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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A outra cadeira de sonho

Adeptos Portistas no Dragão Caixa (clicar na foto para ampliar)

Porque o FC Porto não é só Futebol.

Porque as modalidades coletivas de pavilhão fazem parte da gloriosa história do FC Porto.

Porque treinadores e atletas de Andebol, Basquetebol e Hóquei em Patins, quando envergam a nossa camisola o fazem, na sua esmagadora maioria, com total dedicação.

Porque no Dragão Caixa se sente a Alma Portista.

Porque o Dragão Caixa é a nossa segunda casa (para alguns Portistas é mesmo a primeira).

E por tantas outras razões, chegou a hora de renovar o Lugar Anual no Dragão Caixa para a época 2017/2018.

O Lugar Anual (exclusivo para sócios), para as três modalidades, tem um custo de 128 euros, abrangendo todos os jogos disputados no Dragão Caixa para o campeonato, Taça de Portugal e competições europeias.

O Lugar Anual para uma das modalidades tem um custo de 48 euros.

Espero que, ao longo da época 2017/2018, os sócios e adeptos do FC Porto regressem em força e encham mais vezes o Dragão Caixa.

Porque alta competição não é só no Futebol.

Porque o FC Porto não é só Futebol.

E porque para nós, Portistas, há outras cadeiras de sonho.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Sócio, estás convocado!

Moncho López e alguns dos adeptos do sector S4 (Junho de 2011)

Vencemos na nossa casa, com os nossos adeptos, que foram incansáveis no apoio. (...) Nos jogos em casa, há muito que me arrepio com os adeptos, que merecem muito o título. Nem é a questão do número, mas sim da paixão. O grupo que está atrás do nosso banco é fantástico, incansável.”
Moncho López, 03-06-2011


Contra todas as previsões, o FC Porto foi campeão nacional de basquetebol na época passada (2015/2016), interrompendo um ciclo de vitórias do SLB, equipa que tinha (e continua a ter) um orçamento muito superior ao nosso.
Provavelmente, muitos portistas nem saberão.

No início desta época, o FC Porto conquistou a Supertaça de Basquetebol, voltando a derrotar (por 84-70) os encarnados de Lisboa.
Provavelmente, muitos portistas nem saberão.

Após a disputa dos primeiros 22 jogos (todos contra todos) da fase regular da Liga Portuguesa de Basquetebol, o FC Porto ocupava a 1ª posição.
Provavelmente, muitos portistas nem saberão.

Após a disputa da totalidade dos jogos da fase regular (32 = 22+10), o FC Porto terminou em 1º, o que lhe garante a vantagem (teórica) do fator casa nas eliminatórias dos Play-offs.
Provavelmente, muitos portistas nem saberão.

O FC Porto iniciou os Play-offs (1/4 finais) no passado dia 5 de Maio, tendo como adversário a Ovarense. Todas as eliminatórias dos Play-offs são disputadas à melhor de cinco jogos, mas os dragões precisaram apenas de disputar três jogos, dois no Dragão Caixa e um no Arena Dolce Vita, para eliminar a equipa de Ovar com um parcial de 3-0 (95-72; 92-63; 97-68) e seguir em frente.
Provavelmente, muitos portistas nem saberão.

Eu digo que nem saberão, porque a esmagadora maioria dos adeptos portistas (e dos dirigentes, e dos adeptos-comentadores) parecem estar apenas focados na equipa de futebol e cada vez mais alheados dos atletas, treinadores e equipas das restantes modalidades do FC Porto, algo que já era visível em anos anteriores, mas foi ainda mais notório ao longo desta época.

Qual será a percentagem dos adeptos (e dirigentes!) do FC Porto, que conhecem os atletas da equipa de basquetebol e, por exemplo, sabem o respetivo nome e em que posição jogam?

De facto, na mesma época em que a equipa de futebol jogou na “fortaleza do Dragão” e, nos jogos fora, foi acompanhada por uma maré de adeptos azuis-e-brancos, a equipa de basquetebol disputou a maior parte dos jogos em casa num pavilhão cheio de… cadeiras vazias.

E pior, no dia 23 de Abril, no último jogo em casa da fase regular, em que foram precisos dois prolongamentos para derrotar uma muito competente equipa do Vitória de Guimarães (por 101-96), chegados ao final do 4º período, assisti atónito à debandada de muitos dos poucos adeptos presentes.
No momento mais crítico do jogo, ver dezenas de adeptos portistas a abandonarem a sua equipa de basquetebol, para não perderem um minuto do jogo FC Porto x Feirense, que ia começar no estádio ao lado, é algo que não consigo compreender.

Há excepções?
Claro que há e nestes tenho de referir o grupo de adeptos que Moncho destacou em Junho de 2011 (e que seis anos depois são praticamente os mesmos).

Adeptos no jogo FC Porto x Juventus Utena (em 27-09-2016)

Para quem não sabe, eu recordo que esta Equipa é a única equipa sénior coletiva do FC Porto que, esta época, pôde ostentar o escudo de campeões nacionais na gloriosa camisola azul-e-branca.

Pendão de campeão nacional de basquetebol pendurado no Dragão Caixa (foto: José Lacerda)

Mas, independentemente de serem os atuais campeões nacionais, este treinador, estes jogadores, este grupo de trabalho, esta EQUIPA são campeões na entrega, na garra, na atitude com que defendem as nossas cores.

E nós, adeptos do FC Porto, como é que retribuímos?
Vamos continuar a “apoiar” esta Equipa à distância, em casa, a ver os jogos pela televisão?
Então a nossa equipa, a Equipa de basquetebol do FC Porto, lutou arduamente para ser a melhor da fase regular do campeonato, de modo a poder beneficiar do fator casa nos Play-offs, e depois essa vantagem traduz-se num pavilhão semi-vazio?
Portistas, isto faz algum sentido?

Porque o FC Porto não é só futebol, faço daqui um apelo aos Portistas, a todos os Portistas (*) – aos sócios em primeiro lugar, mas também aos adeptos não-sócios, aos membros das claques e aos dirigentes do Clube: no próximo fim-de-semana, sábado e domingo, vamos encher o Dragão Caixa (não é difícil, são apenas cerca de 2000 lugares) nos dois primeiros jogos das meias-finais do Play-off.

Vamos trocar o sofá por uma cadeira de sonho no Dragão Caixa. Vamos ser o sexto jogador e ajudar a nossa Equipa de basquetebol neste caminho para a Final do Play-off.

Equipa técnica e plantel (**) da época 2016/2017 (foto: FC Porto)

Portistas, se ajudarmos os atletas do FC Porto a ganhar, estaremos a ajudar-nos a nós próprios, porque eles trazem o nosso emblema ao peito, eles representam as nossas cores, eles são a nossa extensão dentro do campo.

POOOOOOOOOOOOORTO!


