quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O advogado de Fafe


Habitualmente discreto, o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto (SEJD), Laurentino Dias, tem assumido um protagonismo inusitado no caso Queiroz. Mas quem é este homem?
Nascido em Fafe, a 4 de Fevereiro de 1954, Laurentino Dias é licenciado em Direito e, além de membro do secretariado nacional, da comissão política e da comissão nacional do Partido Socialista, foi deputado em várias legislaturas e exerceu o cargo de presidente da Assembleia Municipal de Fafe, entre 1982 e 2005, até assumir funções governamentais como SEJD, em 14 de Março de 2005.

Mas, mesmo antes de ser SEJD, Laurentino Dias já estava (esteve) ligado aos meandros do futebol, tendo-se destacado como advogado da AD Fafe num celebre caso que conduziu o Futebol Clube de Famalicão à descida de divisão na secretaria.
O que se passou?
Na época 1987/88, o FC Famalicão venceu a Zona Norte da II Divisão, tendo ascendido à I Divisão. Contudo, o Fafe não se conformou e apresentou um protesto relacionado com o jogo Macedo de Cavaleiros-Famalicão, da 33ª jornada. Inicialmente, a AD Fafe contestou a utilização pelo FC Famalicão do jogador Kanu, supostamente inscrito de forma irregular. Mais tarde, a uma semana do início dos campeonatos da época 1988/89, o caso ganhou outros contornos, quando o presidente do Macedo de Cavaleiros, António Veiga, denunciou um suposto suborno e apresentou como prova um cheque do FC Famalicão destinado ao Macedo de Cavaleiros. Nunca se percebeu qual o interesse do presidente do Macedo de Cavaleiros vir a público denunciar uma situação que prejudicaria o seu clube e a ele próprio, mas como estamos em Portugal…

O Conselho de Disciplina da FPF deu como não-provada a suposta tentativa de suborno mas, no recurso da AD Fafe para o Conselho de Justiça, o FC Famalicão e o Macedo de Cavaleiros foram despromovidos à III Divisão, os seus presidentes irradiados e a Associação Desportiva de Fafe ascendeu à I Divisão em substituição do Futebol Clube de Famalicão, tudo isto numa altura em que já se tinham realizado duas jornadas do campeonato nacional 1988/89. Paralelamente, Laurentino Dias passava a ser um herói em Fafe e persona non grata em Famalicão.


O FC Famalicão foi jogar para a III Divisão Série A, mas os famalicenses nunca se conformaram e um ano depois o caso sofreu uma reviravolta. António Veiga deu o dito por não dito, afirmando que o cheque que tinha apresentado era absolutamente legal, destinado a pagar os bilhetes dos adeptos visitantes, e que a história do suborno tinha sido uma invenção sua, motivada por uma vingança pessoal contra António Costa, o presidente do Famalicão. Estória mal contada, mas enfim...


Reabilitado, o Famalicão recuperou o título da II Divisão de 1987/88, tendo o campeonato 1990/91 sido alargado de 18 para 20 equipas, de modo a ser reparado o erro (terá sido?) da justiça desportiva cometido dois anos antes.

Quanto a Laurentino Dias, aos 34 anos, de desconhecido fafense ascendia a estrela dos media nacionais. A partir daí foi sempre a subir.

Nota: Agradeço a correcção de alguma eventual incorrecção detectada no texto anterior.
Fontes: arquivista.wordpress.com, blogue Aventar
Imagens (clique para ampliar): Aventar

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Estado e a Cofina

Pelos vistos, não é só com o slb que a Cofina tem excelentes ligações. Conforme a notícia seguinte demonstra, as relações com o actual governo também são muito boas. Aliás, bem vistas as coisas, até faz todo o sentido: Estado, Governo, CM Lisboa, clube do regime...


