segunda-feira, 9 de março de 2009

"Pequenas" discrepâncias nas versões de Carolina

«A ex-companheira de Pinto da Costa chegou já com a sessão a decorrer e foi sujeita a um longo interrogatório por parte de Gil Moreira dos Santos, advogado do presidente dos dragões, durante o qual entrou várias vezes em contradição em relação a pormenores que revelou no livro e também na fase de instrução do processo.

Gil Moreira dos Santos quis saber onde se encontrava no momento em que o encontro entre Pinto da Costa e Augusto Duarte se deu e Carolina teve muita dificuldade em apresentar uma versão coerente. A própria juíza não pareceu satisfeita com as respostas dadas. Carolina justificou algumas incoerências, dizendo tratar-se de "forças de expressão".

Gil Moreira dos Santos disse que o que está a acontecer com Carolina é aquilo em que em criminologia se designa telescoping, ou seja a testemunha revela uma maior precisão dos factos à medida que estes se distanciam do tempo.

Carolina chegou a dizer que o corredor da casa onde vivia com Pinto da Costa "fazia parte da sala" para justificar que esteve sempre presente durante o encontro com Augusto Duarte.»
in Record, 09/03/2009



«Na sessão de hoje, a defesa dos arguidos utilizou como estratégia, bem sucedida, a procura de declarações discrepantes prestadas por Carolina Salgado, em momentos distintos, à Polícia Judiciária (PJ), durante a fase de instrução e na primeira audiência deste julgamento.

O enfoque da acusação foi a localização da casa onde se encontrava a cómoda, na qual, alegadamente, estava o dinheiro para os subornos às equipas de arbitragem.
Carolina Salgado tinha afirmado, inicialmente, a existência de duas cómodas com dinheiro: uma na casa da Madalena (como refere o livro "Eu, Carolina") e outra na habitação da Rua do Clube de Caçadores, em Gaia.
Hoje, na audiência, Carolina Salgado apenas referiu a existência da cómoda da casa da Rua dos Caçadores.

Gil Moreira dos Santos questionou ainda a testemunha sobre o valor alegadamente entregue ao árbitro Augusto Duarte: Carolina Salgado tinha dito em Novembro de 2006 à PJ que o envelope continha entre 2.500 a 3.000 euros, embora relate no livro - que considerou hoje credível, embora com algumas gralhas - apenas o valor de 2.500, tal como lhe tinha dito na altura Pinto da Costa. (...)

O advogado Marcelino Pires, representante de Augusto Duarte - hoje pela primeira vez presente no julgamento -, encontrou igualmente algumas discrepâncias nos testemunhos de Carolina Salgado, entre elas, uma primeira alusão ao encontro para o suborno como sendo na véspera de um Benfica-FC Porto de 2005/06 e não de um Beira-Mar-FC Porto de 2003/04.
Carolina considerou tratar-se de um lapso, que veio a rectificar depois.

O advogado João Machado Vaz, que defende o arguido António Araújo, questionou Carolina Salgado sobre se tinha visto Pinto da Costa a entregar o envelope a Augusto Duarte logo no início do referido encontro ou se durante o mesmo. Mais uma vez, as declarações de Carolina foram contraditórias, embora a testemunha tenha sempre refutado a estratégia da acusação.»
in JN, 09/03/2009


Só pessoas maldosas podem questionar a credibilidade e coerência das declarações da Carolina d'Arc.
Ela já apresentou várias versões para os mesmos factos?
Qual é o problema?
A confusão acerca dos factos deriva, concerteza, dos medicamentos que anda a tomar por causa da selvática agressão de que foi vítima na semana passada. Coitada, ela até foi ao Instituto de Medicina Legal, é porque estava muito doentinha...

Números da bola (21)

A vitória em Matosinhos é a 7ª consecutiva fora de casa.

Desempenho do FC Porto fora de casa:
11 jogos, 8 vitórias, 2 empates e 1 derrota
25 golos marcados - média de 2,27 golos por jogo

Dos oito golos que Hulk já marcou neste campeonato, seis foram obtidos em jogos fora (talvez por isso vá limpar os amarelos ficando ausente num jogo em casa, onde tem sido menos preponderante).

Há 14 jogos consecutivos que o FC Porto não perde para o campeonato.

Análise às contas semestrais das SADs

No JOGO de ontem, Paulo Anunciação faz uma breve análise às contas das SAD's dos três grandes, referentes ao 1º semestre da época 2008/09:

1. Os proveitos operacionais das três SAD no 1º semestre do exercício de 2008/09 cresceram apenas 3% relativamente a período homólogo anterior e atingiram um total de 86,96 milhões de euros. Os custos operacionais, por outro lado, dispararam mais de 20% e atingiram os 87,2 milhões. Ao contrário do que aconteceu no primeiro semestre da época transacta, as receitas correntes dos "três grandes" não chegam para cobrir as despesas correntes. Os proveitos de Sporting e FC Porto aumentaram no período em causa, ao contrário do que aconteceu no Benfica (receitas caíram quase 18% devido à não participação na Champions League). Os custos do Sporting cresceram mais de 33,7%, enquanto no FC Porto subiram quase 21,5%. As despesas operacionais do Benfica aumentaram 8,9%. Este aumento global dos custos foi provocado, sobretudo, pelo aumento da massa salarial dos três clubes.

2. Preocupada com a saúde financeira do futebol europeu, a associação G-14 - que entre 2000 e 2008 agrupou alguns dos maiores clubes da Europa, incluindo o FC Porto - costumava recomendar um rácio de 55% entre salários e proveitos operacionais dos clubes. Nas ligas profissionais norte-americanas (NFL, NBA, NHL), aponta-se normalmente para um "indicador ideal" situado entre os 55% e os 59%. O Sporting (44%) é o único dos "três grandes" que cumpre a recomendação do antigo G-14. Os gastos salariais de Benfica e FC Porto consomem fatias pouco saudáveis das suas receitas (66% e 71% respectivamente).

3. Em termos de receitas de bilheteira no Benfica, a ausência da Champions (quatro jogos no 1º semestre de 2007/08) foi compensada, de certa forma, com as receitas dos "clássicos" nacionais (FC Porto e Sporting visitaram a Luz no 1º semestre de 2008/09) e com os jogos frente a Inter, Nápoles e Galatasaray. Os proveitos nesta área passaram de 7,795 para 6,464 milhões. Mesmo sem acesso ao "market pool" da Champions, as receitas televisivas do Benfica dispararam mais de 50% e atingiram os 6,1 milhões, impulsionadas pelos três jogos da Taça UEFA (renderam 1,8 milhões) e pelos encontros particulares (585 mil euros).

4. Apesar de terem tido uma carreira similar na fase de grupos da Champions (quatro vitórias, duas derrotas, apuramento para os oitavos-de-final), FC Porto (6,3 milhões de euros) e Sporting (10 milhões) contabilizam, curiosamente, verbas diferentes em termos de prémios atribuídos pela UEFA. O Sporting registou prémios de participação (5,4 milhões), de performance (quatro vitórias - 2,4 milhões) e de qualificação para a fase seguinte (oitavos - 2,2 milhões). De acordo com o relatório do Sporting, aliás, a Champions rendeu receitas directas de 12,3 milhões (prémios, bilheteira, "market pool").

5. O Benfica tem quase o dobro das receitas de patrocínios e publicidade do Sporting. As receitas de 6,2 milhões nesta área estão ligadas, sobretudo, aos quatro milhões pagos pelos "sponsors" das camisolas (Adidas, TMN, BES, Sapoadsl) e à venda de "naming rights" (1,693 milhões) para o centro de treinos e bancadas do estádio.

6. A rubrica "Outros Proveitos", no Sporting, inclui 738 mil euros recebidos a título de compensação (mecanismo de solidariedade) devida pela transferência de Ricardo Quaresma para o Inter de Milão.

