrutura do clube
- permitir que familiares exerçam de porta-voz do clube, defenestrando simbolos reais de escudo no peito, ou coloquem em risco o próprio futuro do clube tendo acesso a informações mais tardes debitadas por meia dúzia de tostões e muito rancor
- estar mais preocupado em distribuir riqueza pela corte de amigos do que no futuro do clube
- apostar conscientemente na desvalorização desportiva em prole da dependência financeira alheia, entre bancos e fundos, o que ás vezes é o mesmo
- alhear-se do que é ser simbolo de uma cidade, de uma região, não como elemento exclusivo - todos podem ser Porto em qualquer canto do Mundo - mas como vector de dinamismo deixando essa luta abandonada ou a outros sem a mesma força que tem a voz do dragão
- abdicar de uma excelente equipa de scouting, forjada com anos de trabalho intenso de pessoas que, muitas vezes desde o biberão sim "são Porto", para externalizar esses serviços
- transformar a formação, a base de mais de década e meia de êxitos, num pro-forma, num negócio onde até percentagens de passes são oferecidos, como eclairs, em processos de renovação quando, quem assina, já tem o contrato escrito a azul e branco no coração
- transferir a seu belo prazer as quotas dos sócios, negligenciando as modalidades que sempre fizeram parte do ADN do clube e que também são, para muitos, Porto.
- transferir a seu belo prazer a posse do estádio, correndo o risco de deixar, num futuro em que a SAD possa não ser da instituição de um modo maioritário -e ninguém pode jurar que isso não passará - o FC Porto no olho da sua própria rua.
- calar, consentir e silenciar todos os "roubos de Igreja" que prejudicam, dia sim, dia também o clube quando o êxito do clube se construiu em gritar, não consentir e denunciar cada golpe que nos tentaram dar por cima e por debaixo da mesa
- permitir que os velhos poderes, os que se contestavam e que columpiados com o poder, esse que ia entrar na Assembleia com uma cabeça na bandeja, controlem como um polvo as instituições que têm poder de decisão sobre a vida desportiva onde compete o escudo e a camisola
- ser incapaz de competir com equipas menores, em orçamento e pedigree, sem um assomo de vergonha e auto-critica salvo por escorrer a culpa para os que já não estão, assobiando para o lado ao mesmo tempo que se engorda a maquinaria orçamentada até ao risco da implosão.
Não, não adianta procurar porque não vão encontrar nada que proponha como politica desportiva nada disto porque, "ser Porto", nessa altura de positivismo e arrojo, era outra coisa ainda que alguns sejam os mesmos, e muito do que hoje se faz era então combatido, valentemente, sem papas na lingua, sem medos e sem meias palavras.
Aquilo que corrompia o clube até as entranhas - o medo crónico, a subserviência, a desvalorização desportiva, o desrespeito pelo associado - aliado aquilo que nem nos piores anos se vivia como o nepotismo, as negociatas com entidades que existem debaixo de um imenso ponto de interrogação - está hoje mais presente do que então, a tal ponto que parece, pura e simplesmente, que voltamos a viajar no tempo. Nada pode apagar 30 anos de titulos e memórias que não se derretem no tempo mas também nada logra, realmente, explicar, tanto interesse em voltar atrás no tempo. Parece, de algum modo, que alguém se arrependeu de quem foi, do que significou e do que logrou e quer voltar ao inicio, recuperar a juventude perdida tentando voltar à casa de partida do jogo para reiniciar o processo. Só que todos sabemos que o tempo não volta para trás por muitos que alguns queiram e devolver o clube à mais miserável das condições não dá direito a jogar o jogo com uma nova vida guardada. Ou talvez aqueles que ajudaram a definir, com todo o mérito, aquele "ser Porto" se tenham esquecido do que foram.
Será, então, que esse "ser Porto" que foi também o de todos aqueles que vieram de trás e suportaram não a glória mas a dor, o sofrimento e a tristeza de perder sem poder lutar, existe ainda naquele espaço fechado onde se tomam as decisões que padecemos todos? No fundo, em todo este processo, só há uma pergunta que é ainda válida tendo em conta tudo o que sabemos, tudo o que desenterramos, tudo o que vivemos e tudo o que debates. Será, de verdade, que eles ainda são "Porto"?
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Seja esperto, seja como o Rui
Sou portuense e portista, a ordem certa que venha o diabo e escolha porque nem eu sei ao certo mas tenho profundo orgulho de ambas. Tudo aquilo de positivo que acontece à minha cidade e ao meu clube é sempre motivo de regozijo. E poucas coisas têm sido tão positivas nos últimos tempos como Rui Moreira. O Presidente da Câmara Municipal do Porto - portuense e portista, seguramente numa ordem que ele também não saberá ao certo precisar - é uma lufada de ar fresco e um sinal de esperança para todos aqueles que sobreviveram ao cinzentismo dos últimos quinze anos na Invicta. É também um sinal de esperança para todos os portistas.
Há uns largos tempos atrás o RP publicou uma série de textos opinativos em que se abordavam os perfis dos futuros presidenciáveis do clube. Nenhum parecia ser tão consensual como o de Rui Moreira, ainda que já na altura se mencionasse a sua ambição política (confirmada) e a sua presença como cronista no jornal A Bola (se podem atacar Vitor Baía por colaborar com o Correio, que diriam de quem colaborou com A Bola?). Era um perfil que gerava as dúvidas naturais de quem não era particularmente distante da SAD vigente mas que, ao mesmo tempo, nunca se posicionou abertamente como presidenciável por ter outra frente aberta. O facto é que ele podia ter sido - nas palavras de um grande portista - o Joan Laporta que o clube necessitava depois de décadas de um perfil radicalmente distinto que ajudou a elevar o clube aos píncaros da glória mas parecia desgastado. Laporta fez isso com o Barcelona e foi chave para cimentar o êxito actual. Moreira é, seguramente, uma pessoa muito mais séria e de fiar do que um Laporta rodeado de polémicas por todos os lados, mas a ideia de regeneração (a todos os níveis) desde dentro era o plano. Infelizmente para o FC Porto e felizmente para a cidade do Porto, Rui Moreira deu um murro na mesa e apresentou uma candidatura independente à Câmara para acabar com o compadrio partidário que representava Luís Filipe Menezes, o candidato "salta-pontinhas". Moreira ganhou, ganhou bem e ganhou de forma tão surpreendente que foi noticia um pouco por todo o Mundo. Poucos tinham defendido tanto a cidade como ele durante o seu mandato à frente da ACP. Os que nele acreditaram esperavam o mesmo perfil agora à frente da Câmara Municipal e não se enganaram. Desde o momento em que foi eleito Rui Moreira não lutou apenas para melhorar a vida quotidiana dos portuenses - depois de década e meia de cinzentismo orçamental - mas também se ergueu como o grande defensor da cidade e região contra o asfixiante centralismo da capital. Fê-lo como sempre, com elegância, classe, valores mas uma autoridade moral que ninguém podia questionar (e quem não se lembra do seu abandono no programa Trio de Ataque, um ataque de portismo do mais exemplar que se viu em Portugal). Fê-lo, sobretudo, por convicção e por amor à sua cidade.