«Metade do investimento publicitário feito pelo Estado nos jornais diários de maior expansão até Setembro de 2009 ficou nos cofres do "Correio da Manhã". Um estudo feito pela Media Monitor (empresa da Marktest que analisa o mercado publicitário) mostra que, entre inserções no caderno principal e no caderno de classificados, o diário do grupo Cofina arrecadou, até ao final do terceiro trimestre deste ano, quase 4,5 milhões de euros, exactamente metade dos gastos realizados pelo Estado: 8,8 milhões de euros. (...)
Os números agora conhecidos revelam, de facto, não um "padrão", mas três. O "Correio da Manhã" é o grande beneficiário, no que diz respeito aos anúncios colocados pelo Estado nos cadernos dos diários generalistas. Isto porque, já em 2008, aquele título arrecadara 49,6% do dinheiro despendido pelo Governo. Ou seja: o jornal da Cofina vale para o investidor Estado tanto como a soma dos restantes jornais diários.
Segundo "padrão": os jornais com a massa de leitores a Sul arrecadam 72,5% da publicidade estatal. Para o "JN" sobram 27,5%. Com sensivelmente o mesmo número de leitores (concentrados a Norte) do que o "Correio da Manhã" (concentrados a Sul), o "JN" regista um valor da receita publicitária inferior a 48% em 2008 e 45% em 2009, relativamente ao seu concorrente mais directo. Contas feitas, a diferença entre o "JN" e o "Correio da Manhã" é favorável a este último em cerca de três milhões de euros em 2008 e de dois milhões até Setembro deste ano.»
in JN, 21/12/2009

Nota: A foto e os destaques a negrito são da minha responsabilidade.

Pasquins lisboetas enfrentam forte concorrência


O jornal OJOGO entrou em definitivo num segmento de negócio que habitualmente estava reservado aos pasquins lisboetas e que se pode chamar de "bajulação ao slb" e parece disposto a fazer-lhes forte concorrência com capas ridículas. A da edição de ontem diz-nos com grande destaque que "Salvio inspira-se no CR7" e depois, em pequenas chamadas de destaque, diz ainda que o jogador benfiquista "já viu mais de 500 videos da estrela do Real Madrid", que "ficou fulo por não ter trocado de camisola com o galáctico", que se "fechava no quarto a estudar o futebol do craque" e por fim que "comprava todas as revistas onde aparecia o português".

Já aqui abordei os fretes do jornal de Joaquim Oliveira ao SLB, cujas razões são entendíveis dada a proximidade da renegociação dos direitos televisivos do clube do regime com a Sporttv. Convém agradar ao "Coronel" Vieira.

Posto isto, acho a situação no mínimo estranha. "Já viu mais de 500 videos"?!, "fechava-se no quarto (...)"?!, "comprava todas as revistas"?! Das duas uma, ou o jogador simplesmente age como uma teenager histérica em relação ao CR7 ou... Ou é melhor ficarmos por aqui.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Selecções e lesões: uma razia


Falcao e Guarín foram convocados para integrar a selecção da Colômbia, a qual jogou frente à Venezuela a 3 de Setembro e vai jogar contra o México a 8 de Setembro.

Após quase um ano de ausência (efeitos do "túnel do Ricardo Costa"), Hulk foi convocado por Mano Menezes para o estágio que o Brasil está a realizar em Espanha, de 2 a 8 de Setembro.

Uma lesão no tornozelo esquerdo afastou Sapunaru dos jogos da selecção romena contra a Bielorrússia e a Albânia, de apuramento para o Euro'2012, para os quais tinha sido convocado.

Beto, Rolando, João Moutinho e Varela fizeram parte da lista de 20 convocados para os dois primeiros compromissos da selecção portuguesa, na qualificação para o Euro 2012.

Castro e Ukra foram convocados para representar Portugal nos jogos frente à Inglaterra (3 de Setembro) e Macedónia (7 de Setembro). Ambos os desafios são de qualificação para o Campeonato da Europa de Sub-21.

10 convocados para as respectivas selecções, dos quais três – Guarín, Sapunaru e Varela – foram dispensados devido a lesões, é um motivo de orgulho para os jogadores e para o clube. E, muito provavelmente, teriam sido mais três – Fucile, Álvaro Pereira e Rodriguez – se o Uruguai tivesse algum jogo para disputar. Mas tantos jogadores nas selecções tem um custo.

Após dois dias de folga, o plantel do FC Porto voltou hoje ao trabalho, tendo em vista a preparação do jogo com o Sp. Braga. Contudo, para além dos sete jogadores que desde a semana passada estão nas selecções, André Villas-Boas também não pôde contar com cinco lesionados – Mariano, Guarín, Sapunaru, Varela e James.