Nota: Só logo à noite, após o jogo Vitória SC x Galitos Barreiro, será conhecido o adversário do FC Porto nas meias-finais do Play-off. No entanto, o 1º jogo das meias-finais já está agendado para as 15h00 do próximo sábado.

(*) Este apelo é dirigido a todos os Portistas mas, naturalmente, será mais fácil de ser correspondido por quem mora no Porto ou nos concelhos limitrofes.

(**) Na foto do plantel faltam dois jogadores - José Silva e Miguel Queirós - porque quando a mesma foi tirada estavam ao serviço da seleção nacional.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A vertigem do declínio

Fico furioso quando os sócios assobiam os jogadores.

Ontem, foram muito pacientes.

Perante uma exibição confrangedora, aguentaram que nem heróis. Fazia parte do grupo e assisti a corajosamente até ao fim. Alguns lenços brancos dirigidos ao treinador e uns quantos assobios. Há cansaço e medo do futuro. O povo portista sente-se desolado e sai cabisbaixo do Dragão: talvez considere que o FCP bateu no fundo e ficou lá.

Na noite passada, o FCP mostrou a inoperância habitual. Não há intensidade, velocidade, agilidade e criatividade. Passe para o lado, pressão frágil, sem alas nem laterais para esticar o jogo, sem profundidade, sem jogo interior: um bocejo para quem assiste. Um jogo macilento que afasta quem gosta de futebol. E como não há pulmão para a raiva castigar o adversário, a bola anda de cá, para lá a toda a largura, devagar, devagarinho, para parecer que os actores se movem. E ficámos angustiados porque percebemos que só chegaremos ao golo por acidente ou por bondade dos deuses que também nos viraram as costas.

O FCP sofre de esgotamento: do modelo do negócio, do modelo de jogo e da extrema penúria dos cofres. A dívida é brutal e os dirigentes afundam-se na repetição das práticas que nos levaram para próximo da falência, desportiva e financeira.

O treinador continua a ser o mal maior para um vasto auditório. É tempo de dar um passo em frente e pôr em causa o trabalho da SAD. 146 milhões de euros depois, o nosso Porto continua uma pálida sombra da sua imagem. Até os miúdos parece que desaprenderam. Ruben Neves é apenas um exemplo. O nosso clube, por este andar, passará a ser um cemitério de treinadores e jogadores. Lá em cima, pacientemente, quem nos dirige vagueia até aos balneários para ficar tudo na mesma.

Temo que se apodere do clube uma espécie de fatalismo que se entranha e paralisa a mudança. Sou o sócio nº 329 e vivi esses momentos no passado. Temos de evitar que este declínio se instale.

Ousemos agir, a bem do nosso amado clube.

sábado, 5 de novembro de 2016

Apelos à união…

Angelino Ferreira durante uma sessão de apresentação das contas do FC Porto

declarações de Pinto da Costa, na AG do Clube de 03-11-2016


Conforme a generalidade dos portistas sabem, o Dr. Angelino Ferreira não é um portista ou um sócio qualquer.
Angelino Ferreira foi dirigente do Clube e da FC Porto SAD durante cerca de 20 anos (no período entre 1994 e 2014), onde exerceu cargos de grande importância.
Em 1997, esteve na génese das sociedades anónimas desportivas em Portugal e, particularmente, da criação da FC Porto SAD e de todas as restantes sociedades do grupo FC Porto.
Mais tarde, por volta do ano 2000, foi ele que assumiu a responsabilidade de projetos cruciais para o futuro (presente) do FC Porto, como sejam o Estádio do Dragão (ligado ao Plano de Pormenor das Antas) e o Centro de Treinos e Formação de Gaia.

Angelino Ferreira: PPA (2002), Estádio do Dragão, Portomania (2005)

Há dois anos e meio, depois de ter dado uma entrevista a defender a necessidade da FC Porto SAD baixar a massa salarial do plantel, Angelino Ferreira demitiu-se do cargo de administrador financeiro por, segundo o próprio, a estratégia que defendia para a gestão do FC Porto, não ser coincidente com a que era preconizada pela maioria da restante administração da SAD.

Pinto da Costa, Angelino Ferreira e outros altos dirigentes do FC Porto

Daí para cá, Angelino Ferreira já deu algumas entrevistas (por exemplo esta ao JN, em dezembro de 2014), onde tem chamado à atenção para diversos problemas e alertado os portistas para o que pode acontecer se o rumo atual se mantiver.

Na entrevista mais recente, publicada no semanário Expresso (em 29 de outubro passado), Angelino Ferreira comentou o prejuízo recorde da SAD (quase 60 milhões), falou na saída do CEO do futebol (Antero Henrique), na opção da administração da FC Porto SAD em não vender jogadores quando, supostamente, tinha propostas milionárias (de 95 milhões de euros), etc.

Contudo, aquilo que parece ter enfurecido Pinto da Costa foram as referências às comissões pagas pela FC Porto SAD e, particularmente, por Angelino Ferreira ter dito que o pagamento de comissões à empresa do seu filho (Alexandre Pinto da Costa) era “uma situação que levanta questões de ética” e que “mesmo que não haja conflito de interesses legais, há questões de transparência”.

Estas afirmações são perfeitamente legitimas, nada têm de insultuoso e eu, José Correia, sócio nº 10839 do Futebol Clube do Porto, subscrevo-as a 100%.

Mais. Em lado nenhum da entrevista que deu ao jornal Expresso, o Dr. Angelino Ferreira disse algo que justificasse o ataque violento e insultuoso de que foi alvo por parte do presidente Pinto da Costa, na última assembleia geral do Clube.
E pior, com uma raiva incontrolada, o presidente Pinto da Costa foi ao ponto de dizer que portistas como o Dr. Angelino Ferreira eram piores que os inimigos externos do FC Porto.
L-A-M-E-N-T-Á-V-E-L!

Angelino Ferreira numa sessão na Euronext

Como é que alguém que centra o seu discurso no ataque a portistas, pode apelar à união de todos para o clássico de amanhã?

Felizmente, este ataque ao Dr. Angelino Ferreira mereceu poucos aplausos dos sócios do Futebol Clube do Porto presentes na última assembleia geral. De facto, ao contrário do que era habitual até há uns anos atrás, houve intervenções de outros associados que foram muitíssimo mais aplaudidas do que esta triste e lamentável intervenção do presidente Pinto da Costa.

Apesar deste discurso divisionista do líder, estou certo que amanhã, numa “batalha” importantíssima contra o nosso grande rival, todos os portistas estarão unidos e do mesmo lado.

