sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Sim, ele está bem vivo


Quem diria que um jogo para a Taça da Liga se iria tornar num dos mais marcantes da época? Quem diria que, não uma vitória mas sim um empate, originaria festejos no regresso dos jogadores ao Dragão? Pois tudo isto aconteceu mesmo, cortesia do "trio" do Sr.Cosme.

E agora, depois deste verdadeiro vendaval de acontecimentos da última quarta-feira, o que poderá ser diferente daqui para a frente?
Por exemplo, deve Hélton assumir a titularidade de imediato? Apetece dizer que sim. Sendo verdade que Fabiano poderá ficar algo perturbado, é também certo que mais vale sair assim do "11" do que após um erro grave.
Por outro lado, e após esta grande exibição de Hélton, Fabiano sabe que estaria sempre a prazo.
Ficará, muito provavelmente, em baixo psicologicamente mas saberá também que, dados os 36 anos de Hélton, o mais certo será a titularidade regressar, mais dia menos dia. Deve é trabalhar cada vez mais e, entretanto, ir aprendendo com o mestre.
Só deve existir um único critério para se entrar no "11" titular: a qualidade. Hoje por hoje, Hélton ainda é melhor que Fabiano.

Hélton que chegou mesmo a "despedir-se" através das redes (anti) sociais no início da presente época, acaba por realizar, e após quase um ano de afastamento, uma das sua maiores exibições ao serviço do nosso clube. Quando um dia ele realmente pendurar mesmo as chuteiras, este jogo será, para muitos, aquele que virá imediatamente à memória.
Trata-se efectivamente de um jogador muito especial. A sua forma calma de estar dentro e fora de campo, será mesmo a sua maior qualidade. Aliás, por mais que nos solidarizemos com a fúria de Antero Henrique no final dos primeiros 45 minutos em Braga (poderia ser qualquer um dos nós), temos de louvar a atitude de apaziguamento por parte do nosso capitão.

Hélton e Jackson, dois capitães a liderar pelo seu próprio exemplo, nas duas mais recentes partidas. E é assim mesmo que tem que ser.

Olá Opare, adeus Opare

O defesa direito ganês Daniel Opare foi contratado pelo FC Porto no Verão. O defesa direito ganês Daniel Opare foi emprestado pelo FC Porto ao Bessiktas no Inverno. Pelo meio, o ganês Opare não disputou um só jogo pelo clube. Nem vai disputar no que resta de temporada. Mais um desses negócios dificeis de explicar mas, infelizmente para um clube que tem um curioso overbooking para quem acumula tanto passivo, recorrente.

Opare chegou a custo zero mas tanto os seus salários como comissões algo custaram ás arcas do clube. Que tivesse chegado depois de ter passado pelo Standard Liege, o clube do velho amigo Onofrio, não deve surpreender ninguém. Há seis anos atrás o lateral era uma das grandes promessas africanas. Assinou em 2008 pelo Real Madrid depois de ter despontado na selecção sub-17 ganesa. No clube espanhol cruzou-se com Julen Lopetegui mas o clube não ficou demasiado impressionado. A sua adaptação ao futebol europeu foi lenta e pouco convincente e acabou dispensado depois de dois anos no Castilla. Esse cenário só por si quer dizer pouco se tivermos em consideração todos os bons jogadores que a formação merengue dispensa de tempos a tempos. Mas com a carta na mão, Opare rumou ao Liege, uma liga acessivel e que serve muitas vezes de porta de entrada para os futebolistas africanos na Europa. Essa era a sua prova de ferro. Não se pode dizer que a tenha superado. Não encantou, não deslumbrou e foi perdendo protagonismo até mesmo na sua equipa nacional quando todos apontavam-no como o lateral direito titular para a década dos "Black Stars". Ainda assim esteve no Mundial do Brasil (jogou apenas o primeiro encontro) e poucos dias depois de abandonar o torneio assinou pelo FC Porto. Por recomendação de Lopetegui? Por insistência de Onofrio? Não creio que alguma vez o saberemos.

