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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Lille, Monaco e a propaganda lisboeta

«O treinador português Leonardo Jardim, do Monaco, reconheceu esta quarta-feira que “os objetivos iniciais eram muito ambiciosos”, sobretudo depois de ter “perdido” jogadores como Falcao, James Rodriguez, Rivière e Obbadi.
Questionado, em conferência de imprensa, se o clube mantinha os mesmos “alvos” da época passada – luta pelo título e oitavos de final da Liga dos Campeões –, o técnico respondeu negativamente: “Os objetivos perderam um pouco de força, mas a equipa mantém-se ambiciosa”. (…)
Jardim considerou-se “satisfeito” com o fim do mercado, “por duas razões: porque o Monaco perdeu cinco titulares, os seus três melhores goleadores e o seu capitão, por um lado, e porque agora os jogadores estão completamente concentrados no seu trabalho”.»
in record.pt, 10-09-2014


Notoriamente, o AS Monaco está num processo de brutal desinvestimento e de decomposição da equipa ambiciosa que tinha começado a ser montada na época passada.

Consequentemente, as quatro primeiras jornadas do campeonato francês, que incluíram um AS Monaco x Lille na 4ª jornada, mostraram que, neste início de época, o Lille é claramente melhor equipa que o Monaco.

Contudo, quem lesse a comunicação social lisboeta, após o sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, ficava convencido que o FC Porto tinha eliminado uma equipa francesa fraquinha no play-off (o Lille), enquanto que o SLB vai defrontar um colosso europeu na fase de grupos (o AS Monaco).

Evidentemente, isto não tem nada de novo ou surpreendente. A comunicação social lisboeta é coerente e a lógica da sua propaganda é sempre a mesma: desvalorizar as equipas que o FC Porto defronta e hipervalorizar os adversários europeus do SLB.

E já sabemos, se a equipa de Jorge Jesus voltar a ficar em 3º lugar do grupo, a Liga Europa passa a ser, automaticamente, uma competição de grande nível…

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

À chuva também ganhamos

Brahimi (fonte: LUSA)

O dia de hoje mais parecia de Inverno. Nublado, chuvoso, daquela murrinha chata que parece que não molha, mas molha (eu fui a pé e quando cheguei ao meu lugar estava encharcado).
E os primeiros 45 minutos foram como o dia. Cinzentos, ao ponto de alguns adeptos portistas terem manifestado o seu descontentamento assobiando.

Um dos alvos dos assobios foi Óliver Torres, que é uma "pérola", que tem sido dos melhores, mas que a meio da 1ª parte do jogo de hoje parecia perdido.

Outro jogador que hoje esteve irreconhecível foi Rúben Neves, ao ponto de ter oferecido um golo ao Lille, que Maicon (grande jogo!) salvou in extremis. A sua substituição por Evandro só pecou por tardia.

Ironicamente, o médio mais regular e aquele que, ao longo de todo o jogo, se exibiu num patamar mais elevado, foi o "patinho feio" Herrera. Quando os miúdos (Óliver Torres e Rúben Neves) pareciam assustados e desapareceram do jogo, foi Casemiro e, principalmente Herrera, quem segurou a equipa, vindo atrás, levando a bola para a frente, surgindo nas alas e pressionando os adversários.
E se na 1ª parte Herrera foi o melhor dos médios portistas, na 2ª parte a exibição deste internacional mexicano foi de grande nível. Só lhe faltou voltar a marcar ao Lille, o que esteve quase para acontecer em duas ocasiões e seria mais do que merecido.

Herrera (fonte: LUSA)

Não marcou Herrera, mas marcou Jackson. O terceiro golo em quatro jogos oficiais. Um golo à ponta-de-lança, finalizando de forma colocadíssima, após um entendimento perfeito com Brahimi.
Jogo após jogo Jackson demonstra que a sua renovação (nos moldes em que foi feita) foi, talvez, a melhor "contratação" que o FC Porto fez para esta época.

