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sábado, 4 de outubro de 2014

O incendiário e as lágrimas de crocodilo

Eu sou assim, os outros são hipócritas. Os outros são uns rufias que andam no futebol.

Não se enxergam e nem a idade lhes dá vergonha. Tive que aturar estes rufias há tão pouco tempo. Refiro-me ao comportamento do presidente do FC Porto no Estádio de Alvalade.

Todo aquele comportamento, com aquele olhar dele, que sou muito bem educado...


Estas são algumas das declarações provocatórias e até ofensivas feitas pelo presidente do Sporting Clube de Portugal, ao canal do clube, tendo, mais uma vez, como alvo o presidente do Futebol Clube do Porto.

Já há muito que toda a gente percebeu, que Bruno de Carvalho, à falta de melhor, não hesita em recorrer a ataques e insultos para dar nas vistas.
Os dirigentes do Futebol Clube do Porto, e muito bem, têm-no deixado a falar sozinho.

Mas, perante sucessivas afirmações deste teor, as quais, para além de contribuírem para agravar o mau relacionamento existente entre os dois clubes, irão criar um clima de alta tensão nos próximos jogos entre dragões e leões, os responsáveis do futebol português não têm nada a dizer?

E o Governo, quer através do Secretário de Estado do Desporto, quer do Conselho Nacional contra a Violência no Desporto, vai continuar, impávido e sereno, a assistir a este tipo de declarações incendiárias?

Meus senhores, daqui a duas semanas, no dia 18 de Outubro, vai disputar-se um FC Porto x Sporting para a Taça de Portugal.
Se, nesse dia, ocorrerem desacatos, ou mesmo cenas de violência envolvendo adeptos dos dois clubes, por favor, poupem-nos ao fingimento de virem para as televisões chorar lágrimas de crocodilo.


E, quanto à comunicação social do regime, que reproduz e amplifica, sem qualquer comentário crítico (por onde andam os editoriais inflamados?), os ataques e declarações ofensivas do presidente do Sporting, espero que não tenham a desfaçatez de vir dizer, que eventuais cenas de violência são da responsabilidade dos dirigentes dos dois clubes.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Da alienação ao Panteão


Eusébio com a camisola do SLB
Eusébio da Silva Ferreira morreu no passado domingo.
Quem o pôde ver jogar ao vivo (ele deixou de jogar há cerca de 40 anos), ou viu vídeos / transmissões televisivas de jogos em que participou, diz que Eusébio era um jogador veloz, ágil, possante e de remate fácil, o que fez dele um goleador temível e o tornou conhecido como o Pantera Negra.

Vindo da filial do Sporting em Lourenço Marques (atual Maputo), Eusébio chegou a Lisboa no dia 15 de dezembro de 1960 para jogar no… SLB, onde esteve até 18 de junho de 1975.
Foi nas 15 épocas ao serviço das águias, que Eusébio atingiu a esmagadora maioria dos êxitos da sua carreira – 11 Campeonatos Nacionais, 5 Taças de Portugal, 1 Taça dos Campeões Europeus (1961/62) e a presença em mais três finais da Taça dos Campeões Europeus (1962/63, 1964/65 e 1967/68). Foi ainda, por três vezes, o melhor marcador da Taça dos Campeões Europeus e sete vezes o melhor marcador do campeonato português, tendo em duas dessas ocasiões (1967/68 e 1972/73) ganho a Bota de Ouro (de melhor marcador dos campeonatos europeus).

Mas, se ao serviço do seu clube de sempre – o SLB – Eusébio conquistou inúmeros títulos e troféus individuais, sendo o maior goleador da história dos encarnados de Lisboa (638 golos em 614 partidas oficiais), o mesmo não pode ser dito da Seleção Nacional.

Eusébio estreou-se na Seleção Portuguesa de Futebol a 8 de outubro de 1961 e fez o seu 64º e último jogo a 19 de outubro de 1973, mas os sucessos alcançados com a camisola das quinas foram escassos e resumem-se ao 3º lugar no Campeonato do Mundo de 1966.

Evidentemente, um jogador sozinho não faz uma equipa, mas se há algo que ninguém pode dizer é que a geração dos anos 60 era fraca e que não havia matéria prima para fazer uma grande Seleção, bem pelo contrário. Aliás, dizê-lo seria um contrassenso, porque na década de 60 o Benfica (que era a base da Seleção) foi a cinco finais da Taça dos Campeões Europeus (ganhou duas) e o Sporting venceu uma Taça das Taças.