Opare vai agora emprestado para o Bessiktas porque na realidade encontrou-se com três cenários.
O primeiro e mais cruel de todos foi uma larga lesão que o manteve afastado da equipa. Um infortúnio sem dúvida que não o deixou provar seguramente tudo aquilo que quem o contratou pensou que iria ver nele. Mas, sem dúvida, mesmo recuperado, Opare teria tido de medir-se com um enorme Danilo - que grande, grande temporada - e um Ricardo Pereira habilmente recuperado para a posiçaõ de lateral. Tem um futuro tremendo o internacional sub-21, tanto como lateral como a jogar a extremo. Quem viu jogar Secretário e Conceição nas duas posições sabe bem do que falo. É antiga a tendência do FC Porto reconverter extremos em laterais e vice-versa.
Mas, seguramente, o grande problema de Opare no FC Porto foi que nunca devia ter sido contratado. O seu destino estava escrito mal aterrou na Invicta. A sua chegada como a de tantos jogadores de um perfil similar responde pouco a critérios desportivos. Numa posição coberta por um dos melhores do Mundo com uma jovem promessa como "understudy" (e Ricardo já tinha sido testado no passado nesse posto) que sentido faria adquirir um jogador que nem tinha condições para estar ao nivel de Danilo se este fosse vendido como, seguramente, não seria o melhor dos suplentes para Ricardo no caso deste ter de agarrar a titularidade. Opare, aos 24 anos, está na terra de ninguém, um momento complicado para a carreira de qualquer jogador. O empréstimo é uma boa opção (na equipa B há Victor Garcia que tem de crescer e jogar) mas parece-me evidente que nos próximos três anos o seu nome continuará todos os anos a fazer parte do plantel mas a sua utilidade desportiva será escassa.



Sempre comentamos que o problema do passivo só se resolve com grandes vendas mas a verdade é que são os pequenos detalhes que contam. Ter um plantel grande para uma equipa que disputa uma média de 45 jogos ao ano, muitos dos quais com um nivel de exigência médio-baixo, e que tem um passivo importante e uma equipa B e umas camadas jovens a quem recorrer parece-me um erro. E esses planteis ficam de tamanhos desproporcionados por contratações como as de Ricardo (guarda-redes), de Opare ou dos Prediguers, Kazmierkzaques, Mareques e afins do passado. É uma licção que ainda ninguém pareceu aprender. Ao jogador a melhor das sortes na Turquia, a quem dirige o clube um alerta mais, como tantos outros, que há dias em que mais vale guardar a caneta no bolso e não assinar contratos que saem mais caros do que aquilo que parece.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

H-E-L-T-O-N

A revolta de Antero Henrique perante Cosme Machado

Afinal, a Taça Cosme Damião…, perdão, a Taça da Liga serviu para algo verdadeiramente importante: revoltar e unir jogadores, treinador, dirigentes e adeptos portistas contra aquele que é o verdadeiro adversário do FC Porto nesta época – o SISTEMA ENCARNADO, suportado num lote de árbitros (in)competentes, subservientes e alinhados com o “desígnio nacional” de levar o SL Benfica ao colo até aos títulos pretendidos.

Não vale a pena falar nos muitos casos deste SC Braga x FC Porto e, muito menos, na escandalosa dualidade de critérios de Cosme Machado. Aliás, contrariamente ao pretendido, o árbitro da AF Braga acabou por prestar um favor ao FC Porto.

Em primeiro lugar, com a sua inenarrável exibição de hoje, tornou impossível ser nomeado para qualquer outro jogo do FC Porto até ao final desta época. Ora, sabendo que ainda há 17 jogos do campeonato 2014/2015 para disputar, é um alívio.

Em segundo lugar, a escandalosa arbitragem de hoje, deverá fazer com que, pelo menos nas próximas duas ou três semanas, seja um bocadinho mais difícil prejudicar o FC Porto. Parece que não, mas isto começa a dar demasiado nas vistas.

Em terceiro lugar, ao obrigar os DRAGÕES a jogarem 55 minutos com menos dois jogadores, transformou os restantes em “heróis”, pelo espirito de luta e sacrifício que demonstraram (Rúben Neves jogou os últimos 10-15 minutos a mancar!).

Helton!

