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segunda-feira, 4 de junho de 2018

A “coerência” e interesses da coligação anti Bruno

Para os mais ofendidos para as declarações do meu homólogo do Sporting, deixem-me dizer-vos: no Sporting os sócios entraram de cara tapada, aqui também. No Sporting acenderam tochas, aqui também. No Sporting agrediram jogadores, aqui também. Querem discutir quem são os melhores? Está tudo mal.


Adeptos do Vitória Guimarães a invadirem o treino (foto: Guimarães Digital)

O que o presidente do Vitória de Guimarães afirmou, vem na linha do que já tinha sido dito pelo ex-treinador do Vitória (Pedro Martins) e confirma que aquilo que se passou em Alcochete foi em tudo idêntico ao que já tinha sucedido em Guimarães, no início deste ano.

Ah, mas o Bruno de Carvalho criticou os jogadores, disse que alguns queriam forçar a sua saída do Sporting e chegou ao ponto de dizer que eram uns meninos mimados.
Pois, não parece bem um presidente do clube dizer isto.
Aliás, nunca se tinha visto um presidente do Sporting dizer coisas destas, pois não?

Moutinho era uma maçã podre que iria contaminar o grupo


Eu, por acaso, acho que é bastante mais ofensivo chamar “maçã podre” a um jogador do que “menino mimado” mas, claro, pode haver quem pense o contrário…

Vieira, 2003
Finalmente, Bruno de Carvalho é também criticado por ser um “presidente-adepto” e que é ridículo vê-lo saltar para dentro do campo, ou dos pavilhões, para festejar aos saltos as vitórias com os jogadores.

Ora, conforme todos sabemos, nunca se tinha visto em Portugal um presidente de um Clube/SAD festejar com os jogadores de uma forma exuberante, pois não?



Em resumo, a comunicação social mostra toda a sua coerência ao atacar ferozmente o Bruno de Carvalho porque, de facto, nunca se tinha visto o presidente de um dos grandes clubes com comportamentos ou declarações semelhantes, certo?


P.S. A coligação anti Bruno, liderada por rostos conhecidos da elite/oposição sportinguista, é engrossada pelos “cartilheiros” do slb, os quais dominam o panorama dos media portugueses. A estes, que não são poucos, juntam-se também jornalistas e comentadores que têm boas relações com conhecidos players (Joaquim Oliveira) ou agentes do futebol (Jorge Mendes e outros). Por isso, se o Bruno de Carvalho conseguir sobreviver à “guerra” que está a travar com este “exército”, prevejo que, depois de um “Verão quente”, a próxima época vai ser escaldante…

Luís Filipe Vieira e o amigo Dias da Cunha

Vieira e os almoços com presidentes do Sporting

P.S.2 Sou adepto e sócio do FC Porto. Não gosto do estilo do Bruno de Carvalho, não simpatizo com a figura e não gostaria de ver alguém parecido na presidência do meu clube. Contudo, em termos de posicionamento nesta “guerra civil” do clube de Alvalade, onde parece valer tudo, não posso deixar de levar em conta a forma encarniçada como jornalistas e “cartilheiros” encarnados se mobilizaram para ajudar a derrubar o atual presidente do Sporting. Ora, se nesta “guerra” leonina os interesses do slb estão de um lado, os do FC Porto seguramente que estarão do outro…

sexta-feira, 17 de abril de 2015

A grandeza e globalização da Champions

Há uns dias atrás, num artigo sobre o prestígio, fama e os muitos milhões proporcionados pela Liga dos Campeões, escrevi o seguinte:
A Liga dos Campeões não se resume, “apenas”, aos milhões que distribui pelos clubes participantes. A UEFA Champions League é muito mais do que isso.

O JOGO, 15-04-2015
E, de facto, basta olhar para alguns dos números do último FC Porto x Bayern, para perceber o impacto e a notoriedade mundial que daí decorre.


300 jornalistas – No Estádio do Dragão, estiveram presentes mais de 300 jornalistas de quase 20 países, entre os quais Itália, Japão, Suécia, França, Espanha, Inglaterra, Irlanda, EUA, Suíça, Áustria, México, Holanda, África do Sul e Alemanha.

Audiência e share – O FC Porto x Bayern foi transmitido para dezenas de países (List of UEFA Champions League broadcasters). A transmissão da TVI, para Portugal, registou 49,3% de share e 2,35 milhões de pessoas de audiência média, sendo o jogo da Liga dos Campeões 2014/2015 mais visto, entre todos os que já foram transmitidos pela TVI neste ano.

“Tubarões” europeus – Para além de portugueses e alemães, estiveram creditados, para assistir ao FC Porto x Bayern, “olheiros” de clubes de todos os principais países/mercados futebolísticos, nomeadamente: Chelsea, Everton, Manchester City, Manchester United, Tottenham, Atlético Madrid, Real Madrid, PSG, Juventus e Nápoles.

50.092 espectadores – Lotação esgotada e melhor assistência da época no Estádio do Dragão. Os mais de 50 mil bilhetes vendidos para este jogo (tal como nos oitavos-de-final, os detentores de lugares anuais tiveram de comprar um bilhete especifico para este jogo), representaram uma receita bruta superior a 1 milhão de euros, fazendo deste desafio o jogo com maior receita de bilheteira entre todos os jogos disputados em Portugal nesta época.