A mesma rubrica, no FC Porto, inclui um milhão de euros provenientes da cedência de direitos de imagem à World Superleague Formula (corridas SF 2008) e 2,469 milhões decorrentes da resolução favorável emitida pelo Tribunal Arbitral do Desporto no processo que opôs o clube aos antigos treinadores Co Adriaanse e Jan Olde Riekerink (1,07 milhões de indemnização estipulada pelo tribunal, mais 1,399 milhões pela anulação dos prémios a pagar aos dois técnicos, contabilizados em exercícios anteriores).

7. O aumento dos custos operacionais nas três SAD ficou a dever-se, sobretudo, ao incremento das massas salariais relativamente a período homólogo da época anterior. Os custos com pessoal aumentaram 54% no Sporting - passaram de 8,59 para 13,27 milhões -, mas também cresceram de forma significativa no FC Porto (22%) e no Benfica (14%). O Sporting justifica o aumento com o facto de as contas reconhecerem os prémios de apuramento e participação na Champions, o que não aconteceu anteriormente. As remunerações pagas aos órgãos sociais do FC Porto aumentaram 9% relativamente ao primeiro semestre de 2007/08. Estas remunerações continuam a exibir valores ao nível das maiores empresas do país e não estão em linha com as práticas habituais do mercado em sociedades com a mesma dimensão económica ou com o mesmo ramo de actividade.

Paulo Anunciação, 08/03/2009

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Estranho o facto das SAD's do FC Porto e do Sporting terem contabilizado proveitos diferentes em termos de prémios atribuídos pela UEFA (6,3 e 10 milhões de euros respectivamente). Compreendo que a FCP SAD não tenha contabilizado o prémio de passagem aos oitavos-de-final (2,2 milhões de euros), mas a soma dos prémios de participação (5,4 milhões) e de performance (quatro vitórias - 2,4 milhões), perfaz 7,8 milhões e não 6,3. Não percebo esta discrepância.


Quadro do artigo 'O que conta nas contas semestrais dos 3 grandes' (fonte: Jogo Directo)


Olhando para os resultados operacionais, a SAD portista é a que teve melhor desempenho, mas se analisarmos sem contar com as transferências de jogadores a situação inverte-se.


Quadro do artigo 'Resultados semestrais negativos para Benfica, Porto e Sporting' (clique para ampliar)


Nota: A selecção de imagens e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

Fontes:
[1] O JOGO, 08/03/2009
[2] 'Resultados semestrais negativos para Benfica, Porto e Sporting', Futebol Finance, 03/03/2009
[3] 'O que conta nas contas semestrais dos 3 grandes', Jogo Directo, 04/03/2009

domingo, 8 de março de 2009

SMS do dia - XLI

CD Póvoa 1 - FC Porto 9
Apurado para os oitavos da taça de Portugal de hóquei em patins

FC Porto 32 - Sporting 31 (após prolongamento)
Apurado para os quartos da taça de Portugal de andebol

FC Porto 94 - Barreirense 84
6º lugar (com + 1 jogo)

Com quatro tiros se afundou o Leixões no mar


É oficial, este FC Porto, versão 2008/09, dá-se bem e está nas suas sete quintas quando joga fora do Dragão. Aí vai a sétima vitória consecutiva em terreno alheio da equipa de Jesualdo Ferreira para o campeonato, que se transfigura e demonstra alegria no seu jogo nos campos adversários, contrapondo com o futebol pastoso e aos repelões sempre que actua diante do seu público.

O estádio do Mar prefigurava-se como uma das deslocações mais complicadas no calendário azul e branco até ao final da corrente época. Porém, após um ligeiro ímpeto inicial e alguns tiros de pólvora seca por parte dos pupilos de José Mota, o Dragão assumiu as rédeas da partida de forma assertiva, construindo uma das mais bem conseguidas exibições deste campeonato.

Apesar do grande mérito que o conjunto portista teve em empurrar o Leixões para junto da sua baliza, a vitória azul e branca começou a ser desenhada por 2 erros fatais da equipa matosinhense (penalty cometido por Hugo Morais no primeiro golo, e Laranjeiro a isolar Hulk para o segundo tento). Pelo meio o FC Porto foi dispondo de mais situações para ampliar o marcador que, por razões diversas, não foram concluídas da melhor maneira.


Se ao intervalo a vantagem azul e branca pecava por escassa, logo a abrir o 2º tempo os tricampeões Nacionais embalaram para a goleada a partir do já referido golo de Hulk. Mercê da vantagem mais folgada, o FC Porto abrandou o ritmo do encontro para uma toada que mais lhe convinha, sempre sem tirar olhos da baliza leixonense e, aplicando na medida do possível, as suas venenosas transições rápidas.

Precisamente, numa dessas movimentações bem gizadas, Farías abriu brechas pelo lado esquerdo da defesa do Leixões, cruzou para o interior da área, com Lucho a simular para entrada fulgurante de Meireles. O golo da noite e um trabalho colectivo notável. A influência do avançado argentino neste encontro não ficaria por aí. Após a marcação de um pontapé de canto El Tecla cabeceou para fundo das redes de Beto, fazendo o resultado ganhar contornos de goleada.

Até final, prioridade na gestão de esforço dos atletas com vista ao importante jogo da próxima Quarta-Feira diante do Atl. de Madrid e também limpar alguns cartões de uma equipa que está demasiado amarelada. Tudo calmo e com grande descontracção. De tão relaxados que foram os últimos minutos, Helton ainda foi a tempo de pegar no cavaquinho e oferecer mais um peru fora de época.


Positivo: Não obstante de algumas ausências importantes no onze inicial, o FC Porto foi capaz de fazer uma das melhores exibições de toda a época. Tudo isto no terreno de uma das equipas sensação deste campeonato.

Negativo: Se os sócios e adeptos portistas quiserem ver a sua equipa a praticar bom futebol, talvez devam começar ponderar acompanha-la nos encontros fora de casa. A carteira vai-se queixar, mas faz bem ao ego.

Fotos: uefa.com

sábado, 7 de março de 2009

O jornalismo vergado a interesses


«Ontem, no início de um curso de pós-graduação em "Comunicação e Desporto" da Escola de Jornalismo do Porto, de que tenho o pesado encargo de ser professor, peguei num título de um jornal diário que dizia na capa: "Auditores falam de risco de falência da SAD" do FC Porto.

Este é um bom caso para falar dos defeitos do chamado sistema mediático e do que é ser jornalista hoje em dia. O título é factualmente verdadeiro, mas o jornalismo implícito é factualmente errado. É que os auditores - cujo prestígio anda aliás, em todo o mundo, pelas ruas da amargura - falam há muito, pelo menos há uns cinco anos, da possibilidade de falência de todas as SAD e várias outras empresas por causa do artº 35 do Código dos Valores Mobiliários e o jornal tem obrigação de o saber. Se não soubesse, também bastava um "click" no computador para chegar a essa conclusão. Sabendo-se isso, a novidade da notícia, que foi manchete no mesmo jornal há uns anos, deixava de o ser.

Ou seja, com a verdade me enganas. Porque as notícias devem ser tratadas com rigor e honestidade, mesmo que nesse caso se perca uma boa manchete... comercial. E o rigor mandava enquadrar as coisas como deve ser e não atirar para o ar com a parcela que dá jeito, perdendo a face poucas horas depois em face do que naturalmente veio a público.

Expliquei aos meus alunos, um belo grupo aliás, muitos jornalistas ou candidatos a sê-lo, que os jornalistas têm ser honestos e humildes. Que têm direito a errar, mas não têm direito a vergarem-se a interesses. Porque o vício mais caro que há nesta vida é o da independência e o de andar de espinha direita. Quem não estiver para pagar esse preço, é melhor escolher outra profissão.»

Manuel Queiroz, 03/03/2009
in 'De Trivela'


No final do ano 2000, Manuel Queiroz saiu do PÚBLICO (onde tinha integrado a equipa fundadora 10 anos antes) e aceitou o convite para ser subdirector do ‘Record’ e responsável pela redacção do Porto.
Em 30 de Janeiro de 2003, Manuel Queiroz assumiu interinamente a direcção do ‘Record’ quando os antigos directores – José Manuel Delgado e João Querido Manha – foram afastados pela administração da Edisport (empresa do grupo Cofina que controla o ‘Record’).
Nota: José Manuel Delgado e João Querido Manha tinham chegado à direcção do ‘Record’ em Fevereiro de 2002, na sequência de ida de João Marcelino para o ‘Correio da Manhã’.

