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quarta-feira, 7 de março de 2012

SMS do dia

Pois é, uma equipa que conta nas suas fileiras com antigos jogadores do Feirense, do Vizela, do Penafiel, e até - imagine-se! - do Benfica, acaba de apurar-se para os 1/4 de final da Liga dos Campeões. Esses jogadores não serviam, aparentemente, para o campeonato português, recheado que está de craques.

PS Atendendo ao habitual azar do Benfica nos sorteios europeus, quase que apostaria que será precisamente o APOEL a jogar com esse clube nos 1/4 de final.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Inadmissível


Minuto 90: Hulk, após apontar, com muito sangue frio, o penalty do empate, incentiva os seus companheiros: "Vamos! Ainda é possível dar a volta!".
Bola ao centro, e esta aparece, de novo, nos pés dos médios do FCP. E, mais uma vez, a habitual incapacidade para, em velocidade, encontrar alguém, num passe rápido e objectivo. Mais uma vez, aquela eterna dificuldade em segurar o esférico. Mais uma vez, a bola perdida para os cipriotas. Em menos de 30 segundos, o FCP voltava ao mesmo. Aquele golo não tinha servido para nada.
Apenas 30 segundos mais e o nosso outro grande problema ficava novamente à mostra de todos: uma defesa de papel.
Lance em contra-pé. 3 contra 3. Os nossos vão todos pelo meio, ninguém cobre as alas. Pior: nenhum dos 3 do meio cobre sequer os 2 adversários que sobram.
1-2 sem nenhuma dificuldade. Fim da partida. Fim de linha. Tudo num minuto.

O FCP não tem qualquer desculpa.

Uma dificuldade absurda em trocar 2/3 passes seguidos que sejam.
Todos os cruzamentos vão invariavelmente directos para as mãos do guarda-redes contrário.
Jogadores há que nem sequer existem em campo (Moutinho, Belluschi, Kléber). Outros em má forma: Hulk e Varela (este, de forma que se eterniza).
Fucile de olhar perdido, antes sequer de entrar em campo, quando as equipas se alinhavam no túnel.
Um A.Pereira que passa metade das partidas a pensar nos outros locais em que poderia estar naquele momento.
Um Rolando que perdeu, definitivamente, o seu grande trunfo: o dom de parecer invisível. Agora os seus erros estão à vista de todos.
Mangala, um "central" que, em corrida, não fica "nas covas" como tantas vezes sucede com Otamendi. Falta porém o resto: mais idade, mais experiência.
Deveria ter sido comprado outro tipo de "central".

Um treinador, agora sim, perdido. As boas ideias - teóricas - já são passado. Tudo agora é feito sob pressão e tarde. Demasiadamente tarde e previsível. Bom ou mau, este, porém, já não é o verdadeiro Vítor Pereira. Este, agora, é apenas um homem a tentar sobreviver.

Mas tudo passou de excelente a medíocre em apenas meio-ano?
Obviamente que não.
Muita coisa já estava mal na época transacta. O FCP chegou a estar completamente à rasca em ambos os jogos contra o Sevilha, também no encontro de Moscovo contra o CSKA e ainda contra o Villarreal, cá e lá. Era só ler nas entrelinhas e não apenas olhar os resultados finais.
Valia-nos, sempre, uma ataque demolidor que, tudo que tocava, transformava em bola no fundo da rede. E existia, ainda, aquela famosa "estrelinha".

Agora, em 2011/12, estes problemas até aqui bem escondidos passaram de "camuflados" a demasiadamente (pre)visíveis, com o apagar do tal ataque-que-marcava-sempre.

Pura e simplesmente, a qualidade não está lá. Nomeadamente no meio-campo e na defesa. Pouco há a fazer.
A tudo isto se juntou uma lentidão abusiva, que passa tanto pelo cansaço, como por um "deixar correr" inadmissível.

E que diferença, neste aspecto, para este actual APOEL...
Que colectivo impressionante, muito mais valioso que a soma das suas partes.
Salvaguardando as devidas distâncias, parecem-se a nós, nos anos 80, quando batíamos o pé a Barcelonas, Dínamos Kiev e Bayerns. Tudo à custa de muita garra, concentração e querer.


E, de repente, loucura das loucuras, até ficamos com pena de não contarmos com um Charalambidis, um Manduca ou um Trickovski, do nosso lado.

E estaremos à espera de quê, para não comprarmos um Ailton destes já em Janeiro?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Uma imagem de Nicósia

«Num encontro dominado territorialmente pelos Dragões, o adversário chegou à vitória nos últimos instantes da partida. (...) O golo inaugural acabou por surgir contra a corrente do encontro (...) Ao intervalo, o FC Porto tinha mais posse de bola e muito mais remates (11 contra três da equipa da casa). (...) Os Dragões terminaram o desafio com 54 por cento de posse de bola e 22 remates efectuados, contra cinco do adversário. Helton não fez qualquer defesa. Estes dados não servem de consolo, mas transmitem uma imagem do que se passou no relvado de Nicósia, onde o FC Porto pode não ter feito uma grande exibição, mas onde também foi bastante infeliz.»
in www.fcporto.pt


O texto anterior é um extracto da crónica do jogo de ontem, publicada no website oficial do FC Porto.
O que dizer?
Depois de ouvir as declarações, a roçar a alucinação, que Vítor Pereira fez no final do jogo de Nicósia (“Hoje fomos claramente Porto…”), só faltava a versão oficial dos factos, baseada em algumas estatísticas que “transmitem uma imagem do que se passou no relvado de Nicósia”.
É caso para perguntar: será que vimos o mesmo jogo?

