terça-feira, 14 de setembro de 2010

Vão devolver esta taça?


«Equacionar, em face do desgaste e da falta de garantias de isenção na arbitragem agora evidenciadas, a participação na presente edição da Taça da Liga.»
Comunicado do slb


E será que vão equacionar devolver a "Taça Lucílio Baptista"?

Pode ser no camarote da Luz?


«Solicitar ao Senhor Ministro da Administração Interna uma audiência para debater a violência de que a equipa do Benfica tem sido alvo cada vez que se desloca ao Porto.»
Comunicado do slb

Solicitar uma audiência ao Ministro da Administração Interna? Para quê tanto formalismo? Porque não aproveitar o facto do actual e do anterior ministro da Administração Interna serem frequentadores habituais do camarote presidencial do estádio da Luz?

Já agora, sugeria aos preocupados dirigentes benfiquistas, que aproveitassem a ocasião para perguntar ao senhor Ministro da Administração Interna o seguinte:

i) Na sequência da tentativa de agressão de que o presidente do FC Porto foi alvo à saída do hotel em Lisboa, umas horas antes do último slb x FC Porto, foi aberto algum inquérito?

ii) Em 24 de Janeiro passado, o autocarro do FC Porto e o carro de Pinto da Costa foram apedrejados na A5, próximo da saída para o Estoril. Que medidas foram tomadas para apanhar os delinquentes e evitar que este tipo de situação se repita de cada vez que a equipa do FC Porto se desloca a Lisboa?

iii) Em 16 de Maio, depois do jogo da final da Taça de Portugal, um autocarro e várias viaturas ligeiras com adeptos do FC Porto, foram alvo de uma autêntica metralha de calhaus na saída da CRIL para a 2ª Circular. Em que ponto está a investigação? Os delinquentes já foram identificados?

Ficamos na expectativa de respostas concretas a estas perguntas.

P.S. Na foto que ilustra este texto, consegue-se descortinar o actual e o anterior Ministro da Administração Interna (Rui Pereira e António Costa), o Ministro da Justiça (Alberto Martins) e um ex-Ministro dos Assuntos Parlamentares (Rui Gomes da Silva). Clube do Regime? Nãããã…

Um obrigado a PdC e restante SAD


Obrigado por não terem acreditado que o ano passado não ganhámos por causa dos árbitros.
Obrigado por não terem acreditado que a presença do Hulk resolvia tudo.
Obrigado por não terem enfiado a cabeça na areia.

Obrigado por terem percebido onde estava o principal problema.
Obrigado por terem agido em conformidade.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Uma época de futebol típica

«Vejam como decorre uma época de futebol típica em Portugal. Agosto é o mês de todas as esperanças. As vitórias nos torneios de Vila Real de St. António, nos jogos de apresentação contra as reservas do Milão ou do Real Madrid, e um ou dois grandes golos de jogadores prematuramente acabados e a gozar uma reforma dourada em Lisboa (é o ‘modelo social benfiquista'), como Aimar ou Reyes, tornam logo o Benfica "campeão". Já perdi a conta à quantidade de vezes que ouvi amigos meus, nos almoços e jantares de Verão, dizerem-me com a mais genuína das convicções que "este ano é que é, vamos ser campeões". A minha resposta é sempre a mesma: voltamos a falar em Maio. A partir de Abril, começam a dizer que "o futebol em Portugal é uma vergonha".

Novembro e Dezembro são os meses das primeiras desilusões. Vão-se as competições europeias e, na semana seguinte à eliminação, o presidente do Benfica faz um discurso na casa do clube de Toronto a dizer que vai construir a melhor equipa da Europa. E o mais espantoso é que muitos continuam a acreditar. Não há limites à ilusão. Março e Abril são os meses em que regressa sempre o "sistema", e os famosos ‘dossiers' que vão repor a verdade no futebol português".»
João Marques de Almeida
Diário Económico, 11 de Maio de 2009


No essencial, este texto continua perfeitamente actual. Aliás, eu diria que corresponde aquilo que podemos designar como uma época típica (de vez em quando há excepções). A única diferença é que esta época as desilusões, que normalmente surgem no Natal ou na Primavera, chegaram em Setembro. Deve ser das mudanças do clima, devido ao aquecimento global...

Volta Ricardo Costa!