Nesse mesmo ano – 2003 – Manuel Queiroz passou a desempenhar as mesmas funções (subdirector responsável pela redacção do Porto) no ‘Correio da Manhã’ de onde foi demitido em 23 de Junho de 2007, deixando de haver cargo de director no Porto e mantendo-se a Direcção do CM toda em Lisboa.

Desde que saiu do Grupo Cofina, Manuel Queiroz tem vindo a tornar-se incómodo para os seus antigos companheiros.
Este artigo que publicou no seu blog (de que reproduzi cópia em cima), ou a forma desassombrada como comentou o último FC Porto x Sporting, são apenas dois exemplos.

Mas há mais. Chamo a vossa atenção para alguns artigos que Manuel Queiroz publicou no blog Bússola, envolvendo o Ministério Público e jornalistas do CM, entre os quais destaco:
• ‘O novo director da PJ do Porto’ (23 de Fevereiro de 2008)
• ‘As carpideiras’ (4 de Fevereiro de 2008)
• ‘Bem prega Saldanha Sanches’ (21 de Dezembro de 2007)

O Manuel Queiroz anda a "esticar a corda" e a forma como vem desmascarando diversas situações envolvendo o MP e/ou ex-companheiros do 'Correio da Manhã' (os dois Octávios e o Eduardo Dâmaso) irá, sem dúvida, suscitar ódios e retaliações.
Espero que o Manel (conforme o tratou o João Querido Manha no último Jornal de Domingo da TVI24) continue determinado e que não lhe falte a coragem, mas é bom que tenha um pé de meia substancial, porque quem se mete com os senhores todo poderosos da capital arrisca-se a ficar sem trabalho.

Nota: A selecção da foto e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sexta-feira, 6 de março de 2009

O caso Calabote (VIII)

I. A trajectória da bola e as decisões da FPF
II. A pouco inocente nomeação de Calabote
III. Os estágios das selecções em... Lisboa
IV. Treinador-adjunto do SLB no banco do Torreense
V. Deus deu o campeonato à melhor equipa
VI. Um Gama avermelhado na baliza da CUF
VII. Treinador do FC Porto comprometido com o SLB

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VIII. Jornalistas de ‘A Bola’ lamentam título ganho pelo FC Porto

O jornal ‘A Bola’ foi fundado em Lisboa, em 29 de Janeiro de 1945, por Cândido de Oliveira, Ribeiro dos Reis e Vicente de Melo. Os dois primeiros foram os mentores deste projecto jornalístico, enquanto que o médico Vicente de Melo suportou os custos, com um investimento inicial de cinco mil escudos.
Álvaro de Andrade, redactor do Diário de Lisboa, foi o primeiro director, dada a impossibilidade de Cândido de Oliveira, por ter estado preso no Tarrafal, e de Ribeiro dos Reis, por ser oficial do Exército.

Cândido de Oliveira é uma figura conhecida do futebol português e, inclusivamente, a Supertaça tem o seu nome mas, quem era Ribeiro dos Reis?

António Ribeiro dos Reis era natural de Lisboa, onde nasceu a 10 de Julho de 1896. Foi jogador de futebol, seleccionador nacional, treinador, Secretário Geral da FPF, dirigente da FIFA para o Sector da Arbitragem e jornalista desportivo. Seguiu também a carreira militar, passando à reserva em 1950 com a patente de tenente-coronel.

A 2 de Novembro de 1913, com 17 anos, disputou o seu primeiro jogo com a camisola do Benfica, onde permaneceu até terminar a carreira de futebolista em 18 de Janeiro de 1925.
Ribeiro dos Reis haveria de continuar ligado ao SLB, quer como treinador (o Benfica foi o único clube que aceitou treinar), quer como dirigente ocupando diversos cargos, entre os quais vice-presidente, capitão-geral e presidente da Assembleia Geral. É no desempenho deste último cargo que apoia a ascensão de Joaquim Ferreira Bogalho à presidência do clube, em 1952, e impulsiona o processo de recolha de fundos para a construção do Estádio da Luz.

«Em 9 de Janeiro de 1943 o Benfica homenageou António Ribeiro dos Reis. (...) O dr. Magalhães Godinho, em nome da comissão organizadora, abriu a série dos brindes, para fazer o elogio de Ribeiro dos Reis, oferecendo-lhe uma linda salva de prata, com a seguinte dedicatória: “O Sport Lisboa e Benfica ao capitão Ribeiro dos Reis, comemorando os seus 30 anos de actividade desportiva, orgulho e honra da colectividade e do desporto nacional, aos quais tem servido com lealdade e nobreza.”»
in 'Glória e Vida de Três Gigantes'

Paralelamente à dedicação e empenhamento com que servia o SLB, o que lhe valeria a atribuição da Águia de Ouro em reconhecimento pelos serviços prestados, Ribeiro dos Reis era também um dos redactores principais de ‘A Bola’, jornal de que assumiu formalmente a direcção mal passou à reserva, tendo sido director durante 10 anos, entre 1951 e 1961.

O director de 'A Bola', Ribeiro dos Reis, entrega a Bola de Prata a Matateu

«A segunda jornada da Taça dos Campeões só se realizou em Fevereiro (1 e 26). O coronel Ribeiro dos Reis, director de ‘A Bola’ já não chegou a vê-la, nem assistiu ao segundo grande êxito do clube pelo qual tanto fizera, durante dezenas de anos. Faleceu em 3 de Dezembro de 1962 e o seu funeral saiu da Secretaria do Benfica para o cemitério dos Prazeres.»
in 'Glória e Vida de Três Gigantes', A Bola


Estes factos dão o enquadramento e ajudam a perceber porque razão ‘A Bola’ é, desde a sua criação, uma espécie de jornal semioficial do SLB. A proximidade e ligação (inclusive afectiva) ao SLB é algo que está no ADN do jornal da Travessa da Queimada.

Ora, apesar de se saber por quem foi criado e qual é a linha editorial que ‘A Bola’ sempre adoptou, há “pérolas” que ainda nos conseguem surpreender, como é o caso da crónica do Benfica – CUF, escrita por Alfredo Farinha há quase 50 anos atrás.

Título de primeira página: “Jogo empolgante e dramático de um campeão malogrado”
Título no interior: “A equipa cufista queimou muito tempo!”

Excertos da crónica de Alfredo Farinha:
«Estava escrito! Estava escrito que o Benfica perderia o campeonato! Eram estas, no final do empolgante e dramático jogo da Luz, as duas frases que brotavam dos lábios de uma grande parte dos adeptos benfiquistas. Nem um grito de revolta, nem uma recriminação, nem um queixume. Apenas esta frase, dorida, magoada, impregnada de resignação e conformismo: "Estava escrito!".
Ela bastava, porém, para dizer tudo: para fazer justiça à grande e desafortunada exibição dos jogadores "encarnados"; para evocar as muitas oportunidades de golo perdidas por alguns dos seus avançados; para lastimar as atitudes de exacerbada hostilidade dos jogadores cufistas; para gritar o seu protesto contra a fatalidade de um campeonato perdido nos derradeiros instantes.
Mereceria o Benfica ter perdido este campeonato?
A pergunta talvez não tenha cabimento nas linhas desta crónica, que tem de cingir-se, apenas, aos acontecimentos do encontro da Luz. Calma e imparcialmente, porém, temos de convir que na medida em que a questão do título estava dependente do número de golos que o Benfica marcasse na Luz, os seus jogadores e adeptos têm razão para se sentirem injustamente despojados do triunfo final. É que, independentemente das circunstâncias em que decorreram os últimos minutos deste histórico domingo de futebol; independentemente mesmo do grande nível da exibição produzida pela equipa "encarnada", o Benfica poderia, deveria e merecia ter vencido a CUF por diferença superior a 6 golos.
(...) a CUF não jogou, exclusivamente para si, mas também para uma outra equipa (a do FC Porto) que estava á margem da luta travada na Luz. Se assim foi – e por legítima temos a presunção – cremos existir aqui um problema de ética, digno de, em melhor oportunidade, ser devidamente apreciado e analisado.
(...) Até que ponto é lícito a uma equipa defender, contra outra, de maneira ostensiva e contrária ás leis e espírito de jogo, os interesses de uma terceira? Não será esse procedimento tão incorrecto e anti desportivo como o inverso, isto é, o de facilitar, propositadamente, com o fim de prejudicar os interesses doutrem, a vitória do adversário? As perguntas aqui ficam, por ora sem resposta. Mas talvez valha a pena, em próxima oportunidade, tomá-las para tema de um artigo.»