Olhando para as últimas batalhas ganhas por Moreira ficamos sempre, nós, os portuenses, nós os nortenhos, orgulhosos de um homem assim. Para os que também somos, naturalmente, portistas, fica também a pontinha de inveja. Como queríamos um líder deste nível à frente dos destinos do nosso clube. Hoje o FC Porto precisa mais de Rui Moreira do que nunca precisou.
Quando todos calam, ele levanta a voz. Quando todos tentam desviar as atenções, ele enfrenta as balas. Quando uns misturam alhos e bugalhos para ir pelas costas, ele vai de frente. Rui Moreira tem demonstrado ser um líder exemplar e espero, sinceramente, para o bem da cidade, que cumpra todos os mandatos a que legalmente se possa candidatar. O Porto agradecerá enormemente ter alguém como ele a conduzir os destinos da cidade. O Clube, esse, terá de olhar e procurar inspiração num perfil similar ainda que não seja fácil. Ruis Moreiras não há muitos.
Olhando para o panorama actual, é difícil encontrar no Clube o defensor absoluto da cidade e região que já foi. O elo de identidade desaparecido. Os valores perdidos. A conexão apagada. A história reescrita. O Porto não deve nunca deixar de ser a máxima referência e prioridade do FC Porto por muito que este procure, legitimamente, expandir-se para a China, Colômbia, México, Espanha ou Nova Zelândia. Se alguma vez chegamos onde chegamos foi também pelas nossas origens. Hoje, como nunca, nota-se a falta desses laços. Desses jogadores da casa que entendem cada palavra murmurada pelas gaivotas. Desses dirigentes que se preocupam com o Clube e com a cidade muito mais do que com arranjar trabalho para filhos, genros, cunhados, irmãos e companheiras dentro da estrutura do clube, repartindo benesses que pertencem a todos os sócios e accionistas, a dedo. Desses adeptos que antes faziam das Antas uma plataforma gigante de portismo e de sentimento nortenho e que agora gelam o Dragão ao som do sorver de bebidas, do mastigar de pipocas e de assobios que envergonhariam as pedras da Constituição.
Rui Moreira pode não estar disponível nos próximos dez anos para ser Presidente do FC Porto mas o seu exemplo está aí, para todos verem. O Presidente da Câmara não dá trabalho à família num organismo que é de todos. Não se preocupa em beneficiar os amigos de fora - os fundos legais e suspeitos, os agentes e comissionistas - e sim os seus concidadãos através da dinamização das forças-vivas da cidade que crescem com o turismo, a indústria e as marcas mais fortes da Invicta onde está, inevitavelmente, o nosso clube. Rui Moreira não se cala quando se prejudica o Porto da mesma maneira que outros calam quando se prejudica o FC Porto. Não se vende àqueles que insultam a cidade como outros se vendem àqueles que insultaram o clube e os recebem entre mordomias no palco presidencial. Rui Moreira pode não ser o próximo Presidente do FC Porto mas alguém que siga o seu exemplo deveria sê-lo. O Rui é esperto. O Rui é fiel. O Rui é frontal. O Rui é honesto. O Rui é corajoso. Futuro presidente do FC Porto, seja esperto. Seja como o Rui.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
O programa eleitoral
O FC Porto está a uma distância praticamente irrecuperável do título e depende, e muito, do que faça na próxima sexta-feira o acesso directo à Champions League e aos seus 12 milhões de euros garantidos. Não é por casualidade que o sorteio preliminar é cada vez mais exigente. Não caem Lille´s todos os anos do céu. Como se ninguém desse por isso, como habitual, daqui a dois meses há igualmente eleições. Possivelmente, como habitual, com lista única e vencedora antecipada.
Um processo eleitoral é algo que não se valoriza nunca o suficiente. É um elemento fundamental - não único nem exclusivo mas fundamental - da vida de uma instituição, a voz daqueles que fazem dessa instituição algo seu. E antes de uma eleição o lógico é que quem possa votar tenha acesso ao programa eleitoral ou, pelo menos, a um programa de intenções para os anos de mandato. Há clubes que transformam as suas eleições numa espécie de corrida à Casa Branca - casos do Real ou Barcelona - onde se prometem estrelas, investimentos, projectos, onde se debatem ideias. Cada candidato apresenta o seu programa e sabe que corre o risco de ser culpabilizado durante os anos de mandato se não cumprir o prometido. A Laporta muitos adeptos lhe criticaram o bluff que foi dizer que contava com Beckham mas ninguém ousou questionar quando colocou no seu programa a extinção da claque Boixos Nous, um grupo ultra-violento. Não cumpriu o primeiro - trouxe Ronaldinho, melhor decisão ainda que menos mediática então - mas fez o que tinha de fazer com a claque. Florentino Perez, já sabemos, colocou por escrito que pagaria do seu bolso o lugar anual de todos os sócios do Real Madrid se não trouxesse Figo. Com as cartas na mesa é mais fácil votar.
No caso do FC Porto, não sabemos realmente nada disto porque discutir ideias eleitorais para o futuro do clube é algo que desde 1982 desapareceu do mapa. Basicamente o caminho tem-se feito caminhando, à base da crença. Não foi, longe disso, um mau caminho. Mas há muito que derrapou ainda que se continue a avançar, agora por descampados abandonados em vez de estradas bem asfaltadas. E porquê? Porque sim.