3000 alemães – Mais de três milhares de alemães deslocaram-se ao Porto para assistir à 1ª mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões.
Quanto é que isso representou para a economia da cidade do Porto e da região envolvente?




Há um mês atrás, no âmbito de uma reportagem que fez para a beIN SPORTS Mena, Youssef Chippo afirmou que o FC Porto era le club portugais plus connu en Afrique. Eu não tenho qualquer dúvida sobre este facto.
E não é só em África e no Médio Oriente. É em todo o Mundo. Basta pensar em qual é o clube português que, desde o seu início, teve (de longe) mais exposição na UEFA Champions League, a maior “montra” do futebol mundial.


P.S. Ontem à noite, ao fazer um zapping, passei por um programa de debate na BOLA TV onde, entre outros, estavam Diamantino (ex-jogador do SLB) e Henrique Calisto (ex-treinador). Enquanto Henrique Calisto deu conta do enorme interesse que a Liga dos Campeões tem no extremo Oriente (foi treinador vários anos no Vietname), Diamantino afirmou e repetiu que, em termos de notoriedade internacional, a vitória do FC Porto sobre o Bayern tinha muito mais impacto do que uma eventual vitória do seu Benfica no campeonato nacional (haviam de ver a cara do José Manuel Delgado quando o Diamantino disse isto…).

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Os casos e a 1ª página

Os casos do SL Benfica x Vitória Setúbal analisados em A BOLA (fonte: Tomo II)


Num jogo em que o próprio jornal A BOLA reconhece ter havido dois erros graves de arbitragem – penalty por assinalar contra o SLB e 2º golo dos encarnados precedido por uma falta claríssima – a 1ª página da mesma edição de A BOLA não faz qualquer referência a esses “erros” (vamos chamar-lhes assim…).


Limpinho, limpinho?

Claro! E branqueado por “especialistas” nestas coisas…

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Bruxarias e “jornalismo de referência”

Eugénio Queirós (fonte: Blogue ‘Bola na área’, Fevereiro 2014)

Isto sim, é “jornalismo de referência”, publicado na plataforma de blogues do Record

Perante estas “certeiras” previsões do Bruxo de Fafe (feitas há dois meses), ficamos a aguardar que Eugénio Queirós, jornalista do Record (desde 2004), confesso consócio de Pedro Proença…

«Só falei uma vez com Proença. Foi no tribunal de Gondomar, em 2008, durante o julgamento do processo originário do Apito Dourado. O árbitro lisboeta esteve lá na condição de testemunha de defesa do árbitro Manuel Valente Mendes (...).
No átrio do tribunal, na companhia de Duarte Gomes, que também testemunhou, Proença aceitou falar aos jornalistas e respondeu a todas as perguntas. Até quando lhe perguntei se era benfiquista. E você?, contra-atacou. Lá tive de me confessar. “Então somos consócios”, atirou com um desarmante sorriso.»
Eugénio Queirós, Blogue ‘Bola na área’, 09 maio de 2013 | 17:03

“especialista” em apitos, tendo até publicado um livro sobre o ‘Apito Dourado’, nos proporcione mais peças deste “jornalismo de investigação” de alta qualidade.

Quiçá uma entrevista ao seu amigo Marinho Neves, acerca do “excelente” momento atual da arbitragem portuguesa e do malfadado Sistema…

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O fanatismo cego e doentio da benfica TV

«Estive a ver no YouTube o que se disse na Benfica TV sobre, por exemplo, o lance do Benfica-Estoril em que há um claro penálti de Artur sobre Luís Leal. Para quem não sabe, o que faz a Benfica TV durante os jogos do seu clube é filmar dois comentadores/relatadores, vendo-se ao lado um pequeno monitor de televisão que está a passar o jogo. Neste caso, a primeira exclamação é: “O árbitro tem que mostrar cartão amarelo a Luís Leal”; a segunda é: “O árbitro Paulo Baptista aproxima-se e fica-se pela reprimenda”; a terceira é, vendo-se o lance através do monitor e o pé do guarda-redes em cima do pé do avançado: “Não há absolutamente nada, nem sequer há protestos”.
O mesmo foi defendido por Rui Gomes da Silva, no programa da SIC ‘O dia seguinte’. Mas, neste caso eu desculpo, porque Rui Gomes da Silva não é jornalista, nem tem que responder perante um código deontológico que pede verdade. Está lá como comentador do Benfica, para defender o Benfica. Que o faça de forma a que se torne ridículo, porque desonesto, só diz respeito a ele e, eventualmente, a quem o lá pôs.
Mas na Benfica TV é diferente. É um órgão de comunicação social e quem está a relatar, creio, tem carteira de jornalista. E, nesse caso, não pode fazer isto de forma sistemática. O Sindicato, a comissão da carteira, não têm nada a dizer sobre esta deontologia?
Não acho que se possa proibir uma televisão de ter os direitos de jogos, mas acho que aquilo que é agressão ao espectador, aquilo que é lavagem ao cérebro, aquilo que é desonestidade pura deve ser denunciado e a Entidade Reguladora da Comunicação deve ser chamada a pronunciar-se.
A democracia também se faz da sanidade mental do nosso sistema audiovisual. A Benfica TV não contribui para isso. Pelo contrário. Já lá ouvi dizer: “Este árbitro devia ter um acidente quando sair daqui”.
Há coisas inadmissiveis!
Felizmente o Porto Canal tem outra génese. E outra prática! Espero que continue assim.»
Manuel Queiroz
semanário 'Grande Porto', 10-05-2013


A benfica TV é um canal de televisão dominado por um fanatismo cego, associado a um tal ódio ao Porto, que chegam ao ponto de convidar para comentadores dos seus programas indivíduos com o “perfil” de António Pragal Colaço e Sérgio Luís Bordalo.