Haverá diferentes explicações (dependendo da visão e/ou agenda de cada um) para todos os insucessos da Seleção portuguesa em confronto com outras seleções, mas o que fica para a história é que nos 12 anos em que jogou pela “equipa de todos nós” Eusébio apenas foi a uma fase final de um Mundial, ou seja, falhou os Europeus de 1964, 1968, 1972 e os Mundiais de 1962 e 1970 (por exemplo, e em contraponto, Cristiano Ronaldo nunca falhou a presença numa grande competição internacional e já foi vice-campeão em 2004 e semifinalista em 2006 e 2012).

Independentemente das simpatias clubísticas, toda a gente reconhece que o Eusébio foi um extraordinário avançado e, tendo sido o primeiro grande futebolista africano a atingir o estrelato internacional, é também unanimemente considerado o melhor jogador português da sua geração (já é discutível se será o melhor de sempre).
Mas se Eusébio foi um enorme futebolista, o maior, o King, ou o que a comunicação social lhe quiser chamar, foi-o essencialmente com a camisola do SLB e não com a camisola da Seleção Portuguesa de Futebol. Esta é a realidade dos factos.

Dito isto, acho normais todas as homenagens que jogadores, treinadores, dirigentes e clubes adversários lhe fizeram.
E, por tudo aquilo que o Eusébio deu e ainda hoje representa para o seu clube de sempre, percebo perfeitamente as homenagens que o SLB lhe fez em vida, ou queira fazer agora, desde o anunciado recorde de um ano de luto, decretado por Luís Filipe Vieira, à intenção de transformar a zona da estátua numa espécie de mausoléu (mudar o nome do estádio é que não, porque o Eusébio pode ser um mito, mas Vieira não está disposto a abdicar dos milhões que conta encaixar com os naming rights...).

Contudo, não alinho na onda da histeria coletiva dos media da capital, à moda da Coreia do Norte, no absurdo de quererem fazer de Eusébio uma “referência” ou “herói nacional” e muito menos em descarados aproveitamentos político-desportivos.

Governo, Primeiro-Ministro e Presidente da República na missa de corpo presente

Presidente da República na missa de corpo presente

Eu, pessoalmente, defendo que Eusébio deve ir para o Panteão. Se há algum português que lá deve estar é ele
Teresa Leal Coelho, vice-presidente do PSD, 06-01-2014

[a transladação dos restos mortais de Eusébio para o Panteão Nacional] é uma exigência do povo português e não do Benfica
Luís Filipe Vieira, em entrevista à RTP no dia 06-01-2014

Exigência?! Pode ser uma exigência dos benfiquistas, dos amigos, de admiradores ou de políticos oportunistas, mas certamente que não é uma exigência do povo português.
Para que fique claro, por tudo aquilo que escrevi atrás, sou completamente contra a que sejam depositados no Panteão Nacional os restos mortais de um futebolista, por melhor que ele tenha sido, mas cujos feitos estejam (e no caso do Eusébio estão), no essencial, associados a um clube e não à Seleção Nacional ou ao país como um todo.

Aliás, a associação de Eusébio ao SLB foi sempre clara e inequívoca, mesmo após a sua morte. Por exemplo, não foi certamente por acaso que o corpo de Eusébio esteve em câmara ardente no estádio da Luz e não na sede da FPF.

Urna de Eusébio (foto: PÚBLICO / Nuno Ferreira Santos)

Como também não foi esquecido, pelos responsáveis benfiquistas, o desejo do próprio Eusébio em que a sua urna, coberta com a bandeira do SLB (e não com a bandeira de Portugal), desse uma volta de honra ao relvado do estádio do seu clube de sempre.

E, já agora, a foto seguinte, com um segurança contratado pelo SLB a retirar cachecois de outros clubes da zona da estátua do Eusébio, fala por si, sem precisar de legenda ou de comunicados de última hora com explicações mais ou menos esfarrapadas.


Quanto às comparações com a Amália Rodrigues, cuja transladação para o Panteão Nacional também me pareceu algo forçada, é bom dizer o seguinte: os sucessos da fadista não foram alcançados com a Amália a envergar a camisola de uma empresa, clube ou cidade e muito menos as alegrias que proporcionou implicaram a tristeza de uma parte dos portugueses.


P.S. Para que serve o Panteão Nacional? De acordo com a lei 28/2000, as honras do Panteão destinam-se a “perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao país, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade”.