VIVA O FUTEBOL CLUBE DO PORTO!

sábado, 16 de abril de 2016

A participação dos sócios

«As urnas abrem às 10.00 e encerram às 22.00, horário de Portugal continental. Os sócios do Benfica poderão votar no Estádio da Luz, em Lisboa, nas Casas do Benfica de Famalicão, Évora, Coimbra ou Faro ou através da Internet, para sócios residentes nas regiões autónomas e estrangeiro
in DN, 27-10-2012

Em Outubro de 2012, o SLB atravessava um período desportivo difícil, após um conjunto de derrotas muito dolorosas (para eles) nos dois campeonatos anteriores – 2010/11 e 2011/12.
Luís Filipe Vieira era objeto de alguma contestação pública mas, apesar disso, a Direção encarnada criou condições para que houvesse uma grande participação dos sócios nas eleições do clube, disponibilizando vários locais de maior proximidade, bem como, métodos eletrónicos de votação.
Assim, para além dos sócios do SLB que vivem na Área Metropolitana de Lisboa e que puderam votar no pavilhão da Luz, os que vivem no Norte puderam votar em Famalicão, os que vivem no Centro em Coimbra, os que vivem no Alentejo em Évora e os que vivem no Algarve em Faro.
Quanto aos sócios que vivem nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, ou em países estrangeiros, esses puderam votar através do website oficial do clube.

Como resultado, essas eleições do clube da Luz registaram o maior número de sempre de votantes (22676), os quais, para além de poderem votar na(s) lista(s) concorrente(s), também puderam votar em branco (sim, apesar de haver duas listas, 3,15% dos sócios benfiquistas que exerceram o seu direito votaram em branco).


Amanhã vão realizar-se eleições no FC Porto e, lamentavelmente, as condições em que as mesmas vão realizar-se são muito diferentes.

«As eleições para os órgãos sociais do FC Porto efetuam-se domingo, 17 de abril, entre as 10 e as 19 horas. As urnas estarão colocadas na Tribuna VIP da bancada nascente, “Tribuna VIP de Sócios”, entrada pela porta 16 do Estádio do Dragão.»

Ou seja, os sócios do Futebol Clube do Porto que vivem em Trás-os-Montes, na região Centro do país, na zona de Lisboa ou no Algarve, se quiserem votar, terão de se deslocar ao Porto. E já nem falo naqueles que vivem nas ilhas ou no estrangeiro. Não há dúvida que isto é um enorme incentivo à participação dos sócios…

Já agora, na perspectiva da atual Direção, para que servem as dezenas de casas do FC Porto espalhadas pelo país?

Pinto da Costa na Casa do FC Porto de Cantanhede (foto: Paulo Novais, LUSA)

Para o presidente descerrar lápides com o seu nome e discursar nas respetivas (re)inaugurações?
Para justificar o pelouro do vice-presidente Alípio Jorge?
Para encher camionetas e trazer “clientes” aos jogos disputados no Estádio do Dragão?

Relativamente ao boletim de voto e à impossibilidade dos sócios do Futebol Clube do Porto votarem em branco (originalidade que deve ser caso único a nível mundial), o presidente da assembleia geral, Dr. Miguel Bismarck, em declarações esta semana ao jornal Record, referiu o seguinte:

É um pormenor [possibilidade de votar em branco] que, naturalmente, pode ser ponderado numa próxima revisão dos estatutos do clube. Vou oferecer-me para fazer parte da comissão que se formar para proceder a essa revisão, pois é preciso fazê-lo, rever os estatutos e aperfeiçoar o regulamento eleitoral, pois há matérias reguladas nos dois documentos


Não percebo. Era assim tão complicado haver um boletim de voto normal, isto é, um boletim com quadradinhos para os sócios porem (ou não) uma cruz?
E se essa "inovação" implicava rever os estatutos e "aperfeiçoar o regulamento eleitoral", por que razão isso ainda não foi feito?

Há muito boa gente (portistas, claro!) que enche o peito para dizer que temos um estádio cinco estrelas, o primeiro a nível mundial a ter certificação ambiental, que temos o melhor museu de clubes do mundo, que somos os maiores das redes sociais, etc. mas, meus caros, em termos de “devolver o clube aos sócios” e criar condições para uma muito maior participação dos sócios/adeptos na vida do clube, continuamos com os velhos métodos de sempre.

quinta-feira, 10 de março de 2016

SMS do dia - poucos mas bons

A menos de uma semana de uma A.G. Extraordinária do FCP (clube), a e-newsletter para os adeptos portistas (Dragões Diário) ainda não se lembrou de a mencionar.

Estou certo tratar-se de um mera distração, até porque certamente que o Francisco Marques vai concordar que muito provavelmente é um assunto mais importante para os sócios do que por exemplo relembrar jogos particulares contra o Leixões em 1929 ou a fixação de um bando de reformados finlandeses em Portugal.

No entanto o esquecimento não deixa de ter - coincidentemente - a sua utilidade, já que o espaço sistematicamente escolhido para as AGs é pequeno (presumo que o Dragão Caixa tenha eventos mais importantes agendados) e não dá jeito que apareça demasiada gente senão não há espaço para todos, ia ser uma chatice. 

Mesmo assim espera-se uma assistência suficiente (basta uns duzentos ou trezentos; ou seja, uns 0.3% dos sócios) para encher o espaço - de forma que os sócios presentes vão estar bem aconchegadinhos, juntos uns aos outros. Calha bem, afinal de contas o Inverno ainda não acabou.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Breves notas da AG do Clube

Ontem à noite realizou-se uma Assembleia Geral Ordinária do Futebol Clube do Porto.

Como seria de esperar e (infelizmente) se tornou habitual, esteve presente um número reduzido de Associados. E fiquei com a ideia, de que uma parte significativa dos (poucos) Associados que estiveram presentes estão, de algum modo, ligados à estrutura ou órgãos sociais do Clube (Conselho Superior, empresas do Grupo, Apoio/Secretariado, etc.).

Eu fui um pouco mais cedo, para poder dar uma vista de olhos aos Relatórios e Contas Individual e Consolidadas, mas o tempo disponível foi insuficiente para poder fazer uma análise com o rigor desejável.

Capa do Relatório e Contas 2013/2014

E isto leva-me a uma questão: Por que razão o Relatório e Contas do Clube não é disponibilizado (em formato PDF) no website oficial, uns dias antes da Assembleia Geral?

É algo que não tem custos, seria simples de fazer, permitiria aos Associados (que tivessem interesse) estarem melhor informados e, aqueles que se deslocassem à AG, poderiam (se assim o entendessem) interpelar a Direção do Clube de uma forma mais fundamentada.