A forma como esta crónica está escrita é de tal forma insidiosa que nem sequer é preciso dizer nada. A própria crónica fala por si e pelo “jornalista” que a escreveu.

As crónicas deste “jornalista” haveriam de encher as páginas de ‘A Bola’ durante décadas, mas a sua máscara iria cair em meados dos anos 90 quando, como representante do Benfica, participou no programa da SIC 'Os Donos da Bola' (ficou célebre uma emissão em que ia tendo uma apoplexia em directo, devido a uma das suas acaloradas discussões com o portista Manuel Serrão). Saliente-se que o responsável pelo programa ‘Os Donos da Bola’ era um outro ex-jornalista de ‘A Bola’ – Jorge Schnitzer.


Mas os lamentos devido ao título ganho pelo FC Porto não eram um exclusivo de Alfredo Farinha. Uns dias depois, outro dos históricos de ‘A Bola’ – Aurélio Márcio – assinava um artigo cujo título era: «O Benfica seria campeão em França e Inglaterra».

«O FCP conquistou o título por um golo, que tanto pode ser o de Teixeira como o da CUF. Em França e Inglaterra, porém, o SLB seria campeão, pois o seu quociente (3,9) é superior em relação ao do FCP (3,6) [o quociente corresponde ao total de golos marcados a dividir pelo total de golos sofridos].
Fazemos votos para que numa próxima reforma do regulamento geral da FPF se recorra todos os meios de desempate, menos aos jogos extra, que não condizem com o espírito da competição.»

É caso para dizer que é tudo farinha do mesmo saco...

Enfim, por mais que isso tenha custado ao director e aos jornalistas de ‘A Bola’, por mais que o Sistema da altura tenha tentado “fazer as coisas por outro lado”, o que é certo é que o FC Porto se sagrou campeão na época 1958/59.

A foto seguinte regista a imposição das faixas aos campeões nacionais, num jogo particular (de homenagem a Pedroto) contra o Futth EV da República Federal da Alemanha, disputado no antigo Estádio das Antas em 29/03/1959 (o FC Porto venceu por 4-1).

Campeões 1958/59 (clique para ampliar)

Em cima: Dr. Paulo Pombo (Presidente), Virgílio, Lito, C. Alberto, Américo, Carlos Duarte, Luis Roberto, Monteiro da Costa, Béla Guttmann (Treinador), Amaral (Director), A. Sarmento e Osvaldo Silva.

Em baixo: Teixeira, Morais, Gastão, Noé, Acúrcio, Perdigão e Pedroto.

Faltam, entre outros: Hernâni, Miguel Arcanjo, Osvaldo Cambalacho, Pinho e Barbosa.

(continua: Atraso inicial, penalties e descontos)

Fontes:
[1] ‘CSI – Calabote Scene Investigation’, Pobo do Norte, Maio de 2008
[2] 'Glória e Vida de Três Gigantes', A BOLA, 1995
[3] 'Ribeiro dos Reis. Vida que Brilhou em Tempos Sombrios', Astregildo Silva, 2004
[4] '100 figuras do futebol português', A BOLA, 1996


Fotos:
[1] '100 figuras do futebol português', A BOLA
[2] 'Sebastião Lucas da Fonseca (Matateu)', www.osbelenenses.com
[3] 'Paixão pelo Porto'

quinta-feira, 5 de março de 2009

Equipa sénior de basquetebol "treina" com os mini

«A equipa sénior do F.C. Porto Ferpinta, liderada por Júlio Matos e João Tiago, surpreendeu cerca de meia centena de crianças que integram os escalões «mini» dos Dragões, ao irromper, sem aviso, no local de treino dos mais pequenos, ao final da tarde de quarta-feira.

Assim que os «gigantes» portistas entraram no pavilhão da Escola Nicolau Nazoni, no Porto, a concentração dos aspirantes a estrelas deu lugar a reacções de incredulidade e, logo a seguir, de incontida euforia diante dos seus ídolos, acabados de chegar expressamente para participar no treino.

Os seniores foram, então, treinadores, coordenando tarefas de carácter técnico, auxiliando no drible, no lançamento na passada ou no passe do peito. Incontornáveis foram a sessão de autógrafos, a foto de grupo e o grito de equipa, bradado no final, pouco antes de formulado o convite aos «mini» para apoiarem os seniores no jogo de sábado, frente ao Barreirense.»
in www.fcporto.pt


É muito importante haver uma ligação entre a equipa sénior de basquetebol e os jovens atletas que estão a dar os primeiros passos nos escalões de formação do FC Porto. Para os mais novos é uma enorme motivação.

Realço que ao "treino" de ontem ao fim da tarde, também compareceram os jogadores estrangeiros e nem sequer os atletas lesionados (caso do Daniel Monteiro com o braço engessado) faltaram.


É esta união, é este espírito de grupo que é preciso transpor para dentro das quatro linhas porque, na minha opinião, o plantel dos dragões tem valor suficiente para alcançar outro tipo de resultados e, quiçá, ainda esta época dar umas alegrias aos sócios e adeptos do FC Porto.

Como nos estamos a defender

Nos últimos tempos tenho estado mais atento às nossas movimentações defensivas por ter reparado que concedemos muitos cruzamentos ao adversário. As razões para esta situação não são do meu conhecimento. Não sei se são a consequência de um comportamento defensivo ou se são o objectivo do comportamento defensivo.

Creio que em parte este sistema defensivo será um resquício de uma estratégia que (com Bosingwa à direita e Fucile à esquerda) apostava na rapidez dos laterais para impedir os cruzamentos. Por outro lado, e apesar de termos perdido a rapidez e capacidade de recuperação nas laterais, este sistema parece-me continuar a funcionar na prevenção de golos pelo facto de possuirmos dois centrais altos, com boa impulsão e com bom jogo de cabeça e um guarda-redes relativamente seguro a sair dos postes.

Há vários elementos, na minha opinião, que sustentam esta tese:

Recuo das linhas avançadas e concentração no centro do terreno
Parece-me consensual que este ano actuamos com as linhas mais recuadas e com uma certa passividade no momento de recuperar a bola. Os jogadores tendem a "amontoar-se" em frente à área sem fazer movimentos de pressão sobre os oponentes, apenas procurando tapar as linhas de passe. A consequência disto é que os nossos adversários tenham tendência para lateralizar o jogo, apostando mais na velocidade nos flancos e nas variações de jogo (mudando o jogo rapidamente para o lado oposto do ataque).

Postura dos laterais
Os nossos laterais têm tido uma atitude mais passiva, fechando mais no centro do terreno e dando mais espaço para a entrada de jogadores pelo flanco. O posicionamento dos laterais quando se encontram no um para um, tem sido na expectativa de se o atacante conseguir passar, que seja para a lateral e não para o centro.

Golos sofridos em remates à entrada da área
Temos sofrido muitos golos em remates de fora da área, e muitos sustos por aparecerem jogadores sozinhos a rematar nessas zonas. Parece-me lógico que sendo essa uma das lacunas da nossa equipa (a falta de agressividade na recuperação em frente à área) que consciente ou inconscientemente se tente que a bola não esteja tanto nessa zona do terreno. Como tal parece mais simples fazer com que o adversário jogue nas laterais e no jogo aéreo (onde o FC Porto costuma ter predominância).


Em resumo, creio que uma parte da estratégia defensiva passa por "dar" ao adversário a linha de fundo, ganhando depois a bola no jogo aéreo dentro da área. Concordando ou não com a estratégia, parece-me que estão a ser aproveitadas as capacidades dos nosso jogadores (jogo aéreo) para suprir outras falhas dos mesmos (agressividade na recuperação da bola).