Atualmente, o Panteão Nacional abriga cenotáfios (memoriais fúnebres) de grandes vultos da História de Portugal, como D. Nuno Álvares Pereira, Infante D. Henrique, Pedro Álvares Cabral e Afonso de Albuquerque, bem como, os restos mortais de alguns presidentes da República e escritores. As excepções a este perfil de personalidades são Humberto Delgado e Amália Rodrigues.

O próximo, tudo o indica, será o futebolista Eusébio da Silva Ferreira, porque há “um grande consenso nacional” e os partidos políticos (pelo menos o PS, PSD, CDS e BE) já vieram dizer que são a favor.

sábado, 27 de novembro de 2010

Quero ser presidente do slb

«Centenas de árvores foram cortadas no pinhal do Gancho, entre Altura e Monte Gordo, para dar lugar a mais um projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN), com 2041 camas e campo de golfe. Os ambientalistas clamam contra mais um "crime anunciado". O promotor é Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, que obteve do Ministério do Ambiente o reconhecimento de "interesse público" para um projecto que esteve mais de duas décadas adormecido.»
09.12.2008
in PUBLICO.pt

«O presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, José Estevens, já formalizou a aprovação do alvará de loteamento do resort Verdelago, o que vai permitir o arranque da obra nas próximas semanas.»
19.02.2009
in barlavento.pt

«O projecto do ‘resort' Verdelago, em Castro Marim, no Algarve, já se arrasta há cerca de 18 anos, dez dos quais nas mãos da Inland. Comprado em 2001 pela empresa de Luís Filipe Vieira (presidente do SL Benfica), a obra - que foi considerada um Projecto de Interesse Nacional (PIN) em 2006 - sofreu uma série de alterações por questões ambientais. No entanto, agora está pronto a avançar. As obras de infra-estrutura deste ‘resort' de 250 milhões de euros ficam concluídas hoje e, segundo o administrador da Inland, Tiago Vieira, "em finais de Fevereiro ou início de Março do próximo ano" arranca a construção dos edifícios.»
26.11.2010
in Diário Económico

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Já ouviram falar em networking? Dizem os especialistas que para o desenvolvimento de uma carreira de sucesso é fundamental criar bons relacionamentos. É por isso que eu, quando for grande, quero ser presidente do slb.
Para quê?
Para, de forma totalmente altruísta, manter um estreito relacionamento com diversos presidentes de câmaras (Lisboa, Seixal, Sintra, etc.).
Para, de forma totalmente altruísta, encher o camarote da Luz de membros do governo e altos funcionários do Estado.
Para, de forma totalmente altruísta, convidar para os órgãos sociais do clube e da SAD ex-deputados, ex-ministros ou pessoas na calha de o serem.
Para, enfim, criar fundações altruístas, como a Fundação Benfica.

Qual política, qual golfe, qual quê, para networking não há melhor cargo em Portugal do que ser presidente da instituição…

P.S. Às vezes o “networking” corre mal. O Godinho e o Vara que o digam…

sábado, 6 de novembro de 2010

MAI com filhos e enteados


«O autocarro do Benfica que transporta a equipa para o Porto já passou as portagens dos Carvalhos. Pouco depois desse ponto, a segurança foi fortemente reforçada, com quatro carros a isolar as faixas de rodagem da autoestrada.
Medidas extremas de segurança, certamente nunca antes vistas na chegada de uma equipa de futebol à cidade do Porto. Até um helicóptero passou a seguir o enorme cortejo e os jornalistas foram impedidos de seguir o autocarro de perto.»
in abola.pt


«Para evitar incidentes como na época passada, o último troço da autoestrada que liga Lisboa ao Porto foi cortado por altura da passagem do autocarro do Benfica. O aparato das forças de segurança foi grande, com vários carros da polícia a escoltar a equipa encarnada e a impor um ritmo lento.
O trânsito também foi cortado em algumas artérias da cidade do Porto, nomeadamente a Avenida da Boavista, onde se registou um grande engarrafamento.»
in record.pt


Porque há quem tenha memória selectiva, é preciso lembrar:

21 de Junho de 2008, autocarro de adeptos do FC Porto incendiado nas proximidades do Estádio da Luz.

20 de Dezembro de 2009, Pinto da Costa alvo de tentativa de agressão à porta do hotel, em Lisboa, onde estava concentrada a equipa do FC Porto.

24 de Janeiro de 2010, autocarro do FC Porto e o carro de Pinto da Costa apedrejados na A5, próximo da saída para o Estoril.