Rendimentos Operacionais do Exercício (fonte: Relatório e Contas 2013/2014)

Gastos Operacionais do Exercício (fonte: Relatório e Contas 2013/2014)

Nota final: Gostaria de destacar e elogiar a forma aberta como o Dr. Miguel Bismarck conduziu a Assembleia Geral, permitindo a intervenção de todos os Associados que manifestaram interesse para tal, incluindo intervenções algo deslocadas do contexto, visto ser uma AG do Clube e não da SAD.



quinta-feira, 16 de outubro de 2014

FC Porto @ Redes Sociais

O JOGO, 04-10-2014
«A passagem de capital do Estádio do Dragão para a estrutura acionista teve o mérito de ressuscitar discussões sobre a relação entre clubes e associados. O burburinho virtual foi ensurdecedor, mas não teve expressão concreta, porque a febre do mundo binário contrasta com a mortificação das outrora apaixonantes assembleias gerais, hoje decrépitas e representativas do desinteresse que os sócios têm por tudo o que não envolva uma bola a rolar. Aliás, quantos saberão, sequer, que o FC Porto e a SAD do FC Porto não são uma e a mesma coisa?
É essa ausência de escrutínio e de participação que enaltece a dimensão do golpe de asa da Direção de Pinto da Costa que, perante a necessidade de transferência de parte da joia da coroa que é o Dragão para a estrutura da SAD, cuidou de sublinhar que esta, passando a ser também dos accionistas é, acima de tudo, do clube e dos sócios.
Um gesto porventura discreto, mas que espelha uma rara visão para além da vitória no próximo jogo.»
André Viana, O JOGO, 04-10-2014


Este texto de André Viana, que mais parece ter sido escrito com o jornalista de O JOGO sentado num lugar anual do Estádio do Dragão e de cachecol ao pescoço (e andamos nós a criticar a subserviência dos Delgados e Guerras deste Mundo em relação a Luís Filipe Vieira…), é susceptível de várias leituras.
Por exemplo, eu podia discorrer sobre o “golpe de asa” ou a “rara visão”, mas prefiro pegar na associação que é feita entre o “burburinho virtual ensurdecedor” e “febre do mundo binário” com a “ausência de escrutínio e de participação”.

Eu não sei se o jornalista André Viana, como sócio do Futebol Clube do Porto ou noutras funções, participou em alguma das “outrora apaixonantes assembleias gerais”, mas senhor jornalista, deixe que lhe diga uma coisa: nos últimos 30 anos, o Mundo mudou e muito!
Estamos no século XXI e, em 2014, desvalorizar o papel que a Internet e as redes sociais têm na intervenção e debate público, sobre as mais variadas matérias (futebol, política, educação, cidadania, etc.), é de alguém que pode ser jovem (e uma excelente pessoa), mas que, lamentavelmente, parou no tempo.

FC Porto - Redes Sociais
Se é verdade que, no passado, os sócios praticamente só podiam intervir na vida dos clubes marcando presença nas assembleias gerais, hoje em dia também o podem fazer recorrendo a outros meios.
Aliás, os próprios responsáveis do Futebol Clube do Porto têm plena consciência disso e, cada vez mais, o clube interage com os seus sócios e adeptos (espalhados pelo Mundo) recorrendo a diversos novos canais: E-mail, Website oficial, YouTube, Facebook oficial, Twitter @FCPorto, Instagram @FCPorto.

Neste contexto, alguns (poucos) fóruns e blogues portistas, entre os quais o 'Reflexão Portista', mostraram interesse e abordaram, sob diferentes pontos de vista, os assuntos que faziam parte das ordens de trabalho das últimas assembleias gerais do Clube e da SAD. E fizeram-no, estou certo, porque entenderam que o assunto era relevante e porque tinham opinião ou dúvidas que gostariam de ver esclarecidas.
Mas, pelos vistos, isso parece ter incomodado o jornalista André Viana, que classifica este tipo de intervenção / discussão / debate / participação de “burburinho virtual ensurdecedor”.
Tenho pena que o faça.

E tenho ainda mais pena que, antes destas duas assembleias gerais, a comunicação social e, particularmente jornais como O JOGO ou o JN, não tenham pegado no assunto como ele merecia e feito, sobre o mesmo, uma abordagem jornalística, o mais completa possível, tendo em vista contribuírem para um cabal esclarecimento de tudo o que estava (está) em causa.
Se o tivessem feito, talvez houvesse menos sócios e adeptos portistas a confundirem o Futebol Clube do Porto com a SAD do FC Porto…


P.S. O Porto Canal anunciou que, logo à noite, a partir das 21h00, irá transmitir uma entrevista com o vice-presidente Fernando Gomes, onde alguns dos assuntos discutidos nas últimas assembleias gerais do Clube e da SAD irão ser abordados.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

“Guerrilha” entre a SAD e o Clube azul

Como é sabido, a partir do aumento de capital feito no segundo semestre de 2001, o Futebol CLUBE do Porto deixou de ter (somando as participações direta e indiretas) a maioria no capital social e direitos de voto da FC Porto SAD.

Eu sempre fui contra esta situação. Como adepto e sócio do Futebol Clube do Porto, a minha posição é que o Clube deve ser sempre maioritário no capital social e direitos de voto da SAD. Assim sendo, naturalmente, fiquei satisfeito por, após 13 anos, a Direção do Clube ter mudado de opinião (terá alguma coisa a ver com a substituição de Angelino Ferreira por Fernando Gomes?) e definido como estratégico o Futebol Clube do Porto ter uma maioria confortável na FC Porto SAD.

Para ilustrar o que pode acontecer, quando um clube está muito enfraquecido e é “obrigado” a deixar de mandar na “sua” SAD, veja-se o exemplo do histórico clube dos azuis de Belém.

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«Na assembleia-geral extraordinária, realizada domingo, 4 de Novembro, a proposta de alienar a um grupo de investidores, liderado por Rui Pedro Soares, a maioria do capital da SAD foi aprovada com 197 votos a favor, 20 contra e 27 abstenções (…).
Com essa votação os associados do clube do Restelo deram carta branca ao presidente António Soares para finalizar as negociações para a cedência da maioria do capital da sociedade gestora do futebol profissional à Codecity Players Investment, fundo de investimento liderado por Rui Pedro Soares. (…)
Rui Pedro Soares, citado pela Lusa, mostrou-se “feliz” com o desfecho da reunião, ainda que compreenda alguma tristeza dos sócios belenenses, pelo facto de aprovarem a perda da maioria de capital da SAD. “O Belenenses é um dos primeiros clubes em Portugal [depois de Estoril e Beira-Mar] que não terá a maioria do capital da sua sociedade desportiva, mas muitos outros o farão a partir de agora. Esperamos corresponder às expectativas. Compreendo a tristeza dos sócios, mas foi uma inevitabilidade e espero que lembrem este dia como o dia que marcou uma viragem”.»