A dois meses das eleições eu gostava de saber qual era o programa eleitoral para os próximos quatro anos de clube. Que podemos esperar de quem vai governar na certa - mesmo que surja, espontânea, das entranhas do portismo mais corajoso, uma lista alternativa - os destinos do clube até 2020?
Já sabemos que o candidato ganhador está de boa saúde (felizmente) e quer construir um grande centro de formação para o futuro. É um discurso copiado dos anos oitenta, quando se prometiam museus (que demorou mais de duas décadas), pavilhões (que demorou uma eternidade), e um eterno pulso contra os interesses asfixiantes da capital (que é um discurso indigno, aparentemente, nos dias que correm). Portanto calculem o centro de formação lá para 2030. Se tiver atrás o mesmo gestor do projecto Visão, juntem mais uma década até resolver todos os problemas estruturais e em 2040 La Masia vai estar nas margens do Douro na certa.
Mas, há algo mais a que o sócio portista possa acudir quando vá colocar o seu voto? Tem havido sinais de ideias para o futuro? Neste momento, prima, o silêncio o que nos permite suspeitar que o programa ainda está a ser organizado pelo que podemos antecipar, talvez, que pontos poderão ser incluídos. A saber:
- o FC Porto deixará de falar de árbitros. O FC Porto deixará de falar do Conselho de Arbitragem, dos kits a árbitros, dos jantares e almoços, dos sorteios...o FC Porto deixará de denunciar a corrupção arbitral e a influência dos clubes de Lisboa nas tomas de poder. Isso é indigno do FC Porto. Quando, em última análise, a direcção quiser mencionar algo, será de forma metafórica e graciosa - via email - porque estamos acima dessas coisas.
- a comunicação externa será gerida por mulheres, companheiras e amigas de funcionários do clube, independentemente do seu estatuto no organigrama. São pessoas de confiança e tudo o que disserem reflecte o que pensamos. Poupam-se assim os salários dos eventuais relações públicas que podem ser investidos em contratações para instituições ligadas ao clube de pessoas de confiança. Que sejam ou não familiares directas de funcionários do clube é irrelevante...porque estamos acima dessas coisas.
- não há necessidade de uma direcção desportiva. Temos externalizados os serviços de contratação, negociação de contratos, agenciamento, scouting e empréstimos a uns amigos porreiros que só querem o melhor para o clube. Vamos brevemente abrir duas novas delegações negociais, uma numa aldeia perdida das Midlands a meio caminho de tudo o que é clube rasca mas rico da Premier e outra na costa chinesa, a pouca distância de Macau, porque esse é o futuro. Não se preocupem com os orçamentos desproporcionados, o aumento dos gastos anuais em salários ou o plantel de guarda-redes que estamos a formar paralelamente para começar um novo desporto. Confiamos nos nossos amigos mesmo quando publicamente dizemos que nos enganaram por contratarem um jogador um ano antes de nós nos termos dado conta e cuja chegada foi evidentemente exigência do treinador.
- a pessoa que estiver sentada no banco com o estatuto do treinador é um acessório que se vende em separado e pode ser trocado ciclicamente sem influenciar a qualidade do produto. A estrutura somos nós, quem ganha somos nós e esse senhor sabe disso e deve assumi-lo desde o primeiro momento. No entanto, como lhe estamos a fazer um favor ao tê-lo ao serviço do maior clube português, como contrapartida deve assumir que no contrato há uma clausula invisível que diz que deve dar a cara pelo clube sempre, dizer tudo aquilo que nos reservamos e que ao menor sinal de barulho terá de abandonar o navio, mesmo que o tenhamos elogiado semanas antes, porque aqui o mérito é nosso...a culpa, dele.
- os sócios, adeptos, simpatizantes ou turistas da Ryanair que vão ao estádio são consumidores e o que pensem ou não do clube importa-nos pouco porque temos claro o nosso caminho e com quem e como queremos trabalhar. Agradecemos os aplausos, os gritos de apoio, as compras de equipamentos, kits, cachorros e pipocas e sobretudo que tenham a sensatez de assobiar a pessoa que estiver sentada no banco ou qualquer um dos tipos vestidos em campo que pertencem à empresa de externalização de serviços porque nos permitem resolver os problemas facilmente. Como? Porque a culpa, já sabemos, é deles.
- ser campeão está demodé. ser uma equipa competitiva na Europa é tão século XX. Nós pensamos em grande. O nosso objectivo é "Somos Porto" e com isso dizemos tudo. A questão desportiva de ganhar, perder ou empatar, ser eliminados de torneios de primeira ou terceira, conectar a equipa B com os A, isso são questões aborrecidas. O mundo intenso e emocionante dos jantares, das transferências com clubes presididos por tipos que nos insultam, o falar espanhol para o El Pais e falar chinês para o Diario de Pequim, isso é que está a dar. Temos um canal catita e familiar, um estádio state of the art com pavilhão e museu ao lado que é a inveja do mundo e ganhamos umas coisas nos últimos cinco anos, que mais querem?
Há coisas que se dizem, há coisas que se sentem. O FC Porto vai a eleições, provavelmente sem listas (no plural) e sem programa (no singular). Mas isso não significa que se vá a eleições sem um plano de futuro concreto, mesmo que oculto e silenciado por ruidos externos que permitem tapar tanta, tanta coisa. A votos, realmente, vão duas Champions League, duas Intercontinentais, duas UEFA/Europa League, 20 Ligas... tudo entre 58 titulos. Que o mais recente campeonato seja de um mandato anterior e que, desde então não haja nada para oferecer a não ser um bilhete para o museu, diz muito da necessidade de um programa publico de futuro (que treinador, que fazer com a formação, que direcção desportiva, que organigrama, que fazer para controlar gastos....) e de uma lista alternativa com as suas ideias claras. E não vale qualquer lista nem qualquer programa porque isto é o FC Porto e os sócios do clube merecem sempre o melhor. Duvido que seja isso que vão ter sobre a mesa no boletim de voto daqui a dois meses.