Aliás, a propósito de umas tristemente célebres declarações de Sérgio Luís Bordalo feitas na benfica TV, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), emitiu uma Deliberação em que chamou à atenção que “a natureza do serviço de programas não o isenta, ao contrário do que a Benfica TV parece indicar na defesa, do cumprimento das normas aplicáveis à actividade de comunicação social” e que “a Benfica TV não está desonerada de zelar pela conformidade dos conteúdos transmitidos”.

Só que, tal como na história do escorpião e do sapo, a natureza da benfica TV é o que é e as recomendações e deliberações da ERC caíram sempre em saco roto.

É neste contexto e sabendo-se que, a partir da época 2013/14, a benfica TV vai passar a transmitir os jogos que o slb vai disputar em casa, não é difícil prever o que vai acontecer.

A propósito, em 29 de Outubro de 2012, num artigo de opinião publicado no site Maisfutebol, Luís Sobral escrevia o seguinte:

«A hipótese de passar jogos na Benfica TV, a concretizar-se, obrigará também a rever a utilização que é feita das imagens televisivas em diferentes instâncias do futebol, da disciplina à arbitragem. Digo eu.
O Maisfutebol levantou o tema na última sexta-feira. Do meu ponto de vista, a Liga e a Federação estão obrigadas a olhar com lupa para os regulamentos de competições e disciplinar. Deixará de ser legítimo utilizar as imagens de jogos para tomar decisões, pelo simples facto de que o olhar deixará de ser neutro, distante, frio, igual para todos.
Eu sei que a minha opinião não será partilhada por muitos leitores. Mas também sei que já fiz mais transmissões de futebol do que a esmagadora maioria de quem me lê. E sei como se faz e conheço quem faz. Também sei que nada na prática atual dos clubes portugueses me leva a acreditar que algum dia poderão ser fontes justas e isentas. É contra a sua natureza, viciados em colocar o emblema antes do futebol. Valia a pena começar a pensar sobre isto. É impensável que uma televisão de clube transmita jogos de uma liga profissional e os regulamentos e práticas não se alterem


Aparentemente, a Liga de Clubes não está minimamente preocupada, mas gostava de saber o que tem a dizer o seu presidente (Mário Figueiredo), ele que, ainda por cima, faz da centralização dos direitos televisivos uma espécie de cruzada (contra Joaquim Oliveira).

E também gostava de ouvir a opinião do responsável do sector de arbitragem (Vítor Pereira) porque, segundo julgo saber, uma das componentes da avaliação dos árbitros e dos observadores é baseada nas imagens televisivas.

Já quanto à ERC, não tenho qualquer tipo de expectativa. Todas as recomendações e deliberações dirigidas à "Ódio TV" continuarão a ser ignoradas e a irem direitinhas para o caixote do lixo.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.


P.S. Conforme referiu o jornalista Manuel Queiroz, o Porto Canal tem outra génese e outra prática. Ora, o Porto Canal vai ser o tema do Painel 1 do II Encontro da Bluegosfera e, após três interessantes apresentações, questões como “qual a utilidade para o FC Porto e para os seus adeptos do clube ser dono do Porto Canal?” ou “por que razão é que a programação desportiva do Porto Canal não é mais agressiva?”, poderão ser debatidas durante 45 minutos à Porto, na presença do Diretor-Geral do Porto Canal, Júlio Magalhães.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A azia de um golo “ilegal”

O golo marcado pelo “gigante” João Moutinho causou uma certa azia em Espanha, mas a azia ainda foi maior para os jornalistas e comentadores “portunhóis” (leia-se, anti-portistas) da comunicação social portuguesa e para alguns anónimos que vagueiam pela blogosfera sob diferentes identidades, que não se cansam de gritar, ou reproduzir a verborreia de outros, de que o golo foi “ilegal”.

No estádio não tive dúvidas e, revendo toda a jogada, continuo a pensar que esta situação do jogo foi ajuizada de acordo com as recomendações que a FIFA dá aos árbitros, isto é, em lances destes, com diagonais ou transições rápidas feitas por quem ataca, em caso de dúvida a jogada não deve ser interrompida. Foi isso que a equipa de arbitragem chefiada por Mark Clattenburg fez e, seguramente, o árbitro inglês não irá ser penalizado por causa disso.

(clicar na imagem para a ampliar)

Mesmo parando a jogada e observando a posição dos jogadores no exacto momento do passe (algo que, como é óbvio, os árbitros não podem fazer), verifica-se que em termos de pés e pernas (até aos joelhos), Moutinho está em linha com o defesa do Málaga. A parte que está ligeiramente adiantada é o dorso e a cabeça de Moutinho.

Mas eu compreendo esta azia, ó se compreendo…

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O jornalismo que temos

O FC Porto fez uma exibição digna e de certo modo prometedora, contra aquela que é considerada a melhor equipa do Mundo, tendo merecido elogios de diversos quadrantes. Por exemplo, na sua crónica no jornal holandês De Telegraaf, Johan Cruyff pergunta "porque não há igual na Holanda" e antevê que o FC Porto "vai obter de novo bons resultados europeus".