16 de Maio de 2010, um autocarro e várias viaturas ligeiras com adeptos do FC Porto, alvo de uma autêntica metralha de calhaus na saída da CRIL para a 2ª Circular.

Que medidas tomou este ministro, que instruções deu aos seus subordinados, antes e depois destas ocorrências?

sábado, 2 de outubro de 2010

Garantias...


Nos últimos anos, valores como o trabalho, o esforço e a competência foram substituídos pelo show off, marketing político e chico-espertismo. Neste contexto, não surpreende que Rui Pereira tenha arranjado tempo na sua apertada agenda de ministro para receber uma delegação do seu clube, constituída por Luís Filipe Vieira, Luís Nazaré (presidente da Mesa da Assembleia Geral) e João Gabriel (director de comunicação do clube), a qual esteve no Ministério da Administração Interna durante cerca de uma hora para, supostamente, apresentar queixas sobre a forma como os encarnados têm sido hostilizados sempre que se deslocam à cidade do Porto.

De acordo com o jornal oficioso do slb (A Bola), «o governante Rui Pereira garantiu que as águias vão poder viajar por todo o país sem temer pela integridade física».
Acho muito bem mas, perante tamanha garantia, já estou a imaginar o cortejo e meios de segurança que o MAI vai colocar ao serviço do slb, quando estes se deslocarem ao Estádio do Dragão no dia 7 de Novembro.

Contudo, conforme se viu nos últimos dois jogos que disputaram com o FC Porto (em que levaram dois banhos de bola e 5-1 em golos), parece-me que o problema principal do slb tem estado dentro dos relvados e aí, sejamos claros, fazem muito mais falta as garantias que eram dadas por Ricardo Costa, do que as que agora são prometidas pelo governante socialista.

Foto: Record, 3 de Julho de 2009, Rui Pereira a votar nas eleições do slb.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Estado e a Cofina

Pelos vistos, não é só com o slb que a Cofina tem excelentes ligações. Conforme a notícia seguinte demonstra, as relações com o actual governo também são muito boas. Aliás, bem vistas as coisas, até faz todo o sentido: Estado, Governo, CM Lisboa, clube do regime...


«Metade do investimento publicitário feito pelo Estado nos jornais diários de maior expansão até Setembro de 2009 ficou nos cofres do "Correio da Manhã". Um estudo feito pela Media Monitor (empresa da Marktest que analisa o mercado publicitário) mostra que, entre inserções no caderno principal e no caderno de classificados, o diário do grupo Cofina arrecadou, até ao final do terceiro trimestre deste ano, quase 4,5 milhões de euros, exactamente metade dos gastos realizados pelo Estado: 8,8 milhões de euros. (...)
Os números agora conhecidos revelam, de facto, não um "padrão", mas três. O "Correio da Manhã" é o grande beneficiário, no que diz respeito aos anúncios colocados pelo Estado nos cadernos dos diários generalistas. Isto porque, já em 2008, aquele título arrecadara 49,6% do dinheiro despendido pelo Governo. Ou seja: o jornal da Cofina vale para o investidor Estado tanto como a soma dos restantes jornais diários.
Segundo "padrão": os jornais com a massa de leitores a Sul arrecadam 72,5% da publicidade estatal. Para o "JN" sobram 27,5%. Com sensivelmente o mesmo número de leitores (concentrados a Norte) do que o "Correio da Manhã" (concentrados a Sul), o "JN" regista um valor da receita publicitária inferior a 48% em 2008 e 45% em 2009, relativamente ao seu concorrente mais directo. Contas feitas, a diferença entre o "JN" e o "Correio da Manhã" é favorável a este último em cerca de três milhões de euros em 2008 e de dois milhões até Setembro deste ano.»
in JN, 21/12/2009

Nota: A foto e os destaques a negrito são da minha responsabilidade.

sábado, 31 de julho de 2010

Uma trapalhada "à Benfica"


“Dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol aguardam que o técnico [Carlos Queiroz] seja ouvido pelo Conselho de Disciplina e só depois decidem a sua continuidade
(…)
A decisão sobre a continuidade do seleccionador deverá, assim, ocorrer duas semanas antes do primeiro jogo de Portugal na fase de qualificação para o Europeu de 2012, marcado para 3 de Setembro, em Guimarães, frente a Chipre, logo seguido, dia 7, de uma deslocação à Noruega.