Quero deixar claro que não tenho qualquer formação na área de futebol. As conclusões a que chego são baseadas exclusivamente em senso comum e na experiência adquirida a ver futebol ao longo dos anos.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Jorge Costa



Obviamente que JC deixou de ser o nosso grande capitão quando saiu do FCP, mas emocionalmente para os portistas nunca perdeu esse lugar, porque o exerceu de tal forma que passou a ter um valor simbólico que desafia a lei do tempo, tal qual o nº 2 que vestiu, nas pisadas de João Pinto.

Hoje é um cidadão, profissional, no mercado para servir sob a melhor proposta, e isso requer para algumas personalidades um posicionamento que não crie anti-corpos que possam pesar desvantajosamente na sua carreira. Esta é uma posição inatacável e que se compreende.

Os clubes, também eles, quando os jogadores atingem o seu prazo de validade nem sempre se comportam com a grandeza do clube e o respeito devido aos atletas que o serviram de forma irrepreensível. Não é só no futebol que acontecem estas “coisas da vida”.


Vem tudo isto a propósito da ida de JC, na quinta-feira passada, ao programa “Pontapé de Saída” da RTPN, na qualidade de treinador, mas essencialmente em função de ter sido atleta do FCP, com grande experiência e carisma e poder relatar – com conhecimento de causa – o que se passa na casa, como a equipa é capaz de se transcender, como funciona o balneário e como o FCP consegue revitalizar-se num período em que a mobilidade dos jogadores é bastante maior que no passado.

Ouvir essa experiência de alguém que é reconhecido como digno representante dessa mística que é cultura do FCP, antes de um jogo com um rival, depois de comportamentos bem dispares de ambas as equipas na CL, era uma curiosidade, certamente, dos promotores do programa, que os portistas agradeceram, mas que foi uma total desilusão, digo eu.

JC foi sempre muito equidistante e uma das suas primeiras frases e mais marcantes foi relevar a forma (ingénua) como o SCP acedeu a antecipar o jogo, perdendo 24 horas de descanso relativamente ao FCP, e que Freitas Lobo logo aproveitou para o choradinho do costume.

Foi quase sempre parco de palavras – Marlon Brando não faria melhor – com um discurso cheio de “over acting”, com pausas para meditar bem no que dizia, para depois deixar sair meia dúzia de vulgaridades, sem qualquer interesse.


Pareceu-me que pretendia camuflar a sua ligação ao FCP e em todas as respostas, mesmo quando lhe perguntaram se gostaria um dia de treinar o FCP? Não comentou diferente que o faria qualquer outro treinador em Portugal.

Talvez seja ingenuidade minha, talvez tenha que ser assim: um jogador como Jorge Costa ficou com um carimbo de que dificilmente se livra, para o bem e para o mal. Não vale a pena falar como um “senhor”, não vale a pena tentar passar a ideia que o FCP já foi e que amigos, amigos, negócios à parte. Não havia necessidade, porque JC ficou com esse cunho do qual se deveria orgulhar e servir, porque deveria fazer parte da sua pele e nada há que esconder ou de que se envergonhar, quando alma não é pequena.

Pode ser que tenha tomado a nuvem por Juno, mas aquele aparente “descomprometimento” chateou-me, e só por uma vez JC se enganou quando disse “estávamos” (referindo-se ao FCP), para logo emendar com “estão”. Ao JC símbolo do FCP não basta pensar que o é, é preciso ser e parecer. E não são precisas juras de amor eterno. Basta ser inteligente.

terça-feira, 3 de março de 2009

Uma arbitragem habilidosa qb

«O Sporting conseguiu um empate a zero no Dragão, impondo um estilo de jogo muito físico, muito agressivo (...).
Melhor o Sporting na primeira parte, finalmente com Pereirinha à direita do meio-campo e com um lado novo: desde o primeiro minuto que alguns jogadores do Sporting (Derlei, Pedro Silva, Rochemback, Polga, Grimi) fizeram uma certa intimidação física com alvos definidos (Bruno Alves, Hulk). Se bem interpretei, era uma forma de antes de mais mostrar que não era a equipa que sofreu a humilhação do Bayern que estava ali. (...)
Mas a tentativa de impor o físico leonino não correu sempre bem. Grimi saiu aos 30' lesionado (entrou Caneira) mas tinha a lição bem estudada. Protestos junto do árbitro em cada falta, nunca virar a cara à luta e nunca dar espaços. (...)
João Ferreira teve um jogo difícil e a nota mais sonante é que Pedro Silva saiu do campo sem cartão amarelo, ou Derlei sem o vermelho...»

Estes extractos acerca da estratégia do Sporting em relação à arbitragem de João Ferreira, são da crónica que Manuel Queiroz assinou no DN de 1 de Março e que, no fundamental, ele repetiu ontem no Jornal de Domingo da TVI24, para desagrado dos outros dois comentadores - António Magalhães (director-adjunto do Record) e João Querido Manha.

Contudo, a arbitragem habilidosa de João Ferreira foi muito mais do que isto, abrangendo um conjunto de aspectos que irei destacar de seguida.


1. Um penálti polémico

É público e notório que todos os penalties a favor do FC Porto são polémicos e, portanto, apesar da mão nas costas e do toque no pé de apoio, se o árbitro tivesse assinalado penálti aos 17 minutos, no lance entre Pedro Silva e Cristian Rodriguez dentro da área do Sporting, ia ser um escândalo e ir-se-ia falar na intensidade e noutras coisas que tais.

«É evidente que ficou por assinalar uma grande penalidade. Com o braço direito, o jogador do Sporting agarrou e puxou o adversário, causando-lhe a queda. Lance deveria ter sido punido com castigo máximo
Jorge Coroado (ex-árbitro internacional)

«Ficou por assinalar uma grande penalidade. Além de ter sido puxado, o jogador do FC Porto é rasteirado por Pedro Silva. Uma distracção grave do árbitro João Ferreira
Rosa Santos (ex-árbitro internacional)

O lance dá azo a várias interpretações? Admito que sim, mas de uma coisa não tenho dúvidas, é muitíssimo mais claro que qualquer um dos TRÊS (!) penalties que esta época foram assinalados contra o FC Porto em Alvalade (um para o campeonato e dois na Taça da Liga).
Alguém tem dúvidas sobre isso? É só rever as imagens.


05.10.2008: Lance entre Tomás Costa e Moutinho, que Lucílio Baptista entendeu assinalar penálti

Comparando com estes três penalties, que dirá Rui Oliveira e Costa do derrube de Rodriguez neste FC Porto x Sporting? Não é difícil adivinhar...


2. A complacência para com os jogadores do Sporting

Conforme refere Manuel Queiroz, os jogadores do Sporting vinham bem instruídos e preparados para lidar com a questão arbitragem. Assim, para além de uma agressividade a roçar a violência, e que chegou a ser intimidação física, viram-se protestos permanentes em cada falta que o árbitro, de vez em quando, tinha a “coragem” de assinalar contra os leões.

João Ferreira tem fama de ser autoritário (decorre da sua formação militar), mas desta vez revelou uma estranha complacência, inclusive quando os jogadores do Sporting fizeram ajuntamentos à sua volta para o pressionarem.

Perante o que se passou em campo, é verdadeiramente incompreensível que Derlei e Rochemback não tenham sido expulsos e que Pedro Silva tenha chegado ao final do jogo sem sequer ver um cartão amarelo. Aliás, começa a ser habitual a carta verde que os árbitros dão aos jogadores do Sporting para eles distribuirem cacetada a torto e a direito. Ainda recentemente isso foi visível no Belenenses x Sporting, com Pedro Henriques a deixar ficar no bolso os cartões para Rochemback e Pedro Silva.