Um processo eleitoral é algo que não se valoriza nunca o suficiente. É um elemento fundamental - não único nem exclusivo mas fundamental - da vida de uma instituição, a voz daqueles que fazem dessa instituição algo seu. E antes de uma eleição o lógico é que quem possa votar tenha acesso ao programa eleitoral ou, pelo menos, a um programa de intenções para os anos de mandato. Há clubes que transformam as suas eleições numa espécie de corrida à Casa Branca - casos do Real ou Barcelona - onde se prometem estrelas, investimentos, projectos, onde se debatem ideias. Cada candidato apresenta o seu programa e sabe que corre o risco de ser culpabilizado durante os anos de mandato se não cumprir o prometido. A Laporta muitos adeptos lhe criticaram o bluff que foi dizer que contava com Beckham mas ninguém ousou questionar quando colocou no seu programa a extinção da claque Boixos Nous, um grupo ultra-violento. Não cumpriu o primeiro - trouxe Ronaldinho, melhor decisão ainda que menos mediática então - mas fez o que tinha de fazer com a claque. Florentino Perez, já sabemos, colocou por escrito que pagaria do seu bolso o lugar anual de todos os sócios do Real Madrid se não trouxesse Figo. Com as cartas na mesa é mais fácil votar.
No caso do FC Porto, não sabemos realmente nada disto porque discutir ideias eleitorais para o futuro do clube é algo que desde 1982 desapareceu do mapa. Basicamente o caminho tem-se feito caminhando, à base da crença. Não foi, longe disso, um mau caminho. Mas há muito que derrapou ainda que se continue a avançar, agora por descampados abandonados em vez de estradas bem asfaltadas. E porquê? Porque sim.
A dois meses das eleições eu gostava de saber qual era o programa eleitoral para os próximos quatro anos de clube. Que podemos esperar de quem vai governar na certa - mesmo que surja, espontânea, das entranhas do portismo mais corajoso, uma lista alternativa - os destinos do clube até 2020?
Já sabemos que o candidato ganhador está de boa saúde (felizmente) e quer construir um grande centro de formação para o futuro. É um discurso copiado dos anos oitenta, quando se prometiam museus (que demorou mais de duas décadas), pavilhões (que demorou uma eternidade), e um eterno pulso contra os interesses asfixiantes da capital (que é um discurso indigno, aparentemente, nos dias que correm). Portanto calculem o centro de formação lá para 2030. Se tiver atrás o mesmo gestor do projecto Visão, juntem mais uma década até resolver todos os problemas estruturais e em 2040 La Masia vai estar nas margens do Douro na certa.
Mas, há algo mais a que o sócio portista possa acudir quando vá colocar o seu voto? Tem havido sinais de ideias para o futuro? Neste momento, prima, o silêncio o que nos permite suspeitar que o programa ainda está a ser organizado pelo que podemos antecipar, talvez, que pontos poderão ser incluídos. A saber:
- o FC Porto deixará de falar de árbitros. O FC Porto deixará de falar do Conselho de Arbitragem, dos kits a árbitros, dos jantares e almoços, dos sorteios...o FC Porto deixará de denunciar a corrupção arbitral e a influência dos clubes de Lisboa nas tomas de poder. Isso é indigno do FC Porto. Quando, em última análise, a direcção quiser mencionar algo, será de forma metafórica e graciosa - via email - porque estamos acima dessas coisas.
- a comunicação externa será gerida por mulheres, companheiras e amigas de funcionários do clube, independentemente do seu estatuto no organigrama. São pessoas de confiança e tudo o que disserem reflecte o que pensamos. Poupam-se assim os salários dos eventuais relações públicas que podem ser investidos em contratações para instituições ligadas ao clube de pessoas de confiança. Que sejam ou não familiares directas de funcionários do clube é irrelevante...porque estamos acima dessas coisas.
- não há necessidade de uma direcção desportiva. Temos externalizados os serviços de contratação, negociação de contratos, agenciamento, scouting e empréstimos a uns amigos porreiros que só querem o melhor para o clube. Vamos brevemente abrir duas novas delegações negociais, uma numa aldeia perdida das Midlands a meio caminho de tudo o que é clube rasca mas rico da Premier e outra na costa chinesa, a pouca distância de Macau, porque esse é o futuro. Não se preocupem com os orçamentos desproporcionados, o aumento dos gastos anuais em salários ou o plantel de guarda-redes que estamos a formar paralelamente para começar um novo desporto. Confiamos nos nossos amigos mesmo quando publicamente dizemos que nos enganaram por contratarem um jogador um ano antes de nós nos termos dado conta e cuja chegada foi evidentemente exigência do treinador.
- a pessoa que estiver sentada no banco com o estatuto do treinador é um acessório que se vende em separado e pode ser trocado ciclicamente sem influenciar a qualidade do produto. A estrutura somos nós, quem ganha somos nós e esse senhor sabe disso e deve assumi-lo desde o primeiro momento. No entanto, como lhe estamos a fazer um favor ao tê-lo ao serviço do maior clube português, como contrapartida deve assumir que no contrato há uma clausula invisível que diz que deve dar a cara pelo clube sempre, dizer tudo aquilo que nos reservamos e que ao menor sinal de barulho terá de abandonar o navio, mesmo que o tenhamos elogiado semanas antes, porque aqui o mérito é nosso...a culpa, dele.
- os sócios, adeptos, simpatizantes ou turistas da Ryanair que vão ao estádio são consumidores e o que pensem ou não do clube importa-nos pouco porque temos claro o nosso caminho e com quem e como queremos trabalhar. Agradecemos os aplausos, os gritos de apoio, as compras de equipamentos, kits, cachorros e pipocas e sobretudo que tenham a sensatez de assobiar a pessoa que estiver sentada no banco ou qualquer um dos tipos vestidos em campo que pertencem à empresa de externalização de serviços porque nos permitem resolver os problemas facilmente. Como? Porque a culpa, já sabemos, é deles.
- ser campeão está demodé. ser uma equipa competitiva na Europa é tão século XX. Nós pensamos em grande. O nosso objectivo é "Somos Porto" e com isso dizemos tudo. A questão desportiva de ganhar, perder ou empatar, ser eliminados de torneios de primeira ou terceira, conectar a equipa B com os A, isso são questões aborrecidas. O mundo intenso e emocionante dos jantares, das transferências com clubes presididos por tipos que nos insultam, o falar espanhol para o El Pais e falar chinês para o Diario de Pequim, isso é que está a dar. Temos um canal catita e familiar, um estádio state of the art com pavilhão e museu ao lado que é a inveja do mundo e ganhamos umas coisas nos últimos cinco anos, que mais querem?