Apesar dos (merecidos) elogios, convém não esquecer um pequeno pormenor: o FC Porto perdeu. Ora, isso, por si só, significa que houve falhas, erros e aspectos que têm de ser analisados, tendo em vista melhorar no futuro.

Contudo, como reagiu a imprensa portuguesa, nomeadamente aquela que eu costumo ler e que acompanha o FC Porto mais de perto?
Lendo os títulos do JN e de O Jogo, fica a ideia que a Supertaça Europeia se pode resumir em dois erros: um do Guarín e outro do(s) árbitro(s).

Ora, o jogo foi muito mais do que isso e, no que ao FC Porto diz respeito, há (haveria) aspectos que mereciam ser analisados por pessoas que são profissionais da comunicação social desportiva. Exemplos:

i) O impacto na movimentação atacante do FC Porto, resultante da substituição de Radamel Falcao por Kléber;

ii) O Hulk é um grande jogador (para mim, o FC Porto é Hulk e mais 10), mas qual tem sido o seu desempenho nas competições europeias, nomeadamente contra "equipas do pote 1" (não tenho a certeza, mas penso que o Hulk nunca marcou um golo em jogos contra o Arsenal, Manchester United, Barcelona, ...);

iii) Qual a razão da muito má forma de Varela neste início de época, a qual voltou a ser evidente nos vinte e tal minutos em que esteve em campo?

iv) O FC Porto fez apenas dois remates enquadrados com a baliza (mais três para fora). Quantas oportunidades claras de golo criou?

v) Faz sentido ser sempre o Hulk a marcar os livres directos frontais? Qual o aproveitamento desses livres?

vi) O FC Porto beneficiou de sete cantos. Por que razão não conseguiu criar perigo em qualquer um deles (apesar do Barça ser uma equipa baixa e, neste jogo, não ter a sua dupla de centrais habitual)?

Eu compreendo que, defrontando o FC Barcelona, as expectativas de sucesso eram reduzidas, mas isso não significa que os aspectos menos bons da exibição do FC Porto sejam ignorados e não sejam analisados, nomeadamente por aqueles que o deveriam fazer por obrigação profissional.
Um jornalismo subserviente, que por vezes chega a ser lambe-botista, pode alimentar alguns egos, mas não serve os interesses do FC Porto.

Em Portugal há aversão ao erro, mas é com os erros que se apreende e, se queremos fazer uma boa carreira na Liga dos Campeões, há aspectos da exibição do FC Porto que é preciso corrigir e outros melhorar.

P.S. As capas do JN e de O Jogo (edição Porto) fizeram lembrar as capas dos jornais do regime nos dias seguintes a derrotas do slb ou dos calimeros.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Suspeição made in Madrid

«¡¡¡Penalti a favor del Oporto!!! Pase de Guarín a Falcao y penalti claro de Diego López. Tarjeta amarilla para el meta. Al menos no le han expulsado

«El árbitro holandés [Bjorn Kuipers] acertó en las jugadas claves del encuentro: el penalti y el posible fuera de juego en el cuarto gol, en posición correcta. No tuvo reparos en sacar tarjetas cuando la acción lo mereció.»

Sabem onde isto foi publicado? Precisamente na Marca (podem consultar aqui), o mesmo jornal que agora está a tentar criar um caso envolvendo dirigentes portistas e o árbitro do FC Porto x Villarreal.

A Administração da FC Porto SAD já emitiu um comunicado, onde esclarece o que se passou e desmente que Pinto da Costa, ou Reinaldo Teles, tenham estado presentes no jantar com o árbitro Bjorn Kuipers, após o jogo com o Villarreal.

Mas mesmo que algum dirigente do FC Porto tivesse levado os árbitros e os delegados da UEFA a jantar APÓS o jogo, qual era o problema? Por acaso era isso que ia influenciar a arbitragem de um jogo que já tinha terminado?

Como seria de esperar, a comunicação social lisboeta nem sequer quis averiguar o que realmente se passou e tratou logo de cavalgar o boato lançado pela Marca, dando grande destaque ao assunto. Aliás, lendo a pseudo notícia completa no site da Marca, percebe-se perfeitamente que, independentemente de ser assinada por um tal Juan Ignacio Gallardo, a mesma teve o dedo de algum correspondente do jornal madrileno, ou de periodistas amigos sedeados na capital portuguesa (a Marca está para o Real Madrid como A Bola está para o slb).

Na véspera do jogo da 2ª mão, é mais do que óbvia a intenção da Marca. Quanto aos jornalistas “espanhóis” do lado de cá da fronteira, há que começar a preparar o terreno para uma eventual final FC Porto x slb e, entretanto, aproveitar para tentar denegrir o clube azul-e-branco.

Este jornalismo de sarjeta, promovido por uns ressabiados (Força Barça!) amargurados por sucessivas vitórias dos clubes rivais, fez-me recordar uma célebre frase, proferida pelo “poeta” Diego Armando Maradona e dirigida a alguns hombres de prensa: “con el perdón de las damas, que la chupen, y que la sigan chupando”.