«Depois de ter recebido luz-verde para comprar a SAD do Belenenses, e de ter comprado 46,93% do capital da sociedade desportiva de Belém por 0,1 cêntimos por acção, Rui Pedro Soares lançou esta quinta-feira uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) sobre o restante capital. (…)
A oferta [OPA] é geral e obrigatória, já que depois de ter comprado os 46,93% a isso ficou obrigada. Além disso, a Codecity tem um acordo com o clube Belenenses para lhe comprar parte dos 15% que hoje detém e que é a percentagem obrigatória no âmbito da lei das SAD. No entanto, com a alteração aprovada em conselho de ministros recentemente, os clubes vão passar a ser obrigados a ter um mínimo de 10%. E é essa a percentagem que o Belenenses vai ter, já que no âmbito do contrato de compra e venda feito com a Codecity se comprometeu a alienar 5% “logo que a lei que regula as sociedades anónimas desportivas permita que o clube fundador tenha uma percentagem mínima de 10% do capital social da respectiva Sociedade Anónima Desportiva e no prazo máximo de 30 dias após ter sido notificado pelo oferente para cumprir essa promessa”.
Além dos 46,93% já detidos pela Codecity e os 15% detidos pelo clube, o capital da SAD Belenenses está ainda em 32,5% no empresário Joaquim Oliveira e os restantes 6,5% estão dispersos.»


«É já na próxima segunda-feira, 23 de Junho, que se inicia a oferta pública de aquisição (OPA) da Codecity Sports Management, de Rui Pedro Soares, sobre o capital da sociedade anónima desportiva Os Belenenses. Uma operação avaliada em 380,52 euros.
A Codecity, que detém 51,93% do capital da SAD da equipa de Belém, quer adquirir os restantes 38,07% do capital e respectivos direitos de voto. Há 10% que a empresa não pode adquirir porque, segundo o regime jurídico das sociedades desportivas, têm de ficar na titularidade do clube de futebol fundador.
Assim, são 380.517 acções que Rui Pedro Soares se propõe a comprar por 0,1 cêntimos cada. (…) O preço da contrapartida foi, aliás, um aspecto que congelou a operação, anunciada em Dezembro de 2012, há ano e meio – quando a Codecity obteve mais de dois terços dos direitos de voto, o que faz com que a OPA fosse obrigatória.»


Declarações do atual presidente do Belenenses, António Soares, feitas no passado dia 16 de Setembro, por ocasião da entrega da lista que encabeça às eleições do próximo dia 18 de outubro:

… acho que a dimensão do Belenenses leva a que, idealmente, a gestão do futebol profissional esteja no clube. E vamos tentar isso”.

Temos de respeitar o que está a ser feito na SAD, o que não invalida que ache que qualquer presidente do Belenenses deve ter presente a possibilidade de recomprar a SAD e trazer novamente a gestão do futebol profissional para o clube”.

Há um esfriamento [nas relações entre clube e SAD], isso é um facto, é verdade. Mas acima de tudo, os momentos de maior tensão surgem apenas por duas questões: dinheiro, coisas nas quais nós não nos entendemos, em questões de fluxos económicos entre o clube e a SAD, e utilização das instalações, da qual o último exemplo foi a realização do Festival Panda no Restelo. Tirando esses dois momentos, essas duas questões, não há, de facto, situações em que haja uma postura hostil, ou um ódio de um lado ou do outro. O clube não participa na gestão da SAD, é um facto, e gostaria de participar. Não é esse o entendimento do acionista maioritário, temos de respeitar”.


No dia 25 de Setembro, em carta aberta dirigida aos sócios do Belenenses, Patrick Morais de Carvalho, candidato à presidência do clube do Restelo, mostrou-se apreensivo com o «clima de guerrilha institucional permanente, não só entre os Órgãos Sociais do clube mas também, e sobretudo, entre o clube e a atual administração da SAD, que lidera o futebol profissional».

No dia 4 de Outubro, o mesmo Patrick Morais de Carvalho, comentando a anunciada intenção do atual presidente do Belenenses recomprar a SAD, afirmou:

Esta direção tem feito piruetas nesse assunto. Primeiro, entregou a SAD praticamente à revelia dos sócios. Depois, incompatibilizaram-se com a SAD, agora já estão bem outra vez. Dizem que recomprar a SAD é uma das prioridades da Lista B, no entanto, isso não vai ser possível porque os próprios elementos da SAD dizem que as ações não estão à venda... Com o acordo parassocial, as duas janelas de oportunidade ficaram inviabilizadas. Está-nos impossibilitada a compra da SAD, a nós e a qualquer pessoa, porque a SAD não está à venda”.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

“Devolver o Clube aos Sócios”



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Logo à noite, vai realizar-se uma Assembleia Geral Extraordinária do Futebol CLUBE do Porto.

Com a devida vénia, reproduzo, a seguir, extracto de um artigo da autoria de um dos colaboradores (“Norte”) do blogue ‘Bibó Porto, carago!!’, a propósito de uma outra Assembleia Geral do Clube, realizada em Outubro de 2012.

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«Faço em Fevereiro próximo, 28 anos de sócio do clube. Nos últimos 13 anos, falhei uma AG. Nunca nestes anos estive presente numa assembleia com tão poucos sócios (30, no máximo), com uma demonstração tão grande de desinteresse e distanciamento dos assuntos de interesse do clube. Às 20:30h, hora do suposto início da reunião magna, estavam presentes 6, repito, 6 associados.
Foi a primeira vez que nenhum associado interveio na meia-hora de discussão sobre assuntos do clube! Há demonstração de desinteresse maior? Mau demais! Dá mesmo vontade de perguntar se seria à porta fechada.

Responsabilidades?

Dos associados, pois fartam-se de na mesa dos cafés, no emprego, nos blogs, etc., dar palpites sobre o dia-a-dia do clube, criticar o que lhes apetece, dizerem as maiores asneiras, defenderem o indefensável, afirmarem coisas como se fossem verdades indesmentíveis, e chega-se ao dia de saberem a verdade sobre o clube, e não aparecem. É uma atitude tão respeitável como outra qualquer, mas faz-me lembrar aqueles que, quando os jogos são com o Paços de Ferreira ou o Moreirense, “tá frio”, “é tarde”, “é caro”, mas quando é com os menstruados, faça chuva ou faça sol, seja às 19h ou às 21:30h, são os primeiros a chegar e estão na primeira fila a vibrar.

Responsabilidade da direcção, porque insiste em fazer uma divulgação antiquada de um evento deveras importante. Cumprir estatutariamente o que está definido (anunciar com a devida antecipação a assembleia em 2 jornais de grande tiragem), não é razoável na era da comunicação e do desenvolvimento.

Anunciar no site, menos de 24h antes, é manifestamente pouco, ocorrendo isto na era digital, onde poucos lêem jornais em papel, e onde os sites das instituições são veículos essenciais para transmitir o quotidiano das referidas instituições.
Mais, no dia anterior, houve jogo da Liga dos Campeões em casa... porque não ter anunciado o acontecimento nos ecrãs do estádio? Fica a ideia (mesmo que errada) que o clube não mostra interesse na presença dos associados nestes locais, e não é a primeira vez que o digo.»
in ‘Bibó Porto, carago!!’, 01-11-2012

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Ao (re)ler este texto, lembrei-me do lema do Programa de Jorge Nuno Pinto da Costa quando, pela primeira vez, se candidatou à presidência do Futebol Clube do Porto: “Devolver o Clube aos Sócios”.