Finalmente, ao inferiorizar (em número) o “exército” portista, possibilitou que o “guardião do castelo azul-e-branco” – Helton – brilhasse a grande altura, fizesse uma das melhores exibições da sua carreira e, depois da grave lesão que sofreu, mostrasse a todos que está vivo e bem vivo.

ENORME HELTON!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Não convocados... para a Taça da Liga

Sentimos que todas as competições são importantes. Para os títulos, para a afirmação dos clubes…claro que há títulos mais importantes do que outros, e o título nacional é o mais importante em qualquer país. Há outros adversários que pensam de outra maneira, que nesta competição apostam nos juniores e na equipa B. Nós vamos fazer desta competição uma prova séria, como estamos habituados a fazer
Jorge Jesus, 20-01-2015, em declarações à Benfica TV

Ou seja, Jorge Jesus quer muito juntar mais uma Taça Lucílio Baptista… perdão, mais uma Taça da Liga ao seu currículo.

Por sua vez, o treinador do SC Braga, Sérgio Conceição, convocou todos os jogadores disponíveis da equipa principal, para a receção ao FC Porto.

Quanto a Julen Lopetegui…

Para o SC Braga x FC Porto de hoje, Lopetegui não convocou: Fabiano, Danilo, Maicon, Alex Sandro, Casemiro, Quaresma, Jackson Martínez e, naturalmente (porque estão na CAN), também Brahimi e Aboubakar.

Isto é um sinal evidente de que, para o FC Porto (e para Lopetegui), a Taça da Liga é uma “prioridade”…

Assim sendo, e olhando para os 18 convocados, o meu onze inicial seria o seguinte:

O JOGO, 20-01-2015
GR: Helton
Defesas: Ricardo, Reyes, Marcano, José Ángel
Médios: Campaña, Rúben Neves, Evandro
Avançados: Quintero, Gonçalo Paciência, Adrián López

Por exclusão de partes, os sete suplentes seriam: Andrés Fernández, Víctor García, Martins Indi, Herrera, Óliver Torres, Kayembe, Tello

E, evidentemente, jogava com este onze porque é para ganhar…

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O decisivo minuto 44

Talisca pisa jogador adversário (transmissão do Marítimo x SL Benfica)

Ao minuto 44 do último Marítimo x SL Benfica, quando os encarnados de Lisboa venciam por apenas 1-0, Talisca teve uma entrada imprudente, de sola, cravando os pitões da sua chuteira no pé de um jogador adversário.

A BOLA (fonte: blogue Tomo II)
Para além da extrema virilidade do lance, a roçar a violência, com esta entrada Talisca impediu a saída para o ataque da equipa do Marítimo conforme, inclusivamente, é reconhecido no jornal… A BOLA!

Pesando tudo isto, a única dúvida era se este lance seria merecedor de um cartão vermelho directo ou, apenas, de um cartão amarelo, no caso, o segundo para Talisca.

Qual foi a decisão do árbitro Carlos Xistra? É fácil adivinhar…

Nem vermelho direto, nem 2º cartão amarelo. O senhor Xistra limitou-se a interromper o jogo, assinalou a falta (o que significa que viu o lance) e mandou seguir.
Para o ramalhete ser completo, eu diria que só faltou o senhor Xistra dar uma palmadinha nas costas do Talisca e aconselhar o rapaz a ter calma…

Esta decisão do senhor Xistra só pode ser classificada de uma maneira: foi mais uma ROUBALHEIRA DESCOMUNAL…, perdão, mais um pequeno lapso de um árbitro a favor do clube do regime.

O que aconteceria se os encarnados de Lisboa tivessem ficado a jogar com menos um a partir do minuto 44?

Não sabemos. Às tantas, a jogar com menos um, o SL Benfica até poderia ganhar o jogo por 8-0, mas o que a experiência demonstra é que é mais complicado jogar em inferioridade numérica.

Aliás, basta recordar como se desenrolaram três jogos dos encarnados neste campeonato – SL Benfica x Moreirense (5ª Jornada), Estoril x SL Benfica (6ª Jornada) e Penafiel x SL Benfica (15ª Jornada) – para se aquilatar da influência que as expulsões de jogadores adversários tiveram nessas três vitórias do clube do regime.