3. Pedro Silva, bateu em tudo o que mexia

«Pedro Silva - Quando teve a bola não jogou mal, quando não a teve batia em tudo o que mexia e saiu sem qualquer cartão...»
in DN, 01/03/2009

O Pedro Silva é um jogador multifacetado e não tem qualquer problema em recorrer a todos os meios, legais e ilegais, para travar os adversários que lhe aparecem pela frente (que o digam o Hulk, o Rodriguez ou o Lisandro).
Ele foi derrubes, obstruções, agarrões, valeu tudo e nem a sucessão de faltas, nem a gravidade de algumas delas, fizeram com que o árbitro o advertisse com um cartão amarelo. Caramba, ao menos tinha mostrado um cartãozito, só para disfarçar...


4. Rochemback, malhar nos adversários e protestar com o árbitro

«Rochemback - Muito bem a trinco, atento, sempre sem se esquecer de protestar com o árbitro, o que fazia parte da estratégia definida...»
in DN, 01/03/2009


Rochemback é um dos jogadores mais viris (e por vezes violento) do Sporting. Desta vez só viu o cartão amarelo aos 62’, mas antes disso, para além do habitual festival de faltas, já se tinha metido com o Hulk e fartado de protestar com o árbitro.

Foi substituído por Adrien aos 88', o qual entrou em campo, fez uma falta e protestou com o árbitro...


5. Três vezes perdoado o 2º amarelo a Derlei

Aos 35 minutos, quando conduzia um contra-ataque rápido do FC Porto, Lucho foi autenticamente varrido por Polga, ficando caído no relvado a contorcer-se com dores. O árbitro, e bem, deixou seguir o jogo para não beneficiar o infractor – o Sporting –, mas quando os jogadores do FC Porto perderam a bola interrompeu, e bem, o jogo de modo a que o infractor não beneficiasse da falta grave que tinha cometido. Ao parar o jogo o árbitro mostrou, e bem, o cartão amarelo ao Polga e também a Derlei, que veio disparado em direcção ao árbitro e que quase lhe encostou a cabeça (como fez o Petit num célebre Boavista-SLB).

Após ter sido admoestado com este cartão amarelo (e poderia ter sido um vermelho directo pela forma exuberante como se dirigiu e protestou com o árbitro), Derlei deveria ter visto o 2º cartão amarelo e, consequentemente, sido expulso em três ocasiões:
• no final da 1ª parte, ao impedir um contra-ataque do FC Porto;
• aos 70’, numa pisadela que inutilizou o Cissokho e obrigou à sua substituição;
• aos 82’, numa falta dura que cometeu sobre o Rolando.

O árbitro viu perfeitamente estes três lances (em dois deles marcou mesmo falta), mas entendeu não ser conveniente expulsar o jogador do Sporting.


6. Missão: anular Hulk

«Hulk - Bem marcado, nem sempre viu o árbitro decidir bem as faltas a seu favor (malharam nele a sério...).»
in DN, 01/03/2009

Como anular um jogador como o Hulk? É simples, não o deixando jogar.

"Aqui em Portugal infelizmente é difícil jogar. Usam muito o corpo, fazem muitas faltas. Estou sempre a sofrer faltas e é difícil jogar assim.
Prejudicado? Vejam as faltas que o árbitro deixou de marcar em mim e as que marcou contra mim. Se pusessem aqui o Adriano ou o Ibrahimovic a jogar eles também teriam muitas dificuldades, porque usam muito o corpo."
Hulk, no final do jogo


A forma como Hulk foi travado neste jogo é de compêndio. Valeu tudo. Obstruções, empurrões, entradas por trás, entalado entre dois adversários, etc.
Nas poucas vezes que o Hulk conseguiu fugir às “entradas assassinas” e ganhar as disputas de bola graças ao seu maior poderio físico, lá estava o árbitro João Ferreira para resolver o problema: Priiiiiii! Falta contra o Porto!


No final, foram tantas as faltas que o árbitro assinalou sobre o Hulk, como as que marcou ao próprio Hulk. Notável!

Parafraseando e adaptando um slogan benfiquista de há uns anos atrás, apetece dizer: deixem jogar o Hulk!


7. As cargas sobre Bruno Alves

«Bruno Alves - Quase sempre certo, num jogo em que Derlei e Liedson fizeram gala de entrar de anca muitas vezes. Tanto que caiu mais vezes ontem que na época toda.»
in DN, 01/03/2009


Apesar de ser um jogador escolhido pela UEFA para exemplificar técnicas defensivas, há muito que o Bruno Alves tem fama em Portugal de ser um jogador violento.
Ora, aquilo que se vê, jogo após jogo, é avançados a fazerem faltas sobre o Bruno Alves (e não ao contrário), com a agravante de muitas dessas faltas não serem assinaladas.

A técnica é conhecida e tem sido devidamente explorada pelos treinadores e jogadores adversários. Como não conseguem saltar tão alto como o Bruno Alves, nem nada que se pareça, metem-se por baixo dele e carregam-no quando ele está no ar, provocando o contacto e o desequilíbrio do defesa portista.
Já não é a primeira nem a segunda vez que o Bruno cai desamparado. O objectivo deve ser que ele se aleije a sério e fique no estaleiro durante umas semanas.

Conforme estas fotos demonstram, os jogadores do Sporting mostraram ser especialistas nesta técnica e até o Raul Meireles levou que contar.



8. Nos cantos valeu tudo

Se fora da área e em jogadas de bola corrida os jogadores do Sporting não hesitavam em agarrar os do FC Porto, imagine-se o que foi nos cantos, com o aglomerado de jogadores dentro da área leonina.
Penso que não terá havido um único canto em que os principais cabeceadores do FC Porto – Bruno Alves, Rolando e Rodriguez – não tenham sido agarrados ou impedidos de jogar a bola.

Aliás, o chega mais para lá com o cotovelo do Rodriguez ao Caneira ocorrido no período de descontos é precisamente num lance deste género, em que o internacional uruguaio, farto de ter sido agarrado durante o jogo todo, reagiu desta forma antes da marcação de um canto.


9. Cuidado com as faltas perto da área!

Toda a gente reconhece que o jogo foi muito conflituoso e que os jogadores do Sporting usaram (e abusaram) de uma dureza pouco habitual para travar o ataque do FC Porto.
Pois bem, sabem quantas faltas foram assinaladas pelo senhor João Ferreira perto da área dos leões? Zero!
Livres a favor dos dragões em posição frontal só a mais de 30 metros da baliza leonina, não fosse o diabo tecê-las...

Um lance paradigmático da preocupação do senhor João Ferreira em evitar jogadas potencialmente perigosas, de modo a garantir o empate final, ocorreu já em tempo de descontos, num canto a favor do FC Porto, quando quase todos os jogadores portistas subiram para a área do Sporting.

90'+1': Na conversão de um canto, há falta ofensiva de algum jogador do FC Porto?

«Não houve qualquer infracção. Não se compreendeu qual o motivo para a interrupção
Jorge Coroado, Tribunal de O JOGO

«Não houve qualquer falta por parte de algum jogador do FC Porto na área do Sporting quando decorria a marcação de um canto. Não se compreendeu a marcação da falta
Rosa Santos, Tribunal de O JOGO

«Após a marcação de um canto, alguns jogadores do FC Porto tentam alcançar a bola, mas não se vislumbrou qualquer falta, pelo que não terá tomado a melhor decisão o árbitro da partida
António Rola, Tribunal de O JOGO


10. As declarações no final

"Não gostei da forma como o João Ferreira resolveu certos assuntos relacionados com a disciplina."
Jesualdo Ferreira

Há um indicador infalível para aferir uma arbitragem que envolva o Sporting: ouvir/ler as declarações do Paulo Bento e dos jogadores no final do jogo. Pois bem, quer o treinador, quer os jogadores Polga, João Moutinho, Pedro Silva e Liedson não fizeram uma única referência à arbitragem.

Ora, como a comunicação social do regime também gostou da arbitragem do Major Ferreira, penso que está tudo dito.




P.S. Com este artigo sobre a arbitragem de João Ferreira, não pretendo dizer que foi apenas por causa do árbitro que o FC Porto não venceu o jogo. É evidente que a exibição esteve longe de ser brilhante, mas isso não nos deve coibir de chamar à atenção para esta nomeação cirúrgica de Vítor Pereira (na mesma jornada Lucílio Baptista foi nomeado para o SLB-Leixões), nem para os factos acima referidos.
Compreendo perfeitamente que a comunicação social do regime diga que a arbitragem foi boa (pudera!), mas não contem comigo para branquear a forma habilidosa como o jogo foi conduzido desde o primeiro ao último minuto.