Sessão de esclarecimento, 1982

Momento da votação do sócio e candidato Pinto da Costa, 17-04-1982

Tomada de posse de Pinto da Costa como presidente da Direcção, 23-04-1982

Um dos pontos que, para mim, é essencial é que o Futebol Clube do Porto não perca a sua história, não renegue o seu passado, não perca a alma que tem, que lhe vem dos sócios
Jorge Nuno Pinto da Costa


32 anos depois de ter sido eleito Presidente do Futebol Clube do Porto, esta afirmação de Pinto da Costa está mais atual do que nunca e eu subscrevo-a inteiramente.

Por isso, faço um último apelo aos associados do Futebol Clube do Porto: se puderem, não faltem à Assembleia Geral Extraordinária de logo à noite (marcada para as 20:30).

Vão ser discutidos assuntos importantes (muito importantes!) para o futuro do Futebol Clube do Porto, que envolvem o relacionamento entre o Clube e a SAD.

Independentemente da opinião que possam ter, não deixem que outros decidam por vocês.


Fotos deste artigo: ‘Os Filhos do Dragão

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Acções preferenciais sem direito de voto

Amanhã realizam-se as Assembleias Gerais Extraordinárias da Futebol Clube do Porto Futebol SAD (“SAD”) e do Futebol Clube do Porto (“Clube”).

A AG Extraordinária do Clube está marcada para as 20h30 e tem como Ordem de Trabalhos: (i) discutir e deliberar sobre o reforço da participação do Clube no capital da SAD mediante a aquisição de novas acções e (ii) mandatar a Direcção do Clube para praticar todos os actos e subscrever todos os documentos necessários ao bom cumprimento da deliberação constante do ponto um.

A AG Extraordinária da SAD está marcada para as 15h00 e tem a seguinte Ordem de Trabalhos:


A AG do accionista principal da SAD, que é o Clube, vai realizar-se depois da AG da sua participada, o que não deixa de ser curioso, mas demonstra (falta de) cuidado da Direcção do Clube para com o seu stakeholder nº1: os sócios.

As operações a realizar devem ser analisadas de um ponto de vista “macro”. Em bom rigor, esta mais não é do que uma transferência de 50% do Estádio do Dragão para a SAD com o objectivo de repor os seus Capitais Próprios em níveis positivos. A gestão da SAD delapidou o património da sociedade nos últimos exercícios e agora chama os seus accionistas, ou melhor, apenas parte deles, a reforçarem os capitais. Este reforço será realizado sob a forma de emissão de acções preferenciais sem direito de voto, mas poderia – deveria – ser feito sob a forma de emissão de acções ordinárias, diluindo assim a estrutura accionista até agora vigente. Dado que o Clube vai injectar 37,5m€ na SAD, então, a sua participação deveria ser registada ao preço de mercado (0,60 €, a 10 Set. 2014, dia do comunicado à CMVM desta operação). Ficaria o Clube, desta forma, com 62,5m de acções ordinárias, ao invés de 7,5m de acções preferenciais sem voto.


"As acções preferenciais constituem uma categoria de acções especiais prevista no Código das Sociedades Comerciais que se caracteriza pelo acréscimo de direitos patrimoniais e pela preterição do direito de voto. Entende-se que os accionistas preferenciais não têm interesse na condução dos negócios societários, interessando-lhes quase exclusivamente a remuneração do seu investimento. Não obstante, os accionistas preferenciais são verdadeiros accionistas, assistindo-lhes todos os direitos inerentes às acções, à excepção do direito de voto, o qual se encontra suspenso, só sendo adquirido em situações pontualíssimas. (…) Sob o ponto de vista do adquirente de acções preferenciais sem direito de voto, normalmente sócios investidores, estes podem, com muita facilidade, ver em tal aquisição a possibilidade de receber dividendo superior ao juro que receberiam numa aplicação financeira junto de uma instituição financeira, uma vez que a lei consagra um mínimo legal para a atribuição de dividendo prioritário, o qual não pode ser inferior a 5% do valor nominal da acção."

Cria-se, pois, a expectativa de que o Clube irá receber dividendos prioritários, no montante de 5% do valor da acção, i.e 25 cêntimos por acção, o que representa 1,875 milhões de euros por ano.

No entanto, a SAD pretende alterar os seus Estatutos com aprovação do último ponto da Ordem de Trabalhos (ponto 6) para, registe-se, restringir o direito de voto do detentor das acções preferenciais caso estas venham a adquirir esse direito no futuro. No regime jurídico previsto para este tipo de acções especiais, o legislador associa a privação do direito de voto à atribuição de outros privilégios patrimoniais. Não satisfeitos esses privilégios, o accionista preferencial pode recuperar os direitos de voto.

"A recuperação do direito de voto surge no momento em que é deliberada a aprovação do relatório de gestão, das contas de exercício e da afectação de resultados, que demonstrem não haver lucro distribuível suficiente para acautelar o pagamento integral do dividendo prioritário por relação a dois exercícios consecutivos."
J.J. Vieira Peres, “Acções preferenciais sem voto”

A proposta de alteração do nº 3 do Artº 7º dos Estatutos da SAD diz o seguinte:
"3 - Caso as acções preferenciais sem voto emitidas pela sociedade venham a conferir direito de voto, ao abrigo do artigo 342.º, n.º 3 do Código das Sociedades Comerciais, durante esse período temporal não serão considerados os votos emitidos por um accionista, em nome próprio ou como representante de outro, nos termos dos artigos 20.º e 21.º do Código dos Valores Mobiliários, que excedam mais de um terço da totalidade dos votos correspondentes ao capital social."

Antecipando o incumprimento na atribuição do dividendo prioritário ao Clube, a SAD pretende limitar-lhe os direitos de voto a “um terço da totalidade dos votos correspondentes ao capital social”. Esta redacção deixa-me dúvidas, nomeadamente a que votos se refere. Ora, o Clube detém directamente 40% dos votos. No caso de incumprimento da SAD no pagamento do dividendo prioritário em dois exercícios consecutivos, o Clube ficaria limitado a 33,33% dos votos ou ficaria limitado a 40% dos votos mais os votos de 33,33% de 7,5 milhões de acções?

Seria mais sensato optar pela seguinte redacção do nº3:
3 - Caso as acções preferenciais sem voto emitidas pela sociedade venham a conferir direito de voto, ao abrigo do artigo 342.º, n.º 3 do Código das Sociedades Comerciais, durante esse período temporal não serão considerados os votos emitidos por um accionista, em nome próprio ou como representante de outro, nos termos dos artigos 20.º e 21.º do Código dos Valores Mobiliários, que excedam mais de um terço da totalidade dos votos correspondentes a esta categoria de acções.

