Mostrar mensagens com a etiqueta Hulk. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Hulk. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 6 de julho de 2017

“Se não fosse o caso do túnel, teríamos sido campeões”

O caso do túnel na capa do jornal A BOLA de 06-07-2017

Numa entrevista ao jornal A BOLA, Jesualdo Ferreira falou sobre o tristemente célebre caso do Túnel da Luz, em que dois jogadores do FC Porto – Hulk e Sapunaru – foram alvo de suspensões nunca antes vistas no futebol português.

Em quatro anos [como treinador do FC Porto] só uma vez é que não cumpri um objetivo. Cumpri sete. (...) E estou convencido ainda hoje que se não fosse esse caso teríamos sido campeões [na época 2009/2010]. O FC Porto teria feito o penta e eu teria feito o tetra. Esse episódio do túnel foi decisivo. (…)
Não, não foi justa [a decisão]. A forma como os meus jogadores foram tratados, como o FC Porto foi tratado, a forma como as coisas aconteceram... Não foi verdade. E digo isto cara a cara, quer as pessoas gostem ou não gostem. Quem sentiu na pele fui eu, estive lá e vi. E também senti durante um ano como as coisas aconteceram.

A revolta do plantel e o Somos Porto (20-02-2010)

Não foi a primeira vez que Jesualdo Ferreira (um homem que foi treinador dos três “Grandes” do futebol português) falou da injustiça deste caso.
Em 12 de Fevereiro de 2010, Jesualdo Ferreira disse o seguinte:

O Hulk é um jogador revoltado. O estado de espírito dele é de revolta, porque não pode trabalhar e fazer aquilo que gosta. Nós, internamente, também estamos revoltados porque temos um profissional bem pago e que não está a ajudar a equipa como devia em função do contrato que tem. Acho que quando erramos temos de ser penalizados, mas temos de ser penalizados na justa medida do erro que cometemos, e temos de ser penalizados de forma a não voltar a errar. Agora, isto tudo não deixa de ser uma coisa incompreensível para as pessoas.


Em 24 de Março de 2010, o Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), instância de recurso, reduziu drasticamente o castigo que tinha sido aplicado a Hulk e a Sapunaru pela Comissão Disciplinar (CD) da Liga, à época presidida pelo célebre benfiquista de Canelas, o dr. Ricardo Costa.
Em vez de quatro e seis meses de suspensão, o CJ da FPF reduziu os castigos de Hulk e Sapunaru para três e quatro jogos respetivamente, indo de encontro ao enquadramento disciplinar, para estes dois casos, que foi defendido pelo FC Porto.

4 meses de suspensão
(O JOGO de 20-02-2010)
Se a suspensão decretada pelo dr. Ricardo Costa tivesse sido cumprida na totalidade, o FC Porto teria sido obrigado a disputar 23 jogos sem Hulk. Em função desta decisão do Conselho de Justiça da FPF, foram “só” 17 jogos oficiais sem o melhor jogador do campeonato português...

Recordar o caso ‘Túnel da Luz – Hulk’ é recordar o tempo em que Ricardo Alberto Santos Costa foi presidente da Comissão Disciplinar da Liga de Clubes (entre Outubro de 2006 e Julho de 2010).

É recordar a atuação do dr. Ricardo Costa neste caso, mas também nos casos ‘Apito Final’ ou ‘Diabo de Gaia’, entre outros menos mediáticos.

É recordar o impacto desportivo e financeiro que estes casos tiveram.

É recordar um tempo que não foi positivo, nas palavras de Fernando Gomes à Agência Lusa, após ter sido eleito para a presidência da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

É, tal como referi em “Ando a falar da benfiquização do futebol português há anos”, sublinhar que o “polvo encarnado” não nasceu em 2013. O “polvo” começou a ser criado muito antes (Os tentáculos do SLB), tendo sido decisivo em vários momentos dos últimos 14 anos (*)

(*) Luís Filipe Vieira foi eleito presidente do SLB a 3 de Novembro de 2003.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

E sai Brahimi...

Acho que ninguém tem dúvidas. Yacine Brahimi é o melhor jogador da liga portuguesa.
Nem benfiquistas, nem sportinguistas nem qualquer adepto dos restantes clubes (que, infelizmente, são poucos em Portugal) encontrará seguramente um jogador com tanto talento individual e capacidade para decidir jogos como o argelino. A sua estranha (e ainda por explicar) suspensão nos primeiros meses do ano podem ter sido os detonantes das aspirações do Porto ao título e a sua curta visita à CAN foi providencial para manter o jogador disponível e fisicamente preparado para os decisivos meses finais de competição. E no entanto, nos jogos mais importantes do ano, Nuno Espirito Santo tomou sempre a mesma decisão...tirar Brahimi antes dos noventa minutos.



O argelino completou apenas dois jogos na sua totalidade ao largo da temporada na liga.
O primeiro, a 11 de Dezembro, contra o Feirense. O segundo, no fatídico empate frente ao Setúbal há três semanas. Foi substituido  um total de 13 vezes nos jogos em que foi titular e em quatro ocasiões foi suplente utilizado. Tudo isto num jogador que não jogou os primeiros quatro jogos do ano nem foi sequer utilizado frente ao Benfica. Dito por outras palavras, o melhor jogador do campeonato não disputou qualquer Clássico na primeira volta e foi provavelmente o melhor em campo (excluindo Iker Casillas) nos que disputou na segunda. Esclarecedor.
Na plenitude física da idade, sem o desgaste de ter começado a jogar a titular como os restantes colegas no início de Agosto - só a finais de Setembro passou a ser considerado como opção e nos meses seguintes a sua participação foi gerida a conta-gotas - não se pode falar nem de cansaço acumulado nem de fatiga. Menos ainda quando as suas substituições ocorrem sempre no final dos encontros, quando qualquer jogador top pode fazer a diferença, entre lances de bola parada e os espaços que geralmente o cansaço colectivo provoca no terreno de jogo. Nesses momentos chave, NES considera sempre que Brahimi é prescindível.
Em Braga saiu com dez minutos para o fim. Dez minutos de intensa pressão portista. Na Luz, a sua substiuição, marcou definitivamente os minutos finais do jogo dando clara sensação de que a NES o empate lhe servia claramente. Não serviu, como se tem visto. Contra o Sporting, quando os leões se faziam sentir mais presentes no meio-campo do Porto e deixavam mais espaços atrás, o jogo vertical e os passes geométricos do argelino pareceram dispensáveis ao treinador que preferiu dar vinte minutos (intranscendentes) a Diogo Jota. Em nenhum dos casos citados há qualquer referência a problemas físicos (lesões, treinos condicionados nos dias seguintes, queixas visiveis do jogador, etc...)!
Estão a perceber a tendência não estão?

Agora façamos um exercicio.
Escolham os jogos mais dificeis disputados nos anos em que o FC Porto lutava pelo título (Clássicos, jogos com o Boavista na viragem do milénio e com o Braga desde final da década passada) e as suas principais figuras que se chamavam Hulk, Falcao, Lisandro, Deco, Zahovic ou Jardel, só para citar os últimos vinte anos...e vejam quantas vezes nesses encontros decisivos foram substituidos (ou não utilizados por questões técnicas) com resultados adversos aos interesses do Porto?

- Hulk
Foi substituido apenas uma vez em todos os seus anos de Dragão ao peito num jogo de máxima relevância na liga, frente ao Benfica, na 14º jornada do campeonato 2009/10, perdido por 1-0, a vinte minutos do final - sim, o jogo do túnel - tendo sido no ano anterior, o seu primeiro no futebol português, duas vezes suplente utilizado nos Clássicos da primeira volta.