P.S.1 «O líder da arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol refuta em absoluto que a equipa de arbitragem do jogo FC Porto-Villarreal, da primeira mão da meia-final da Liga Europa, na opassada quinta-feira, tenha jantado com qualquer dirigente portista. Carlos Esteves, que já recebeu a nota de despesa relativa aos almoços e jantares da comitiva da UEFA durante a deslocação ao Porto, garantiu ao Expresso que, no jantar após o jogo, estiveram apenas os seis árbitros, o observador do encontro, o delegado ao jogo e António Garrido. Presente à mesa esteve ainda um enfermeiro, "indicado pela FPF para assistir em caso de lesão a equipa de arbitragem da UEFA", assegura o dirigente.»
(a noticia completa pode ser lida aqui)

P.S.2 O FC Porto anunciou que vai processar judicialmente o jornal Marca e também o jornalista que assinou a notícia. Claro que se os responsáveis da Marca tivessem um pingo de vergonha e de ética jornalística, apresentavam um pedido de desculpas público ao FC Porto pelo boato que lançaram e, pelo caminho, identificavam o "garganta funda" português que esteve na origem desta noticia falsa. Mas como a Marca é da mesma massa de A Bola...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Show mediático de André Villas-Boas

Não consegui ver a totalidade da conferência de imprensa que André Villas-Boas deu após o jogo de ontem (parece que durou mais de 30 minutos!), mas a parte que televisionei (na RTP-N e Porto Canal) incluiu perguntas de jornalistas e respostas do André em quatro línguas: português, espanhol, inglês e italiano.

Há outro treinador poliglota que, nem sempre pelas melhores razões, também costuma dar show nas conferências de imprensa. Agora não me estou a lembrar do nome, mas não é o Jorge Jesus…

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A crítica da crítica

Tenho lido os artigos e os comentários do RP e percebo a indignação (em alguns casos), mas dar atenção aos Santos, Fedorentos e demais Manhosos é uma perda de tempo. Têm uma agenda, são do SLB, falam com a linguagem mais apreciada pela tribo e alguns receberão, provavelmente, encomendas e pedidos de que tiram bom proveito: reconhecimento e mordomias.

Nada que me possa admirar. Ficaria surpreendido se fosse diferente. Nesta altura, já não podem despir a camisola. Seria pior a emenda que o soneto. Aliás, quanto mais o FCP andar por cima, mais agressivos tenderão a ser.

Pelas nossas bandas, também ocorrem alguns excessos. Já li severas críticas de portistas, nomeadamente a Rui Moreira ou MST, só porque estes teimavam em manter-se independentes e, de vez em quando, remarem um pouco contra a maré. No início da época escrevi um artigo neste blog, de cariz pessimista, e alguns não perdoaram o meu cepticismo. Fui cilindrado.

Não creio que ao insulto se deva responder com o insulto. Quem aceita fazer ouvir-se (ou se apresenta para ser lido) publicamente, deve respeitar a audiência. A réplica que estes tipo de programas (ou escritos) proporcionam, ainda que tenha se ser contundente, deve ser feita lucidamente. Aos gritos ninguém se ouve. As permanentes insinuações e teorias da conspiração vulgarizam-se e perdem efeito. O melhor remédio é deixá-los cansar, (re)agir só em casos maiores e continuar a ganhar. E não seguir o método da chafurdagem.

Fala-se demasiado da arbitragem, que o deveria ser só por excepção. E a maior parte das vezes há alguma “batotice” na apreciação. Decidir depois do recurso a inúmeras repetições, imagens em câmara lenta, lentíssimas e paradas, de ângulo inverso, com linhas virtuais e olho de águia para encontrar a melhor filmagem para justificar o erro irreparável, é muito mais fácil para ajudar a avaliação do lance e, ainda assim, anima tanta diversidade em doutas opiniões.

Espanta-me como ex-árbitros alinham nessas apreciações casuísticas, pois a arbitragem não se deve reduzir ao que se passa dentro das grandes áreas. Reconheço, porém, que há casos especiais, como o do Paixão em Vila do Conde, que até teve alguns acertos no desacerto global. Todavia o que sobressaiu, foi a impressão que o homem apitou por impulso ou se deixou condicionar por o quer que seja. Campo Maior não beliscou, bem pelo contrário, a chegada a internacional. O erro compensa e sabemos como.

Quanto à comunicação social, pouco ou nada se pode nem deve fazer. Podemos protestar para fazer prova que não nos deixamos comer por lorpas. O direito à indignação há muito foi institucionalizado. Só que já apanhei justos e pecadores a recorrerem ao mesmo princípio. O futebol, então, é pródigo na apropriação desse direito, nomeadamente pelos donos da verdade que pululam pelo país e são vedetas na TV.

Tenho vindo a munir-me de maior paciência e evito assistir aos programas desportivos que se tornaram uma espécie de crónicas de escárnio e mal dizer, sem qualquer graça ou interesse, tudo demasiado déjà vu. O que conta e o que ganha é o que dá mais caneladas. Diga-se que quem ousar ter uma postura mais soft não será (provavelmente) tolerado pelos seus apaniguados. E, sendo assim, os programas correm sem surpresas, crispados e trazem pouco esclarecimento.