«Hulk faz de tudo um pouco e faz quase sempre tudo bem. A glória do brasileiro é a desgraça dos adversários. Elderson nem sabe o que lhe aconteceu e Domingos foi obrigado a retirá-lo do jogo, tantas foram as vezes que Hulk passou por ele. E que jogada foi a do golo do empate! Fez uma diabrura a Elderson, ultrapassou-o em velocidade e cruzou para a cabeça de Varela. Tudo rápido, tudo dentro dos limites. Antes já tinha rematado à barra, continuando o festival com jogadas em que colocou a defesa do Braga à beira de um ataque de nervos e Elderson a gritar por um Xanax.»
in O JOGO


«O "Incrível" mostrou um novo super-poder. Depois do pontapé mortífero e da velocidade supersónica, Hulk apresentou ao mundo o drible criador: inventa espaço onde ele não existe. Foi-lhe bastante útil esta noite, para se livrar de Elderson no lance que viria a resultar no golo de Varela. Antes disso até parecia algo confuso nas ideias, mas foi sol de pouca dura. O que dizer da segunda parte? Fulminante a fazer o segundo tento portista (o quarto no campeonato), já depois de ter assinalado a melhor jogada individual do desafio, que não deu golo por acaso.»
in Maisfutebol


«O avançado brasileiro começou na esquerda mas foi na direita que deslumbrou. Disparou à barra, ofereceu o golo a Silvestre Varela, passou por todos e obrigou Felipe a grande defesa. Tudo isto antes de marcar.»
in DN


«Quando se tem Hulk em grande forma, como é o caso, quando se tem um jogador capaz de deixar os adversários à beira de um ataque de nervos, tudo é possível.»
Norberto Lopes, JN


«Hulk faz simplesmente a diferença. Os adeptos portistas bem que lhe devem a distância que o FC Porto leva no topo da tabela classificativa.»
Manuel Mendes, PÚBLICO


«fora-de-série é Hulk, o homem que dinamitou a defesa bracarense e que a temporada passada foi retirado ao jogo da forma que se sabe»
Bernardo Ribeiro, Record


«O Hulk foi fundamental na recuperação. A jogada do primeiro golo é quase toda dele e acontece numa altura em que a equipa tinha dificuldades para entrar na área. Acho que dificilmente o FC Porto teria dado a volta a este jogo sem o Hulk, pois se tivesse chegado ao intervalo a perder teria sido muito difícil chegar à vitória. Fala-se em "Hulkodependência" no FC Porto e a verdade é que, neste jogo, deu essa sensação. Mas ele faz parte da equipa e com jogadores como ele, capazes de desequilibrar a qualquer momento, tudo se torna mais fácil
João Vieira Pinto, O JOGO

----------

Rendidos às evidências, mais uma vez, a comunicação social foi unânime a considerar Hulk a estrela maior, a figura do jogo, o melhor em campo.

4 golos em 3 jogos para o campeonato e mais 3 golos num jogo para a Liga Europa, a que se juntam assistências, arrancadas fulminantes, livres e remates perigosos. É este o manancial que Hulk tem oferecido neste início de época, jogo após jogo.

Não admira, portanto, que os nossos adversários recorram a todos os meios para o tentar afastar dos jogos. Há dois anos atrás foi violentamente atingido num Estrela Amadora x FC Porto e na época passada foi condenado a uma suspensão de 23 jogos (!), que cumpriu parcialmente.

Eles, os anti-portistas, sabem muito bem de onde vem perigo e quais os jogadores do FC Porto que é preciso arrumar. Foi assim com o Deco (lembram-se do caso da chuteira entre ele e o Paraty?), foi assim com o McCarthy (lembram-se dos sumaríssimos?) e agora o alvo é o Hulk.

E cada vez são menos as pessoas que têm dúvidas acerca do enorme impacto que a suspensão do Hulk teve no campeonato passado. Por isso, sem túneis armadilhados e não havendo Ricardo Costa (agora escreve no Record), não me admirava que numa das próximas jornadas aparecesse um caceteiro qualquer a mandar Hulk para o estaleiro durante umas semanas. Tudo isto, claro, misturado com umas lágrimas de crocodilo e com a complacência de quem tem obrigação de punir duramente as entradas violentas.