- Falcao
No seu primeiro clássico em Portugal, em 2009, frente ao Sporting, Falcao foi substituido ao minuto 78, depois de ter inaugurado o marcador. Contra os leões no ano seguinte não completou nenhum dos dois jogos, saindo aos 79 minutos na primeira volta (empate a uma bola) e aos 82 no jogo da segunda volta (vitória por 3-2), marcando em ambos jogos.


- Lisandro Lopez
O argentino foi a grande arma ofensiva dos anos do Tetra conquistado entre Adriaanse e Jesualdo. No seu primeiro ano na Europa só completou um Clássico. Foi substituido aos 68 minutos no triunfo em Alvalade (o golo de Jorginho veio depois) e foi suplente utilizado na derrota na Luz. Lesionou-se aos 24 minutos no jogo em casa contra o Benfica. No ano seguinte, já titular indiscutivel, saiu a vinte minutos do final do duelo em Alvalade. Em 2007/08 saiu a cinco minutos do fim na vitória por 1-0 sobre o Sporting com a equipa a vencer.

- Ricardo Quaresma
Em 2004/05, no seu primeiro ano de azul e branco, Quaresma não completou qualquer Clássico. Saiu aos 76 minutos no duelo em Alvalade e aos 78 no triunfo no Dragão frente aos leões e foi suplente utilizado nos dois jogos frente ao Benfica, rendendo Postiga e Diego (um empate e uma vitória). No ano seguinte, já com Adriaanse, disputou apenas um Clássico completo e foi rendido aos 55 minutos na vitória em Alvalade e aos 80 na derrota na Luz tendo jogado os últimos vinte minutos na derrota no Dragão contra o Benfica. No ano seguinte marcou um golo e saiu aos 73 na vitória sobre o Benfica e repetiu feito (golo e substituição aos 73) em Alvalade. Repetiu o mesmo cenário na época seguinte, com três substituições nos dois jogos contra o Benfica e num dos jogos contra o Sporting, nos dez minutos finais do jogo (duas vitórias, uma derrota e um golo seu).  Apesar de ter sido substituido regularmente nos Clássicos neste periodo, era titular indiscutivel e disputava os noventa minutos dos restantes jogos do ano, ao contrário de Brahimi.
Na sua segunda etapa, foi suplente utilizado na derrota contra o Benfica da primeira volta e titular no triunfo da segunda volta em 2013/14. No primeiro ano de Lopetegui saiu ao intervalo do jogo com o Sporting em Alvalade e foi suplente utilizado nos três seguintes clássicos.

- Deco
Depois de ter chegado a tempo de ser Pentacampeão, Deco tornou-se imprescindivel nas quatro épocas seguintes. Nesse período apenas foi substituido contra o Sporting em 2000, a quinze minutos do fim e com o Porto a vencer e em 2003, na goleada por 4-1, a seis minutos do fim. Frente ao Benfica foi substituido a seis minutos do fim, depois de receber amarelo, num empate a um golo em 2003/04.

- Zlatko Zahovic
O esloveno passou três épocas de dragão ao peito e no seu primeiro ano foi substituido ao minuto 31 da vitória por 3-1 sobre o Benfica por lesão. No ano seguinte, tal como Jardel, foi suplente utilizado na derrota por 3-0 (quando entraram ambos já o Porto perdia por 2-0) e foi substituido na derrota em Alvalade à hora de jogo (o Porto perdia por 2-0). Foi ainda substituido no último minuto do triunfo contra o Benfica, em casa, em 1998/99.

- Mário Jardel
No seu primeiro ano foi substituido a um minuto do fim do Clássico na Luz, ganho por 1-2, com golo seu. No ano seguinte não completou nenhum duelo com o Benfica, primeiro como suplente utilizado (derrota por 3-0) e depois sendo rendido ao minuto 70 num triunfo por 2-0 quando a equipa já vencia claramente. Em 1998/99 voltou a ser substituido contra o Benfica, num empate a um golo, a três minutos do final e no último minuto de um jogo contra o Sporting, nas Antas, que decidiu com um golo para uma vitória por 3-2.

Ou seja, na imensa maioria dos casos, quase sempre que o jogador em causa foi substituido o objectivo do clube - a vitória - estava assegurado. Raramente isso se deu com Brahimi e NES, tanto na não utilização (dois resultados negativos) como nas substituições (apenas frente ao Sporting se conseguiu o objectivo). E nunca, nos casos citados, os jogadores em questão fizeram apenas 4 jogos completos durante uma temporada de liga. Na imensa maioria dos casos fizeram mais de dois terços do campeonato actuando os noventa minutos o que é muito, muito distinto.



Aos 27 anos o jogador está na melhor forma da sua carreira e tem meio passaporte validado para deixar o Dragão, entre necessidades de Financial Fair Play, do papel da Doyen e do próprio desejo do jogador que já viu barradas as suas aspirações no passado defeso contra aquilo que lhe tinha sido prometido. A sua chegada desde o Granada enquadrou-se num modelo de negócio muito popular á época e que acabou com a proibição da partilha de passes pela FIFA mas as mais valias geradas por uma venda em valores a rondar os 20 milhões serão sempre exiguas. Desportivamente, no entanto, Brahimi foi sempre um elemento diferencial a quem faltou nível na lista de companheiros de ataque e sobretudo um treinador a sério para potenciar todas as suas valências. Se, ainda para mais, em momentos de máxima tensão e intensidade um desses treinadores decide que a sua presença em campo é dispensável, estamos conversados. Brahimi pode sair do Porto sem ter sido nunca campeão mas nunca saberemos se não fomos campeões porque ele não esteve em campo quando devia.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Bananas, macacos e hipócritas


No domingo passado, durante o Villarreal x FC Barcelona, jogo da 35.ª jornada da Liga espanhola, quando Daniel Alves se preparava para executar um pontapé de canto, houve um energúmeno que, das bancadas do estádio El Madrigal, atirou uma banana para perto dele.

O que se passou depois correu mundo. O internacional brasileiro respondeu a esta nojenta atitude racista de uma das formas mais inteligentes e eficazes de que me lembro: apanhou a banana do chão, descascou-a e… comeu-a.

Nas horas e dias seguintes, as redes sociais encheram-se de futebolistas, artistas, políticos e pessoas anónimas em apoio a Daniel Alves, publicando centenas de fotografias, com bananas, em diversos contextos.

Fred, companheiro de seleção de Daniel Alves, manifestou o seu apoio, considerando que o racismo “é um mal que mancha o desporto e a sociedade, não só em Espanha, mas em todo o Mundo”.

Bebeto, antigo internacional brasileiro e, atualmente, deputado no Rio de Janeiro, afirmou que um acto destes é inadmissível em pleno 2014 e que é preciso “tomar medidas e aplicar castigos de forma enérgica”.

Também a comunicação social internacional acompanhou a onda de repúdio a este tipo de atitudes racistas.

Jornal espanhol MARCA

Jornal italiano La Gazzeta dello Sport

E por cá?
Como seria de esperar, quem se manifestou e pronunciou fê-lo na mesma linha do resto do Mundo e contudo…

Madrugada do dia 21 de Abril de 2011…
Umas horas após o final do SL Benfica x FC Porto (1-3), jogo da 2ª Mão das Meias-Finais da Taça de Portugal 2010/2011, um tal de Nuno Cárcomo Lobo escrevia o seguinte no seu facebook:

Para mim foi o melhor em campo... Grande passe aquele para o segundo golo... o golo do macaco hulk... HU HU HU HU

[Ainda sobre o Hulk…] “… não podíamos ter bananas no campo. Se nao o incrivel macaco comia-as


Nuno Cárcomo Lobo é sócio da sociedade de advogados CSCA – “Correia, Seara, Caldas, Simões e Associados” –, a qual, entre outros, junta indivíduos como João Correia e Fernando Seara (podem ver aqui).