No passado fim de semana, vi a 2ª parte do jogo do VG/FCP (em basquetebol) e fiquei admirado com o relator/comentador do jogo: o professor Barroca que, em tempos, até foi treinador do FCP. O homem virou-se mesmo quando o VG mudou o sentido do jogo. O seu entusiasmo era tão sincero quanto o dos adeptos do VG; não assobiou os árbitros, mas suas críticas foram sempre contundentes quando erraram em benefício do FCP e, no fim, muito menos efusivo, reconhecia-se-lhe alguma desilusão porque o FCP acabou por ganhar, depois de recuperar de sete pontos de desvantagem. Um profissional, que não saiba controlar as emoções, os seus amores e os seus ódios de estimação, não presta um bom serviço. É o que temos e o Barroca está longe de ser intragável, como muitos outros. Sabe e gosta muito de basquete e lê, normalmente, bem os jogos. No futebol é bem pior, diga-se. Num jogo da CL que o SLB perdeu, ao comentador, antigo jogador do SLB, só lhe faltou chorar.

Tenho acompanhado as intervenções de AVB, nomeadamente na TV, e fiquei com muitas dúvidas sobre a oportunidade de algumas declarações, por considerar que estaria a dar demasiada atenção a JJ. Depois de ter lido o Querido Manha fico com muitas dúvidas acerca das minhas dúvidas.

Constato que a vantagem de AVB decorre do facto de tomar a iniciativa, comandar o jogo e aos outros de reagirem (de forma grosseira e pouco inteligente), para logo a seguir os desarmar, recolocando na ordem do dia a competição e a qualidade do FCP, sem escamotear que este SLB é o melhor da década.

As palavras são como as cerejas e já me estendi. Palavras, palavras, futebol à parte. A saga continua, para a semana. Força Porto.

sábado, 7 de março de 2009

O jornalismo vergado a interesses


«Ontem, no início de um curso de pós-graduação em "Comunicação e Desporto" da Escola de Jornalismo do Porto, de que tenho o pesado encargo de ser professor, peguei num título de um jornal diário que dizia na capa: "Auditores falam de risco de falência da SAD" do FC Porto.

Este é um bom caso para falar dos defeitos do chamado sistema mediático e do que é ser jornalista hoje em dia. O título é factualmente verdadeiro, mas o jornalismo implícito é factualmente errado. É que os auditores - cujo prestígio anda aliás, em todo o mundo, pelas ruas da amargura - falam há muito, pelo menos há uns cinco anos, da possibilidade de falência de todas as SAD e várias outras empresas por causa do artº 35 do Código dos Valores Mobiliários e o jornal tem obrigação de o saber. Se não soubesse, também bastava um "click" no computador para chegar a essa conclusão. Sabendo-se isso, a novidade da notícia, que foi manchete no mesmo jornal há uns anos, deixava de o ser.

Ou seja, com a verdade me enganas. Porque as notícias devem ser tratadas com rigor e honestidade, mesmo que nesse caso se perca uma boa manchete... comercial. E o rigor mandava enquadrar as coisas como deve ser e não atirar para o ar com a parcela que dá jeito, perdendo a face poucas horas depois em face do que naturalmente veio a público.

Expliquei aos meus alunos, um belo grupo aliás, muitos jornalistas ou candidatos a sê-lo, que os jornalistas têm ser honestos e humildes. Que têm direito a errar, mas não têm direito a vergarem-se a interesses. Porque o vício mais caro que há nesta vida é o da independência e o de andar de espinha direita. Quem não estiver para pagar esse preço, é melhor escolher outra profissão.»

Manuel Queiroz, 03/03/2009
in 'De Trivela'


No final do ano 2000, Manuel Queiroz saiu do PÚBLICO (onde tinha integrado a equipa fundadora 10 anos antes) e aceitou o convite para ser subdirector do ‘Record’ e responsável pela redacção do Porto.
Em 30 de Janeiro de 2003, Manuel Queiroz assumiu interinamente a direcção do ‘Record’ quando os antigos directores – José Manuel Delgado e João Querido Manha – foram afastados pela administração da Edisport (empresa do grupo Cofina que controla o ‘Record’).
Nota: José Manuel Delgado e João Querido Manha tinham chegado à direcção do ‘Record’ em Fevereiro de 2002, na sequência de ida de João Marcelino para o ‘Correio da Manhã’.

Nesse mesmo ano – 2003 – Manuel Queiroz passou a desempenhar as mesmas funções (subdirector responsável pela redacção do Porto) no ‘Correio da Manhã’ de onde foi demitido em 23 de Junho de 2007, deixando de haver cargo de director no Porto e mantendo-se a Direcção do CM toda em Lisboa.

Desde que saiu do Grupo Cofina, Manuel Queiroz tem vindo a tornar-se incómodo para os seus antigos companheiros.
Este artigo que publicou no seu blog (de que reproduzi cópia em cima), ou a forma desassombrada como comentou o último FC Porto x Sporting, são apenas dois exemplos.

Mas há mais. Chamo a vossa atenção para alguns artigos que Manuel Queiroz publicou no blog Bússola, envolvendo o Ministério Público e jornalistas do CM, entre os quais destaco:
• ‘O novo director da PJ do Porto’ (23 de Fevereiro de 2008)
• ‘As carpideiras’ (4 de Fevereiro de 2008)
• ‘Bem prega Saldanha Sanches’ (21 de Dezembro de 2007)

O Manuel Queiroz anda a "esticar a corda" e a forma como vem desmascarando diversas situações envolvendo o MP e/ou ex-companheiros do 'Correio da Manhã' (os dois Octávios e o Eduardo Dâmaso) irá, sem dúvida, suscitar ódios e retaliações.
Espero que o Manel (conforme o tratou o João Querido Manha no último Jornal de Domingo da TVI24) continue determinado e que não lhe falte a coragem, mas é bom que tenha um pé de meia substancial, porque quem se mete com os senhores todo poderosos da capital arrisca-se a ficar sem trabalho.