É preciso travar Hulk, custe o que custar!
Volta Ricardo Costa!

domingo, 12 de setembro de 2010

Coisas que não convém dizer

Tradicionalmente, o Vitória de Guimarães tem boas assistências nos seus jogos em casa e o slb arroga-se de ser o único clube que em Portugal enche estádios. Pois no Guimarães x slb, num estádio com capacidade para 30 mil lugares, cerca de metade ficaram vazios (a assistência foi de 17730 espectadores).

No FC Porto x Braga estiveram 47617 espectadores.

O que se passa com o melhor marcador do último campeonato? Falta de penalties para marcar? Saudades dos cruzamentos de Di Maria? Parece um jogador triste e, a jogar assim, nunca chegará ao estádio da Luz uma proposta milagrosa para lhe fazer a vontade (a ele e ao Jesus).

Apesar de nunca ter estado em vantagem no marcador e de ter sofrido o primeiro golo bastante cedo, a suposta "máquina atacante" que é a equipa do slb teve menos remates à baliza que o Vitória de Guimarães (13 contra 16).

No Guimarães x slb, as melhores ocasiões de golo não concretizadas foram da equipa da casa e Nilson não fez qualquer grande defesa (pelo contrário, ofereceu um golo).

Em apenas cinco jogos oficiais, a defesa do slb já sofreu oito golos e nenhum foi ilegal ou precedido por uma qualquer irregularidade.

Luisão continua zangado com o Benfica ("Saber do interesse [do Atletico Madrid] pelos jornais e saber que o Benfica não me vende e não negoceia, nem me dá a segurança de um novo contrato que salvaguarde o meu futuro e o da minha família... Já não tenho vinte anos como o Di María ou o David Luiz")?

Fábio Coentrão foi dispensado da Selecção, não tendo de fazer a viagem à Noruega. Contudo, três dias depois esteve apto para jogar 90 minutos em Guimarães.

Apesar da hora tardia a que o jogo começou (21h15), o FC Porto x Braga foi o programa mais visto do dia, com uma audiência de 12.5% e um share de 39.7%

Dragão à prova de bala


Grande jogo, grandes golos, uma vitória de exigência máxima, que faz elevar e certificar o patamar qualitativo deste FC Porto de André Villas Boas. Com apenas 4 jornadas cumpridas o Dragão já reserva para si uma liderança folgada, mercê de um domínio inquestionável explanado nos campos por onde tem passado. Um cenário difícil de encaixar mesmo no melhor dos sonhos, tanto mais estando a equipa num processo de transfiguração da sua filosofia de jogo, completamente antagónica à anterior dos últimos 4 anos.

A caminhada portista neste inicio de época segue auspiciosa e triunfante, faltava-lhe apenas o "teste do algodão" para se aquilatar até onde pode ir este Porto versão 2010/11. Descontando o confronto com as aves depenadas e, por hora, quase moribundas, a contenda com o Braga de tarimba europeia era sem dúvida o exame ideal às capacidades do conjunto azul e branco.


Com efeito, a partida revelou-se uma verdadeira prova de fogo para os nossos rapazes. Para além de terem de superar aquilo que já todos sabíamos ser os predicados da equipa Arsenalista; A sua boa disposição no terreno de jogo, saindo, sempre que possível, em ataques rápidos com base na qualidade individual e técnica dos seus jogadores - os comandados de Villas Boas viram-se obrigados a inverter uma situação de desvantagem no marcador pela 1ª vez no campeonato. Por 2 vezes conseguiram-no, com sucesso.

Curiosamente, a agitação que pautou grande parte do encontro, contrasta com aquilo que foram os primeiros 16 minutos, momento em que Luís Aguiar levanta a cartola para um número mágico. O golo sofrido teve o condão de obrigar o Porto a abdicar da sua politica de “não agressão”, para uma postura mais interventiva e decidida. Sem ser colectivamente brilhante nesta fase, a equipa soube partir em busca da igualdade de forma serena e tranquila, mas é justo dizer que quem fez verdadeiramente a diferença, contribuindo decisivamente para a igualdade aos 33 minutos, foi Hulk.



Hulk, de resto, foi figura de cartaz em quase toda a contenda. Correu, desequilibrou, chutou, falhou e marcou. Todo o manancial que lhe bem conhecemos, que foi bem útil aos 63 minutos ao restabelecer o empate pela 2ª vez, quando 2 minutos antes Lima nos havia deixado com as calças na mão com uma bomba monumental.