E que dizer do "mago" argelino?
Não me quero precipitar mas, depois da exibição de hoje e por aquilo que também já vi noutros jogos, Brahimi parece ter tudo para ser um digno sucessor de outro argelino que, há quase 30 anos atrás, vestiu de azul-e-branco: Rabah Madjer.

À chuva (com a cobertura amovível do Estádio do Dragão, que não existe, aberta...) e com o relvado bem molhado, o FC Porto voltou a ganhar. Ponto final... para o Lille.

P.S.1 Tal como já tinha acontecido em Lille, no jogo da 1ª mão, o FC Porto voltou a ser prejudicado por um erro grave de arbitragem (felizmente sem consequências no resultado da eliminatória). Com o resultado em 0-0, o árbitro norueguês Svein Oddvar Moen fez "vista grossa" a um agarrão que desequilibrou Jackson dentro da área e não assinalou o penalty (claríssimo) que se impunha.

P.S.2 Hoje não jogaram Quintero, Quaresma, Tello, Adrián López e Aboubakar. Do meio campo para a frente, o FC Porto tem qualidade para dar e vender.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Atenção ao Lille fora de casa

Na conferência de imprensa de antevisão do FC Porto x Lille de amanhã, Julen Lopetegui chamou à atenção para um aspeto importante:

[O Lille] é uma equipa que joga melhor fora do que em casa.
É um rival que não perdeu nas visitas ao Mónaco ou ao Paris Saint-Germain no ano passado.

Fui confirmar e, de facto, no campeonato francês da época passada, o Lille empatou 1-1 no Mónaco e 2-2 em Paris.

Jogos do Lille fora de casa no campeonato 2013/2014 (fonte: zerozero)

Mais. Em 19 deslocações para a Liga francesa 2013/2014, o Lille perdeu apenas quatro vezes (a última derrota fora de casa foi no início de Fevereiro!) e sofreu apenas 16 golos (média de 0,84 golos sofridos nos jogos fora de casa).

E se juntarmos a estes números os do início desta época…

Jogos do Lille fora de casa na época 2014/2015 (fonte:zerozero)

… não há dúvida que estamos perante uma equipa cujo modelo de jogo está bem trabalhado e adaptado aos jogos fora de casa.

Assim sendo, para além dos "mistérios" do jogo da 1ª mão, esta é mais uma razão para os jogadores do FC Porto estarem alerta.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Mistérios de Lille

1. Um jogo disputado num “pavilhão”

O JOGO
O que terá levado a UEFA a concordar com a pretensão do Lille, de disputar o jogo contra o FC Porto com a cobertura amovível do Estádio Pierre Mauroy fechada?

As coberturas amovíveis (nos estádios que as têm) servem para preservar os relvados e proteger os espectadores das agruras do Inverno, nomeadamente quando está a nevar e/ou se registam temperaturas negativas.

A questão é que o Lille x FC Porto foi disputado em pleno Agosto, num dia em que nem sequer se registaram aguaceiros e com uma temperatura exterior à hora do jogo de 12 graus centígrados (excelente para a prática de um jogo de futebol).

Eu compreendo que os dirigentes do Lille quisessem “abafar” os jogadores do FC Porto (pouco habituados a jogar em “pavilhões”).
Eu sei que, num estádio fechado, 30 mil espectadores a gritar parecem o dobro e poderiam impressionar uma equipa com uma média de idades inferior a 23 anos.
Mas pensava que a UEFA, apesar de ser liderada pelo francês Michel Platini, era isenta (cof, cof, cof…).


2. Uma arbitragem “inteligente”

O que terá levado o senhor Bjorn Kuipers a, logo aos 6 minutos, amarelar um defesa do FC Porto (Danilo), num lance de bola dividida, sem perigo para a integridade física do adversário e em que não foi anulada qualquer jogada de perigo?

O que terá levado o mesmo Bjorn Kuipers a, por exemplo, aos 30 minutos, nem sequer assinalar falta, num lance em que o francês Gueye entra de pé em riste sobre Maicon, atingindo-o de forma perigosa (podia ter provocado uma lesão grave)?