Em resumo, jornada após jornada, sempre que necessário, os árbitros não hesitam em “inclinar o campo” a favor do SL Benfica e isto quer o árbitro de serviço se chame Carlos Xistra, Bruno Paixão, João Capela, Bruno Esteves, Paulo Baptista, Manuel Mota, Duarte Gomes, Vasco Santos, etc., etc.

É por estas e por muitas outras (felizmente os jogos dão na televisão!), que eu já o disse, mas não me canso de o repetir: este é o campeonato mais fraudulento dos últimos 30 anos (pelo menos).

E só não digo que este bi-campeonato do SL Benfica é (será) vergonhoso, porque a generalidade dos benfiquistas não sente qualquer vergonha em ganhar campeonatos desta maneira.

Charlie Hebdo


"Um jornal emblemático, desejado e amado pelos portugueses"

domingo, 18 de janeiro de 2015

Tello


Há alguns jogadores que, mesmo quando não convencem (ainda?), ou quando protagonizam jogos menos conseguidos, têm momentos do jogo em que espantam o estádio com as suas características.

O Tello é dono de uma velocidade explosiva.

Dá um gozo enorme vê-lo a arrancar com a bola atrás do defesa; depois fica ao lado dele; em seguida o defesa, vendo-o ao seu lado, convence-se que dominou o lance; e, por fim, o Tello mete o turbo e arranca...infelizmente, por norma,  até à parede mais próxima...

Estes pequenos momentos de gozo são, no entanto, muito pouco quando comparados com aquilo que ele deveria fazer.

Em primeiro lugar, tendo qualidade técnica, deveria conseguir resolver melhor as finalizações dos lances: os centros, as assistências e os remates.

Em segundo lugar, e talvez mais importante, deveria começar a demonstrar que tem a cabeça, ainda que temporariamente, no FC Porto. Ontem, em Penafiel, houve três ou quatro lances de bola dividida em que o Tello tirou o pé, quando o jogo ainda não estava decidido.
Considero isso completamente inadmissível, não pelas jogadas em si, mas pelo que revelam de por onde anda a cabeça do jogador.


Infelizmente, parece-me que nem o treinador, nem a estrutura, têm coragem para lhe fazerem uma chamada de atenção. Espero que, no Dragão, não o repita, sob pena de ser, seguramente, alvo de grande assobiadela.

Faz-nos falta um extremo com a sua velocidade, com qualidade de centro e último passe e com eficácia no remate. Será que Tello chega lá?
   

Geometria para Totós

Eu sei, que a maior parte dos jornalistas e comentadores desportivos não têm a mínima noção de Geometria Projectiva, Perspectiva, Ponto de Fuga, Linhas de Fuga, etc.

E também não é minha intenção dar aqui um curso rápido de Geometria para Totós (quem quiser que volte à escola ou pague umas explicações de Geometria Descritiva ou Desenho Técnico).

Contudo, para aqueles que afirmam, com toda a certeza e sem qualquer sombra de dúvida, que o Casemiro estava em posição de fora-de-jogo no momento do passe de Jackson Martinez (na jogada que antecedeu o 1º golo do FC Porto), apresento, de seguida, duas imagens para reflectirem.

Distância da margem ao eixo de uma via rodoviária (clique na imagem para ampliar)

Na imagem anterior, as três linhas horizontais representam a distância da margem ao eixo da via, em três pontos distintos da estrada.

Sabemos que a distância é sensivelmente a mesma nas três medições. Contudo, a linha vermelha é maior que a linha amarela, a qual, por sua vez, é maior que a linha azul clara.
Porquê?

Linhas, projecções e distâncias no momento do passe de Jackson (clique na imagem para ampliar)

Na imagem anterior, as três linhas horizontais representam a distância de Casemiro, de Ferreira (Nº 6 e capitão do Penafiel) e de Dani Coelho (Nº 20 do Penafiel) à linha limite da grande área do Penafiel.

Tal como no exemplo da estrada, a linha vermelha é maior que a linha amarela, a qual, por sua vez, é maior que a linha azul clara.