Nota: A selecção da foto e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Fundamentalismo anti-Porto


Olhando para o título deste artigo e para a foto anterior, poder-se-ia pensar que iria escrever um texto sobre os "talibans" da comunicação social lisboeta, onde avultam nomes como Alfredo Farinha, Rui Cartaxana, José Manuel Delgado, João Querido Manha, Jorge Baptista ou Octávio Ribeiro.

Puro engano. Este texto é sobre os "moderados", aqueles que vendo a realidade com óculos verdes e vermelhos, não tinham por hábito deixar extravasar o seu anti-portismo nas prosas que escreviam. E digo não tinham porque isso está a mudar, conforme se constata nos dois exemplos seguintes.


«António Oliveira avisou que a eliminação do Vitória de Guimarães era a mesma coisa que arrebatar o Euromilhões, fazendo contas a uma frutuosa distribuição da receita de bilheteira aquando da visita ao Estádio do Dragão. O dirigente dos tricolores, estranhamente, nunca falou na possibilidade de o clube chegar à final, vencê-la, e aí sim, embolsar um milhão de euros. Bem vistas as coisas, quem ganhou o Euromilhões foi o FC Porto. Mandou Tengarrinha para a Reboleira e já garantiu a contratação de um tal Silvestre Varela. Isto, claro, se Varela não estragar o negócio em plena meia-final...»
João Rosado, DN, 20/02/2009

Para o ex-responsável em 'O JOGO' da secção do SLB, comentador da SportTv e agora também jornalista do DN, é "estranho" que antes de disputar os quartos-de-final da Taça de Portugal, o presidente do E. Amadora apenas tenha falado na perspectiva de receita que resultaria da vitória nesse jogo.
Será falta de ambição?
Não, é suspeição, ao velho estilo vocês sabem do que eu estou a falar. Lendo o texto completo, percebe-se que a insinuação subjacente é que dadas as boas relações com o FC Porto, o E. Amadora irá facilitar nos dois jogos das meias-finais. Será isso que está na cabecinha deste João Rosado (será mais um João Avermelhado)?
Já agora, e fazendo o paralelo com a Liga dos Campeões, não será suspeito o facto de os dirigentes do FC Porto e Sporting não terem já feito contas ao que ganhariam na LC se chegassem à final?


«Negativo - Jorge Sousa terá estado bem no golo invalidado ao Paços, mas o penálti resulta de um carrinho perfeitamente lícito de Ricardo, que só depois entrou em contacto com as pernas de Hulk.»
Nuno Madureira, DN, 21/02/2009

Ou seja, segundo o director-adjunto do site Maisfutebol, o árbitro "terá estado bem no golo invalidado ao Paços" (terá, porque ele ainda tem dúvidas), mas no penálti claríssimo sobre o Hulk, que os ex-árbitros do 'Tribunal de O JOGO' consideram inequívoco, ele acha que é "um carrinho perfeitamente lícito".
Pois, este artista não vai de carrinho, por este andar ele vai é um dia destes cair de pára-quedas num sitio melhor que o Maisfutebol...

Temos de estar preparados para a "guerra" total, até porque, do outro lado, já não há "moderados"...

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O campo do 'Trio' está inclinado


Costuma dizer-se que um relvado está inclinado quando o árbitro do jogo, sem dar muito nas vistas, “gere” os tempos do jogo, as faltas a meio-campo, a mostragem dos cartões amarelos, etc. Muitas vezes, sem necessitar de assinalar penalties mais do que duvidosos ou foras-de-jogo escandalosos, uma “arbitragem inteligente” é suficiente para perturbar, enervar, atrapalhar e dificultar ao máximo a tarefa de uma equipa.

Passe a comparação e com as devidas distâncias foi isso que eu senti no Trio d´Ataque da semana passada, com o “árbitro” - Hugo Gilberto - a dificultar, e de que maneira, a acção de um dos “jogadores” - Rui Moreira.


Hugo Gilberto, um ex-aluno da licenciatura em Jornalismo da Faculdade de Letras de Coimbra, é jornalista da RTP há vários anos e há cerca de dois meses substituiu o Carlos Daniel como moderador deste programa das terças-feiras, em que durante cerca de hora e meia Rui Oliveira e Costa (Sporting), António Pedro de Vasconcelos (Benfica) e Rui Moreira (FC Porto) debatem sobre os principais acontecimentos futebolísticos da semana.

Já me tinha apercebido de uns sinais dados por Hugo Gilberto em programas anteriores, mas no Trio d´Ataque do dia 23 de Dezembro as coisas foram óbvias. Vejamos:

No SLB - Nacional quis-se dar a entender que tinha havido um roubo (quando, de facto, há um único lance discutível) e os lances polémicos do jogo parece terem sido escolhidos a dedo para que fosse essa a mensagem transmitida.
Por exemplo, é analisado um pseudo fora-de-jogo do ataque do Nacional (em que o árbitro auxiliar decidiu bem ao não marcar) e de seguida um fora-de-jogo evidente do ataque do SLB (que o outro árbitro auxiliar voltou a estar bem ao interromper a jogada).
Qual era a ideia ao analisar estes dois lances em sequência?
Dar a entender que para dois lances “parecidos” o trio de arbitragem teve duas decisões distintas?
Azar! Os três comentadores estiveram de acordo que nestes lances o árbitro Pedro Henriques esteve bem (as imagens televisivas não deixam dúvidas).