A estatística é muito bonita, mas o que eu vi foi uma equipa (que é como quem diz…) sem ideias, que defendeu mal, não soube atacar, perdeu as bolas divididas quase todas, que ocupou mal os espaços e que em 90 minutos não criou uma única oportunidade de golo digna desse nome. Mas, provavelmente, isto não interessa, são factos que não surgem nas estatísticas oficiais… Será que aparecem no iPad do Rui Quinta?

A equipa do FC Porto está doente, mas se os responsáveis entrarem em negação e não quiserem ver pouco ou nada há a fazer.


P.S. “Este é um FC Porto diferente do de há dois anos e daquele que eu vi no ano passado. É uma equipa sem motivação e com falta de confiança
Hélio Pinto, jogador do APOEL

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sem estaleca para isto, naturalmente...



E que melhor exemplo do que estes últimos minutos do Apoel – FC Porto para exemplificar cabalmente toda inoperância da equipa orientada por Vítor Pereira? Um empate falsificado e caído do céu a alimentar a esperança portista. Mas a desorganização e desconcentração geral veio ao de cima, bem a tempo de oferecer, benemeritamente, o apuramento épico para a fase seguinte da Champions à equipa cipriota.

Com efeito, o turbilhão emocional que os 7/8 minutos finais trouxeram ao jogo, contrastou com a pasmaceira que foi o restante encontro. As duas equipas lançaram-se ao relvado à espera da sorte, numa espécie de crença, pela manifesta falta de qualidade, salvando-se o conjunto que maior ambição e união revelou.

No jogo previsível e pastoso em que a nossa equipa vem mergulhando, sobressai a inexistência de apoios para uma construção de jogo sólida e esquematizada. Resultado disso está no vislumbre de dezenas de iniciativas individuais condenadas ao fracasso, zero oportunidades de golo e um adversário que se sente cómodo com o processo monocórdico do conjunto azul e branco.


Para não destoar com o cenário geral, isto é duas equipas de trazer por casa, a arbitragem trilhou o mesmo caminho dos medíocres e fez um chorrilho de asneiras. Trocou penalidades, deixou-se levar em fitas e traçou mal as linhas. Tudo somado, no final, até nem temos muito por onde nos queixar, dada benevolência italiana perante as nossas cores.

Vítor Pereira colocou a cabeça no cepo e a guilhotina está prestes a cumprir a sua obrigação. Do planeamento ao alinhamento. Do trabalho de campo à observação do adversário. Da capacidade de leitura ao descontrolo emocional. Da liderança à desconfiança. O treinador portista nunca “tocou” os seus jogadores e estes cada vez mais se distanciam. Um afastamento que já contagiou adeptos e que seguramente vai abanar cúpula até ao dia em que o peão perecerá.

E assim se desfaz uma equipa de milhões, com todo o vedetismo gordo e farto que as caracterizam. Vemo-nos por aí, na Liga Europa!

Vamos a eles como "Tarzões"! (*)




(*) Frase mobilizadora atribuída ao antigo treinador - e seleccionador nacional - Fernando Cabrita.

Há dois anos foi assim...

Há dois anos (no dia 03/11/2009) foi assim...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Os jogadores são os mesmos da época passada…

(onze inicial do FC Porto contra o APOEL)

«Um mau jogo acontece a qualquer equipa, duas exibições fraquinhas também podem suceder aos melhores clubes, mas este FC Porto começa a desiludir e a abusar da paciência dos seus adeptos com uma regularidade surpreendente, quase chocante. Ontem viu-se uma equipa portista quase sempre desordenada, sem chama e sem ideias. Os jogadores são os mesmos da época passada (trocando Falcao por Kléber), mas parecem outros, abúlicos, como se tivessem sido mordidos por uma mosca tsé-tsé. Ao fim de apenas 12 jogos oficiais, pode até ser injusto relacionar a baixa de produção apenas com a troca de treinadores. Mas salta à vista que a margem de manobra de Vítor Pereira se reduziu muitíssimo nos últimos tempos. (…)

Ontem, a exibição portista foi ainda pior do que o resultado. Não se viu uma ideia colectiva de jogo e não houve pinta da intensidade que já se lhe viu noutros momentos. Individualmente, nem é bom falar... Salvou-se apenas Helton, que evitou o descalabro. Hulk foi bem marcado, mas ainda criou três ou quatro lances com a sua chancela. O resto foi um deserto de ideias e um conjunto de disparates, designadamente defensivos, que ajudam a explicar os vários golos sofridos esta época. Até disciplinarmente se notam diferenças: oito cartões amarelos, sendo que toda a defesa acabou "amarelada". Rolando continua numa fase de delírios permanentes (começa a justificar-se uma aposta no jovem francês Mangala) e até Otamendi parece afectado.»
Bruno Prata, 20/10/2011
in publico.pt