O que me parece mais relevante neste ponto 6 é a forma como o Clube, enquanto accionista de 40% do capital da SAD, se autolimita os seus próprios direitos no caso de votar favoravelmente esta proposta. A Direcção do Clube não estará, nesse caso específico, a defender intransigentemente os superiores interesses da instituição Futebol Clube do Porto.
   

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

“O FC Porto nunca poderá ter um dono”

Revista 'Tripeiro' (Setembro 2011)
O FC Porto tem o nome da cidade e o escudo da cidade no emblema, portanto seria impossível e absolutamente impensável esquecermos o Porto e a nossa região pelo facto de hoje sermos conhecidos em todo o mundo e sermos dos clubes com mais vitórias internacionais em toda a Europa. Tenho muita honra em que o FC Porto seja um clube mundial, mas nunca esqueço nem as nossas origens nem aqueles que à nossa volta vivem o dia-a-dia do clube.”


Os investidores só entrarão no FC Porto se for essa a nossa vontade. O clube tem neste momento 40% das acções e é difícil a quem quer que seja conseguir 51%. Portanto, só com um entendimento é que isso é possível. Além do mais, os estatutos da SAD conferem ao clube o direito de escolher o presidente. Naturalmente, qualquer presidente do FC Porto que venha a presidir à SAD acautelará certamente os interesses do clube. Outra coisa é fazer parcerias, e temos de caminhar nesse sentido. Acho que o FC Porto nunca poderá ter um dono. O FC Porto tem de ser dos sócios. Os sócios é que têm de ser os donos.”


Estas afirmações foram feitas por Jorge Nuno Pinto da Costa, no dia 9 de Agosto de 2011, durante um almoço com Rui Moreira (na altura, presidente da Associação Comercial do Porto) e com o jornalista Luís Costa, e fazem parte de uma extensa entrevista publicada na revista ‘O Tripeiro’ de Setembro de 2011.

Naturalmente, estou 100% de acordo com estas afirmações de Pinto da Costa, nomeadamente de que o Futebol Clube do Porto nunca poderá ter um dono.

Mas não chega afirmá-lo e manifestar essa vontade. É preciso criar condições objectivas para isso. É preciso criar condições para evitar que, no futuro, devido a fragilidades financeiras, os sócios do Futebol Clube do Porto sejam compelidos a aceitar que a SAD do FC Porto vá parar às mãos de um qualquer Peter Lim.

Ora, para que a SAD do Futebol Clube do Porto seja dos sócios, confirme Pinto da Costa diz que deve ser, é preciso que o CLUBE continue a mandar na SAD. E, para isso, tem de ter a maioria do Capital e dos Direitos de Voto na FC Porto SAD.

Mas, como é que um Futebol CLUBE do Porto enfraquecido, sem património (50% do Estádio do Dragão vai ser transferido para a SAD) e com poucas receitas poderá, no futuro, manter a maioria do Capital e dos Direitos de Voto na FC Porto SAD?

Esta é uma questão de fundo, para os Associados do Futebol Clube do Porto refletirem, e que está por trás das assembleias gerais da SAD e do Clube agendadas para a próxima quinta-feira.

O capital social da FC Porto SAD



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A Futebol Clube do Porto – Futebol, S.A.D. (daqui em diante designada por FC Porto SAD), é uma sociedade aberta, que foi constituída em 30 de julho de 1997, com o capital social de 200.000.000$00 (997.595,79 euros).

A FC Porto SAD teve como accionistas fundadores:
• Futebol Clube do Porto: 80.000 acções (40%);
• Investiantas – Investimentos Desportivos, Lda: 99.997 acções (49.9985%);
• Câmara Municipal do Porto: 20.000 acções (10%).

Nessa altura, o Futebol CLUBE do Porto detinha, direta e indiretamente, 90% do capital da SAD.

Nota importante: O Futebol Clube do Porto já teve uma SGPS, a sociedade InvestiAntas, SGPS, SA, constituída em 30/07/1997. A finalidade desta sociedade é (era) a gestão das participações sociais detidas maioritariamente pelo CLUBE.

Em outubro de 1997, a FC Porto SAD aumentou o seu capital social de 200.000.000$00 para 5.000.000.000$00, mediante a emissão de 4.800.000 ações das quais 1.820.000 ações de categoria A e as restantes 2.980.000 ações de categoria B.

Em resultado deste aumento de capital, a distribuição do capital da FC Porto SAD passou a ser a seguinte:
- Futebol Clube do Porto: 40%
- Investiantas SGPS: 12%
- Câmara Municipal do Porto: 1%
- Sócios do Futebol Clube do Porto (10099 accionistas): 39%
- Público em geral (3552 accionistas): 8%

Nota: Após este aumento de capital, o Futebol CLUBE do Porto passou a deter, direta e indiretamente, 52% do capital da SAD.

Por escritura pública, realizada em 14 de junho de 2000, foi efetuada a redenominação do capital social da FC Porto SAD de 5.000.000.000$00 para 25 milhões de euros, passando o referido capital a estar representado por 5.000.000 ações de valor nominal de 5 euros cada. Em consequência desta redenominação foi efetuado um aumento de capital por incorporação de reservas no montante de 12.050.000$00.

Durante o segundo semestre de 2001, a FC Porto SAD voltou a aumentar o seu capital, desta vez para 75 milhões de Euros, mediante a emissão de 10.000.000 de novas ações, ordinárias, escriturais e nominativas, com o valor nominal de €5 cada.
40% das novas acções foram reservadas para o Futebol CLUBE do Porto e as restantes destinadas a uma oferta pública de subscrição.

Aumento de capital de 2001 (fonte: EXPRESSO)
Dos 20 milhões de euros que o Futebol CLUBE do Porto teve que desembolsar, para acompanhar o aumento de capital da SAD, cerca de 970 mil contos (4.850.000 euros) foram assegurados pelo reembolso de suprimentos.

Em resultado desta operação, cujo êxito estava assegurado à partida, fruto de acordos efetuados com o consórcio Grupo Amorim/ECOP (a quem o Futebol CLUBE do Porto vendeu os direitos de construção que possuía no âmbito do PPA) e com a Sportinveste (holding do grupo Olivedesportos), o capital social da FC Porto SAD ficou representado por 15 milhões de acções ordinárias, nominativas, de valor nominal de 5 euros cada, das quais 6 milhões de acções de categoria A e as restantes 9 milhões de acções de categoria B.

Tal como estabelecido no artigo 6.º dos estatutos da FC Porto SAD, “as ações de categoria A só integram tal categoria enquanto na titularidade da agremiação desportiva Futebol Clube do Porto, ou de sociedade gestora de participações sociais em que esse Clube detenha a maioria do capital social, convertendo-se automaticamente em ações de categoria B no caso de alienação a terceiros a qualquer título”.