Ao falar do FC Porto - Marítimo, percebeu-se que antes de serem analisados casos em concreto, Rui Moreira pretendia fazer algumas considerações gerais sobre a arbitragem de Duarte Gomes. O adepto do FC Porto ainda conseguiu referir o ridículo cartão amarelo mostrado aos 92’ ao guarda-redes do Marítimo (quando este tinha começado a queimar tempo logo no início do jogo), mas já não pôde falar mais do critério na mostragem dos cartões e, principalmente, na forma como o árbitro lisboeta pactuou com todas as estratégias da equipa madeirense para fazer passar depressa os ponteiros do relógio, visto Hugo Gilberto tê-lo interrompido.

A seguir, quase não se percebeu que o árbitro internacional de Lisboa tinha perdoado duas expulsões a jogadores da equipa verde-rubra na altura decisiva do jogo, porque a preocupação do Hugo Gilberto pareceu ser destacar uma hipotética contradição de Rui Moreira, por este ter analisado os lances das mãos de Miguel Vítor (no SLB - Nacional) e de Bruno Alves (no FC Porto - Marítimo) de forma distinta. Não percebi a admiração, porque os lances, como o Rui Moreira muito bem explicou, são distintos, nomeadamente no que diz respeito ao movimento dos braços dos jogadores.

Um outro aspecto que me chamou à atenção foi o modo como o Hugo Gilberto adjectivou e destacou determinadas coisas.

Quando referiu o incidente havido no Túnel das Antas, não entre elementos participantes no jogo (como foi o caso no SLB – Nacional), mas entre indivíduos dos bastidores, Hugo Gilberto teve o cuidado de sublinhar que Duarte Gomes tinha anexado ao seu relatório um documento de quatro páginas sobre o incidente (4 páginas, ena pá, deve ter sido uma coisa gravíssima...).

Na mesma onda, ao introduzir o tema da posição tomada pelo Conselho de Justiça da FPF sobre as escutas, talvez pensando na forma como o Tribunal Arbitral do Desporto pôs em cheque tanto a Comissão Disciplinar da Liga como o Conselho de Justiça da FPF, Hugo Gilberto afirmou que o CJ da FPF tinha arrasado a decisão do Supremo Tribunal Administrativo (STA).

Uauh! Afinal a justiça desportiva é credível e acima de qualquer suspeita!

Como é sabido, em 3 de Novembro passado o STA considerou inconstitucional a utilização de escutas telefónicas no âmbito de processos disciplinares, como é o caso do 'Apito Final'.

Esta questão das escutas é polémica. Alguns dos maiores especialistas portugueses na matéria – José Faria Costa, Germano Marques da Silva, Manuel Costa Andrade e Damião da Cunha –, bem como, conhecidos juízes como Rui Rangel e Fátima Mata Mouros são taxativos e alinham na mesma tese do STA. Já o Tribunal Constitucional teve posições contraditórias sobre este assunto, a última das quais foi no sentido de considerar as escutas legais.
Em que ficamos?
Alguém se entende no meio das enumeras contradições da Justiça portuguesa?

Seja como for, os pobres juízes do Supremo Tribunal Administrativo devem estar a tremer com esta posição dos altamente isentos juristas escolhidos pelo inenarrável Gilberto Madail, para substituírem os comparsas da golpada de Julho


Quem voltou a estar bem foi Rui Moreira, não reconhecendo idoneidade aos novos membros com velhos vícios do CJ da FPF, levando o representante do Sporting a mostrar toda a sua incomodidade, falando em pazadas...

Apesar do final do programa ter sido em contra-relógio, para além da “arrasante” decisão do CJ da FPF, houve ainda tempo para o Hugo Gilberto ler 5 ou 6 e-mails (nem um de adeptos do FC Porto!), incluindo um e-mail de um adepto do SLB, elencando jogos em que supostamente os encarnados teriam sido prejudicados (o hilariante é que até incluiu o Leixões – SLB para o campeonato).
Para falar na entrevista de Madail ao Porto Canal, em que o presidente da FPF abordou os critérios de Scolari nas convocatórias e, particularmente, o caso do Vítor Baía é que infelizmente não houve tempo…

Dizem-me que o Hugo Gilberto é portista.
Não sei se é portista, mas pelos vistos tem o estigma de o ser e já se sabe que neste país infestado pela inveja e mediocridade isso é pior, muito pior, do que ser incompetente. Talvez por isso, o Hugo Gilberto tem feito tudo para fugir a esse estigma, mas no último programa exagerou.

O Hugo Gilberto dá umas aulas no Curso de Pós-graduação em Comunicação e Desporto, na Escola de Jornalismo do Porto, em que juntamente com o seu colega Manuel Fernandes Silva é responsável pelos módulos/disciplinas de ‘Reportagem e Apresentação em Desporto’ e ‘Novos Desafios Éticos e Deontológicos’

Ora, é precisamente isso que eu espero dos bons jornalistas: ética e isenção no desempenho das suas funções.
Porque se é para ser mais papista que o papa, antes o benfiquista Carlos Daniel do que o “portista” Hugo Gilberto.