Em 2005, Nuno Cárcomo Lobo foi nomeado, por Fernando Seara, adjunto do Gabinete de Apoio Pessoal ao Presidente da Câmara Municipal de Sintra.

Em 31 de Janeiro de 2012, Nuno Cárcomo Lobo tomou posse como presidente da Associação de Futebol de Lisboa.

Em 24 de Setembro de 2013, numa altura em que as declarações racistas de Nuno Cárcomo Lobo acerca de Hulk foram amplamente divulgadas, Bernardo Ribeiro (subdiretor do jornal Record) escreveu o seguinte:

«O que dizer de quem escreve isto? Vergonha não tem, senão ter-se-ia demitido [de presidente da Associação de Futebol de Lisboa]. Mas o racismo, feio, sujo, devia ter consequências. Ainda há quem exerça autoridade neste País. Avance por favor. E leve-o.»

E o que é que aconteceu? Nada!
Sete meses depois, Nuno Cárcomo Lobo continua a ser presidente da Associação de Futebol de Lisboa, com o apoio do seu clube (o SLB), mas também do SCP.

Mais. Conforme escrevi em Setembro passado, no artigo ‘De capuchinho vermelho a lobo mau’, “tendo Nuno Lobo proferido (escrito) afirmações reveladoras de um racismo nojento, como é que os presidentes da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga de Clubes aceitaram os convites e estiveram presentes no jantar do 103.º aniversário da Associação de Futebol de Lisboa, que se realizou na passada segunda-feira [23-09-2013]?”

Perante o seu comportamento no caso Nuno Lobo – Hulk, gente como Fernando Gomes (presidente da FPF), Luís Filipe Vieira (presidente do SLB) e Bruno de Carvalho (presidente do SCP), entre outros, não têm a mínima moral para criticar e combater declarações, ou manifestações racistas, que ocorram nos campos de futebol ou envolvam agentes ligados ao futebol.

Apesar dos interesses clubísticos mesquinhos e das obrigações institucionais, a hipocrisia tem limites.

sábado, 16 de novembro de 2013

10 anos, 10 jogos no Dragão

Faz hoje 10 anos que o Estádio do Dragão foi inaugurado (no dia 16 de Novembro de 2003) e em que um tal de Lionel Messi se estreou pela equipa principal do FC Barcelona.

Eu fui um dos cerca de 52 mil privilegiados cujo nome ficou numa placa no Estádio do Dragão para a posteridade mas, ao longo destes 10 anos, viveram-se muitos outros momentos de gloria portista, naquele que é o mais belo, funcional e eficiente estádio português.

Qual o jogo mais marcante em cada uma destas 10 épocas?

A minha escolha é a seguinte:

Época 2003/04 (fonte: zerozero)

25-02-2004, FC Porto x Manchester United (2-1), [oitavos-de-final da LC 2003/04]

Época 2004/05 (fonte: zerozero)

07-12-2004, FC Porto x Chelsea (2-1), [fase de grupos da LC 2004/05]

Época 2005/06 (fonte: zerozero)

22-03-2006, FC Porto x Sporting (1-1, +g.p.), [meia-final da Taça Portugal 2005/06]

Época 2006/07 (fonte: zerozero)

28-10-2006, FC Porto x Benfica (3-2), [campeonato nacional 2006/07, jornada 8]

Época 2007/08 (fonte: zerozero)

05-03-2008, FC Porto x Schalke 04 (1-0, +g.p.), [oitavos-de-final da LC 2007/08]

Época 2008/09 (fonte: zerozero)

15-04-2009, FC Porto x Manchester United (0-1), [quartos-de-final da LC 2008/09]

Época 2009/10 (fonte: zerozero)

02-05-2010, FC Porto x Benfica (3-1), [campeonato nacional 2009/10, jornada 29]

Época 2010/11 (fonte: zerozero)

07-11-2010, FC Porto x Benfica (5-0), [campeonato nacional 2010/11, jornada 10]

Época 2011/12 (fonte: zerozero)

05-05-2012, FC Porto x Sporting (2-0), [campeonato nacional 2011/12, jornada 29]

Época 2012/13 (fonte: zerozero)

11-05-2013, FC Porto x Benfica (2-1), [campeonato nacional 2012/13, jornada 29]


Algumas curiosidades:

- O FC Porto disputou 221 jogos oficiais e 15 particulares. (fonte: JN)

- Nos 221 jogos oficiais, o FC Porto obteve 167 vitórias, 34 empates e 20 derrotas. (fonte: O JOGO)

O JOGO, 16-11-2013

- Só houve duas épocas em que o FC Porto não perdeu qualquer jogo oficial disputado no Estádio do Dragão: na época de estreia, com José Mourinho, e na época passada (2012/13), com Vítor Pereira.

- O Estádio do Dragão é quase uma "fortaleza inexpugnável", mas a época 2004/05 foi anormal e contrariou esta tendência. Em 21 jogos oficiais, registaram-se 8 vitórias, 9 empates e 4 derrotas dos azuis-e-brancos!

- Os melhores marcadores no Dragão: Hulk, 46 golos (2 em jogos particulares); Falcao, 40 golos; Lisandro Lopez, 38 golos (2 em jogos particulares).


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Adeus Champions, adeus

A Champions League acabou. Há três jogos por disputar mas a festa chegou ao fim. Antes do previsto para muitos. Como era esperado para outros. Haverá quem alimente no próximo mês o discurso de que tudo é possível. Que é um ponto de atraso nas contas do grupo. A verdade é que é muito, muito mais do que isso. O FC Porto caiu por culpa própria, uma vez mais. Não por erros colectivos mas por falhas individuais. Foi assim em Málaga, foi assim com o Atlético de Madrid. Foi assim hoje. Desta forma não se vai a lado nenhum.

Acreditar que este FC Porto - este - é capaz de ganhar em São Petersburgo e em Madrid, é acreditar em fadas e duendes. Pode ser que eles existam e eu esteja enganado. Mas até os ver não acredito em contos. E é disso que se trata. Contos. Uma equipa que não ataque bem, que defende mal e que ainda para mais comete mais do que um erro grave por jogo (o de Otamendi não tem nome) está condenada a cair antes do esperado. Os adeptos seguramente não merecem este desfecho. Mas é a realidade. O FC Porto tem um treinador que não consegue dar a volta aos problemas que se lhe colocam em campo. E tem jogadores cujos comportamentos, mais do que infantis, diria, anti-profissionais, comprometem o esforço do colectivo. Hector Herrera tornou-se no jogador expulso mais rapidamente da história da Champions League. É preciso um dom para ser-se tão inocente. Tal como Defour, em Málaga. Tal como os erros de Otamendi e Mangala contra o Atletico. Erros e mais erros. Nos momentos cruciais.



O jogo em si não foi mau. A equipa reagiu bem à expulsão sobretudo porque o Zenit é muito menos do que aparenta ser e porque Hulk quer resolver à bomba todos os problemas da sua equipa. Teve nos pés resolver o jogo muito mais cedo mas se calhar lembrou-se dos bons tempos de Dragão ao peito, hesitou e permitiu a Hélton um desvio de milagre. O brasileiro foi um dos melhores em campo. Só Lucho, imenso até ter esgotado cada gota de suor que tinha para dar, e Fernando, foram melhores.
O jogo de hoje serve, ainda que não para outra coisa, demonstrar que na sua posição Fernando é um dos melhores do mundo. Ter um treinador que não é capaz de o ver dá pena. Quando a equipa voltou a um desenho mais parecido ao 4-3-3, um 4-3-2-1, lá foi o "Polvo" quem fez esquecer Herrera. Cortou tudo o que havia para cortar e ainda teve pulmão para ajudar no ataque. Imenso. Imenso. Imenso.
O FC Porto soube controlar o jogo na primeira-parte mesmo jogando com menos um. A falta de Herrera notava-se menos no miolo e mais no ataque onde Jackson foi engolido, literalmente, por Luis Neto e havia poucas opções de perigo sempre que Licá, uma nulidade, estava por perto. Lucho tentou a sorte, mas ela olhou para outro lado. Varela, o grande dinamizador do ataque do FC Porto na segunda parte (porquê a suplência?), também sofreu o mesmo destino. Quando a incompetência individual e o azar se unem não à volta a dar.
Parecia que a equipa ia aguentar o empate. Helton parava cada bomba de Hulk, Fernando engoliu a Danny, Shirokov e Arshavin, Lucho corria, corria e corria e as melhores oportunidades até aconteciam do outro lado, quando a bola durava mais de cinco segundos nos pés de Jackson. Mas não. Estava escrito que o segundo jogo em casa se saldava com uma segunda derrota perto do fim, quando os adeptos acreditavam que iam presenciar um milagre.