Perante esta imagem, alguém pode dizer, com toda a certeza, que Casemiro é o jogador que está a uma menor distância da linha limite da grande área do Penafiel?

E, em casos como este, o que devem fazer os árbitros auxiliares?

sábado, 17 de janeiro de 2015

Como é possível?

Lopetegui no meio do dilúvio de Penafiel (fonte: LUSA / José Coelho)

Como é possível, em 2015, disputarem-se jogos do campeonato português em estádios com “relvados” destes?

Perante a intempérie que caiu em Penafiel e constatando-se o agravamento, minuto a minuto, do estado do “lamaçal”, como é possível que o jogo tenha sido reatado após o intervalo, quando eram visíveis vastas zonas do pretenso “relvado” completamente alagadas e onde a bola não rolava?

A equipa do FC Porto venceu no lamaçal de Penafiel (clicar na imagem para ampliar)

Como é possível que, quer o jornalista, quer o comentador da SportTv, tenham afirmado, de forma quase indignada, que o 1º golo do FC Porto tinha sido precedido de um fora-de-jogo clamoroso de Casemiro quando, parando a imagem no momento do passe de Jackson, vê-se que o médio brasileiro do FC Porto está em linha com o último defensor penafidelense?

Nota: É justo dizer que, durante a 2ª Parte e no final do jogo, o comentador da SportTv – Luís Freitas Lobo – após rever as imagens do lance, rectificou o que tinha dito antes e assumiu que o 1º golo do FC Porto era perfeitamente legal.

Como é possível, que o jornalista que a SportTv enviou para Penafiel – Rui Pedro Rocha –, tenha levantado dúvidas da legalidade dos três golos do FC Porto e, mesmo após as imagens televisivas terem comprovado que os golos não tinham sido precedidos por qualquer irregularidade, esse senhor tenha continuado a querer alimentar as dúvidas?

Como é possível, que um “minorca levezinho” como Óliver, não se tenha “afogado” na piscina de Penafiel e, pelo contrário, tenha sido um dos melhores em campo, com uma assistência, um golo e muito mais?

Cha Cha Cha deu espectáculo no “lamaçal” Penafiel (fonte: LUSA / José Coelho)

Como é possível, um ponta-de-lança da categoria de Jackson (mais uma vez, o MVP do encontro), ainda estar a disputar o miserável campeonato português?

P.S. Quem diria que um dos momentos mais importantes do jogo, iria ser a substituição de Quaresma por Marcano?

O DEVE e o HAVER das arbitragens

O caso (fonte: Tempo Extra, 13-01-2015)

Após as primeiras 10 jornadas deste campeonato, publiquei um artigo sobre a Liga Real e a Liga Mentirosa.

Nessa altura, de acordo com um jornalista desportivo insuspeito de ver os jogos com óculos azuis-e-brancos, (Rui Santos, ex-jornalista de A BOLA onde, durante 26 anos, ocupou diversos lugares de chefia), o SL Benfica já tinha 4 pontos a mais e o FC Porto 4 pontos a menos, devido a erros de arbitragem com influência nos resultados dos respectivos jogos.

Dois meses depois, constata-se que a coisa piorou e, sempre que necessário, lá surgiu o andor que, seguramente, levará o SLB ao bi-campeonato.

Assim, após a 16ª jornada do campeonato, de acordo com o analista/comentador principal da SIC para assuntos relacionados com o futebol, o FC Porto continua a ter a “haver” 4 pontos que lhe foram “subtraídos” por erros de arbitragens

Liga Real 2014/15, 16ª Jornada - FC Porto (fonte: SIC Notícias)

… enquanto que o SL Benfica passou a “dever” 6 pontos à “ajuda” dos filiados da APAF que, semanalmente, são nomeados para os seus jogos pelo homem (Vítor Pereira), que Luís Filipe Vieira fez (faz!) questão de ver na presidência ao Conselho de Arbitragem da FPF.