Há coisas que se dizem, há coisas que se sentem. O FC Porto vai a eleições, provavelmente sem listas (no plural) e sem programa (no singular). Mas isso não significa que se vá a eleições sem um plano de futuro concreto, mesmo que oculto e silenciado por ruidos externos que permitem tapar tanta, tanta coisa. A votos, realmente, vão duas Champions League, duas Intercontinentais, duas UEFA/Europa League, 20 Ligas... tudo entre 58 titulos. Que o mais recente campeonato seja de um mandato anterior e que, desde então não haja nada para oferecer a não ser um bilhete para o museu, diz muito da necessidade de um programa publico de futuro (que treinador, que fazer com a formação, que direcção desportiva, que organigrama, que fazer para controlar gastos....) e de uma lista alternativa com as suas ideias claras. E não vale qualquer lista nem qualquer programa porque isto é o FC Porto e os sócios do clube merecem sempre o melhor. Duvido que seja isso que vão ter sobre a mesa no boletim de voto daqui a dois meses.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
“Cansei dessa merda aqui!”
| Mensagem da mulher de Maicon no Instagram (fonte: Maisfutebol) |
«A mulher de Maicon, Úrsula Roque, partilhou uma publicação no Instagram na qual tece duras críticas a quem descreve como “quem se diz doutores” e que responsabiliza pelas dificuldades físicas do defesa-central.
“Eu vou apoiar-te sempre porque sei o tanto que ama esse clube por que tantas vezes já brigou comigo para focar no Porto! Quem está vaiando não sabe o que passou aqui. A culpa não é sua, já faz 4 meses que tenta voltar a 100% e não consegue porque o erro não foi seu e sim de quem se diz doutores! Um absurdo não conseguir melhorar um jogador que treina de manhã e à tarde todo o dia para voltar a jogar e pede para parar e não pode! Cansei dessa merda aqui! Desculpa Maicon, sei que ama, mas eu já não aguento mais essa falta de dedicação e seriedade!”
Entretanto, Maicon já colocou a sua conta do Instagram em modo privado, assim como a sua mulher.»
Será que o FC Porto já bateu no fundo ou, como diz um amigo meu portista, ainda há mais fundo?
Enfim, como é óbvio, o que é preciso é atacar o Vítor Baía (inclusive em termos pessoais), para que isso sirva de aviso a todos os sócios do FC Porto que se atrevam a criticar esta Direção/Administração e, pior, que tenham a veleidade de estar disponíveis para assumir responsabilidades no Clube/SAD.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
O (meu) Porto não era isto
Como é (presumo) do conhecimento de todos os portistas, Vítor Baía proferiu um conjunto de afirmações muito críticas do momento atual do FC Porto e, particularmente, dos dirigentes que rodeiam o presidente Pinto da Costa:
“Se eu [Vítor Baía] fosse presidente do FC Porto, a primeira coisa que fazia era correr com aquela gente toda [que rodeia Pinto da Costa]. Acabava com todas aquelas relações promiscuas que existem e recolocava o clube na senda da honestidade e seriedade”
Ora, é perfeitamente natural que o núcleo duro de Pinto da Costa, a célebre “estrutura”, não tenha gostado destas declarações. Agora, como é óbvio, quem exerce cargos em clubes/SAD's, tem de estar preparado para ouvir este e outro tipo de críticas (treinadores e árbitros ouvem pior todas as semanas).
Assim sendo, e não tendo havido qualquer ataque pessoal, por alma de quem é que a esposa do presidente do FC Porto veio a público responder e fazer ataques pessoais a um sócio do Futebol Clube do Porto (o qual também é um destacado ex-atleta e ex-dirigente do clube)?
![]() |
| Notícias na comunicação social da resposta-ataque da esposa de Pinto da Costa |
Li e ouvi muitas reacções às declarações (feitas nas redes sociais) da esposa do presidente do FC Porto.
Podemos especular sobre os motivos desta sua intervenção intempestiva, a tentar silenciar uma voz crítica e, pelos vistos, incómoda.
Contudo, na minha perspectiva, o essencial é dito no artigo seguinte, da autoria de Luís Aguilar, e do qual reproduzo, com a devia vénia, os seguintes extractos.
«E eis que o FC Porto se transforma num clube em que as mulheres dos dirigentes dão bitaites nas redes sociais e ofendem figuras históricas da instituição. Longe vão os tempos em que os dragões falavam a uma só voz – a do presidente – e em que os outros testemunhos, que raramente apareciam, serviam apenas para sublinhar o que Pinto da Costa já tinha dito, fosse bom ou mau. Era um clube com estratégia e organização. Era uma equipa com muitas referências de balneário. Com jogadores que tinham muitos anos de casa. Símbolos como Vítor Baía. Não havia espaço para eleger um capitão como Bruno Martins Indi, por exemplo, que chegou apenas na época passada. Os tempos, porém, são outros. Pinto da Costa deve estar muito mal para permitir que a forte estrutura que criou seja agora uma mercearia de bairro em que todos julgam ter o direito de lavar roupa suja.
A esposa do presidente dos dragões usou o Instagram para atacar Vítor Baía. O antigo capitão do Porto tinha dito, entre outras coisas, que "pessoas que dão facadas a Pinto da Costa estão ao seu lado" e que, no lugar do presidente, "corria com toda a estrutura atual", manifestando, uma vez mais, a sua disponibilidade para um dia assumir os comandos do clube. É uma opinião de quem conhece bem a casa. Uma ambição legítima. Mas logo veio a esposa do líder dos dragões defender a honra do marido – que não tinha sido posta em causa por Baía – num post lamentável. "Quando me chamaram à atenção para essas declarações do ex-guarda-redes Vítor Baía não contive a gargalhada", começa por escrever a mulher de Pinto da Costa. Tudo o resto que se segue é demasiado triste para rir.