Aos 28 minutos, numa altura em que o resultado estava em 0-0, Jackson foi ostensivamente agarrado e puxado por Basa em plena área do Lille, quando tentava cabecear uma bola.
Dos cinco árbitros holandeses, as imagens da transmissão televisiva mostraram que, pelo menos o árbitro de baliza, estava a olhar para os dois jogadores e viu perfeitamente.

Perante um lance desta clareza, o que terá levado o senhor Bjorn Kuipers (um árbitro do grupo de elite da UEFA, que arbitrou a última final da Liga dos Campeões) a não assinalar a grande penalidade que se impunha?

Bjorn Kuipers expulsa Rolando (Supertaça Europeia 2011/2012)

Nota: Para quem não se lembra, Bjorn Kuipers é o mesmo árbitro que, há três anos atrás, no dia 26 de agosto de 2011, na final da Supertaça Europeia entre o FC Barcelona e o FC Porto, não assinalou um penalty óbvio sobre Guarín (e que seria uma oportunidade flagrante para o FC Porto reestabelecer a igualdade no marcador).


Para além do valor do Lille, uma equipa com uma boa organização defensiva e que aposta no erro do adversário, é também por causa deste tipo de "mistérios" que estou de pé atrás em relação ao jogo da 2ª mão.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Superioridade absoluta

Lille x FC Porto (foto: LUSA)

Uma sólida exibição, uma justissima vitória e um apuramento no bolso. O FC Porto volta de Lille com a sensação de que só algo muito estranho poderá impedir estar no sorteio da fase de grupos da Champions League. A vitória tem ainda mais método tendo em conta a qualidade dos franceses, uma equipa que defende muito bem e está rotinada, contra um projecto novo e que se manejou bem no jogo de espaços curtos que o Lille concedeu a contra-gosto. Lopetegui mudou a abordagem, viu os dragões controlarem o jogo mas só quando abriu o campo se encontrou com o golo da vitória marcado por aquele que foi, precisamente, o mais fraco elemento em campo. O resultado é justo, sobretudo porque escassearam as oportunidades, o único senão da noite. Jackson continua demasiado só.

O FC Porto entrou muito bem. Com autoridade e vontade de se impor, sendo fiel ás palavras de Lopetegui na véspera. O treinador espanhol abdicou das alas e colocou Brahimi e Oliver - essencialmente interiores - a abrir o campo. Fê-lo sabendo que o Lille ia fechar-se bem atrás e deixaria poucos espaços para grandes galopadas. Com o apoio da guarda pretoriana composta por Casemiro, Herrera e Ruben (que grande jogo, mais uma vez), os azuis-e-brancos encostaram o Lille contra as cordas. Em momentos de posse a equipa jogava em 3-4-3 com os dois laterais bem abertos e Casemiro a recuar para dar inicio ao jogo. Ruben, Oliver e Brahimi iam combinando. Os problemas chegavam com a conexão Herrera-Jackson. O mexicano foi o pior jogador em campo. Correu muito mas sem critério e raramente se soube associar ao colombiano. Jackson esteve sempre só. Passou o mesmo contra o Maritimo. É um predador, um dos melhores goleadores da história recente do clube. Mas precisa de quem o assista. Os seus melhores sócios - Quaresma e Tello - estavam no banco. De certa forma, Martinez sofre o mesmo mal de todos os avançados das suas características no esquema que Lopetegui quer impor e que é fiel ao ideário do "tiki-taka". Passou o mesmo com o Barcelona, com Mandzukic no Bayern e com Diego Costa e Negredo com Del Bosque. Jogadores que não entonam no concerto colectivo de constantes trocas de bola, que se perdem a recuar linhas e que sem ter passes rápidos no espaço perto da zona da área vão perdendo influência. Martinez cresceu quando Tello entrou. Não foi coincidência. O golo partiu de um passe do extremo e um primeiro remate de Jackson brilhantemente defendido por Eneyma que Herrera rematou na recarga. Pouco depois Tello, numa rápida diagonal, isolou Jackson que podia ter ampliado a conta. Estava em fora-de-jogo, o disparo foi á figura, mas o lance não valeu.