A categoria A de ações confere ao seu titular – o Futebol Clube do Porto – os seguintes direitos especiais:

• Direito de veto das deliberações da assembleia geral que tenham por objeto a fusão, cisão, transformação ou dissolução da sociedade e alteração dos seus estatutos, o aumento e a redução do capital social e a mudança da localização da sede (artigo 7.º, nº 2 dos estatutos);

• Direito a designar, pelo menos, um dos membros do Conselho de Administração, o qual disporá de direito de veto das deliberações de tal órgão que tenham por objeto idêntico ao do nº 2 do artigo 7.º dos Estatutos (artigo 11.º, nº 3 dos estatutos).

Como é sabido, a FC Porto SAD é uma sociedade desportiva, que se rege pelo regime jurídico especial estabelecido no Decreto-Lei 67/97, de 3 de Abril, de acordo com as alterações que lhe foram introduzidas pela Lei nº 107/97, de 16 de Setembro.

Contudo, a Lei foi alterada recentemente (em 2013) e, de acordo com o Decreto-Lei nº 10/2013, de 25 de janeiro, os Clubes deixam de ter, nos termos da lei, direito de veto sobre a alteração dos estatutos das “suas” SAD’s e sobre os respectivos aumentos ou reduções do capital social.

No Prospeto da Oferta Pública de Subscrição de obrigações representativas do Empréstimo Obrigacionista “FC PORTO SAD 2014-2017”, pode ser lido o seguinte:

«O desenvolvimento da atividade principal da FC Porto SAD pressupõe a existência e manutenção da relação privilegiada com o FC Porto, consubstanciada em contratos e protocolos que asseguram ao Emitente, designadamente, a utilização das instalações desportivas e da marca FC Porto, no que respeita à sua utilização pela equipa de futebol profissional e nos espetáculos desportivos. (…) com a entrada em vigor do Decreto-Lei nº 10/2013, de 25 de janeiro, e nos termos do respetivo artigo 23.º, o limite mínimo da participação direta do FC Porto no capital social da FC Porto SAD passe de 15% para 10%. Adicionalmente, o FC Porto deixará de ter, nos termos da lei, direito de veto sobre a alteração dos estatutos da FC Porto SAD e o aumento ou redução do capital social da mesma, passando no entanto a ter direito de veto sobre qualquer alteração ao emblema ou ao equipamento das equipas de futebol profissional


Todos estes factos demonstram o seguinte:

i) Desde a constituição da FC Porto SAD até agora, a percentagem (direta e indireta) do Futebol CLUBE do Porto no Capital e Direitos de Voto da SAD, manteve-se ou diminuiu ao longo do tempo;

ii) Seguramente por sugestão dos agentes desportivos, a lei foi alterada, de modo a que o limite mínimo que os Clubes tinham de ter nas "suas" SAD's (de que foram fundadores), diminuiu de 15% para 10%;

iii) O poder que a Lei dava aos Clubes, foi drasticamente reduzido com o Decreto-Lei nº 10/2013.


Por tudo isto, se os sócios dos clubes deixarem (a maior parte parece encolher os ombros), é fácil de ver o que irá acontecer a médio prazo. A tendência é clara...


Fontes:
Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD
Jornal O JOGO
Jornal Diário Económico

domingo, 28 de setembro de 2014

A SAD no pós Pinto da Costa

Ontem à noite, na extensa entrevista que deu ao Porto Canal, Pinto da Costa ignorou (e bem) as sucessivas provocações do Bruninho e, ao longo de mais de uma hora, falou de diversos temas.

Na minha opinião, o que Pinto da Costa disse de mais importante, para o presente e futuro do Futebol Clube do Porto, foi o seguinte:

O FC Porto já teve cá um indivíduo russo que queria comprar o clube. Nós já há muito que tínhamos visto isso, há muito que discutíamos e dos primeiros problemas que discuti com o Dr. Fernando Gomes foi falar deste perigo, com as movimentações que havia. O Valência, de Espanha, foi vendido a um sujeito [Peter Lim] que também nos foi apresentado como possível comprador do FC Porto através do Jorge Mendes. Tomámos acções e medidas que pretendem salvaguardar que o FC Porto seja sempre dos sócios ou dos adeptos”.


Se, como Pinto da Costa disse, quer Peter Lim, quer um milionário russo já fizeram abordagens para tentar comprar a FC Porto SAD, então, se os Associados do Futebol Clube do Porto não querem que isso aconteça, o CLUBE deve ter uma maioria confortável no capital da SAD e ter condições – financeiras e/ou patrimoniais – para, no futuro, manter o domínio da sociedade que foi criada para gerir o futebol.

Mas, como é que o CLUBE pode ter uma maioria confortável no capital da FC Porto SAD, se a lei só permite um máximo de 40%?

Esta é uma das mentiras mais vezes repetidas, inclusive por pessoas que tinham a obrigação de estar bem informadas e de informar corretamente os sócios e adeptos.

Diretamente e através de uma SGPS, um clube pode ter muito mais do que 40% da sua SAD. No limite, pode até ter 100%.

Veja-se, por exemplo, qual é a distribuição do Capital e Direitos de Voto nas SAD's do Sporting e do Benfica:

Participações Qualificadas da Sporting SAD (em 10-09-2014)

Participações Qualificadas da Benfica SAD (em 31-12-2013)

Na entrevista de ontem, Pinto da Costa afirmou que “enquanto estiver no FC Porto, ninguém vai comprar o clube. Pode vir quem vier. Por mais dinheiro que tenha, não compra o clube”.

O CLUBE não está, nem nunca estará à venda, mas a FC Porto SAD é uma empresa, uma sociedade aberta e, atualmente, já é detida, maioritariamente – 60% do seu capital – por terceiros.

É sabido que a esmagadora maioria dos Associados do Futebol Clube do Porto apoia e confia na palavra de Pinto da Costa.
Mas, infelizmente, Pinto da Costa não é eterno e a garantia, pessoal, que deu aos sócios, naturalmente esgota-se no dia em que deixar de ser o presidente do CLUBE e da SAD.

Assim sendo, o que acontecerá à FC Porto SAD no pós Pinto da Costa, se a sociedade voltar a atravessar dificuldades financeiras e, simultaneamente, o CLUBE estiver fragilizado e nem sequer tiver património para acorrer a uma qualquer emergência?

É por tudo isto que os Associados do Futebol Clube do Porto têm de pensar e ponderar muito bem o que vão fazer na Assembleia Geral Extraordinária agendada para o próximo dia 2 de Outubro.
Podem ficar em casa, podem deixar as decisões acerca do futuro do Futebol Clube do Porto nas mãos de outros, não podem é dizer que não sabiam.