Em Viena, onde tanto sofremos para marcar, o Atlético de Madrid aplicou um festival de futebol e de golos e resolveu a liderança do grupo. Têm nove pontos em três jogos, precisam apenas de rematar o FK Austria em casa para confirmar a liderança. O que significa que contra o Zenit, primeiro, e contra nós, em segundo lugar, vão jogar apenas os milhões e o prestigio. Mas até lá, possivelmente, o grupo até já pode estar decidido. No jogo de São Petersburgo é o tudo ou nada. Uma vitória do clube cujo patrocinador e patrono também o é da prova, fecha praticamente as contas do grupo. Seriam sete pontos para os russos por três dos dragões com apenas seis para jogar. Se ambos vencessem o FK Austria os jogos com o Atlético seriam totalmente irrelevantes. Mesmo um empate na Rússia continua a jogar a favor dos russos. Só a vitória em terreno hostil pode mudar um destino similar ao de 2011. Mas parece altamente improvável.

Seguramente que haverá muito boa gente que se ponha de pé a clamar por traição, que isto é o FC Porto e que ninguém desiste antes do jogo terminar. Certo. Eu, pessoalmente, não desisto. Mas quem joga é a equipa, quem tem de fazer acreditar é a equipa. E quem a lidera. E o que a temporada tem trazido até agora dá pouco espaço para a crença, mais sabendo que os russos vão jogar como gostam em casa, tranquilamente, aproveitando espaços, precisamente onde a equipa com Paulo Fonseca é mais débil. Podem sonhar à vontade, que é grátis. O normal é que a equipa arranque o novo ano na Europe League, uma competição que seria para ganhar. Seria, mas com esta liderança tenho as minhas dúvidas!

PS: Se alguém conhecer uma equipa que chega aos oitavos-de-final de uma Champions League com o ratio de erros gravíssimos da sua dupla de centrais e dos seus médios que me avise. Foi em Viena, foi com o Atlético e foi hoje. Mangala, Otamendi, Herrera, Alex Sandro. Nenhum fica bem na fotografia e a situação em lugar de se corrigir parece que vai piorando. Á elite só lá chega quem merece. Esta linha defensiva, sobretudo, não a merece!

PS2: A arbitragem foi lamentável. A expulsão certeira, ninguém se pode queixar quando se cumprem as regras. Mas a partir de aí houve erros e erros, cartões por mostrar (a ambas partes) e o momento anedota da noite quando uma bola ao ar se transformou num livre quando o guarda-redes russo caiu em falta na área. Enfim, a elite europeia dizem!

sábado, 8 de setembro de 2012

O Mecanismo de Solidariedade

Artigo 21º Mecanismo de Solidariedade
Se um Profissional for transferido antes do termo do seu contrato, qualquer clube que tenha contribuído para a sua educação e formação receberá uma percentagem da compensação paga ao clube anterior (contribuição de solidariedade). As disposições relativas às contribuições de solidariedade constam do anexo 5 ao presente Regulamento.


ANEXO 5
MECANISMO DE SOLIDARIEDADE

Artigo 1º Contribuição de Solidariedade
Se um Profissional mudar de clube no decurso de um contrato, 5% do valor de qualquer compensação, à excepção da Compensação por Formação, paga ao Clube Anterior será deduzida ao valor total da compensação e distribuída pelo Novo Clube, como contribuição de solidariedade, aos clubes envolvidos na formação e educação do jogador ao longo dos anos. Esta contribuição de solidariedade será distribuída de acordo com o número de anos (calculado numa base percentual se for menos de um ano) que o jogador esteve inscrito em cada clube entre as Épocas do seu 12º e 23º aniversário, do seguinte modo:
- Época do 12º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 13º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 14º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 15º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 16º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 17º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 18º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 19º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 20º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 21º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 22º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 23º aniversário, 0,5% da compensação total

Artigo 2º Procedimento de Pagamento
1. O Novo Clube deve pagar a contribuição de solidariedade ao(s) clube(s) formador(es), em conformidade com as disposições acima estabelecidas, o mais tardar no prazo de 30 dias após a inscrição do jogador ou, em caso de pagamentos parcelares, 30 dias após a data de tais pagamentos.

2. É responsabilidade do Novo Clube calcular o montante da contribuição de solidariedade e a forma como deve ser distribuído de acordo com a história da carreira do jogador. O jogador deve, se necessário, apoiar o novo clube no cumprimento desta obrigação.

3. Se não puder ser estabelecida uma ligação entre o Profissional e qualquer um dos clubes dos quais recebeu formação, no prazo de 18 meses após a sua transferência, a contribuição de solidariedade é paga à Federação ou Federações do país (ou países) no qual o jogador recebeu formação. Esta contribuição de solidariedade será afecta aos programas de desenvolvimento do futebol jovem na Federação ou Federações em questão.

4. A Comissão do Estatuto dos Jogadores da FIFA pode impor medidas disciplinares a clubes que não respeitem as obrigações estipuladas no presente anexo.

Fonte: FPF

----------

“5% do valor de qualquer compensação paga ao Clube Anterior”

Aplicando ao caso do Hulk, temos:
5% do valor de qualquer compensação paga pelo Zenit ao FC Porto, será deduzida ao valor total da compensação e distribuída pelo Zenit, como contribuição de solidariedade, aos clubes envolvidos na formação e educação de Hulk ao longo dos anos.

Sendo o Zenit o clube responsável pelo pagamento da contribuição de solidariedade (algo que ficou claríssimo nos comunicados que a FCP SAD fez sobre este assunto), não é óbvio o interesse do clube russo em que o valor oficial da transferência seja 40 em vez de 60 milhões de euros?
É que só nesta habilidade a Gazprom poupa 1 milhão de euros!

Claro que habilidades destas só podem ser feitas se não entrarem em conflito com os interesses do clube vendedor (a FCP SAD, desde que receba 40 milhões pelos 85% do passe que detinha, não tem nada a perder em que o Zenit repita mil vezes que não teve mais encargos com esta transferência) e, evidentemente, só são possíveis em países onde as contas dos clubes/sociedades desportivas não sejam auditadas e/ou sujeitas a um escrutínio rigoroso.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Hulk, um caso extraordinário

«A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD vem comunicar, nos termos e para os efeitos do art. 248º do Código dos Valores Mobiliários, ter chegado a acordo com o Club Atlético Rentistas para a aquisição dos direitos de inscrição desportiva do jogador Givanildo Vieira de Souza.
Esta aquisição foi realizada pelo preço de € 5.500.000,00 (cinco milhões e quinhentos mil euros) sendo que a F.C.Porto, SAD adquiriu 50% dos direitos económicos do jogador.
Informa-se ainda que o jogador acordou com a sociedade um contrato válido para as próximas 4 temporadas, ou seja, até 30 de Junho de 2012. A cláusula de rescisão prevista é de € 40.000.000,00 (quarenta milhões de euros).
O Conselho de Administração
Porto, 25 de Julho de 2008»



Quando, em finais de Julho de 2008, o FC Porto contratou um tal de Givanildo, jogador sem currículo, praticamente desconhecido no Brasil (nunca tinha sido chamado à canarinha em qualquer dos escalões) e que nos três anos anteriores (2005 a 2008) tinha atuado em vários clubes japoneses - Kawasaki Frontale, Consadole Sapporo, Tokyo Verdy -, seguramente que a maior parte dos portistas (e não só) terá ficado admirada. E, inclusivamente, arrisco a dizer que alguns terão ficado de olhos em bico, perante os 5,5 milhões de euros que foram pagos por 50% do seu passe.