Jackson Martinez (foto: LUSA)

O golo foi mais do que merecido face á superioridade dos dragões mas o Lille teve as suas opções. A defesa ainda sofre com o esquema táctico no posicionamento em campo nas perdas de bola. Maicon esteve imenso mas antes do intervalo Corchia esteve a ponto de levar os franceses a ganhar para os balneários. Não era justo e não aconteceu. O Porto entrou a matar na segunda parte, marcou e controlou a partir de aí um resultado extremamente favorável. Lopetegui nunca arriscou muito. Colocou Tello para abrir o campo mas optou por tirar Brahimi - mais perdido hoje na ala, como Oliver - e a poucos minutos do fim lançou um Quaresma que não parecia contente. Lopetegui esteve acertado na decisão. Quaresma, neste modelo, dá menos à equipa do que o seu natural virtuosismo compensa. Terá de demonstrar ser capaz de fazer algo mais do que sacar coelhos da cartola para somar minutos de jogo. Nem ele nem Adrian parecem fazer parte do leque de protagonistas que Lopetegui elegeu no inicio da temporada. O oposto de Ruben.
A Europa está a salivar com a jovem promessa e com bons motivos. O golo começou num golpe de génio seu. O dinamismo ofensivo da equipa também passou sempre pelos seus pés. Com 17 anos é cada vez mais uma certeza e o mérito é de Lopetegui, que o lançou depois de um grande Europeu de sub17. O tempo dirá se a aposta se prolonga mas para o jogador estes minutos valem ouro. E tem-nos merecido.

Lopetegui (foto: LUSA)

Superiores em todos os momentos do jogo, os azuis e brancos voltam á Invicta sentindo-se superiores. No Dragão a organização defensiva do Lille será inconsequente se o ataque não responder á altura. Talvez vejamos mais de Marcos Lopes, chamado, como Ruben, a liderar o futuro de Portugal. Mas isso dará também os espaços que Tello ou Quaresma, seguramente mais protagonistas, saberão aproveitar. Há ainda muito por melhorar, sobretudo nos processos defensivos e na conexão entre o ponta-de-lança com o meio-campo. Na ausência de um avançado móvel, como Lopetegui gostaria de ter (em Espanha tinha Rodrigo e Morata para esse papel), Jackson terá de se habituar a mover-se mais e os seus colegas terão também de dar um passe em frente na zona de decisão e oferecer-lhe mais a bola em situações de remate. Só isso impedirá o Porto de ser uma equipa implacável no controlo de jogo mas inofensiva na criação de oportunidades de golo. Ainda assim, os sinais são positivos. Tudo está bem encaminhado para uma nova presença na fase de grupos.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Lille na rota dos milhões

Os possíveis adversários do FC Porto no play-off da Liga dos Campeões 2014/2015 eram estes...

Possíveis adversários do FC Porto no play-off (fonte: O JOGO, 07-08-2014)

... mas não se pode dizer que o sorteio tenha sido favorável (penso que as preferências da esmagadora maioria dos portistas iam para o Standard Liège ou FC Copenhaga).


A rota dos milhões vai passar por Lille (a 20 de Agosto)...


... mas não será fácil e, tudo indica, que teremos uma eliminatória equilibrada entre o 3º classificado do campeonato português e o 3º classificado do campeonato francês (atrás dos "inalcançáveis" PSG e AS Monaco) da época 2013/2014.

Escusado será dizer o quão é importante, para este "novo FC Porto", chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões 2014/2015.

«Na última temporada, a participação [do FC Porto] nas competições europeias valeu 15,5 milhões de euros (já com o market pool incluído), mesmo com a eliminação precoce na fase de grupos da Champions – a Liga Europa pouco contribuiu para o bolo final. Esta época, o FC Porto receberá 2,1 milhões de euros só pela participação neste play-off, verba à qual acrescerá, na eventualidade de apuramento, a de 8,6 milhões pela presença na fase de grupos. Ou seja, em jogo nesta eliminatória estão, no mínimo, 10,7 milhões de euros de receitas diretas, que crescerão com os pontos acumulados nos seis primeiros jogos da prova.»:
in O JOGO, 07-08-2014