(...) Se Baía não pode falar dos dragões, então ninguém pode. Mais grave: teve de ler, entre outras apreciações, que "passeava as suas namoradas em trajes mínimos" na SAD e que "não soube gerir o seu próprio dinheiro", num ataque claro aos problemas financeiros da sua fundação. O que tem isso a ver com futebol e o estado atual do clube? Nada!
Em 2014, Maldini criticou severamente a gestão do Milan. Nessa altura, contudo, o histórico capitão da equipa italiana não foi atacado pelas esposas de Berlusconi ou Galliani. No reino do dragão, a história é outra. O clube que durante tantos anos se orgulhou da forma como controlava a sua comunicação – característica que se dizia ser um dos segredos de tantas vitórias – está transformado numa república das bananas em que falam as mulheres dos presidentes e até os pais dos treinadores. Cada um diz/escreve o que quer. Os resultados – ou falta deles – estão à vista. O Porto não era isto. Agora, pelos vistos, parece não ser mais do que isto.»
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Sucessão: os outros
Nas últimas semanas não faltaram nomes (e nem sequer todos portistas) avançados nos comentarios como possíveis candidatos a sucessor de Pinto da Costa, para além dos nomes inicialmente avançados pelo Alexandre no seu artigo inicial sobre o tema; ao ponto de alguns autores do Reflexão Portista se perguntarem se estávamos a fazer alguma coisa errada ao não avançarmos com a nossa própria candidatura, LOL... :-D
Serve este artigo para mencionar os candidatos menos falados, com algumas considerações sobre cada um (e desconheço se algum deles tem ambição de chegar a presidente do FCP). Digamos que é a lista dos «outsiders», uns mais do que outros...
Miguel Sousa Tavares aka «o jornalista implacável»: a favor, o reconhecimento imediato pelos adeptos, a frontalidade, o espírito crítico e independente. Contra, nunca ter gerido nada e ser dado a extremos: como presidente provavelmente iríamos assistir a 5 treinadores, 20 jogadores dispensados (tal como 4 dirigentes, 2 massagistas e 3 apanha-bolas), e outros 15 jogadores contratados. Isto numa só época, claro.
Belmiro de Azevedo aka «o gestor implacável»: daqui a 4 anos vai ter 78 anos. Acho que não preciso de ir mais longe nos comentários.
Fernando Madureira aka «o macaco»: a favor: simpatia de PdC e capacidades de liderança, com o registo impressionante de ter pegado num grupo de carolas que gostava apenas de ir apoiar o clube do coração e ter tornado aquilo num autêntico negócio altamente lucrativo. Contra: preciso mesmo de dizer alguma coisa?
Reinaldo Teles aka «o Tio Reinaldo»: o histórico número dois e fiel adjunto de PdC. A favor: conhecimento profundo do futebol e homem da casa, alta gratidão da parte dos adeptos. Contra: com todo o devido respeito, lamento mas eu não lhe confiava sequer a gestão do mealheiro do meu filho, quanto mais da SAD. Acrescente-se a frágil saúde. De qualquer forma, acho extremamente provável que queira sair pelos seus próprios pés quando PdC sair, como aliás ele próprio já disse em tempos. Quanto muito, possível candidato a dirigente intermédio numa lista de «continuidade».
Adelino Caldeira aka «Darth Vader» : conhecido entre muitos detractores como o «dark side» maquiavélico da direção da SAD (uma espécie de Dick Cheney do FCP, digamos), o que inclui suspeitas de favorecimentos a sócios e familiares (que tiveram ou têm negócios com a SAD). A favor: a experiência. Contra: a experiência :-). Mais a sério, apesar de ser um dos braços direitos de PdC não lhe conheço pessoalmente dotes especiais de gestão, nem tampouco dotes de liderança, ou sequer carisma - nao será aliás por acaso que praticamente ninguém fala dele como possível sucessor, não é? No entanto, é obviamente um fortíssimo candidato a manter o cargo secundário numa lista de «continuidade».
Fernando Póvoas aka «o médico»: reação imediata do adepto típico: «Quem??». Ex-vice-presidente do clube. A favor: experiência no clube, alguns dotes demonstrados de gestão nas suas clínicas privadas. Podíamos também poupar algum dinheiro num médico para o banco nos jogos, já agora! Contra: um desconhecido da maior parte dos adeptos, e demasiado distante do mundo do futebol para ter credibilidade suficiente com os adeptos. As suas hipóteses aumentariam a pico se escolhesse uma figura popular do futebol do clube como gestor 'hands on' para o futebol (como um Baia ou Jorge Costa, por exemplo, ou um Antero Henrique se este aceitasse, o que não me acredito).
Joana Pinto da Costa aka «a Pintinha»: tem a vantagem do nome de familia: se isto fosse a Coreia do Norte, a eleição já estava no papo, carago! Tirando isso, desconheço-lhe quaisquer argumentos minimamente credíveis.
Alexandre Pinto da Costa: o mesmo ponto forte da Joana, mas com conhecimento por dentro do mundo do futebol. Contra: a sua história no mundo do futebol... «deitando-se» com os nossos inimigos e péssimos dados sobre as suas qualidades de gestão, para não falar em carisma zero tal como zero experiência como dirigente.
Jorge Costa aka «o Bicho»: figura querida dos adeptos. Indiscutíveis qualidades de liderança e amor ao clube. Bom conhecedor do mundo do futebol. Contra: enorme ponto de interrogação como gestor ou dirigente. No curto prazo não teria hipóteses de ser eleito sendo visto como extremamente «verde», mas quem sabe daqui a 4 (ou mais) anos, se entretanto mostar argumentos como dirigente. Não o excluo no entanto como possível candidato a dirigente subalterno (por exemplo ao lugar detido hoje por Antero Henrique) principalmente numa lista que não seja de «continuidade».
Fernando Gomes aka «o gajo das contas»: ex-administrador da SAD, era o tipo que dava a cara no aspecto financeiro durante muitos anos (e no G14). A favor: candidato credível e facilmente reconhecível, dos raros que têm experiência no mundo do futebol e como gestores, e em cargos de liderança. Longa história positiva dentro do FCP, desde os tempos de jogador de básquete até a dirigente. Contra: é mais conhecido dos adeptos hoje em dia pelas piores razões, nomeadamente pelas turras com o FCP enquanto presidente da FPF (e anteriormente na Liga), tendo ganho uma imagem demasiado próxima dos nossos inimigos para o gosto dos portistas. Nao e' querido por Pinto da Costa, diminuindo imenso assim as suas hipoteses. Mas como dizia PdC, «largos dias têm 100 anos» e nunca se sabe...