Quatro anos depois, e após ter sido absolutamente decisivo na conquista de 10 competições - 3 Campeonatos, 3 Taças de Portugal, 3 Supertaças e 1 Liga Europa (não foi por acaso que o dr. Ricardo Costa o suspendeu durante três meses…) -, Hulk sai do FC Porto pela porta grande, deixando atrás de si um rasto de saudade, naquela que é a maior transferência de sempre do futebol português e uma das maiores do futebol mundial.

Claro que nem todas as contratações, particularmente de jogadores sul-americanos, são comparáveis à de Hulk.
Se analisarmos apenas os que entraram e saíram no pós-Gelsenkirchen, houve casos cujo balanço desportivo-financeiro é excelente (Anderson, Pepe, Lucho, Lisandro, Falcao), outros que podemos classificar como bons/satisfatórios (Diego, Ibson, Bolatti, Ernesto Farias, Fucile, Guarín, Belluschi, Alvaro Pereira) e os que correram francamente mal (Lucas Mareque, Benitez, Ezequias, Valeri, Tomás Costa, Leandro Lima, Souza, Walter, Cristian Rodriguez).

Mas voltando ao caso do Hulk, o modo como se processou a sua contratação, aproveitamento desportivo e venda, traduz aquilo que a SAD portista tem de melhor e que tornou o FC Porto um case study a nível internacional:
1) Boa prospecção e/ou relação privilegiada com alguns dos principais agentes FIFA/empresários do futebol mundial;
2) Bom timing de contratação (a estratégia passa por contratar jogadores jovens de elevado potencial quando ainda não estão a preços proibitivos);
3) Excelente desempenho desportivo e ao longo de vários anos;
4) Valorização acentuada do jogador (Hulk chegou verdinho e saiu dourado, tendo sido distinguido com três dragões de ouro);
5) Renovação e extensão do contrato, juntamente com o aumento da respectiva cláusula de rescisão;
6) Venda inevitável por um valor irrecusável, com significativa geração de mais-valias.



Hulk foi um caso extraordinário (mesmo para os bons padrões do FC Porto). Nos tempos mais próximos, dificilmente voltaremos a ter um jogador que chegue ao Dragão como um desconhecido e saia como um super-herói.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Tentar decifrar o negócio Hulk

Hulk já se foi e não volta, pelo menos não nos próximos tempos a não ser que seja para nos assustar com os seus misseis indefensáveis. Ainda não ficou de todo claro, e talvez nunca fique, como se processou um negócio que há cinco dias, por 50 milhões, foi rejeitado pelo jogador ou pelo clube, vá-se lá saber, e que no limite dos limites do fecho das inscrições na UEFA se realizou por 60 milhões. Um valor que fica bem para o pódio de compras e vendas mas que para nós nos diz pouco. 40 milhões é o que chega ao FC Porto, é com 40 milhões que vamos ter de começar a pensar.

Ainda não sei se desse valor terão de sair comissões, velhas promessas ao jogador e ao agente, e a percentagem fundo de solidariedade. 85% de Hulk a 60 milhões equivale a 51 milhões, pelo que deduzo que esses 11 milhões que desapareceram sejam para pagar esses pontos pendentes. Se os russos pagaram ao fundo 9 milhões ou não, isso é com eles.

O negócio realizado in extremis é um grande negócio financeiro, um mau negócio desportivo e, sobretudo, um negócio necessário face a situação financeira do clube. Nenhum adepto gosta de ver sair os seus jogadores de referência, seja porque valores sejam, mas nós já estamos habituados a isto. Os valores hoje em dia são mais elevados porque os custos dos próprios jogadores e a sua massa salarial também. Mas a lenga-lenga é a mesma de sempre. Vender para sobreviver.

Pensem nos adeptos do AC Milan que viram Berlusconi negar que venderia Ibrahimovic e Thiago Silva e que depois acabou por aceitar a oferta mareante do PSG. Desportivamente foi um erro, financeiramente uma necessidade. O AC Milan também está com a corda na garganta, Berlusconi não encontra investidores e do dinheiro embolsado quase nada foi gasto no mercado para procurar alternativas. Não há margem de manobra.

O nosso caso é parecido ao dos italianos, com a diferença que nós estamos habituados a isto e eles não.
A venda de Falcao no ano passado, também em cima da hora, seguiu o mesmo percurso. Orquestrou-se uma renovação para manter vivo o fantasma da cláusula (continua sem sair um jogador do FCP pela cláusula até hoje) e a vontade do jogador sair, mas na base estava a necessidade urgente da SAD em fazer dinheiro com os seus melhores activos. Hulk, que aparentemente não queria ir a lado nenhum, entre outras coisas porque lhe dá mais jeito estar no Porto, ao lado de Danilo e Alex Sandro, para chamar a atenção de Mano Menezes do que ir para a Rússia, lá teve de aceitar a evidência. Se não saísse, especialmente depois de Moutinho ter ficado a minutos de ir para Londres, não haveria dinheiro para lhe pagar o salário. O dele e de outros. Tal como sucedeu no ano passado.

Desportivamente está claro que o FC Porto fica mais débil.
Perde o homem que decidia os jogos na Liga em campos pequenos, fechados e com a defesa de dez do outro lado. Perde o homem-golo, perde o líder espiritual em campo, perde a referência para os adeptos e o efeito surpresa que só um jogador como Hulk pode dar. Não vou entrar em comparações com as vendas dos rivais porque não pode ser assim que um clube pense, mas não creio que deixemos de ser favoritos a renovar o título.
Na Champions League, onde tivemos um grupo acessível, perdemos a superioridade que muitos analistas - e que eu próprio - dava face a Dynamo Kiev e Dynamo Zagreb. Creio que continuamos a ser superiores aos croatas mas com os ucranianos as coisas nivelam-se bastante mais. E as distâncias com o PSG aumentam. Que é possível passar? Claro que é, para isso está cá o treinador (que não desperta muita confiança) e o resto do plantel. E porque com Hulk, no ano passado, também não se seguiu em frente num grupo igualmente equilibrado.



A nível futuro seria muito difícil valorizar mais ainda Hulk.
É um jogador de 26 anos, já titular com a selecção do Brasil, medalha de prata olímpico e jogador conhecido e reconhecido em toda a Europa. Ao contrário de Falcao, que acredito que se vá valorizar ainda mais, especialmente porque os golos pagam-se mais caros, creio que seria impossível fazer uma venda melhor do que aquela que foi feita. São (aparentemente) 40 milhões por um jogador que custou 19 e que servirá para pagar salários, cumprir com o pagamento dos empréstimos obrigacionistas que chegam agora e tentar respirar. Sobretudo, tentar respirar.