Fonte da direcção federativa explicou ontem ao PÚBLICO que "a resolução de qualquer contrato é um acto muito reflectido", pelo que a FPF tem de aguardar que o Conselho de Disciplina ouça Carlos Queiroz e apure os factos ocorridos na Covilhã. Este órgão jurisdicional está a conduzir um processo de averiguações na sequência do inquérito enviado pelo Instituto do Desporto de Portugal (IDP), que aponta insultos de Carlos Queiroz ao presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal (Adop), Luís Horta.

Desta investigação do Conselho de Disciplina podem advir dois tipos de consequências para Queiroz: por um lado, um processo disciplinar por eventual violação da legislação antidoping, no qual a Adop tem direito a dar um parecer, e cuja punição é uma multa. Por outro lado, concluído o processo do Conselho de Disciplina, a direcção decidirá se mantém Queiroz no cargo.”

Público, 31/07/2010

O que se passou na Covilhã (alegados insultos de Queiroz aos membros da Autoridade Antidopagem) não é nem nunca será motivo suficiente para se despedir um Seleccionador. Esta não passa de mais uma trapalhada “a la SLB” criada pelos lobbies que o polvo benfiquista tem nos bastidores das organizações que tutelam o futebol em Portugal.


Queiroz agrediu ou tentou agredir um jogador adversário em directo? Não. Fez algo de verdadeiramente grave como o próprio Governo quer fazer passar através das declarações do Secretário de Estado Laurentino Dias? Não. Quanto muito Queiroz esteve mal no tratamento verbal dado aos técnicos antidopagem e merece uma multa, nada mais que isso e caso encerrado.

Não está em causa o desempenho de Queiroz ao leme da Selecção. É evidente para todos que Portugal deveria ter feito mais no Mundial, deveria ter jogado com menos cuidados e arriscado mais. Mas se houvesse gente séria na Federação esta teria analisado a prestação portuguesa com ponderação e, sentindo necessidade de mudança, teria rescindido contrato com Carlos Queiroz nos termos legais e contratuais de boa-fé, nunca optaria por criar expedientes artificiais para finalmente poder rescindir com “justa causa” e não pagar qualquer indemnização (porque seria elevada e não há dinheiros públicos para isso).


Uma vez livres do estorvo importará garantir um seleccionador que (i) seja subserviente à “Instituição”, (ii) hostilize o FC Porto e/ou os seus atletas e (iii) promova os Quins e os suplentes do SLB em detrimento de outros jogadores emergentes de nacionalidade portuguesa. Ponto.

Para levar a cabo os seus intentos o lobby benfiquista cedo começou o seu trabalho de sapa através dos meios de comunicação social, dos seus lacaios na FPF e até de uma ajudinha do Governo. The Job is almost finished. Ainda bem porque isto já cheira mal.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

No XVIII Governo é 9-1!


XVIII Governo Constitucional:

Primeiro-ministro, José Sócrates - Benfica
Ministro da Presidência do Conselho de Ministros: Pedro Silva Pereira - Benfica
Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado - Benfica
Ministro de Estado e das Finanças: Fernando Teixeira dos Santos - FC Porto
Ministro da Defesa Nacional: Augusto Santos Silva - Salgueiros
Ministro da Administração Interna: Rui Pereira - Benfica
Ministro da Justiça: Alberto Martins - Benfica
Ministro da Economia, Inovação e Desenvolvimento: José Vieira da Silva - Sporting
Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e das Pescas: António Serrano - Benfica
Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações: António Mendonça - Sporting
Ministra do Ambiente e Ordenamento do Território: Dulce Pássaro - Sporting
Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social: Helena André - Benfica
Ministra da Saúde: Ana Jorge - Lourinhanense
Ministra da Educação: Isabel Alçada - Sporting
Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior: Mariano Gago - sem clube
Ministra da Cultura: Gabriela Canavilhas - Benfica
Ministro dos Assuntos Parlamentares: Jorge Lacão - Benfica


Quando alguém acusa o SLB de ter sido o clube do regime no tempo da ditadura, particularmente nos anos 60 e 70, os benfiquistas reagem dizendo que não senhor, que o clube do regime era o Sporting e sustentam a sua tese dizendo que a maior parte dos governantes e altas patentes militares eram do Sporting. Até dá vontade de rir, o roto a acusar o nu...