Ao contrário de Domingos, André Villas-Boas não está a ter tarefa fácil na preparação do FC Porto x Braga, a disputar no próximo sábado.

Foto: record.pt

Um Braga low cost


«E qual foi a ideia que permitiu ao Sp. Braga constituir um plantel "low cost", por comparação com os três grandes, mas que lhe permite ombrear desportivamente com os melhores a nível nacional e brilhar na Europa?
Mais do que tudo o resto, o Sp. Braga ocupou o espaço deixado livre pelos grandes no mercado interno. Todos os anos o clube de António Salvador reforça-se com alguns dos melhores jogadores das equipas secundárias da Liga. Este ano foi assim com Lima, foi assim com Sílvio, foi assim com Leandro Salino, como no passado tinha sido com Evaldo, com Mossoró, com João Pereira.
Antigamente, os jogadores que se evidenciavam nas equipas do fundo da tabela tinham como destinatário um dos três grandes emblemas, o que deixou de acontecer quando a Argentina e o Brasil se tornaram a fonte de quase todas as contratações dos grandes.
E o Sp. Braga soube ocupar esse espaço como ninguém, a que juntou uma criteriosa escolha de treinadores, que fazem com que pelos minhotos tenham passado nomes como Jesualdo Ferreira e Jorge Jesus, antes de Domingos Paciência demonstrar estar também talhado para altos voos.»
Francisco J. Marques
in semanário Grande Porto, 27/08/2010


O FC Porto também tem feito contratações baratas no mercado interno, algumas de sucesso (ex: Rolando, Cissokho, Varela) e outras nem tanto (ex: Lino, Miguel Lopes). Mas não há dúvida que, nos últimos anos, o Braga tem sabido aproveitar os "desperdícios" dos grandes - Evaldo, Alan, César Peixoto, Luís Aguiar, João Pereira, Hugo Viana -, bem como, o mercado low cost para potenciar jogadores com pouco curriculum. É, claramente, uma das razões do seu excelente desempenho desportivo e financeiro.

domingo, 5 de setembro de 2010

União e espírito de grupo

"Não jogámos como equipa (...). Foram erros atrás de erros e precisamos não só de ser mais compactos mas também de jogar como equipa para podermos vencer na Noruega"
Ricardo Carvalho, capitão de equipa, após o 4-4 com Chipre


Li este fim-de-semana num jornal, que o novo seleccionador francês, Laurent Blanc, entregou a cada jogador a letra da Marselhesa e obrigou-os a decorá-la.
Podem dizer que cantar, ou não, o hino do país que se vai representar é algo do domínio do simbólico e que em nada contribui para o desempenho desportivo dos atletas. Talvez, mas o sucesso desportivo é alicerçado num conjunto de factores e, em desportos colectivos, a união e espírito de grupo é um deles.
Por outro lado, numa altura em que três dos jogadores presentes na África do Sul viraram as costas à Selecção, o capitão de equipa - Cristiano Ronaldo - foi (e é) contestado na praça pública e há N jogadores que estão lesionados (veremos se alguns deles não irão jogar pelos seus clubes), sugeria que antes do jogo na Noruega mostrassem às prima donnas que fazem o frete de vestir a camisola das quinas um dos vídeos dos "Lobos".

Norte, centralismo e futebol

«Quando há 15 anos se iniciou o actual longo ciclo de poder liderado pelo PS, o Porto convivia com três importantes jornais quotidianos, os semanários e restantes títulos de expressão diária tinham a norte redacções alargadas e com peso próprio, a RTP apostava em expandir em Gaia uma importante produção descentralizada, era lançada a ideia de construção do Media Park, a RTP N - então com N de Norte - começava a desenhar-se como canal regional, a SIC e a TVI pareciam querer apostar numa real descentralização.
Volvida uma década e meia, o JN sobrevive forte mas cada vez mais só. O Comércio do Porto morreu, o Primeiro de Janeiro arrasta-se heróica mas sofridamente, as secções locais de semanários, revistas e restantes diários, são cada vez mais simbólicos quiosques de bairro, na RTP N o N passou de Norte a N de quase Nada e não são os bem-intencionados e projectos Porto Canal ou Grande Porto que contariam este trajecto.