Agora falta pensar o futuro.
Temo que em Janeiro, quando o mercado reabra, o FC Porto sinta a necessidade de pegar em parte desse dinheiro e ir ao mercado. Dependerá dos resultados da Champions, do eventual apuramento para os Oitavos (e do sorteio que se segue) e de como for a prova interna. Se a SAD já sabia que teria de vender Hulk este ano, sim ou sim, para manter as contas, também deveria ter consciência de que o plantel que fica deveria ser suficiente. É extremamente jovem, gerido por um técnico que não é propriamente competente, mas não pode depender de chegadas inesperadas e caras para tapar as previsões de agora. Da mesma forma que foi preciso ir buscar Janko primeiro e Jackson depois, porque não se encontrou alternativa a Falcao, espero que se tenha no clube a consciência de que não há outro Hulk no mercado e que é com o que temos que o navio tem de chegar a bom porto. Se não o ciclo de saldo negativo nunca se inverterá.

Por fim fica a questão do adepto ambicioso, do adepto que acredita que o FC Porto pode e deve ser algo mais. 
Não são muitos, a maioria parece ter-se contentado com a hegemonia indiscutível a nível nacional (que já dura 3 décadas, parabéns aos homens que a conseguiram, SAD incluída) sem pensar que depois de 2004 o clube podia ter dado um salto qualitativo importante.
O campeão por excelência da 5º liga dos ranking UEFA, o único clube nos últimos 15 anos a vencer a Champions League fora das grandes ligas, não pode arrancar cada época com o pensamento de passar a Fase de Grupos da Champions League.



Uma coisa é que, por motivo X, Y e Z, não se consiga passar. Desde que o torneio começou só o Real Madrid logrou passar sempre da fase de grupos. Outra é dar o objectivo por cumprido e por os Oitavos como objectivo mínimo. E não devia. O clube devia desenhar um plano de presente e futuro para fazer, de uma vez por todas, do FC Porto um clube de Quartos de Champions.
Se não chegamos lá todos os anos, paciência, haverá justificações para isso, tanto financeiras como desportivas. Mas devemos ambicioná-lo, devemos trabalhar para isso. APOEL, Benfica, Shaktar, Bordeaux, O. Lyon, Fenerbache, PSV e Villareal são equipas que o lograram nas edições posteriores ao nosso titulo europeu. Nenhum desses clubes vale mais, desportivamente, que o FC Porto. E salvo o Shaktar, apoiado por um milionário ucraniano com negócios no Brasil, nenhum é financeiramente muito mais poderoso que o FC Porto. Portanto esse passo não é uma utopia.

Sem Hulk, sem Falcao, sem Alvaro e companhia será sempre mais difícil dar esse salto. O clube optou por salvar o pescoço da situação financeira em que ele próprio se meteu. Parece-me muito bem, antes de comprar um carro há que ter de comer. Mas saciada a fome é preciso começar a pensar quando vamos poder comprar o carro e dar o salto que nos merecemos. Talvez então seja mais fácil dizer adeus quando um grande como Hulk se tenha de ir.

Perguntas do dia

1) Terá Vitor Pereira engenho para saber sistematicamente contornar «autocarros» (com que nos defrontamos em 80% dos jogos) sem o «abre-latas» Hulk?

2) Quem fará mais falta, Hulk no FCP ou Witsel no slb?
 
3) O Fairplay financeiro do Platini também se estende à Rússia?

4) Dos 40 milhões a pagar pelo Zenit, que % é que está programada entrar nos nossos cofres a curto prazo?

5) O Vilanovense (onde jogou com 14 e 15 anos) ainda vai ver algum dinheiro pela formação, ou só conta a partir dos 16 anos para o mecanismo de solidariedade? Se sim, saiu-lhes o Totoloto.

6) Para variar, o clube comprador encarrega-se diretamente de pagar a % de passe que não detemos (15%) tal como o mecanismo de solidariedade e comissões. No entanto tenho uma dúvida: 

Para além dos 15% do passe que não detínhamos, a SAD tinha-se comprometido há já bastante tempo «entregar o montante equivalente a 5% de uma receita líquida futura ao agente do jogador» (frase retirada literalmente do R&C). A troco de quê não faço ideia (e já falei nisso aqui anteriormente), mas adiante: está isto já incluído no que o Zenit vai pagar separadamente, ou ainda temos que descontar isso dos 40 milhões?

7) Finalmente: ao ver os 6 milhões de comissões (não sei para quem) - já para além do dinheiro pago ao agente do Hulk - pergunto-me: onde é que se pode estudar para ser intermediário em vendas e compras de passes de jogadores de futebol? Para mim é tarde, mas ainda vou a tempo de encaminhar o meu filho para essa profissão! :-)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O "Incrível" 60 milhões... Menos o IVA



“O brasileiro Hulk vai transferir-se do FC Porto para o Zenit, que pagará cerca de 60 milhões de euros pelo jogador, 40 dos quais serão lucro absoluto para os portistas, revelou à Lusa o empresário do futebolista.

Segundo Teodoro Fonseca, os portistas recebem 40 milhões de euros (ME), por 85 por cento do passe do avançado, enquanto o montante restante é distribuído pelo fundo que detinha 15 por cento (nove ME) dos direitos desportivos, pela comissão de 10 por cento por intermediação (seis ME) e pelo fundo de solidariedade, equivalente a cinco por cento do valor global (três ME).

Segundo a mesma fonte, dos 60 milhões são, também, retirados valores de prémios desportivos a receber pelo jogador e pelo agente, uma verba a rondar os dois milhões de euros.”
in, Agência Lusa, 03/09/2012


Chegou no limite da hora para as inscrições da UEFA a notícia que todos os portistas temiam. Hulk vai mesmo deixar de envergar as nossas cores, sendo que o FC Porto realiza a maior transferência deste defeso e uma das maiores de sempre no futebol mundial.

Olhando o contexto económico atual e percebendo o obstáculo que é o campeonato português (sendo visto como uma Liga menor e sem preponderância), mesmo para um clube de referência como o nosso, é um montante quase difícil de imaginar e impossível de rejeitar.

Perde-se um dos jogadores mais empolgantes dos últimos anos, um símbolo da equipa e dos adeptos, um elemento que era responsável por grande parte da construção e organização ofensiva da equipa – e que fica sem possibilidade de ter um substituto -, mas onde os rublos russos vêm como de pão para a boca de uma SAD em aperto financeiro.

As virtudes financeiras e méritos negociais da estrutura portista estão de parabéns. 60 milhões de euros é uma maquia que, porventura, não pertence à nossa orbita periférica. Porém continuam a resistir nestas transferências milionárias as generosas despesas de intermediação que nada dignificam as entidades negociais envolvidas. Ninguém no seu perfeito juízo, no mundo empresarial, considera razoável pagar 6 milhões de euros pela intermediação de um negócio. Ninguém… a não ser no futebol! Uma comunidade à parte, naturalmente!

P.S.: À hora em que este artigo foi publicado ainda não tinha sido comunicado pelo FC Porto à CMVM todos os contornos deste negócio.

domingo, 2 de setembro de 2012

Respirar fundo antes de voltar a sofrer...



Uma verdadeira montanha russa de emoções. Depois de se ver nos primórdios do encontro em desvantagem no marcador o campeão nacional foi capaz de fazer uma reviravolta assertiva sob a batuta de um “bandido” colombiano. Num ocaso que parecia tranquilo, Targino pôs a equipa azul e branca em estado de alerta quando o seu meio-campo perecia como uma manta de retalhos incapaz de suster o equilíbrio de um jogo que num ápice se tornou incómodo. Vitória justa, mas desnecessariamente tremida, num batateiro inqualificável.

Aos 72 minutos, quando Hulk fuzilou as redes de Ricardo no terceiro tento portista da noite, a história do jogo ficou definitivamente sentenciada. O que Vítor Pereira não previu foi a perda de Defour na sua zona intermediária, isto depois de já ter retirado para os aposentos Lucho Gonzalez. O miolo portista perdeu preponderância e controlo sobre o jogo, tornando os 7 minutos finais num calvário para o qual já ninguém estava preparado. Foi azar perder o médio belga por lesão. Mas foi pouco ajuizado retirar “El Comandante” mais cedo quando o estanque Fernando por lá não morava.