Ora, olhando para a constituição do Conselho de Ministros do XVIII Governo, verifica-se que para além do Primeiro-ministro, há mais oito ministros benfiquistas, quatro são sportinguistas e apenas um é adepto do FC Porto.
Claro que isto agora não tem qualquer influência, nem justifica que algumas más línguas digam que o SLB é o clube do regime...
Aliás, não me lembro da última vez em que vi o Nº 2 do Governo - Pedro Silva Pereira - ou o ministro das policias - Rui Pereira - sentados ao lado de Luís Filipe Vieira no camarote presidencial do estádio da Luz...

Já em termos dos líderes da oposição, há um empate 2-2 entre os clubes da 2ª circular. Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa são adeptos dos encarnados, enquanto que Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas são adeptos do clube de Alvalade.

Fonte: Record, 20 de Dezembro de 2009

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

“Nós só queremos Lisboa a arder”


"Portugal é cada vez mais um país estrangulado e centralista. Os momentos que se vivem no nosso país são extremamente delicados e difíceis para todos aqueles que querem fazer alguma coisa fora da capital do império.
Por mais pasquins que Lisboa tenha ao serviço e à promoção dos seus clubes e entidades, vamos continuar a lutar com a dignidade das gentes do Norte, com as gentes deste país, de Norte a Sul, que não se confundem com o poder centralista da capital.
O FC Porto está a mais no país que temos, mas é necessário para o país que nós queremos que Portugal seja."
Pinto da Costa, 27/11/2009

Coincidência ou não, estas declarações de Pinto da Costa na Casa do FC Porto de Amarante, foram feitas no mesmo dia em que Manuel Brito, vereador do Desporto da autarquia lisboeta, confirmou ao jornal PÚBLICO a existência de negociações com a Red Bull Portugal tendo em vista desviar a Red Bull Air Race do Porto para Lisboa. Segundo o PÚBLICO, para além da Câmara de Lisboa, os contactos da Red Bull com as entidades portuguesas têm também envolvido o Turismo de Portugal e a Secretaria de Estado de Turismo.

Perante isto, e como seria de esperar, os presidentes das câmaras municipais do Porto e de Vila Nova de Gaia já reagiram: Rui Rio de forma contida e politicamente correcta (a ambição de chegar a líder do PSD e depois a primeiro-ministro a isso obriga) e Menezes sem tibiezas, pondo os pontos nos iis.

"A empresa [Red Bull] tem todo o direito de ir para onde quer. Depois há o financiamento público e para-público de empresas públicas (...) Não estou a falar deste Governo, isto é transversal aos partidos. (...) A seguir às eleições, fomos contactados para saber se estávamos interessados em ter a prova no Porto e dissemos que sim"
Rui Rio, 27/11/2009

"É uma situação escandalosa, o Estado estar a suportar um país a duas velocidades. Não tem nada contra as pessoas de Lisboa, não tem nada contra a Câmara de Lisboa. Tem contra um atitude, mais uma, discriminatória do Estado, que directa ou indirectamente, está a esquecer-se que o Porto é fundamental para o desenvolvimento económico e social do país"
Luís Filipe Menezes, 27/11/2009


Menos soft que os políticos, foi a reacção inflamada de dois conhecidos comentadores e respeitados elementos da sociedade civil portuense:

O Porto não perdeu, o Porto foi roubado, como de costume. Como já se sabia, porque já no Verão isso foi falado, o Governo resolve subsidiar o Red Bull Air Race desde que seja realizado em Lisboa, no Tejo. O governo de hoje em dia é um governo perfeitamente colonial, que vive concentrado em Lisboa, que concentra todo o investimento em Lisboa e acha que nós somos seus colonos e seus súbditos e portanto não está interessado em investir aqui, principalmente no turismo. Tem-se visto o comportamento do governo relativamente ao fomento do turismo nesta região
Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto

"O Porto é permanentemente roubado, na medida em que há uma transferência sistemática de impostos dos cidadãos da região, para a capital do Império. Isso é uma lógica que vem de sempre. Já não temos colónias, já não temos Macau, já não temos Timor, já não temos nada desse Império, só que Lisboa continua a funcionar como uma capital imperial. Quer dizer que cada vez que algum projecto com alguma notoriedade, com algum valor para o país, como é claramente o caso do Red Bull Air Race, tinha de haver esta vontade por parte da capital do Império, de nos roubar, penso que é a palavra correcta, esta iniciativa aqui ao Norte. Acho que é uma vergonha"
Paulo Morais, ex-vereador da Câmara do Porto


Desta vez, até o Senhor Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, reagiu: "esta era uma maneira da região e as duas cidades do rio ficarem mais conhecidas não só em termos portugueses, mas sobretudo, em termos internacionais: falar-se do Porto, de Gaia, do Douro e do Norte".