Era esta caminhada inevitável? Com certeza. A indústria da comunicação é das que convive pior com projectos bem-intencionados mas economicamente inviáveis. Corre atrás de acontecimentos relevantes, persegue as actividades geradoras de mais-valias, precisa de estar ao lado dos centros de poder. Ora pouco disto passou a existir no Grande Porto e no Norte em geral. Ao longo da última vintena de anos partiram a economia, a vida cultural e social, os melhores quadros, muitos jovens talentosos. Se nos quisermos cingir ao importante mundo da comunicação social, é notável recordar de onde saíram progressivamente Joaquim Oliveira, Judite de Sousa, Rodrigo Guedes de Carvalho, José Alberto Carvalho, Paulo Baldaia, Carlos Daniel. Do Porto. A maioria de forma irreversível. Esta louca macrocefalia, cada dia mais forte que está a condenar o país ao subdesenvolvimento ainda pode e deve ser combatida, mas tal pressupõe compreender a sua génese e identificar os seus responsáveis.

O principal culpado é obviamente o Governo de Portugal, os sucessivos governos, autores de políticas pró activamente castrantes da energia das diferentes regiões de Portugal. Governos que aproveitaram o processo de privatizações para sediarem em exclusivo na capital todo o sistema financeiro e segurador, os poucos grandes grupos estratégicos (PT, Galp, EDP). Em paralelo concentraram o mais possível o funcionamento de todos os Institutos e Empresas Públicas e das poucas entidades supranacionais que se localizaram entre nós.

Não é pois exagero afirmar que 90% das decisões que condicionam o nosso presente e futuro são tomadas num quadrilátero com pouco mais de 200 Km/2, limitada a sul pelo Tejo, a norte pelo rio Trancão, a este pelo Parque das Nações e a oeste pela Serra de Sintra. Assim não é de estranhar que estejamos perante a única região do país com uma média de rendimento per capita próximo da média europeia. Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é pouco inteligente ou não tem arte.
Em tudo isto perde o país e perde o povo anónimo de Lisboa, que tem de conviver com uma cidade maravilhosa, mas que asfixia com o peso deste centralismo. Um peso que inferniza a sua vida e vai expulsando os seus verdadeiros cidadãos para as grandes cidades dormitório periféricas (Lisboa já tem pouco mais de 500 mil habitantes!).

Culpados são também os agentes políticos, económicos e sociais, que a norte não têm sabido unir-se, gerar ideias e projectos mobilizadores, defenderem a sua pertinência, fazerem deles casos de sucesso e imposição nacional.

Como defensor da regionalização político administrativa acho, contudo, que vale a pena alertar os que militam por essa causa para o logro de partir para ela sem prévias medidas cautelares. Medidas que aplanem o caminho de uma verdadeira descentralização.
Um próximo Governo, que tem de significar alternância, terá que dispersar pelo país institutos públicos, repartir pelas regiões competências e lideranças das soberanas empresas públicas, transferir mais competências para autarquias e outras comunidades locais, conceder qualificados poderes de decisão aos múltiplos órgãos descentralizados da administração, definir regras orçamentais que obriguem a uma justa e sistemática repartição dos escassos recurso da nossa comunidade. Quando isso acontecer a comunicação social regressará ao país real e será um factor decisivo de igualização de oportunidades.

Até lá ancoremos a esperança nas poucas instituições que por aqui vão sobrevivendo com êxito. Entre elas destacam-se poucas, numa primeira linha talvez só três, a Universidade do Porto, o Futebol Clube do Porto e o Jornal de Notícias. Que outras aprendam com o seu exemplo.»
Luís Filipe Menezes
JN, 29/08/2010


Neste seu artigo de opinião, Luís Filipe Menezes diz muitas verdades, mas a ideia que prespassa de que o centralismo começou há 15-20 anos atrás não é uma delas. Contudo, é inteiramente verdade que Portugal é um dos países mais centralistas da Europa e que este centralismo asfixiante se tem vindo a agravar nos últimos anos (há mesmo quem afirme que Sócrates é o governante mais centralista desde o Marquês de Pombal).
E, infelizmente, também não é verdade que em termos da comunicação social, o Jornal de Notícias se possa comparar à Universidade do Porto (a maior do país e a mais bem classificada nos rankings internacionais) e ao Futebol Clube do Porto, que é "só" o clube português de mais sucesso (a nível interno e externo) no pós-25 de Abril.