A reviravolta de Varela veio trazer justiça a um jogo que apenas se mantinha no limbo da indefinição do resultado pelas 2 obras-primas dos jogadores Bracarenses. Se nos primeiros 45 minutos o domínio azul e branco não era muito marcante, no 2º tempo raramente a bola rondava a baliza de Helton. Lima apenas suscitou a falsa ilusão de surpresa, mas não demoveu a sede de vitória do Porto de Villas Boas. Um triunfo inteiramente merecido, que só pecou pela escassez do resultado.

Fotos: MaisFutebol

sábado, 11 de setembro de 2010

Queiroz e a FPF, 17 anos depois…

"É preciso limpar muita porcaria que existe na FPF. Mas, quando me refiro a porcaria, não estou a dirigir-me a ninguém em particular, nem sequer ao Eng. Vítor Vasques [presidente da FPF]"
Carlos Queiroz, A Bola, 1993, após a derrota em São Siro frente à Itália


"A engrenagem federativa tem vícios e o pensamento de algumas pessoas não pode ser o mesmo de 72 ou 73. Não pretendo ter um estatuto privilegiado na FPF. Pretendo, apenas, ser respeitado e não ser tratado com um gajo qualquer"
Carlos Queiroz, A Bola, 1993

Cartoon: Henrique Monteiro

E por que não o João Loureiro?


O séc. XXI do futebol português começou com um fenómeno do Entroncamento: um clube modesto do Porto, com a particularidade até de contar entre os seus "adeptos" um grande número de apoiantes (mal) disfarçados de um clube de Lisboa, venceu o campeonato. Na época seguinte brilharia de novo ao terminar a prova em 2º lugar, e duas épocas depois atingiria as meias-finais da Taça UEFA. Pelo meio teve uns briosos desempenhos na Liga dos Campeões.

Estou a falar, é claro, do Boavista. Na altura choveram os elogios de índole desportiva (bem merecidos, diga-se) mas não ficaram por aí os encómios. Não, além da proeza desportiva e do mérito do treinador Jaime Pacheco, promoveu-se também a ideia de que o clube do Bessa era gerido de forma brilhante. Lembro-me bem, por exemplo, de ler o nosso correligionário Miguel Sousa Tavares, aproveitando para mandar umas alfinetadas à SAD do F.C. Porto, a tecer rasgados louvores àquilo que considerava ser a brilhante gestão do clube por parte do Dr. João Loureiro, nomeadamente na sua política de contratações e na gestão financeira (esses elogios de MST - cuja leitura normalmente muito prezo, devo dizer - estendiam-se também ao Dr. Pimenta Machado, outro "brilhante" gestor de um clube de futebol, no seu entender).

Todos sabemos o que aconteceu entretanto ao Boavista e à sua famosa gestão: uma precipitada queda no abismo que o Apito Final (desculpa esfarrapada dos boavisteiros e dos revisionistas da história para esse colapso) apenas apressou.

Deparamo-nos agora com a brilhante ascenção do Sporting de Braga aos mais altos patamares do futebol português e aos palcos da Liga dos Campeões, uma ascenção digna de aplauso, sem dúvida nenhuma. Pois concomitantemente está a assistir-se a um processo de glorificação do presidente do clube, António Salvador, em tudo semelhante ao sucedido com João Loureiro. Chega mesmo a aventar-se a hipótese, aqui referida pelo meu colega José Correia, de ele poder vir a suceder a Pinto da Costa!

Eu não pretendo comparar a gestão de Salvador à de Loureiro, até porque nem sequer conheço as contas da SAD do Braga, mas não posso deixar de lamentar a aparente precipitação com que se faz este tipo de juízos e de promoções em Portugal. Se António Salvador serve para sucessor de Pinto da Costa por causa dos recentes êxitos do Braga, então o mesmo raciocínio poderia ter-se aplicado a Loureiro há uns anos atrás. Bem sei que, ao contrário do presidente do Braga, o "pardalito dos telhados" (Jaime Pacheco dixit) não era (que se saiba) sócio do F.C. Porto, mas eu também estou apenas a teorizar. E digam-me lá se acham que teríamos feito uma boa escolha?