O resultado agradou-lhes (ver as declarações de Rui Costa e de Miguel Vitor na gala do SLB), a arbitragem do senhor "João... pode vir o João" também e, por isso, nesta jornada o futebol português recuperou parte da sua credibilidade...

Este artigo, contra a corrente, fica para memória futura.

Fotos: Record, Maisfutebol

segunda-feira, 2 de março de 2009

Apertar o cinto – e como...

Este é o primeiro pensamento que me vem à cabeça depois de “digerir” os resultados da FCP SAD no semestre Jul-Dez 2008 (ver link no SMS mais abaixo).

Tal como o adepto comum faria com as suas próprias contas pessoais, comecei por olhar para a situação de tesouraria a curto prazo (numa perspectiva pessoal, o dinheiro que conto que entre na minha conta bancária nos próximos tempos, menos as despesas em que vou incorrer durante o mesmo período). E aí a situação é francamente preocupante.

No dia de Ano Novo de 2008, perspectivava-se um “buraco” de 25,6 milhões de € até Dez do mesmo ano. Ou dito de outra forma, o Passivo corrente era em 25,6 milhões de euros superior ao Activo corrente. Um ano mais tarde, o mesmo “buraco” tinha aumentado para 49,1 milhões, basicamente o dobro.


Antes de mais, o quer isto dizer? Quer dizer que para tapar o buraco há duas hipóteses de monta: ou se consegue adiar uma boa parte dessa dívida de curto prazo (contraindo novos empréstimos a longo prazo), ou então consegue-se encaixar uma boa maquia através de vendas de jogadores - mas assinalo que nas grandes vendas que temos feito nunca encaixámos a maior parte do valor de venda num período inferior a 6 meses, ou seja: das grandes vendas de Verão, provavelmente só vamos ver uma boa parte desse valor em 2010 ou até mesmo em 2011.
Ou seja, para encaixar na conta bancária até Dez uns 50 milhões na venda de jogadores no Verão, seria provavelmente preciso que o valor da(s) venda(s) fosse equivalente a mais de 100 milhões de € !!!).


Nenhuma das duas hipóteses me parece que seja fácil (ou desejável) de executar. Falemos um pouco mais da primeira (adiar dívidas): uma das razões porque o passivo de curto prazo aumentou imenso é que caduca este ano o empréstimo obrigacionista de 15 milhões de €. Ora nas circumstâncias económicas actuais penso que dificilmente a SAD conseguirá cativar os adeptos a subscrever em força novo empréstimo obrigacionista; e quanto ao apetite da Banca para conceder empréstimos de longo prazo, acho que não preciso de dizer nada...


Assinalo que a campanha actual na Liga dos Campeões pode ajudar, mas é pouco mais do que uma gota no oceano: a passagem aos ¼ de final não deverá levar a um encaixe adicional que ultrapasse uns 3 milhões de euros.

Bem, e como chegámos a este ponto? A demonstração de resultados do primeiro semestre explica em boa parte como, e resumidamente pode-se dizer que chegamos a este ponto fruto de uma estratégia deliberada da SAD, e não fruto da crise económica e financeira do mercado.



Mais concretamente, a SAD (treinador incluído) achou por bem apostar em força em contratações, pelo menos financeiramente: no último Verão comprou-se mais de 30 milhões de € de passes de jogadores, um valor nunca anteriormente visto. E não só foram valores muito elevados na compra dos passes, como também nos salários dos jogadores que entraram (dois deles com salários “italianos”, nomeadamente Mariano e Pelé; para não falar de Rodriguez, Hulk & Cia).


Isto é evidente ao verificar-se que entre amortizações dos passes e salários a situação da SAD deteriorou-se em cerca de 6 milhões em relação a semestre idêntico do ano anterior (um aumento superior a 20%). Ou seja, a este ritmo o impacto anual será certamente superior a 10 milhões de euros. Isto apesar de entretanto ter saído Quaresma, Postiga e Bosingwa (que pelos vistos tinham salários que não eram um fardo tão “incomportável” como isso para a SAD, ao contrário do que muito adepto apregoou em conversas de café ou de jornal em relação aos dois primeiros... o que não invalida que tenham sido bem vendidos na mesma).


Dizia eu que isto é fruto de uma estratégia deliberada da SAD (e treinador), já que tinham um número de escolhas à sua disposição muito mais baratas em salário e acima de tudo custo de passe, para posições que seriam à partida de “banco”, havendo já boas escolhas para o jogador titular: para dar dois exemplos: P Machado vs Guarín; Pitbull vs Mariano (só estas duas escolhas já teria sido o suficiente para poupar quase 10 milhões de euros em passes e salários no plantel). A esta estratégia chamava a minha avó de "ter mais olhos do que barriga".


Para além disso outro dado preocupante (mas não muito surpreendente) é que os resultados financeiros dispararam de 1,5 milhões para 3,3 milhões de prejuízo (mais do dobro). Digo eu que não é muito surpreendente devido à dificuldade em facilmente obter crédito a bons juros no ambiente financeiro que grassa desde há já ano e meio (não começou agora...); e à subida constante do Passivo da SAD ao longo dos últimos anos. Portanto, a opção de que falei anteriormente de adiar parte da dívida (passando de curto para longo prazo) será altamente custosa, mesmo que seja exequível. Se já hoje gastamos mais de 5 milhões/ano em juros...

No meio disto tudo, os dados relativamente positivos são aqueles que os adeptos provavelmente mais receavam: para já, não há grande impacto ao nível de receitas de bilheteira, patrocínios e outras (TV, merchandising), embora o impacto que há seja ligeiramente negativo. Repare-se que se excluirmos os custos com pessoal (salários e operações com passes de jogadores) dos Resultados Operacionais, o saldo mantém-se praticamente inalterado em relação há um ano atrás (baixou em 1 milhão de €). Menos mau. Dito isto, que ninguém espere boas notícias nestas rubricas nos próximos tempos.


Concluindo, neste momento não cabe à SAD outra alternativa que não seja um forte apertar do cinto nos próximos tempos. É inevitável que no Verão sejam vendidos pelo menos 2 titulares (esperemos que por bons valores, o que não é garantido), mas desta vez não haverá “guita” para ir ao mercado: esperemos pois que saibamos encontrar alternativas à altura ou internamente, ou na loja dos “300”.



Parece-me portanto inevitável que nos próximos 2 ou 3 anos haja uma viragem para a prata da casa e para o mercado interno, muitíssimo mais porque a isso sejamos financeiramente obrigados do que por uma viragem estratégica voluntária. E quanto a jogadores com um valor de passe relativamente elevado (Quaresmas, Lisandros, Luchos, Andersons, Hulks, Rodriguezes, Pelés), perpectiva-se também que sejam contratações em vias de extinção.

PS - tentei utilizar termos técnicos, números e rácios tão pouco quanto possível de forma a que o adepto comum possa seguir a conversa, e para que a discussão se centre no fundamental e não no acessório (evitando que o pessoal se "afogue" nos números, perdendo a perspectiva global).

domingo, 1 de março de 2009

Atenção ao Atlético Madrid


A aparente facilidade com que o FC Porto poderia ter goleado o Atlético de Madrid em sua própria casa, levou muitos portistas a desvalorizarem os colchoneros, assumindo como fácil a passagem aos quartos-de-final da Liga dos Campeões.
Ora, convém recordar algumas coisinhas.
Em primeiro lugar, os resultados obtidos pelos madrilenos na Liga dos Campeões até esta eliminatória:


13.08.2008 Schalke - At. Madrid (1-0)
27.08.2008 At. Madrid - Schalke (4-0)
16.09.2008 PSV - At. Madrid (0-3)
01.10.2008 At. Madrid - Marseille (2-1)
22.10.2008 At. Madrid - Liverpool (1-1)
04.11.2008 Liverpool - At. Madrid (1-1)
26.11.2008 At. Madrid - PSV (2-1)
09.12.2008 Marseille - At. Madrid (0-0)

8 jogos, 4 vitórias, 3 empates e apenas 1 derrota (no primeiro jogo, disputado no já longínquo dia 13 de Agosto de 2008), e em termos de golos 13 marcados e 5 sofridos.