Nota: A inserção das imagens no texto e os destaques a negrito são da minha responsabilidade.
Imagens: JN, Fórum Trás-os-Montes

sábado, 4 de setembro de 2010

O futuro está nas naturalizações?


Neste início de época, o onze-tipo do FC Porto incluiu habitualmente três jogadores portugueses - Rolando, Moutinho e Varela.
É pouco? Pois é, e vamos ver qual dos centrais (Rolando ou Maicon) irá ceder o seu lugar para o argentino Otamendi entrar no onze.
Mas sendo pouco, é o triplo dos onzes-bases do actual campeão e vice-campeão nacional. De facto, os onzes de slb e Braga têm apenas um português, Coentrão e Sílvio respectivamente.
Por este caminho, é caso para perguntar se o futuro do futebol português, ao nível da selecção principal, estará na naturalização de brasileiros e argentinos.

O dilema das inscrições

Ainda não vi uma notícia oficial sobre isto, mas parece que as inscrições para a Liga Europa deixaram de fora Pawel, Mariano e E. Rafael.

A ser verdade isto vem de encontro ao que eu tinha previsto, o que não me surpreende nada, pelas seguintes razões:

- Tínhamos obrigatoriamente que deixar 3 jogadores de fora (mais sobre isto mais à frente)
- Mariano, estando lesionado, era um caso óbvio (mesmo q já possa jogar lá para Novembro)
- Pawel, sendo o 3º GR, é um óbvio “sacrificado” (como já aqui escrevi, não percebi sequer direito porque foi contratado)
- Ukra e Castro não entram nestas contas porque ocupam vagas nas inscrições que mais ninguém pode ocupar (para prata da casa com mais de 21 anos)
- Sobrava (pelo menos para mim) as opções de E. Rafael e Guarin, parecendo-me que E. Rafael será o que fará um bocadinho menos jeito dos dois.

Caso A. Pereira esteja indisponível Fucile pode passar para a esquerda, com Sapu do lado direito (se estiverem dois destes três impedidos ao mesmo tempo por lesão ou castigo é que é mais chato, mas isso é pouco provável). Guarin também será provavelmente muito pouco utilizado, mas é de longe o elemento fisicamente mais forte do meio-campo logo nunca se sabe, pode ser que dê jeito.

Ficar de fora é um bocado chato para Pawel e ainda mais para o E. Rafael, mas é a vida, tinha que calhar a alguém.

No entanto isto só acontece porque só temos 2 jogadores “prata da casa” no plantel, apesar do plantel até ser dos mais curtos da última década (26 jogadores, incluindo o lesionado Mariano); é que ficaram 2 vagas nas inscrições por preencher, já que tínhamos 4 vagas para prata da casa com 21 anos ou mais (para “prata da casa” sub21 podemos inscrever jogadores à vontade), 4 para jogadores formados em Portugal, e 17 inscrições sem restrições.

Não é um grande problema, longe disso, mas é uma pequena chatice evitável se tivéssemos 4 jogadores da casa que fosse no plantel (um objectivo pouco ambicioso já de si; aliás, o objectivo do projecto 611 era de 6 jogadores).

Note-se que o (pequeno) problema não é só a não-utilização em si dos jogadores na Liga Europa, mas também o impacto psicológico nos jogadores afectados (com o treinador a ser obrigado a fazer distinções entre “filhos” e “enteados” ainda mal a época começou) e também o impacto na utilização desses jogadores no campeonato (na hora da dúvida, certamente que o treinador prefere dar minutos a um jogador que possa jogar na Europa de forma a ganhar rotina).

Nas últimas duas épocas, a exclusão nas inscrições na Europa foi um mau presságio com Bolatti e Prediguer, que se viram a seguir emprestados em Dezembro. Espero (e tenho alguma confiança) que desta feita não vai ser o caso, pelo menos no caso de Pawel e E. Rafael.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Selecção sem jogadores do FC Porto

O único jogador do FC Porto que representou hoje a selecção portuguesa foi João Moutinho e entrou aos 79 minutos.
Mas de início havia cinco ex-portistas - Ricardo Carvalho (aos 32 anos foi o único que se salvou no naufrágio defensivo), Bruno Alves, Raul Meireles, Quaresma (cuidado com ele, que está em grande forma!) e Hugo Almeida.

