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terça-feira, 11 de julho de 2017

Mesma trampa, cheiro diferente

Entre outros, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, demitiu-se recentemente quando ficou claro que iria ser constituído arguido num caso de "crime de recebimento indevido de vantagem" - pessoalmente, nem sequer sabia que tal coisa era crime. Ora, no caso específico de Rocha Andrade, este é acusado do crime por ter viajado e assistido, com todas as despesas pagas, a dois jogos da seleção nacional de futebol, durante o último campeonato da Europa, a convite da Galp... empresa que mantém um diferendo com o Estado, por causa de uma dívida que a primeira se recusa a pagar ao segundo. E esse diferendo estava no domínio de competências do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Sendo certo que o seu comportamento é criticável, ninguém de bom senso acredita que Rocha Andrade se "vendesse" por uma viagem com despesas pagas (mas nunca se sabe). Mas o facto é que o Ministério Público considera, sem haver o famoso "nexo de causalidade" (porque nada está decidido em relação à tal dívida), que há indícios de crime.

Rocha Andrade, pouco talento na escolha de companhias
Pois bem, há uns certos elementos do Conselho de Disciplina da FPF, que receberam bilhetes para jogos de um certo clube... - estão a ver as semelhanças? A oferta dos bilhetes foi já confirmada por altos dirigentes desse clube, pelo que nem estamos a falar de meras suspeitas. Eu não sou de futurologias, nem adivinhações, mas diria que o Rocha Andrade e os outros secretários de Estado, estariam em muito melhor posição se tivessem antes ido ver uma "missa" à "Catedral". Na dúvida, deveriam ter conferenciado com o Centeno - nesse erro não cai ele - porque está bom de ver que para situações semelhantes, o Ministério Público terá seguramente decisões diferentes.

terça-feira, 13 de junho de 2017

O Estado Lampiânico não dorme

O sempre vigilante Estado Lampiânico aprofundou ontem, por via dos seus acólitos, a farsa em que está transformado o futebol em Portugal.

No que toca às suas forças paramilitares, nada vai mudar já que a proposta (do Porto) que previa castigos para clubes que apoiassem claques(?) ilegais, foi naturalmente chumbada.


Por outro lado, a proposta que visa despeitar os adversários (mas também zelar pela sua saúde, já que fumar faz mal!), foi aprovada.

Prevê-se em breve a aprovação de propostas para que o Estado Lampiânico tenha direito a 6 pontos por vitória, e que qualquer golo que lhe seja apontado seja punido com multa.

Por fim, é de lamentar que os votos tenham sido secretos, caso contrário poder-se-ia ficar a saber quem é que anda a ser "carregado pelo Estado Lampiânico".

sábado, 13 de maio de 2017

Aliança contra um inimigo comum

Winston Churchill e Joseph Stalin no Kremlin, Moscovo, em 1942

Havia um mundo de diferenças entre o primeiro-ministro britânico, o conservador Winston Churchill, e o secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, o ditador Joseph Stalin. Contudo, durante a II Guerra Mundial, estes dois homens souberam dialogar e estabelecer uma aliança contra um inimigo comum: Adolf Hitler.

E, a propósito desta aliança, há uma frase de Winston Churchill que ficou célebre:


Seguramente, quer Churchill, quer Estaline, sabiam que a aliança estabelecida para combater Hitler era um acordo conjuntural. Mas também sabiam que, isoladamente, seria muito mais difícil derrotar a Alemanha Nazi que, por essa altura, ocupava ou controlava (através dos seus aliados) a quase totalidade da Europa.

A Europa em 1942

Tudo isto vem a propósito da “Cimeira anti-Benfica”, conforme foi classificado, por jornalistas do “Estado Lampiónico”, o encontro entre os responsáveis pela comunicação do FC Porto e Sporting CP. Encontro que ocorreu na passada quarta-feira e do qual resultou um comunicado conjunto, onde é salientada a convergência de posições dos dois clubes em vários assuntos.

Muitos portistas consideram que esta aliança FCP-SCP é antinatural e mesmo despropositada.
Eu discordo.
E discordo, não porque confie nas boas intenções de Bruno de Carvalho, ou me tenha esquecido daquilo que ele e outros notáveis sportinguistas disseram do FC Porto, mas porque, no momento atual do futebol português, o combate ao “Estado Lampiónico” sobrepõe-se a tudo o resto.

No dia em que o “polvo encarnado” for desmantelado, então sim, esta aliança (conjuntural) entre velhos rivais deixará de fazer sentido, porque deixa de ser necessária.