Era, de facto, uma maneira de promover a nível internacional a marca Porto, Douro e Norte de Portugal, dinamizando o turismo na região, mas está visto que isso não interessa aos governantes deste país. O que é "estratégico" é promover mais e mais eventos em Lisboa, nem que sejam no mesmo dia (veja-se o caso da XIX Cimeira Ibero-Americana e da comemoração do Tratado de Lisboa). Aliás, habituados a que tudo o que se passa em Portugal tenha de ser em Lisboa, há mesmo quem olhe para estas reacções com a altivez e o desdém próprios de quem lida com "provincianos", a quem, de vez em quando, os magnânimos senhores da capital distribuem umas migalhas que sobram dos banquetes na corte. Na sua cegueira, de quem não vê para além do eixo Lisboa-Cascais, ainda não perceberam que a reacção a esta negociata não é uma tempestade num copo de água, mas sim a consequência da gota de água que faz transbordar um copo demasiado cheio.

Depois de uma década de centralismo cavaquista, que meteu a regionalização na gaveta e avançou em força com um modelo de concentração e desenvolvimento unipolar, ostentando a riqueza da nação no Centro Cultural de Belém e na EXPO'98, estamos novamente a assistir a um período em que os recursos do país são sugados para a "capital do Império" e para as mega obras para aí projectadas - aeroporto e terceira ponte. Paralelamente, verbas do QREN são roubadas ao Norte e canalizadas para Lisboa (graças a um tal efeito difusor ou "spill over") e, como o dinheiro não chega para tudo, a 2ª fase do Metro do Porto foi adiada para as calendas e o TGV irá avançar a duas velocidades (a ligação de Lisboa a Badajoz avança já, enquanto que a do Porto a Vigo ver-se-á quando avançará).

Sócrates e a sua entourage andam a brincar com o fogo. Não devem ter lido, ou se leram não perceberam, o que o jornalista Jorge Fiel escreveu no Expresso, em 13 de Agosto de 2005:
"O grito de raiva «Nós só queremos Lisboa a arder» é a expressão (grosseira) da revolta de quem se sente discriminado. A única vacina eficaz contra esta raiva é corrigir as assimetrias que desequilibram o país."

O problema é que por via da acção de sucessivos governantes pirómanos instalados no Terreiro do Paço, as assimetrias são cada vez maiores. A região rica (Lisboa) está cada vez mais rica e as pobres (Norte e Interior) estão cada vez mais pobres.

«Entalada entre o Suriname e o Brasil, na América do Sul, fica uma das duas únicas regiões dos Quinze países da União Europeia cujo índice de riqueza é mais baixo do que o do Norte de Portugal. Trata-se da Guiana francesa que, a par da zona de Dytiki Ellada, na Grécia (...) são as únicas regiões de países que entraram ao mesmo tempo (antes, no caso francês) que Portugal na União Europeia e que têm um índice de pobreza superior ao nortenho. (...) no início da década, o poder de compra das famílias nortenhas correspondia a 86% da média nacional (a região de Lisboa estava nos 137%); cinco anos depois, quase todas as zonas do Norte tinham maior poder de compra, mas esse ganho foi anulado pelo mergulho de uma só: o Grande Porto.»
in JN, Dossier ‘Norte em crise’


Nada tenho contra os "alfacinhas" e escusado será dizer que não quero ver Lisboa a arder, mas com o desemprego a alastrar no país e, particularmente, no Grande Porto e com as oportunidades a serem concentradas numa única região, não me admiraria se um dia destes já não forem apenas os Super Dragões a entoar este cântico.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

A complacência das autoridades para com o SLB

João Vale e Azevedo eleito presidente do SLB

Em 1998, o então presidente do Sport Lisboa e Benfica, João Vale e Azevedo, negociou directamente com o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais o pagamento faseado das dívidas fiscais do SLB, tendo entregue um cheque de 254 mil contos.

Contudo, em 31/10/2000 tomou posse uma nova Direcção do SLB, liderada por Manuel Vilarinho, a qual, no início de 2001, auto denunciou uma dívida fiscal gerada entre 1998 e 2000, num valor próximo dos três milhões de contos (15 milhões de euros!).