Já não me lembrava de uma selecção nacional com um onze inicial sem jogadores do FC Porto.

A culpa é do Pinto da Costa

«Estando muitos dias aqui por Lisboa, a história do guarda-redes Roberto é vivida de outra maneira, julgo eu. Tenho por aqui muitos amigos benfiquistas, benza-os Deus, que cada vez que a equipa entra em campo arrepelam os cabelos: “Outra vez o gajo na baliza… Este Jesus está mas é feito com o Pinto da Costa. Só pode!”, ouvi a um ainda no sábado.
Claro que para estes meus amigos, Pinto da Costa é responsável pela chuva e pelo bom tempo, como também pelo guarda-redes que Jesus põe ou não a jogar. Não é de hoje nem de ontem.
Uma vez perdi uma hora da minha vida a explicar ao falecido Rui Cartaxana – paz à sua alma – a explicar-lhe que os delegados da Liga não tinham nada a ver com arbitragem, a propósito de uma polémica que Pinto da Costa lançara sobre os delegados de Gondomar e sobre a qual ele escrevera com erros incompreensíveis porque confundia os delegados com os observadores (que pontuam os árbitros). E o argumento dele era o mesmo: “Ó Manel, mas se isto não tivesse a ver com árbitros porque é que o Pinto da Costa se metia nisto?”. Pois…
Mas voltando ao Roberto e à sua saga. O grande problema é que não há nenhum guarda-redes suplente no mundo que possa valer 8,5 milhões de euros. Terá sido para outras coisas, estará tudo legal, mas Roberto não pode ter custado 8,5 milhões. Podem ter saído 8,5 milhões das contas do Benfica com essa finalidade, pode ser isso que foi comunicado à CMVM, mas nem um maluco pagava tanto dinheiro pelo terceiro guarda-redes do Atlético de Madrid. E, em vista do que tem acontecido, nem sei mesmo se o DCIAP e mais a CMVM não deviam abrir uma investigação às transferências do Benfica. Afinal, está mesmo provado que há ali uma fraude… Só falta apurar de quem.»


Esta crónica foi escrita por Manuel Queiroz (Director do jornal i) e publicada no semanário Grande Porto, de 27/08/2010. No que diz respeito à Robertofobia dos adeptos encarnados perdeu um pouco da sua actualidade, depois do penalty redentor do último SLB x Vitória de Setúbal. Mas em tudo o resto, principalmente acerca da paranóia de grande parte do povo encarnado em relação ao Pinto da Costa, continua perfeitamente actual.
Já quanto ao DCIAP e à CMVM, bem podemos esperar sentadinhos...

Verdadeiramente "kafkiano"


Franz Kafka (1883-1924), romancista e novelista de língua alemã, natural de Praga, numa altura em que a Boémia pertencia ao Império Austro-Húngaro, legou ao vocabulário moderno através do seu muito conhecido romance O Processo e do seu nome de família o adjectivo "kafkiano". Em Portugal o termo sofre de algum desgaste, pois os nossos jornalistas têm a tendência para o cliché e a frase feita. Mas o que se tem passado nos últimos dias tem bem justificado o seu uso. Boa sorte, Prof. Queiroz.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

As Grandes Tiradas do "NGP" (5)


"Se o Sr. Pimenta Machado - não digo "Dr." porque nunca lhe vi o canudo - disse isso ontem, então hoje, se calhar, já não é verdade."

As estatísticas da liga

Este ano a Liga disponibiliza no seu site um MatchCenter (em inglês é sempre outra loiça) - que permite acompanhar os jogos em directo, mas acima de tudo permite acesso a algumas estatísticas curiosas. A minha preferida é a análise de posições:


Mas nestas 3 jornadas há alguns dados que não batem certo. Ou tradução está mal feita, ou o sistema automático como é, ainda apresenta alguns pontos a melhorar.

Há dados que não batem mesmo certo, como estes em:

Em que 12+12+19+19+27+30 = 119 e não 122. E como este, há muitos erros deste género e com margens ainda maiores.

