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domingo, 22 de agosto de 2010

Há 30 Anos...o "Verão Quente das Antas"


Passam este ano 30 anos sobre o famoso Verão Quente das Antas, um acontecimento - ou série de acontecimentos - de grande importância na história do clube. Mas não pretendo historiar aqui em pormenor os eventos desse conturbado Verão, até porque a generalidade dos leitores do Reflexão Portista decerto os conhece muito bem.

Resumidamente, o que se passou foi o Presidente Américo Sá, ao iniciar novo mandato, ter substituído Jorge Nuno Pinto da Costa na chefia do Departamento de Futebol (por Luís Teles Roxo), e José Maria Pedroto ter reagido com violência e apresentado a sua demissão, no que foi acompanhado pela equipa técnica e não só. Quando começou a pré-época de 1980/81, sob o comando do austríaco Hermann Stessl, grande parte do plantel, em solidariedade com Pinto da Costa e indirectamente instigado por Pedroto, boicotou os treinos, que passou a fazer à margem, no Pinhal de Santa Cruz do Bispo, sob a orientação de Hernâni Gonçalves, o Bitaites. As coisas acabaram por se compor e os jogadores regressaram às Antas, com a excepção da estrela da companhia, António Oliveira, o qual, mercê dos bizarros regulamentos de então, conseguiu libertar-se do contrato que tinha com o clube e apareceria pouco tempo depois como treinador-jogador do Penafiel (e na época seguinte rumaria a Alvalade).

Mas os dois anos de mandato que o recém-reeleito Dr. Sá tinha pela frente não haveriam de ser coisa doce e em 1982 Jorge Nuno Pinto da Costa seria eleito presidente pela primeira vez, sem opositores (o antigo presidente Afonso Pinto de Magalhães também se candidatara, mas desistiria antes da votação).

Fundamentalmente, os acontecimentos de 1980 foram uma revolta contra o que na aparência seria um regresso a um passado em que o F.C. Porto era pacato e timorato e se deixava intimidar com a travessia da Ponte D. Luís. José Maria Pedroto e Jorge Nuno Pinto da Costa, para mim, e decerto para muitos, as duas maiores figuras da história do clube, tinham alterado radicalmente a estrutura e postura da secção de futebol e, por inerência, do próprio clube, nas mais diferentes frentes de batalha. O clube fora campeão dois anos consecutivos após 19 anos de jejum, e falhara o tri por entre habilidades que os Eduardos Barrosos, Dias Ferreiras e Ruis Oliveira e Costas deste mundo decerto há muito esqueceram (foi o Sporting o campeão em 1980). Todo esse trabalho parecia ameaçado.

Américo Sá teve, contudo, um grave erro de cálculo: pensou que Pedroto continuaria a treinar o clube e se alhearia das questões directivas. Enganou-se redondamente. O Zé do Boné foi a voz da revolta e mais uma vez mostrou o seu carácter. Bateu com a porta e abriu a boca.

Os anos passaram, a coisa sarou, o próprio Pinto da Costa, numa atitude de grande estadista do clube, sempre tratou com grande respeito o seu antecessor (foi um dos que, inclusivamente, lhe pegaram no caixão aquando do seu funeral) e com isso - e com a sua triunfante gestão, claro - conseguiu unificar a massa adepta, que tinha ficado profundamente dividida com os eventos do Verão Quente. Sim, não se pense que os opositores do Dr. Sá em 1980 faziam a unanimidade: o tempo é que se encarregou de lhes dar razão e a maioria.

José Maria Pedroto e Jorge Nuno Pinto da Costa nunca se importaram de estar até numa minoria de uma só pessoa, se em causa estivessem questões de princípio.

Ao alto: 1976: ladeado por Américo Sá e Jorge Nuno Pinto da Costa, José Maria Pedroto assina contrato com o F.C.P., pondo termo a um "exílio" de 7 longos anos

Ao meio: António Oliveira, "Sandokan das Antas", um dos maiores produtos de sempre da formação do F.C.P., campeão nacional pelo clube como jogador e como treinador.