Liga Real 2014/15, 16ª Jornada - SL Benfica (fonte: SIC Notícias)

Em resumo, de acordo com a análise feita jornada a jornada, por Rui Santos, ao impacto dos erros das arbitragens nos resultados dos jogos, a classificação do campeonato, após a 16ª Jornada, deveria ser a seguinte:

1º FC Porto: 41 pontos (em vez dos 37 pontos oficiais)
2º SL Benfica: 37 pontos (em vez dos 43 pontos oficiais)
3º Sporting: 34 pontos (em vez dos 33 pontos oficiais)


Alguém se lembra de outra época, em que as arbitragens tenham influenciado e adulterado, de um modo tão evidente, a classificação de um campeonato?

A tese de alguns (por exemplo, do jornalista/comentador Bruno Prata) de que, no final deste campeonato, haverá um equilíbrio entre os três grandes, no que diz respeito aos erros dos árbitros, não passa de wishful thinking.

Ou seja, como ninguém, minimamente sério, pode negar os factos que todos vêem (felizmente os jogos são transmitidos pela televisão!), vão-se fazendo previsões de que, um dia destes, os encarnados irão perder pontos devido a erros dos árbitros e que também há-de chegar o dia em que os azuis e brancos serão “compensados”, em relação aos “prejuízos acumulados”.

Pois, eu também acredito que isso irá acontecer. Talvez no dia de São Nunca, ao fim da tarde…

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

1993



Numa noite de insónia pouco habitual, pus-me a viajar pelos muitos canais televisivos à disposição, até que desaguei no RTP Memória que retransmitia o Farense-FCP do ano da graça de 1993. Essa jornada, segundo percebi do saboroso relato de Gabriel Alves, realizou-se já no fecho do campeonato e com o quase certo primeiro lugar no bornal do FCP. O jogo fez-se à luz do dia, estava muito vento e foi arbitrado por Donato Ramos.
O FCP alinhou: Baía; Bandeirinha, Fernando Couto, Aloísio, Vlk; Jaime Magalhães (Jorge Couto), Rui Filipe, André, Semedo; Domingos e Kostadinov. O treinador era o brasileiro Carlos Alberto Silva. O resultado final: 1-0 a favor da equipa algarvia, num jogo horrível, feito de colisão e muito pontapé sem arte nem jeito e demasiadas vezes dirigidos às canetas do adversário. Não jogávamos em “posse”, não saímos do 4x4x2, o meio campo foi demasiado lento, aqui e acolá com algumas acelerações do mal-amado Semedo e a única receita foi jogar para o Kostadinov que ainda incomodou, apesar da marcação impiedosa do brasileiro Luisão. Domingos foi muito castigado o que o condicionou. Apenas Aloísio e Vlk estiveram bem. Os restantes estiveram a um nível pouco condizente com os seus pergaminhos. A nossa equipa apenas incluiu três estrangeiros e dos portugueses só o André não veio da formação. A arbitragem foi um horror e permitiu ao Farense uma postura de violência inadmissível, nomeadamente no primeiro tempo. O comentador era hilariante e julgou sempre as agressões claras do nosso opositor como sendo involuntárias.
21 anos separam-nos daqueles tempos; o futebol mudou substancialmente e para melhor: na construção e qualidade do jogo, no preparo físico, na intensidade e velocidade,  com  arbitragens de melhor qualidade e muito menos violento. Pela negativa, o colossal recurso a jogadores estrangeiros em relação a esses tempos e a míngua de atletas da formação na constituição da nossa equipa principal. Outro contraste: o estádio do Farense estava cheio. Muito idêntica ao que se passa  nos nossos dias,  a mediocridade do comentário que não mudou a matriz: a falta de qualidade sustentada no duopólio que fornece a grande maioria dos comentadores da nossa praça: SLB e SCP e, ainda por cima, mauzinhos, mauzinhos.