Enfim, sofrimentos de última hora à parte, que ficam sempre mais retina, houve felizmente muita matéria que nos faça merecer um sorrir. Inevitavelmente com James Rodriguez logo à cabeça. Transcreveu em prática um agitar de encontro que parecia querer nos fugir. Futebol prático, circulado e de passe bem medido, tudo o que a equipa não tinha e que felizmente Vítor Pereira descortinou necessário impregnar sem ter de aguardar pelo intervalo da praxe. Uma proatividade que só lhe fica bem.

Era certo que o FC Porto dominava - fê-lo desde cedo – mesmo que enrolado naquele jeito repelão e pouco corrido, tantas vezes já revisto noutras batalhas. As finalizações saíam de forma esporádica e bolas paradas sempre na miséria que se lhe reconhece. A compor o ramalhete Alex Sandro faz um erro de palmatória com um passe transviado a meio terreno oferecendo a vantagem aos homens de Olhão. Assustado o dragão só se recompôs quando o miúdo James veio a jogo. Catapultou para frente os seus companheiros e fez o empate. E que chapelada!

Mais animados com a ponta final da 1ª parte o campeão nacional aproveitou o embalo para arrumar a contenda. Numa bola metida a régua e esquadro pelo “dínamo” de serviço, Jackson Martinez sentou Ricardo para a reviravolta já merecida. Era o período onde domínio se sentia por inteiro e onde o dilatar do resultado chegaria não muito depois. Tudo aparentemente sob controlo… Não recalquemos, pois, a tremedeira final. Meritoriamente induzida pelos comandados de Sérgio Conceição. Mas não a ponto de merecer roubar os 3 pontos à nossa equipa.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Platini, esse Rui Rio do Futebol Europeu

Eleito em 2006, Michel Platini está no segundo mandato como presidente da UEFA, mas tal como Rui Rio, parece que ainda vai no primeiro tão pouco é o trabalho que tem para apresentar. Prometeu uma revolução na vertente financeira do Futebol Europeu, através de tectos salariais e de despesas e ameaças de exclusão das provas da UEFA para os clubes demasiadamente endividados. Até um feudo arranjou com o Pinto da Costa e o FCP. Resultados visíveis: zero. Lá conseguiu impor os árbitros de baliza, mas como as corridas na Boavista, são de interesse duvidoso.



E porquê Platini, "nesta altura do campeonato"? Simplesmente, porque é ele o primeiro e único responsável - já lá está há 12... 6 anos, e já não vale atirar a culpa para o antecessor - pela inquietação em que vivem muitos adeptos todos os anos por esta altura. Há campeonatos com duas jornadas já jogadas, e mesmo assim há clubes com plantéis por fechar - como é o caso do do FCP. Quanto mais se pensa nisso, mais absurdo parece. Como é uma coisa destas possível numa estrutura com a responsabilidade da UEFA? É inegável que esta situação tem impacto nas competições - os jogadores (daqueles que jogam) estão com os pés em campo, mas com a cabeça noutro país - na gestão dos clubes e nos direitos dos próprios adeptos.

Ao invés de andar com "rodriguinhos" como são as tais regras de "fair-play financeiro" que anda a prometer implementar - como o outro com o fim do estacionamento em segunda fila - desde que foi eleito, por que não acaba com esta palhaçada do mercado de tranferências que nunca mais fecha? Isso sim, seria uma verdadeira medida de fair-play, e com um imenso poder equilibrador entre clubes pequenos/pobres e grandes/ricos. O actual estado só beneficia os clubes endinheirados porque podem escolher quando gastar o dinheiro. E num negócio feito sob pressão, normalmente é quem vende - e é porque o jogador faz birra para sair, ou porque precisa mesmo de vender; os exemplos são vários - que sai a perder. Pior ainda, aumenta até o fosso competitivo entre os clubes de topo e os restantes: a menos de uma semana para o fecho do mercado, mesmo tendo jogadores referenciados, quem e a que preço é que o Porto vai contratar para substituir, por exemplo, o Hulk? O que aconteceu o ano passado, também nesta altura, com o Falcao, deixa qualquer um com o credo na boca.

Platini, és um FDM.

domingo, 26 de agosto de 2012

Foi só dar mais um "cheirinho" no acelerador



Com outra vivacidade o FC Porto transfigurou-se da jornada inaugural para a segunda etapa do campeonato. “O campeão voltou” disse – e bem - o público do dragão, bastando para isso que o conjunto orientado por Vítor Pereira imprimisse um ritmo mais exigente para desconstruir a organização adversária. Numa partida de sentido único, quase sempre bem jogada, o resultado robusto fez-se erguer naturalmente em consonância com a solidez exibicional da equipa azul e branca.

É de facto incomparável a velocidade com que a bola circulou entre os nossos homens. Igualmente incomparável é a intensidade que os mesmos impregnaram ao jogo. Duas nuances fundamentais para o futebol ser de outro quilate, limpo de impurezas causadoras de ardor ao consumo. Os regressos da dupla brasileira às laterais da defesa e a inclusão do "agitador" Cristian Atsu ajudaram a complementar o dinamismo intenso que pautou a prestação do campeão nacional.

Não se tornou estranho, pois, os portistas assomarem-se em redor da baliza vimaranense desde cedo. As combinações fluíam razoavelmente entre a linha média – com Lucho a encostar muitas vezes na zona de área, não faltando também as variações nos flancos onde os imprescindíveis apoios de Alex Sandro e Danilo surtiam efeito. Depois de uma tentativa de meia distancia falhada, “El Comandante” abriu o marcador num remate de grande qualidade em um dos vários movimentos colectivos de circulação do esférico interessantes que se geraram.

O resultado tangencial do intervalo não conheceu maior expressão por alguma precipitação no último terço de terreno da nossa parte e, não menos verdade, a vista grossa de Hugo Miguel a um braço de NDiaye no interior da área. Nada que apoquentasse a equipa da casa. Aliás, insaciável, é a melhor palavra para definir a fantástica 2ª parte do FC Porto.

Rui Vitória desmontou o duplo pivô defensivo, abdicando de Barrientos. Tentou explorar as alas com Marco Matias, mas os visitantes não tiveram engenho para se conseguir fazer impor ao dragão. Bem pelo contrário. Num ritmo absurdo a nossa equipa lançou-se à procura da tranquilidade, algo que viria a alcançar a meio da etapa final num forte pontapé diagonal de Hulk. Uma imagem de marca muito sua. Quem saberá se pela última vez exibida no estádio do Dragão.

Livres de sobressaltos e com os pontos todos no bolso o FC Porto fez um jogo solto e colorido. Não tardou o terceiro tento da noite, o “bis” de Lucho, após recarga a um remate de Atsu. Para tudo deu, até para Jackson Martinez converter uma penalidade sobre Moutinho e se estrear a faturar no campeonato. Uma felicidade para dar e vender. Alegria e entusiasmo no futebol praticado. E porque não é sempre assim?

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Quando Hulk não resolve...

«A Liga 2012/13 só começou no papel para o F.C. Porto. O filme é o mesmo visto várias vezes ao longo da época passada e que, apesar de ter corrido bem na Supertaça, não voltou a ter final feliz. Entrada amorfa, futebol pouco esclarecido, dois pontos perdidos. (...)

A tarde era de muito calor e o F.C. Porto entrou para não suar muito. (...) Com o Gil lá atrás, à espera de um contra-ataque milagroso, o resto cabia ao F.C. Porto. Tão natural como a sua sede, já dizia o anúncio. Esperado, quase obrigatório. Mas faltou pimenta ao ataque portista. Havia mais F.C. Porto, mas faltava um F.C. Porto organizado. O jogo começou assim, continuou assim e acabou assim. Perto do fim, houve a natural tentativa desesperada dos bicampeões nacionais. Mas o desespero quase nunca é bom conselheiro. (...)

