Uma análise SWOT - Mais-valias
Uma análise SWOT - Fraquezas
Uma análise SWOT - Oportunidades
4. Ameaças
a) A saída de Pinto da Costa, por tudo o que isto acarreta do ponto de vista organizacional, de competência, de estrutura, de baluarte de reserva moral. Um mito que mete respeito. É raro ter um Presidente que tenha ganho mais títulos do que os jogadores ou treinadores que contrata e isso coloca o nível de expectativa muito lá em cima, o que é excelente para quem chega. Uma das ameaças consubstancia-se, portanto, no que uma liderança como a de PC costuma trazer a uma organização quando lá não está. Espera-se, então, que o modelo de governação adoptado seja capaz de dar resposta a esta ameaça.
2) Um país de tendência centrípeta e centrífuga, em que o que não é Lisboa não é valorizado na proporção devida. Enquanto durar a lenga lenga dos 6 milhões, as TV’s, as rádios e os jornais vão continuar a achar que dar mais airplay ao SLB/SCP do que a FCP. Isto corresponde a menor valor de sponsors, menos margem de manobra na negociação nos direitos televisivos, menor potencial de angariação de novos adeptos.
3) Um país com o modelo económico que tem - na conjectura económica/social/política que tem - com as debilidades estruturais que tem. Nunca teremos o mesmo mercado de Espanha, França ou Inglaterra, também porque não sabemos, como país ex-colonizador, saber rentabilizar a nossa ligação histórica a países emergentes como Angola e Cabo Verde (falo nos que apresentam taxas incríveis de crescimento PIB por ano; de fora deixo o maior exemplo, o Brasil, porque não estou a ver que receptividade terão eles ao futebol português). Nunca seremos, por conseguinte, uma grande potência do futebol mundial como entidade auto-suficiente do ponto de vista económico como o Man Utd, o Real Madrid, o Barça ou Inter/AC Milan. Mas temos conseguido sempre competir com eles ao mesmo nível desportivo, apesar desta ameaça que é viver num país demasiado pequeno para a nossa competência.
4) A Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Neste domínio não me vou alargar, porque entendo que uma análise swot se deve dedicar àquilo que, pelo menos parcialmente, está dentro do controlo da própria organização. Sabemos, no entanto, com o que podemos contar: critérios desiguais, hidden agendas, castigos a la carte. Contra isso, nada podemos fazer. Apenas continuar a lutar para sermos os melhores, sempre, “contra tudo e contra todos”. E a vencer desde 1893.
Nota final: Em nome do 'Reflexão Portista', o nosso agradecimento à Ana Martins pela elaboração desta análise distribuída por quatro artigos. Algumas das opiniões são polémicas, o que é natural, mas a Ana Martins teve a coragem de as expressar publicamente, num blogue que no último mês foi lido diariamente por uma média de cerca de 1400 pessoas, assinando os artigos com o seu nome.