Filme 'O Leão da Estrela' (1947)

Mas, não tenhamos ilusões, não é de um dia para o outro que este poder tentacular, que domina o futebol português e asfixia os rivais do SLB, será destruído. Há um longo caminho a percorrer.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

La Piovra | Penalties, expulsões e critérios



«Otávio – o primeiro a ver o cartão amarelo, aos 30 minutos, por uma falta menos grave do que algumas que sofrera antes e em que Carlos Xistra fora sempre benevolente (…)
No lance anterior ao golo, lá se viu o penálti da praxe sonegado aos azuis e brancos, com Bressan (deveria ter-lhe sido exibido o segundo cartão amarelo) a empurrar Otávio nas costas. (…)
Otávio, autor de uma bela exibição no regresso à titularidade e que se fartou de levar pancada: oito (!) faltas sofridas, mas ainda assim foi o primeiro a ver o cartão amarelo, como referimos.»
in ‘Dragão mandou para lá do Marão’, crónica do GD Chaves x FC Porto no site oficial do FC Porto



«A nossa equipa continua a três pontos da liderança da Liga Salazar e desta vez teve a felicidade de só ter sido prejudicada numa grande penalidade clara, por derrube de Otávio, imediatamente antes do primeiro golo. Dado o panorama das últimas jornadas, quase que podemos classificar a arbitragem de excelente - afinal, foi só um penálti, quando o habitual tem sido entre os dois e os três.
Quanto à expulsão de Maxi, o uruguaio teve uma entrada ao estilo das que tinha quando vestia outra camisola, sendo que deixou de beneficiar da proteção de então.
Por ser verdade, a arbitragem de Carlos Xistra foi muito, mas mesmo muito, melhor da que o FC Porto teve na última vez em que tinha jogado em Chaves, quando foi eliminado por João Capela da Taça de Portugal.
Há 15 dias, em Braga, por exemplo, houve três grandes penalidades a favor do FC Porto, que o árbitro Hugo Miguel não assinalou, ele que pelo meio assinalou - e bem - uma contra o FC Porto. Hugo Miguel esteve ontem na Luz e assinalou - e bem - um penálti a favor do Benfica. Por explicar continua a diferença de critério que faz com que a favor do FC Porto não se assinalem grandes penalidades.
Engraçado também um fora de jogo assinalado mal ao ataque do Estoril com o jogo em branco e que os "especialistas" ontem à noite na TV saltaram à frente. Viva o vídeo árbitro à la carte.»
Francisco J. Marques, em ‘Dragões Diário’ de 30-04-2017


No twitter, no site oficial, na newsletter ‘Dragões Diário’, o departamento de comunicação do FC Porto e, particularmente, Francisco J. Marques, reagiram rapidamente e bem, ao que se passou no jogo entre o GD Chaves e o FC Porto.

Além das críticas ao critério disciplinar adoptado por Carlos Xistra e ao penalti (mais um!) que ficou por assinalar a favor do FC Porto, foram feitas comparações com outros lances (noutros jogos), bem como, às diferentes decisões do mesmo árbitro (Hugo Miguel), consoante as cores das camisolas são azuis e brancas ou encarnadas.

Muito bem!
Isto chega?
Não. Aliás, o próprio texto de Francisco J. Marques, ao dizer que a nossa equipa “desta vez teve a felicidade de só ter sido prejudicada numa grande penalidade clara”, é revelador daquilo que se tem passado ao longo desta “Liga Salazar” e da impotência que os portistas sentem.

A generalidade dos portistas (pelo menos aqueles com quem eu falo), entende que o departamento de comunicação do FC Porto tem estado bem, adoptando (esta época!) uma política de comunicação forte, incisiva e agressiva q.b. Mas, já se viu, a atuação do departamento de comunicação é insuficiente para acabar com a roubalheira desta Liga Salazar.

O “polvo encarnado” tem de ser combatido nas suas entranhas. Isto é, ao nível dos diferentes órgãos da FPF – Comissão de Arbitragem e Conselho de Disciplina – e das pessoas (ex-árbitros, árbitros, observadores, delegados, etc.) que, ao longo de vários anos, foram sendo estrategicamente colocadas, para desempenhar uma “missão divina”.

Não tenhamos ilusões. O Estado Lampiónico não será derrubado apenas com comunicados. É necessário que a Direção e o Presidente do FC Porto assumam esta “guerra” publicamente, vão para o terreno e liderem o combate a outros níveis e noutros tabuleiros.