António Lobo Xavier aka «Pau-para-toda-a-colher»: candidato com um pedigree teórico interessante. Inquestionavelmente portista, é ainda jovem (53 anos) e tem um CV recheado de responsabilidades em diversas áreas (há quem diga demasiadas), da advocracia à política à gestão em empresas de topo, com capacidades de liderança reconhecidas - ao que se junta alguma experiência no FCP, onde chegou mesmo a ser Administrador na SAD. É também uma figura mediática, não só como deputado do CDS como também comentador na SIC.
André Villas Boas aka «cenourinha» ou «libras boas»: poderá eventualmente ser um candidato a ter em conta, quem sabe, mas acho que so´ daqui a muitos anos. A saída unilateral da «cadeira de sonho» poderia jogar contra ele, mas a reconciliação com PdC elimina em grande medida esse handicap.
Para alem disso ainda vi outros nomes a serem mencionados que nem me dou ao trabalho de comentar como Nuno Cardoso, Luis Filipe Menezes, Alexandre Magalhães, José Magalhães ou Fernando Gomes (ex-presidente da CMP).
Enfim, apos tantos nomes para todos os gostos e feitios, fico um bocadinho desiludido que ninguem mencionou o meu :-D... já agora aqui fica, para fechar o ramalhete:
José Rodrigues aka 'o bloguista-que-tem-a-mania-que-tem-piada': a favor, sei lá... é portista. Contra: para além do pequeno pormenor de ter zero hipóteses de ser eleito, a sua esposa já o avisou de que se se atrever a pensar sequer em regressar a Portugal antes da reforma (i.e. daqui a 20 e muitos anos), vai levar um enxerto de porrada.
Concluindo: o mais provável (mas não certo) é que PdC continue por mais 3 anos, havendo portanto mais do que oportunidade para voltarmos mais tarde ao tema da sucessão. É também muito provável que se o PdC «apadrinhar» uma candidatura essa terá enorme probabilidade de vencer, independentemente do seu mérito e das listas alternativas. Mas como foi dito no artigo inicial desta série, não vem mal nenhum (bem pelo contrário) que os adeptos comecem a reflectir nisso com alguma antecedência porque as iterações só contribuem para que as opiniões na «altura da verdade» sejam o mais informadas e consolidadas possíveis.
Outros artigos nesta série:
A Sucessão: Artur Jorge, uma especulação
A Sucessão: António Salvador
Os enigmas de Rui Moreira
A Sucessão: o "Bibota"
Baía a presidente, Baía a presidente!
A Sucessão: António Oliveira
A Sucessão: Antero Henrique
A Sucessão: o fim de um tabu
António Lobo Xavier aka «Pau-para-toda-a-colher»: candidato com um pedigree teórico interessante. Inquestionavelmente portista, é ainda jovem (53 anos) e tem um CV recheado de responsabilidades em diversas áreas (há quem diga demasiadas), da advocracia à política à gestão em empresas de topo, com capacidades de liderança reconhecidas - ao que se junta alguma experiência no FCP, onde chegou mesmo a ser Administrador na SAD. É também uma figura mediática, não só como deputado do CDS como também comentador na SIC.
Se fosse eleito poderíamos ainda como bónus poupar dinheiro com advogados da próxima vez que os nossos inimigos inventarem um processo contra nós :-). Contra: apesar de alguma experiência na SAD (mas em cargos nao executivos), muitos se irão perguntar - e muito legitimamente - se percebe mesmo de futebol. Além disso, a longa história no CDS pode jogar contra si entre alguns sócios (embora esteja convencido que num FCP e no Grande Porto, onde vive a grande maioria dos sócios, isto é um factor com pouco impacto).
Para alem disso ainda vi outros nomes a serem mencionados que nem me dou ao trabalho de comentar como Nuno Cardoso, Luis Filipe Menezes, Alexandre Magalhães, José Magalhães ou Fernando Gomes (ex-presidente da CMP).
Enfim, apos tantos nomes para todos os gostos e feitios, fico um bocadinho desiludido que ninguem mencionou o meu :-D... já agora aqui fica, para fechar o ramalhete:
José Rodrigues aka 'o bloguista-que-tem-a-mania-que-tem-piada': a favor, sei lá... é portista. Contra: para além do pequeno pormenor de ter zero hipóteses de ser eleito, a sua esposa já o avisou de que se se atrever a pensar sequer em regressar a Portugal antes da reforma (i.e. daqui a 20 e muitos anos), vai levar um enxerto de porrada.
Concluindo: o mais provável (mas não certo) é que PdC continue por mais 3 anos, havendo portanto mais do que oportunidade para voltarmos mais tarde ao tema da sucessão. É também muito provável que se o PdC «apadrinhar» uma candidatura essa terá enorme probabilidade de vencer, independentemente do seu mérito e das listas alternativas. Mas como foi dito no artigo inicial desta série, não vem mal nenhum (bem pelo contrário) que os adeptos comecem a reflectir nisso com alguma antecedência porque as iterações só contribuem para que as opiniões na «altura da verdade» sejam o mais informadas e consolidadas possíveis.
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A Sucessão: Antero Henrique
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
A Sucessão: Antero Henrique
Antero Henrique é visto por muitos portistas como estando na pole position dos possíveis candidatos a sucessor de Pinto da Costa, e bem possivelmente com razão, embora eu tenha algumas dúvidas.
Não deixa de ser curioso que assim seja quando não faz sequer parte da «cúpula» na SAD, não fazendo parte do Conselho de Administração (onde para além de PdC temos A. Caldeira, R. Teles e A. Ferreira, para além de um administrador não-executivo) nem sendo sequer um dos 14 vice-presidentes do clube (onde se encontra por exemplo R. Teles e A. Caldeira). Isso acontece no entanto porque é visto como o homem forte do futebol, e o futebol é a principal actividade do clube.