Resumindo e concluindo: o Braga está de parabéns (e nesses parabéns obviamente se inclui o seu presidente), é um rival na luta pelo título (e não digo isto por ser politicamente correcto dizê-lo), mas por favor não entremos em fantasias. Ah, e já agora, que levem mais cinco logo à noite (sem maldade!;-)).

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Quarta derrota

A culpa é dos árbitros, clamaram presidente (na entrevista à SIC) e treinador, após a derrota de hoje em Guimarães. Sim, eles não são de se desculpar com as arbitragens, mas toda a gente vê que o slb tem estado a jogar maravilhosamente e só não ganha os jogos todos por 10-0 porque os árbitros não deixam.

De facto, não se percebe porque razão é que o slb esta época tem de jogar contra 11. No último campeonato (o da verdade desportiva!), o normal era jogar contra equipas de 10 ou mesmo 9 jogadores...

Quatro derrotas em cinco jogos oficiais! Meus amigos, qualquer pessoa isenta e lúcida, que tenha visto os jogos, é obrigada a reconhecer que foi por culpa dos árbitros...

O futebol português voltou a não ter credibilidade.

Os clubes mais populares da Europa

Um estudo feito pela Sport-Markt - “The “Football Top 20” - analisou a popularidade de clubes em 17 países europeus (Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Espanha, Portugal, Turquia, Holanda, Austria, Suiça, Grécia, Polónia, Croácia, Bulgária, Ucrânia, República Checa e Rússia), tendo sido feitas mais de 10200 entrevistas a adeptos do futebol, de idade compreendida entre os 16 e os 69 anos.

De acordo com este inquérito/sondagem pan-europeu, os 20 clubes mais populares da Europa são (em milhões de adeptos):

57,8 FC Barcelona
31,3 Real Madrid
30,6 Man. United
21,4 Chelsea
20,7 Bayern Munique
20,3 Arsenal
18,4 AC Milan
17,5 Inter
16,4 Liverpool
13,1 Juventus
12,6 Zenit S. Petersburgo
10,5 CSKA Moscovo
9,0 Spartak Moscovo
7,8 O. Marselha
7,1 Ajax
6,8 Galatasaray
6,6 O. Lyon
6,1 Fenerbahce
6,0 AS Roma
5,3 D. Kiev

Para além de nenhum clube português constar desta lista (Portugal é um país periférico, com apenas 10,5 milhões de habitantes), é interessante verificar o avanço do Barcelona relativamente ao Real Madrid (aparentemente, o futebol espectáculo associado às vitórias conquista adeptos) embora, a nível do mercado espanhol, a equipa de Madrid continue a ter mais adeptos (36% versus 29%).

O Braga de António Salvador

«(…) no negócio do futebol, uma boa gestão não basta para garantir o sucesso. É preciso ter também rasgo e ousadia, porque muitos dos tabus neste desporto tão conservador não seriam quebrados sem uma pontinha de loucura. E é aí que entra o presidente António Salvador, um self-made man que soube contagiar um clube e uma cidade e provar que a ambição pode ser também a riqueza dos pobres. (…)

Em sete anos, as receitas operacionais (sem venda de jogadores) subiram de dois para oito milhões de euros, ainda assim insuficientes para fazer face às despesas, que só em amortizações atingiram esta época os três milhões de euros. A diferença foi sendo colmatada com as transferências de jogadores. Percebendo que o tempo era de "vacas magras", Salvador promoveu cortes orçamentais. Depois dos 14 milhões de euros gastos em 2008/09 (com Jorge Jesus), o Braga investiu apenas 11 milhões no ano passado e preparava-se para só gastar dez nesta temporada. Esse valor deverá ser ligeiramente ultrapassado, face aos investimentos de última hora na equipa. (…)

Mas Salvador sabia que o equilíbrio financeiro nunca poderia ser dissociado da estabilidade desportiva. E, em sete épocas, o Braga nunca falhou um apuramento para as provas europeias, somando três quartos lugares, dois quintos, um segundo e um sétimo. Neste âmbito, começou por ser fundamental o trabalho do técnico Jesualdo Ferreira. A sua saída, em 2006/07, criou instabilidade em resultado da aposta em Carlos Carvalhal, Jorge Costa e Manuel Machado. A normalidade regressou com Jorge Jesus, que terminou em quinto e ajudou a vencer a Taça Intertoto, antes de a sua mudança para o Benfica render 700 mil euros. (…)