«(...) durante os anos de 1998, 1999 e 2000, a anterior Direcção do Sport Lisboa e Benfica levou o Clube a apropriar-se, usar indevidamente e, assim, não entregar ao Estado grande parte das verbas retidas na fonte, em sede de IRS, Taxa Social Única e, ainda, a maioria das recebidas para serem entregues ao Estado em sede de IVA.
(...) iniciada a actividade da Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD, e até Outubro de 2000, o Conselho de Administração dessa sociedade fez o necessário para que ela, como contribuinte, fizesse, neste domínio, rigorosamente o mesmo.
Foi durante estes anos de 1998, 1999 e 2000 que estes dois contribuintes, reiteradamente, e como descrito, deixaram de entregar ao Estado, incumprindo obrigações fiscais relevantíssimas, cerca de 3 (três) milhões de contos, ou se preferirem, 15 (quinze) milhões de euros
Comunicado oficial do Sport Lisboa e Benfica, de 4 de Julho de 2002

Perante estes factos, a primeira questão que se levanta, e que é particularmente relevante do ponto de vista desportivo, é a seguinte: tendo o SLB entregue na Liga de Clubes uma certidão em como tinha as suas dívidas regularizadas, a qual era comprovadamente falsa, porque razão, quando este facto foi do domínio público, a Liga de Clubes (liderada por Valentim Loureiro) não actuou, fazendo cumprir os regulamentos e determinando a descida de divisão dos encarnados de Lisboa?

Convém salientar que a Liga de Clubes tinha criado uma comissão para acompanhar e validar a situação fiscal dos clubes, a qual era presidida por Fernando Seara (comentador-adepto benfiquista, ex-Director do jornal do Benfica e actual presidente da Câmara de Sintra).

Fernando Seara, Programa 'Jogo Falado' da RTP1 (1999)

Para além do aspecto desportivo, há a questão do relacionamento entre um contribuinte (altamente devedor) e a Administração Fiscal. Sobre isto, é elucidativo o que a própria Direcção do SLB disse sobre este assunto:

«(...) a Administração Fiscal sabia ou não devia ignorar que eram extremamente avultados os montante das retribuições pagas aos jogadores de futebol pelo Clube e quando eram públicas as importantes e vultuosas transacções de direitos desportivos relativos a futebolistas profissionais realizadas nesses três anos, fonte da constituição de obrigações de pagamento de IVA. É inexplicável, e continua por explicar, a razão ou as razões que justificaram que, durante três anos, as entidades acima referidas nada tivessem feito apesar de nada de significativo receberem do Sport Lisboa e Benfica a título de IVA, de IRS e de Taxa Social Única
Comunicado oficial do Sport Lisboa e Benfica, de 4 de Julho de 2002

Havendo uma comissão de acompanhamento das dívidas fiscais dos clubes, criada em Março de 1998 (após o Plano Mateus), a funcionar no âmbito da secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais, por que razão foi necessário haver uma auto denúncia do infractor? Por se chamar Benfica?

«(...) o Dr. Vale e Azevedo gozou, ao longo dos três anos do seu mandato, da maior complacência por parte das autoridades do país
Comunicado oficial do Sport Lisboa e Benfica, de 4 de Julho de 2002

É, de facto, inexplicável, mas há mais. De acordo com uma auditoria efectuada pela Deloite & Touche em 2001, o SLB cometeu o crime de não ter entregue o IRS descontado nos vencimentos dos futebolistas (entregava apenas uma pequena parte).

Se assim é, porque razão o Ministério das Finanças declarou não haver motivo para um inquérito crime por abuso de confiança fiscal aos dirigentes do SLB? Porque razão teve de ser o ministro das Finanças da altura, Guilherme de Oliveira Martins, a quase intimar o director-geral dos impostos, António Nunes dos Reis, a comunicar o caso ao Ministério Público?

Guilherme de Oliveira Martins, Ministro das Finanças entre 2001 e 2002

Posteriormente, este mesmo ministro das Finanças do 2º Governo liderado por António Guterres, aceitou que se procedesse a uma inspecção para quantificar a dívida e que as notificações ao SLB fossem feitas à medida que se quantificasse a dívida de cada ano em causa.

Porque razão o Governo PS aceitou este expediente (na prática, um pagamento a prestações), quando a lei determina que uma dívida auto denunciada deve ser paga na íntegra? Pelo infractor ser o Benfica?

Estranhamente, o SLB apenas foi notificado para pagar as dívidas de 1998 quase no final de 2001, num valor aproximado de um milhão de contos (cinco milhões de euros). Mais. Apesar de ter sido o clube a assumir essa dívida, a direcção do SLB contestou-a na parte dos juros!