Depois existem casos como estes:


Sendo que o Falcao jogou os 90 minutos e o C. Rodriguez uns 10, e mesmo sabendo-se que o Falcao não se agarra propriamente à bola, é difícil de acreditar que a diferença de posse de bola entre eles seja só de 4 segundos. Como é difícil acreditar que no jogo com o Beira-Mar o Alvaro Pereira tivesse 2 minutos e meio de posse de bola, sendo mais do dobro ou triplo que todos os outros jogadores  e que o Belluschi que fez um jogão só tivesse 20 segundos.

E em relação à rubrica Passes Certos, das duas uma ou o valor refere-se a passes e entre parênteses está a percentagem de passes certos, ou então se o valor é mesmo o n.º de passes certos, a % tem de estar mal - por exemplo, no caso do C. Rodriguez, se teve 5 toques na bola e se fez 5 passes certos tinha de ter 100% - ou agora é possível fazer passes sem tocar na bola?

E ainda há uma outra que certamente tem uma explicação lógica, mas que eu ainda não vi qual é:


Então o Porto cometeu 18 faltas, mas o Rio Ave só sofreu 17? E o Rio Ave cometeu 16 e o Porto só sofreu 14? Como é que se comete uma falta sem que o adversário a sofra? Poderiam ser os fora de jogo, considerando-os falta cometida mas não sofrida, mas nesse caso os valores também não batem certo.

Já lá vão os anos desde que Pedroto / José Neto começaram a fazer algumas destas análises, às vezes dá a impressão que em 30 anos as coisas podiam ter evoluído mais, especialmente na divulgação pública destes dados. Finalmente a Liga assumiu parte desta divulgação, falta agora permitirem o acesso aos dados de todas as jornadas e afinarem estas pequenas coisas, quando o fizerem perceber-se-á muito melhor o jogo e o campeonato.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Ligações perigosas

«A construção, perto do Estádio da Luz, em Lisboa, do prédio da Cofina, está a revoltar os moradores vizinhos, pois fica colado aos edifícios já existentes, tirando privacidade e vistas. A Câmara ainda pondera embargar a obra.»
in JN, 04/09/2008


«Os moradores da rua Mateus Vicente, em Lisboa, insistem na ilegalidade da construção da nova sede da Cofina, apesar da câmara ter levantado o embargo à obra, e admitem recorrer aos tribunais se as outras instâncias falharem.»
in JN, 02/03/2009


«O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa instaurou um inquérito sobre a construção do novo prédio da Cofina, grupo de comunicação social que detém, entre outros, os jornais "Correio da Manhã" e "Record", em Benfica, Lisboa, disse fonte da Procuradoria-Geral da República.
A polémica obra, contestada desde 2008 pelos moradores dos prédios mais próximos, foi analisada pela Provedoria de Justiça, que já no ano passado notificou a Câmara de Lisboa, apontando a nulidade de vários actos administrativos por desrespeito ao alvará de loteamento, de 1989.
Segundo fonte ligada ao processo, a Provedoria deteve-se sobre dois processos - um, contra a Câmara de Lisboa, por ter autorizado a construção, e, um segundo, a propósito de os promotores imobiliários da urbanização onde se insere o prédio da Cofina, não terem alegadamente pago taxas camarárias pelo uso dos terrenos, já que os direitos de isenção teriam passado do Sport Lisboa e Benfica (antigo proprietário) para as empresas.»
in JN, 27/08/2010


Pensava eu, que as ligações do Benfica à Cofina se esgotavam na cor dos seus dois diários - Correio da Manhã e Record - e na linha editorial pró-encarnada dos mesmos. Mas, para além disso, parece que também há (houve) negócios entre as duas partes aparecendo, mais tarde, a câmara municipal de Lisboa metida ao barulho.
Seja como for, não tenho dúvidas de que vai tudo acabar em bem, com o inquérito do DIAP arquivado e os processos abertos pela Provedoria de Justiça no "caixote do lixo". Aliás, por aquilo que me apercebi da leitura das notícias acima referidas, este caso é uma brincadeira de crianças, se comparado com os acordos/negócios que envolveram a EPUL ou a Euroárea no Seixal.