O Braga partiu para esta época com o plantel mais forte e equilibrado de que há memória. É verdade que perdeu os laterais (Evaldo e João Pereira) e o guarda-redes Eduardo, mas a defesa foi razoavelmente recomposta (embora falte alternativa ao nigeriano Elderson). Mais do que isso, manteve-se a espinha dorsal formada pelos centrais Moisés e Rodrigues (a melhor dupla da Liga?), o médio-defensivo Vandinho e também Alan, talvez a unidade mais desequilibrante. Segurou também Matheus, um ala rápido que Domingos tem sabido transformar num avançado letal. Mas a estes pode-se agora acrescentar Leandro Salino, um médio de muita qualidade que chegou a preço zero do Nacional. Mas a grande diferença verifica-se no ataque, onde Meyong passou a ter a concorrência de Lima, Keita e Elton. O primeiro já o tínhamos elogiado quando, na época passada, vestia a camisola do Belenenses. Tem algo que, salvaguardando as devidas diferenças, faz lembrar Lisandro. E só custou 400 mil euros. Não contando com os gastos que normalmente decorrem do pagamento de "luvas" aos jogadores e empresários, o Braga fez ainda duas excelentes contratações: Felipe e Elton. Foram negócios de ocasião. O primeiro era o guarda-redes titular do Corinthians, que abandonou após um litígio com o presidente. O seu passe foi então comprado por um grupo de investidores, que aceitou utilizar como "montra" o Braga, que só pagará 30 por cento dos ordenados. Elton, um avançado que marcou 17 golos no Vasco da Gama, chegou numa situação idêntica. É provável que o Braga tente ainda garantir mais um ou dois reforços, designadamente um médio-defensivo.

Prestes a completar 90 anos de história, o Braga tem sabido puxar por uma cidade que durante anos foi conhecida pelo elevado número de benfiquistas. A média de assistências subiu de 11.550 (2005/06) para 14.274, no último campeonato. E o número de sócios é agora de 22 mil. (…)»

Bruno Prata, PÚBLICO, 27/08/2010

----------

Há sete anos, quando António Salvador chegou à presidência dos “arsenalistas do Minho”, o Braga vinha de um 14.º lugar no campeonato. O primeiro treinador que contratou (para a época 2003/04) foi Jesualdo Ferreira, o qual alcançou um quinto e dois quartos lugares, isto antes de vir para o FC Porto (com uma passagem efémera pelo Boavista), quando Pinto da Costa o escolheu para substituir Co Adriaanse.

Para o sucesso desportivo e financeiro alcançado (nestes sete anos o Braga encaixou cerca de 33 milhões de euros em vendas de jogadores), contribuíram directores desportivos, jogadores e treinadores, particularmente Jesualdo Ferreira, Jorge Jesus e Domingos Paciência. Mas, tal como no FC Porto, neste período de ouro do Braga, o único denominador comum é o presidente António Salvador.

Li na comunicação social que este empresário do ramo da construção civil, de apenas 39 anos, é sócio do FC Porto há 30 anos. Estará ele entre os possíveis sucessores de Pinto da Costa, daqui a três ou seis anos?

Fotos: O Jogo, Correio da Manhã
Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

De outro campeonato


O Real Madrid apresentou no seu site os resultados financeiros do ano fiscal de 2009/10, sendo de destacar receitas (excluindo vendas de jogadores) de 442,3 milhões de euros (+8,6% relativamente ao exercício anterior).
Outros indicadores:
- Lucro de 24 milhões de euros (+ 11,5%);
- Resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA), excluindo alienação de jogadores, subiram 19,8%, para 111,6 milhões de euros;
- Custos com pessoal baixaram de 46% para 43% das receitas.

Não há dúvida que estes são de outro campeonato.