Transmontano de Vinhais (e alegadamente benfiquista enquanto criança segundo entrevista de um amigo de infância ao JN há uns anos, tendo depois visto a «luz»: um pormenor que a ser verdade acho curioso mas sem importância), Antero Henrique subiu a pulso no FCP a partir de um início modesto, sob a tutela de PdC. Tendo ido estudar para o Porto com 18 anos, cruzou o seu destino com o FCP no início dos anos 90 como coordenador da revista Dragões, de onde «saltou» para assessor de imprensa, ainda nos anos 90; e com a criação da SAD estruturou o departamento de relações externas. Destacou-se nos primeiros anos de SAD pela lealdade absoluta a PdC (como durante o processo do «Pito Dourado»), sendo promovido a director-geral para o futebol em 2005 (o que levantou confusão entre alguns adeptos na altura, como eu, no que diz respeito ao seu papel vs. o papel do «administrador para o futebol» que era, e é suposto no papel ser ainda, Reinaldo Teles; hoje em dia há muito menos dúvidas nessa questão).
No sistema presidencialista de PdC, Antero passou desapercebido da esmagadora maioria dos adeptos nos primeiros tempos, «dando a cara» pela primeira vez a sério num projecto por si anunciado intitulado de «611,» que muito aplaudi na altura. Como se viu mais tarde esse projecto foi um tremendo fracasso (medido pelos critérios anunciados por Antero), já que se em 2006 tínhamos 4 jogadores da casa no plantel, em 2011 em vez de termos 6 como previsto (um objectivo que nem era particularmente ambicioso), tínhamos... 1.
No entanto a imagem de competência (ainda que bastante nebulosa e vaga, devido à forma opaca como a SAD funciona e com PdC a ser quase o único a dar a cara, o que tem muitas vantagens mas também algumas desvantagens) que ganhou junto de muitos adeptos foi pouco beliscada por esse projecto que tinha a sua marca, sendo associado com as sucessivas vitórias nacionais (e internacional, no caso da Liga Europa), claramente o mais importante para os adeptos. Ultimamente tem dado um pouco mais a «cara», o que saúdo, mas mesmo assim é difícil para o adepto comum saber até que ponto é que ele teve «dedo» em decisões importantes de gestão por contraponto a PdC e aos companheiros de administração.
Mesmo que seja mais ou menos consensual que é competente no cargo que desempenha, será ele um bom presidente? Uma pergunta que muitos adeptos se colocam é se não estaremos na presença de um possível exemplo do princípio de Peter, i.e. de que as pessoas têm tendência a serem promovidas até ao seu nível de incompetência - no caso de Antero, quer isto dizer que poderá ser um bom director no dia-a-dia mas um mau presidente. Essa é uma resposta muito difícil de responder, mas para a maioria dos adeptos será suficiente que PdC «abençoe» a sua candidatura para remover essa dúvida.
Dúvida que no entanto regressará em força caso as primeiras épocas no pós-PdC não sejam de sucesso, com comentários do género «Pois é, o mérito do sucesso era mesmo do PdC». Um desafio que se coloca tanto a Antero como a qualquer outro possível candidato, aliás, porque terão sempre muitíssimo menos margem de manobra do que PdC tinha, por razões óbvias. Existem duvidas tambem que tenha a sensibilidade e sagacidade suficientes para a gestão económica da SAD quando se perspectivam tempos de maior aperto do cinto.
Dúvida que no entanto regressará em força caso as primeiras épocas no pós-PdC não sejam de sucesso, com comentários do género «Pois é, o mérito do sucesso era mesmo do PdC». Um desafio que se coloca tanto a Antero como a qualquer outro possível candidato, aliás, porque terão sempre muitíssimo menos margem de manobra do que PdC tinha, por razões óbvias. Existem duvidas tambem que tenha a sensibilidade e sagacidade suficientes para a gestão económica da SAD quando se perspectivam tempos de maior aperto do cinto.
Muitos consideram que não tem um perfil presidenciável, sendo um «tecnocrata». Penso que não será de excluir de todo a possibilidade de que, consciente disso, Antero junte forças com A. Caldeira e A. Ferreira (e quem sabe R. Teles) para colocar uma figura popular entre os adeptos como presidente do FCP clube que se contente em deixá-lo(s) gerir a SAD como mais ou menos bem entenderem (como possivelmente um Fernando «bibota» Gomes). É um cenário que não me agrada porque é o presidente que é eleito pelos sócios e a eles responde também pela gestão do futebol, e com essa responsabilidade devem vir poderes concretos e inquestionáveis na SAD. Prefiro Antero a presidente do clube e da SAD, do que responsável (de forma oficial ou não) apenas da SAD.
Pergunto-me também como verão os seus colegas mais seniores e com origens menos humildes, como um A. Caldeira, a perspectiva de o ter como chefe. Não sei se o aceitarão de forma tão pacífica como isso.
Finalmente, contra si Antero tem o handicap de ser desde sempre um mero homem do futebol, sem experiência significativa ao nível do clube, ao contrário de PdC e tantos outros dirigentes (como R. Teles). Será ele um candidato com a sensibilidade suficiente para ter em conta os interesses superiores do FCP quando estes colidirem com os da SAD? Esta é uma enorme dúvida (e parecem existir alguns dados avulsos que a reforçam), mas penso que de menor importância aos olhos da maioria dos sócios: não vai ser certamente por aí que não será eleito.
Para terminar, pergunto-me se Antero estaria disposto a continuar no posto actual no caso de uma candidatura que não seja de «continuidade», com os administradores a serem todos substituídos (ou quase), e numa posição claramente subalterna perante o novo «chefe» - na teoria, e na prática. Com os dados que tenho neste momento, penso que poderia ser uma solução eventualmente interessante para o FCP... mas ainda é cedo para tirar conclusoes bem fundamentadas.
Para terminar, pergunto-me se Antero estaria disposto a continuar no posto actual no caso de uma candidatura que não seja de «continuidade», com os administradores a serem todos substituídos (ou quase), e numa posição claramente subalterna perante o novo «chefe» - na teoria, e na prática. Com os dados que tenho neste momento, penso que poderia ser uma solução eventualmente interessante para o FCP... mas ainda é cedo para tirar conclusoes bem fundamentadas.
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