James pouco ou nada inspirado, Jackson ainda a aprender e Hulk para o resto. Só Hulk. Sempre ele, como se tivesse sido chamado para matar as saudades dos adeptos. Correu, rematou, mostrou alguns pormenores do costume, misturou-os com erros de início de época. Tentou, como sempre.
Entrar mal no jogo nem é uma novidade para o F.C. Porto de Vítor Pereira. Uma tecla tão batida na temporada passada que continua a ser incompreensível como não gasta de vez. É verdade que a bola esteve quase sempre do lado azul e branco, mas também é certo que quase nunca foram tomadas as melhores opções com ela. O F.C. Porto parecia esperar o que o jogo poderia dar. Como em tantas outras ocasiões. Não sossegou os adeptos, não quis resolver cedo. Arriscou e foi permitindo que o Gil respirasse, naquele estilo em bloco. (...)

Para o F.C. Porto fica o aviso: é preciso mais. Tem de haver mais. A oportunidade de começar a Liga na frente de Benfica e Sp. Braga ficou para trás. Resta perceber se a capacidade de resposta que valeu um título na época passada continua pelos lados do Dragão.»
in Maisfutebol, 19-08-2012


Subscrevo esta análise ao Gil Vicente x FC Porto, da autoria do jornalista João Tiago Figueiredo e publicada no site Maisfutebol uns minutos após o final do jogo. De facto, quando Hulk não resolve os jogos com as suas arrancadas, assistências ou golos, tudo se complica e vêm ao de cima as insuficiências desta equipa.

É verdade que o mercado ainda não fechou e que há jogadores, principalmente Hulk e Moutinho, com legitimas expectativas em saírem do FC Porto para clubes mais endinheirados de campeonatos com outra projecção mediática, mas situações destas acontecem todos os anos (basta recordar os casos de Quaresma e Bruno Alves) e, apesar disso, ontem Hulk voltou a ser o melhor;
É verdade que há jogadores importantes - Hulk, Danilo e Alex Sandro - que não fizeram a pré-temporada no FC Porto, mas todos eles já cá estavam na época passada e, por via disso, conhecem perfeitamente quer os companheiros de equipa, quer os métodos do treinador;
É verdade que na passada quarta-feira houve uma anedótica data FIFA para jogos particulares das selecções, mas jogos do campeonato antecedidos de deslocações e mini-estágios das selecções é algo com que todos os treinadores do FC Porto têm de saber lidar, sendo o preço a pagar por terem um plantel recheado de internacionais (o Paulo Alves do Gil não tem "problemas" destes...).

Seja como for, mesmo com estes handicaps, a equipa do FC Porto tem de jogar muito mais do que jogou em Barcelos, principalmente se levarmos em conta que o adversário foi uma equipazinha do nível deste Gil Vicente. E o pior é que a exibição da equipa portista no jogo de ontem foi um remake cansativo de muitos (demasiados) "filmes" de má qualidade que se viram na época passada.

O treinador principal do FC Porto, que tem à sua disposição um plantel de mais de 100 milhões, o qual inclui jogadores do nível do Hulk, Moutinho, James, Lucho, Danilo, Alex Sandro, etc., não pode chegar ao fim de um jogo destes e apresentar como desculpa a "relva altíssima", as "dimensões mais reduzidas do campo" ou o anti-jogo permanente da equipa adversária.
O treinador principal do FC Porto tem obrigação de saber que, no campeonato português, a maior parte das equipas recorrem a estes e outros expedientes do género para travar os dragões. Compete-lhe a ele encontrar antídotos para este tipo de armadilhas e, em vez de um futebol lento, mastigado e sem ritmo, pôr a equipa a jogar, desde o apito inicial, um futebol veloz, pressionante e eficaz (se puder ser também bonito tanto melhor).

Chega de desculpas após exibições destas. Depois de uma limpeza generalizada do balneário e da contratação de um ponta-de-lança que "era muito desejado pelo treinador" (foi Pinto da Costa quem o disse), que mais falta ao actual treinador principal do FC Porto para pôr em prática o futebol que prometeu e que este plantel de luxo possibilita? Depois de um ano de transição, será que esta época podemos sonhar com um cheirinho do futebol que vimos na época 2010/11, quando Vítor Pereira era adjunto de André Villas-Boas?


P.S. A manter-se este tipo de futebolzinho, nem quero pensar no destino da equipa azul-e-branca se o "abono de família" Hulk sair.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

Fotos: Maisfutebol

domingo, 19 de agosto de 2012

Os maus hábitos ainda resistem...



Pegar no jogo de estreia no campeonato do FC Porto ou de qualquer outro da época passada, seria um exercício de dificílima distinção. O futebol lento, pouco ritmado, de circulação de bola medíocre e de baixa eficácia está aí para durar, para mal de todos os pecados e cabelos grizalhos dos adeptos azuis e brancos. Tal como começou, acabou. Um jogo que foi um redondo zero, apenas pontuado por umas pífias cocegas do campeão nacional.

Desta vez, a felicidade da passada semana não voltou a acontecer. O golo ao cair do pano não surgiu, apesar de a cabeça de Jackson ter estado bem perto de voltar a fazer estragos no minuto 87. Adriano não deixou, pontuando uma excelente exibição. Mas a prestação do guarda-redes da equipa de Barcelos não justifica o nulo do resultado que, pese embora tenha feito intervenções válidas em momentos importantes, elas foram esporádicas, em consonância com a lenta dinâmica portista.

Sem chama, sem intensidade e pouco génio criativo, o dragão nunca soube fitar os olhos gilistas. O adversário passeou confortável todo o primeiro tempo, onde só um remate de Lucho e outro de Hulk arregalaram meias vistas entre o calor que fazia. Mesmo com Moutinho de regresso à titularidade, o conjunto de Vítor Pereira não conseguiu agarrar o jogo logo de começo e nem o contraponto do virtuosismo individual de James se viu enquanto esteve em campo. A irregularidade do colombiano não ajuda, definitivamente.

Se a velocidade imprimida pela nossa equipa causava bocejo, sobravam bolas paradas em barda para potenciar o entusiasmo de poder ver o esférico a rondar as redes adversárias. A ténue esperança de resolver um problema que de outro modo não se conseguia também não passou disso mesmo. O aproveitamento dos portistas neste tipo de lances vai nas calendas gregas e Hulk parece ter merecido carta-branca para bater tudo o que é livre, mesmo quando exista quem possa fazer as vezes em jeito ou quando a distância nada o justifica.

E a propósito do avançado brasileiro, que muito fez, lutou e nunca se escondeu do jogo, lamenta-se que invariavelmente não domine sabiamente os tempos de jogo. Procura excessivamente resolver por si só a contenda e levar a equipa às costas, quando se pede na maioria das vezes que simplesmente a ajude a resolver algumas dificuldades (que é bem diferente de resolver tudo).

A entrada de Atsu trouxe algum reboliço à partida. James não saia do seu rendilhado inconsequente e Alex Sandro  - poucos minutos entrara em campo a render Mangala – ajudou a esticar a ala esquerda do FC Porto, apesar do meio-campo ter perdido predominância com a saída de Fernando. Alterações que pouco mexeram no contexto do encontro; Adriano a salvar, Hulk a rematar e bolas paradas sempre a desperdiçar.

Para quem crê em ideologias místicas ou outras ideias do oculto estará a colocar o estádio cidade de Barcelos no mapa dos lugares mal quistos. Cada um tira as suas ilações. E, certamente, elas se ouviram com estrondo ao longo da semana. Há contudo um facto que, porventura, é unanime por hora no universo azul e branco; O futebol monocórdico de Vítor Pereira está aí para durar!