Sou o mais velho do RP o que não é mérito para além das fragilidades que o envelhecimento provoca e continuarmos com vontade de andor por aí. Apesar disso, não tenho saudades do passado nem do futuro. Fala-se muito nestes tempos, na ausência de mística e aponta-se que nos falta na nossa equipa actual mais amor à camisola e dá-se como exemplos maiores dessa ligação clubista íntima, Vítor Baia e Jorge Costa. Gosto de ambos, mas na bola o atleta, não raramente, cede às circunstâncias. VB não hesitou em emigrar para o Barcelona, regressar depois de rejeitado no clube catalão com a garantia do mais alto vencimento praticado no nosso país e, hoje, colabora com o incrível Record, enquanto JC fugiu duas vezes, na primeira por ter atirado a braçadeira de capitão para o relvado a segunda por não ter tido a capacidade de reconhecer que já não reunia condições para ser titular. Um dos jogadores que mais aprecio no actual plantel é Óliver Torres que sem qualquer ligação ao clube e à cidade se comporta como sempre cá tivesse vivido ou saído da formação. O amor ao clube é importante, mas não é decisivo: a qualidade e o profissionalismo estão primeiro, digo eu.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Andor daqui


Os SD estão absolutamente certos na mensagem que quiseram passar sobre o "andor" a que vimos assistindo na liga portuguesa. Contudo, aquilo que escreveram nas suas tarjas tem mais que se lhe diga.

O jogo de palavras entre "igreja" e "catedral", sendo já antigo, continua a ter a sua graça, mesmo se assim estamos, implicitamente, a fazer o jogo "deles" ao concordar que a Luz é algo mais que um simples estádio de futebol. Por outro lado, o "andor" tem sido democrático: tanto passa por ali, como em qualquer outro local do país onde seja necessário. Mas não é bem nisso que está o busílis da questão.
Na realidade, ao contrário do que frequentemente sucedia nos anos 80 e em boa parte da década de 90 em que os "erros" passavam por penalties ou foras-de-jogo escandalosos, as actuais ajudas arbitrais ao nosso rival, são bem mais da espécie "roubos de igreja". Aliás é mesmo aqui que reside a explicação para o seu êxito: dando menos nas vistas do que aqueles de "catedral", podem assim acontecer em maior número e, no fundo, acabam por causar os mesmos estragos.
Nesta presente temporada, na maioria dos lances em que os árbitros apitaram mal em favor do slb, ambas as decisões (contra ou a favor) poderiam, em teoria, ser aceitáveis. O problema é que em todas elas os homens de negro, inclinaram-se para o lado que menos danos colaterais lhes causa. Ou seja, quando numa mesma partida e em 3 ou 4 lances duvidosos, em todos eles se decide em favor dos mesmos, algo de muito errado se passa.

Aliás, ironia das ironias, a maior prova de que a coisa está também a ser feita "pelo outro lado", nesta época, aconteceu num lance em que o trio de arbitragem esteve, por mera sorte, certo: foi naquele célebre fora-de-jogo assinalado ao Rio Ave no jogo da Luz.
O "auxiliar" não poderia ter visto aquilo que diz ter acontecido. Estando atrasado no lance, jamais poderia garantir que o jogador vila-condense estivesse deslocado. E por que razão, então, levantou ele a bandeira? Pura e simplesmente porque, assim o fazendo, evitaria meter-se em "alhadas". Tão prosaico quanto isto.

Tudo ao monte e fé em deus


 

A bluegosfera deu pouca relevância à efeméride, salvo pontuais excepções, mas nem é isso que mais importa. O que se devia perguntar, é se ainda resta algo de Pedroto no aburguesado e unanimista FC Porto da actualidade, e porque é que desgraçadamente isso não interessa a ninguém? Porto é Pinto da Costa, e mais nada; o criador sobrepõe-se à obra, faz-lhe sombra e até dá origem a um culto encarniçado - o que diria Pedroto a isso?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

SMS do Dia

O anunciado empréstimo do Kelvin a um clube brasileiro, não tem ponta por onde se lhe pegue. Sabendo-se que nestes casos, é habitual ser o Porto a arcar com os salários, não havia um - um! - clube português que quisesse os préstimos do jogador? Nem unzinho?

Regresso de Helton e estreia de Ivo

Os 18 convocados do FC Porto

Onze inicial do FC Porto sem nenhum dos habituais titulares

O regresso de Helton após 10 meses sem sujar as luvas

A estreia (pouco feliz) de Ivo Rodrigues na equipa principal

Jovens adeptos portistas

Foram poucos (11510 espectadores) os adeptos que assistiram ao vivo

Resultado final deste FC Porto x União Madeira