Ah, mas o Atlético de Madrid actual não é o mesmo que entre Agosto e Dezembro de 2008 obteve estes resultados.
Pois bem, há uma hora atrás a tal equipa fraquinha acabou de derrotar o super-Barcelona, com todas as suas estrelas, por 4-3.
Provavelmente, o Barcelona actual também já não presta...
Mais. Este jogo com o Barça demonstra que os jogadores do Atlético acreditam até ao fim e nunca desistem. Veja-se a evolução do resultado: 0-1, 0-2, 1-2, 2-2, 2-3, 3-3 até chegarem ao 4-3 final, obtido ao minuto 90.

Atenção, muita atenção e este Atlético de Madrid. É um dos maiores clubes de Espanha, tem quase 200 jogos disputados nas competições europeias (com saldo francamente positivo) e quem tem jogadores como Seitaridis, Heitinga, Raúl García, Maxi Rodríguez, Paulo Assunção, Maniche, Simão, Forlán, Luis García ou Agüero não pode ser menosprezado. Seria um erro crasso fazê-lo.

Fotos: marca.com, uefa.com

SMS do dia - XL

Contas do 1º semestre 2008/2009

"Pode ser o João..."

Para quem já não se lembra (até porque este foi um caso curioso de silenciamento controlado da comunicação social) esta foi a expressão utilizada por Luís Filipe Vieira depois de ter recusado 4 árbitros internacionais então sugeridos por Valentim Loureiro para apitar o jogo das meias-finais da Taça de Portugal de 2003/2004 contra o Belenenses, jogo cujo clube de Vieira acabou por vencer.

A conversa entre Vieira e Valentim Loureiro que faz parte das escutas, algures em Março de 2004, é a seguinte:

Luís Filipe Vieira (LFV) - Eu não quero entrar mais em esquemas nem falar muito...(...)
Valentim Loureiro (VL) - Eu penso que ou o Lucílio... o António Costa, esse Costa não lhe dá... não lhe dá nenhuma garantia?
LFV - A mim?! F.., o António Costa? F... Isso é tudo Porto!
VL - Exacto, pronto! (...) E o Lucílio?
LFV - Não, não me dá garantia nenhuma o Lucílio!
VL - E o Duarte?
LFV - Nada, zero! Ninguém me dá!... Ouça lá, eu, neste momento, é tudo para nos roubar! Ó pá, mas é evidente! Mas isso é demasiado evidente, carago! Ó major, eu não quero nem me tenho chateado com isto, porque eu estou a fazer isto por outro lado.(...)
VL - Talvez o Lucílio, pá!
LFV - Não, não quero Lucílio nenhum!(...)
VL - E o Proença?
LFV - O Proença também não quero! Ouça, é tudo para nos f...!
VL - E o João Ferreira?
LFV - O João... Pode vir o João. Agora o que eu queria... (...) Disseram que era o Paulo Paraty o árbitro... O Paulo Paraty! Agora, dizem-me a mim, que não tenho preferência de ninguém (...) à última hora, vêm-me dizer que já não pode ser o Paulo Paraty, por causa do Belenenses.


Pois é, o Paulo Paraty, para mal dos pecados dos benfiquistas já arrumou as botas e, como nos indicam as escutas, João Ferreira é agora o preferido do presidente do SLB. Esta jornada era decisiva para as aspirações benfiquistas à conquista do título e por isso o clube jogava em dois tabuleiros numa só jornada. E assim, provavelmente, “pelo outro lado”, o SLB lá conseguiu que os seus acólitos da Comissão de Arbitragem colocassem o Lucílio na Luz para apitar o jogo com o Leixões e o João Ferreira no Dragão neste jogo FC Porto x Sporting.

O árbitro João Ferreira mostrou logo nos minutos iniciais ao que vinha com uma arbitragem tendenciosa e excessivamente permissiva para com os jogadores sportinguistas. A nível disciplinar fez uma exibição miserável tendo perdoado o segundo amarelo (e consequentes expulsões) ao Derlei e ao Rochemback e cometendo a incrível proeza de deixar o Pedro Silva sem ver um cartão amarelo durante todo o jogo. A nível técnico esteve muito mal também marcando as habituais faltinhas a favor do Sporting, pelas quedas de Mortinho & Cia. e fazendo vista grossa à marcação à margem da Lei ao Hulk e ao Rodríguez. As disputas de bola em que o FC Porto saiu por cima eram, na generalidade, interrompidas para a marcação de falta portista. Em síntese, o jogo foi muito mau e o árbitro um dos principais responsáveis. No FC Porto já sabe que para vencer os jogos não lhe serve ser mais forte, tem de ser muito mais forte. Quando esse considerável gap de superioridade não se verifica torna-se muito difícil vencer os jogos, e este foi um deles.


O jogo em si não foi agradável, o Sporting jogou no seu esquema habitual de contenção, com uma postura defensiva pronunciada, colocando 6 homens na linha mais recuada quando não tinha a bola e com as linhas muito próximas de forma a dificultar o ataque do FC Porto. Notou-se no Sporting uma equipa com grande entreajuda e solidária e tentando sair para o contra-ataque através da rapidez de Liedson e Derlei. No entanto o seu ataque demonstra grandes fragilidades e vive principalmente dos desequilíbrios criados pelo irrequieto Liedson (mas já se nota que a idade lhe começa a pesar…).

Para este jogo o FC Porto partia limitado nas suas opções para os lugares de defesas laterais e mais ficou depois da substituição de Cissokho por lesão. No entanto não posso concordar com a titularidade de Pedro Emanuel no lado direito. O Capitão por um lado já não apresenta disponibilidade física para jogos de alta intensidade e por outro denota graves deficiências de adaptação ao lugar no que respeita a posicionamento e subidas no terreno. Isso implicou que o ataque do FC Porto pelo lado direito não existisse durante a primeira parte e só passasse a funcionar após a saída de Cissokho, a passagem de Pedro Emanuel para a esquerda e a entrada de Tomás Costa para o lugar de defesa direito. O argentino fez uma boa exibição e até se permitiu avançar para fazer centros para a área criando maiores desequilíbrios na defesa adversária. Porque razão Jesualdo não colocou Tomás Costa de início, mesmo depois de ter visto em Madrid que há deficiências de adaptação ao lugar por parte de Pedro Emanuel?


O jogo do FC Porto foi mais daquilo que se tem visto no Dragão nos últimos meses: uma enorme dificuldade de fazer golos perante adversários que já estudaram bem a forma de atacar desta equipa e se apresentam fechados na sua linha defensiva. Uma das grandes conclusões que se pode tirar dos últimos jogos disputados em casa é a de que este modelo de jogo está esgotado e já não oferece garantias a um clube como o FC Porto. Não podemos sustentar o nosso modelo de jogo em “transições rápidas” e ausência de pressing sobre o adversário acreditando que as equipas vêm ao Dragão jogar o jogo pelo jogo. Este é um FC Porto sem ideias atacantes e com pouca atitude na disputa e pressing sobre o jogador que tem a bola. Em suma, esta forma de jogar parece-me a economia global: esgotou-se e precisa de uma reestruturação. E o clube precisa de “reforços” que sejam na realidade reforços, já que temos um banco de suplentes que mete dó; precisa de trabalhar para melhorar a eficácia nas bolas paradas; precisa de jogar sempre “à Porto”; precisa de vencer todos os jogos em casa para o campeonato; precisa de uma matriz de bons jogadores com estabilidade para se deixar de falar todos os anos em “equipa em construção” e precisa também de um treinador que incuta atitude e determinação aos jogadores em todo e qualquer jogo, alguém com um forte sentido motivacional.

O campeonato, esse segue em aberto.

Nota: Os negritos e a selecção de imagens são da minha responsabilidade.