A propaganda encarnada


«Em termos de mais-valias, o Benfica está à frente do FC Porto, mas também aqui ainda as coisas podem vir a equilibrar-se um pouco mais. Os encarnados venderam Di María (Real Madrid) por 25 milhões e Ramires (Chelsea) por 22 milhões. No total são 47 milhões, verba que cobre largamente o dinheiro gasto em compras. O FC Porto vendeu Bruno Alves (Zenit Sampetersburgo), que rendeu 22 milhões de euros. Montante que ainda não dá para cobrir as despesas. Todavia, está em aberto a possibilidade de o médio Raul Meireles também poder sair, situação que deverá render cerca de 15 milhões. Ainda assim, o Benfica vendeu melhor
in Correio da Manhã, 07/08/2010


47 milhões?!! O slb vendeu melhor que o FC Porto? Vejamos…

Comecemos pelo caso Di Maria.
No dia 27 de Junho de 2007, o slb adquiriu ao clube Club Atlético Rosário Central, 80% do passe de Di Maria pelo montante liquido de 6 milhões de euros.
No dia 13 de Agosto de 2008, o slb adquiriu mais 20% dos direitos económicos de Di Maria pelo montante de 2 milhões de euros, passando a deter a totalidade dos referidos direitos.
No dia 25 de Novembro de 2008, o slb vendeu à a Gestifute (do empresário Jorge Mendes) 10% dos direitos económicos de Di Maria, pelo valor de 1.000.000 €.
No dia 30 de Setembro de 2009, o slb alienou ao Fundo “BENFICA STARS FUND” 20% dos direitos económicos de Di Maria, pelo valor de 4.400.000 €.
No dia 29 de Junho de 2010 (na véspera da data limite para o fecho do exercício 2009/10…), o slb chegou a acordo com o Real Madrid CF para a transferência de Di Maria pelo montante de 25.000.000 de euros.
Assim sendo, a mais-valia deste negócio para o slb é 14,9 milhões de euros (1 + 4,4 + 70% de 25 – 2 - 6 milhões).

Relativamente ao Ramires…
No dia 22 de Maio de 2009, o slb adquiriu o passe de Ramires ao Cruzeiro Esporte Clube, por 7.500.000 €.
No dia 20 de Junho de 2010, o slb alienou à empresa Jazzy Limited (do empresário Kia Joorabchian) 50% dos direitos económicos de Ramires, pelo montante de 6.000.000 euros.
No dia 4 de Agosto de 2010, o slb chegou a acordo com o Chelsea FC para a transferência de Ramires, pelo valor de 22.000.000 €.
Como é fácil de ver, a mais-valia deste negócio para o slb é 9,5 milhões de euros (6 + 50% de 22 - 7,5 milhões).

Somando as mais-valias dos negócios Di Maria e Ramires, o slb encaixou 24,4 milhões de euros (cerca de metade dos 47 milhões apregoados).

Praticamente na mesma altura do negócio Ramires, a FCP SAD vendeu Bruno Alves ao Zenit também por 22 milhões de euros. Mas o caso do ex-capitão dos dragões tem duas diferenças substanciais: o Bruno Alves tem quase 29 anos (pertencia aos quadros do FC Porto desde 1999/2000) e a sua transferência gerou uma mais-valia igual ao valor da transferência - 22 milhões de euros!
Juntando a este valor a mais-valia da transferência de Raul Meireles – 11 milhões de euros (*) -, significa uma mais-valia total para a SAD portista de 33 milhões de euros.

Como se vê, a propaganda feita pela comunicação social do regime está bem longe da realidade. E, fazendo umas continhas simples, até jornalistas encarnados serão capazes de perceber que as mais-valias obtidas pelo FC Porto foram bem superiores às do slb.


(*) O FC Porto contratou Raul Meireles ao Boavista em 7 de Julho de 2004, por uma verba desconhecida (falou-se na altura em 2 milhões de euros), mais a cedência a título definitivo do médio Tiago.

Nota: Nas contas efectuadas acima, não foram considerados os direitos de formação dos jogadores, nem eventuais comissões pagas aos empresários envolvidos nos negócios.

Foto: Charlie Chaplin no filme The Great Dictator, de 1940.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O Sucessor de quem se fala


Já se aventa na comunicação social que Paulo Bento poderá suceder a Carlos Queiroz. Fontes próximas do treinador tetra-vice-campeão (só os portugueses inventariam uma designação destas) parece terem garantido à F.P.F., à Autoridade Anti-Dopagem e ao Secretário de Estado da Juventude e Desporto que Bento é um adepto fervoroso dos controlos anti-doping a horas escusas e que, além disso, nunca usa linguagem imprópria diante de médicos porque, dizem essas fontes, acha que para palavrões já chegam os que os descendentes de Hipócrates usam na sua profissão.

Aguardemos com tranquilidade.